Dilma consegue o inédito: a possibilidade de reeleição é que é vista como risco de instabilidade...

Publicado em 10/07/2014 05:06 e atualizado em 11/08/2014 11:06 2784 exibições
por Reinaldo Azevedo, com Augusto Nunes e Ricardo Setti, de veja.com.br

Dilma consegue o inédito: a possibilidade de reeleição é que é vista como risco de instabilidade

A presidente Dilma Rousseff (PT) está logrando um feito verdadeiramente inédito. Nunca antes na história deste país, a possibilidade de reeleição do governo de turno gerou turbulências no mercado. Acontecia justamente o contrário: era a perspectiva de mudança que gerava intranquilidade. Negociantes, no melhor sentido da palavra, aceitam correr riscos, sim. Mas gostam de regras — e de regras conhecidas. A suspeita de que qualquer coisa pode acontecer e de que tudo é possível tem preço — para baixo.

Em 1994 e 1998, quem despertava temores no mercado era o PT de Lula, que perdeu as duas disputas no primeiro turno. A reeleição das forças governistas representava estabilidade. Em 2002, a possibilidade de o petista vencer a disputa custou caro ao país. A especulação passou a comer solta, a inflação disparou, e o país teve de recorrer ao FMI — uma solução negociada com os companheiros, diga-se. Por quê?

Mesmo com a “Carta ao Povo Brasileiro”, em que o partido prometia seguir as regras de mercado, respeitar contratos e não dar calote em ninguém, havia uma grande e justificada desconfiança. Afinal, o PT passara 21 anos prometendo intervir na economia com mão forte — e não se descartava calote por lá nem da dívida interna nem da externa. Antonio Palocci se encarregou de evidenciar, no primeiro ano de sua gestão, que aquela conversão à realidade era para valer. A tensão passou.

Nas eleições de 2006 e 2010, esse era um não-assunto. Vencesse Dilma, Alckmin ou Serra, ninguém antevia grandes problemas pela frente. Aliás, se vocês recuperarem o noticiário da disputa em 2010, encontrarão alguns cretinos, fingindo-se de fundamentalistas de mercado, mas atuando como esbirros do PT, a falar, creiam, de um tal “risco Serra”.

Ou por outra: nas disputas de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, o governismo nunca foi encarado como risco pelo mercado. Ela era sempre a solução — porque, reitero, os agentes econômicos preferem a certeza de turbulência às incertezas da escuridão.

Nesta quinta, acreditem, o mercado reagiu bem à derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha por 7 a 1 porque considerou que isso eleva a possibilidade de Dilma perder a eleição. A Bolsa no Brasil se descolou do mercado internacional, que teve um mau dia: no fim da sessão, o Ibovespa fechou em alta de 1,79%, aos 54.592,75 pontos, maior patamar desde 20 de junho (54.638,19 pontos).

E olhem que o Ibovespa resistiu até a indicadores ruins. Segundo o IBGE, a produção industrial recuou em sete dos 14 locais pesquisados de abril para maio. Os destaques foram as retrações verificadas no Amazonas (-9,7%), Bahia (-6,8%) e Região Nordeste (-4,5%).

Nunca antes na história “destepaiz”, a possibilidade de reeleição do governo foi encarada como um risco.

Por Reinaldo Azevedo

 

Depois de tentar pegar carona na Seleção, Dilma busca se descolar do desastre dos 7 a 1

Na segunda, a presidente Dilma estava batendo papinho no Facebook — desocupação é a morada do capeta — para atacar os “urubus do pessimismo”, tentando pegar carona até na contusão de Neymar. Mandou um “É TOIS” e ainda posou fazendo um “T” com os braços, logo transformado por um gaiato nas redes sociais num “7”, referência ao número de gols da Alemanha (vejam post). Reportagem da Folha de hoje informa que a Soberana, que havia decidido faturar com a Copa, agora busca um modo de se descolar do evento — sempre elogiando, claro!, a garra dos brasileiros.

Nota à margem: a exemplo do que fez reportagem do Estadão, também a da Folha incorre num erro, a saber: “O fracasso aventado pela oposição na logística da Copa não aconteceu”. Pergunta: quando foi que “a oposição” aventou “o fracasso logístico” da Copa? Quem da oposição? Que político? Que partido? Que nome? Apontar problemas não é antever fracasso ou caos. Nesse particular, mais a imprensa tem do que se penitenciar do que a oposição, não é mesmo? Ou nem tem. Ao apontar problemas, que houve às pencas, o jornalismo cumpre a sua função. E a oposição também. Jogar nas costas dos adversários do PT a antevisão do insucesso da Copa é só endossar uma pauta petista, voluntária ou involuntariamente. Não haveria nada de errado nisso se fato fosse. Mas não é. A menos que surjam as evidências. Sigamos.

Dilma concedeu uma entrevista à rede norte-americana CNN e disse coisas como: “Sei que somos um país que tem uma característica bastante peculiar: nós crescemos na adversidade”. Isso é peculiar, é? EUA, Japão, Coreia do Sul e Alemanha, para citar alguns países, sucumbiram às suas respectivas adversidades? De resto, estamos de volta à cascata de sempre. NÃO ACONTECEU TRAGÉDIA NENHUMA COM O PAÍS. Aconteceu foi um vexame, um desastre, mas com a Seleção Brasileira, que não é o Brasil. Ela é, sim, uma das expressões da nacionalidade. E só! A esmagadora maioria de nós se sente representada por ela, MAS É UMA REPRESENTAÇÃO QUE SE DÁ APENAS NO CAMPO DE FUTEBOL.

Quem tenta transformar o esporte em manifestação política é gente como Dilma Rousseff e Lula. Vejam que curioso: o Brasil venceu uma Copa em 1994. O presidente era Itamar Franco. Quem ganhou a eleição, como é sabido, foi o Plano Real, representado por FHC. Pesquisei. Não há textos tratando do binômio Copa-eleição. A nossa Seleção voltou a vencer em 2002. O presidente era FHC. Quem venceu a disputa eleitoral pouco mais de três meses depois foi Lula. Pesquisei de novo. Ninguém relevante se ocupou de especular se o “penta” ajudava o governo ou a oposição.

E é fácil de saber o motivo. Itamar ficou longe da bola. FHC fez o mesmo. E olhem que este pode se dizer ainda hoje pé quente, não? Era o homem do Real em 1994 e o presidente em 2002. O PT estaria mais para seca-pimenteira se fosse o caso de ligar a política à pelota. Por que isso agora é um assunto? Também essa questão tem resposta fácil: porque o PT politizou o torneio desde que o Brasil foi declarado a sede do evento de 2014. As ruas, nunca a oposição, lançaram o “Não vai ter Copa” — movimentos, aliás, que eram interlocutores de Gilberto Carvalho.

Estava, sim, em curso uma onda “ninguém segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Essa gente não cria “black list” de jornalistas à toa. Isso não quer dizer que o povo cairia na conversa. Quer dizer apenas que a tentativa de manipulação estava em curso. Agora Dilma busca pular fora, sob o risco de entregar a taça a Lionel Messi, em pleno Maracanã.

Por Reinaldo Azevedo

 

Minha coluna na Folha de hoje: “Dilma simula pênalti: Schwalbe!”

Leiam trechos de minha coluna na Folha de hoje.

Aos 17 minutos do primeiro tempo, no desastre de terça-feira (8), a seleção brasileira já perdia para a alemã por um a zero quando Marcelo, atendendo a um chamado do atavismo macunaímico, caiu na área, simulando um pênalti. O zagueiro alemão Jérôme Boateng, cujo pai é ganês, se zangou. Deu-lhe uma bronca humilhante. Os alemães execram esse teatro ridículo e têm uma palavra para defini-lo –na verdade, uma metáfora: “Schwalbe”, que quer dizer “andorinha”. É um pássaro de asas curtas em relação ao corpo e que voa rente ao solo, lembrando o atleta que agita, desajeitado, os braços ao encenar uma falta que não existiu. Boateng chegou a imitar com as mãos o voo da “Schwalbe”. Naquele pênalti patético cavado por Fred contra a Croácia, a imprensa alemã o chamou de “Schwalbinho”, acrescentando à palavra o sufixo do diminutivo que costuma vir colado a nomes de alguns de nossos craquinhos.

Apesar da humilhação dos 7 a 1, nunca foi tão civilizado perder. Os alemães vieram dispostos a conquistar também o coração dos brasileiros. Jogaram um futebol bonito, honesto, respeitoso. Quando os canarinhos estavam sem ânimo até para imitar andorinhas, os adversários não começaram a dar toquinhos de lado, a fazer firulas ou gracejos destinados a humilhar quem já não tinha mais nada. Ao contrário: um deles aplaudiu o gol de honra de Oscarzinho.
(…)
A simulação da falta é um vício nacional. No futebol, na vida, na política. Acusar o adversário de uma transgressão que ele não cometeu é uma falha moral grave. Trata-se de reivindicar a licença para reagir àquilo que não aconteceu, tentando fazer com que o outro pague uma conta indevida. Um dia antes da partida fatídica, a presidente Dilma Rousseff, demonstrando que anda com pouco serviço –e só gente muito ocupada tem tempo de fazer direito o seu trabalho–, resolveu participar de um bate-papo numa rede social. Exaltou o heroísmo de Neymar, discorreu sobre a garra do povo brasileiro e, ora vejam!, censurou os “urubus do pessimismo”.
(…)
Ouça o que diz Boateng, presidente! Levante-se da área! Jogue limpo! É muito melhor vencer com honra. Ou honrar o vencedor.
*
Para ler a íntegra da coluna, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma agora quer estatizar o futebol! Sai pra lá!

Epa! Sinal vermelho no futebol. Mais propriamente, com uma estrela vermelha. Depois da derrota humilhante por 7 a 1 para a Alemanha, Dilma e o PT estão à caça de bodes expiatórios. A presidente tentou usar o torneio para faturar politicamente, como é sabido por todos. A simples menção de que havia um problema ou outro na Copa ou de que a nossa Seleção era, na verdade, medíocre, com um destaque positivo ou outro, a máquina de propaganda petista logo tachava o crítico de “pessimista”, de antipatriota. A verdade é que a propaganda tentou demonizar os que não aderiram ao patriotismo tosco.

Muito bem! A derrota acachapante está aí. Há o risco considerável de Dilma ter de entregar a taça a Lionel Messi, o capitão da Seleção Argentina. Ora, é claro que argentinos também podem vencer — até porque têm um time muito mais arrumado do que o nosso. Mas isso, para os brasileiros que gostam de futebol, têm um peso simbólico.

Como Dilma resolveu vestir chuteiras, embora os torcedores lhe tenham recomendado que ficasse longe da questão, receberá, sim, parte da carga negativa pela derrota. Muito bem! Um site ligado ao PT e à campanha (re)eleitoral da presidente, chamado “Muda Mais”, descobriu o verdadeiro culpado: a CBF. Escrevem lá: “A organização do futebol brasileiro está ultrapassada e presa ao nome de poucas figuras que revoltam o torcedor faz algumas décadas. Impera na CBF um sistema que em nada lembra uma instituição democrática e transparente. É preciso mudar”.

Num outro front, o ministro Aldo Revelo, dos Esportes, afirmou que o Estado tem de atuar mais na área. Aldo e o PT não pensam necessariamente a mesma coisa. E o ministro tem sido, até onde sei, uma pessoa correta. Mas vamos com calma com esse discurso! Se a CBF não é exatamente uma conspiração de anjos, não será atrelando a confederação ao Estado que vamos conseguir resolver os problemas. Nas grandes praças de futebol do mundo hoje — Espanha, Itália ou Alemanha —, o dinheiro estatal se mantém longe dos estádios.

Ao contrário: precisamos é limpar o futebol da influência política, isto sim. Quanto mais próximo da iniciativa privada estiver, melhor. A conversa mole do site petista lembra a pregação dos primeiros anos do PT, lá na década de 80, quando o partido prometia renovar a política. Deixem-me ver como se deu a renovação: hoje, os petistas estão aliados a Paulo Maluf, a José Sarney, a Jader Barbalho e a Fernando Collor, entre outros. Todos os vícios das velhas oligarquias foram preservados, aos quais se somaram os novos, da oligarquia sindical.

Em entrevista à rede de TV americana CNN, disse a presidente:
“O Brasil não pode mais ser apenas exportador de jogadores. Exportar jogadores significa que estamos abrindo mão de nossa principal atração, que pode ajudar a lotar os estádios. Até porque, qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar a torcida ver os craques. Há anos, muitos jogadores brasileiros têm ido jogar fora, então renovar o futebol no Brasil depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”.

É um raciocínio um tanto pedestre, e óbvio, para questão complexa. O que quer a nossa soberana? Estatizar os jogadores? Que a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comecem a comprar passes de jogadores?

Qualquer que seja a solução, ela passa longe da canga estatal. Até porque a Fifa entregou ao Estado brasileiro a realização da Copa do Mundo. O torneio está na fase final, e o evento é, em si, um sucesso. Mas tudo aquilo que o governo prometeu aos cidadãos não foi entregue. E isso é apenas um fato. Precisamos é de mais mercado e menos estado no futebol, isto sim.

Por Reinaldo Azevedo

 

A FALA PREMONITÓRIA DE LULA EM 2007: “Vamos realizar uma copa do mundo pra argentino nenhum botar defeito”. Nem diga!

Ah, como fala este apedeuta seca-pimenteira! Vejam o que disse Lula em 2007 sobre a Copa do Mundo de 2014, naquele tom bravateiro de sempre.

Retomo
Nem diga! Até agora, os argentinos estão adorando. Já são os vice-campeões. E, não sei, não, é grande a chance de que a Governanta entregue a taça para Lionel Messi. Isso, sim, seria um “Maracanazo”, né? 

Por Reinaldo Azevedo

 

O GESTO PREMONITÓRIO DE DILMA EM 2014: 7 a 1

Sei que vocês já viram porque circula nas redes sociais. Agora está aqui também. Eis o símbolo da urucubaca.

Dilma 7 a 1

Por Reinaldo Azevedo

 

História em Imagens

O Lula do vídeo nem desconfiou que havia uma Alemanha no meio do caminho: ‘Como tá boa a Copa do Mundo, gente do céu!’

Excitado com a chegada do Brasil às oitavas de final, anabolizado pelo almoço em que matou a sede, Lula aproveitou o comício em Curitiba para fazer da Copa da Roubalheira um instrumento de caça ao voto. O vídeo registra o trecho em que o palanque ambulante, neste 3 de julho, propõe que a Fifa transforme numa Copa sem Fim o Mundial disputado a cada quatro anos:

“Ai gente, como tá boa a Copa do Mundo, gente do céu! A gente não vê mais aqueles programas da tarde, que morre gente toda hora, não vê mais, puta merda, como era bom ter jogo à uma, ter jogo às quatro, o povo tá mais bem humorado, ó a cara de vocês como é que tá, mais feliz…puta merda, porque tem programa que a gente assiste, dá vontade da gente sair de casa, se trancar embaixo do cobertor e ficar lá”.

O embusteiro vocacional não desconfiou que havia uma Alemanha no meio do caminho. Nem poderia imaginar que o carnaval temporão seria bruscamente interrompido por 7 a 1. Na tarde em que o Brasil disputará com a Argentina ou a Holanda um improvável terceiro lugar, vai ficar trancado em casa, escondido sob o cobertor. E talvez troque palavrões por orações.

Se cumprir a promessa de ver a final no Maracanã, Dilma poderá medir a taxa nacional de felicidade com a reprise da frase que abre o falatório de Lula: “Ai gente, como foi boa a Copa do Mundo, gente do céu!” Estará no lucro se escapar do coro que ouviu no Itaquerão. Mas a vaia será mais estrondosa que a goleada que encerrou o Carnaval temporão no Brasil Maravilha.

(por Augusto Nunes)

 

CATÁSTROFE DO MINEIRÃO: ENTREVISTA IRRITADIÇA E ARROGANTE DE FELIPÃO E PARREIRA É O FIM DA PICADA!

Felipão mostra dados sobre partidas e jogadores durante a arrogante entrevista coletiva da comissão técnica de hoje (Foto: Mowa Press)

Felipão mostra dados sobre partidas e jogadores durante a arrogante entrevista coletiva da comissão técnica de hoje (Foto: Mowa Press)

Lamentável e triste a entrevista coletiva arrogante e irritadiça concedida agora há pouco na Granja Comary pela Comissão Técnica da Seleção — com o técnico Felipão e o coordenador Carlos Alberto Parreira à frente — para abordar a catástrofe do Mineirão.

(Leiam reportagem do site de VEJA aqui.)

Nada de pedir desculpas à torcida!!!

Nada de admitir, claramente, os próprios erros!!!

Defender os jogadores, como fizeram Felipão e Parreira, é fácil e nem é preciso — os principais culpados pela catástrofe foram quem dirigiu a Seleção e os cartolas mentecaptos que formaram a Comissão Técnica!!!

E Felipão e Parreira ainda ficaram bravos com perguntas de jornalistas!

Deram lições de moral!

É o fim da picada!!!

Felipão chegou a praticamente COMEMORAR que a Seleção tenha chegado à semifinal!

Acho que o excelente comentarista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, que já da cabine de transmissão da partida Argentina x Holanda resumiu tudo numa frase:

– Os caras não baixam a cabeça, embora estejam com a cara na lona.

Num país decente, estariam todos demissionários.

(por Ricardo Setti)

 

Política & Cia

ELIO GASPARI: Os riscos de uma campanha presidencial tipo Zúñiga

A má recordação inesquecível desta Copa: o colombiano Zúñiga acerta a coluna de Neymar com o joelho (Foto: gazetaesportiva.net)

A má recordação inesquecível desta Copa: o colombiano Zúñiga acerta a coluna de Neymar com o joelho (Foto: gazetaesportiva.net)

Artigo do colunista Elio Gaspari publicado no jornal O Globo

Nos próximos dois meses não vai ter Copa, vai ter campanha eleitoral.

Da Copa ficará a lembrança de uma festa, de um desastre, das traficâncias dos amigos da FIFA, do soco de Rodrigo Paiva em Pinilla, da mordida de Suárez em Chiellini e, acima de tudo, do joelhaço de Zúñiga em Neymar.

Caberá a Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos decidir que tipo de campanha farão. Podem escolher a elegância de James Rodríguez ou um modelo Zúñiga 2.0. Um jogou para um gol inesquecível. O outro, para destruir o adversário.

Em 2002 os Zúñigas do tucanato apresentavam uma eventual vitória de Lula como a bancarrota do país. (Um dólar de R$ 4 era boa aposta.)

Em 2006 foi a vez dos Zúñigas petistas: se Alckmin fosse eleito venderia a Petrobras.

Os três candidatos: escolherão o modelo James Rodríguez de campanha eleitoral ou o modelo Zúñiga? (Foto publicada na coluna de Ricardo Noblat, em O Globo)

Os três candidatos: escolherão o modelo James Rodríguez de campanha eleitoral ou o modelo Zúñiga? (Foto publicada na coluna de Ricardo Noblat, em O Globo)

Quatro anos depois, Dilma Rousseff, por sua posição diante do aborto, seria uma matadora de criancinhas. Os dois lados prenunciavam o fim do mundo.

Até agora nenhum candidato mostrou simpatia pelo modelo de James Rodriguez.

A doutora Dilma lançou-se com platitudes (“Brasil sem Burocracia”, “Banda Larga para Todos”). Aécio Neves oferece “gestão”, um conceito saudável, porém neutro, como as boas maneiras.

Os repórteres Vandson Lima e Raquel Ulhoa mostraram que no dia 28 de junho o doutor Eduardo Campos comprometeu-se a garantir escolas em tempo integral para todas as crianças do país.

Foram procurar a boa nova nas diretrizes gerais que ele registrou no TSE uma semana depois e, cadê? Sumiu a promessa.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

(por Ricardo Setti)

 

TEMPO NA TV – Distribuição rebaixa a política. Ou: Negociatas com bens públicos

Saiu a distribuição oficial do tempo de rádio e televisão. Ela expõe, por si, a imoralidade em que se transformou isto que, em tese, seria uma forma de privilegiar a democracia. O tempo transformou-se em mercadoria, em moeda de troca. Por causa dele, governos de turno, nas três esferas da administração, loteiam a coisa pública. Uma reforma política que fosse levada a sério começaria por rever essa indecência. Mas, claro!, isso não vai acontecer.

TABELA DO TEMPO NA TV

E atenção! Não escrevo essas coisas porque Dilma ficou com um latifúndio, não. Essa é a minha opinião desde que essa estrovenga existe. Vamos lá. A candidata do PT ficou com 11min48s do tempo — ou 47,2% do total. É o que resulta da coligação de nove partidos: PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB e PRB.

O tucano Aécio Neves tem o segundo maior tempo, mas que corresponde a menos da metade daquele destinado à sua adversária: 4min31s. Também ele conta com o apoio de nove legendas. Muitas, no entanto, são pequenos partidos, que rendem apenas alguns segundos. São eles: PSDB, PMN, SDD, DEM, PEN, PTN, PTB, PTC e PTdoB.

Em terceiro, mas muito atrás, vem Eduardo Campos, com 1min49s. Conta com o apoio de PSB, PHS, PRP, PPS, PPL e PSL. Pastor Everaldo, candidato do PSC, terá 1min8s. Na sequência, está Eduardo Jorge, do PV, com 1min1s. Os outros seis candidatos têm menos de um minuto: Luciana Genro (PSOL), 51s; Eymael (PSDC), 47s e Levy Fidelix (PRTB), Zé Maria (PSTU), Mauro Iasi (PCB) e Rui Pimenta (PCO), todos com 45s.

Quero que o leitor tenha claro uma coisa: EU SOU CONTRA A EXISTÊNCIA DO HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO — que, para começo de conversa, gratuito não é. Nós pagamos. As emissoras de rádio e TV deixam de arrecadar impostos — e é justo que assim seja porque, afinal, no tempo em que mantêm os políticos no ar, deixam de veicular propaganda.

Uma vez existindo esse troço, é preciso haver algum critério para distribuir o tempo. E se usa como base a bancada de deputados. Ocorre que o tempo de TV deveria ser uma decorrência de alianças formadas com base em afinidades, princípios, causas comuns. Em vez disso, o que se tem é um comércio descarado. “Querem o meu tempo? Troco pelo ministério X”. Ou não vimos Dilma Rousseff tirar Cesar Borges da pasta dos Transportes por exigência do PR? Foi o preço para ela contar com o tempo de que dispunha o partido na TV. Ou vocês acham que PCdoB e PP têm uma agenda comum? A forma que tomou essa questão no Brasil envergonha a institucionalidade e a democracia. Reparem: gratuito, o tempo não é porque, insisto, nós pagamos. Então, os políticos já negociam algo que nos pertence. E o fazem em troca de nacos da administração pública, que igualmente nos pertence. Usam o que é nosso para se apropriar do que… também é nosso! Algum político terá um dia a coragem de propor o fim dessa indecência?

Por Reinaldo Azevedo

 

Lula não vai ao velório de Plínio de Arruda Sampaio: quando a grosseria se encontra com a mesquinhez

Plínio de Arruda Sampaio, que morreu nesta terça, aos 83 anos: Lula ficou longe

Plínio de Arruda Sampaio, que morreu nesta terça, aos 83 anos: Lula ficou longe

Eu não concordava com praticamente nada do que pensava e dizia Plínio de Arruda Sampaio, que morreu nesta terça de câncer, aos 83 anos, e foi sepultado nesta quarta. Há coisa de uns três ou quatro anos, tivemos um debate bastante azedo na Faculdade de Direito da USP. Ele não teve receio nenhum de dizer o que pensava sobre as minhas opiniões e as minhas escolhas políticas, e eu idem. Alguns tentaram colar em mim a pecha de agressivo porque eu não teria respeitado a sua idade — coisa de que ele, obviamente, não reclamou porque, também para bater, ele não pensava no assunto. Há pouco mais de um ano, ainda nos encontramos num bate-papo promovido pela revista “Imprensa”, aí numa conversa cordialíssima. Era um homem inteligente e educado no trato pessoal, que fez uma trajetória curiosa: o tempo o foi conduzindo cada vez mais para a esquerda. Como tinha formação intelectual bastante sólida, às vezes eu chegava a desconfiar de sua adesão a certas ideias. Eu julgava impossível que ele não soubesse que algumas contrariavam a aritmética. Era, no entanto, um militante político em sentido, vá lá, clássico (ou ortodoxo): mais valia a coerência política do que a aritmética.

Não é verdade que sempre tenha sido um homem de esquerda, como li em muitos lugares. Era, como ele próprio chegou a admitir mais de uma vez, o que se chamava um “conservador”, do Partido Democrata Cristão. Foi secretário de Carvalho Pinto. Nesse grupamento, aí, sim, alinhava-se com algumas teses da ala progressista da Igreja Católica. E foi caminhando para a esquerda, fundou o PT e dele se desligou para criar o PSOL. Tinha um pensamento até certo ponto curioso: digamos que fosse marxista nos meios, mas não na teoria. E se acrescente — no Brasil, nunca é demais — que jamais pesou qualquer sombra de dúvida sobre a sua honradez pessoal.

Muito bem! Políticos das mais diversas correntes compareceram a seu velório: muitos deles ligados à esquerda e ao PT; outros,  a partidos aos quais Plínio se opunha, como é o caso dos tucanos Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e de José Serra, ex-governador e ex-prefeito, com quem Plínio chegou a dividir uma casa nos EUA, no tempo de exílio.

Pois é… Plínio foi um fiel militante petista — nunca submisso, isso é verdade — desde a criação do partido até a sua decisão de romper com a legenda para se filiar ao PSOL. Por mais que eu discordasse também da crítica que ele fazia ao PT — onde ele via os problemas, eu enxergava algumas poucas virtudes —, sua crítica sempre foi de natureza política. Jamais enveredou para o terreno do ataque pessoal. Lula, não obstante, pouco importa o pretexto, não compareceu a seu velório.

Foi uma decisão mesquinha. Gostemos ou não disto — eu, deixo claro, não gosto —, Lula é uma das lideranças mais importantes do país e é certamente uma das referências da militância alinhada com a esquerda — ainda que seu esquerdismo tenha um viés muito particular (Plínio também diria isso por motivos distintos dos meus). Não tem jeito, não! O Babalorixá de Banânia não perdoa ninguém que desafie a sua liderança, não importa se dentro ou fora do arco de forças da esquerda.

A decisão de não comparecer ao velório remete a uma deformação moral de que já tratei aqui muitas vezes: Lula é capaz de se oferecer para lavar a biografia do pior sacripanta se este lhe cair aos pés e jurar fidelidade. E não hesita um minuto para enlamear a reputação de uma pessoa digna se esta resistir a seus encantos.

Não comparecer ao velório de Plínio é de uma grosseria política e de uma mesquinhez inaceitáveis.

Por Reinaldo Azevedo

 

Vila Madalena, a cracolândia dos descolados, evidencia como é um “país” em que a venda e o consumo de drogas são livres

A imprensa brasileira, ressalvadas algumas exceções, não deixa de ser curiosa. É escancaradamente favorável à legalização ou à descriminação das drogas — são estatutos legais diferentes que dão na mesma coisa —, mas faz ares de escândalo quando constata que a Vila Madalena, bairro da Zona Oeste de São Paulo, se transformou numa área livre para a venda de drogas. Os traficantes oferecem aquilo que o consumidor desejar aos gritos, nas ruas. A Polícia também nada faz. A Secretaria de Segurança Pública resolveu aplicar a política da “Tolerância Cem”. Não quer comprar briga com a… imprensa! Acha preferível a notícia de que a Polícia deixa de cumprir a sua função à acusação de que, sei lá, agiu de modo autoritário ao reprimir o tráfico e o consumo, ambas práticas ilegais. E que não se acuse a PM de negligência. Está cumprindo ordens. Ordens ruins, equivocadas.

No dia 02 de julho, publiquei aqui um texto que deixou muita gente revoltadinha, como se gente revoltadinha com o que escrevo me incomodasse. Afirmei que a Vila Madalena tinha se transformado na Cracolândia dos descolados. Repito o que escrevi e submeto aquele texto à realidade que agora está aos olhos de toda gente. Vamos a ele.

Na Cracolândia, não valem as leis do Código Penal. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, não vale a Lei Antidrogas. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, o Artigo 5º da Constituição, que assegura direitos fundamentais — entre eles, o de ir e vir — não tem vigência. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, os moradores reais da região não têm como reivindicar seus direitos. Na Vila Madalena, também não.

Na Cracolândia, tudo é permitido, menos cumprir a lei. Na Vila Madalena, também.

Na Cracolândia, os proprietários viram o seu patrimônio virar pó; na Vila Madalena, também.

Na Cracolândia, a via pública serve de banheiro ou de motel. Na Vila Madalena, também.

Então qual é a diferença entre a Cracolândia e a Vila Madalena: o preço que se paga para frequentar uma e outra; o estrato social de seus frequentadores; os produtos que se vendem nas ruas.

Aos leitores que não moram em São Paulo, uma informação: a Vila Madalena é um bairro ainda majoritariamente residencial, com uma forte presença de bares, lojas que fazem a linha despojado-chique e ateliês de artistas. É, sem dúvida, uma das áreas boêmias mais conhecidas da cidade. E não se pode dizer que, por ali, o apreço pelas leis seja o hábito número um.

A Copa do Mundo, no entanto, transformou a região numa sucursal do inferno, ao menos para os milhares de moradores. Desde o dia do jogo inaugural da Copa, ficou evidente que o poder público havia perdido o controle sobre a região. E, daquela data até agora, tudo tem piorado. Nesta madrugada, a polícia teve de recorrer a bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar uma, como chamarei?, comemoração de argentinos, que recorreram, entre outras delicadezas, a uma espécie de guerra com fogos de artifício.

Não, os argentinos não são o problema. O problema está numa espécie de sestro muito nosso, segundo o qual a alegria e a comemoração são incompatíveis com os direitos assegurados pela Constituição e pelas leis.

O prefeito Fernando Haddad diz que algo precisa ser feito. É mesmo? À Folha de São Paulo, ele afirmou: “Eu estou pedindo ao secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, que está à frente desse processo, repactuar para que não haja novos incidentes. Nada grave aconteceu ontem, mas podíamos ter passado sem incidentes”.

Quem? Roberto Porto? O mesmo que responde pela, digamos, segurança justamente da… Cracolândia? Aquele mesmo que, na visita do príncipe Harry àquele outro pedaço do inferno, comentou: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Ou por outra: o secretário admitiu que o rapaz se interessara por uma experiência de descumprimento contumaz da lei pelo poder público.

Saibam: não há incompatibilidade nenhuma entre a alegria e o cumprimento das leis democraticamente pactuadas. Até porque, é o cumprimento das regras que assegura a liberdade. Admitir alguma contradição nessa relação seria o mesmo que aceitar que não se pode ser feliz e livre ao mesmo tempo.

Ocorre que, seja na Cracolândia, seja na Vila Madalena, a gestão do sr. Fernando Haddad entende que a liberdade e alegria são sinônimos de desordem, de anarquia, da completa ausência das leis.

O bom do regime democrático é saber que o mesmo povo que elege também deixa de eleger.

Retomo
Pois é… A realidade está aí.

Cadê toda aquela conversa mole sobre a legalização ou descriminação das drogas? Querem saber como será o país se isso acontecer um dia? Olhem para a Cracolândia. Querem saber como será o país se isso acontecer um dia? Olhem para a Vila Madalena. Depois, é só abismo a nos contemplar.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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