Olhem aí… Eles começaram a sair da casinha!!!

Publicado em 22/04/2014 07:22 e atualizado em 04/07/2014 13:33 2219 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Olhem aí… Eles começaram a sair da casinha!

Vou imitá-los um pouquinho: “kkk, rá, rá, rá, oinc, oinc, oinc, fuça, fuça, fuça, pum, pum, pum”!!! O PT reuniu fisicamente, no último fim de semana, a sua militância digital num “camping” — escrevi a respeito —, e já se notam os primeiros efeitos na rede. Vejam esta maravilha:

EFEITO PT DIGITAL

Vejam ali este lindão no meio da turma — algumas companhias ali muito me honrariam, mas nem todas. “Mais de R$ 30 mil???” Ah, não nos subestimem!!! O mais engraçado é que os idiotas não sabem nem mesmo distinguir alhos de bugalhos. Imaginem se eu toparia uma conspiração, qualquer uma, com Miriam Leitão, por exemplo — ou ela comigo! —, ainda que fosse para salvar da extinção um glossoescolecídeo… O bicho morreria seco, coitado! Sem contar que ela se preocupa em provar àqueles que a odeiam que ela é bacana, genuflexão que não faço. Ao contrário até. Dado o exclusivíssimo ponto de vista da turma, eu me preocuparia se começassem a me achar um cara legal.

Os vagabundos que ficam fazendo oinc, pum e fuça-fuça debaixo de barracas jamais entenderão! Ainda que, naquela montagem, só houvesse canalhas, cada um o seria à sua maneira e por sua própria conta — ao contrário deles, que são milicianos a soldo, pagos, como de hábito, com dinheiro público. No seu caso, até os borborigmos obedecem a um comando.

Setores da imprensa que vivem hoje sob o ataque dessa súcia fazem questão de se ajoelhar no milho, de pedir desculpas, de se redimir, deixando-se patrulhar pela corja. Vivem, nas sublinhas, se explicando e se justificando, o que é bastante constrangedor: um espetáculo triste de ler, ver e ouvir. A covardia é sempre repugnante. Eu os chamo por aquilo que são: vagabundos, fascistoides, venais e moralmente deformados. Não são meus juízes. Não dependo deles para existir nem os quero como leitores!

Se vocês acessarem a página no Facabook em que esse troço foi publicado, verão que ela existe para odiar a imprensa e para pregar o controle da mídia nos moldes do chavismo. Há gente achando que a melhor maneira de enfrentar o bando é fazer concessões, “mantendo a interlocução”!!! Interlocução com bandido? Não faço! Alguns dos seus alvos, movidos por uma covardia asquerosa, acreditam, por exemplo, que, se me xingarem um pouquinho, poderão ser poupados: “Ó, eu sou diferente, hein!? Também odeio os conservadores, tá? Sempre fui de esquerda! Tirem-me da lista! Falem bem de mim!” Os inocentes e os idiotas ainda não entenderam a natureza do confronto. São, assim, uma mistura de Daladier e Chamberlain, mas adaptados à chanchada autoritária brasileira.

A página não deixa a menor dúvida quanto ao inspirador:

EFEITO PT DIGITAL 2

Não ajoelho, não! Podem babar à vontade. Eu os chamarei por aquilo que são. Pra dentro da casinha!

Por Reinaldo Azevedo

 

PT faz “camping digital” para organizar guerrilha virtual. Que medinho!!!

Vejam esta foto de Werther Santana, publicada no Estadão deste sábado.

 barracas petistas

Debaixo de cada uma dessas barracas, há um petista. Ave! Eles participam neste fim de semana de um “camping digital” para organizar a guerrilha virtual contra os reacionários, entendem? Estão lá para aprender a fazer blogs, perfis nas redes sociais, militância em suma. Podem se preparar: a partir de segunda ou terça-feira, certamente aumentará muito o teor de trolagem na rede. São especialistas nisso. É alguém expressar uma opinião com a qual não concordam, tem início o festival de agressões, de baixarias, de demonização. Também fazem patrulha organizada dos meios de comunicação.

Essa coisa de “exército” organizado para defender pontos de vista me remete sempre a coisas como estas:

nazistas reunidos

 Juventude fascista

Uma das imagens dispensa comentários elucidativos. A outra retrata meninos da Juventude Fascista fazendo exercícios.

Na reportagem do Estadão, um dos participantes explica: “Hoje, um idiota de direita com cinco milhões de seguidores faz um estrago que não conseguimos conter com nossos militantes”. Por isso o partido decidiu reunir a sua “juventude”. Ah, entendi. O exército virtual está sendo montado para enfrentar “os idiotas de direita”.

Leio na reportagem que este blog — ou, quem sabe, o blogueiro — preocupa alguns membros da Juventude Petista. Uma das militantes virtuais explicava por que Dilma usou uma expressão de Valeska Popozuda no Facebook nestes termos:
“A gente não quer atrair só o pessoal da esquerda; queremos atrair a direita. Queremos atrair a juventude. Quem atrai a juventude? A Valeska Popozuda! Mas sou contra o pancadão político, bater por bater. Bloqueie quem te agredir. É melhor você eliminar uma pessoa agressiva do que alimentar o ódio dela. Se chamar de petralha, nem precisa responder!”.

Pô, eu nem sabia que essa palavrinha doía tanto. E olhem que já expliquei mais de uma vez: nem todo petista é petralha, mas todo petralha é petista. Ou por outra: o petralha é um tipo de petista que justifica o assalto aos cofres públicos em nome da causa.

Evidentemente, a palavra teria caído no vazio se isso não acontecesse com escandalosa frequência no país, certo? Em vez de cair, foi parar no “Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa”.

Verbete

Verbete “petralha” no Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa

Pronto! Hoje é dia de odiar mais um pouquinho Reinaldo Azevedo, debaixo daquelas barracas. Imagino como deve ser à noite, com todos aqueles petistas pensando e rimando ao mesmo tempo… Estou a muitos quilômetros de São Paulo, mas sinto daqui…

Por Reinaldo Azevedo

 

A globalização do PT – Pizzolato depõe na Justiça italiana sobre relações com um pilantra que é operador de Berlusconi

Pô, a turma tem mesmo, como posso dizer?, dimensão internacional, né? Henrique Pizzolato, o mensaleiro que se mandou do Brasil, andou se relacionando com um bandido que serviu a Silvio Berlusconi, na Itália. Vejam como as coisas vão se encaixando. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

Na VEJA.com:
O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato prestou depoimento à Justiça da Itália sobre suposto envolvimento com o italiano Valter Lavitola, conhecido como operador do ex-premiê italiano Silvio Berlusconi. Investigações conduzidas pela Justiça italiana apontam que Henrique Pizzolato mantinha uma “relação estreita” com Lavitola, que já morou no Brasil e hoje está preso nas proximidades de Nápoles. Os indícios apontam para a existência de “negócios conjuntos” que envolveria interesses de empresas de telecomunicações italianas no Brasil.

Pizzolato foi condenado no julgamento do mensalão no Brasil, mas fugiu para a Itália antes de ser detido. Em fevereiro, ele foi capturado em Maranello, após entrar no país europeu com documentos de um irmão morto há mais de trinta anos. Por envolvimento com o mensalão, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a pena de doze anos e sete meses de prisão pelos crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

As conexões entre Pizzolato e Lavitola apareceram depois da prisão do brasileiro em fevereiro. O mensaleiro foi interrogado no fim do mês passado, quando ele já estava preso, aguardando o processo de extradição para o Brasil. Autoridades brasileiras foram informadas sobre o depoimento.

Segundo a Justiça italiana, a apuração está “apenas começando” e Pizzolato deve ser ouvido novamente nos próximos dias. Integrantes da Interpol não detalharam se Pizzolato foi ouvido como testemunha ou investigado.

Operador
Lavitola foi acusado pela Justiça italiana de ter facilitado uma série de esquemas financeiros comprometendo Berlusconi, que acaba de ser condenado a trabalhos sociais por causa dos processos nos tribunais. O italiano fugiu para o Panamá, depois de ser indiciado em 2011. Mas se entregou em 2012 e retornou a Roma.

Ex-editor do jornal Avanti, Valter Lavitola é acusado de ter pago 24 milhões de dólares em propinas a autoridades do Panamá para que o governo do país fechasse um acordo para a compra de radares e outros equipamentos militares da gigante industrial italiana Finmeccanica. Lavitola também foi acusado de extorsão contra Berlusconi, supostamente exigindo 5 milhões de euros por seu silêncio em relação às atividades do ex-primeiro-ministro italiano.

O suspeito também é apontado pela Justiça italiana como frequente hóspede da Vila Certosa, a casa de verão de Berlusconi onde festas polêmicas – conhecidas como “bunga-bunga” – eram organizadas. O italiano era ainda sócio do empresário da cidade de Bari, Giampaolo Tarantini, que admitiu perante os juízes ter contratado prostitutas de luxo para as festas de Berlusconi.

Os advogados de Pizzolato na Itália não se pronunciaram sobre o depoimento dele, e os defensores de Lavitola não foram localizados.

Encerro
Bonito isso. É o PT demonstrando que entende o sentido da palavra “globalização”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ibope: mais gente REPROVA (48%) do que APROVA (47%) o modo como Dilma governa o país; boato de queda significativa de petista anima de novo os mercados

O Ibope divulgou nesta quinta uma pesquisa de intenção de voto par a Presidência da República. Os números são compatíveis com o levantamento mais recente do Datafolha. Quando Dilma é confrontada apenas com os principais oponentes, ela cai dos 43% que tinha em março para 39%; o tucano Aécio Neves oscilou de 15% para 16%, e Eduardo Campos, do PSB, passa de 7% para 8%. Quando entram os candidatos de pequenas legendas, Dilma marca 37%; Aécio, 14%, e Campos 6%. Nesse caso, as candidaturas nanicas, somadas, passaram de 1% para 3%. Num eventual segundo turno contra o tucano, a petista caiu de 47% em março para 43% agora, e ele passou de 20% para 22%; contra o peessebista, ela vai de 47% para 44%, e ele, de 16% para 17%. A esta altura, no entanto, esses são os números e os fatos menos importantes.

Pesquisa Ibope Abril

Importante mesmo é outro dado: segundo o Ibope, mais gente desaprova o jeito de Dilma governar (passaram de 43% em março para 48% agora) do que aprovam (de 51% para 47%). Observem: em um mês, há aí uma movimentação de 9 pontos contra a petista: ela tinha um saldo positivo de 8 e, agora, tem um saldo negativo de 1. Pode-se dizer, é verdade, que o eleitorado ainda descobre muito timidamente os candidatos de oposição, mas a queda de prestígio de Dilma é evidente. E não é menos verdade que essa desaprovação está começando a corroer os seus votos.

De novo, euforia
Ontem, circulou forte o boato de que uma pesquisa do Ibope indicaria uma queda significativa de Dilma. Mais uma vez, a reação foi de euforia. O Ibovespa reagiu. Na máxima, o índice chegou a subir 2,22%. No fechamento, a alta foi de 1,78%, aos 52.111 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,8 bilhões.

Agora é assim: mesmo quando Dilma cai muito no boato, o mercado sobe de fato. É curiosa a reação. A sensação evidente é mesmo a de que o governo, este governo, atrapalha o país. Que coisa, né? A simples perspectiva de que Dilma não se reeleja enche o Brasil de um ânimo novo. Por que será?

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma perde no segundo turno para Aécio e Campos entre os eleitores que conhecem os três

Dillma careta

Já escrevi aqui algumas vezes que, em parte, a liderança da presidente Dilma Rousseff (foto) nas pesquisas de opinião se deve ao fato de que ela é conhecida, e seus adversários não. Parece que o Datafolha confirma isso. Vamos ver.

O instituto constatou, por exemplo, que 57% conhecem Dilma muito bem, índice que cai para 17% com o tucano Aécio Neves e 8% com Eduardo Campos, do PSB. Não conhece a presidente 1% do eleitorado — 25% no caso de Aécio e 42% no de Campos.

Não obstante, a rejeição dos três é de 33%. Observei, então, que muita gente não vota em Dilma porque a conhece, e muitos não votam nos oposicionistas porque não os conhecem. Algumas pessoas chiaram. Chiadeira ociosa.

Outro dado do Datafolha chama a atenção: 17% disseram conhecer bem ou um pouco os três candidatos. E aí se dá algo notável: nesse universo, os três estão tecnicamente empatados: Campos fica com 28%; Dilma, com 26%, e Aécio com 24%. Mais: nesse universo dos que conhecem os candidatos, nem que seja um pouco, a presidente perde as simulações de segundo turno: ela é derrotada pelo tucano por 47% a 31% e, pelo peessebista, por 48% a 31%.

É claro que se trata de números preocupantes para a presidente. Afinal, o objetivo de uma campanha política é justamente tornar conhecidos os candidatos. Isso demonstra como é remota a chance de Dilma, caso não seja solapada por Lula — não creio nisso, deixo claro! —, vencer a disputa no primeiro turno. Na verdade, é mais um indício que aponta o risco de derrota.

Lembrem-se de que a mais recente pesquisa do Ibope já apontou que, hoje, muito provavelmente, é maior o número de brasileiros que reprovam o jeito de Dilma governar do que o dos que aprovam: 48% a 47%. Há um mês, o placar era favorável à presidente: 51% a 43%. Vale dizer: nesse pequeno período, houve uma mudança de nove pontos percentuais contra Dilma Rousseff.

Esses números do Datafolha indicando virtual empate entre os eleitores que conhecem, ao menos um pouco, os candidatos é compatível com certo sentimento de enfaro que se percebe nas ruas. Se ele vai se traduzir, efetivamente, em voto, ainda não se sabe. Que Dilma não tem razões para comemorar os números, isso é evidente.

Assim, não havia, efetivamente, nada de errado com aquela minha conclusão: muita gente não vota em Dilma porque a conhece, e muitos não votam em Aécio e Campos porque não os conhecem.

Por Reinaldo Azevedo

 

O voto e a casa da mãe Dilmona

Leiam trechos da minha coluna na Folha desta sexta:

Vamos lá, leitor, exercitar um pouquinho de “pessimismo de combate”? É aquele que levou Carlos Drummond de Andrade a escrever que “lutar com palavras/ é a luta mais vã/ entanto lutamos/ mal rompe a manhã”. Na quarta, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou relatório de Roberto Requião (PMDB-PR) proibindo a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais. Segundo o senador, aceitá-la corresponderia a acatar a “legitimidade da influência do poder econômico no processo eleitoral e, por consequência, no resultado das eleições”. Com muito mais fru-fru, glacê e gongorismo igualitarista, é o que pensa o ministro Roberto Barroso, do STF.
(…)
A política brasileira, com frequência, é uma piada macabra com lances de chanchada. Não é surpreendente que um país com tantos recursos e com características demográficas e de formação social que constituiriam janelas de oportunidades ofereça a amplas maiorias uma vida tão ruim, tão insegura, tão sem perspectiva. A sociologia, da mais preconceituosa à mais ambiciosamente iluminista, pode ilustrar a melancolia e as “vastas solidões” (Joaquim Nabuco) em que transita o pensamento em Banânia, mas não as explica.
(…)
Venham cá: por que um partido político faz tanta questão de ter a diretoria de uma estatal? Para que suas teses sobre refino de petróleo ou hidrologia triunfem sobre as de seus rivais? Trata-se de uma luta de cavalheiros? Disputam as estatais para alimentar a República dos Ladrões. É cru, eu sei, mas é assim. E Requião, Barroso e outros sábios decidiram que a doação legal de campanha é que faz mal à democracia brasileira.
(…)
Leia a íntegraaqui

(por Reinaldo Azevedo)

 

O petista Gabrielli, o Rei Sol da Petrobras, omitiu do conselho que belgas queriam recomprar a metade de Pasadena que haviam vendido à estatal brasileira

José Sérgio Gabrielli, o Luís 14 da Petrobras

José Sérgio Gabrielli, o Luís 14 da Petrobras, consultava o conselho só quando achava conveniente…

Ora, vejam!!! A Astra Oil, que vendeu a refinaria de Pasadena para a Petrobras, queria recomprar os 50% da estrovenga em 2007, mas a empresa brasileira se negou a vender!

É o que informa reportagem de Samantha Lima e Fábio Brisolla na Folha nesta terça. Isso significa o seguinte: a direção da Petrobras perseguiu aquele prejuízo bilionário com determinação, com energia, com afinco.

Só para lembrar: em 2006, a estatal  comprou 50% da refinaria por US$ 360 milhões, incluindo estoques de petróleo. Em 2007, em razão da divergência entre os sócios — a Astra Oil acusava, por exemplo, a Petrobras de ser gastona, de ser perdulária —, a empresa belga falou com o então presidente da empresa brasileira, José Sérgio Gabrielli, e propôs recomprar de volta aquela metade, desfazendo o negócio. Os dois grupos divergiam também sobre o futuro da refinaria. Para dobrar a capacidade de refino, a Petrobras achava necessário investir US$ 2,5 bilhões, valor que os belgas consideraram excessivo.

Gabrielli não quis nem saber: recusou a proposta. Como é que se sabe disso agora? A Folha teve acesso a depoimentos de diretores da empresa belga à Comissão Americana de Arbitragem, que acabou impondo à Petrobras a compra da outra metade da refinaria.

Atenção! Segundo os diretores da Astra, a proposta foi feita a Gabrielli duas vezes: em agosto e em setembro de 2007. Ele respondeu que se faria o contrário: a Petrobras é que ofereceria uma proposta de compra. E o resto vocês já sabem.

Atenção para o que me parece mais escandaloso nesse troço todo: se a compra de Pasadena foi submetida, sim, ao conselho — sem as duas cláusulas que geraram polêmica —, a proposta de venda, no entanto, foi omitida. Vale dizer: quando os conselheiros foram convidados a avaliar a compra também da segunda metade — o que recusaram —, eles não sabiam que o grupo belga se ofereceu para desfazer o negócio.

Parece que Gabrielli e o grupo de diretores comandavam a empresa num regime de monarquia absolutista. Não só foram omitidas as duas cláusulas — a “put option”, que impunha a compra dos outros 50% da reinaria em caso de desentendimento entre os sócios, e a “Marlim”, que garantia aos belgas uma rentabilidade de 6,9% ao ano — como também a proposta feita de recompra.

Sabem o que isso significa na prática? Que a direção da Petrobras manipulava o conselho para coonestar as suas escolhas, sem lhe dar condições adequadas de decidir. “Ah, então Dilma sai bonita dessa história, né, Reinaldo? Foi enganada mesmo?” Uma ova! Não sai bonita, não! A questão, insisto nisto desde o primeiro dia, é saber o que ela fez quando ficou evidente o mau negócio. Que se saiba, nada! E ainda presentou Nestor Serveró, que ela acusou de ser responsável pelas omissões, com um cargo na direção da BR Distribuidora.

De resto, jogar a culpa toda nas costas do ex-diretor é fácil. Por que Dilma se cala sobre o petista graúdo José Sérgio Gabrielli? De verdade, quem escondeu os fatos do conselho foi ele — o mesmo Gabrielli que acusou Dilma, em entrevista ao Estadão, de ter tentado tirar o corpo fora.

Agora está claro: a Petrobras poderia ter se livrado de um espeto de quase US$ 1,3 bilhão. Mas Gabrielli não quis nem saber. Atuou para conquistar essa marca. E ainda sai por aí expelindo regras.

Por Reinaldo Azevedo

 

O lulista Gabrielli chama Dilma para a briga; Planalto prefere ficar calado; oposição aponta o óbvio: mais um motivo para a CPI

A então ministra Dilma com Gabrielli: se ela achou compra errada, por que não fez nada?

A então ministra Dilma com Gabrielli: se ela achou compra errada, por que não fez nada?

José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, concedeu uma entrevista ao Estadão de domingo e afirmou que Dilma não pode fugir à sua responsabilidade na compra da refinaria de Pasadena. O que isso quer dizer?

Quer dizer que os grupos lulista e dilmista do PT estão em guerra nessa história, como já escrevi aqui. O lulista Gabrielli disse duas coisas na entrevista ao Estadão. A primeira: o conselho de administração, de fato, desconhecia as cláusulas “Put Option” e “Marlim” quando aprovou a compra da refinaria de Pasadena. A primeira obrigava a Petrobras a adquirir os outros 50% da empresa no caso de desentendimento entre os sócios. A segunda garantia à Astra Oil uma rentabilidade anual de 6,9%, independentemente das condições de mercado. Muito bem! Dilma poderia ter ficado contente: afinal, ela afirmou que, de fato, não sabia da existência das ditas-cujas.

Ocorre que Gabrielli não parou por aí. Ele afirmou uma segunda coisa: que Dilma, apesar disso, não deve “fugir a sua responsabilidade”. Atenção! Ele empregou essa expressão mesmo! E isso quer dizer que o ex-presidente da Petrobras, hoje secretário do Planejamento da Bahia — cujo governador é Jaques Wagner, petista como ele e um dos conselheiros da Petrobras quando Pasadena foi comprada —, está acusando Dilma de tentar tirar o corpo da reta. Gabrielli sustenta, a exemplo do que fez Nestor Cerveró, o tal diretor que fez o memorial executivo, que as cláusulas eram irrelevantes.

Isso traduz uma luta interna, intestina mesmo — para usar um termo com uma significação mais ampla e adequada ao caso. A Petrobras hoje divide em dois grupos o petismo: há os lulistas, que acham que a presidente Dilma fez uma grande besteira ao censurar publicamente a compra de Pasadena e afirmar que só concordou porque estava mal informada. E há os dilmistas, que acreditam que ela não é obrigada a arcar com erros evidentes do passado. Gabrielli, como todo mundo sabe, joga no time de Lula. É mais um, diga-se, que já afirmou que não aceita ser usado como boi de piranha do partido.

Eu já escrevi aqui algumas vezes que Gabrielli sempre soube de tudo, desde o princípio. Era o manda-chuva inconteste da empresa. Mas é preciso que fique evidente também — e há vários posts meus a respeito — que não tardou para que Dilma tivesse ciência plena do que estava em curso. Ela, de fato, liderou a rejeição à compra da segunda metade da empresa, mas, derrotada na Justiça americana, não tomou providência nenhuma para punir os faltosos: nem como ministra da Casa Civil e presidente do Conselho nem como presidente da República.

É claro que Gabrielli está puxando a faca. O Planalto, por enquanto, preferiu ficar calado. Também, convenham: vai dizer o quê? A oposição cumpre o seu papel, que é o óbvio e o lógico. Se o petista Gabrielli está dizendo que Dilma não pode fugir às suas responsabilidades, só resta afirmar que aí está mais um motivo para que se instale a CPI da Petrobras. A ministra Rosa Weber, do Supremo, pode decidir nesta terça o destino do pedido de liminar da oposição.

Uma coisa vocês devem ter em mente: Gabrielli não é um franco-atirador. Quando joga Dilma no centro da fogueira, está agindo a serviço do grupo que quer Lula candidato à Presidência da República pelo PT. Para isso, eles leiloam a própria mãe. Por que não leiloariam Dilma Rousseff?

Por Reinaldo Azevedo

 

CPI da Petrobras: Rosa Weber decide mais do que o alcance de uma comissão; o que está em jogo é uma prerrogativa do Congresso e um direito das minorias na democracia

Rosa Weber: ela decide mais do que o destino de uma CPI; é uma prerrogativa da democracia que está em jogo

Rosa Weber: ela decide mais do que o destino de uma CPI; é uma prerrogativa da democracia que está em jogo

Está prevista para esta terça-feira a decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo, sobre o pedido de liminar das oposições em favor da instalação da CPI da Petrobras no Senado.

Ao fazê-lo, a ministra, na verdade, decidirá muito mais do que isso. O que está em jogo é uma prerrogativa do Congresso Nacional — que é a de fazer Comissões Parlamentares de Inquérito — e um direito da minoria, que é propor que ações do Executivo sejam investigadas no Parlamento, desde que se consiga o número necessário de adesões para a proposta: um terço das duas Casas para comissões mistas ou de cada uma delas, em separado, no caso das comissões compotas só por deputados ou só por senadores.

Cumpre lembrar aqui mais uma vez. A CPI está prevista no Parágrafo 3º do Artigo 58 da Constituição. E ali se exigem apenas o fato determinado e o número mínimo de assinaturas. Em nenhum lugar está escrito que o presidente da Câmara ou do Senado ou uma comissão qualquer decidirão que CPI pode ou não pode ser instalada.

Não só isso! As regras de uma comissão de inquérito estão detalhadas no Capítulo XIV do Regimento Interno do Senado. Mais uma vez, nada há a respeito de um crivo prévio para a comissão; as duas únicas exigências são aquelas já cumpridas pela oposição: o número mínimo de assinaturas e o fato determinado.

Se isso fosse pouco, existe a jurisprudência do Supremo sobre a natureza e o alcance das comissões de inquérito, expostas pelo então ministro Paulo Brossard no acórdão do Habeas Corpus 71.039, de 1994. No texto, resta evidente que uma CPI tem, sim, de ter fato determinado, o que exclui a comissão “X-Tudo” que os governistas pretendem fazer, juntando Petrobras com supostas irregularidades havidas em São Paulo e Pernambuco.

Se Rosa Weber cair na esparrela de negar a liminar à oposição, reitero, uma prerrogativa do Poder Legislativo estará indo para o ralo. A ser assim, doravante, bastará que as maiorias respondam a eventuais pedidos de investigação feitos pelas minorias com a ampliação do escopo da comissão, de sorte a transformar os próprios oposicionistas em investigados, e nada mais se vai apurar no país.

Nesse caso, é a própria essência do regime democrático que estará sendo manchada. Chega a ser escandaloso, indecoroso mesmo, que sejamos obrigados a fazer esse debate.

Quando Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e a Comissão de Constituição e Justiça da Casa tomam uma decisão que obriga a intervenção do Judiciário para assegurar uma prerrogativa que é do próprio Legislativo, estamos diante da evidência de que aqueles que deveriam zelar pela sua independência o estão deixando manco. É uma humilhação para o Congresso Brasileiro.

Por Reinaldo Azevedo

 

MST se finge de povo e vai à rua, a serviço do PT, em defesa de item da reforma política que beneficia o partido — aquela inventada por Barroso…

Barroso, o pai da proposta de se proibir doação de empresas a campanhas: PT e MST estão juntos

Roberto Barroso, o pai da proposta de se proibir doação de empresas a campanhas: PT e MST estão unidos a essa nobre causa…

O PT não privatizou apenas a Petrobras, as estatais de maneira geral, os Poderes da República e as instâncias do Estado. Na sua vocação para substituir a sociedade, para tomar o seu lugar, privatizou também o povo. Nesta segunda, cerca de mil pessoas paralisaram por um tempo a Avenida Paulista, em São Paulo, defendendo que as empresas privadas sejam proibidas de doar dinheiro para campanhas eleitorais. O ato foi promovido pelo MST e por um dos seus braços, um tal “Levante Popular da Juventude”, que nada mais é do que o próprio movimento, mas com uma pauta mais ampla do que só a reforma agrária. A turma, por sua vez, é uma extensão do PT; é a sua face, digamos assim, de esquerda.

O MST e o tal “Levante” se apresentam como grupos organizados da sociedade civil, que seriam independentes de partidos. Falso como nota de R$ 3. Na verdade, a pauta que eles levaram para a rua nesta segunda é do comando do PT. E isso está documentado. Vamos ver.

No dia 10 deste mês, o Diretório Nacional do PT votou uma resolução contra a Emenda Constitucional 352 (íntegra aqui) — que propõe justamente uma reforma política. O mais curioso é que o coordenador do grupo que elaborou esse texto é o deputado Cândido Vaccarezza, do PT de São Paulo. Ocorre que a direção do partido não gostou. Por quê? A emenda 352 propõe, por exemplo, o financiamento misto de campanha — isto é: permite também as doações privadas. A PEC 352 prevê ainda:
- fim do voto obrigatório;
- coincidência entre eleições municipais e federais e estaduais;
- para tanto, os prefeitos eleitos em 2016 teriam mandato de dois anos, podendo se recandidatar em 2018. E aí nada mais de reeleição no país!

Vaccarezza foi o coordenador de um grupo suprapartidário. O PT o desautorizou publicamente, e há até facções que pedem a sua expulsão do partido, que quer outra coisa:
- financiamento exclusivamente público de campanha;
- assembleia constituinte para fazer a reforma;
- voto em lista fechada;

Eis a integra do documento enviado aos militantes.

Texto enviado aos filiados

Financiamento público, leitores, vocês sabem o que é: nós, os contribuintes, pagaríamos as campanhas eleitorais. O voto em lista consiste no seguinte: perderemos o direto de escolher o vereador e os deputados estadual e federal. Votaremos apenas no partido. E esse partido manda para o Legislativo pessoas que compõem uma lista fechada.

A cara de pau é de tal sorte que, na mensagem enviada aos militantes (acima), a direção do PT escreve que “O Partido dos Trabalhadores elaborou um projeto de iniciativa popular”. Ora, das duas uma: ou o projeto é de iniciativa popular ou é do PT. E, no caso, é do PT.

Assim, meus caros, a manifestação desta segunda não teve nada de “popular”. Foi um ato do partido. Na quarta-feira, dia 16, a presidente Dilma voltou a pregar a reforma política e a falar num plebiscito. Provavelmente, o tema irá parar na sua campanha eleitoral. Se ela ganhar… Uma coisa precisa ficar clara: se o financiamento exclusivamente público de campanha e o voto em lista forem aprovados, esqueçam! O país ficará refém do PT por muitos anos. E aí nem é o caso de pedir que Deus nos acuda. Ele tem mais o que fazer. Será bem mais fácil o diabo se interessar por nós.

E não custa lembrar. Já demonstrei aqui que a tese da proibição da doação de empresas a campanhas eleitorais — esposada pela OAB  — é, originalmente, uma tese Roberto Barroso, ministro do Supremo. Já há uma maioria formada de seis votos na tribunal em favor dessa excrescência, que nada tem de democrática. Afirmei, então, aqui que a OAB e o ministro atuavam, objetivamente — não entro nas intenções — como braços do petismo. Eis aí a prova dos noves!

Por Reinaldo Azevedo

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo, de VEJA

1 comentário

  • Virgilio Andrade Moreira Guaira - PR

    Pt : governa 12 anos e atrasa uns 20 no mínimo. Quanta gente incompetente,, o duro é que contaminaram o executivo,, o legislativo e o judiciário,, a faxina vai ser dura, mas é possível. Estrago foi feito em todas as áreas, espalha se a confusão de todo tipo. Parece irreparável,, mas é preciso alguem de pulso para por o país no caminho novamente. Como fica difícil usar as forças armadas,, a saida é pelo lado menos ruim da democracia ! Ordem e progresso!

    0