Lewandowski é derrotado na tentativa de reduzir a pena de Dirceu; só Toffoli e Marco Aurélio o acompanham

Publicado em 28/08/2013 17:38 e atualizado em 18/09/2013 12:56
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por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Lewandowski é derrotado na tentativa de reduzir a pena de Dirceu; só Toffoli e Marco Aurélio o acompanham; Celso de Mello: “Nada de novo sob o sol senão a clarificação desses eventos vergonhosos”.

Ricardo Lewandowski tentou, mais uma vez, reduzir a pena de José Dirceu — no caso, centrou fogo no crime de formação de quadrilha. A maioria rejeitou o seu ponto de vista, a saber: Joaquim Barbosa, Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Acataram o recurso com vistas à redução da pena, além de Lewandowski, Dias Toffoli e Marco Aurélio.

Celso de Mello fez mais um discurso que entrará para a história do Supremo, lembrando a gravidade dos crimes cometidos. Lewandowski, acreditem, chegou a classificar a dosimetria de “imprestável”. Qual é o ponto central da argumentação? Dirceu teve a pena majorada por conta de sua posição no governo e no esquema, o que, para ele, seria a mesma coisa. Evidentemente, não é — a menos que se considere não haver diferença entre o governo e a quadrilha… 

O decano desmoralizou algumas falsas acusações feitas ao tribunal, como a de que este teria sido excepcionalmente duro com os mensaleiros. Lembrou que a corte rejeitou, por exemplo, a acusação de peculato no caso de José Genoino e José Dirceu — embora, convenha-se, boa parte do dinheiro que alimentou o esquema criminoso fosse pública.

Mello encerrou a sua intervenção com uma frase que deve ser registrada: “Nada de novo sob o sol [no julgamento do mensalão] senão a clarificação desses eventos vergonhosos”.

Celso de Mello faz 70 anos só em novembro de 2015. Sabe-se que está tentado, por razões de saúde, a antecipar a sua aposentadoria, quem sabe ainda neste ano. Voltemos à campanha: “Fica, Celso de Mello!”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Com a devida vênia, ministra Cármen Lúcia, não pode ser assim quando pode não ser assim…

Em reportagem de Gabriel Castro, na VEJA.com, afirma a ministra Cármen Lúcia:
“A Câmara cumpriu o papel dela. Pela norma em vigor, a legislação foi cumprida. Se o resultado é benéfico ou não, aí compete ao próprio povo verificar (…). O Supremo fez o papel de julgar, e a cassação, eu sempre entendi que é uma competência do Congresso”.

Com todo o respeito à ministra, que reputo, e não lhe faço nenhum favor, uma pessoa séria, o juízo merece algumas considerações. Não estamos diante de uma situação “dura lex sed lex”. A argumentação jurídica que impede essa barbaridade é igualmente sólida. Eu não acho que cabe a um juiz torcer a lei para corrigir distorções que estão na sociedade — não me filio a essa corrente.

Mas acho que, no caso de a norma jurídica permitir, e ela permite, que se evite uma situação que humilha as instituições e um senso mínimo de decoro e dignidade, essa deve ser a escolha imperiosa do juiz.

Ministra, não pode ser assim quando pode não ser assim…

Por Reinaldo Azevedo

 

Deputado-presidiário – A lista dos faltosos revela como atuaram os partidos: PT lidera na quantidade; PP, na proporção; PSD está no topo, ao lado do PSB, do presidenciável Eduardo Campos; dois tucanos graúdos se ausentaram

Esse troço deu um trabalho danado, mas vale a pena ver o resultado. Neste post, há a lista dos deputados que faltaram à sessão que decidiu o destino do deputado Natan Donadon (sem partido-RO). Agrupei os valentes por bancada. Sim, há pessoas que estão doentes, como José Genoino e Romário. Mas é claro que essa não é a regra. Em números absolutos, o PT lidera a lista dos faltosos, com 21 deputados, seguido pelo PMDB, com 15. O PP vem em seguida, com 14. O PSD, logo atrás, com 12. Como o que define o resultado é o número absoluto de parlamentares, então se pode dizer que o PT é quem mais colaborou com a estratégia. Mas há uma outra leitura possível, bastante relevante: considerar o número de faltosos segundo o tamanho da bancada. Aí, a ordem é esta. Leiam. Volto em seguida.

Partidos com até 10 deputados

PP (14) – 35,9% dos 39 deputados

PSD (11) – 26,6% dos 45 deputados

PSB (6) – 24% dos 25 deputados

PT (21) – 23,9% dos 88 deputados

DEM (6) – 22,2% dos 27 deputados

PR (8) – 21% dos 38 deputados

PCdoB-BA (2) – 15,4% dos 13 deputados

PMDB (15) – 18,5% dos 81 deputados

PPS (2) – 18,2% dos 11 deputados

PSDB (6) – 12,2% dos 49 deputados

PSC (2) – 12,5% dos 16 deputados

PDT (3) – 11,5% dos 26 deputados

PTB (2) – 11,1 % dos 18 deputados

PV (1) – 10% dos 10 deputados

PRB (1) – 10% dos 10 deputados

Partidos com menos de 10 deputados

Sem partido – (1)

PMN (1) – 33,3% dos 3 deputados

PTdoB (1) – 33,33% de 3 deputados

Retomo

Vejam ali. O PP de Paulo Maluf (SP) é mesmo imbatível. Quase 36% da bancada deixou de votar. Em segundo lugar, olhem lá, aparece o PSD, comandado por Gilberto Kassab. Também não surpreende ninguém. Chamo a atenção para o fato de que o PSB, do presidenciável Eduardo Campos, está percentualmente à frente do PT.

O PSDB anunciou que vai recorrer ao STF para tentar reverter o resultado absurdo. Faz bem, mas que se note: 6 deputados do partido se ausentaram da votação, incluindo Marcos Pestana (MG) e Sérgio Guerra (PE), que hoje compõem a linha de frente da pré-campanha de Aécio à Presidência e são dois tucanos graúdos.

A lista segue abaixo. Vocês verão que, entre os ausentes, está Gabriel Chalita (PMDB-SP), que se tornou notório por dar palestras sobre ética — deve ter escrito um monte de livros a respeito. Faz sentido. O ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel enviou ao STF um pedido de abertura de inquérito para investigá-lo. O inquérito pretende apurar denúncia feita pelo analista de sistemas Roberto Leandro Grobman, que trabalhou durante anos com o grupo educacional COC e diz ter sido indicado para se aproximar de Chalita para prospectar negócios para o grupo.

Segue a lista.

PT-PR (21) – 23,9% dos 88 deputados

Angelo Vanhoni (PT-PR) – (61) 3215-5672 – [email protected]

Anselmo de Jesus (PT-RO) – (61) 3215-5948 – [email protected]

Artur Bruno (PT-CE) – (61) 3215-5467 – [email protected]

Beto Faro (PT-PA) – (61) 3215-5723 – [email protected]

Biffi (PT-MS) – (61) 3215-5260 – [email protected]

Bohn Gass (PT-RS) – (61) 32155269 – [email protected]

Iriny Lopes (PT-ES) – (61) 3215-5469 – [email protected]

João Paulo Cunha (PT-SP) – (61) 3215-5965 – [email protected]

José Genoino (PT-SP) – (61) 3215-5967 – [email protected]

Josias Gomes (PT-BA) – (61) 3215-5642 – [email protected]

Luiz Alberto (PT-BA) – (61) 3215-5954 – [email protected]

Marcon (PT-RS) – (61) 3215-5569 – [email protected]

Marina Santanna (PT-GO) – (61) 3215-5279 – [email protected]

Miguel Corrêa (PT-MG) – (61) 3215-5627 – [email protected]

Weliton Prado (PT-MG) – (61) 3215-5862 – [email protected]

Vicentinho (PT-SP) – (61) 3215-5740 – [email protected]

Odair Cunha (PT-MG) – (61) 3215-5556 – [email protected]

Pedro Eugênio (PT-PE) – (61) 3215-5902 – [email protected]

Pedro Uczai (PT-SC) – (61) 3215-5229 – [email protected]

Rogério Carvalho (PT-SE) – (61) 3215-5641 – [email protected]

Ronaldo Zulke (PT-RS) – (61) 3215-5858 – [email protected]

PMDB (15) – 18,5% dos 81 deputados

Alceu Moreira (PMDB-RS) – (61) 3215-5445 – [email protected]

André Zacharow (PMDB-PR) – (61) 3215-5238 – [email protected]

Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA) – (61) 3215-5537 – [email protected]

Asdrubal Bentes (PMDB-PA) – (61) 3215-5410 – [email protected]

Carlos Bezerra (PMDB-MT) – (61) 3215-5815 – [email protected]

Darcísio Perondi (PMDB-RS) – (61) 3215-5518 – [email protected]

Eliseu Padilha (PMDB-RS) – (61) 3215-5222 – [email protected]

Gabriel Chalita (PMDB-SP) – (61) 3215-5817 – [email protected]

Genecias Noronha (PMDB-CE) – (61) 3215-5244 – [email protected]

José Priante (PMDB-PA) – (61) 3215-5752 – [email protected]

Júnior Coimbra (PMDB-TO) – (61) 3215-5274 – [email protected]

Leonardo Quintão (PMDB-MG) – (61) 3215-5914 – [email protected]

Mário Feitoza (PMDB-CE) – (61) 3215-5371 – [email protected]

Newton Cardoso (PMDB-MG) – (61) 3215-5932 – [email protected]

Renan Filho (PMDB-AL) – (61) 3215-5907 – [email protected]

PP (14) – 35,9% dos 39 deputados

Afonso Hamm (PP-RS) – (61) 3215-5604 – [email protected]

Beto Mansur (PP-SP) – (61) 3215-5616 – [email protected]

Carlos Magno (PP-RO) – (61) 3215-5213 – [email protected]

Guilherme Mussi (PP-SP) – (61) 3215-5712 – [email protected]

José Linhares (PP-CE) – (61) 3215-5860 – [email protected]

José Otávio Germano (PP-RS) – (61) 3215-5424 – [email protected]

Luiz Fernando Faria (PP-MG) – (61) 3215-5339 – [email protected]

Waldir Maranhão (PP-MA) – (61) 3215-5541 – [email protected]

Vilson Covatti (PP-RS) – (61) 3215-5228 – [email protected]

Toninho Pinheiro (PP-MG) – (61) 3215-5584 – [email protected]

Paulo Maluf (PP-SP) – (61) 3215-5512 – [email protected]

Pedro Henry (PP-MT) – (61) 3215-5829 – [email protected]

Renato Molling (PP-RS) – (61) 3215-5337 – [email protected]

Renzo Braz (PP-MG) – (61) 3215-5373 – [email protected]

PSD (12) – 26,6% dos 45 deputados

Dr. Luiz Fernando (PSD-AM) – (61) 3215-5520 – [email protected]

Edson Pimenta (PSD-BA) – (61) 3215-5403 – [email protected]

Eduardo Sciarra (PSD-PR) – (61) 3215-5433 – [email protected]

Eliene Lima (PSD-MT) – (61) 3215-5837 – [email protected]

Fernando Torres (PSD-BA) – (61) 3215-5462 – [email protected]

Heuler Cruvinel (PSD-GO) – (61) 3215-5275 – [email protected]

Homero Pereira (PSD-MT) – (61) 3215-5960 – [email protected]

João Lyra (PSD-AL) – (61) 3215-5720 – [email protected]

José Carlos Araújo (PSD-BA) – (61) 3215-5246 – [email protected]

Manoel Salviano (PSD-CE) – (61) 3215-5506 – [email protected]

Marcos Montes (PSD-MG) – (61) 3215-5334 – [email protected]

Sérgio Brito (PSD-BA) – (61) 3215-5638 – [email protected]

PR (8) – 21% dos 38 deputados

Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG) – (61) 3215-5854 – [email protected]

Inocêncio Oliveira (PR-PE) – (61) 32155963 – [email protected]

Laercio Oliveira (PR-SE) – (61) 3215-5629 – [email protected]

Manuel Rosa Neca (PR-RJ) – (61) 3215-5341 – [email protected]

Zoinho (PR-RJ) – (61) 3215-5619 – [email protected]

Zé Vieira (PR-MA) – (61) 3215-5405 – [email protected]

Vicente Arruda (PR-CE) – (61) 3215-5603 – [email protected]

Valdemar Costa Neto (PR-SP) – (61) 3215-5542 – [email protected]

PSB (6) – 24% dos 25 deputados

Abelardo Camarinha (PSB-SP) – (61) 3215-5609 – [email protected]

Alexandre Roso (PSB-RS) – (61) 3215-5742 – [email protected]

Antonio Balhmann (PSB-CE) – (61) 3215-5522 – [email protected]

Beto Albuquerque (PSB-RS) – (61) 3215-5338 – [email protected]

Sandra Rosado (PSB-RN) – (61) 3215-5650 – [email protected]

Paulo Foletto (PSB-ES) – (61) 3215-5839 – [email protected]

DEM (6) – 22,2% dos 27 deputados

Abelardo Lupion (DEM-PR) – (61) 3215-5515 – [email protected]

Betinho Rosado (DEM-RN) – (61) 3215-5840 – [email protected]

Claudio Cajado (DEM-BA) – (61) 3215-5630 – [email protected]

Eli Correa Filho (DEM-SP) – (61) 3215-5519 – [email protected]

Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP) – (61) 3215-5538 – [email protected]

Lira Maia (DEM-PA) – (61) 3215-5516 – [email protected]

PSDB (6) – 12,2% dos 49 deputados

Carlos Roberto (PSDB-SP) – (61) 3215-5568 – [email protected]

Marco Tebaldi (PSDB-SC) – (61) 3215-5483 – [email protected]

Marcus Pestana (PSDB-MG) – (61) 3215-5715 – [email protected]

Vanderlei Macris (PSDB-SP) – (61) 3215-5348 – [email protected]

Sérgio Guerra (PSDB-PE) – (61) 3215-5754 – [email protected]

Pinto Itamaraty (PSDB-MA) – (61) 3215-5933 – [email protected]

PDT (3) – 11,5% dos 26 deputados

Enio Bacci (PDT-RS) – (61) 3215-5930 – [email protected]

Giovani Cherini (PDT-RS) – (61) 32155468 – [email protected]

Giovanni Queiroz (PDT-PA) – (61) 3215-5618 – [email protected]

PCdoB-BA (2) – 15,4% dos 13 deputados

Alice Portugal (PCdoB-BA) – (61) 3215-5420 – [email protected]

Jandira Feghali (PCdoB-RJ) – (61) 3215-5622 – [email protected]

PPS (2) – 18,2% dos 11 deputados

Almeida Lima (PPS-SE) – (61) 3215-5726 – [email protected]

Arnaldo Jardim (PPS-SP) – (61) 3215-5245 – [email protected]

PTB (2) – 11,1 % dos 18 deputados

Jovair Arantes (PTB-GO) – (61) 3215-5504 – [email protected]

Sabino Castelo Branco (PTB-AM) – (61) 3215-5911 – [email protected]

PSC (2) – 12,5% dos 16 deputados

Nelson Padovani (PSC-PR) – (61) 3215-5513 – [email protected]

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) – (61) 3215-5254 – [email protected]

PV (1) – 10% dos 10 deputados

Eurico Júnior (PV-RJ) – (61) 3215-5375 – [email protected]

PMN (1) – 33,3% dos 3 deputados

Jaqueline Roriz (PMN-DF) – (61) 3215-5408 – [email protected]

PRB (1) – 10% dos 10 deputados

Vilalba (PRB-PE) – (61) 3215-5915 – [email protected]

PTdoB (1) – 33,33% de 3 deputados

Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) – (61) 3215-5230 – [email protected]

Sem partido (1)

Romário (sem partido-RJ) – (61) 3215-5411 – [email protected]

Por Reinaldo Azevedo

 

PSDB diz que vai ao STF contra procedimento que garantiu mandato a Donadon

O PSDB anunciou, numa nota distribuída à imprensa, que vai recorrer ao STF contra o procedimento adotado pela Câmara no processo de cassação do mandato de Natan Donadon, o agora deputado-presidiário. O partido entende que caberia à Mesa apenas declarar a sua cassação, com base no Parágrafo 3º do Artigo 55 da Constituição (ver post anterior).

A nota traz uma fala do líder Carlos Sampaio (SP): “O STF já definiu que cabe à Câmara a última palavra no caso da perda de mandato de parlamentares condenados. E, tendo ela essa prerrogativa, cabe-lhe apenas declarar a cassação e não colocar em votação. O rito adotado foi equivocado e abre um precedente perigoso, já que a Câmara está na iminência da discussão da perda do mandato dos mensaleiros”.

A argumentação é sensata, mas não creio que prospere. A tendência do STF é não se meter nesse tipo de escolha. O absurdo mesmo está na decisão tomada pelo tribunal, por seis a quatro, no caso do senador Ivo Cassol (PP-RO), conforme explico no post anterior. De todo modo, é bom o PSDB propor o debate e, mais do que isso, botar a boca no trombone. Espero que todos os tucanos tenham comparecido em massa para votar — e em favor da cassação, é claro.

Por Reinaldo Azevedo

 

Em texto intelectualmente doloso, colunista da Folha e subnotório serviçal do PT patrulha o Roda Viva e sugere que eu seja preventivamente banido do programa

Um colunista da Folha, esbirro do PT, quer que eu seja banido da TV Cultura — quem sabe do mundo. Já explico.

O jornalista Augusto Nunes voltou ao comando do “Roda Viva”, na TV Cultura. A reestreia aconteceu na segunda-feira. É a sua terceira jornada. Esteve à frente do programa entre 1987 e 1989 e foi um dos convidados fixos entre 2010 e 2011. O entrevistado, nessa reestreia, foi o jurista Miguel Reale Jr. Atenção! Compunham a bancada os jornalistas Vera Magalhães (Folha), Sônia Racy (Estadão), Guilherme Evelin (Época) e Raimundo Nunes Pereira (Retrato do Brasil). O não-jornalista da turma era o historiador Marco Antonio Villa, que é comentarista político da TV Cultura. Muito bem! Certamente havia muita gente intelectualmente honesta assistindo ao programa. Certamente havia muitos desonestos — um deles com coluna em jornal: Nelson de Sá, da Folha.

Na edição de hoje, ele escreve um texto, sob a rubrica “Crítica”, cujo título é: “Na estreia, novo ‘Roda Viva’ vira extensão do site da ‘Veja’”. Há muito tempo este senhor é um serviçal do PT disfarçado de jornalista isento. Um gato escondido com o rabo de fora. Os que alugam a sua opinião com o logotipo de uma estatal do lado são, à sua maneira, mais honestos.

E por que “Roda Viva” teria virado “extensão” do site de VEJA? Porque Nunes, como se sabe, faz a mediação de um debate, toda quinta, na VEJA.com, de que Villa é um dos convidados fixos, e mantém uma página no site da revista. Reale, com todos os méritos, já participou algumas vezes — quatro ou cinco num conjunto de 50 programas (se não erro na conta). Não tem vínculo nenhum com VEJA. Sá não gostou do que viu. Limitou-se a comentar uma pergunta feita por Raimundo Pereira — segundo ele, “confusa” — e pronto! Ocorre que “o crítico” tinha uma tese — o programa foi uma extensão do site da VEJA — e, para tanto, foi preciso omitir os respectivos nomes dos demais entrevistadores, inclusive o de Vera Magalhães, sua colega na Folha. Atenção! “Colega” é só um modo de dizer. Vera é uma profissional que faz um trabalho sério, o que não é o caso deste senhor.

Má-fé
A má-fé é tal que ele resolve transformar em notícia o que não aconteceu: os entrevistados e os entrevistadores que não aceitaram o convite ou não compuseram a bancada. Os dois primeiros parágrafos de seu texto são estes (em vermelho):

Com exceção do jornalista Reinaldo Azevedo, que não participou desta vez, foi como acompanhar os debates apresentados no site da revista “Veja” sobre o julgamento do mensalão.
No novo “Roda Viva”, na TV Cultura, mantida pelo governo de São Paulo, estavam lá os mesmos Augusto Nunes, como apresentador, o historiador Marco Antonio Villa, agora como entrevistador, e o advogado Miguel Reale Jr., agora entrevistado.

Retomo
Notem o “desta vez”. Não está escrevendo para os dois únicos leitores que um jornalista decente deve ter em mente: o “Todo Mundo” e o “Ninguém”. Não! Ele está é açulando a cachorrada da Internet e das redes sociais. Se, um dia, eu for convidado e se eu aceitar, então eles poderão dizer: “Viram só? Olhem lá! O Reinaldo foi convidado! O Sá acertou na mosca!” Assim, a única maneira de o Roda Viva demonstrar que “não é mera extensão da VEJA” — e de a antevisão do desonesto não se confirmar — é eu jamais participar do programa. Este meliante moral está cobrando que eu seja banido do programa e da emissora. Está a fazer uma espécie de desafio: “Jamais convidem o Reinaldo e provem que eu estou errado!”

É um fascistinha mequetrefe a serviço da canalha. O Roda Viva foi apresentando durante vários anos pelo então editor-executivo da Folha, Matinas SuzukI. Não era, exemplo de Augusto ou deste escriba, um mero colunista do jornal — que é o que somos na VEJA.com: meros colunistas. Não era um convidado para encontros semanais de 40 minutos, como é Villa. Não! Era o segundo homem na hierarquia. E, por óbvio, profissionais da Folha eram normalmente convidados. Nem poderia ser diferente. Matinas fez, que eu me lembre, um trabalho correto. Mário Sérgio Conti, da revista “piauí”, não se considerou impedido de levar colegas seus de redação — ex-subordinados — para a bancada — nem deveria.

Ah, mas com a VEJA… Ah, mas o Reinaldo Azevedo…

Patrulha
A gente vê o rabo e deduz o gato escondido. O que ele pretende com esse texto? Além de tentar impedir que eu participe do programa, está a exigir que o Roda Viva prove que não é “mera extensão da VEJA” (Villa, por esse critério, na sua cabeça, também estaria fora, embora seja comentarista da própria TV Cultura) e que não está subordinado ao governo do Estado, que “mantém” a emissora. Assim, o outro modo de o Roda Viva demonstrar a sua independência é fazendo programas necessariamente hostis a esse governo.

Seu texto vagabundo sugere, sei lá, que VEJA privatizou um bem público, omitindo que o jornal em que trabalha, a Folha, apresenta um programa semanal na emissora, de que ele próprio participa. À época, a oferta também foi feita à VEJA, que recusou o convite.

Há algumas semanas, o Roda Viva, sob o comando de Conti, entrevistou o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que coordena o programa do governo de São Paulo de combate ao crack e é um duro crítico da descriminação das drogas. Escrevi alguns posts a respeito. Dos cinco convidados para a bancada, quatro se opunham à sua opinião. Huuummm… Mas não só isso: eram francamente hostis ao convidado. Estavam menos interessados em perguntar do que em expor suas teses sobre as virtudes da descriminação. O tuiteiro escalado era um entusiasta da “Marcha da Maconha” e ficou atacando Laranjeira durante a entrevista.

Sá não escreveu nada a respeito. Não escreveu porque concorda a) com a descriminação das drogas; b) com o massacre das pessoas que não pensam o que ele pensa. Augusto Nunes é experiente o bastante para não cair na cilada que lhe prepara Nelson de Sá. Augusto Nunes é experiente o bastante para não ter de provar a um militante do PT sem carteirinha (são os piores) que é um jornalista isento — o que não significa não ter convicções. Augusto Nunes é experiente o bastante para não se submeter a um tribunal petista de exceção.

Quanto a mim, se e quando me convidarem, vou se estiver com vontade de ir. Se eu me intimidasse com o juízo que fazem de mim gigantes morais como Nelson de Sá, não escreveria o que escrevo. Para encerrar, lembro que, entre as omissões intelectualmente dolosas do militante, está o fato de que Raimundo Pereira, que comanda a revista “Retrato do Brasil” — bastante alinhada com o PT —, é autor do livro “A Outra Tese do Mensalão”, em que sustenta que José Dirceu é inocente e que o STF aplicou de modo impróprio a Teoria do Domínio do Fato. Villa, também autor de livro sobre o tema (“Mensalão”), pensa o contrário. 

Todos os entrevistadores perguntaram o que bem entenderam, do modo como quiseram, sem qualquer intervenção inconveniente ou imprópria do mediador. Na bancada, representantes de alguns dos mais importantes veículos da imprensa do país, com opiniões, posturas e leituras heterogêneas dos temas em debate e autores de livros com leituras conflitantes. Não é assim no mundo de Nelson de Sá. Só se é isento quando se fuzilam as pessoas de quem ele não gosta ou quando elas são banidas do mundo dos vivos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Não aceito nem patrulha vermelha nem azul. Nem censura vermelha nem azul. Nem difamadores vermelhos nem azuis. Ou: Aprendam com Santo Agostinho, não comigo!

Há coisas que são chatinhas. E vou contar um troço que não é segredo para quase ninguém: não aborrecem só o blogueiro; os leitores também se entediam. Assim, é tédio mesmo, entendem?, não um sentimento ativo, que conduza à vontade de polemizar, de confrontar teses, ideias, valores. Um desses temas, com todo o respeito a homens e mulheres valorosos que lá estão, fundamentais para o que há de virtuoso na história recente do país, é o… PSDB. Basta que se escrevam dois ou três parágrafos sobre o partido, aparecem verdadeiras milícias armadas de acusações toscas na Internet: “Ah, está atuando em favor de não sei quem…”. “Ah, ele é paulista!” “Ah, ele não quer que Fulano seja candidato.” Sei lá se essas pessoas existem de fato ou são a versão azul dos petralhas — uma rede organizada para aplaudir ou para vaiar, nunca para pensar. É um papo chato, burro e que, no mais das vezes, ignora a história.

Vamos lá. Recentemente, publiquei dois posts sobre o PSDB: um, no sábado passado, tem este título: “Enquanto Dilma se recupera, o PSDB repete os velhos erros de sempre e continua imbatível na arte de vencer o… PSDB!”. Escrevi ali que a direção do partido evitava se posicionar sobre temas polêmicos, que não se apresentava para o confronto de ideias e para o embate político. Lá veio a artilharia! Na segunda, mais um: “Sérgio Guerra decide expulsar Serra do PSDB. Segundo entendo, ele acha que isso ajuda a eleger Aécio presidente, certo?”. De novo, a mesma gritaria. Chato. Chatíssimo. Entediante.

Antes que relembre aqui alguns detalhes a bem da história — e, talvez, para os prudentes, do próprio PSDB, mas isso é lá com eles —, observo um fato notável. O programa “Mais Médicos” mobiliza boa parcela dos brasileiros, as redes sociais, a categoria dos médicos — que é razoavelmente organizada —, estudiosos da área de saúde etc. A questão remete, parece-me, ao coração mesmo do jeito petista de governar. Em poucos setores é tão perceptível a distância entre o que o partido prega e o que o partido faz.

Não obstante, nessa precisa semana, parte dos tucanos estava freneticamente mobilizada para plantar informações contra Serra, que já foi deputado, senador, ministro, governador, prefeito e candidato à Presidência da República duas vezes. “Pronto! Olhem o que ele escreve!” Escrevo porque é verdade — e os jornalistas que cobrem política sabem que é assim. E qual foi o grande desaforo do tucano paulista? Bem, Aécio Neves, presidente do partido e presidenciável, acenou com a possibilidade das prévias — acatada pelo outro. Isso é assim tão especioso na vida político-partidária? A rajada de balas, no entanto, foi um troço espantoso. O PSDB não quer prévias? Diga que não! Essa é a decisão? Que se bata o martelo! Sim, eu gostaria que o PT fosse derrotado em 2014, não é segredo para ninguém. Se noto, no entanto, que as ações tucanas convergem para o sentido oposto, cumpre escrever — e, creio, eu o faria mesmo que torcesse por Dilma Rousseff.

Algumas premissas ou pilares nos quais se assenta a tentativa de ganhar um debate pela gritaria não suportam uma rápida pesquisa na Internet. Então o PSDB nunca falou antes de prévias? Ora, em janeiro de 2009, voltem aos arquivos, o partido fez uma consulta ao TSE sobre o procedimento. Em março, Aécio, então governador de Minas, começa a percorrer o país defendendo a tese. Em novembro, ele dá uma espécie de ultimato: ou o partido toma uma decisão, ou ele retira a sua pré-candidatura, o que fez em dezembro daquele ano. Perderia certamente o embate interno se houvesse a consulta, mas levou a sua postulação até o fim. Desta feita, mal se desligaram as urnas do segundo turno de 2010, o PSDB tentou bater o martelo e definir a candidatura.

“Ah, mas Serra ameaça agora sair…” É? O então governador de Minas não passou a flertar abertamente com o PMDB em fins de 2008 e com, ao menos, um notório inimigo político de Serra, o ex-ministro Ciro Gomes? Não se dizia, então, que Minas representava uma tal política “pós-Lula” e que esse negócio de “PT X PSDB” era coisa de paulistas? Será que preciso republicar aqui todos os links?

Fatos são fatos. Embora Serra tivesse a maioria do PSDB em 2010, é evidente que Aécio não foi submetido a um linchamento ou teve de passar pelo corredor polonês. Ora, voltemos à fala de Sérgio Guerra, que vem, de resto, ainda que de modo oblíquo, carregada de sentimento antipaulista: “Em todos os Estados do Brasil, não há um agrupamento que defenda a candidatura do Serra. A não ser para alguns amigos dele de São Paulo, que não são tantos.” Que grande serviço prestou este senhor ao PSDB para se referir a uma liderança do partido com esse linguajar?”. O que ele quer? Ganhar uma eleição sem São Paulo?

No dia 27 de agosto, Xico Graziano, um quadro tucano, escreveu a seguinte pérola no Twitter.

No dia 1º de novembro de 2010, o mesmo Graziano, que foi coordenador do programa de Serra em 2010, também recorreu ao Twitter, conforme informava oEstadão:

 

Segue o primeiro parágrafo do texto. É claro que se poderia perguntar a Xico Graziano a quem servia antes, a quem serve agora, essas coisas… Mas isso, repito, é lá com eles.

Noto que o então presidente do partido, Sérgio Guerra, saiu em defesa de Aécio e disse que Graziano não tinha autorização do partido para falar daquele modo. É o caso de perguntar ao atual presidente do PSDB, que é Aécio, se Guerra e Graziano, desta feita, têm “autorização do partido” para se referir a Serra nesses temos.

Aprendam com Santo Agostinho, não comigo!
Políticos, em regra, não leem Santo Agostinho. Ou melhor: políticos, em regra, se lessem, não leriam Santo Agostinho. É pena! “Prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me elogiam porque me corrompem.” Antes que o entendimento saia torto, é bom chamar a atenção para o fato de que se trata de um emprego bastante antigo, fora de uso, da conjunção “porque”, que introduz orações finais: “Prefiro os que me criticam com a finalidade, com o objetivo, com o fito de me corrigir aos que me elogiam com a finalidade, com o objetivo, com o fito de me corromper”. E o verbo “corromper”, no caso, não remete ao sentido corriqueiro da corrupção, da falcatrua. O elogio que corrompe é aquele que faz com a pessoa permaneça no erro.

Assim, também nesse sentido específico, a política é terreno propício à corrupção. Os políticos poderosos costumam ouvir poucas críticas e muitos elogios; não são nada suscetíveis à correção de rumos e, por isso, bastante tendentes à corrupção da vontade. Vaidosos, precisam daquilo que, no ambiente interno ao menos, deveriam prescindir: aplauso. A perspectiva de poder — ainda que, a meu juízo, no tucanato, esteja um tanto distante — desperta os maus instintos, ou os vícios, dos áulicos. Ainda que distante, note-se, da Presidência da República, o comando do próprio PSDB abre, digamos assim, espaços e posições de mando, o que açula as vaidades quando menos.

O PSDB não é o partido dos meus sonhos. Não sou tucano. Nunca fui. Há na legenda, desde sempre, certa vontade de ser um PT mais educadinho e tolerante. Já escrevi isso aqui dezenas de vezes. Não é a minha praia. Mas acho que a vitória do partido poderia ser importante para a democracia — desde, é claro, que passasse a operar com instrumentos distintos daqueles com os quais opera o PT. O linchamento de pessoas ou práticas e tentativas de manipulação da imprensa, por exemplo, são nefastos em si, sejam vermelhas ou azuis. Idem para a formação de brigadas na Internet

Naqueles dois textos e neste também, estou a dizer o óbvio: o PSDB deveria procurar agregar forças a seu projeto — tão logo tenha um —, mas prefere, segundo entendo, perder alguns aliados que já têm. “E Serra, o que ele vai fazer?” Não tenho a menor ideia. Sei bem o que eu faria. Como não sou político, posso pôr este critério à frente de qualquer outro: “Quem não me quer não me merece”.

Um o outro poderiam perguntar: “A quem serve Reinaldo Azevedo escrevendo essas coisas?”. Eu ousaria dizer que é àquilo que penso. Afinal, eu penso hoje sobre o governo petista o que pensava antes, no tempo em que alguns tucanos e alguns pavões tratavam os petistas com reverência servil e faziam alianças com eles. Se o PSDB acha que vai bem assim, boa viagem!

Mas não venham uns tantos me patrulhar, não! Não aceito nem patrulha vermelha nem azul. Nem censura vermelha nem azul. Nem difamadores vermelhos nem azuis.

Por Reinaldo Azevedo

 

Em nota, PSDB decide expressar apreço a Serra e Álvaro Dias. Então vamos ver

Pois é… Escrevi nesta quarta mais um texto sore o PSDB. Sérgio Guerra e Xico Graziano soltaram os cachorros contra José Serra em termos que inimigos não fariam. Acabo de receber uma nota assinada pelos líderes do partido na Câmara e no Senado, Carlos Sampaio (SP) e Aloysio Nunes (SP), respectivamente, distribuída à imprensa. Leiam. Volto em seguida.
*
Os líderes do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Aloysio Nunes (SP), reunidos na manhã desta quarta-feira para discutir a pauta do Congresso das próximas semanas, ressaltaram a importância do entrosamento entre as bancadas das duas Casas, a exemplo do trabalho que está sendo feito para ampliar a sinergia entre as instâncias do partido – Executiva Nacional, Diretórios Regionais e Municipais.

Segundo eles, esse trabalho será fundamental para a construção do projeto que o PSDB irá apresentar ao país nas eleições do próximo ano. Os líderes ainda enfatizaram que, ao contrário do que adversários tentam evidenciar, a pluralidade de quadros que o PSDB ostenta é saudável e combina com a unidade partidária.

“O PSDB tem o privilégio de ter em seus quadros nomes como o do ex-governador José Serra, dos senadores Álvaro Dias e Aécio Neves, e dos seus governadores, todos credenciados para alavancar o projeto que o PSDB irá apresentar ao país. Essa pluralidade é saudável e todas as postulações são legítimas. O partido saberá buscar o caminho da unidade com a maturidade e a democracia interna que sempre teve”, afirmam os líderes.

Voltei
Quem sabe dos ataques  entende a nota. Quem não acompanhou há de achar muito natural que lideranças partidárias asseverem a relevância de figuras como José Serra e o senador Álvaro Dias (PR), este também tratado meio aos pontapés por certos tucanos mais buliçosos.

Com todo respeito aos dois políticos, acho que chegou a hora de também a linguagem política se ater com mais precisão aos fatos. Diz a nota: “(…) ao contrário do que adversários tentam evidenciar, a pluralidade de quadros que o PSDB ostenta é saudável e combina com a unidade partidária.” Epa! Adversários? Ainda que eles tenham tirado uma casquinha do episódio, como é natural, cumpre lembrar o óbvio.

Sérgio Guerra sobre Serra: “Em todos os Estados do Brasil, não há um agrupamento que defenda a candidatura do Serra. A não ser para alguns amigos dele de São Paulo, que não são tantos.” Sérgio Guerra é inimigo?

Xico Graziano sobre Serra: “Pergunta que não quer calar: a quem serve José Serra tumultuando o projeto da oposição social-democrata?” Xico Graziano é inimigo?

Do ponto de vista dos tucanos e da lógica, eu até diria que a resposta a essa pergunta é “sim”. Mas eles próprios não se dão conta disso e devem julgar que fazem um bem imenso ao partido e ao, como é mesmo? “projeto de oposição social-democrata”.

Aliás, é chegada a hora, acho eu, de haver um “projeto de governo social-democrata”,  O da “oposição social-democrata”  já naufragou, né?

Por Reinaldo Azevedo

 

Lewandowski é derrotado em nova tese pró-Dirceu e volta a defender que STF seja um tribunal de exceção pró-mensaleiros

É preciso convir: Ricardo Lewandowski tem um mérito. Ele é incansável. No embargo de declaração, a defesa de Marcos Valério pede a redução da pena aplicada ao empresário por formação de quadrilha. Segundo o ministro, a pena mínima aplicada, a partir da qual houve a majoração, foi excessiva. Vamos ver.
a: Embargo de declaração não se presta a isso.
b: Embargo de declaração serve para corrigir omissões, ambiguidades ou contradições — se uma, duas ou três dessas falhas resultarem em redução da pena, então que se reduza.
c: A defesa de Valério não apontou nada disso. Apenas demonstra que não se conforma com a pena.
d: A tese de Lewandowski, parece, é que a pena-base deveria ser necessariamente a pena mínima.
e: Coube a Joaquim Barbosa e a Celso de Mello, este de modo brilhante, demonstrar que um juiz pode escolher, como pena-base, qualquer coisa entre o mínimo e o máximo, incluindo os dois extremos. Depende do agravo cometido. Luiz Fux foi no mesmo sentido.
f: Atenção! Lewandowski inocentou Marcos Valério do crime de quadrilha. Caso a sua tese prevalecesse, ele nem participaria da dosimetria.

Qual é a questão de fundo? A pena de quadrilha é de um a três anos. Uma sanção de até dois anos implicaria prescrição. Ai, ai… Quer o destino, né? — e que destino! — que todas as teses do ministro, se vitoriosas fossem, acabariam beneficiando José Dirceu. Afinal, aquele que é considerado o chefe de quadrilha foi condenado a dois anos e onze meses justamente por esse crime.

Por unanimidade, o tribunal rejeitou a tese de Lewandowski. Nem Toffoli votou com ele.

De novo, a tese do julgamento de exceção
Celso de Mello lembrou que a pena-base de Valério foi compatível com a de quem participou de uma conspiração com forças do governo e de um partido que atingiam os valores do próprio estado de direito. Ao responder, com aquele seu jeito manso e professoral, Lewandowski disse compreender ser voto isolado, mas que os embargos de declaração, no caso do julgamento do mensalão, são diferentes dos outros, porque os condenados não terão outra chance e etc. e tal.

Ou seja: mais uma vez, Lewandowski queria que o STF se comportasse como um tribunal de exceção — a favor dos mensaleiros.

Por Reinaldo Azevedo

 

Embargo de Genoino é rejeitado por unanimidade

O embargo de declaração apresentado pela defesa de José Genoino também foi rejeitado. Desta vez por unanimidade mesmo. Até com o “não” de Lewandowski.

Por Reinaldo Azevedo

 

Apagão atinge o Nordeste do país

Na VEJA.com:
Um apagão atinge neste momento pelo menos oito estados do Nordeste: Pernambuco, Piauí, Ceará, Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. A falta de energia atinge também emissoras de rádio e TV e sites de jornais da região. A queda de energia começou por volta de 15 horas (horário de Brasília).

O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que acompanha a ocorrência. O ministro Edison Lobão, que está no Rio de Janeiro, determinou que a prioridade neste momento é o restabelecimento do sistema. Conforme o MME, o problema deve ser resolvido com rapidez e a energia deve ser restabelecida nas capitais do Nordeste em instantes.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ainda investiga a causa do incidente, mas não sabe precisar se todos os estados da região foram afetados. O órgão afirmou ao site de VEJA que algumas localidades já foram religadas, mas não soube afirmar quais. Ainda segundo o ONS, a prioridade de religamento são os hospitais e aeroportos da região.

A concessionária de energia Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) está apurando as causas do problema e a sua dimensão. A própria sede da Chesf, que abastece oito dos nove estados do Nordeste, informou que está sem energia.

Em Pernambuco, falta energia em todo o estado, de acordo com a Agência Brasil. Segundo a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) ainda não há detalhes sobre as causas do blecaute. O metrô que circula na Região Metropolitana do Recife também está parado. Em Alagoas, foi registrada queda de energia em vários bairros de Maceió e também de Arapiraca. No Rio Grande do Norte, a queda de energia apagou todos os semáforos da capital, Natal. Hospitais nas capitais que não contam com geradores cancelaram cirurgias de emergências até a retomada do abastecimento.

A Celpe distribui energia para 3,2 milhões de clientes, em 184 municípios. Segundo a assessoria da empresa, o problema não foi no sistema da companhia.

Fontes do setor afirmaram à Reuters na semana passada que os reservatórios das hidrelétricas brasileiras estão, em geral, em níveis que não geram preocupações, mas o Nordeste necessitava atenção, já que os níveis das represas estão baixos e existe limitação para exportar energia para a região.

O último grande apagão foi registrado em outubro do ano passado e atingiu nove estados da região Nordeste e o Distrito Federal. No total, seis apagões de energia de maior porte ocorreram no Brasil em 2012 – todos eles no segundo semestre e a maioria por ocorrências na área de transmissão. Quase todos afetaram a região Nordeste.

As sucessivas quedas de energia no ano passado levantaram dúvidas sobre a segurança do sistema elétrico brasileiro, área em que a presidente Dilma Rousseff deu início à trajetória política que a conduziu ao Palácio do Planalto.

Por Reinaldo Azevedo

 

A fúria inútil de Dilma Rousseff. Ou: Documento pró-Evo prova por que ele deveria ter concedido o salvo-conduto

A presidente Dilma Rousseff resolveu ontem usar a sua autoridade de ex-presa do regime militar para, indiretamente, bater boca com um diplomata e tentar esconder a verdadeira natureza do que está em debate no caso do senador boliviano Roger Pinto Molina. A governanta inaugura, assim, um novo argumento: “Cala a boca porque eu fui torturada!”. Se ela cismar que a lei da gravidade é uma tolice, ninguém que não tenha sido torturado terá autoridade para debater com ela. De resto, há uma medida nas coisas: desde quando uma presidente da República debate com um funcionário do Itamaraty? Mas vamos ao ponto.

Eduardo Saboia, que organizou a fuga — para mim, há nesse meio mandracaria do governo Evo Morales —, concedeu uma entrevista e afirmou que não se sentia bem em trabalhar sabendo que havia um prisioneiro ao lado, como se fosse um carcereiro do Doi-Codi. Não que eu ache a imagem boa ou pertinente, mas nada para provocar o ataque de fúria da soberana. Mas ela ficou furiosa. “Eu estive no Doi-Codi e posso assegurar que a diferença é a mesma que existe entre o céu e o inferno.” As palavras mal lhe saíam da boca, tal a irritação. Quem a conhece bem sabe que, em momentos assim, seu vocabulário não encontra rival nem nos momentos mais agitados da estiva. Mas se conteve. 

Molina estava na embaixada havia 15 meses, e o governo brasileiro já lhe havia concedido asilo diplomático, mas Morales se negava a lhe conceder o salvo-conduto. Ora, ora… No dia 12 de julho, os países que integram o Mercosul — e a Bolívia está em processo de adesão — assinaram um acordo que prevê: “[Os presidentes] reafirmaram a plena vigência do direito de asilo, consagrado no artigo 14 da Declaração Universal de Direitos Humanos e, portanto, reiteraram a faculdade que assiste a todo Estado soberano de outorgar asilo a qualquer cidadão do mundo em conformidade com as normas de direito internacional que regem esta matéria”.

Não obstante, o senador continuava lá, confinado na embaixada, sem prazo para sair. Sabem a piada patética? Aquele documento foi redigido justamente como um desagravo a Evo Morales, cujo avião havia sido proibido de pousar em alguns países europeus justamente porque se imaginava que pudesse estar transportando Edward Snowden. Dilma apoiou o texto, e Evo, presente ao encontro, também, é claro! Não obstante, o senador continuava lá na embaixada.

Dilma pode ter odiado a comparação. Mas ela não explica a espantosa inação do seu governo. De resto, a soberana há de convir que 15 meses no paraíso, sem contato com o mundo externo, também podem ser um inferno. Acrescento adicionalmente que ela não pode tomar o próprio sofrimento como o limite da dor, sob pena de se tornar insensível ao sofrimento alheio.

Por Reinaldo Azevedo

 

Oba! Dilma deu um golpe de estado, nomeou Adams, da família Luiz Inácio, para executor, e a gente nem ficou sabendo. Ou: Dilma ameaça os médicos

Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, está “mais assanhado que lambari na sanga”, como se diz lá nos pampas, “mais metido que dedo em nariz de piá”, “mais nervoso que gato em dia de faxina”… O homem agora decidiu demonstrar serviço. Quem dera tivesse sido tão diligente antes, não é? Talvez o seu ex-segundo na AGU, que chegou a ser seu fiador, não tivesse sido indiciado naquela operação que desbaratou uma quadrilha operando no seio da Presidência da República…

Há dias, o doutor afirmou que, se algum cubano pedir asilo ao Brasil, será imediatamente extraditado para a ilha-presídio dos Irmãos Castro. Adams, da Família Luiz (com Z) Inácio, assim, arrogava para si funções que cabem ao Comitê Nacional de Refugiados, ao Ministério da Justiça, à Justiça propriamente dita e à Presidência da República.

Nesta terça, ele resolveu mostrar que pode ser “mais duro que salame de colônia”. Ameaçou os dirigentes de associações médicas. Isto mesmo. Informa Eduardo Bresciani no Estadão:

O governo federal prepara uma ofensiva na Justiça contra dirigentes de conselhos regionais de medicina que se recusarem a dar registro profissional provisório aos integrantes do programa Mais Médicos formados no exterior. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou que o governo poderá entrar com ações para obrigar a concessão dos registros e ainda processos contra os dirigentes dos conselhos que se recusarem a atender as regras do programa. O ministro falou sobre o tema após participar da abertura na Câmara do 4º Seminário Nacional de Fiscalização e Controle dos Recursos Públicos, nesta terça-feira, 27.

“Estamos examinando tanto a ação judicial para garantir, para obrigar (a concessão do registro provisório), mas acho mais grave a própria autoridade, o próprio agente que ocupa uma função, associada à função estatal que tem um ônus público, deixar de cumprir o que a lei determina”, disse Adams. “Me parece que, nesse caso, se pode falar de improbidade, de descumprimento por alguém que está com ônus público e não pode deixar de aplicar a lei. Existe uma lei que quem entrar no programa tem direito ao registro provisório”, ressaltou.

Comento
Se não me engano, ilegais, segundo as leis vigentes no Brasil, são as condições em que se trouxeram para o país os médicos estrangeiros. Doutor Adams tem uma noção estranha de direito. Ninguém é obrigado a fazer nada, a não ser por força de lei — ocorre que, se essa lei viola outras, o que se tem, quando menos, é um caso jurídico.

O governo está determinado a demonizar os médicos brasileiros para fazer embaixadinha para a torcida. Pretende jogar a população contra a categoria, tentando acusá-la de ser contra a chegada de profissionais da saúde para os pobres. A questão, obviamente, é de natureza política — e também eleitoral. Vejam aí: toda a energia que Dilma jamais conseguiu usar com os políticos, por exemplo, que lhe dão uma baile, ela decidiu aplicar contra os médicos.

Eu achei que Adams, da Família Luiz Inácio, iria sossegar um pouquinho depois daquela fala indecorosa em que ameaçou os rebeldes com a extradição — ou “devolução”, para ficar em sua linguagem, se me permitem, “reificante”. Que nada! O Adams, como diria Pablo Capilé, está a fim de ganhar “lastro” junto à Família Luiz Inácio. Emenda, assim, uma fala vergonhosa a outra.

Por Reinaldo Azevedo

 

Federação Nacional dos Médicos atuará em duas frentes contra programa de Dilma

Por Aretha Yarak, na VEJA.com:
A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) vai atuar em duas frentes contra o programa Mais Médicos. A entidade ajuizou, em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para revogar a medida provisória que criou o programa. A ação defende a autonomia universitária, uma vez que pela MP as universidades devem supervisionar os estrangeiros que não tiveram seu diploma revalidado.

A Fenam pediu também abertura de uma investigação trabalhista junto à Procuradoria Geral do Trabalho (PGT) nesta terça-feira. Entre os principais pontos de questionamento está o tipo de remuneração que será oferecida: uma bolsa de ensino, e não um salário dentro das normas das leis trabalhistas.

“Estamos convocando o governo a fazer um concurso público. É preciso respeitar a lei”, diz Geraldo Ferreira Filho, presidente da Fenam. Junto ao pedido de investigação, a Fenam solicitou ainda o acesso ao acordo feito entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) – que está trazendo os médicos cubanos ao Brasil. Isso porque, até o momento, o acordo não foi repassado às entidades médicas.

Justiça
Apesar das derrotas que as entidades médicas vêm tendo na Justiça, Ferreira Filho afirmou que a discussão por melhores condições de saúde não deve parar. “Hoje, o único grupo organizado que enfrenta o governo é o dos médicos. E o governo passou a nos ver como os inimigos, seus adversários”, diz. Segundo ele, o país vive sua pior campanha política contra um grupo de profissionais. “O que importa é que a cidade que não tem médico deve sim ter um médico. Mas um médico, não um curandeiro, um médico improvisado ou o trabalho escravo.”

Por Reinaldo Azevedo

 

Cuba, a farsa – A baixa mortalidade infantil no país que pratica a eugenia se deve a um número escandaloso de abortos. As mentiras sobre o passado e o presente de Cuba e dois vídeos sobre o que só os cubanos veem

Em Cuba, quase nada é de verdade. Em Cuba, verdadeiro mesmo, só o socialismo. A página sobre o país na Wikipedia parece ter sido redigida pelo Granma, aquele jornal oficial do Partido Comunista que a população usa para a higiene, digamos, íntima porque, vocês devem saber, quase não há papel higiênico na ilha. Lamento pelo desconforto que deve implicar, mas pergunto: que destinação melhor poderia ser dada ao que escrevem os comunistas? A maior de todas as farsas da ilha é antiga. Foi inventada pela canalha de Fidel Castro e adotada por intelectuais ocidentais. Diz respeito ao espetacular avanço social que teria havido no país depois da revolução de 1959.

Esse salto é tão mentiroso quanto as ditas múltiplas tentativas de matar Fidel Castro — o super-herói, no entanto, sempre teria escapado. Se verdade fosse, seria o caso de ele se sentir rejeitado até pelo capeta. Mas também isso era só mistificação. Cuba estava longe de ser um desastre social antes da revolução comunista. Em 1952, o país tinha o terceiro melhor PIB per capita entre os países latino-americanos. Vinte anos depois da revolução, só ganhava de Nicarágua, El Salvador e Bolívia. Os dados estão no livro “La lune et le caudillo: Le rêve des intellectuels et le régime cubain”, de Jeannine Verdes-Leroux (para comprar na Amazon, clique aqui). Quando Fidel chegou ao poder, anunciou que a taxa de analfabetismo no país era de 50%. Mentira! Era de 22% — a do mundo, alcançava 44%. Esses dados estão compilados em “O Livro Negro do Comunismo – Crime, Terror e Repressão” (vários autores, Editora Bertrand Brasil). No Brasil (ver tabela ), era de 39,7% — dados do Ministério da Educação.

Outro dos mitos de Cuba é a baixa mortalidade infantil, que estaria hoje em torno de 4,5 por mil, só perdendo para o Canadá nas Américas. Há uma grande possibilidade de que esses números sejam manipulados (já chego lá). Em todo caso, é preciso que se considere um dado estarrecedor. Em Cuba, o aborto é legal desde 1965. O país é um açougue. Deve estar entre os campeões mundiais na modalidade, que passou a ser empregada como método contraceptivo. Ninguém precisa acreditar em números dos “adversários” de Cuba, não! Segundo dados oficiais, em 2006, por exemplo, 67.903 mulheres na faixa dos 12 aos 49 anos se submeteram a pelo menos um aborto — ou seja, de cada 100 mulheres grávidas, 37 abortaram. Nascem por ano uns 3 milhões de crianças. no Brasil. Se os números fossem os mesmos de Cuba, isso corresponderia a 63% das que não abortaram (100 menos 37). Assim, o total de grávidas seria 4.716.904 grávidas para 3 milhões de nascimentos — ou seja: 1,716.8904 abortos. EIS O MILAGRE CUBANO; MATE ANTES QUE NASÇA. Esses números acabam com a farsa monstruosa de que a legalização do aborto provoca uma redução no número de ocorrências. ISSO É MATEMÁTICA, NÃO É RELIGIÃO.

E ainda pode ser mais horripilantes. Cuba realiza, sem qualquer pudor, o aborto eugênico — a eliminação de fetos com deficiência, qualquer que seja ela. O país também foi um dos pioneiros na propagação do aborto químico, realizado com remédios. Mate os fetos e diminua a mortalidade infantil. É o modo comunista de fazer as coisas.

Em 2009, a CNN exibiu uma reportagem sobre as maravilhas do sistema cubano de saúde, entremeando com cenas do filme “Sicko”, do delinquente Michael Moore, que ataca duramente o sistema de saúde dos EUA. A reportagem mereceu uma resposta de Humberto Fontova, cubano de nascimento, que mora nos EUA e luta contra a ditadura comunista. O texto foi traduzido e publicado no Brasil pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil. Fontova lembra, por exemplo, que, em 1958, um ano antes da revolução, Cuba já ocupava a 13a posição no ranking dos países com a menor mortalidade infantil. Escreve ele: “Isso colocava o país não apenas no topo da América Latina, mas também acima de grande parte da Europa Ocidental, à frente da França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e Portugal. Hoje, todos esses países deixam a Cuba comunista comendo poeira, com taxas de mortalidade infantil muito menores”.

Pois é… Cuba realiza mesmo alguns prodígios. Enquanto a taxa de mortalidade infantil está abaixo de 5 por mil nascimentos (no Brasil, é de 16), abaixo da dos EUA (5,3), quando se trata de verificar a mortalidade das crianças de 1 a 4 anos, aí se verifica o quê? Nos EUA, é de 8,8 por mil; em Cuba, de 11,8 (no Brasil, 18,76 em 2010). Assim, o mais provável é que Cuba falsifique os dados. Mais um trecho do texto de Fontova: “Em abril de 2001, o Dr. Juan Felipe García, de Jacksonville, Flórida, entrevistou vários médicos que haviam desertado recentemente de Cuba. Baseado no que ouviu, ele declarou o seguinte: ‘Os números oficiais da mortalidade infantil de Cuba são uma farsa. Os pediatras cubanos constantemente falsificam os números a pedido do regime. Se um bebê morre durante seu primeiro ano de vida, os médicos declaram que ele era mais velho. Caso contrário, tal lapso pode custar-lhe severas punições, além do seu emprego’”. Faz sentido. O que entra para as estatísticas mundiais são os índices de mortalidade infantil.

Há mais. Em números de 2009, a mortalidade materna em Cuba (mulheres que morrem durante ou logo depois do parto) era de 33 por 100 mil; nos EUA, de 8,4 (ATENÇÃO! NO TEXTO TRADUZIDO, CUJO LINK VAI ACIMA, HÁ UM ERRO IMPORTANTE: FALA-SE LÁ QUE ESSES NÚMEROS SE REFEREM A GRUPOS DE MIL). Entenderam os paradoxos? Cuba, então, teria uma mortalidade infantil mais baixa do que a dos EUA, mas muito maior quando se comparam as crianças até 4 anos. A mortalidade materna, por sua vez, seria quase o quádruplo. De toda sorte, pode ser pior no Brasil, claro! A mortalidade materna, aqui, foi de 65 por 100 mil em 2010. Notem bem: não escrevo este post para provar que a saúde brasileira é melhor do que a cubana, mas para demonstrar que os números cubanos são uma farsa.

Adiante.

O site The REal Cuba publicou vídeos feitos por cubanos sobre as reais condições das instituições de saúde na ilha — não a mistificação mostrada pela CNN. O material foi enviado à emissora, informa Fontova, e estavam prontos para ir ao ar. Mas o governo cubano ficou sabendo e iniciou uma enorme pressão para impedir. E foi bem-sucedido. O bom de haver uma real pluralidade na imprensa americana é que Fox News se interessou pelo material. As cenas são horripilantes, conforme se pode ver abaixo.

Encerro
“Tudo mentira! Tudo manipulação”! Claro, claro! A coerência dos dados propagandeados fala por si. E as mentiras contadas sobre a Cuba pré-Fidel também.

Os falsos números servem para embalar o discurso ideológico do jornalismo militante, o discurso vigarista do subjornalismo a soldo e, como sempre, a ilusão dos ignorantes.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo, de VEJA

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