Oposição e governo se enfrentam em evento da Força Sindical; Aécio foi aplaudido, e Dilma, vaiada

Publicado em 30/04/2014 07:01 e atualizado em 07/07/2014 12:45 4323 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Oposição e governo se enfrentam em evento da Força Sindical; Aécio foi aplaudido, e Dilma, vaiada

Governo e oposição se encontraram e se estranharam no evento em homenagem ao Dia do Trabalho, promovido pela Força Sindical, na praça Campos de Bagatelle, em São Paulo. Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, discursou. Classificou de “patético” o discurso que Dilma fez na TV nesta quinta, disse que ela está distante dos trabalhadores e não podia comparecer a um evento como aquele, tendo de “ficar trancada”. Sustentou ainda ser preciso fazer “o resgate da Petrobras das garras daqueles que fazem negócios em interesse próprio”.

Coube ao deputado Paulinho da Força, presidente do partido Solidariedade, que está na oposição, fazer o discurso mais duro contra Dilma. Numa alusão aos mensaleiros, mandou ver: “O governo que deveria dar o exemplo está atolado na corrupção. Se fizer o que a presidente Dilma falou ontem, quem vai parar na Papuda é ela”. Tanto Aécio como Paulinho foram muito aplaudidos ao sentar a pua na gestão petista.

Mas lá também estavam defensores do governo Dilma, como o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e o ministro do Trabalho, Manoel Dias, que é do PDT, partido a que Paulinho pertencia e do qual se desligou para fundar o Solidariedade.

Carvalho rebateu a crítica de Aécio e afirmou que o governo elevou o salário mínimo em 70% — ele se refere, claro, aos 11 anos de gestão petista, não apenas ao período Dilma. Disse ainda que a presidente não vem a São Paulo apenas a cada quatro anos, quando há campanha e repetiu a mentira de que os tucanos tentaram privatizar a Petrobras. Foi mais longe: “Vocês sabem quem criou o fator previdenciário? Foi Fernando Henrique Cardoso. Agora eles [tucanos] querem voltar com o senador Aécio Neves. Vêm com promessas para vocês para um governo que eles não terão”. Foi sonoramente vaiado.

Dias, o ministro, criticou o discurso de Paulinho, que considerou agressivo demais com a presidente. Mais vaias.

Alguns poderão dizer que, no fim das contas, essa solenidade de Primeiro de Maio acabou sendo política. Ora, claro que sim! Mas nada que se compare ao pronunciamento indigno da presidente Dilma, nesta quarta, em rede nacional de rádio e TV. Usou o aparelho de estado para fazer campanha eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ato liderado pela CUT tem culto ecumênico contra a mídia! É a voz dos demônios, que são uma legião

Que preguiça.

Leio em reportagem de Machado da Costa, na Folha, que, no evento do Dia do Trabalho promovido pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), houve um ato, digamos, ecumênico contra a mídia!

É mesmo? Então vários deuses foram convocados contra a liberdade de imprensa? Que coisa asquerosa. Leiam trecho da reportagem. Volto em seguida.

(…)
No início das comemorações pelo dia do trabalhador, um ato inter-religioso foi organizado pelas centrais. Líderes de diversas crenças subiram ao palco e pregaram por seus deuses, contra a mídia. Aliás, esse foi o único consenso entre eles.

O umbandista Pai Cássio lembrou dos torturadores, anistiados durante o processo de redemocratização, cuja situação vem sendo questionada durante as investigações das Comissões estadual e nacional da Verdade. “A mídia, sempre mancomunada com a ditadura, se cala na questão da anistia a torturadores. Torturadores não podem ser perdoados, e a mídia se omite nessa questão até hoje”, avaliou.

Um padre argentino também questionou a imprensa brasileira. “As informações que chegam até vocês (o público presente) de Venezuela, Cuba e Argentina, são tortas”, alertou. “Precisamos lutar por uma mídia mais democrática, mais justa”, completou.

Apresentadores do evento também não pouparam críticas. “Dizemos não aos meios que se vendem ao poder capitalista. O Brasil só será moderno com uma imprensa democrática.”

Retomo
Quem é esse tal Pai Cássio? Que vá fazer seu despacho em outra freguesia! Está desrespeitando a Umbanda, uma religião criada no Brasil do sincretismo entre cultos primitivos africanos e o catolicismo. Serviu como peça de resistência dos escravos, contra a violência dos senhores. Pai Cássio, ao falar suas bobagens, está querendo submeter a liberdade de opinião aos senhores da hora.

Quanto a esse padre argentino… Quem é ele? Padre de que ordem? A que capeta ele serve? À ditadura cubana? À ditadura venezuelana. Esse é o evangelho do satanás, meu senhor!

Por Reinaldo Azevedo

 

Vaia aos amigos de Genoino

Genoino: fim de semana na cadeia

De vota à cadeia

José Genoino acabou de se apresentar à Papuda. A militância preferiu curtir o feriado à dar uma força. Na porta da penitenciária, apenas meia-dúzia de gatos-pingados, carregando bandeirolas do PT e do MST, aguardavam a chegada de Genoino. Não foram perdoados.

Pelo menos dois grandes grupos de parentes que foram visitar outros presos, ao verem o pequeno circo, vaiaram os petistas postados para saudar Genoino.

Por Lauro Jardim

 

Dilma na TV: “Lupus pilum mutat, non mentem”

Dilma fez nesta quarta o seu pronunciamento de Primeiro de Maio, tentando atingir o maior público possível, ainda antes do feriado prolongado. Pergunta óbvia: ela foi bem? Eu acho que não! “Ah, você não vale porque é um crítico da presidente Dilma…” Então tá.

Começo pelos mistérios da imagem. Televisão — ou vídeo — é um troço meio perverso. É claro que todas as providências foram tomadas para que ela parecesse e aparecesse bem e altaneira. Mas não pareceu nem apareceu. Não me perguntem exatamente o quê — depois passo o vídeo para o meu amigo Gerald Thomas avaliar, um especialista também na linguagem não-verbal. O fato é que transmitia a impressão de cansaço. Mostrou-se algo desenxabida e meio brava. A coisa vinha do fundo dos olhos, reforçada por um discurso meio infeliz.

“Lupus pilum mutat, non mentem”. Era uma frase popular já entre os latinos. O lobo muda de pelo, mas não de caráter, de personalidade, de mentalidade. Essa é uma versão mais comum entre os ingleses. Em português, ganhou uma tradução que acho excelente: “O lobo muda de pelo, mas não de vício”. Pois é… Todos os pronunciamentos oficiais de Dilma Rousseff são eleitoreiros — ou alguém se esqueceu do pré-anúncio da redução da tarifa de energia elétrica em 2012, coisa que só aconteceria no ano seguinte, em 2013, com os resultados desastrosos de todos conhecidos. Ocorre que Dilma, naquele tempo, navegava lá nas alturas. A expectativa era de que a eleição seria um passeio; um mero ritual homologatório. Logo, tudo era festa.

João Santana cometeu a imprudência de não mudar o tom, mas de manter o conteúdo ufanista. O que quero dizer com isso? O pronunciamento continuou a ser eleitoreiro, mas num momento em que, sabidamente, a presidente não vai bem. Resultado: o discurso soou defensivo e cheio de desculpas.

Dilma disse inconveniências e, mais do que isso, ilegalidades como: “Nosso governo tem o signo da mudança e, junto com vocês, vamos continuar fazendo todas as mudanças que forem necessárias para melhorar a vida dos brasileiros”. Ora, é evidente que ela não está se referindo ao período que separa maio de dezembro. Refere-se à reeleição. Como o feriado do Dia do Trabalho também pertence a quem não votou nem votará nela; como o feriado do Dia do Trabalho pertence também a quem reprova o governo; como o feriado do Dia do Trabalho também é da oposição, é evidente que isso caracteriza campanha eleitoral antecipada.

O discurso teve o seu melhor pior momento quando a presidente afirmou: “Posso garantir a vocês que a inflação continuará rigorosamente sob controle, mas não podemos aceitar o uso político da inflação por aqueles que defendem ‘o quanto pior, melhor’. Temos credibilidade política para dizer isso. Nos últimos 11 anos, tivemos o mais longo período de inflação baixa da história brasileira.”

Vamos lá. A inflação, no momento, está estourando o teto da meta. Então está sob o controle, mas no alto. Apontar os descaminhos nessa área é uma obrigação intelectual, não uma aposta “no quanto pior, melhor”. Reduzir as críticas da oposição a essa antítese boçal é desrespeitar a democracia — como se já não fosse agressão o bastante usar a rede nacional para fazer campanha. Quanto ao compromisso dos últimos 11 anos, só não naufragamos na hiperinflação porque o PT foi derrotado na sua luta contra o Real e depois nas eleições de 1994 e 1998. O partido recorreu ao Supremo contra o plano de estabilização.

Mas fazer o quê? A exemplo dos lobos, eles não sabem ser de outro jeito, não é? Podem mudar de aparência, mas não de vício, não de caráter. Antigamente, Dilma dizia essas coisas e tinha pela frente uma esmagadora maioria que apostava na continuidade. Hoje, dizem as pesquisas, a maioria aposta é em mudança. E boa parte quer mudar também de presidente. Por isso Dilma fez um discurso agressivo, eleitoreiro, na defensiva e passou a imagem de quem está um pouco cansada.

Muitos brasileiros também estão.

Pois é…

Dilma anunciou a correção de 10% no Bolsa Família. Tá. Quem já votava nela por isso não poderá votar de novo; quem não votava mesmo já recebendo o benefício não o fará por causa dos 10%. Quem acha que Bolsa Família é caça-votos acaba ficando meio irritado. E quem já é petista faça chuva ou faça sol não precisa disso.

A presidente também anunciou a correção da tabela do Imposto de Renda em 4,5%. Pois é… Podem apostar: haverá muita gente brava por ela ter feito isso logo depois do fim do prazo da entrega dos dados à Receita… Medidas como essas correm o risco de ser contraproducentes.

Por Reinaldo Azevedo

Tags: Governo Dilmapronunciamento oficial

 

Acuada, candidata Dilma parte para o ataque

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Esta foi a quarta-feira em que a candidata Dilma Rousseff partiu para o ataque. Depois de começar o dia afirmando que “tocará em frente” sua campanha à reeleição mesmo se aliados desistirem de apoiá-la, Dilma usou a cadeia nacional de rádio e televisão para fazer um discurso em tom eleitoral, abordando pelo menos doze temas, numa mistura de anúncios de medidas, prestação de contas e ataque – sem citar nomes — “àqueles que defendem o quanto pior, melhor”, numa retomada da retórica palanqueira do “nós contra eles” ensaiada em pronunciamentos anteriores.

O pronunciamento, cujo pretexto era o Dia do Trabalho, foi feito num momento em que Dilma enfrenta a pior crise do seu governo, às voltas com a abertura de uma CPI no Congresso Nacional para investigar a Petrobras. Em sua fala, ela acusou — sempre sem dizer a quem estava se referindo — de “utilizar problemas, mesmo que graves, para tentar destruir a imagem” da estatal petroleira.

“Não transigirei, de nenhuma maneira, em combater qualquer tipo de malfeito ou atos de corrupção, sejam eles cometidos por quem quer que seja. Mas igualmente não vou ouvir calada a campanha negativa dos que, para tirar proveito político, não hesitam em ferir a imagem dessa empresa que o trabalhador brasileiro construiu com tanta luta, suor e lágrimas”, disse, exortando o trabalho de órgãos de fiscalização do governo e da Polícia Federal. “O que envergonha um país não é apurar, investigar e mostrar. O que pode envergonhar um país é não combater a corrupção, é varrer tudo para baixo do tapete. O Brasil já passou por isso no passado e os brasileiros não aceitam mais a hipocrisia, a covardia ou a conivência.”

O discurso no rádio e na TV também foi redigido para tentar responder às pesquisas de intenções de voto e avaliação do seu governo, sucessivamente em queda livre. Uma das constatações das sondagens dos institutos de pesquisas é que o brasileiro afirma que buscará mudança nas urnas neste ano. “Nosso governo tem o signo da mudança e, junto com vocês, vamos continuar fazendo todas as mudanças que forem necessárias para melhorar a vida dos brasileiros”, disse. “Continuar com as mudanças significa também continuar lutando contra todo tipo de dificuldades e incompreensões, porque mudar não é fácil, e um governo de mudança encontra todo tipo de adversários, que querem manter seus privilégios e as injustiças do passado, mas nós não nos intimidamos.”

Dilma também fez dois anúncios: disse que assinou uma Medida Provisória corrigindo a tabela do Imposto de Renda – coincidentemente, hoje é o último dia para o contribuinte entregar sua declaração à Receita Federal – e reajustará em 10% o valor do Bolsa Família.

Inflação
“Em alguns períodos do ano, sei que tem ocorrido aumentos localizados de preço, em especial dos alimentos. E esses aumentos causam incômodo às famílias, mas são temporários e, na maioria das vezes, motivados por fatores climáticos. Posso garantir a vocês que a inflação continuará rigorosamente sob controle, mas não podemos aceitar o uso político da inflação por aqueles que defendem ‘o quanto pior, melhor’. Temos credibilidade política para dizer isso. Nos últimos 11 anos, tivemos o mais longo período de inflação baixa da história brasileira.”

Não é bem assim
De fato, entre 2003 e 2014, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está, em média, abaixo do que foi apurado nos onze anos imediatamente anteriores — afinal, o Plano Real e seus pilares foram implementados a partir de 1994, período em que a inflação ultrapassava 1 000% ao ano. Eliminar uma doença econômica que afligiu o país durante décadas consumiu anos da administração de Fernando Henrique Cardoso. Com a chegada do governo Lula e a manutenção da política fiscal desenhada pelo time de FHC, o IPCA conseguiu se manter, durante três anos, abaixo do centro da meta de 4,5% ao ano. Contudo, desde a chegada de Dilma ao Planalto, o índice se manteve mais próximo do teto da meta, de 6,5%, passando a mensagem ao mercado de que os 4,5% deixaram de ser o porcentual perseguido pela equipe econômica. Em 2014, economistas consultados pelo Banco Central já preveem que o IPCA terminará acima da meta. Para tentar frear a disparada dos preços, o governo Dilma lançou mão de expedientes nada ortodoxos, proibindo o aumento do preço da gasolina e forçando a redução do preço da energia. O preço pago pelo país é caro e a Petrobras é o maior exemplo disso: a estatal passa por situação financeira delicada, com endividamento acima de 200 milhões de reais.

Contas públicas
“Meu governo também será sempre o governo do crescimento com estabilidade, do controle rigoroso da inflação e da administração correta das contas públicas.”

Não é bem assim
A presidente não só fez uma afirmação incorreta, como também ignorou todas as consequências decorrentes justamente do aumento da gastança pública. Exemplo disso é o rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. A agência relatou a deterioração fiscal como fator preponderante para o rebaixamento. O resultado primário divulgado pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira resume bem a situação: a economia do governo para pagar os juros da dívida em março deste ano é a mais baixa desde junho de 2009 — período em que o mundo assimilava o impacto de uma crise financeira sem precedentes. Hoje, não há a desculpa da crise. Mas os indicadores estão convergindo cada vez mais para os parâmetros daquele ano, quando a economia brasileira teve contração de 0,6%. No acumulado de 2013, o Brasil teve o pior superávit primário dos últimos 12 anos.

Mobilidade urbana
“O pacto pela mobilidade urbana está investindo 143 bilhões de reais, o que permite a implantação de metrôs, veículos leves sobre trilhos, monotrilhos, BRTs, corredores de ônibus e trens urbanos. Com isso, estamos melhorando o sistema viário e o transporte coletivo público nas cidades brasileiras.”

Não é bem assim
A presidente exaltou o total de investimento do seu governo, porém, a rubrica específica de mobilidade urbana do PAC 2 aponta que somente 2% das 253 obras previstas saíram do papel.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os lulocêntricos estão em festa… Dilma despenca

Os lulocêntricos devem estar em festa. Pesquisa CNT/MDA também aponta que é praticamente igual o número de pessoas que aprovam e que reprovam o governo Dilma: 47,9% a 46,1%. Em relação a fevereiro, é uma mudança e tanto: ela era reprovada por 41% — portanto, houve um aumento de 5,1 pontos percentuais. E aprovação, que era de 55%, despencou 7,1 pontos percentuais. Vale dizer: uma mudança contra Dilma de 12,2 pontos.

A pesquisa de intenção de votos também assusta os petistas. Em relação a fevereiro, Dilma caiu 6,7 pontos percentuais e aparece agora com 37%. Em contrapartida, o tucano Aécio Neves subiu de 17% para 21,6%, e Eduardo Campos, do PSB, teve variação positiva de pouco mais de dois pontos e aparece com 11,8%.

Dilma ainda venceria no primeiro turno, mas é uma hipótese puramente teórica. Não vai acontecer. Na verdade, os números evoluem contra essa possibilidade. Veja-se a simulação de segundo turno: Dilma aparece com 39,2%, contra 29,3% de Aécio. Para se ter uma ideia, há dois meses, o placar era 46,6% a 23,4%. Uma diferença de 23,2 pontos caiu para 10,1 pontos.

Contra Campos, a presidente teria 41,3%, e ele 24%. Em fevereiro, os números eram, respectivamente, 48,6% e 18%. Dilma murchou. E isso é um fato.

Por Reinaldo Azevedo

 

Pesquisa CNT/MDA: há empate entre os que aprovam e desaprovam Dilma; cai intenção de voto na petista; Aécio e Campos crescem

No Estadão Online. Comento daqui a pouco:
A avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff caiu de 36,4% em fevereiro para 32,9% em abril, de acordo com pesquisa divulgada nesta terça-feira, 29, pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), realizada em parceria com o instituto MDA. A avaliação negativa, por sua vez, subiu de 24,8% em fevereiro para 30,6% dos entrevistados. O levantamento também mediu a aprovação pessoal de Dilma, que também oscilou negativamente. Em fevereiro, 55% aprovavam o desempenho pessoal da presidente, número que passou para 47,9% dos entrevistados nesta edição. A desaprovação, por sua vez, subiu de 41% em fevereiro para 46,1% em abril.

Eleição
A presidente Dilma Rousseff perdeu seis pontos porcentuais nas intenções de voto para presidente entre fevereiro e abril, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), realizada em parceria com a MDA e divulgada nesta terça-feira, 29. É o terceiro levantamento que mostra queda da petista. A pesquisa também aponta uma maior chance de realização de segundo turno em outubro.

No cenário que mede a intenção de voto estimulada (os nomes são apresentados aos entrevistados) apenas com os três principais nomes da disputa, a presidente aparece com 37% da preferência do eleitorado, abaixo dos 43,7% obtidos em fevereiro. O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), tem 21,6% das intenções de voto, frente a 17% no início deste ano. O ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), soma 11,8%, variação positiva de pouco menos de dois pontos porcentuais em relação a fevereiro, portanto, dentro da margem de erro do levantamento. Brancos e nulos chegam em 20% e o porcentual dos que não sabem ou não responderam atingiu a 9,6%.
(…)

Segundo turno
Segundo a pesquisa divulgada nesta terça, Dilma venceria Aécio e Campos em um eventual segundo turno, caso as eleições fossem hoje. No entanto, a margem de vantagem da petista em relação a seus principais adversários diminuiu em comparação com fevereiro. Na atual edição do levantamento, a presidente chega a 39,2% das intenções de voto num segundo turno contra Aécio, que tem 29,3%. Em fevereiro, o resultado era 46,6% contra 23,4%.

O mesmo se observa quando o cenário medido para o segundo turno é entre Dilma e Campos. A presidente tem 41,3% das intenções de voto, contra 24% do ex-governador. Em fevereiro, Dilma batia Campos por 48,6% a 18%. A pesquisa CNT/MDA também avaliou uma eventual disputa entre Aécio e Campos no segundo turno. Nesse quadro, o tucano surge com 31,3% das intenções de voto e Campos, com 20,1%. Em fevereiro, o confronto entre os dois principais nomes da oposição no segundo turno tinha 31,6% das intenções de voto para Aécio e 16,9% para o ex-governador de Pernambuco. Leia a integra das reportagens aqui e aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

Oposição irá à Justiça contra pronunciamento de Dilma

Na VEJA.com:
A oposição reagiu ao pronunciamento da presidente Dilma Rousseff feito nesta quarta-feira em cadeia nacional de rádio e televisão. O grupo assegurou que questionará a fala no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por considerar que se trata de campanha eleitoral antecipada. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou que o departamento jurídico do partido “certamente” acionará o TSE. “A primeira conclusão é que é necessário acabar com o processo de reeleição no Brasil porque o abuso é desmedido. O que ela fez foi campanha eleitoral antecipada e com dinheiro público. É um ritmo de discurso eleitoral com discurso mentiroso. Quando ela aborda a questão da corrupção, ela fala o contrário do que o seu governo faz: em vez de combater a corrupção, coloca a sujeira embaixo do tapete.”

O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), também defendeu a medida. “Vou propor à Executiva do partido que entremos com uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) porque o que ela fez foi um palanque eleitoral com recurso público. O PT privatizou a fala presidencial. O horário gratuito é para ser utilizado para pronunciamento de chefe de Estado e agora está privatizado a favor de um partido. Vamos reestatizar isso. É uma aberração. Estão apelando porque ela está despencando na popularidade e agora promete tudo a 60 dias do começo da campanha.”

Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato ao Planalto, o pronunciamento de Dilma “representa o desespero de um governo acossado por sucessivas denúncias de corrupção e uma presidente da República fragilizada pelo boicote da sua própria base, protagonizando um dos mais patéticos episódios já vistos na política brasileira”.

Para o candidato tucano, Dilma abdicou “uma vez mais, da necessária compostura que deveria ter ao utilizar um instrumento de Estado, como a cadeia de rádio e televisão, para fazer campanha política e atacar os adversários”.

Na visão de Aécio, “Dilma Rousseff fala de um país que não é o nosso, onde a inflação é obra do acaso e não dos desacertos do seu governo. Da mesma forma, debita a perda de credibilidade da Petrobras à fiscalização e cobranças das oposições e não como resultado da ação daqueles que transformaram a maior empresa brasileira em um balcão de negócios, sob grave suspeição”.

Para ele, o tom do pronunciamento foi “certamente orientado por seu marqueteiro”. “A presidente tenta, como se fosse possível, encarnar o atual sentimento de mudança existente no país. Ela ainda não percebeu, mas perceberá, que a mudança pela qual clamam mais de 70% da população brasileira não inclui a sua permanência no poder”, afirmou o tucano.

Por Reinaldo Azevedo

Tags: DilmaEleições 2014

 

Opinião

Reynaldo-BH: A queda nas pesquisas e a fuga dos ratos avisam que a candidatura de Dilma Rousseff avança para o naufrágio

REYNALDO ROCHA

Não é possível acreditar em pesquisas, mesmo quando trazem boas notícias. São tantos os institutos que vivem de medições que não sabemos, ao certo, qual metodologia foi usada ou como se compôs o universo de entrevistados. Não conheço ninguém que tenha sido consultado nestas amostragens. E são inúmeros os casos de reviravoltas no dia da eleição, só detectados na última pesquisa de boca de urna.

Mas há algo no ar além dos aviões de carreira. Todos os institutos, sem exceção, registram uma queda do que está aí infelicitando o Brasil e sinais de cansaço extremo. A  dúvida é se os números estão corretos ou se a realidade é ainda pior para a candidata Dilma Rousseff.

Falcatruas, desacertos, economia em franca queda, inflação disparada, mensaleiros e doleiros ligados aos mandatários do partido, ministério de aluguel para a base alugada, destruição da Petrobras e da Eletrobras, Lula no esplendor de sua (dele) ignorância, postes que ao estilo de Maluf se negam a responder às perguntas formuladas e usam o tempo disponível para fazer propaganda antecipada, entre outros absurdos. É muita coisa. É o fundo do poço.

Antigos aliados flertam com a oposição. Partidos da base rifam o nome de Dilma e clamam pela volta de Lula. Há no PT uma guerra entre as dezenas de correntes, cada uma com uma proposta e um caminho diferente para chegar-se ao bolivarianismo tupiniquim.

A nova classe média endividada. O Bolsa Família comprando cada vez menos. Estudantes formados pelos prounis da vida sem emprego, vítimas da má formação para o mercado de trabalho. E Dilma afirmando que os médicos cubanos são melhores que os nossos brasileiros.

Os partidos de apoio buscam alternativas. Os ratos vão abandonando o navio.

O Poder Judiciário continua sob o ataque feroz do PT, que despreza o estado de direito e ofende a cidadania. Tudo isso em nome de um projeto de poder, pois projeto de governo não há.

São ratazanas em desespero com a perspectiva da perda do esquema criminoso que transformou o Brasil em feudo de bandidos.

Continuo sem acreditar nas pesquisas de opinião. Para mim, Dilma está ainda menor do que as pesquisas indicam.

 

No Rio, UPPs batem recorde de PMs feridos e mortos

Por Leslie Leitão, na VEJA.com:
Por volta das 9h desta quinta-feira, 1º de maio, o Rio de Janeiro bateu um triste recorde. O soldado Wilson Sturião de Aragão, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora do Alemão, foi atingido no maxilar por um tiro disparado por traficantes. Ele foi o 25º PM ferido este ano nas UPPs – número que supera os 24 baleados nessas unidades ao longo de 2013. Os números de policiais mortos e baleados nas favelas chamadas de “pacificadas” pelo governo do Estado expõem uma crise que parece resistir às medidas emergenciais adotadas até agora, como envio de militares do Exército e a criação de delegacias em favelas. A crise nas UPPs, a menos de dois meses da Copa do Mundo de 2014, ganha repercussão na imprensa internacional, que cita casos como a morte do dançarino Douglas Rafael da Silva, o DG, e os ônibus incendiados ao longo da última semana.

O número de mortos também é recorde. Foram quatro mortos nas UPPs este ano, em comparação com três no ano passado. O crescimento de policiais vítimas de tiros é alarmante. Até 2011, eram raros os tiroteios nessas favelas – o que fez com que muitas delas entrassem para o roteiro turístico do Rio. E, no Alemão, a “pacificação” foi tema de novela – ‘Salve Jorge’, no horário das 21h. Em 2012, quando os bandidos intensificaram os ataques para tentar recuperar o território perdido, foram cinco mortes e nove feridos por tiros.

Nas últimas 24 horas, três policiais militares foram baleados só no Complexo do Alemão. Dois deles são lotados no Batalhão de Operações Especiais (Bope), que desde março reforça o policiamento no conjunto de favelas. Os dois foram feridos por volta das 7h30 de quarta-feira: o cabo Robson Henrique da Silva, ferido em uma das pernas; um segundo policial do batalhão foi atendido em uma unidade particular, e o nome ainda não foi confirmado. O terceiro ferido é o soldado Sturião, internado no Hospital Getúlio Vargas.

 Nas redes sociais, os policiais militares deflagraram uma campanha: “Eu não mereço ser assassinado”. O movimento, além de representar o risco para os agentes de segurança nas favelas, serve como um grito de socorro da população. Se os homens armados e treinados para evitar que os moradores sejam vítimas de bandidos estão em perigo, que garantia o Estado pode proporcionar ao cidadão comum? As mortes de PMs ocorrem simultaneamente a um aumento nas ocorrências de roubos e furtos. Como mostrou reportagem do site de VEJA, o último mês de janeiro foi o com maior registro de roubo nos últimos dez anos.

 Em meio à crise nas UPPs, o governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, desdobram-se para conter outro problema: o das áreas sem UPPs que passaram a abrigar traficantes. É essa a reclamação recorrente em cidades da Baixada Fluminense e na região metropolitana, como Niterói e São Gonçalo. Em Niterói, onde os assaltos levaram a população às ruas para pedir mais segurança, foi inaugurada esta manhã uma companhia destacada da PM no Morro do Cavalão, no bairro de Icaraí. No evento, Pezão pediu “punições mais rígidas” para assassinos de policiais. “Temos que discutir isso a nível nacional, fazer uma emenda constitucional ou o que precisar ser feito dentro da nossa Constituição. Quem mata policial precisa receber pena dobrada. Vou dedicar o meu tempo nesses oito meses para levar esse debate ao Congresso Nacional”, disse Pezão. “Os PMs estão sendo mortos covardemente, pelas costas”, admitiu.

Por Reinaldo Azevedo

 

Petistas ficarão felizes com prisão de Genoino; o partido, ultimamente, só tem vilões; faltam os “heróis”

O ministro Joaquim Barbosa — na verdade, foi uma instituição chamada STF — determinou a suspensão da prisão domiciliar de José Genoino e a sua volta para o regime semiaberto da Papuda. Como se trata, então, do semiaberto, logo ele poderá arrumar um emprego — poderia ser auxiliar de Delúbio Soares na CUT, por exemplo — e deixar a cadeia para trabalhar.

Vai haver uma chiadeira danada entre os petistas, que decidiram que Genoino é seu mártir oficial. A Justiça tem de tomar decisões com base em laudos técnicos. Não tem de ceder ao alarido e à pressão das ruas. Sucessivos exames médicos demonstraram que a patologia cardíaca do ex-deputado não é incompatível com a sua presença na Papuda. De resto, insisto: em breve, ele estará apenas dormindo na cadeia.

Torço para que Genoino tenha vida longa. Também conversei com especialistas. São unânimes em dizer que o risco de ele ter um evento cardíaco fatal é o mesmo da larguíssima maioria das pessoas. Logo…

Nada disso, no entanto, vai conter a turba. No fim das contas, há quem esteja feliz entre os petistas. Ultimamente, o PT anda com falta de heróis. Sobram é vilões por lá.

Por Reinaldo Azevedo

 

Papuda: nesta terça, na cela do detento 95.413, teve futebol na TV de plasma

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
Nesta terça-feira, uma comissão de deputados federais de diferentes partidos fez uma visita ao mais destacado detento da Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, o ex-ministro José Dirceu. O objetivo do grupo, formado majoritariamente por aliados do petista, era tentar atestar que o petista não detém regalias na cadeia e pressionar a Justiça a liberá-lo para trabalhar fora da Papuda durante o dia. Mas não foi o que ocorreu. Ao chegar ao presídio, os parlamentares encontraram o detento 95.413 em uma cela privilegiada, eufórico diante de uma televisão de plasma que exibia a vitória do Real Madrid sobre o Bayern de Munique pela Liga dos Campeões da Europa. “Estou assistindo ao Real dar uma surra no Bayern”, disse o mensaleiro, sorridente, ao receber a comitiva em sua cela. O time espanhol goleou o rival alemão por 4 a 0.

Segundo relato do deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), a cela do petista é a maior do complexo, equipada com micro-ondas, chuveiro quente, televisão e uma cama diferente das demais. Dirceu foi colocado em um espaço de 23 m² no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), cujas celas têm padrão de 15 m² e reúnem até quatro detentos. O local servia de cantina, mas passou por uma reforma para receber o ex-ministro.

“A cela do Dirceu é completamente diferente das outras que a gente viu, não há dúvidas. Vimos pessoas com deficiência física que deveriam ficar separadas porque os presos pegam parte da cadeira de rodas para fazer armas. Mas elas seguem misturadas, dormem em colchões piores e tomam banho em chuveiro frio”, afirmou a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é cadeirante.

Os deputados de oposição reclamaram que o coordenador-geral da Sesipe (Subsecretaria do Sistema Penitenciário), João Feitosa, impôs uma série de restrições durante a visita: “Ele queria nos mostrar a cantina, as melhores celas e que seguíssemos o roteiro definido por ele. Disse ainda que não poderíamos ir a outros setores por falta de acessibilidade para a deputada Mara”, disse Jordy. Após a insistência, foram liberados três dos cinco parlamentares para visitar outras alas da penitenciária — inclusive a própria Mara Gabrilli, que negou ter enfrentado dificuldades durante o trajeto. Além de Jordy e Mara Gabrilli, integraram a comitiva os deputados Nilmário Miranda (PT-MG), Luiza Erundina (PSB-SP) e Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Podólogo
No mês passado, VEJA revelou uma série de mordomias de Dirceu na Papuda. O petista passa a maior parte do dia no interior de uma biblioteca onde poucos detentos têm autorização para entrar. Lá, ele gasta o tempo em animadas conversas, especialmente com seus companheiros do mensalão, e lê em ritmo frenético para transformar os livros em redações, o que lhe pode garantir dias a menos na cadeia. O ex-ministro só interrompe as sessões de leitura para receber visitas – incluindo um podólogo –, muitas delas fora do horário regulamentar e sem registro oficial algum, e para fazer suas refeições, especialmente preparadas para ele e os comparsas.

Comandada pelo PT, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou a diligência até a Papuda com o objetivo de negar a existência de benefícios aos condenados no julgamento do mensalão e, dessa forma, evitar sanções aos mensaleiros. Além de pressionar pela liberação do trabalho externo para Dirceu, petistas temem que seus companheiros sejam transferidos para uma penitenciária com regime mais duro.

Dirceu está sendo investigado pela Justiça por ter usado um celular dentro da cadeia do secretário da Indústria, Comércio e Mineração do governo da Bahia, James Correia, no dia 6 de janeiro. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, cobrou investigações sobre essa e outras regalias de Dirceu e aguarda um parecer para decidir sobre a autorização para ele trabalhar em um escritório de advocacia.

Por Reinaldo Azevedo

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Comissão de Direitos Humanos vai visitar Dirceu na Papuda. Um Engov antes e um depois, leitores!

Leitor, tome um Engov antes.

Agora dá para entender por que as esquerdas queriam tanto comandar a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, né? A dita-cuja, neste momento, deve estar lá na Papuda, verificando as condições em que José Dirceu, este mártir da República, está preso. Deve estar sofrendo horrores, não é mesmo? Reportagem da VEJA já demonstrou os privilégios de que desfruta o mensaleiro.

Há mais de 500 mil encarcerados no Brasil se formos considerar os presídios e as cadeias, que abrigam irregularmente presos condenados. Mais de 70% vivem em condições consideradas inadequadas para quem está sob a guarda do estado. Em alguns casos, como Pedrinhas, no Maranhão, do companheiro (deles) José Sarney, o presídio é sinônimo de inferno. Mas a comissão não tem tempo para essa gente, não.

Também não se ocupa em saber como vivem os 20 mil haitianos que já imigraram irregularmente para o Brasil. E que agora estão sendo despejados em São Paulo pelo governo petista do Acre.

Mas, vejam vocês, os diligentes companheiros foram à Papuda ver como sofre José Dirceu. A propósito: contra a vontade dos “companheiros”, consta que a deputada tucana Mara Gabrilli resolveu integrar o grupo. Pois é… Eles não queriam que Mara fosse de jeito nenhum. Por quê? Eu relembro.

Mara afirmou no último dia 9, durante audiência pública na Comissão de Segurança da Câmara, que o atual ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, “pegava recursos extorquidos de empresários” em Santo André durante o governo do ex-prefeito da cidade Celso Daniel, assassinado em 2002. Carvalho estava presente à audiência, para a qual foi convocado pelos deputados da comissão. Mara Gabrilli disse que o próprio pai teria sido extorquido e que Carvalho era conhecido como o “homem do carro preto”. Disse então: “O senhor sempre foi conhecido como o homem do carro preto, e eu não falo isso porque eu li, eu falo isso porque eu vi. O homem do carro preto era o homem que pegava os recursos extorquidos de empresários e levava para o [ex-presidente do PT] José Dirceu”.

José Dirceu vem a ser o coitadinho que está sendo paparicado pela comissão.

Se for o caso, leitor, tome um Engov também depois.

Por Reinaldo Azevedo

 

É isto mesmo, Padilha! Não desista! Vá até o… fim!

Pois é… Quanto mais Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e atual pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, tenta se desvencilhar do caso Alberto Youssef-Labogen, mais ele insiste em sair do armário e bater à sua porta, como uma cadáver ambulante que ainda procria; como um zumbi. As palavras de efeito têm adiantado muito pouco.

Nesta segunda, no programa “Roda Viva”, ele anunciou que seu advogado acionaria na Justiça, nesta terça, o deputado André Vargas, agora sem partido. Por quê? Em conversa com Youssef, Vargas afirmou que Padilha indicara Marcus Cezar Ferreira de Moura para a direção do laboratório-fachada Lobogen — sim, o rapaz ganhou mesmo o cargo. Escrevi aqui o óbvio: ainda que venha realmente a recorrer aos tribunais, e não consta que o tenha feito, a decisão é inócua, não serve pra nada. Aquela foi uma conversa privada, captada pela PF. É claro que Vargas vai desmentir.

Ocorre que, enquanto Padilha se ocupava dessa operação despiste, Leonardo Meirelles, sócio do laboratório Lobogen, afirmou à PF que Marcus Cezar — ex-assessor do então ministro e seu amigo; o petista o chama de “Marcão” — era, sim, o contato entre o labarotório-fantasma e o Ministério da Saúde. Só para lembrar: esse Meirelles é um “autônomo”, sem profissão definida. Outro suposto sócio do Labogen é o frentista Esdra Ferreira. Ambos são considerados meros laranjas de Youssef.

Já era o bastante para atrapalhar a vida de Padilha. Mas agora há outra coisa. Veio a público, nesta terça (leia post), a informação de que Youssef, em conversa com a parceira de profissão Nelma Kodama, também doleira, prometeu que, se o petista vencer a eleição, um delegado indicado por ela seria premiado com um cargo na Polícia Civil.

Nelma pergunta a Youssef: “Você tem acesso ao delegado-geral do Estado de São Paulo?”. A mulher queria, ora veja, indicar um delegado para o Deic, que é Departamento Estadual de Investigações Criminais, justamente a unidade especializada no combate a organizações criminosas, como as chefiadas por… Youssef! E o que responde o doleiro? Isto: “Se o Padilha ganhar o governo, ajudo ele e muito”.

O ex-ministro, claro, pode dizer que Vargas mentiu quando afirmou que ele indicara o diretor da Lobogen e que Youssef, o amigão do deputado, também está mentindo quando diz que poderá ajudar a nomear um delegado amigo se o PT vencer as eleições. Resta saber por que essa gente toda recorre tanto ao nome de Padilha, justamente o ex-titular do ministério que havia feito o acordo com a Lobogen.

Padilha está tentando manter o nariz fora d’água, mas está difícil. Os petistas dizem que isso não muda em nada a sua campanha. Dou um conselho ao petista: “É isto mesmo: não desista! Vá até o fim, valente! Torço para que não haja mudança de planos. Ninguém tem tanto a cara do PT como o senhor”.

Por Reinaldo Azevedo

Tags: Alberto YoussefAlexandre Padilha

 

Didática socialista

colegio militar

Polêmica na sala de aula

Uma professora de Geografia que lista vantagens do socialismo em relação ao capitalismo a alunos de 13 e 14 anos em um colégio militar. É difícil, mas acredite: tem acontecido no Colégio Militar do Rio de Janeiro e assustado pais de alunos.

O material distribuído contém, conforme explica o rodapé, “experiências dos países que aplicaram na prática o socialismo e o capitalismo”. Beleza. Mas o que se lê, contudo, não condiz com a História. Os tópicos mostram, sim, traços da teoria socialista, mas que ficaram no papel nos lugares em que ela foi posta em prática.

Entre outros pontos, diz a professora sobre a experiência socialista: “o governo garante o necessário para a sobrevivência das famílias. Baixíssimo índice de pobreza”, “a renda derivada da produção é socializada entre os trabalhadores” e “baixa desigualdade social”.

Militar, o pai de uma garota de 13 anos soube das aulas ao acompanhar o material da filha. Ouviu dela, concluindo uma análise das diferenças entre os dois sistemas apresentadas pela professora, que “o Brasil deveria ser socialista”:

- Ela sempre quis estudar lá. Tenho evitado reclamar com o colégio para não prejudicá-la.

Por Lauro Jardim

 

Credibilidade zero

De molho

Ataques a Ipea e IBGE

José Sarney é daqueles que xinga o carteiro portador da notícia ruim. Sarney usou a coluna que mantém no seu jornal, O Estado do Maranhão, na edição de anteontem, para descer a borduna no Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e no IBGE.

Ambos divulgam dados que, vira e mexe, deixam o Maranhão nas últimas colocações de rankings dos estados brasileiros. Segundo o Ipea, por exemplo, o estado onde a oligarquia Sarney manda e desmanda tem o segundo pior IDH do Brasil.

Sarney aproveitou o mico do Ipea, que divulgou dados errados sobre o percentual de homens favoráveis ao estupro de mulheres vestidas com roupas curtas, para pôr em dúvida toda e qualquer pesquisa do instituto. Porém, o argumento de Sarney para defender o Maranhão e o governo de sua filha tem o mesmo valor de uma nota de 3 reais.

Diz Sarney no texto:

- Basta ver nossa terra, seu dinamismo, seu crescimento para verificar que elas (as pesquisas) estão fraudadas.

Cada um acredita no que melhor convém.

Por Lauro Jardim

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veja.com.br

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