ONS confirma apagão em SP, RJ, SC, RS e Paraná nesta terça-feira...

Publicado em 04/02/2014 10:49 e atualizado em 20/03/2014 15:55 807 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

ONS confirma apagão em SP, RJ, SC, RS e Paraná nesta terça-feira

Na VEJA.com:
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) confirmou o corte de energia elétrica nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, na tarde desta terça-feira. Segundo o órgão, problemas no Sistema Interligado Nacional causaram a abertura da interligação em 500 kV entre a Região Norte e as Regiões Sudeste/Sul, interrompendo o fluxo de 5.000 megawatts/hora para essas regiões. Segundo o ONS, o desligamento foi autorizado como forma de restabelecer a frequência do sistema. Às 14h41, a situação foi normalizada, informa o órgão. O Ministério de Minas e Energia também confirmou há pouco que houve uma falha no sistema elétrico da região Sudeste, sem detalhar sua abrangência e a quantidade de pessoas afetadas. Estima-se que esse número chegue a 950.000.

Estados
No Rio de Janeiro, a Light informou, por meio de sua página na internet, que teve de desligar dezessete subestações de energia a pedido do ONS, interrompendo o fornecimento a mais de 600.000 clientes. Segundo a empresa, o desligamento ocorreu “devido a uma anormalidade, registrada às 14h03″, no Sistema Interligado Nacional. “A Light aguarda orientações do ONS para a normalização do sistema”, informou em comunicado. No Paraná, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) também confirmou falhas em sua página no Twitter. Segundo a empresa, o problema foi na região de Brasília e 355.000 consumidores foram desligados preventivamente.

Em Santa Catarina, a Celesc informou que desligou cerca de 520 megawatts, o que representa em torno de 13% da demanda da empresa no momento da ocorrência. O desligamento afetou aproximadamente 548.000 residências, 13% do total de unidades atendidas na área de concessão da distribuidora. Ainda segundo a empresa, o restabelecimento começou a ser feito às 15h36.

A Rio Grande Energia (RGE), do Rio Grande do Sul, também informou o corte de energia em onze municípios: Lagoa Vermelha, Bento Gonçalves, Gaurama, Sarandi, Parobé, Gravataí, Horizontina, Santa Rosa, Feliz, Nova Petrópolis e Não-Me-Toque. Ainda no Estado, AES Sul, também interrompeu o fornecimento nas cidades de Venâncio Aires, Alegrete, Itaqui, Uruguaiana e São Borja. Em nota, a companhia informou que foram desligados 96 MW em cinco subestações que atendiam esses municípios.

Governo nega risco
O apagão ocorre exatamente um dia após o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmar que “não há risco de desabastecimento no país”.

Segundo adiantou a coluna Radar On-line, do site de VEJA, a capacidade do sistema está no limite. Nos últimos quinze dias, foram registrados os dez maiores picos de consumo de energia da história do Brasil. De acordo com dados do próprio governo, o Brasil tem 21.317 megawatts de capacidade instalada de termelétricas. Desse total, 5 094 megawatts estão em manutenção e 15 242 megawatts estão em operação. Portanto, há uma sobra de 981 megawatts para suprir o aumento da demanda — o que, em termos de geração, é quase nada.

Por Reinaldo Azevedo

 

“O Brasil saiu dos trilhos”, diz Campos ao lançar plano de governo

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
Ao lançar nessa terça-feira o plano de governo do PSB-Rede, o governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência Eduardo Campos dedicou parte dos 35 minutos de discurso para fazer duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. Campos afirmou que o país “saiu dos trilhos” e atacou a estagnação econômica um dia após a presidente ter enviado mensagem aos Congresso Nacional pedindo socorro aos parlamentares para conter o desequilíbrio fiscal. “É possível, necessário e imperativo melhorar o país e fazer com que ele não saia dos trilhos, que é essa a percepção brasileira. Onde vamos temos a clara percepção de que o Brasil parou, de que saiu dos trilhos, que estava avançando no sentido de acumular conquistas e mais do que de repente teve a sensação de freada e de desencontro”, disse Campos em auditório na Câmara dos Deputados. Antes, o PPS recebeu as diretrizes do partido e reafirmou o apoio nas eleições deste ano.

Campos passou a subir o tom com o governo no início do ano, após texto divulgado na página do PT no Facebook tê-lo chamado de ‘playboy’ e afirmar que o governador de Pernambuco não tem programas claros de governo. Nesta manhã, o presidenciável voltou a dizer que não vai entrar no jogo de quem quer baixar o nível do debate político, mas não poupou críticas: “Não há nenhum canto nesse país onde passamos e alguém ache que mais quatro anos do que está aí vai fazer bem ao povo brasileiro. Até os que estão lá hoje contam a hora de estarem aqui conosco, essa é a verdade que vai se revelar”.

Durante o evento, a ex-senadora Marina Silva voltou a colocar Campos como o cabeça da chapa. Uma das condições para Marina aceitar entrar na disputa na vice-presidência foi o veto do PSB ao apoio ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), uma exigência feita durante a aliança PSB-Rede. “Eduardo tem vantagens em relação a mim: não tem a metade dos preconceitos que muitas vezes eu tenho de enfrentar. Eu não sou muito boa para ganhar votos para mim mesma, mas sou muito boa para pedir voto para outras pessoas”, disse, ao colocar as mãos sobre o ombro do pernambucano. “Vice é o candidato quem define, e o candidato é ele [Campos]. Vocês têm ainda alguma dúvida disso?”

Também estiveram na mira dos presidenciáveis o inchaço da máquina pública – o governo Dilma atingiu número recorde de ministérios, com 39 pastas – e as estratégias utilizadas para acomodar partidos políticos em troca de tempo de televisão. “O Estado não pode ser apropriado pela estrutura, pelos partidos políticos. Não adianta vir com o currículo de um incompetente debaixo do braço para servir ao povo porque é amigo. Esse padrão está esgotado”, afirmou Campos. Marina Silva concluiu: “É por isso que a educação figura como um dos maiores problemas do país. E mesmo com o diagnóstico de que temos graves problemas em educação, as reformas ministeriais não são feitas para resolvê-los. São feitas para acomodar aliados pensando nas eleições”. Dilma iniciou na semana passada as trocas ministeriais. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi alçado à Casa Civil para melhorar a articulação política do governo.

Programa
A educação está entre os principais eixos da campanha da parceria PSB-Rede. Nas diretrizes para a elaboração de programa de governo, está a proposta de ensino integral e o compromisso com o fim do analfabetismo. O programa sugere um método de atuação “radicalmente novo” e com base no diálogo permanente com a sociedade.

Após ver a criação do Rede Sustentabilidade, partido em construção de Marina Silva, barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro do ano passado, o programa da parceira entre socialistas e sustentáveis traz a possibilidade de candidaturas avulsas, extinguindo a exigência de filiação partidária. Também como parte de uma reforma política, a cartilha sugere a revisão do financiamento eleitoral para baratear as campanhas e “diminuir a influência do poder econômico”.

A apresentação do programa foi intercalada por performances artísticas. Os principais pontos foram explicados no formato de poesia. Em seguida, um músico tocou no pandeiro o som do frevo pernambucano.

Por Reinaldo Azevedo

 

Finalmente STF manda prender João Paulo

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Depois de trinta dias de espera, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, assinou nesta terça-feira a ordem de prisão contra o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). A defesa do petista afirmou que ele deverá se entregar nas próximas horas à Polícia Federal em Brasília. Na sequência, deverá ser levado para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde dividirá cela com outros mensaleiros que já começaram a cumprir pena, como os colegas de partido José Dirceu e Delúbio Soares.

Condenado no julgamento do mensalão a nove anos e quatro meses de detenção, o parlamentar começará a cumprir, inicialmente, seis anos e quatro meses de pena em regime semiaberto porque ainda recorre da condenação pelo crime de lavagem de dinheiro. Como está reticente em renunciar ao mandato, João Paulo poderá repetir o impasse de Natan Donadon (RO) no Legislativo brasileiro– o país agora passaria a ter dois deputados atrás das grades.

A decisão para a prisão do deputado havia sido tomada por Barbosa no dia 2 de janeiro, mas só foi divulgada quatro dias depois. Porém, Barbosa saiu em férias sem concluir a documentação necessária para a prisão. Na sequência, os dois ministros que assumiram interinamente o comando do STF, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski, não quiseram despachar o mandado de prisão.

Na véspera de ser preso, João Paulo promoveu um ato político: almoçou com petistas e filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) em um acampamento em frente ao Supremo, braço sindical do PT. O petista afirmou que pretende apresentar pedido de revisão criminal, além de recorrer a organismos internacionais contra sua condenação. Na noite desta terça-feira, ele havia programado mais um ato: distribuiria uma revista atacando o julgamento da Corte.

Paralelamente, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), número dois na hierarquia da Casa, provocou Barbosa nesta segunda, durante a abertura do ano legislativo. Sentado ao lado do presidente da Corte, o petista repetiu duas vezes no plenário o gesto dos mensaleiros José Dirceu e José Genoino quando se entregaram à polícia – braço erguido, com punho cerrado. Vargas também foi flagrado sugerindo em mensagem pelo celular que um colega acertasse uma cotovelada em Barbosa.

Condenação
Presidente da Câmara na época do escândalo do mensalão, João Paulo foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva. Conforme denúncia do Ministério Público, entre outras irregularidades, ele recebeu 50.000 reais do publicitário Marcos Valério para favorecer a agência de publicidade SMP&B em um contrato com a Câmara. Para a acusação, o dinheiro era propina, o que o deputado nega. Inicialmente, ele afirmou que o PT enviou recursos para que fosse paga uma fatura de TV a cabo. Em seguida, mudou a versão e disse que o dinheiro era para realizar pesquisas pré-eleitorais na região de Osasco (SP), sua base eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilmar Mendes diz que é preciso examinar se não há lavagem de dinheiro em grana arrecadada por PT para pagar multa. E, de novo, o financiamento de campanha

Gilmar Mendes, ministro do STF, fez declarações nesta terça-feira que me deixaram um pouquinho envergonhado. Não por ele, que disse as coisas pertinentes. Mas por setores nem tão minoritários da imprensa, que assistiram ao espetáculo de pornografia política explícita e fizeram de conta que nada estava acontecendo. Houve até quem elogiasse! A que me refiro? À tal “arrecadação” que o PT teria feito pela Internet para pagar a multa de políticos presos por corrupção ativa e passiva, peculato e formação de quadrilha.

O ministro perguntou, segundo informa a Folha“Será que esse dinheiro que está voltando é de fato de militantes? Ou estão distribuindo dinheiro para fazer esse tipo de doação? Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui? São coisas que nós precisamos examinar”.

O ministro foi adiante:
“Há algo de grave nisso. E precisa ser investigado. E essa gente, eles não são criminosos políticos, não é gente que lutava por um ideal e está sendo condenado por isso. São políticos presos por corrupção (…) são coisas que precisam ser refletidas. A sociedade precisa discutir isso”.

Perfeito! Mendes, de resto, não está a falar de um caso ainda em julgamento, mas de sentenças já com trânsito em julgado. O deboche é explícito

O Supremo Tribunal Federal está a um voto de jogar o financiamento das campanhas eleitorais na clandestinidade, naquele que pode ser um dos mais graves erros cometidos pelo tribunal em toda a sua história. O acinte dos petistas para “arrecadar” o dinheiro da multa ajuda a iluminar o debate. Afirmou o ministro:

“Isso mostra também o risco desse chamado modelo de doação individual. Imaginem os senhores, com organizações sindicais, associações, distribuindo dinheiro por CPF”.

No ponto! Se as doações de empresas forem proibidas, sobrarão duas alternativas, que se combinarão:
a: financiamento público, que hoje beneficia o PT, que é o maior partido na Câmara;
b: doações de pessoas físicas.

Vejam o caso do dinheiro supostamente “doado” aos mensaleiros. Quem são as pessoas? Quem aceita financiar criminosos com tanta determinação? Qual é a origem dessa grana?

O “esquema” montado pelo PT para pagar as multas revela, sem que tenha sido essa a intenção, é óbvio, o que está por trás da proibição das doações de empresas. O país ficará reféns de esquemas que se movem nas sombras.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os que invadiram o CT do Corinthians são bandidos, não torcedores

É preciso chamar as coisas, as pessoas e suas práticas pelo nome que têm. Quando menos, por amor à língua. Aqueles caras que invadiram o CT do Corinthians no domingo não são, obviamente, torcedores. São bandidos. São vândalos. São marginais. Escolham aí a palavra que lhes parecer mais adequada. Depredaram instalações e carros de atletas, agrediram funcionários, roubaram celulares e queriam, ora vejam, bater nos jogadores. Eu tenho uma tese sobre violência que vocês conhecem. O sujeito primeiro decide ser delinquente — o que ele vai fazer é que é ditado pela oportunidade.

Essa é uma das razões por que é estúpida essa história de que descriminação das drogas reduz a violência. O traficante vai trabalhar com carteira assinada? Não! Vai mudar de ramo. O que estimula o crime é a impunidade. Mas não vou me desviar. Os bandidos que invadiram o CT do clube têm um pretexto: a má fase da equipe. Não fosse isso, iriam agredir outras pessoas, em outros lugares, por alguma outra razão que julgassem justa. Afinal, eles decidiram ser os juízes de uma causa e os executores da pena.

Ora, agiu de modo diferente boa parte daqueles que ocuparam as ruas em junho ou mais recentemente? Também eles — refiro-me, claro, aos não pacíficos — se sentem de tal sorte donos da verdade e pensam ser tão legítima a sua causa que decidem fazer justiça com as próprias mãos. É o mesmo espírito que leva sem-terra a depredar instalações de fazendas e laboratórios de pesquisa, que faz com que extremistas de esquerda disfarçados de estudantes emporcalhem uma reitoria ou que leva doidivanas com graus variados de ignorância a depredar um instituto que testa remédio em animais.

Torcedores enfurecidos não são exatamente uma novidade no Brasil. No dias que correm, no entanto, o risco de ações como a de domingo começarem a se tornar corriqueiras é grande. Há uma onda de incêndios a ônibus país afora. Só descontentamento com o serviço? Besteira! Usuários pobres não incendeiam os veículos porque sabem que sua vida tende a ficar mais difícil. Há um certo espírito no ar que leva pessoas a impor na marra a sua vontade. Infelizmente, quando o assunto envolve política, setores da imprensa tendem a ser simpáticos a esse vandalismo cidadão… É tolice achar que esse tipo de comportamento não salta para outras áreas.

O clima no futebol anda tenso. O tal movimento “Bom Senso” tem ensaiado uma greve há algum tempo. A CBF e associados se movem com agilidade paquidérmica. Nem vou entrar no mérito da coisa agora. O fato é que a violência perpetrada contra o Corinthians pode virar o gatilho a levar os jogadores à paralisação.

Leio a respeito e vejo que se fala em pedir proteção à PM. Certo! Um promotor decidiu convocar a polícia porque diz que ela tem de garantir a segurança dos ônibus. Entendo. Também tem a obrigação de assegurar a integridade dos patrimônios público e privado no caso das manifestações que degeneram em violência. Bem, daqui a pouco, em vez de 100 mil homens na ativa — eu escrevi 100 mil! —, a PM  de São Paulo terá de contar com pelo menos 200 mil. Só na Grande São Paulo, há uns 20 mil ônibus circulando. Dá para meter um soldado em cada um? Acho que não…

Sim, claro, é preciso em cada caso desenvolver ações de inteligência para tentar descobrir onde se acoitam os vândalos etc. e tal. Mas com qual lei serão punidos? Na última manifestação violenta em São Paulo, no dia 25, foram presas, se não me engano, 170 pessoas. Horas depois, estavam nas ruas. Enquadrá-las exatamente em quê?

Clubes de futebol são entidades privadas. É claro que, nos casos de agressões flagrantes, a polícia tem de entrar em ação. Mas, convenham, não cabe à Polícia Militar, e a polícia nenhuma, fazer a segurança de clubes. Essa não pode ser mais uma obrigação a recair sobre os ombros da Secretaria de Segurança Pública. Terão de contratar segurança privada! Até porque mantêm uma relação de intimidade com torcidas organizadas.

E o Brasil? Como vai tratar os seus vândalos? Por enquanto, generaliza-se a sensação de que cada troglodita tem “o direito” de exercer a sua vontade pela força, recorrendo a métodos violentos. Na rua, no clube de futebol, na fazenda, na universidade, em qualquer lugar.

Um país não passa incólume por um tempo em que bandidos são tratados como heróis. Sem punições exemplares, a situação tende a piorar. É simples assim.

Por Reinaldo Azevedo

 

As grosserias ridículas e vergonhosas do vice-presidente da Câmara e do Congresso, o petista André Vargas

André argas e o símbolo da resistência dos criminosos petistas presos (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

André Vargas e o símbolo da resistência dos criminosos petistas presos (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Leiam o que informa Ranier Bragon, Márcio Falcão e Gabriela Guerreiro, na Folha. Volto em seguida:
Na presença do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), repetiu nesta segunda-feira (3) o gesto que marcou a prisão dos petistas condenados no julgamento do mensalão. Por mais de duas vezes, Vargas ergueu o punho cerrado. Um dos momentos foi quando Barbosa se retirou da cerimônia de reabertura dos trabalhos do Congresso para ir ao banheiro.

Ao se entregarem à Polícia Federal para cumprir a prisão, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) ergueram o punho. O gesto foi reproduzido por petistas nas redes sociais.

Vargas é um dos principais críticos do julgamento do mensalão. No ano passado, ele atuou na manobra que tentou evitar a abertura de um processo de cassação de Genoino pela prisão do mensalão, que acabou levando a sua renúncia. Vargas reiteradamente sustenta a tese do PT de que não houve compra de apoio político no Congresso nos primeiros anos do governo Lula, mas apenas crime eleitoral, com caixa dois.

O vice da Câmara admitiu a provocação a Barbosa. “Muitos cumprimentam com positivo, sinal de vitória. No PT, é tradicional cumprimentar com L do Lula e a gente tem se cumprimentado assim [punho erguido]. Foi o símbolo de reação dos nossos companheiros que foram injustamente condenados. O ministro está na nossa Casa. Na verdade, ele é um visitante, tem nosso respeito, mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve”, disse.

Sentado ao lado de Barbosa, Vargas disse que não “teve o prazer” de conversar com ele. O petista afirmou ainda que durante os discursos o presidente do STF ficou entretido mexendo com o celular.
(…)

Voltei
A fala é ainda mais ridícula e estúpida do que o gesto. “Nossa Casa”, deputado? “Nossa” de quem? O senhor recebia, como vice-presidente de uma das Casas do Congresso e do próprio Legislativo o presidente de um outro Poder. Ainda que o detestasse, ainda que o considerasse o último dos homens, ainda que fosse seu inimigo pessoal, deveria ter um comportamento compatível com sua função institucional. A Câmara não pertence ao PT.

Mas isso é o petismo. Suas práticas aviltantes, como o mensalão, acabam aviltando também as instituições. Imaginem se Barbosa cede à provocação e decide fazer com as mãos o que eu certamente faria em seu lugar — e por isso não ocupo cargo nenhum? Cruzar os dedos indicador e médio de uma das mãos sobre os correspondentes da outra, que é o símbolo da cadeia, da cela, do xilindró, onde estão os heróis de André Vargas.

Texto publicado originalmente às 23h06 desta segunda

Por Reinaldo Azevedo

 

PT debocha da Justiça de maneira sistemática e organizada

Não passa dia sem que o Judiciário vire um saco de pancadas de um figurão do PT. Nesta segunda, o mensaleiro condenado e futuro presidiário João Paulo Cunha, que é ainda deputado federal, resolveu levar seus amigos do partido e da CUT para acampar no estacionamento do Supremo como forma de protesto contra o processo do mensalão. Almoçou lá com a companheirada, como vocês leem no post anterior. A CUT é aquela entidade que resolveu dar um suposto emprego a Delúbio Soares só para que ele não tenha de passar os dias na cadeia.

Nunca antes na história destepaiz, para lembrar o bordão do Apedeuta, a Justiça foi alvo de tamanho deboche. Parece evidente que o PT decidiu, de maneira deliberada, sistemática, organizada, transformar o Poder Judiciário na Geni do Brasil. E que não venham com a história de que a ação do partido tem como alvo apenas Joaquim Barbosa, que é apenas um dos ministros do Supremo. Não! O relator do mensalão não condenou ninguém sozinho, ora bolas! João Paulo foi condenado pelo Poder Judiciário.

Indagado se renunciaria, sua resposta é patética: “Você acha justo uma pessoa que não cometeu nenhum crime deixar de exercer o seu ofício? Essa é a pergunta que tem que ser feita”. É o que diria de si mesmo qualquer criminoso inconformado com a condenação. Imaginem se cada pessoa que discorda da decisão de um juiz decidir estimular o acampamento às portas da Justiça.

O deboche não se limita a isso, não. A vaquinha organizada na Internet para arrecadar dinheiro já é o fim da picada — dinheiro cuja origem ninguém conhece. Um único simpatizante, vejam vocês, teria doado quase R$ 50 mil a Delúbio Soares — R$ 48 mil se a minha memória não falha. É mesmo?

Essas iniciativas do PT parecem irrelevantes, mas não são. Ajudam a criar no país a sensação de que o crime compensa e de que, no fim das contas, os bacanas nunca são punidos como devem. Está lá Delúbio “trabalhando” na CUT — a mesma CUT que decidiu fazer uma espécie de rolezinho de protesto às portas do STF. Mais um pouco, estarão todos os condenados na rua, sem que tenham deixado de debochar da punição um só minuto.

“Isso é coisa do João Paulo, não do PT”, poderia dizer alguém. Errado. Trata-se de uma decisão partidária, expressa, inclusive, nos documentos oficiais da legenda. Nesta segunda, já comentei aqui a mobilização da rede petista para achincalhar Joaquim Barbosa, “condenado” porque posou para uma fotografia.

Eis o PT: seus adversários são criminosos mesmo quando são inocentes, e seus aliados são inocentes mesmo quando são criminosos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Às vésperas da prisão, João Paulo leva militantes do PT para almoçar na porta do STF

Leiam o que informa Larysssa Borges, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Às vésperas de começar a cumprir sua pena no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) fez nesta segunda-feira um ato político em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele almoçou com militantes do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) – entidade que emprega o também mensaleiro e futuro colega de cela Delúbio Soares – em uma tenda montada no estacionamento do STF. O deputado esquivou-se de responder a perguntas de jornalistas se pretende ou não renunciar ao mandato parlamentar. “Você acha justo uma pessoa que não cometeu nenhum crime deixar de exercer o seu ofício? Essa é a pergunta que tem que ser feita”, disse.

Condenado a nove anos e quatro meses de prisão, João Paulo deve começar a cumprir seis anos e quatro meses em regime semiaberto. Ele ainda recorre da condenação de lavagem de dinheiro por meio de embargos infringentes. Apesar de já ter tido a prisão decretada, o mensaleiro não foi preso porque o ministro Joaquim Barbosa não assinou o mandado de prisão.

“Preparado [para ser preso] ninguém pode falar que está. Mas, de qualquer forma, quem tem a consciência tranquila certamente dormirá bem”, disse o deputado ao lado de militantes. Com discurso similar ao dos petistas José Dirceu e José Genoino, que tentam desqualificar as decisões tomadas pelo STF, João Paulo afirmou ser inocente e declarou que a mais alta Corte do país fez um “julgamento de exceção”.

“Tudo que estiver ao nosso alcance nós vamos utilizar, quer seja revisão, quer seja a busca em organismos internacionais. Se não for para rever, que pelo menos seja para tomar conhecimento de que houve uma injustiça no Brasil, um processo completamente permeado pela disputa política, um julgamento de exceção, que não respeitou os princípios básicos do direito”, declarou.

A revisão criminal, uma das hipóteses estudadas por João Paulo, é um tipo de ação possível após o trânsito em julgado do processo e que permite corrigir erros, rediscutir provas e apresentar potenciais evidências de inocência. Se aceita, ela pode acarretar até em um pedido de indenização ao réu por um suposto erro judicial. No caso de recursos a organismos internacionais, uma das propostas aventadas pelos condenados do mensalão é recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Trabalho e estudo
Quando começar a cumprir a pena imposta pelo STF no julgamento do mensalão, João Paulo pretende apresentar pedido para estudar e trabalhar. Ele quer concluir graduação em Direito e, depois de o curso finalizado, fazer nova faculdade, desta vez de Letras. “Eu já estudo e quero continuar estudando. Eu já trabalho e quero continuar trabalhando. Eu quero continuar trabalhando e espero que tenha esse direito respeitado”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

 

O ataque ao filho de Alckmin e a tentação da demagogia

O evento já vem pronto, desde a origem, para a exploração política. E o primeiro a ter feito uma associação não muito, como direi?, decorosa foi o ex-prefeito Gilberto Kassab. Já chego lá. A que me refiro? Thomaz, um dos filhos do governador Geraldo Alckmin, foi vítima no domingo à noite do que pode ter sido uma tentativa de assalto, sequestro ou coisa pior.

Ele estava de carro, um Hyundai i30 sem blindagem, em companhia da filha, de 9 anos, quando um carro à sua frente deu cavalo de pau. De dentro saíram quatro homens armados. Os policiais militares que faziam a escolta de Thomaz em outro veículo saltaram, deram voz de prisão aos bandidos, e houve troca de tiros. Os marginais conseguiram fugir e largaram o carro logo adiante, um Nissan Tiida, que também havia sido roubado. Quando os policiais o encontraram, havia manchas de sangue. Nada aconteceu com Thomaz, com sua filha e com os policiais.

Kassab, que demonstra a intenção de se candidatar ao governo de São Paulo, fez o que não se deve fazer em casos assim. Concedeu uma entrevista e afirmou que o evento tem “um forte simbolismo porque ressalta o grau de insegurança a que estão submetidos todos os paulistanos”.

Pois é… Os familiares do governador não são, de fato, diferentes dos demais paulistanos. Ter acontecido com um deles não tem importância estatística nenhuma. Kassab é inteligente o bastante para saber disso e deve ter o bom gosto de evitar a exploração politiqueira do caso. “Se aconteceu até com o filho do governador…” Caros, é a mesma probabilidade que há de acontecer com o filho do seu Joaquim da padaria. De resto, o presidente do PSD deve se lembrar do que se passa na Bahia, já que Otto Alencar, o vice-governador, é do seu partido. O estado tem quase o quádruplo de homicídios por 100 mil habitantes na comparação com São Paulo: mais de 40. Não consta que Kassab tenha se referido alguma vez ao “grau de insegurança a que estão submetidos todos os baianos”. Ou estou enganado?

A abordagem aconteceu na rua Professor Alcebíades Delamare, no Morumbi. Moradores da região dizem que os assaltos são frequentes por ali. É claro que o caso é grave, mas não se pode perder de vista que São Paulo é o estado que tem hoje a menor taxa de homicídios do país. “Ah, está querendo dourar a pílula”. Não! Estou lidando com dados objetivos, só isso — o que não quer dizer que o governo ou nós todos devamos nos conformar com isso.

Estranho
Acho, sinceramente, o caso um pouco estranho. Quatro assaltantes num carro, armados até os dentes, numa manobra arriscada como essa? Tudo para roubar um carro? A polícia certamente pode avaliar melhor do que eu, mas não me parece um caso muito convencional.

Em outubro, sou obrigado a lembrar, veio a público a interceptação de conversas telefônicas entre membros do PCC que traziam uma ameaça de morte ao governador Geraldo Alckmin. Luís Henrique Fernandes, conhecido como LH, conversa com Rodrigo Felício, o Tiquinho, e Fabiano Alves de Sousa, o Paca, todos integrantes do partido do crime. Diz LH:
“Depois que esse governador entrou aí o bagulho ficou doido mesmo. Você sabe de tudo o que aconteceu, cara, na época que ‘nóis’ decretou ele, então, hoje em dia, secretário de Segurança Pública, secretário de Administração, comandante dos vermes (Polícia Militar), estão todos contra ‘nois’.” O diálogo ocorreu em 11 de agosto de 2011, às 22h37. “Decretar” alguém significa ordem para matar.

Não estou tirando conclusão precipitada nenhuma ou fazendo afirmações oblíquas. Apenas considero obrigatório lembrar esse episódio. A Polícia de São Paulo, gostem ou não seus detratores — e eles não gostam —, apesar dos muitos problemas, é, sim, uma das mais eficientes do Brasil. E bandido não costuma gostar disso.

Aí o petralha assanhado fica excitado: “Ah, quando é o Distrito Federal, governado pelo PT, você faz alarde!”. Calma! Tire as mãozinhas do chão antes de ficar nervoso, tente raciocinar, petralha fascinado por mim. A taxa de homicídios do DF, sem que haja qualquer razão, digamos, sociológica para isso, é superior ao triplo da de São Paulo — e isso antes da atual onda de violência, decorrente da estúpida Operação Tartaruga.

Nenhuma hipótese pode ser descartada em São Paulo. Mas que se descarte, de saída, a demagogia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Recorde – Gastos de publicidade do Ministério da Saúde chegaram a R$ 232 milhões em 2013

Por Johanna Nublat e Gustavo Patu, na Folha:
Antes de deixar o Ministério da Saúde para concorrer pelo PT ao governo paulista nas próximas eleições, Alexandre Padilha promoveu a maior alta dos gastos com publicidade da pasta desde o início do governo petista. As despesas alcançaram no ano passado R$ 232 milhões, com um crescimento de 19,7% acima da inflação sobre os desembolsos de 2012 — que já haviam crescido 18,6% sobre 2011. O ritmo de expansão desse biênio não tem paralelo em uma década, como mostram os dados do próprio ministério. O último registro de uma taxa de aumento expressivo aconteceu no ano eleitoral de 2006, quando os montantes envolvidos eram bem menores que os atuais.

Tecnicamente, quase todos os gastos com publicidade da Saúde são classificados como de utilidade pública. Entre os exemplos tradicionais estão as campanhas de vacinação contra a paralisia infantil e as de prevenção de doenças como a Aids e a dengue. No entanto, essa classificação de despesa também abriga a promoção de programas que estão entre as vitrines eleitorais do governo Dilma Rousseff e de Padilha, como o Saúde Não Tem Preço e o Mais Médicos. O primeiro, lançado no início do governo Dilma, instituiu a distribuição gratuita, nas farmácias, de medicamentos contra diabetes e hipertensão e, a partir de 2012, contra a asma. O segundo, o Mais Médicos, foi lançado em 2013 após batalha pública contra as entidades médicas nacionais, contrárias ao programa. O governo já contabiliza 9.549 profissionais selecionados pelo Mais Médicos — sendo que 77,5% deles são médicos cubanos.

Uma citação aos dois programas foi inserida no pronunciamento que Padilha fez na TV semana passada sobre a vacina contra o HPV, o que gerou críticas da oposição. O Mais Médicos liderou as verbas publicitárias de 2013, com R$ 36,9 milhões, seguido pela prevenção da dengue, que mereceu R$ 33,2 milhões. O Saúde Não Tem Preço recebeu R$ 13,9 milhões. Em nota enviada à Folha, a Saúde afirmou que a expansão dessas despesas está ligada à ampliação dos serviços públicos prestados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Balança comercial inicia o ano no vermelho: déficit recorde de US$ 4 bilhões

Na VEJA.com:
A balança comercial brasileira registrou déficit de 4,057 bilhões de dólares em janeiro – recorde histórico para o período, informou nesta segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O resultado veio melhor do esperado por analistas, cuja projeção média era de déficit de 4,6 bilhões de dólares. No mês passado, as exportações somaram 16,027 bilhões de dólares e as importações, 20,084 bilhões de dólares, ainda segundo o ministério.

O Mdic informou que a média diária das exportações foi de 728,5 milhões de dólares, alta de 0,4% em relação ao mesmo período de 2013. Os embarques de manufaturados caíram 2,6%, enquanto a retração nas vendas de semimanufaturados foi de 5,8%. Por outro lado, as exportações de produtos básicos cresceram 5,3%. No caso das importações, a média diária de janeiro de 2014 foi de 912,9 milhões de dólares, recorde histórico para meses de janeiro e 0,4% acima da média de janeiro de 2013.

As exportações de produtos básicos foram impulsionadas por petróleo em bruto, farelo de soja, bovinos vivos, carne bovina e minério de ferro. Por outro lado, nos manufaturados, a queda de 2,6% é explicada por uma redução nas vendas de açúcar refinado, etanol, automóveis de passageiros, autopeças e suco de laranja congelado. A retração de 5,8% dos semimanufaturados ocorreu, principalmente, por conta da diminuição das exportações de ferro fundido, ouro em forma semimanufaturada, alumínio em bruto, semimanufaturados de ferro e aço e açúcar em bruto.

Exportações
Os dados divulgados nesta segunda-feira mostram também que as exportações cresceram 17,4% para a Ásia, sendo que somente para a China o incremento foi de 27,7%. Para os Estados Unidos, a alta foi de 11,4%. Por outro lado, as vendas externas em janeiro caíram 6,2% para o Mercosul, sendo que a queda chegou a 13,7% para a Argentina. A retração das exportações do Brasil para a União Europeia foi de 5%.

Por Reinaldo Azevedo

 

O açougue de carne humana de Agnelo segue a toda: 14 mortes violentas num fim de semana. E os absurdos de uma tal Aspra, a associação de policiais organizada contra o povo

Agnelo: ele desenvolveu o método de se calar diante dos descalabros, sempre cercado de brutamontes

Agnelo: ele desenvolveu o método de se calar diante dos descalabros, sempre cercado de brutamontes

É um espanto! A Aspra (Associação de Praças e Bombeiros Militares) decidiu pôr fim à Operação Tartaruga, que já tinha sido considerada ilegal pela Justiça, depois de mais um fim de semana violento no Distrito Federal. Agora, o sindicato recomenda a “Operação Padrão”, seja lá o que isso signifique. O sargento Manoel Sansão, vice-presidente da entidade, diz, no entanto, que a Aspra vai recorrer contra a decisão da Justiça e, caso ela seja revertida, os policiais voltarão a retardar o atendimento à população. É espantoso que este senhor diga essas coisas, como se estivesse fazendo algum mal ao governador Agnelo Queiroz. Não, senhor Sansão! As principais vítimas de seu modo de fazer política são o povo do Distrito Federal.

Neste fim de semana foram 14 mortes violentas, 10 delas só no domingo. E com uma polícia fazendo “Operação Tartaruga”? Não é possível!

As lideranças dos policiais dizem exigir o cumprimento das 13 promessas de Agnelo Queiroz quando candidato. De fato, elas existem. Os sindicalistas afirmam que não foram cumpridas. Digamos que não. Por causa disso, homens armados vão cruzar os braços e deixar a população à mercê de bandidos? Policiais que agem assim se tornam aliados dos criminosos. Que tipo de relação pretendem ter com a população brasileira? De chantagistas que só atuam por dinheiro?

É claro que condições dignas de trabalho são necessárias. Mas será que a PM do Distrito Federal vive na penúria? Afirmei aqui que eles tinham o maior salário do país. Segundo o Anuário de Segurança Pública, é o segundo maior. Só perdem para a do Paraná. Mas noto que nessa conta não estão alguns benefícios indiretos. De todo modo, vejam a tabela:

salário PMs

Pois é. Então vamos falar um pouco o sofrido PM do DF. Segundo levantamento do Datafolha, 46% das famílias brasileiras ganham até R$ 1.356. Outros 20% recebem de R$ 1.357 a R$ 2.034. É isto mesmo: 46% das famílias ganham até R$ 2.034! Já 16% recebem entre 2.035 e R$ 3.390. Os policiais militares do DF, com vencimentos de quase R$ 4.200, fora os benefícios, estão entre os 9% que têm um contracheque entre R$ 3.391 e R$ 6.780. Só para completar as faixas: 4% apenas ganham entre R$ 7.781 e R$ 13.560. A faixa acima desse valor compreende apenas 1% da população.

Irresponsabilidade
A população do DF paga o preço da irresponsabilidade dos sindicalistas, mas também de Agnelo. Abaixo, reproduzo um folheto de sua campanha, com as tais 13 promessas. Na introdução, lê-se: “A Polícia do DF, mesmo com todas as defasagens que enfrenta, não deixa de cumprir suas funções, com dignidade e heroísmo, graças ao comprometimento profissional de seus integrantes. Em nosso governo, suas reivindicações serão tratadas com prioridade e respeito”. Vejam. Volto em seguida.

Agnelo promessas

Agnelo Promessas 2

Se preciso, clique na imagem para ler. Quando o sr. Agnelo assinou esse documento, a taxa de homicídios do Distrito Federal já era uma das mais altas do país: 34,2 por 100 mil habitantes, segundo o Mapa da Violência. E a PM já era uma das mais bem pagas. A que defasagem ele se referia? Sim, Agnelo decidiu acenar com o paraíso. Não se faz proselitismo com homens armados.

Nesta segunda, com 14 assassinatos ocorridos no fim de semana, Agnelo, mais uma vez, ficou de boca fechada. Negou-se a falar com a imprensa. Ele desenvolve uma espécie de método nessas horas: olha para o vazio e segue adiante, cercado por brutamontes.

Igualmente vergonhoso, reitero, é o silêncio do governo federal a respeito. A carnificina acontece a alguns metros dos respectivos gabinetes de Dilma e José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça.

Neste domingo, numa troca de tiros entre bandidos, uma criança que brincava num ponto de ônibus morreu com um tiro na cabeça. A ministra Maria do Rosário não emitiu nenhuma nota oficial. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Ainda a carnificina no Distrito Federal de Agnelo Queiroz e os feiticeiros que gostam de fazer proselitismo em quartel

A escandalosa violência no Distrito Federal, a região com a maior renda per capita do país, é a prova mais cabal da falência do petismo em matéria de segurança pública. Já demonstrei aqui, na sexta, o que se passa nos estados governados pelo PT. É claro que não são os únicos violentos do país — a unidade da Federação que lidera em número de mortos por 100 mil habitantes é Alagoas, governado pelo tucano Teotônio Vilela Filho. Pode-se acusá-lo de não ter resolvido a questão, historicamente escandalosa. Ocorre que, no caso do petismo, dá-se algo um pouco diferente: nas mãos de seus “especialistas”, a violência explode. O caso mais gritante, nesse sentido, é a Bahia. O Distrito Federal merece destaque porque a área é localmente governada pelo PT — Agnelo Queiroz — e está, obviamente, sob a proteção federal porque ali está a sede administrativa do país, também nas mãos do partido.

O que estou dizendo, meus caros, é que o cheiro de sangue chega ao gabinete de Dilma. O cheio de sangue chega ao gabinete de José Eduardo Cardozo — que, pateticamente, disse que poderá colaborar se o governador lhe pedir ajuda. É mesmo? Então ele não está vendo o que se passa à sua volta? Provavelmente, não! Essa gente anda protegida com tantos seguranças que coisas assim não parecem urgentes.

Que é que há? Então o Distrito Federal teve, em 2012, 32,1 Crimes Violentos Letais Intencionais por 100 mil habitantes (o CVLI inclui latrocínios e homicídios dolosos), quando a média brasileira, que já é escandalosa, foi de 25,8, e o governo federal, que está ali, no caldeirão, não se interessou pelo caso? Os números são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Mata-se no Distrito Federal, proporcionalmente, quase o triplo do que se mata em São Paulo, e todos decidiram silenciar? E que se note: em 2012, a PM do DF ainda não estava fazendo a tal “Operação Tartaruga”, como faz agora.

O peso da demagogia
Ah, meus caros, eu já tratei desse assunto aqui faz tempo, sabem? Vou ter de refrescar a memória de vocês. A PM do Distrito Federal é a mais bem paga do país. O dinheiro sai dos cofres federais. Adivinhem quem está na raiz do proselitismo em porta de quartel… Vejam este vídeo. Explico em seguida.

No dia 8 de maio de 2008, o Apedeuta assinou a Medida Provisória 426, que concedia reajuste de 14,2% aos 28 mil policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, extensivo aos que já estavam na reserva. O aumento era retroativo a fevereiro, e o atrasado, pago numa vez só. O piso dos coronéis da PM do DF passou, aquele ano, para R$ 15.224, e o dos soldados, R$ 4.117. Hoje, deve ser maior. Pesquisem aí. Por que por Medida Provisória? Justamente porque os gastos com segurança, saúde e educação do Distrito Federal são bancados por um Fundo Constitucional. Vale dizer: saem dos cofres da União! Fez-se uma grande festa em Brasília.

O “Arruda” a quem Lula se refere é aquele mesmo, o então governador José Roberto Arruda, que já estava nas malhas da Polícia Federal e seria destruído pelos petistas no ano seguinte. Não que não merecesse, como se sabe. A população do DF é que merecia saber quem era o petista Agnelo Queiroz, né? Esse aumento à PM, diga-se, está na origem da tal Proposta de Emenda Constitucional nº 300, a PEC 300. Ela iguala o salário das Polícias Militares de todos os estados ao que se paga no Distrito Federal. E se tornou uma espécie de fomentadora continuada de revoltas das polícias Brasil afora. Como os estados não teriam condições de arcar com o custo, o texto transfere para o governo federal o peso do reajuste. Dilma conseguiu, até agora, impedir a sua aprovação.

Irresponsáveis
Quando os benefícios foram concedidos, com o proselitismo que se vê, não se estabeleceu um programa de metas para a redução da violência, por exemplo — e o Distrito Federal, em 2008, já exibia índices alarmantes. Estava na cara que algo de muito ruim se passava por lá.

E, como o PT não aprende, no vídeo abaixo, vocês veem Agnelo Queiroz fazendo proselitismo numa reunião de policiais e bombeiros, durante a campanha eleitoral.

Assombro
Os leitores sabem o que eu penso. Sou contra greve de funcionário público. A razão é simples: quem paga o pato é o povo. E, obviamente, sou especialmente contrário a manifestações grevistas e assemelhados de policiais. Gente que é armada pelo estado, entendo, não pode ter esse direito.

Atenção, meus caros, o número de mortes violentas no Distrito Federal chegou a 73 no mês passado.  É um escândalo? É, sim, mas tenho algo a lhes dizer: já era antes. Em 2012, houve 839 mortes violentas no DF — e não havia Operação Tartaruga: uma média de 70 por mês.

Não é de hoje que a situação está fora de controle. Atenção, segundo o Mapa da Violência, no ano em que Lula concedeu aquele grande reajuste à PM, 2008, a taxa de homicídios no DF era de 34,1 por 100 mil habitantes. No ano seguinte, saltou para 39,2, caindo para 34,2 em 2010, mas ainda superior à de 2008.

Não há dinheiro que compense a incompetência, e não há mal que a demagogia não possa tornar pior. Com a palavra, o sempre loquaz José Eduardo Cardozo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Sob pressão do PT, ministro defende regular mídia sem controlar conteúdo

Leiam o que informam Tai Nalon e Julia Borba, na Folha. Volto no próximo post.
Em um momento em que a volta do debate pelo controle dos meios de comunicação por alas do PT culminaram na saída de Helena Chagas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o ministro refutou, entretanto, que o governo queira encampar regulação de conteúdo. “Em primeiro lugar eu sou favorável à regulação da mídia. Eu acho que sempre falei isso, sempre defendi. Nós precisamos apenas nos colocar sobre qual vai ser o modelo, sobre qual a forma de conduzir isso, se nós vamos fazer um projeto único ou por partes”, disse Bernardo. ”Eu, por exemplo, tenho uma visão sobre o projeto que o ministro Franklin [Martins, ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social] trabalhava que eu acho que temos que incluir questões essenciais, por exemplo, sobre o que acontece na mídia de internet”, continuou.

Segundo ele, o governo deve impor controle sobre empresas que monopolizam o mercado da internet e criam situações de competição desigual e tributação diferenciada. “Acho que o Google está se tornando o grande monopólio da mídia. E a gente vê assim uma disputa entre teles e TVs que, provavelmente, se durar mais alguns anos o Google vai engolir os dois.”

“Inclusive, os meus companheiros do PT que às vezes se colocam favoráveis a esse tema é importante contribuir também com ideias e com o que vamos fazer a respeito dessas questões. É uma relação que acaba ficando assimétrica, de empresas que começam a vender serviços pela internet e não tem as mesmas responsabilidades que os veículos tradicionais”, continuou Bernardo. Segundo ele, uma forma é começar a taxar a publicidade que hoje é paga no exterior. “Não estou falando de regular conteúdo. Sou absolutamente contra. Agora, nós podemos ter dois tipos de veículo vendendo publicidade? Um pagando imposto e outro pagando nada? Isso eu acho que tem de ser visto. Essa discussão eu coloco assim até como um elemento para contribuir com um eventual debate.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

O “beijo gay” de “Amor à Vida”, da TV Globo, foi, na verdade, expressão de machismo numa novela heterofóbica e que detestava as mulheres

O beijo da família gay Doriana, em que mulher é só empregada

O beijo reacionário da família gay Doriana, em que mulher é só empregada

Ai, que preguiça! Aqui e ali se pergunta por que não escrevi sobre o “primeiro beijo gay” nas novelas, se estou fugindo de temas polêmicos… Ô se estou!!! Como podem ver, aqui, na Folha ou na Jovem Pan, só tenho aplaudido consensos, não é mesmo? Tenham paciência! Mas se é para embarcar na polêmica dando algum relevo ao que não tem a menor importância, então vamos tratar do que interessa. Não escrevi porque estava tomando sol, entendem? Preciso elevar a minha vitamina D… Tenho, nos períodos de inverno, aquele branco meio cadavérico, mas não porque não goste de sol. É falta de tempo mesmo. Vi depois. Beijo gay? Desculpem a falta de jeito e talvez alguns fiquem chocados, mas beijo sem língua não vale.

O beijo entre Félix (Matheus Solano) e Nico (Thiago Fragoso) foi só um pouquinho mais ousado do que o trocado pelos atores Vida Alves e Walter Forster na novela “Sua Vida me Pertence”, de 1951, dez anos antes de eu nascer. E, santo Deus!, eu já tenho 52! Foi um beijo que não ousou dizer seu nome. Terno, sim, todo casinha, uma transa, assim, literalmente papai-e-papai — num mundo, aliás, em que, se notaram bem, mulher só servia como empregada: Félix, Nico, o pai rabugento e estropiado, os dois garotos e… a mulher de uniforme branco. Se houvesse um cachorrinho na casa, não seria uma cadelinha, pelo visto. E já trato da misoginia escancarada dessa novela.

Pra começo de conversa, não é o primeiro beijo gay em novela. Já houve um lésbico numa do SBT, não? Segundo consta — e não vi mesmo —, há duas jovens se pegando no BBB, com beijos de boca destrancada, não é isso? Duas questões, então, se colocam:
– beijo gay de mulheres não vale? Não é revolucionário o bastante?
– beijo entre mulheres não provoca frisson político? Por que não?

Explico. Porque as mulheres, vejam vocês, ainda são, sim, discriminadas de várias formas no país e na política. A militância gay — e não venham torrar a minha paciência com mimimi — não gosta muito das lésbicas, como elas sabem e como eles sabem. Mais: o beijo lésbico não gera muita confusão porque, no fim das contas, boa parte da macharia “curte o lance” — não é mesmo? E as mulheres são oferecidas, a exemplo do que ocorre no BBB, à “espiação” (se me permitem, com “s” mesmo…) e à expiação. Ou por outra: o rala-e-rola entre as moças serve ao voyeurismo masculino; aquele feito por homens não costuma excitar a imaginação das mulheres — não há testemunhos a respeito que eu saiba; não interessa aos homens heterossexuais e é dirigido exclusivamente ao público gay — aos, em suma, homens, que seguem sendo protagonistas, porque homens, da militância gay.

No fim das contas, seja pela qualidade do beijo — aquela coisa de boca fechada, quase com nojinho —, seja pelo protagonismo político que a coisa ganhou, e dado que já houve beijo lésbico, bem mais quente —, foi, de verdade, um beijo ainda machista, de uma cultura idem. Porque, convenham, ninguém gosta tanto do universo masculino como os gays, certo?

Essas coisas são tramas do marketing, entendo. Foi um primeiro passo. Agora, aguarda-se algum tempo até a língua, quem sabe?, a depender da reação do público. Aqui e ali, no entanto, vejo gente dizendo: “Ah, mas foi bonito, né, gente? Não pareceu sacanagem”. Claro que não! Gays quando se beijam estão fazendo a revolução universal. Ah, tenham paciência!

A novela
Vi pouco a novela porque, como podem notar, estou sempre trabalhando naquele período. E não vai preconceito nenhum. Já acompanhei algumas com interesse. Gosto de Manoel Carlos, o que vem aí… Não sei como vai ser desta vez. Suas tramas costumam ter poucas peripécias e apelar quase nada ao “maravilhoso”. Passei a acompanhar alguns capítulos da novela de Walcyr Carrasco porque me falaram da atuação espetacular do ator Matheus Solano, que me pareceu, de fato, muito bom, com um tempo para a comédia e para a ironia de quem entende o seu ofício.

Dá para compreender por que sua personagem chamou tanto a atenção. Os demais eram de uma pobreza dramática e agrediam de tal sorte a verossimilhança que beiravam o patético. O pai homofóbico, representando por Antonio Fagundes (nada a ver com as qualidades do ator), era um caricatura grotesca. Aliás, tudo bem penado — chamem pela memória —, o único casal, digamos, convencional, próximo da esmagadora maioria dos brasileiros, eram Paloma e Bruno, tão excitantes como um pudim de isopor. No fim das contas, a equipe de Carrasco não tinha, de verdade, nada a escrever sobre os dois porque não consegue, em suma, ver transcendência nenhuma no amor de um homem e de uma… mulher.

Misoginia 1 - Pillar: corna profissional termina nos braços do motorista que era bandido

Misoginia 1 – Pillar: corna profissional termina nos braços do motorista que era bandido

Misoginia 2 - Ela também tinha razões para ser má, mas a

Misoginia 2 – Ela também tinha razões para ser má, mas a “piranha” terminou eletrocutada

Os demais casais heterossexuais que se firmaram tinham sempre uma nota de rodapé de “diferença”: a ricaça mais velha pega o motorista fortão; o médico recém-formado, uma enfermeira coroa; um alto executivo escolhe uma ex-chacrete exuberante da periferia; uma periguete pobre e maluca se interessa por um desocupado profissional que depois vira funkeiro ou sei lá o quê; até a mãe de família, mulher do dono de um boteco, se revela uma ex de um diretor de hospital, sai de casa para viver o romance, volta para o marido bronco, do nada, sem revelar nem por que foi nem por que voltou…

Mas nenhum casal representou, digamos, a heterossexualidade que se mostrava doentia e decadente como César, o pai homofóbico (severamente punido; quem mandou?), e Aline, aquela que, vá lá, inicialmente, tinha motivos para se vingar, mas foi além da conta — uma psicopata talvez. Para ela e para ele, não houve remissão, não! De jeito nenhum! César é severamente punido por seu amor à moda antiga — e, até onde se sabe, ele foi um bom marido para a jovem mulher, sinceramente apaixonado. Termina seus dias dependente do filho que tanto desprezou.

Misoginia 3 - Sempre garota de programa, só é salva pelo mordomo

Misoginia 3 – Sempre garota de programa, só é salva pelo mordomo

Deem um bom motivo para a mudança da “bicha má”. Essa história de que Félix foi salvo pelo público é conversa mole. Errado! Walcyr Carrasco conduziu a história para fazer da personagem a verdadeira vítima — vítima do pai homofóbico. Ele só jogou uma criança numa caçamba, internou a irmã num hospício, tramou o sequestro da sobrinha, chantageou pessoas e até tentou matá-las porque “pápi porderoso” não lhe dizia um “eu te amo”. Que o tenha feito ao som de Mahler, numa citação completamente despropositada do filme “Morte em Veneza”, de Visconti, só serve para esconder o ridículo numa gramática aparentemente grandiosa, profunda, humana.

Já as mulheres… Pobres mulheres! Uma das protagonistas era uma corneada profissional e acaba se consolando nos braços do motorista filósofo, um ex-bandido. A mulher da bicha continuou, na prática, garota de programa — só no último capítulo ela se redime, para cair nos braços do… mordomo! Walcyr Carrasco parece ser fascinado pela ideia dos amores, digamos, ancilares. Não por acaso, Aline era, originalmente, secretária de César.

Sempre que a palavra “bicha” foi empregada em tom pejorativo, ou foi na boca de César — criado para causar repulsa — ou do próprio Félix. Ou, em suma, era “coisa de bichas” (e elas podem se xingar entre si que ninguém tem nada com isso; se, um dia aprovarem a tal lei anti-homofobia, isso não renderá processo) ou de gente detestável. Já a tal Aline, coitada, foi xingada de “piranha” na novela pelas pessoas as mais beatas — incluindo a personagem do excelente Ary Fontoura, cujo nome não lembro. Curioso: Aline morre eletrocutada, sem perdão; Félix encerra a novela, de mãos dadas com o pápi, ao som de Mahler, dizendo “eu te amo”. O que deu o clique na cabeça do malvado? Ter ido vender hot-dog na periferia? Ocorre, meus queridos, que Félix era essencialmente bom; o pai é que tinha feito dele um monstro.

E, claro!, não poderia deixar de falar de Amarílis, aquela que tinha vocação para destruir o romance de gays e lhes roubar a criancinha, impedindo-os de formar aquela Família Doriana mostrada antes do beijo gay sem língua. Psicopata? Mulher má? Personagem frequente na vida de casais gays? Sei lá eu. O fato é que aquela que transformou seu útero numa espécie de gaveta, mala ou estufa deveria, a gente ficou sabendo, se conformar com o seu papel de gerar crianças para o casal de machos.

Beijo gay? Não tem a menor importância e, reitero, do jeito como foi dado, foi mais machista do que propriamente revolucionário. Só demagogos de quinta fingem de escandalizar com isso. Relevante nessa novela — e cumpre verificar se será uma tendência na Globo — é o desdém pela chamada “heteronormatividade”, o elogio das famílias as mais exóticas — desde que não seja a ainda convencional — e, insisto, a misoginia, o desprestígio escandaloso a que foram submetidas as mulheres, quase sem exceção.

Até um terrorista palestino encontrou seu lugar no mundo dos justos. César, o “homofóbico”, termina seus dias babando e chorando; Aline, a “piranha”, foi eletrocutada. Amarílis, a “cobra”, acaba sozinha. Ah, sim: o diretor administrativo de um hospital contrata o diretor clínico, que acabara de conhecer, e já é convidado para um uísque, entendem? Fossem homem e mulher heterossexuais, estaria caraterizado um caso de assédio… Sendo como é, não.

Mas o Brasil parou, segundo o Fantástico, para aplaudir “o primeiro beijo gay”, ainda que a novela tenha sido uma chanchada heterofóbica e, acima de tudo, misógina. Vem aí “Em Família”, de Manoel Carlos. Se houver heterossexuais andando sobre duas patas, logo vai aparecer alguém para apontar um perigoso retrocesso.

Homofóbico no chão: cego, com derrame, dependente de Félix. Demorou, mas Cesar aprendeu a lição. Ao som de Mahler!

Homofóbico no chão: cego, com derrame, dependente de Félix. Demorou, mas César aprendeu a lição. Ao som de Mahler!

Texto publicado originalmente às 2h21

Por Reinaldo Azevedo

 

Depois daquele beijo. Ou: Vão caçar sapo na beira do brejo! Ou ainda: democracia e norma

Ah, vão caçar sapo na beira do brejo — se encontrarem o brejo, se encontrarem o sapo, e, nesse caso, entreguem-no a Marina Silva, que sapo também é gente, certo? Aliás, mais gente do que gente! — os que não entendem ou fingem não entender o que leem porque vêm pra cá com um discursinho pronto na linha: “Ah, os conservadores sempre reagem…”. Que mané conservador o quê! Ninguém sai por aí praticando sexo contra a sua orientação só porque a novela ou o BBB ou naturalizam ou glamorizam essa ou aquela práticas. Atração, repulsa ou indiferença nessa área não dependem de discursos influentes, de pregação, de proselitismo. Já a tolerância com o outro é uma questão de educação e de formação moral. Se há alguém achando que haverá mais gays no Brasil por causa daquele beijo mixuruca, essa não é, definitivamente, a minha opinião. Algum heterossexual se sentiu tentado a beijar um amigo na boca? Se a resposta for “sim”, a novela não tem nada com isso. O meu ponto é outro.

Com hábitos de consumo — drogas, por exemplo —, a coisa é muito diferente. Ninguém precisa ir contra a sua natureza e aquilo que essencialmente é para “experimentar” uma substância. Se as novelas, o jornalismo e o showbiz usam de uma posição privilegiada para fazer a apologia de determinadas substâncias ou práticas, é evidente que contribuem para derrubar interdições e que a consequência será, por exemplo, uma elevação do consumo da substância em questão.

Caiu brutalmente no Brasil o consumo de tabaco. Coincide com o fim da propaganda, com as campanhas alertando para os malefícios dessa droga lícita, com as dificuldades crescentes criadas para os fumantes. Com a maconha, por exemplo, dá-se o contrário. Os maconheiros, à diferença dos tabagistas, são bons de marketing e ocupam hoje o topo de uma suposta “resistência aos conservadores”. Assim como a demonização de um produto leva à queda do consumo, a exaltação do outro faz o contrário. Simples como dois e dois são quatro. Misturar as duas coisas ou é, na hipótese virtuosa, vender a ignorância como sabedoria; na não virtuosa, vender a má-fé como se fosse simples ignorância.

No meu texto sobre a novela, não escrevo “sobre beijo gay” — era só o que me faltava… Escrevo sobre o “agendismo” que tomou conta da televisão, muito especialmente da Globo. É quase impossível ver televisão hoje em dia sem ser molestado por alguma militância, sem que apareça um aiatolá de alguma causa para tentar provar a sua superioridade moral sobre os demais viventes. Isso é que é chato, cacete, enfadonho e emburrecedor.

E, aí sim, os truques mais rasteiros, inclusive os, vá lá, da dramaturgia são postos em ação. É tão escandalosamente evidente que Walcyr Carrasco mandou às favas qualquer compromisso com a verossimilhança em nome de uma agenda que demonstrá-lo chega a ser penoso, porque não há modo de fazê-lo se não por intermédio de um didatismo pedestre — como foi o da novela. Deem uma só razão para Félix, sem trocadilho, encontrar a felicidade sem arcar minimamente com o custo de suas maldades. Digamos que ele tenha sido vítima, até um determinado ponto, das circunstâncias em que foi criado. E não se poderia dizer o mesmo de César? E há, adicionalmente, a misoginia, da qual já falei. “Você não é mulher e não tem de se meter nisso; se elas não se incomodaram…” Uma ova! Misoginia é uma questão pública. Como é uma questão pública, porque exibida para milhões, a determinação da novela em “naturalizar” famílias, digamos, pouco ortodoxas. Regra civilizatória: o desvio da norma, numa democracia, não pode ser satanizado. Se o desvio vira normal, a democracia fica de ponta-cabeça.

Se há alguém desarvorado com o risco de que haja um surto de gayzismo por causa da novela, pode relaxar. Não vai acontecer. Talvez uns e outros resolvam, seguindo a agenda, se beijar em público, estimulados pelo proselitismo. E daí? Se você não gosta de ver, vire a cara e cuide de sua vida. Não é da sua conta. O problema de “Amor à Vida” é outro: acabou se transformando num panfleto de simplificações rasteiras para vender causas. E seu ponto mais baixo foi o discursinho cretino em favor da descriminação do aborto. Numa novela chamada “Amor à Vida”.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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