A contadora de Alberto Yousseff conta tudo à revista VEJA. Prefeituras do PT eram a grande fonte do doleiro

Publicado em 10/08/2014 09:45 e atualizado em 09/10/2014 15:41 1966 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A contadora de Alberto Yousseff conta tudo à revista VEJA. Prefeituras do PT eram a grande fonte do doleiro

A revista VEJA desta semana traz uma reportagem com Meire Bonfim Poza. Eis a capa.

capa da veja

Quem é ela? Meire era a contadora do doleiro Alberto Yousseff. Meire viu, ouviu e participou de algumas das maiores operações do grupo acusado de lavar R$ 10 bilhões de dinheiro desviado de obras públicas e destinado a enriquecer políticos corruptos e a corromper outros com pagamento de subornos. Qual era a fonte privilegiada da mamata? Prefeituras do PT.

Meire Poza viu malas de dinheiro saindo da sede de grandes empreiteiras, sendo embarcadas em aviões e entregues nas mãos de políticos. Durante dois anos, Meire manuseou notas fiscais frias, assinou contratos de serviços inexistentes, montou empresas de fachada, organizou planilhas de pagamento. Ela deu ares de legalidade a um dos esquemas de corrupção mais grandiosos desde o mensalão.

Meire sabe quem pagou, quem recebeu, quem é corrupto, quem é corruptor. Conheceu de perto as engrenagens que faziam girar a máquina que eterniza a mais perversa das más práticas da política brasileira. Meire Poza era a contadora do doleiro Alberto Youssef — e ela decidiu revelar tudo que viu, ouviu e fez nos dois anos em que trabalhou para o doleiro.

“O Beto era um banco de dinheiro ruim. As empreiteiras acertavam com os políticos, e o Beto entrava para fazer o trabalho sujo. Ele passava o tempo todo levando e trazendo dinheiro, sacando e depositando. Tinha a rede de empresas de fachada para conseguir notas e contratos forjados”, diz. Um dos botes mais ousados de Youssef, segundo ela, tinha como alvo prefeituras comandadas pelo PT.

O doleiro pagava propina de 10% para cada prefeito que topasse apostar em um fundo de investimento criado por ele. “E era sempre nas prefeituras do PT. Ele falava: ‘Onde tiver PT, a gente consegue colocar o fundo’”. André Vargas era um parceiro fiel. O deputado estava empenhado em fazer com que dois fundos de pensão de estatais, o Postalis (dos Correios) e a Funcef (da Caixa Econômica Federal), injetassem R$ 50 milhões em um dos projetos do doleiro.

Leiam a reportagem. É de estarrecer. As empreiteiras que fizeram contratos com a Petrobras não se saem bem na história. É um esquema de corrupção que rivaliza com o do mensalão e que, muito provavelmente, o supera no valor movimentado. Vejam qual é o “modus operandi” deles.

Post publicado originalmente às 21h55 desta sexta

Por Reinaldo Azevedo

 

Oposição quer contadora de Youssef na CPMI da Petrobras

Meire Poza –

Meire Poza – “O Beto (Youssef) lavava o dinheiro para as empreiteiras e repassava depois aos políticos e aos partidos. Era mala de dinheiro pra lá e pra cá o tempo todo.”(Foto: Jefferson Coppola/VEJA)

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A oposição quer que Meire Poza, a contadora de Alberto Yousseff, compareça à CPMI da Petrobras e à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para falar sobre as engrenagens da quadrilha que girava em torno do doleiro pego na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Meire revela detalhes do esquema de propina em reportagem publicada por VEJA nesta semana. A contadora confirma que parlamentares como o deputado André Vargas (PT-PR) e o senador Fernando Collor (PTB-AL) se aliaram ao doleiro em um esquema de lavagem de dinheiro que tinha prefeituras petistas como uma de suas principais fontes de recursos. Ela também relatou como empreiteiras que mantém contrato com estatais e órgãos públicos repassavam dinheiro para o esquema.

O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), diz que o partido vai apresentar os requerimentos na próxima semana, em conjunto com os outros partidos da oposição. O partido promete tratar o tema como prioridade. “É uma testemunha-bomba que atesta todas as evidências, muito claras, do envolvimento de Youssef com a Petrobras, parlamentares e personagens importantes do governo federal”, diz Mendonça Filho. O PPS também cobra que a contadora seja ouvida pelo Congresso. “Esta mulher conheceu, como poucos, a arquitetura e a operação do sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que atingiu 10 bilhões de reais”, diz o líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), que também integra a CPMI.

A Câmara dos Deputados faz um esforço concentrado na primeira semana de setembro, quando os parlamentares poderiam tomar o depoimento da contadora na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Já a CPMI da Petrobras não teve os trabalhos interrompidos durante o período eleitoral e, em tese, poderia ouvir Meire Poza antes disso. O presidente do colegiado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), calcula que a contadora pode ser ouvida daqui a três semanas: “Temos depoimentos marcados para as duas próximas semanas. Se o requerimento for apresentado, será votado como qualquer outro”, afirma.

Tanto na Comissão de Fiscalização Financeira quanto na CPMI da Petrobras, Meire não seria obrigada a comparecer porque não ocupa cargo público. Ela iria ao Congresso na condição de convidada. O doleiro Alberto Youssef foi preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal. Ele era figura central em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro abastecido com recursos públicos desviados.

No bolso de Youssef

Por Reinaldo Azevedo

 

Sardenberg, Miriam Leitão, os “editores” da Presidência e a república dos canalhas

O jornalista Carlos Alberto Sardenberg tem 67 anos. É uma das pessoas que mais trabalham no nosso meio. Tenho a ambição de rivalizar com ele no esforço ao menos. É competente, inteligente, claro, didático e boa-praça. A disposição que muitos jovens de 25 têm para reclamar da vida, ele tem para trabalhar. Sardenberg e Míriam Leitão tiveram seus perfis na Wikipédia editados em computadores da Presidência da República. Acrescentaram-se a suas respectivas trajetórias profissionais mentiras e difamações.

De computadores oficiais partiram outras intervenções — no caso, para acrescentar rapapés e elogios. Entre os beneficiados, estão ministros e ex-ministros como Moreira Franco, Antonio Palocci, Thomas Traumann, Ideli Salvatti e Alexandre Padilha, o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia o vice-presidente Michel Temer. A informação foi publicada ontem pelo jornal O Globo. Representantes de várias entidades protestaram contra a canalhice e pediram a apuração dos fatos: Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Nacional de Jornais (ANJ). Que bom! Achei que elas todas estivessem dormindo em berço esplêndido. Tanto melhor se acordaram. Por que escrevo isso?

Há menos de dois meses, Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e homem do partido encarregado de administrar as redes sociais, tornou pública uma lista negra de nove pessoas, a maioria jornalistas, que ele chamou de “pitbulls da mídia”. Contou, para tanto, com a ajuda de um site conhecido por ter elevado a extorsão à categoria de “jornalismo alternativo”. Escreveu Cantalice:
“Personificados em Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Gentili, Marcelo Madureira entre outros menos votados, suas pregações nas páginas dos veículos conservadores estimulam setores reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes. Seus paroxismos odientos revelaram-se com maior clarividência na Copa do Mundo.”

O maior partido do país, como se vê, pedia cabeças. Não se ouviu um pio por aqui. Nada! A imprensa se calou. A Abert se calou. A ANJ se calou. A ABI se calou. A Fenaj se calou (é claro!; deve até ter aplaudido; afinal, ela e o PT são da mesma enfermaria…). Os jornalistas brasileiros se calaram. O site “Observatório da Imprensa” — contaram-me; eu realmente não li — abrigou um artigo de um canalha qualquer aplaudindo Cantalice e afirmando que fizemos por merecer. O protesto veio de fora: “Repórteres Sem Fronteiras”, a mais importante entidade em defesa da liberdade de imprensa, protestou com firmeza.

repórteres sem fronteiras

Acreditem: Janio de Freitas, colunista da Folha, como sou, protestou contra o protesto; atacou “Repórteres Sem Fronteiras” e, na prática, endossou a lista negra. Há pessoas que perderam a escala da vergonha.

Há quanto tempo existe uma verdadeira gangue de criminosos atuando na Internet para difamar, caluniar e injuriar pessoas? Há quanto tempo tenho denunciado aqui o farto financiamento que passaram a receber veículos de aluguel — especialmente na Internet — com o propósito de atacar a imprensa independente, os políticos da oposição e figuras do Judiciário? Sim, é claro que é grave usar o aparelho de Estado para difamar dois profissionais. Mas não é igualmente grave financiar com dinheiro público a cadeia do achincalhamento? Por que essas entidades — excluo a petista Fenaj da pergunta por motivos óbvios — nunca se manifestaram? A canalhice vai longe e chega a detalhes.

Entrem no Google e coloquem lá meu nome. Vai aparecer esta foto.

foto reinaldo distorcida

Nunca tentei me impor pela beleza, é verdade, só que eu sou este aqui, ó:

Reinaldo de verdade

O outro lá foi popularizado pela canalha a soldo. Um dos blogs que publicavam reiteradamente aquela “foto” tinha o patrocínio da… Caixa Econômica Federal. Sim, a mesma CEF que é tão minha como de Dilma; tão minha como dos petistas; tão minha como dos vagabundos. Mas, afinal, “eles” estão no governo, não é? Julgam-se os donos do estado. E também dos entes privados. Ou o Santander não entregou as quatro cabeças cobradas por Lula?

Usar computadores da Presidência da República para difamar perfis de jornalistas na Internet é só mais um degrau na ousadia da turma. Eles julgam que podem realmente fazer tudo. E vão além. A reação, com o perdão da expressão, brocha de setores da imprensa diante do Decreto 8.243, aquele dos conselhos populares, evidencia que nem todos estão devidamente equipados para enfrentar a sanha dos autoritários.

Miriam Leitão
Vi Miriam Leitão na televisão, indignada com o que fizeram com o seu perfil. É claro que ela tem razão, e é evidente que a ação é coisa de bandidos. Jamais aplaudiria o que fizeram com ela, mas não posso deixar de registrar aqui uma indignidade de que fui alvo: e uma das agentes foi… Míriam Leitão!

Quando fui contratado como colunista da Folha, em outubro do ano passado, Suzana Singer, a então ombudsman, saudou assim a minha chegada:
“Na semana em que o assunto foram os simpáticos beagles, a Folha anunciou a contratação de um rottweiler. O feroz Reinaldo Azevedo estreou disparando contra os que protestam nas ruas, contra PT/PSDB/PSOL, o Facebook, o ministro Luiz Fux e sobrou ainda para os defensores dos animais.”

Como se vê, o retrato escrito por Suzana Singer é tão fiel como aquela foto adulterada… O petista Cantalice e Suzana, petista ou não, só divergem na raça do cachorro. Ela acha que é rottweiler; ele, pitbull. Como “reação proporcional” é um tema da hora, como eu deveria responder? Chamar um de cão e a outra de cadela? Sou menos “feroz” do que Suzana e Cantalice.  Miriam Leitão, em sua coluna no Globo — sim, no Globo! — me brindou com esta gentileza:
“Recentemente, Suzana Singer foi muito feliz ao definir como ‘rottweiller’ um recém-contratado pela ‘Folha de S.Paulo’ para escrever uma coluna semanal. A ombudsman usou essa expressão forte porque o jornalista em questão escolheu esse estilo. Ele já rosnou para mim várias vezes, depois se cansou, como fazem os que ladram atrás das caravanas.”

É claro que respondi. E, em minha resposta, lia-se o seguinte trecho (prestem atenção aos números):
Tola. Prepotente. Reitero o que já publiquei em outro post. Em sete anos e meio, Miriam Leitão teve o nome escrito neste blog 29 vezes. Atenção! Com 40.065 posts e 2.286.143 comentários, há VINTE E NOVE MENÇÕES (estão todas reunidas aqui). Dessas 29, 14 são meras referências (“Fulano disse para Miriam Leitão que…”). Em sete das vezes, elogio a jornalista. Em oito posts, contesto opiniões suas — contesto, sem ofensa. O arquivo está aí, e vocês podem fazer a pesquisa.

Eis aí. Não vou aplaudir a canalhice que fizeram com ela, não, embora, em seu texto, sem que eu jamais a tivesse ofendido, ela se refira a mim três vezes como cachorro. Leitão não é, infelizmente, mais tolerante do que aqueles que a agrediram na Wikipédia. Aliás, a linguagem de seus detratores é mais decorosa do que a que ela empregou contra mim. E observem que Miriam me considera o responsável pela agressão que Suzana e ela própria praticam contra mim. Ou por outra: a jornalista está dizendo que sei por que estou apanhando. O fato, no entanto, de ela e seus detratores se irmanarem nos métodos não torna justo o que fizeram com ela, especialmente porque se usou um aparelho público para fazer o serviço sujo.

Ainda voltarei a esse tema, sim. Escrevi ontem o que considero um dos melhores textos dos que produzi para a Folha. Trato de duas categorias de ladrões: os de dinheiro público e os de instituições. Ambas fazem um mal imenso ao Brasil, mas os ladrões de instituições conseguem ser ainda piores.

Uma coisa é a gente ser duro no debate, e eu sou; dizer com clareza o que pensa, e eu digo; não ser ambíguo, e eu nunca sou. Outra, muito distinta, é querer eliminar o adversário da peleja como se fosse inimigo, atribuindo-lhe o que não pensa ou não fez ou expropriando-o até de sua humana condição. Miriam Leitão conhece os dois lados: como agressora e como agredida. Com uma, eu me solidarizo — não por ela, que não precisa de mim, mas em nome de um princípio. A outra, eu apenas lastimo. Deve ser bem chato ser vítima de um método do qual a gente próprio é usuário, não é mesmo?

Mas nunca é tarde para aprender, nem que seja com aqueles que detestamos ou que nos detestam.

Por Reinaldo Azevedo

 

Alvo de mais escândalos, Petrobras registra queda de 25% em seu lucro no semestre

Na VEJA.com:
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira um lucro de 4,96 bilhões de reais no segundo trimestre, queda de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio muito abaixo das estimativas de bancos de investimentos obtidas pela Reuters, que apontavam para lucro líquido de 7,04 bilhões de reais. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando o lucro foi de 5,39 bilhões de reais, houve queda de 8%. No semestre, a empresa lucrou 10,35 bilhões de reais, queda de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o endividamento cresceu 15% em relação ao final de 2013, para 307 bilhões de reais.

Assim como no primeiro trimestre, o anúncio acontece em meio a uma série de escândalos nos quais a empresa está envolvida. Conforme revelou VEJA, a estatal e o governo orquestraram um verdadeiro teatro para manipular a CPI da Petrobras, coletando as perguntas dos parlamentares e treinando os executivos sabatinados para respondê-las, deturpando a função investigativa da Comissão. Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) culpou os diretores da Petrobras pelas perdas acumuladas com a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e determinou a indisponibilidade de seus bens para que haja ressarcimento ao estado. O TCU também tentou incluir a presidente Graça Foster no rol de culpados, mas foi impedido pelo Advogado Geral da União, Luís Inácio Adams.

A receita líquida trimestral atingiu 82,3 bilhões de reais, marca inédita para a companhia. O resultado superou o antigo recorde, de 81,54 bilhões de reais no primeiro trimestre deste ano devido, sobretudo, ao impacto da alta do dólar. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado da estatal, indicador que melhor dimensiona a capacidade de geração de caixa de uma empresa, ficou em 16,25 bilhões no trimestre, queda de 10,2% sobre o mesmo período do ano passado.

Um dos maiores impactos na queda do lucro da empresa veio da área de Abastecimento, cujo prejuízo ficou em 3,883 bilhões de reais no segundo trimestre — 55% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta sexta-feira. A área é a principal prejudicada pela política do governo de controlar os reajustes do preço da gasolina, impondo perdas à estatal. Em comunicado, a presidente Graça Foster afirmou que os reajustes devem ser feitos o quanto antes para melhorar o nível de endividamento da empresa. “Em paralelo aos aumentos de produção e redução de custos, buscamos a convergência dos preços de derivados no Brasil com os preços internacionais”, disse. O ministro Guido Mantega sinalizou, no início da semana, que haverá reajuste ainda este ano.

A Petrobras informou ainda que a importação de derivados aumentou 55% e a de petróleo subiu 20% em relação ao mesmo período de 2013, enquanto a exportação de ambos os produtos caiu na mesma comparação. Segundo a empresa, a alta da importação ocorreu em grande parte em junho por conta “de oportunidade comercial e de maior utilização de óleo importado no refino”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Graça Foster é alvo de inquérito da PF

Por Andreza Matais e Fábio Fabrini, no Estadão:

A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar se a presidente da Petrobrás, Graça Foster, omitiu do Senado informações relacionadas à compra da refinaria de Pasadena (EUA) e sobre a existência de contratos celebrados pela empresa de seu marido, Colin Foster, com a estatal. O inquérito foi aberto após pedido do Ministério Público Federal encaminhado em junho, conforme informou ao Estado a assessoria de imprensa dessa instituição. Antes disso, Graça Foster havia prestado depoimento à Comissão de Infraestrutura do Senado.

A presidente da Petrobrás ainda pode responder a outro inquérito, que deve ser aberto na próxima semana, para investigar a denúncia de que teria combinado com senadores da base aliada na CPI da Petrobrás as perguntas que lhe seriam feitas na comissão investigativa. O MPF no Distrito Federal já abriu inquérito nas áreas cível e criminal para apurar essa suspeita – esse caso tem outros ex-diretores da estatal como alvo. A assessoria da PF informou que este caso está em análise. A corporação não quis comentar o inquérito já aberto sobre o depoimento de Graça no Senado. Ontem, ao defender a permanência de Graça Foster no comando da Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff afirmou que “não há qualquer processo que pese contra” a presidente da estatal .

Audiência
O Ministério Público e a Superintendência da PF no Distrito Federal vão investigar se Graça Foster prestou informações falsas aos senadores, o que poderia configurar crime de falso testemunho. O alvo dessa apuração é o depoimento dela prestado em maio à Comissão de Infraestrutura do Senado. Na audiência, Graça afirmou que o Conselho de Administração da Petrobrás não teve responsabilidade na compra de Pasadena. Em 2006, o colegiado aprovou a compra de 50% da refinaria por US$ 360 milhões. Após litígio, a Petrobrás adquiriu a segunda metade por US$ 889 milhões. O custo total do negócio foi de US$ 1,2 bilhão. No mesmo depoimento, os senadores questionaram a presidente da Petrobrás sobre contratos da estatal com a empresa C.Foster Serviços e Equipamentos, pertencente ao marido de Graça Foster. Ela afirmou que a C.Foster não celebrou contratos com a Petrobrás.

Segundo a denúncia que motivou a abertura de procedimento no MPF e depois a do inquérito policial, a Petrobrás tem negócios com a C. Foster Serviços e Equipamentos. “A senhora Graça Foster foi muito além dos atos de improbidade alhures elencados. Ela, nitidamente, operou tráfico de influência para favorecer a empresa de seu marido no firmamento de 43 contratos com a Petrobrás, sendo 20 deles sem licitação”, escreveu o senador Mário Couto (PSDB-PA), autor de representação ao MPF que desencadeou a investigação oficial.

Ontem a estatal informou que, até o momento, “a presidente da Petrobrás não teve conhecimento da abertura do mencionado inquérito”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Por voto evangélico, Dilma faz oração e cita a “Bíblia”

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
Em busca de aproximação com o eleitorado evangélico, a presidente-candidata Dilma Rousseff visitou nesta sexta-feira a Assembleia de Deus do Brás, em São Paulo – braço da congregação de Madureira, à qual pertence o também candidato ao Planalto pastor Everaldo Pereira, do PSC. Dilma, que nunca se declarou religiosa, citou até mesmo uma passagem da Bíblia nesta sexta: “O Estado brasileiro é um Estado laico, mas, citando um salmo de Davi, queria dizer que ‘feliz é a nação cujo Deus é o Senhor’”. E prosseguiu: “Reconheço a qualidade do trabalho prestado pela Assembleia de Deus ao longo de seus 103 anos, em todos os Estados, nos rincões e áreas mais isoladas deste país, e nas periferias. A ação social de vocês contribui para a inclusão. Nós temos em comum a dedicação àqueles que mais precisam.”

Na corrida eleitoral de 2010, Dilma enfrentou resistência entre o segmento evangélico em decorrência de controvérsias sobre sua posição em relação à legalização do aborto. Na ocasião, líderes da Assembleia de Deus e do PSC, como o próprio pastor Everaldo, atuaram em defesa da petista. Naquele ano, o PSC cogitara apoiar a coligação do candidato tucano José Serra à Presidência, mas optou por apoiar o PT, tendo recebido 4,75 milhões em doação da sigla, registrada na Justiça Eleitoral. Ao longo do mandato, porém, a presidente perdeu o apoio formal do PSC – e se distanciou ainda mais dos evangélicos. O maior ponto de desgaste foi o projeto de distribuição de material com conteúdo sobre orientação sexual em escolas, batizado de “kit-gay”. O material, atribuído ao ex-ministro da Educação e atual prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), foi vetado por Dilma após a reação dos religiosos. PT e PSC também trocaram rusgas durante a passagem do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) pela presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Dilma foi convidada a discursar no Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus Madureira, que reuniu fiéis de todo o país. O evento ocorreu na sede da Assembleia de Deus no Brás, centro da capital paulista, presidida pelo pastor Samuel Ferreira, filiado ao PSD de Gilberto Kassab, que apoia a presidente na corrida à reeleição. A presidente afirmou aos fiéis que seu governo foi o que “mais investiu na família brasileira” e nas “mulheres”. Fez também propaganda de programas de governo como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Pronatec. “Em 2010 me comprometi a valorizar a família brasileira e a buscar proporcionar a ela condições básicas de dignidade, esperança e de cultivo dos valores mais caros para aqueles que acreditam. Porque crer é algo importante.” E prosseguiu: “Acredito naqueles que creem. Acredito no poder da oração. Não se esqueçam de orar por mim. Todos os dirigentes deste país dependem do voto do povo e da graça de Deus”, disse Dilma, que concluiu: “Deus abençôe.”

Acompanharam a presidente o governador do Distrito Federal e candidato a reeleição, Agnelo Queiroz (PT), o deputado e candidato ao Senado Geraldo Magela (PT), além do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (PT). O deputado Jorge Tadeu (DEM) participou do ato como integrante da Assembleia de Deus Brás e o líder do PMDB, Eduardo Cunha, como representante da bancada evangélica na Câmara. Cunha, como de praxe, colocou a presidente em uma saia-justa.

Samuel Ferreira promoveu uma homenagem a Dilma com a música evangélica Mulheres Guerreiras. A presidente assistiu à apresentação em pé, batendo palmas. Vestida de azul, Dilma também proferiu a oração do Pai Nosso com os religiosos. “Queremos que a senhora se sinta bem nessa casa e tenha paz. Diariamente cumprimos a Bíblia aqui e oramos pela senhora, para que Deus lhe dê sabedoria e firmeza – o que a senhora tem de sobra”, disse a ela o pastor. Na entrada da igreja, havia santinhos com a foto de Ferreira ao lado de candidatos evangélicos à Câmara Estadual de São Paulo pelo DEM, como o pastor Cezinha e Jorge Tadeu Mudalem. Há um mês o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, visitou a Assembleia de Deus Ministério do Belém. O tucano se reuniu com o pastor José Wellington de Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

Dilma também circulou entre as religiosas, distribuiu beijos e tirou fotos. “Nunca vi um presidente reconhecer o trabalho da Assembleia de Deus. Nem o Lula, que é meu amigo. Estamos com a alma lavada”, disse o bispo Manoel Ferreira, presidente da Assembleia de Deus Ministério Madureira. “Eu hoje me senti gente – e reconhecido como ser humano que trabalha com dignidade nesse país, com a palavra de Deus”, disse o pastor Samuel. Ao fim do culto, o pastor Abner Ferreira, do Rio de Janeiro, fez uma oração por Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma, os evangélicos, os políticos, Deus e o capeta

Pode haver outros, mas creio que poucos jornalistas combatem com tanta firmeza o preconceito que há no Brasil, nas camadas ditas mais cultas — no geral, são apenas pessoas orgulhosas do pouco que sabem e do muito que não sabem — contra os evangélicos. Na verdade, existe um preconceito muito forte contra os cristãos. Os católicos também são alvos constantes de desconfiança. Mas não vou tratar disso agora. O que me incomoda profundamente em período eleitoral é a busca desesperada dos políticos pelos votos dos crentes.  Muitos chegam a afirmar até uma convicção que não têm só para conquistar o eleitor.

Nesta sexta, por exemplo, a presidente Dilma esteve na Assembleia de Deus do Brás, em São Paulo – um braço da Congregação de Madureira. Foi convidada a discursar no Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus Madureira, que reuniu fiéis de todo o país. Lembrou que o Brasil é um país laico, mas citou o Salmo 33, de Davi: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. Então tá bom. Eu preciso lembrar aqui algumas coisas.

Quando ministra do governo Lula, Dilma concedeu mais de uma entrevista dizendo-se favorável à legalização do aborto. Está tudo documentado. Eu lido com fatos, não com impressões. Notem, leitores: um candidato tem o direito de pensar o que quiser. Não pode, ou não deve, é fingir o que não pensa. A então ministra chegou a comparar a eliminação de um feto com a extração de um dente. Houve uma forte reação dos cristãos — e percebam que, aqui, eu não estou me posicionando sobre o aborto, mas sobre a hipocrisia política. E se inventou uma Dilma que seria contrária ao aborto.

A então candidata foi a um programa de TV e se disse católica — chegando a chamar Nossa Senhora de “deusa”. O cristianismo é monoteísta, vale dizer: crê num único Deus. Nossa Senhora, como se sabe, é uma santa. Chegou a ir a Aparecida e foi filmada persignando-se — de maneira errada, diga-se. Eleita presidente, nomeou para o Ministério da Mulheres Eleonora Menicucci, uma defensora fanática do aborto, que já havia confessado tê-lo feito, em outras mulheres, com as próprias mãos. Fatos. Eu só lido com fatos.

Os cristãos, com mais ênfase os evangélicos, fazem um intenso trabalho de convencimento contra a descriminação das drogas, por exemplo. O governo desta Dilma que vai a um templo evangélico citar um Salmo de Davi pôs em prática uma política pública escancaradamente favorável à descriminação, ainda que o faça de maneira um tanto oblíqua. Em maio de 2013, vários entes federais promoveram um seminário em Brasília, patrocinado com dinheiro público, em favor da descriminação e da legalização das drogas. Não se convidou para o evento um único representante que se opusesse a essas teses. Fatos. O governo Dilma, por intermédio do Ministério da Saúde — especialmente na atual gestão, de Arthur Chioro, combate com unhas e dentes as chamadas comunidades terapêuticas, que atuam com dependentes químicos — algumas são ligadas a igrejas evangélicas. Fatos.

No dia 27 de janeiro de 2012, no Fórum Social de Porto Alegre, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, afirmou que os petistas deveriam se preparar para travar com os evangélicos uma luta ideológica para disputar a chamada “classe C”. Entenderam? Para ele, seu partido e os cristãos dessas denominações têm interesses contraditórios.

Também não demonizo posições. Cada um pense o que quiser e dispute o coração do eleitor. O que estou cobrando é honestidade intelectual. Dilma tem o direito de defender a descriminação do aborto ou sua política simpática à descriminação das drogas. O que me desagrada, e isto vale para qualquer partido, é essa mania de alguns políticos de achar que Deus tem prazo de validade: geralmente, vai de julho a outubro dos anos pares, que são os eleitorais. Depois, quem costuma dar as cartas na política é mesmo o capeta do vale-tudo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma no palanque depois de encontro com Lula: terrorismo, chantagem, inverdades clamorosas

A presidente-candidata Dilma Rousseff esteve num evento em São Paulo em que cinco centrais sindicais lhe empenharam apoio: CUT, UGT, CTB, NCST e CSB. Você não tem culpa nenhuma se jamais ouviu falar de algumas siglas. A maioria dos trabalhadores também não. São meros aparelhos, alimentados pela mamata do imposto sindical obrigatório. Não são centrais, mas cartórios de burocratas, que tomam, de maneira vergonhosa, um dia do trabalho de cada brasileiro que tem emprego formal. Antes de falar aos presentes, Dilma se reuniu privadamente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele anda descontente com os rumos da campanha. Segundo consta, quer, vamos dizer, um embate um pouco mais sangrento.

Parece que o encontro de ontem surtiu efeito. Dilma subiu no palanque e resolveu retomar aquela velha patacoada petista da luta do Bem contra o Mal, do “nós” contra “eles”. E, quando é assim, vocês sabem, a verdade é sempre a primeira vítima.

A presidente mandou ver, referindo-se aos tucanos: “Eles quebraram o Brasil três vezes; por três vezes, eles levaram o Brasil ao Fundo Monetário Internacional. No nosso período de governo Lula, fomos lá e pagamos. Eles levaram a inflação à estratosfera antes de entregar para nós o governo”. Dizer o quê? Há um único fato verdadeiro a ancorar uma porção de inverdades.

Na gestão tucana, é apenas um fato, o Brasil não quebrou nem três, nem duas, nem uma única vez. Trata-se de uma mentira escandalosa. O país recorreu ao FMI justamente para “não quebrar”, se é o caso de usar tal termo. “Quebrar” é deixar de honrar compromissos. Em oito anos, o país enfrentou ao menos cinco crises internacionais enquanto, atenção!, cuidava de debelar a inflação entranhada na economia. Como esquecer, e isto também é um fato, que o PT, o partido de Lula e Dilma, tentaram inviabilizar o Plano Real, recorrendo, inclusive, ao STF?

E Dilma seguiu adiante: “Sabe qual é a medida impopular que ele vai tomar? É acabar com a valorização do salário. É essa medida impopular que nós durante todo esse tempo mantivemos e que reparou a injustiça do passado e deu justiça no presente aos trabalhadores”.

Um candidato tem o direito de contestar a proposta de um adversário, mas não é moral e eticamente lícito lhe atribuir uma intenção que não tem. Mais uma vez, quero falar de fatos, de dados, de números. Dilma, que é candidata, mas é também presidente da República, tem de ter um compromisso com a verdade. Nos oito anos de governo FHC, o salário mínimo teve valorização real (descontada a inflação, pelo IPCA), de 85,04%; nos oito anos de Lula, foi um pouco maior: 98,32%; nos quatro anos da atual presidente, deverá ser de apenas 15,44%. Assim, sem que falte clamorosamente com a verdade, a petista não pode afirmar que os tucanos não promoveram a valorização real do salário mínimo. Promoveram, sim, e em condições bem mais adversas do que as enfrentadas por Lula.

Mas quê… O presidente da CUT, Vagner Freitas, mandou bala: “Se eleger Aécio ou Eduardo, eles vão jogar fora a política de valorização do salário mínimo. É por isso que eu sou Dilma. Não é por conta dela, é por conta de um projeto. Eles são os candidatos do patrão”.

Na manhã desta quinta, Aécio também se encontrou com trabalhadores. Participou de um minicomício na porta da Voith, fábrica de máquinas e equipamentos para indústria, no bairro do Jaraguá, zona norte de São Paulo. O evento foi organizado pela Força Sindical. O tucano fez um convite a Dilma: “Eu estimulo muito que ela vá às ruas, e não apenas nos eventos organizados e programados, que ela vá olhar nos olhos das pessoas e possa perceber que o sentimento do brasileiro hoje é de desânimo”.

Fim da chantagem
A política brasileira não pode mais ser feita na base do terrorismo e da chantagem. Até outro dia, o PT se colocava como único garantidor do Bolsa Família — e espalhava aos quatro ventos que seus adversários pretendiam extingui-lo. A oposição pôs fim a essa cascata propondo que o programa não dependa mais da boa vontade de governos.

Agora, creio que é preciso desmontar a outra falácia: a da suposta desvalorização do salário mínimo caso se eleja um candidato de oposição. Pelas regras atuais, o ano de 2015 será o último no qual será adotada a atual fórmula de correção: variação da inflação do ano anterior e do PIB de dois anos antes. Isso foi definido pelo Congresso Nacional no início de 2011.

Que os oposicionistas se organizem já e enviem ao Congresso uma proposta prorrogando a atual fórmula até 2019. E fim de papo! Vamos debater os reais problemas do Brasil e tirar os bodes e os fantasmas da sala. O PT vai ter de aprender a fazer campanha sem usar o Bolsa Família e o salário mínimo para fazer terrorismo e chantagem.

A propósito: o partido não tem nenhuma proposta a fazer sobre o futuro? Passará toda a campanha mentindo sobre o passado alheio e o próprio passado?

Por Reinaldo Azevedo

 

Minha coluna na Folha: “Ladrões de instituições”

Para lembrar uma imagem empregada certa feita por Diogo Mainardi –que tem sofrido tentativas descaradas e infrutíferas de clonagem na crônica tupinambá–, parte da imprensa está se comportando, no caso da fraude da CPI da Petrobras, como a Fada Sininho do PT, batendo as asinhas para ver se a bomba dos piratas estoura longe do Palácio do Planalto. É uma missão suicida, mas vale sacrificar a honra em nome de mais quatro anos na Terra do Nunca! Há um esforço danado para provar que os petistas, os assessores palacianos e o comando da estatal não fizeram nada demais ao transformar uma CPI numa pantomima ridícula.

Não que se esperasse, dadas as personagens, grande coisa dessa comissão. Mas, vá lá, admita-se que a folgada maioria que detêm os governistas em sua composição é regimental: deriva do desequilíbrio de forças no Senado, que traduz, no entanto, a vontade do eleitor. Nada a fazer a respeito. É legítimo, sim, lastimar certos aspectos da democracia. Só não é permitido solapá-la.
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Os que me acompanham nesta Folha, no blog que mantenho na Veja.com ou na rádio Jovem Pan sabem que atribuo à roubalheira o peso que a coisa tem: comprovadas as culpas, cana para os larápios! Mas eu me ocupo mais dos ladrões de instituições do que dos ladrões de dinheiro público.
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Um ladrão de dinheiro público é um caso de polícia; um ladrão de instituições é um caso de política. Um ladrão de dinheiro público faz um rombo no caixa; um ladrão de instituições faz um rombo numa cultura; um ladrão de dinheiro público morrerá um dia; um ladrão de instituições procria. Um ladrão de dinheiro público inviabiliza um projeto; um ladrão de instituições inviabiliza um país. Apelando agora a Padre Vieira: um ladrão de dinheiro público pode até ser enforcado; um ladrão de instituições manda enforcar.
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Leia a íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

 

Ibope: no primeiro turno, Dilma fica na mesma; Aécio tem 23%; no segundo turno, diferença é agora de apenas 6 pontos

Vieram a público na noite desta quinta os dados de uma nova pesquisa Ibope/Rede Globo. Se a eleição fosse hoje, a presidente Dilma Rousseff teria 38% das intenções de voto, mesmo índice da pesquisa divulgada no dia 27 do mês passado. O tucano Aécio Neves está em segundo lugar, com 23% — oscilando um ponto para cima. Eduardo Campos, do PSB, aparece agora com 9% — na anterior, tinha 8%. Pastor Everaldo, do PSC, segue com 3%. Os demais candidatos, juntos, têm 3%. Somados, os adversários de Dilma chegam a 38%, o mesmo índice da candidata. Por esses números, não seria possível afirmar se haveria ou não segundo turno. Tudo indicava que sim porque a diferença vinha caindo; agora não existe mais.

Na simulação de segundo turno, diminuiu a distância entre Dilma e Aécio, ainda que dentro da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. Há dez dias, ela venceria o tucano por 41% a 33% — oito de diferença. Agora, ela tem 42%, e ele, 36%. Seis pontos apenas os separam. A distância entre a petista e Campos segue sendo a mesma, com números distintos, já que os dois avançaram. Na pesquisa anterior, ela o bateria por 41% a 29%; agora, por 44% a 32%.

É claro que o resultado é positivo para Aécio, especialmente porque os petistas apostaram todas as fichas na história do aeroporto de Cláudio. Pode-se indagar até onde a avalanche de notícias a respeito impediu que ele crescesse ainda mais. Uma coisa, no entanto, é certa: não tirou os votos que já tinha. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-308/2014.

Avaliação de governo
A opinião dos brasileiros sobre o governo pode ter melhorado um pouquinho, bem pouquinho. Segundo o Ibope, há 10 dias, 44% aprovavam o modo como Dilma governa o país; agora, são 47%. Os que desaprovavam eram 50%; são, agora 49%. De todo modo, a reprovação segue sendo maior do que a aprovação.

Em julho, 31% diziam que o governo era ótimo ou bom; desta vez, 32%. Consideravam-no apenas regular 36%, ante 35% agora. O governo é ruim ou péssimo para 31%; no mês passado, eram 33%. Os números se movem na margem de erro.

Dilma não tem muito o que comemorar. Os tucanos podem, sim, considerar satisfatório o resultado. O noticiário negativo das duas últimas semanas não parece ter arranhado a credibilidade de Aécio entre aqueles que já haviam demonstrado a disposição de votar nele. Muito provavelmente, dados os números, ele ganhou eleitores novos. De resto, a pesquisa aponta que o segundo turno é uma realidade ainda mais palpável e que a distância entre a petista e o tucano continua a cair.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, desculpe-me as inúmeras vezes que faço uso deste espaço, nos cedido gentilmente pelo “noticias”. Os artigos que são veiculados, diga-se de passagem, têm todos, uma qualidade impar e nos instiga a escrever mais alguma coisa, com o intuito de somarmos ao rol dos indignados.

    João Ubaldo Ribeiro, um ícone da literatura brasileira, cita em seu livro “Viva o Povo Brasileiro”: (.)... aqueles que detêm o comando farão infalivelmente tudo para perpetuar este comando e tudo para justificar a perpetuação – e a justificativa se prende a que, enquanto comandam locupletam-se. E a locupletação é uma coisa generosa, está na verdade aberta a todos; todos, é claro, os que enxergam. Em questões de finanças públicas – sentenciou fechando os olhos com um sorriso -, mais que em qualquer outro campo, aplica-se a velha máxima: Cui prodest? A quem aproveita, a quem traz vantagens?”...

    SÁBIAS PALAVRAS... DE UM GRANDE SÁBIO !!!

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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