A (falsa) neutralidade de Verissimo (Venezuela e Cuba), por Rodrigo Constantino

Publicado em 24/03/2014 17:39 e atualizado em 06/06/2014 14:05 1137 exibições
em veja.com.br (+ artigos de Augusto Nunes, Carlos Brickmann e Carlos Alberto Sardenberg)

ComunismoSocialismo

A (falsa) neutralidade de Verissimo

“As regiões mais sombrias do inferno estão reservadas para aqueles que permanecem neutros em tempos de crise moral”. (Dante Alighieri)

entrevista nas páginas amarelas da Veja desta semana, com a pianista venezuelana Gabriela Montero, resume bem a postura daqueles que se fingem neutros em tempos de crise: imoralidade. Alguém ficaria neutro diante de Hitler? Pois é. Mas quando se trata de ameaças socialistas, igualmente terríveis, os artistas e “intelectuais” acham que a neutralidade é louvável, quando não endossam o próprio socialismo.

Pensei nisso ao ler a coluna de Verissimo no GLOBO de hoje. O escritor, que sempre que pode defende o socialismo, tenta agora posar de neutro, como se fosse a postura mais correta diante, por exemplo, da ditadura cubana. Diz ele:

Cuba, por exemplo, está no centro do debate esquerda/direita no país há anos. É um exemplo admirável de resistência à prepotência americana e de sociedade solidária em que saúde e educação públicas são prioritárias ou um exemplo lamentável de país totalitário que prende seus críticos e cujos benefícios sociais não compensam a falta de liberdade, dependendo do seu lado. A polarização das opiniões não permite que se torça pelo meio-termo, também conhecido como a visão de cima do muro: admirar o admirável e lamentar o lamentável, sem esquecer que o que se vê de longe são as versões e não os fatos.

Ora, será que Verissimo se esforçaria em uma próxima coluna para enxergar o “lado bom” do nazismo? O filho de Érico apela para esse pseudo-neutralismo para, no fundo, vender um lado, que é justamente o lado podre. Quem é que ainda acredita nas “conquistas sociais” cubanas? É preciso ser muito alienado para isso. A saúde cubana é um lixo, faltam remédios básicos, as instalações são precárias e Fidel, quando precisa se tratar, chama médicos espanhóis (e exporta mais de 10 mil escravos para o Brasil).

Educação? Qual? O que há em Cuba é uma doutrinação ideológica completa. Aprendem a ler, mas não podem ler. George Orwell e seu clássico 1984, para dar um único exemplo, jamais poderiam ser lidos pelos cubanos. A imprensa é monopólio estatal e atua como máquina de propaganda do regime ditatorial. Prostitutas são diplomadas, mas continuam prostitutas. Educação? Qual?

Cuba tinha indicadores sociais melhores do que a América Latina quando Fidel tomou o poder, e hoje a ilha é uma total miséria. Mas Verissimo pretende convencer seus leitores desatentos de que tudo não passa de um “Fla x Flu”, de uma questão de ponto de vista, de qual versão você escolhe, uma vez que não são fatos. O que se vê de longe é, na verdade, a hipocrisia de Verissimo. O que se vê de perto é a escravidão e a miséria de Cuba. E Verissimo apela para a mesma tática quando se trata da Venezuela:

Muitos vibraram com a ascensão de Allende ao poder no Chile como se ele tivesse chegado ao Palácio do Planalto, e vê-se que, hoje, muitos acham que o que o Brasil precisa é de um bom pinochetaço. Também vivemos vicariamente na Venezuela, onde a história acontece em extremos tais que tornam difícil sequer identificar os lados em conflito, quanto mais escolher um para torcer.

Será que é difícil identificar os lados em conflito? Será que é mais difícil ainda escolher um para torcer? Só mesmo para alguém como Verissimo (o filho, claro, não o pai). Então Verissimo acha difícil escolher entre Maduro, um tirano inspirado em Castro que usa agentes cubanos para atirar na própria população civil venezuelana, ou aqueles que querem uma democracia de verdade? Será que Verissimo teria tanta dificuldade assim em escolher para quem torcer entre Hitler e Churchill?

Como podemos ver, o colunista usa seu humor e a leveza na escrita, com contornos futebolísticos, apenas para enganar os trouxas e defender o indefensável: o socialismo autoritário que ele, no fundo, tanto admira. Para quem identifica a tática pérfida, resta apenas sentir vergonha alheia, ainda mais quando lembramos de quem o homem é filho…

Rodrigo Constantino

 

Socialismo

“A neutralidade é imoral”: pianista venezuelana exilada condena silêncio dos colegas sobre ditadura em seu país

Imperdível a entrevista da pianista venezuelana Gabriela Monteiro nas páginas amarelas da Veja desta semana. Ela ataca do silêncio conivente de seus colegas, e diz que a preocupação com os direitos humanos deve estar acima da música e do emprego dessas pessoas.

Deixou a Venezuela há oito anos e vive em Los Angeles, apesar de se manter bem atualizada sobre os terríveis acontecimentos no país. Diz que teria medo de voltar, e com razão. Segue um trecho:

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O mundo precisa de mais artistas assim, e menos como Sean Penn, que do conforto de sua mansão, também nos Estados Unidos, gosta de defender ditadores como o próprio Maduro, sem se importar com a dor e o sofrimento de todos aqueles massacrados pelo regime socialista.

Rodrigo Constantino

 

EconomiaFilosofia política

Pochmann fala em nome do PT e quer mais impostos ainda sobre propriedade!

Fonte: Estadão

Márcio Pochmann, aquele que conseguiu manchar a reputação até mesmo do Ipea, um órgão que era bastante respeitado pelo mercado, agora fala em nome do PT, presidindo a Fundação Perseu Abramo. Em entrevista ao Estadão, Pochmann deixa transparecer sua visão de país, o que pode ser assustador para alguns. Vejam alguns trechos, por mim comentados:

Para uma série de países, o Brasil se coloca como uma nova postura – perdoa dívidas externas, oferece cooperação técnica, com a Embrapa, a Fiocruz e até com o Ipea que está lá na Venezuela. O Brasil tem uma postura de colaboração. Contribui com o desenvolvimento de outros países naquilo que ele sabe fazer.

Será que o Ipea na Venezuela tem sido de grande contribuição ao país? Será que o perdão das dívidas africanas, que enche os bolsos de ditadores de olho na contrapartida para grandes grupos nacionais ou um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, foi algo positivo mesmo? Será que a Fiocruz, transformada em instrumento de doutrinação marxista, tem feito um papel louvável no país e mundo afora? Será que nosso Mercosul, uma camisa de força ideológica, tem saldo positivo para o Brasil no governo do PT?

Ou seja: se você não tem grandes empresas, está fora do jogo. O Brasil tem um projeto de organização de corporações – e isso está provado na prática com capacidade para competir globalmente. O projeto chinês é ter 150 dessas 500 maiores empresas . O Brasil não pode ficar de fora.

Aqui Pochmann defende a tese de seleção dos “campeões nacionais”, endossada por Luciano Coutinho, presidente do BNDES e que defendia a “Lei de Informática” na década de 1980, responsável pelo atraso tecnológico brasileiro. Pergunto: por acaso desviar tantos bilhões do povo para o Grupo X fez bem ao país? E a JBS, que já recebeu tantos outros bilhões, tem apresentado um resultado fantástico para o Brasil como um todo? O estado tem mesmo que escolher os grupos vencedores em vez de o mercado fazê-lo por meio da livre concorrência?

Para gerar crescimento, o capitalismo brasileiro, a meu modo de ver, deve combinar grandes blocos de investimentos com ciclos de consumos. Tivemos um grande bloco de investimento nos anos 40 e 50 com a Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Alcalis. Houve um esforço de investimento que permitiu um avanço para um ciclo de consumo. Depois tivemos um segundo bloco com o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek. O terceiro grande bloco de investimentos, que altera a relação investimento PIB, se deu com o segundo PNB (II Plano Nacional de Desenvolvimento).

Reparem como Pochmann pensa sempre a partir do estado como locomotiva do desenvolvimento. Parece enxergar os tecnocratas (como ele) como seres clarividentes, oniscientes e altruístas, capazes de decidir de cima para baixo todos os rumos da economia. Algo como a União Soviética fez, e sabemos o resultado. Não passa por sua cabeça que uma economia mais livre seja muito mais eficiente. É um espanto!

A questão que se coloca para nós é: como envolver os setor privado para gerar esse grande bloco de investimentos que permita um novo ciclo de consumo?

Mais espanto ainda! O economista não se dá conta de que todo o intervencionismo que prega em seu modelo é justamente o que afasta os investidores da iniciativa privada. Depois se questiona como fazer para atrair tais investimentos. Ou seja, cria um obstáculo enorme e coça a cabeça, perplexo, quando os investidores recuam por causa do obstáculo.

Precisamos de um modelo híbrido, uma combinação. O que for estratégico para o Brasil, mas que o setor privado não faz, fica para o Estado. A série de outras coisas que o setor privado faz – e faz melhor – devemos deixar para o setor privado. Infelizmente, as discussões sobre o papel do Estado ficaram muito contaminadas nos anos 90.

Curiosamente, sempre que um esquerdista vem com esse discurso é para defender o estado empresário. Afinal, o Brasil já tem um modelo híbrido, só que muito carregado, ainda, da presença estatal na economia. Países desenvolvidos não costumam ter um estado tão ativo na economia, dono de empresas, gestor. Ou seja, para migrar para um sistema híbrido similar ao dos países mais ricos, o Brasil teria que privatizar muito mais.

A redução do juros é uma opção do governo. Foi preciso subir um pouco no contexto de 2013, mas a trajetória é de queda. Em 1980, o Brasil gastava 1,8% do PIB com juros. Os países ricos gastam hoje cerca de 1%. Por que a gente precisa gastar mais de 5%? Alguma coisa está errada nisso e é preciso corrigir – até para que possamos ter mais folga para fazer os investimentos. Esse é um exemplo de que gastamos mal o dinheiro. Não é preciso gastar tanto com o sistema financeiro.

A taxa de juros não é uma decisão arbitrária de governo, e sim um preço de mercado! Ela é alta no Brasil justamente porque o governo é gastador, e não poupador, entre outros motivos também ligados aos obstáculos criados pelo governo. Pochmann parece crer que basta o governo decidir gastar menos com o sistema financeiro e pronto, faz-se mágica. Esquece que Dilma tentou justamente isso, e foi um fracasso.

A impressão que eu tenho no Brasil, olhando os dados, é que a cobrança sobre as rendas da propriedade é relativamente pequena. Temos que olhar para isso. Há folga para reduzir impostos para vários segmentos e a possibilidade de aumentar para outros segmentos que contribuem pouco. Olhando em termos internacionais, não há nenhuma radicalidade em considerar isso.

Como é? Quais são os exemplos que Pochmann usa? O Brasil tem uma carga tributária chegando a 40% do PIB. É verdade que muito recai sobre consumo, o que prejudica os mais pobres, que consomem mais em termos relativos à renda. Mas quem produz riqueza é justamente o empreendedor que investe. Pochmann disse, antes, que deseja atrair esse investidor, fundamental para o avanço do país. Mas agora quer punir o mesmo investidor com impostos sobre propriedade? Incoerente.

Afirmar que os segmentos mais ricos contribuem pouco é temerário em um país em que temos mais de 80 tributos. IPVA e IPTU são baixos no Brasil? Sem falar do agravante de que é tudo a fundo perdido, ou seja, o estado não oferece serviços bons como contrapartida e somos obrigados a pagar tudo dobrado. A solução não é reduzir gastos públicos e impostos? É aumentar os impostos sobre propriedade?

Uma coisa é você calcular a carga tributária bruta – que está em 35% ou 37% dependendo da contabilidade. Ela não é baixa. Mas quando você tira o que sai – o que paga de juros, a previdência – vê que o Estado tem efetivamente para gastar algo em torno de 18% a 19% do PIB.

Haja malabarismo semântico! É como o malabarismo contábil do Ministério da Fazenda com a dívida pública líquida, já que o Tesouro emite dívida e repassa para o BNDES, sem aumentar a líquida (que os investidores pararam de acompanhar justamente por isso).

Claro que o governo arrecada de um lado e repassa do outro, mas é absurdo descontar isso da carga tributária! Afinal, é recurso que precisa transitar pelo estado, é concentração de poder no estado, risco de desvio, de privilégios, etc. O mais eficiente e justo seria claramente reduzir a carga bruta e deixar os recursos no próprio setor privado, que os criou para começo de conversa.

Em resumo, Pochmann, falando em nome do PT, defende uma visão nacional-desenvolvimentista que considero arcaica. Parte sempre da premissa de que o estado é uma entidade quase perfeita, que deve concentrar incríveis poderes e recursos para definir a trajetória da economia como um todo. Há evidente desconfiança nos conceitos de livre mercado, “mão invisível” (Adam Smith), meritocracia, concorrência, “destruição criadora” (Schumpeter).

O Brasil não precisa de mais estado, mais intervencionismo, mais impostos sobre propriedades, mais bancos estatais, nada disso. Precisa daquilo que nunca teve, e que é responsável, na mitologia canhota, pelos males do país, causados, na prática, pelo excesso de estado: precisa de capitalismo liberal!

Rodrigo Constantino

 

EconomiaPolítica

Aécio Neves sobe o tom e diz: “Já deu!”

O discurso está muito melhor, mais firme, de oposição. Mas ainda precisa sair do papel, que infelizmente pouca gente lê, e ganhar as ruas, a televisão, as rádios. Falo da coluna de Aécio Neves na Folha hoje, que já passa o recado, com direito a exclamação e tudo, logo no título: “Já deu!”

O senador tucano toca em pontos importantes, mostra como o PT vem destruindo nossas estatais, como é cúmplice dos “malfeitores” até que a imprensa jogue luz sobre eles e a sociedade comece a demandar alguma atitude. O PT aparelhou o estado todo e terceiriza as responsabilidades quando tudo dá errado. Diz Aécio:

Atônitos, os brasileiros são informados que, em poucos anos, a 12ª maior empresa do mundo foi transformada na 120ª e começam a perceber que, infelizmente, a PTrobras, longe de ser uma exceção, é o retrato do governo sob o comando do PT.

Incapacidade de gestão e planejamento. Desvios e suspeições. Excesso de compromisso com os companheiros, falta de compromisso com o país.

De um lado, a gravidade das revelações objetivas que vêm à tona e fazem a realidade superar as versões, que, antes sussurradas no meio político, já pareciam inverossímeis.

De outro, a vaidade e a onipotência daqueles que parecem acreditar que somos, os brasileiros, um conjunto de tolos.

O que se tornou conhecido por todos recentemente já era, há muito, de domínio do governo. Por que, então, por exemplo, só agora o diretor que passou a ser o bode expiatório do escândalo foi demitido?

Por que personagens das páginas policiais estiveram, até ontem, protegidos em posições de extrema confiança?

São perguntas pertinentes. O governo Dilma age com base na avaliação de seu marqueteiro, tudo voltado apenas para as próximas eleições. Não há uma preocupação genuína com o futuro do país. O governo petista criou inúmeros obstáculos novos aos criadores de riqueza, destruiu instituições importantes, foi responsável pela enorme perda de valor das nossas estatais, e finge que não tem nada a ver com esses problemas que criou.

Para Aécio, o sentimento geral dos brasileiros é um só: o de que “já deu”. Infelizmente, creio que ainda não é o sentimento geral, pois muitos ainda dormem no local, ignoram todos esses problemas, ou recebem tantos privilégios que preferem fazer vista grossa. Só saberemos se é um sentimento geral mesmo em outubro. Para o bem do Brasil, espero que sim…

Rodrigo Constantino

 

Opinião

‘Sangue não é água’, de Carlos Brickmann

Publicado nacoluna de Carlos Brickmann

─ Paulo Roberto Costa, que era diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, um dos autores do contrato de compra da refinaria de Pasadena, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato, despertou suspeitas ao ganhar de presente de um conhecido doleiro uma Range Rover Evoque, no valor de R$ 200 mil. Range Rover ─ lembra do Mensalão, que também tinha o caso que ficou famoso de uma Land Rover dada de presente a um figurão da turma do poder?

2 ─ Paulo Roberto Costa era o homem forte do antigo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que em sua gestão comprou a Refinaria de Pasadena. Costa e Gabrielli sempre foram muito ligados. Talvez hoje, quem sabe, Gabrielli, lá na Bahia, se sinta mais distante do velho companheiro caído em desgraça.

3 ─ Estão jogando a culpa do “resumo mal feito” do contrato de compra de Pasadena em Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. Cerveró tem pura linhagem governista: foi indicado por Renan Calheiros. Cerveró, por coincidência, saiu de férias para lugar incerto e não sabido, talvez na Europa, na véspera da ação da Polícia Federal. Lembra de Henrique Pizzolatto, do Mensalão? Também viajou para a Europa. Pizzolatto tem dupla nacionalidade. De Nestor Cuñat Cerveró, até agora, não se sabe se tem uma nacionalidade ou mais.

4 ─ Ah, a família! Letícia Mello, a jovem e brilhante filha do ministro Marco Aurélio, do STF, foi nomeada desembargadora do Tribunal Regional Federal-2 por Dilma. Como diz o provérbio, quem agrada a meus filhos adoça meus lábios.

Diga-me com quem andas… 
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, criação do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, começou seu trabalho tentando fazer esquecer os feitos do antecessor, Alexandre Padilha. Sua primeira missão foi umvasto tour no Carnaval, em companhia da esposa, a bordo de jatinho da FAB. A explicação é que foi a Rio, Salvador, Recife e Olinda para distribuir camisinhas (algo que os postos de saúde fariam com mais eficiência, a custo mais baixo, sem sobrecarregar a já insuficiente frota da FAB).

Mas não ficou nisso: deixou seu carro oficial por seis horas na vaga reservada a deficientes físicos, no Congresso. Chioro seguiu o exemplo de seus orientadores políticos: disse que não sabia de nada. E pôs a culpa no chofer. Esse ainda vai pegar uma bela multa e perder muitos pontos na carteira.

…e te direi quem és
Seu antigo colega de Secretariado de Marinho, Benedito Mariano, foi flagrado em alta velocidade no acostamento da Via Anchieta, rodando em faixas privativas de ônibus e usando equipamento proibido, o Giroflex (aquelas luzes de teto privativas de viaturas policiais).

Ele também, claro, diz que não sabia de nada.

Dilma lá
A maioria absoluta do eleitorado, 64%, espera que o próximo presidente “mude tudo” ou “mude muita coisa” em seu Governo. Mas Dilma se mantém na pesquisa Ibope como favorita absoluta, com números que lhe dariam a vitória no primeiro turno: no pior dos cenários para ela, teria 40%, contra 13% de Aécio e 6% de Eduardo Campos. O resultado é aproximadamente o mesmo da pesquisa anterior; e, considerando-se que a campanha eleitoral dividirá as atenções com a Copa, a tendência de que não haja mudanças até outubro é muito forte.

A oposição se agarra a um índice: apesar de tudo, a maior parte do eleitorado não endossa a candidatura de Dilma, dividindo-se entre votos brancos, nulos, a abstenção e os demais candidatos. Se todo mundo comparecer, desistir de votar em branco e nulo e se unir em torno de um dos candidatos, terá chance de derrotá-la.

Tudo caro
O ator e músico Hugh Laurie, o Doctor House, hospedado no Copacabana Palace, se assustou com os preços no Brasil. O colunista Aziz Ahmed, de O Povo, do Rio, teve acesso ao twitter dele: “Os preços daqui são muito altos. Cerveja, biquíni, água de coco, tudo no Rio custa uma fortuna”.

Laurie conhece boa parte do mundo e ganha bem. Se está assustado com os preços é porque tem motivos.

Boa notícia
Com 2,5 milhões de assinaturas, acaba de chegar ao Congresso um pedido de isenção de impostos para remédios. Já existe no Senado um projeto neste sentido, do senador Paulo Bauer, PSDB de Santa Catarina, mas não há jeito de colocá-lo em votação. Certa vez, o grande Joelmir Beting fez um estudo comparativo e descobriu que medicamentos veterinários pagam menos da metade dos impostos que incidem sobre remédios para seres humanos.

E definiu a questão com uma frase definitiva: “É melhor entrar na farmácia latindo do que falando”.

Pois é
De tanto viajar pelo Brasil em campanha eleitoral ─ quer dizer, em avaliação de problemas e discussões com a população sobre as alternativas disponíveis ─ a presidente Dilma Rousseff acaba se confundindo. Outro dia, em Belém, disse:

“Aqui no Estado do Ceará… não, no Estado do Pará. Desculpa, gente. É que fui pro Ceará, tá? Ontem eu tava no Ceará. Aqui eu não falei uma coisa. Ah, não, falei sim, né?”

Será que sua equipe já inclui aquele tradutor do Nelson Mandela, especializado em transmitir frases como essa em linguagem de sinais?

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O caso da refinaria sepulta as invencionices ufanistas de Lula e Dilma. A Petrobras é deles. Só é nossa a conta bilionária

ATUALIZADO ÀS 16H33

DILMA ROUSSEFF-PLATAFORMA P-56 2

José Sérgio Gabrielli, Graça Foster, Dilma Rousseff e Paulo Roberto Costa em visita à Plataforma P-56, em Angra dos Reis, em junho de 2011

No comício promovido por Lula para oficializar a saída de José Eduardo Dutra e a chegada de José Sérgio Gabrielli, o Brasil ficou sabendo que a Petrobras seria presidida por um gênio da raça disfarçado de economista baiano. “O companheiro José Sérgio Gabrielli  se transformou num dos mais importantes diretores financeiros que a empresa já teve em toda a sua história”, informou o palanque ambulante em 22 de julho de 2005. Nem todos enxergam tão longe, elogiou-se na continuação do palavrório.

“Não faltaram pessoas que me diziam assim: o mercado não vai gostar, o mercado vai reagir, é melhor deixar quem está lá”, foi em frente o recordista brasileiro de bravata & bazófia. ”Como eu não tenho nenhuma relação de amizade com o mercado, resolvi indicar quem eu queria”. O que queria (e, pelo jeito, encontrara) era alguém capaz de acumular a presidência da OPEP com a coordenação do carnaval de Salvador. Como até gente assim pode precisar de conselhos, ele lembrou a Gabrielli que, caso quisesse ajuda, bastaria recorrer à onisciente e onipresente Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Ainda em 2005, a sumidade descoberta por Lula encampou a grande ideia de Nestor Cerveró, diretor da Área Internacional: comprar por US$ 360 milhões metade de uma refinaria no Texas que a empresa belga Astra Oil havia adquirido meses antes por US$ 42,5 milhões. Com a ajuda de outro diretor, Paulo Roberto Costa, Cerveró produziu o “resumo executivo” apreciado em 3 de fevereiro de 2006 pelo Conselho de Administração. Foi uma decisão desastrosa, comprovou o desfecho do negócio: em 2012, para encerrar a disputa judicial iniciada cinco anos antes, a Petrobras pagou mais US$ 820 milhões à Astra Oil e transformou-se na única proprietária de uma refinaria inútil.

Feitas as contas, a aquisição da velharia no Texas, sugerida por Gabrielli e aprovada por Dilma, custou US$ 1,18 bilhão ─ ou 2,8 bilhões de reais, que poderiam ter atendido a angustiantes urgências do viveiro de miseráveis fantasiado de potência emergente. Só nesta semana a supergerente mandona que tudo quer saber, e confere até o custo do cafezinho, resolveu enxergar o monumento à inépcia, à vigarice e à gatunagem. Com a candura de uma Filha de Maria, alegou desconhecer a existência de cláusulas leoninas infiltradas no contrato. Bastaria ter lido os documentos colocados à disposição da presidente do Conselho.

Em outubro de 2010, todos no Planalto sabiam da história inverossímil. Menos Lula, reiterou a visita do maior governante desde Tomé de Souza ao campo de Tupi. “Quando a gente quiser ter orgulho de alguma coisa neste país a gente lembra da Petrobrás, de seus engenheiros, de seu geólogos, do pessoal que é a razão maior do orgulho, mais do que o Carnaval, do que o futebol”, recomeçaram as invencionices ufanistas. “A Petrobrás é a certeza e a convicção de que este país será uma grande nação. É a prova mais contundente de que o brasileiro é capaz, é inteligente, não é de segunda classe”.

Depois que o Estadão incorporou a presidente da República ao espetáculo da indecência, a movimentação dos atores ampliou a afronta ao país que presta. Em campanha no Ceará, Dilma recusou-se a comentar a transação vergonhosa: estava lá para não dizer coisa com coisa sobre “mobilidade urbana”. Gabrielli, agora secretário de Planejamento da Bahia, culpou a “crise internacional” pelo negócio suspeitíssimo. Nestor Cerveró, hoje diretor financeiro da BR Distribuidora, tirou férias e foi para a Europa. Cerveró achou prudente cair fora do país tão logo soube que o álibi montado por Dilma  transfere integralmente a culpa para os autores do resumo executivo.

A demissão o alcançou a milhares de quilômetros de distância. Nesta sexta-feira, por ordem do Planalto, o diretor financeiro da BR Distribuidora perdeu o emprego fpelo que fez há mais de oito anos o diretor da Área Internacional da Petrobras. É bom que se cuide: para salvar do naufrágio a candidata à reeleição, o comitê central da campanha pode conferir-lhe o papel que sobrou para Marcos Valério no escândalo do mensalão. Seu parceiro Paulo Roberto Costa está preso, mas por outros motivos: a polícia descobriu que trocou a direção da Petrobras pelo alto comando de uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro.

Afônico de novo, Lula sussurrou a alguns amigos que Dilma não deveria ter confessado o que fez. Daqui a alguns dias vai recuperar a voz para jurar que não sabe de nada. Como os afilhados Dilma e Gabrielli, como os demais sacerdotes da seita que o venera, o padrinho e Grande Pastor sempre soube de tudo. Recitando que o petróleo é nosso, os donos do poder privatizaram a empresa agora reduzida a caso de polícia. A Petrobras é do PT. Só é nossa a conta bilionária.

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Opinião

Carlos Alberto Sardenberg: ‘Não é só azar’

Publicado no Portal do Sardenberg

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Azar, claro. A falta de chuvas e o calor excessivo estão fora da curva, eram imprevisíveis. E, de certo modo, continuam assim. A temporada molhada no Sudeste e Centro-Sul, na teoria e na experiência de décadas medidas, vai até abril, de modo que a torcida ainda faz sentido. Não é possível que não chova mais, tal é o sentimento.

É verdade que, em 2001, o pessoal do governo FHC ficou dizendo isso até o momento em que não choveu mesmo e foi preciso fazer o racionamento. E, sem querer ser pessimista, certas situações hoje são até piores.

Em compensação, aí estão as termelétricas, movidas a gás, carvão e óleo, cuja construção foi uma das medidas tomadas em consequência da crise de 2001. Nem toda herança é maldita, não é mesmo?

Assim, esperemos pelas chuvas até abril. Mesmo técnicos mais críticos das opções do governo pensam desse modo. Sugerem, entretanto, que se deve preparar para o pior,  ou seja, o governo deveria já estar promovendo economia de energia e ter pronto um plano de racionamento.

Programas de economia não existem. Quanto ao plano de racionamento, tudo bem se o pessoal do governo Dilma não quer falar disso, assunto que azedaria ainda mais  o humor em relação ao andamento da economia. Falta de energia vai na veia do PIB, suga crescimento. Mas deveria ter o plano no gaveta.

Não adianta só esperar e torcer. Muitas das consequências da seca e do calor já foram dadas. Vieram antes das chuvas. Preços de alimentos estão em alta, puxando a inflação de março e do meio do ano. E o buraco nas contas do setor elétrico já passa dos R$ 35 bilhões, na avaliação do governo. Esse é o tamanho do prejuízo especialmente das distribuidoras, levadas a uma situação em que precisam vender energia a preço menor do que compram. Esse rombo está sendo coberto com dinheiro do Tesouro, logo, dos contribuintes, e de fundos do setor elétrico. E terá de ser recuperado com  aumentos de tarifa ao consumidor.

São, portanto, três consequências: alta imediata da inflação, expectativa de mais alta pela recomposição das tarifas e aumento do gasto público num momento em que o governo federal promete controle de despesas.

Tudo seria contornável, se a política econômica estivesse nos trilhos. Por exemplo: todo mundo concorda que uma alta de preços provocada pela seca não deve ser combatida com aumento de juros. O regime de metas de inflação prevê essas emergências.

No caso nosso, a meta de inflação é de 4,5% ao ano, com uma margem de tolerância de dois pontos, exatamente para uma circunstância como a atual. Funciona assim: a inflação está rodando na meta, vem um choque de preços de alimentos e o Banco Central informa que vai tolerar uma inflação um pouco mais alta até que o clima melhore e a produção de comida volte ao normal.

Todo  mundo compreenderia. Hoje, porém, todos aqui olham desconfiados para o Banco Central porque não existe a margem de tolerância. Há muito tempo o BC aceita uma inflação rodando perto do teto da meta, em torno dos 6%. É como se já tivesse usado o seguro, não tendo mais direito. A tolerância agora é inflação na veia e exige mais juros.

Não é por causa do azar da seca. É porque a política monetária já vinha errada.

Vale para o reajuste de tarifas. O governo poderia perfeitamente dizer: pessoal, essa seca é um azar danado, imprevisível, por isso vamos precisar economizar energia e pagar mais caro por um bem mais escasso.

De novo, já gastou esse seguro. A inflação alta há três anos não absorve mais choques. E como aumentar a tarifa depois de dizer que este governo foi o único que pensou no povo e reduziu a conta de luz?

Vale também para as contas públicas. Se os gastos estivessem controlados, se a contabilidade fosse normal, sem truques, e se o superávit primário estivesse na meta, todo mundo compreenderia um desvio para lidar com os efeitos da seca.

O governo poderia anunciar: vamos tirar uns 30 bi do superávit primário, em três ou quatro anos, para pagar a conta das termelétricas; depois a gente recompõe o saldo. Quem seria louco de pedir mais superávit e menos energia?

De novo, esse seguro foi torrado. A despesa criada pela seca cai sobre contas já  deterioradas pela política, equivocada, de estimular consumo público e privado. (Aliás, estimulou-se, e muito, o consumo de energia).

Foi um baita azar, portanto. Mas um azarado que joga mal . . . .

Tags: Carlos Alberto SardenbergchuvasDilma Rousseffenergia elétrica,racionamento de energia

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Fonte:
Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

1 comentário

  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Começando de lá do inicio dos posts tenho seguinte comentário a fazer:

    1 - Lá atrás pelos idos de 60 dp século pasado, o então papa da, economia disse: "Se distribuirmos toda renda do país seremos um pais de pobres, miseráveis. Viu seu Pochmann !!!

    2 - Se o PT ergueu a bandeira do petróleo é nosso e se colou na Petrobras como back-bone (coluna dorsal)de sua política de governo, vocês acham que financiaria o etanol como concorrente da gasolina e do diesel ???

    3 - Essa é pra você Sardenberg, do da ignorância atrevida; 2 pontos sobre 4,5% são só 45,5 % a mais na meta e se você fosse diretor de uma empresa, seria demitido por justa causa, por incompetencia, se deixasse extrapolar tanto uma meta dessas !! Inventaram esses 2 pontos a mais ou menos para esconder a falta de controle do mercado e da economia !! Nesse governeco que aí está só tem aprendiz de feiticeiro e um chefe ignorante e mentiroso !!!

    3 - Considerar termelétrica a carvão (Dilma idealizou só 40 para o NE !!!) como opção é outra idiotice, pois não temos carvão de pedra no país. Ou se utiliza madeira oriunda de desmatamento o que piora o clima, ou se importa o dito cujo de pedra. Você não sabe disso ??? E a China que é mais esperta que nós, está tentando acabar com as que tem porque estão matando o seu povo. Mas segundo o poste 2 "não dá para armazenar vento" daí a sua repulsa por eólicas !!!! (Risos!!)

    4 - O marqueteiro do PT descobriu que a justiça eleitoral não faz cumprir as leis sobre pesquisas e manda uma mentira atrás da outra, ou mehor, pesquisas fajutas encomendadas que entrevistam 1/2 duzia (1300 a 2000 pessoas) enqwuanto temos 190 milhões e afirma de pés juntos que "se as eleições fossem hoje ganharia já no 1º turno' o que nunca nesses anos todos de governo do PT, que foi para o 2º turno em todas as eleições que participou e em SP com a Martaxa que liderava a 3 dias do 1º turno com 8 pontos à frente do 2º e perdeu nos 2 turnos com folga para o Kassab que era o 3º !!!

    Enquanto for permitido que façam pesquisas eleitorais mentirosas e a OPOSIÇÃO não se toque, os 70% de eleitores semi-analfas (nunca foram a alguma escola ou se formaram, nem no jardim de infância, e mal e mal sabem escrever ou desenhar sua assinatura) mas votam, e os bolsistas família que temos; continuarão votando

    nesse safadão e sua trupe, induzidos por elas, (o que por lei é considerado crime e sujeito a multas e até prisão)pois não tem condição nenhuma de escolher qualquer um, nem candidato a sorveteiro (Risos) !!!

    Além do pré-sal mentiroso que não tira petróleo a mais de 3.000 metros nem a pau !!!!

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