A refinaria de Pasadena e a Petrobras: o que pode e o que não pode ser desculpável na atuação da conselheira e da presidente Dil

Publicado em 21/03/2014 06:53 e atualizado em 05/06/2014 17:06 1368 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A refinaria de Pasadena e a Petrobras: o que pode e o que não pode ser desculpável na atuação da conselheira e da presidente Dilma. Ou: Conta sobe mais US$ 200 milhões. Ou ainda: PT contra PT

Ainda se sabe pouco do incrível imbróglio de Pasadena. Mas algumas informações começam a vir à tona. Saibam, por exemplo, que a dinheirama gasta pela Petrobras foi ainda maior do que aquele US$ 1,18 bilhão: há outro espeto de US$ 200 milhões que ainda não foi mencionado. Já explico. Em primeiro lugar, cumpre notar que estamos diante de um fogo amigo nada amigável. Vale dizer: há uma luta explícita de petistas contra petistas. A presidente Dilma insiste na versão de que desconhecia o inteiro teor do contrato da Petrobras com a Astra, que obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria. José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e um dos queridinhos de Lula, espalha o contrário: segundo dá a entender, não havia como o conselho não saber de tudo. O preço pago pela Petrobras por 50% da refinaria também merece algumas considerações. Como se sabe, a Astra comprou a dita-cuja em 2005 por US$ 42,5 milhões e vendeu metade para a empresa brasileira, um ano depois, por US$ 360 milhões.

Começo por essa questão. A informação passada aos conselheiros é que o preço se justificava porque os belgas fizeram investimentos na refinaria e porque a empresa tinha um estoque de óleo cujo valor não estava computado naqueles US$ 42,5 milhões. Assim, segundo essa leitura, não haveria nada de errado com a compra inicial daquela metade da empresa. Lembre-se que, quando Graça Foster tentou vender a refinaria, no ano retrasado, encontrou um único comprador, que aceitou dar US$ 180 milhões — bem menos, é certo, do que os US$ 360 milhões que a Petrobras pagou por apenas metade, mas bem mais dos que os US$ 42,5 milhões pagos pelos belgas em 2005 pela refinaria inteira. Adiante.

Outros conselheiros da Petrobras à época, como o empresário Jorge Gerdau e o economista Cláudio Haddad, endossam a versão de Dilma. Segundo Haddad, quem fez a exposição de motivos e justificou a compra foi Nestor Cerveró, que era, então, diretor da Área Internacional da Petrobras e é hoje diretor financeiro da BR Distribuidora, comandada por José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT.

Agora ninguém quer ser pai da criança. Nesta quinta, os senadores Delcídio Amaral, do PT, e Renan Calheiros, do PMDB, trocaram farpas sobre a indicação do diretor. Delcídio diz que ele era um homem do PMDB na Petrobras; Renan respondeu que foi o petista quem o indicou para o cargo e ironizou: “O Delcídio tem de ficar despreocupado porque certamente não indicou o Cerveró para este roubar a Petrobras.” Sobre a permanência do diretor, afirmou: “Ele ter ficado é imperdoável. O Delcídio tem de pedir a sua saída”. Não sei, não! Neste caso ao menos, Renan me parece inocente.

Agora a dinheirama
Além daquele US$ 1,18 bilhão que a Petrobras gastou para comprar uma refinaria que não funciona, a sede da empresa, no Brasil, fez uma transferência eletrônica para Pasadena de outros US$ 200 milhões em 2008 — não dá para saber exatamente o motivo e a destinação do dinheiro. Assim, meus caros, a conta subiu para, por extenso, um bilhão, trezentos e oitenta milhões de dólares.

Então vamos ver. Em algum arquivo se deve encontrar o resumo executivo elaborado por Cerveró. Se lá não estiver a informação de que havia a cláusula de compra obrigatória, então os conselheiros foram levados no bico — supor que leiam centenas ou milhares de páginas de cada caso sobre o qual opinam é ingenuidade. Escrevo isso porque Gabrielli me parece, como direi?, solerte quando afirma que essa cláusula é comum em contratos. Ainda que assim fosse, ela teria de constar do resumo executivo. Se lá não estava, houve trapaça.

Digamos que o preço, pela primeira metade da empresa, considerados os investimentos dos belgas e o estoque de óleo, fosse razoável. Até este ponto, Dilma poderia sustentar não ter nada com isso. Mas e depois? E quando a história inteira veio à tona? Em 2007, quando a Astra entra na Justiça, a presidente do conselho e ministra, Dilma Rousseff, já sabia de tudo. E seguiu sabendo de tudo em 2008 e 2009. Fez o quê?

A derrota final da Petrobras na Justiça americana se deu em 2012. Foi o no seu governo que a Petrobras teve de pagar estupefacientes US$ 820,5 milhões pela outra metade da refinaria. E foi também no seu governo que Nestor Cerveró, o que fez o resumo executivo que ela considera omisso, foi nomeado diretor financeiro da BR Distribuidora.

Pode, até existir coisas para as quais haja uma explicação razoável. Mas há aquelas que são certamente indesculpáveis. E é fato: a empresa em que a Petrobras torrou US$ 1,38 bilhão vale, no mercado, US$ 118 milhões — e há um só comprador. Pode-se perdoar Dilma por aquilo que ela eventualmente não sabia. Mas não se pode perdoá-la por aquilo que não fez mesmo quando já sabia de tudo.

Texto publicado originalmente às 4h58

Por Reinaldo Azevedo

 

Congresso

Novo apelido

Refinaria de Pasadena: apelido

Refinaria de Pasadena: apelido

No Congresso, petistas e a base aliada se referem desta maneira à refinaria de Pasadena: PassaDilma.

Por Lauro Jardim

 

“Independentes” querem que PGR apure papel de Dilma em compra de refinaria de Pasadena

Por Gabriela Guerreiro, na Folha:
Senadores do grupo dos chamados “independentes” vão apresentar representação contra a presidente Dilma Rousseff na PGR (Procuradoria-Geral da República) para que o órgão investigue sua participação na compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras, em 2006. Na época, Dilma era presidente do Conselho de Administração da estatal que avalizou o negócio. O grupo optou por recorrer ao Ministério Público ao invés de pedir abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Senado para investigar o episódio. Em ano eleitoral, os “independentes” consideram que a CPI não terá o mesmo “êxito” que a procuradoria para apurar a compra da refinaria. Embora procuradores investigam a compra desde o ano passado, os “independentes” querem que o papel de Dilma no episódio.

“As CPIs não têm boas passagens por aqui. Recolher assinaturas para que a comissão seja instalada é a parte mais fácil. As conclusões da comissão de inquérito vão ao Ministério Público, por isso decidimos ir direto a ele”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Na representação contra Dilma, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Ana Amélia Lemos (PP-RS) vão afirmar que a justificativa apresentada por Dilma para ter aprovado a compra da refinaria precisa ser investigada.
(…)
Convocações
Além da representação, os “independentes” vão apresentar requerimentos para convocar a presidente da Petrobras, Graça Foster, a explicar a compra da refinaria em comissões do Senado. O grupo vai apresentar o pedido nas Comissões Fiscalização Financeira e Relações Exteriores do Senado.

O grupo também vai tentar convocar o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para falar sobre a Pasadena. Como a oposição é minoria no Senado, terá que aproveitar um “cochilo” da base aliada de Dilma para aprovar os requerimentos com poucos governistas presentes na comissão –ou conseguir apoio de parte dos aliados do Palácio do Planalto. A Câmara articula instalar CPI com o apoio da oposição e de parte dos governistas. Para que a comissão seja criada com urgência, serão necessárias assinaturas de 257 deputados. No Senado, é preciso reunir assinaturas de 27 dos 81 senadores para que a comissão saia do papel.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Petrobras: na melhor das hipóteses, o desemprego; na mais dura, a cadeia

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato do PSDB à Presidência da República, afirmou que o governo federal precisa decidir qual versão, afinal de contas, é a oficial na lambança com a refinaria de Pasadena, no Texas — aquela sucata comprada dos belgas por US$ 1,180 bilhão e pela qual os vendedores haviam pagado míseros US$ 42,5 milhões. Sim, caros leitores, nem a presidente Dilma, que autorizou a compra era apenas a ministra Dilma, acha a operação defensável. Tanto é assim que, em nota oficial, afirmou que só concordou porque ignorava os termos do contrato. Vai mais longe: diz que, se soubesse, não teria aprovado.

Pois é… Acontece que, ao dar essa desculpa, a presidente faz o óbvio: admite, de forma não explícita, a irregularidade e joga uma sombra de suspeição sobre o governo Lula e sobre José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras. Este, aliás, que hoje é secretário do governo Jaques Wagner (outro conselheiro que disse “sim” à lambança), já andou afirmando a jornalistas que não aceita ser bode expiatório. Ele, na verdade, continua a defender a compra.

A Petrobras, diga-se, procurada pela imprensa, também havia decidido afirmar que tudo tinha sido regular e nos conformes. Dilma não gostou. Reuniu seus “universitários” para elaborar a tal versão do “eu não sabia”. Aí as coisas se enrolaram de vez: ela diz uma coisa, e a empresa, outra.

Como se sair dessa? Para defender que uma refinaria que valia US$ 42,5 milhões tenha sido comprada por US$ 1,18 bilhão — e sem que tenha refinado uma gota de óleo desde 2006, dando um prejuízo operacional permanente —, é preciso ter uma cara de pau gigantesca. Não que o governo Dilma não consiga. Essa gente faz coisa do arco da velha. É capaz até de contratar mão de obra escrava e chamar isso de redenção humanista. Ocorre que o governo está com receio da investigação conduzida pelo Ministério Público e pelo TCU. Como justificar? A aritmética elementar não deixa.

Pasadena é mais um capítulo do desastre que colheu a Petrobras na gestão lulista, sob o comando de José Sérgio Gabrielli. Nem durante a ditadura militar a empresa foi submetida a um comando que teve de arrogante o que teve incompetente e politiqueiro. Como esquecer que este senhor, em plena campanha eleitoral, em 2010, concedeu uma entrevista afirmando que FHC tentara privatizar a Petrobras, o que é uma mentira tão escandalosa como a compra da refinaria de Pasadena?

Não só isso! Quando jornalistas tentavam saber dados sobre a empresa, suas perguntas eram expostas num blog e submetidas ao ridículo, como se a imprensa, ao cumprir a sua missão, estivesse cometendo alguma impropriedade. Como esquecer que, no governo Lula e sob a gestão Gabrielli, com a anuência de Dilma, chegou-se a declarar a autossuficiência? Autossuficiência? O déficit da conta petróleo em 2013 foi de R$ 20 bilhões!!!

Mais: impôs-se a uma Petrobras alquebrada o peso do regime de partilha na exploração do pré-sal e se transformou a empresa na âncora de contenção da inflação, o que a conduziu à beira do abismo. A incrível compra da refinaria de Pasadena é só mais uma agressão ao bom senso, à prudência, à boa gestão e, obviamente, à moralidade.

Num país que respeita os acionistas, como os EUA, os gestores da Petrobras que levaram a empresa a uma crise inédita estariam, na melhor das hipóteses, sem emprego; na mais dura, na cadeia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ibope: Dilma venceria no 1º turno se eleição fosse hoje. Só que não é! Ou: Sinal amarelo para a petista!

O Ibope divulgou uma nova pesquisa eleitoral nesta quinta-feira. A presidente Dilma Rousseff, do PT, pode comemorar? Até pode. Mas com muita cautela. Se a eleição fosse hoje, ela ainda venceria no primeiro turno. Por que, então, há motivos para preocupação?

Bem, em primeiro lugar, porque a eleição não é hoje; em segundo lugar, só que mais importante, porque a pesquisa captou uma enorme insatisfação do eleitorado com o governo. Vamos ver. No cenário mais provável da disputa, Dilma aparece com 43% dos votos, contra apenas 15% de Aécio Neves, do PSDB, e 7% de Eduardo Campos, do PSB. Se Marina Silva fosse a candidata em lugar de Campos, a petista venceria no primeiro turno do mesmo jeito: ficaria com 41%; o tucano teria 14%, e Marina, que já chegou a marcar 21%, aparece agora com apenas 12%. Num eventual segundo turno,  Dilma venceria Aécio por 47% a 20%; Marina, por 45% a 21% e Campos por 47% a 16% (veja quadro publicado pelo Estadão Online).

Pesquisa Estadão Online

Até aqui, como percebem os leitores, tudo parece um mar de rosas para Dilma Rousseff. Ocorre que a presidente tem dois complicadores bastante sérios pela frente, que podem encher de esperança os corações oposicionistas. Prestem muita atenção ao primeiro.

Nada menos de 64% dos que responderam a pesquisa dizem que o próximo presidente tem de “mudar totalmente” ou “mudar muita caoisa” na gestão. E agora o fator que deve deixar Dilma assustada: entre esses que querem mudanças, só 27% esperam que elas aconteçam com a própria Dilma. Nada menos de 63% querem mudar tanto o governo como a governante.

Então vamos fazer uma continha: de cada 100 pessoas, 64 querem mudar tudo ou muita coisa. Dessas 64, uma expressiva maioria de 63% — ou seja, 40,32% do total — querem mudar também de presidente. Repararam, ouvintes? A soma dos votos de Aécio e Campos, por enquanto, é de apenas 22 pontos percentuais. Mas nada menos de 40,32% dos que responderam a pesquisa revelaram que preferem Dilma fora da Presidência.

O que isso significa? Nem Aécio nem Campos encarnaram ainda o necessário espírito mudancista. E agora chego ao segundo fator que tira o sono de Dilma. O Ibope listou os  candidatos e quis saber, sobre cada um, se os eleitores votariam naquela pessoa com certeza, se poderiam fazê-lo, se não fariam isso de jeito nenhum ou se nem o conhecem. Os números são muito interessantes. A rejeição é praticamente a mesma para os três: 38% se recusam a votar em Dilma; 39%, em Campos, e 41% em Aécio.

Votam em Dilma com certeza 36% — um índice sem dúvida muito bom —; em Aécio, 11%, e em Campos, 5%. Até poderiam votar na petista 19%; em Aécio, 22%, e em Campos, 21%. Onde é que o bicho pega para Dilma? Só 7% não a conhecem ou não sabem quem é ela. Esse número chega a 27% com Aécio e a 35% com Campos.

Há um terceiro fator a ser considerado, que nada tem a ver com a pesquisa, mas com as circunstâncias. Dilma está todo dia na televisão; a oposição mal aparece. Quando começa a campanha, ainda que a petista vá ter um latifúndio no horário eleitoral, as condições da disputa ficam um pouco mais equilibradas.

Quando se considera que 40,32% das pessoas que responderam a pesquisa gostariam que Dilma deixasse a Presidência para que se pudesse ter um governo totalmente ou muito diferente desse e quando se verifica que mais ou menos um terço do eleitorado desconhece os candidatos da oposição, é evidente que se deve supor que muito dificilmente a presidente vencerá a disputa no primeiro turno.

Notem: 32% dizem querer um governo igual ou quase igual ao que aí está. Entre os 64% que querem mudanças, 27% — ou 17,28% do total — acham que elas poderiam ser feitas pela própria Dilma. Somando-se os dois grupos, chega-se a 49,28% — até superior ao desempenho de Dilma no segundo turno porque se deve supor que há pessoas que querem a continuidade, mas prefeririam outro petista — Lula, por exemplo.

No fim das contas, estes são os números que contam: os 40,32% que querem mudar tudo, inclusive Dilma, contra os 49,2% que ou não querem mudar nada ou aceitam mudanças, mas com a presidente. A diferença, como se vê, é muito menor do que se verifica na pesquisa de intenção de votos. Quando se contata que quase todo mudo conhece Dilma e que muita gente ainda desconhece seus opositores, o que parecia um cenário tranquilo para a petista esconde, na verdade, riscos nada desprezíveis.

Por Reinaldo Azevedo

 

Cartel – Aécio diz a coisa certa sobre o CADE, e Cardozo se irrita

Como vocês sabem, o CADE  (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) investiga a formação de cartel na compra de trens do metrô e da CPTM, em São Paulo. Há pelo menos oito meses, a imprensa é quase diariamente abastecida por informações vazadas por esse órgão. Durante um bom tempo, parecia que as empresas que fornecem trens também para estatais federais e para outros estados só recorriam a esse método em São Paulo — governado pelo PSDB. Só agora o CADE anuncia que também está investigando contratos feitos com o governo federal.

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) disse o óbvio: finalmente, o conselho deixará de investigar apenas administrações da oposição, emendando que seu partido não passa a mão na cabeça de malfeitores e pune quem tem de punir. Na prática, o chefe do CADE é o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já que o órgão é subordinado à sua pasta.

Cardozo se abespinhou, chamou Aécio de mal informado e afirmou que sua crítica é “desqualificada”. Disse: “Parece piada. O CADE investiga independentemente de questões políticas ou partidárias. Não é que o CADE mudou. É que os ingredientes para a investigação surgiram a partir da busca e apreensão que foi feita e da própria representação do PSDB. Ninguém investiga o que antes não tinha notícia de crime. A Siemens revelou problemas ou indício de cartel em São Paulo e Brasília, mas não falou de outras situações”.

Com a devida vênia, piada é a resposta do ministro. E vou dizer por quê:
1: eu, eu mesmo, Reinaldo Azevedo, publiquei uma reportagem no dia 13 de agosto do ano passado demonstrando que, nos metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte, apenas um consórcio se apresentou, formado pelas empresas CAF e Alstom.

2: No metrô de Porto Alegre, sob o comando da estatal federal Trensurb, a Alstom ficou com 93% do contrato, e a CAF, com 7%. No de Belo Horizonte, comandado por outra estatal federal, a CBTU, as posições de inverteram: a CAF ficou com 93%, e a Alstom com 7%.

3: Isso foi publicado, insisto, há sete meses. Só agora o CADE sai da moita. O ministro vem com a desculpa esfarrapada de que o CADE só investiga se houver uma denúncia. No caso de São Paulo, ela teria sido feita pela Siemens, com o tal “acordo de leniência”, que é uma espécie de delação premiada.

4: O ministro omite a ativa participação do deputado estadual Simão Pedro, do PT — hoje secretário da gestão Haddad —, na denúncia contra o Metrô e a CPTM, de São Paulo. Omite ainda que Vinicius Carvalho, presidente do CADE, já foi funcionário de Simão Pedro, fato omitido de seu currículo.

5: Em suma, não resta a menor dúvida de que o CADE direcionou, enquanto pôde, a sua investigação para São Paulo. Também não resta a menor dúvida de que houve uma verdadeira indústria de vazamentos contra as empresas do estado administrado pelo PSDB. Agora, finalmente, o órgão teve de admitir que existem indícios de formação de cartel também em empresas estatais federais, cujo governo é comandado pelo PT.

Então encerro. Aécio disse o quê? Que o CADE deixará de investigar apenas administrações de oposição. José Eduardo Cardozo ficou bravo com o quê? Com a verdade?

Por Reinaldo Azevedo

 

Traficantes atacam três UPPs no Rio; a de Manguinhos foi incendiada; quatro PMs ficam feridos

UPP de Manguinhos, destruÍda destruída por um incêndio provocado por bandidos; quatro policiais foram feridos

UPP de Manguinhos, destruída por um incêndio provocado por bandidos; quatro policiais ficaram feridos

Na VEJA.com:
Pelo menos três Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro foram atacadas por traficantes nesta quinta-feira. Elas ficam localizadas em grandes complexos de favelas da capital, todos na Zona Norte: Manguinhos, Lins (Camarista Méier) e Alemão. O caso mais grave ocorreu em Manguinhos, onde os contêineres da unidade ficaram totalmente destruídos após um incêndio provocado pelos criminosos.

Quatro policiais militares ficaram feridos – três a tiros e um a pedradas. Um dos baleados é o comandante da unidade, capitão Gabriel Toledo. Atingido na coxa direita, ele foi levado ao Hospital Geral de Bonsucesso e, depois, transferido para o Hospital da Polícia Militar. Uma importante veia da perna foi afetada e ele precisou ser submetido a uma cirurgia. Seu quadro é considerado estável.

Manguinhos
Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, tudo começou quando agentes foram até um prédio abandonado que havia sido invadido com a intenção de cumprir uma ordem de desocupação. Ao chegarem, foram atacados pelos ocupantes, que lançaram pedras contra os policiais, ferindo um deles na cabeça. A confusão se ampliou e traficantes teriam aproveitado para atacar os policiais e a sede da UPP.

Na unidade, houve troca de tiros. O capitão e mais dois PMs acabaram baleados nesse confronto. O Batalhão de Choque foi acionado para reforçar a segurança no local e o carro blindado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) também subiu o morro. Por conta do tumulto e da troca de tiros, a circulação de trens da Supervia pela favela chegou a ser interrompida. Parte do complexo, composto por 13 favelas, ficou sem energia elétrica.

Governo
Desde o fim do ano passado, regiões consideradas pacificadas têm sido alvo de traficantes, especialmente o Complexo do Alemão e a favela da Rocinha. Na semana passada, quando um soldado era enterrado após outro ataque de bandidos, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame classificou os ataques a policiais como uma forma de “terrorismo contra o Estado”.

Logo após o novo episódio, o governador Sérgio Cabral emitiu nota condenando os ataques às UPPs: “Essa é mais uma tentativa da marginalidade de enfraquecer a política vitoriosa da pacificação, que retomou territórios historicamente ocupados pela bandidagem para o controle do Poder Público”, disse, reiterando o “firme compromisso assumido com a população do Rio de Janeiro de não sair, em hipótese alguma, desses locais ocupados”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ex-diretor da Petrobras que está preso é considerado a “caixa-preta” da estatal

Por  Laryssa Borges e Silvio Navarro, na VEJA.com:
Preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa é considerado uma espécie de “caixa-preta” da estatal. Detido no Rio de Janeiro quando tentava destruir provas da chamada Operação Lava Jato, Costa construiu a carreira na Petrobras desde os anos 1970. Chegou à diretoria de Abastecimento da companhia em maio de 2004 pelas mãos do ex-presidente Lula. Na época, foi indicado pelo PP ao posto, ampliando sua influência política – já tinha respaldo de setores do PMDB e do grupo ligado ao deputado petista Cândido Vaccarezza (SP). “Ele era indicado do PP, mas depois virou [apadrinhado de] uma constelação de partidos”, diz um político ligado à estatal. Na campanha de 2010, doou 10.000 reais para o PT do Rio de Janeiro.

Costa tem informações sigilosas, por exemplo, sobre a operação que levou a empresa brasileira de petróleo a comprar 50% da refinaria de Pasadena, no Texas, e depois, por meio de uma cláusula contratual denominada Put Option, pagar pelas ações da belga Astra Oil. O negócio, consolidado sob a gestão do petista José Sergio Gabrielli à frente da estatal, custou mais de 1 bilhão de reais aos cofres da empresa.

Após anos ocupando cargos na estatal – superintendência de produção da Bacia de Campos, a gerência de exploração da Bacia de Santos e a gerência-geral da logística da Unidade de Negócios Gás Natural da Petrobras –, Costa decidiu montar há dois anos uma consultoria para as áreas de combustível, engenharia e infraestrutura e se tornou uma espécie de lobista do setor. A Costa Global Consultoria e Participações, com sede no Rio, aliou-se a outra empresa do ex-diretor da Petrobras, a REF Brasil, para atuar em um dos mais recentes projetos da companhia: a instalação de uma refinaria em Carmópolis, principal bacia petrolífera de Sergipe. O investimento previsto é de 120 milhões de reais, com receita operacional de 480 milhões de reais.

Nesta quinta-feira, foi preso na Operação Lava Jato da PF. Os policiais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em casas e endereços de Costa no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, ele ganhou um carro de presente do doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de 10 bilhões de reais. Na casa do ex-diretor da Petrobras foram apreendidos 700.000 reais e 200.000 dólares em espécie.

Por Reinaldo Azevedo

 

Minha coluna na Folha: Gaby Amarantos canta para Dilma

No dia 29 de agosto de 2010, esta Folha publicou uma reportagem (folha.com/no790511) informando que, entre março de 1995 e julho de 1996, Dilma foi empresária. Montou uma lojinha, que chegou a ter uma filial, de bugigangas importadas do Panamá. Como diz a meninada, era um negócio “tipo” R$ 1,99. Não deu certo. Fechou. Chamava-se “Pão & Circo”. Entendo. Liberais ainda na primeira dentição tendem a achar que bons empresários seriam bons gestores públicos. Não necessariamente. Trata-se de domínios e de propósitos distintos. Ocorre que a então candidata Dilma era oferecida ao país como gerente sem igual e planejadora rigorosa. Como ela era, e ainda é, meio enfezada, esse temperamento se confundia com competência. Gente que está sempre dando bafão, na vida ou no trabalho, recorre aos maus bofes para escamotear com o mau humor as suas deficiências técnicas. A eficiência costuma ser amigável.

Indagada, naquela época, sobre a sua experiência frustrada, depois de um encontro com o presidente da Confederação Nacional da Indústria, a petista explicou: “Quando o dólar está 1 por 1 e passa para 2 ou 3 por 1, ele [o microempresário] quebra. É isso que acontece com o microempresário, ele fecha. A minha experiência é essa e de muitos microempresários desse país”. Epa! Resposta errada! A cotação média do dólar em março de 1995, quando Dilma abriu sua lojinha, foi de R$ 0,884. Aquele ano fechou com a moeda a R$ 0,967. Em julho de 1996, quando ela cerrou as portas, foi de R$ 1,006. Em 17 meses, portanto, houve uma variação de 14%, não de 200%. Sempre lembrando que a moeda local supervalorizada beneficia esse tipo de negócio. Na vitrine dos fatos, a desculpa de Dilma não vale R$ 1,99, filosofaria Gaby Amarantos.

As pessoas, como já escreveu o poeta, não costumam confessar que já levaram porrada, que foram traídas ou que não tiveram paciência para tomar banho. Procuram também esconder a própria incompetência. É normal. Transferir, no entanto, para terceiros as consequências das próprias inabilidades e irresponsabilidades já é coisa mais séria. Na função pública, as consequências podem ser dramáticas.
(…)
Leia a íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

Por uma questão de isonomia, duas perguntas ao jornalismo da Globo

O Jornal Nacional consagrou uma fórmula para tratar da suposta formação de cartel em São Paulo: “Os contratos se deram nos governos Covas, Alckmin e Serra, todos do PSDB”. Como, agora, os contratos celebrados pelas estatais federais Trensurb e CBTU também estão sob investigação do CADE, pergunto: vai se aplicar, de forma metódica, a fórmula: “Os contratos foram celebrados durante o governo Dilma, do PT”?

A propósito: o escândalo da Petrobras — que vale vários cartéis!!! — não merece a mesma fórmula: “A primeira metade da refinaria foi comprada no governo Lula, e o pagamento da segunda metade foi feita no governo Dilma, ambos do PT”?

E noto: não me oponho a que se chame a atenção para o partido, não, ou a que se evoque a responsabilidade do governante máximo da instância em que se deu o caso DESDE QUE A REGRA VALHA PARA TODO MUNDO. 

Afinal, uma justiça mal distribuída é, por si, injusta, ainda que justa em si.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ah, então este blog estava certo, não é? O CADE vai investigar a formação de cartel de trens também em território petista! Haverá, nesse caso, vazamento diário de informações, por uma questão de isonomia partidária, ou não?

Ah, bom! Então eu estava certo, né? Então esse negócio a que chamam “cartel” não atuou só em São Paulo. Engraçado! Acompanhando o noticiário, parecia que sim! Vai ver era alguma coisa na água — ou no ar. Ou, quem sabe?, na índole dos paulistas. Eu achava tão impressionante que as mesmas empresas que atuavam em São Paulo atuassem no resto do Brasil, fazendo contratos com estatais federais e, nesse caso, se comportassem como se fossem normalistas do Sacre Coeur de Marie… Há quantos meses a imprensa está sendo cotidianamente pautada por uma espécie de “bunker” político, com a produção quase diária de vazamentos? Há quantos meses está fazendo campanha eleitoral gratuita para o petismo?

Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, abriu processo administrativo para apurar suspeitas de cartel em quatro Estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul – e no Distrito Federal. A decisão foi publicada na edição desta quinta-feira do Diário Oficial da União, em portaria assinada pelo superintendente-geral do Cade, Carlos Emmanuel Joppert Ragazzo. O processo abrange licitações feitas entre 1998 e 2013, totalizando 18 empresas e 109 funcionários.
As provas colhidas durante operação de busca e apreensão realizada pelo Cade em julho passado demonstram que o suposto cartel teria atuado em quinze projetos licitados pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP), Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF), Empresa de Trens Urbanos (Trensurb), Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro.

As empresas acusadas teriam adotado diversas estratégias anticompetitivas, como a definição prévia de quais fariam parte de determinado consórcio e quais participariam da licitação apenas para apresentar propostas de cobertura, ou ainda a definição de que um único consórcio concorreria no certame, mediante compensação às empresas que ficassem de fora. “Os beneficiários confessaram a ocorrência de contatos entre concorrentes com o objetivo de eliminar a competição em licitações públicas relativas a projetos de metrô e/ou trens e sistemas auxiliares, desde, pelo menos, 1998″, segundo documento do Cade.
(…)

Voltei
Será que eu não quero que se investigue nada já que há sinais de que a prática de Cartel não discrimina nem estado nem partido? AO CONTRÁRIO: EU QUERO É QUE SE INVESTIGUE TUDO. O que é inaceitável é que um órgão como o CADE sirva à propaganda político-eleitoreira. Pergunto: onde estão os vazamentos sobre as estatais federais? Cadê as reportagens sobre as estatais Trensurb e CBTU e a forma como atuaram, respectivamente, nos metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte? É bem difícil de encontrar.

Já escrevi a respeito no dia 14. Tenho tratado, praticamente sozinho, da forma como se deram os contratos com estatais federais desde o dia 13 de agosto. Clicando aqui, vocês têm acesso ao grupo de reportagens. Relembro abaixo, com imagens, os exemplos de Porto Alegre e Belo Horizonte.

Vamos ver se, também nesses casos, haverá a produção diária de “vazamentos” ou se, agora, o CADE resolveu se comportar como um senhor sério e vetusto.

Acima, Dilma assina a ordem de compra dos trens de Porto Alegre

Acima, Dilma assina a ordem de compra dos trens de Porto Alegre

Oh, não me digam! Então o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) concluiu, finalmente, que há indícios de formação de cartel na compra de trens dos metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte, ambos subordinados a estatais federais? Eu sei disso desde o dia 13 de agosto do ano passado, quando escrevi uma série de textos a respeito.

O que baixou no CADE? Um mínimo de bom senso? Simancol? A velha e boa vergonha na cara? Vamos ver.

As empresas que fornecem equipamentos para o metrô e para a CPTM, em São Paulo, são as mesmas que fornecem para estatais do governo federal. Eu me perguntei, então, em agosto do ano passado: “Será que elas só fizeram cartel em São Paulo? E com as estatais federais?”.

Fui escarafunchar a história e encontrei algo muito interessante na construção dos metrôs de Porto Alegre, que é comandado pela Trensurb, e de Belo Horizonte, comandado pela CBTU. As duas são estatais federais.

Em 2012, a Trensurb fez uma licitação para a compra de 15 trens de quatro carros cada um, orçada em R$ 243,75 milhões. Quantos consórcios apareceram? APENAS UM, formado por quem? Pela Alstom e pela CAF. A primeira empresa ficou com 93% do contrato, e a segunda, com 7%.

Muito bem! 13 dias depois da assinatura desse contrato, houve o anúncio para a licitação de Belo Horizonte, aí orçada em R$ 171,9 milhões. Quantos consórcios apareceram? Apenas um de novo. Formado por quem? Pelas mesmas Alstom e CAF. Desta vez, a Alstom, que havia ficado com 93% do contrato de Porto Alegre, ficou com apenas 7%. E a CAF, que havia ficado com 7% no outro, ficou com 93%.

Contrato Rio Grande do Sul

Outra curiosidade: apenas 13 dias separam o comunicado de licitação de Belo Horizonte do anúncio da assinatura de contrato em Porto Alegre

Outra curiosidade: apenas 13 dias separam o comunicado de licitação de Belo Horizonte do anúncio da assinatura de contrato em Porto Alegre

O amor não é lindo? Houve farta propaganda das estatais federais sobre os dois contratos. Há, inclusive, uma foto com a presidente Dilma Rousseff assinando a ordem de compra, sempre na maior alegria.

Dei essa notícia no blog, reitero, há seis meses. Só agora o CADE admite que existem indícios de formação de cartel. Indícios? Vamos ver se, também nesse caso, que diz respeito ao PT, haverá um festival de vazamentos de informações sigilosas como acontece com a investigação feita sobre a compra de trens em São Paulo.

Trensurb - estatal

Trensurb - Alstom

Trensurb, Alstom e CBTU fizeram farta propaganda das obras, para as quais apareceu um único consórcio

Trensurb, Alstom e CBTU fizeram farta propaganda das obras, para as quais apareceu um único consórcio

Que fique claro mais uma vez: em São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte, em qualquer lugar, que os culpados paguem pelos seus erros. O que não pode é o CADE, que é um órgão federal, conduzir apurações com viés político. A demora para investigar as estatais federais é, em si, vergonhosa. Vamos ficar de olho para ver como o órgão de comporta agora.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

2 comentários

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    O socialismo fascista do PT é o prenúncio do Comunismo.

    Tudo se resume em farsa, como um "SACO DE GATOS".

    Os gatos em questão são descritos por outro vocábulo: "GATUNOS" ...."E VAMOS EM FRENTE !!!"....

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  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    Fazer bons negócios, todo mundo quer! Mas, fazer negócio espetacular só os BELGAS conseguem, claro, com a ajuda de bons companhêros. Exaltemos a competência administrativa dos nossos dirigentes PATRIOTAS. Vamos em frente!

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