Mercado reduz pela 11ª vez projeção para o PIB de 2014 — agora, só 0,81%; a de 2015 também cai…

Publicado em 11/08/2014 17:25 e atualizado em 09/10/2014 15:51 852 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Mercado reduz pela 11ª vez projeção para o PIB de 2014 — agora, só 0,81%; a de 2015 também cai…

Na VEJA.com:
Economistas de instituições financeiras reduziram de novo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, passando-a de 0,86% para 0,81%, conforme mostra o relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira. Esta é a 11ª semana seguida que o mercado reduz a expectativa de expansão econômica em uma clara indicação de que o ano pode ser de estagnação. O resultado do PIB do segundo trimestre será conhecido no dia 29 de agosto. Entre janeiro e março, o PIB cresceu apenas 0,2% na comparação com o quarto trimestre de 2013.

Para 2015, os economistas ouvidos pelo BC também diminuíram sua expectativa com relação ao crescimento da economia brasileira: agora eles esperam avanço de apenas 1,2% contra 1,5% na semana passada.

 No caso da inflação, o mercado aliviou um pouco a projeção para 2014. Os analistas estimam uma alta de 6,26% nos preços ao consumidor neste ano, pouco abaixo da esperada anteriormente, de 6,39%. Para 2015, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve crescer 6,25%. Parte deste “alívio” se deu após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrar desaceleração da inflação entre junho e julho. Contudo, em doze meses, o índice já subiu 6,5%, no limite do intervalo da meta. Mesmo assim, o mercado espera que a Selic, taxa básica de juros, termine o ano no atual patamar, de 11%, e 2015 em 12%.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma lamenta a lentidão das obras… Só faltou reclamar: “E o governo não toma nenhuma providência!”

A presidente Dilma Rousseff concedeu na manhã desta segunda uma entrevista ao grupo RBS, no Palácio do Alvorada, que foi ao ar à tarde. Quem falava era a candidata, como fica evidente, mas eu me interesso por algumas coisas estranhas ditas pela presidente.

A chefe da nação, vejam vocês, se disse inconformada com a demora para a realização de obras públicas… É mesmo, é? Afirmou, prestem bem atenção: “Uma das questões fundamentais do meu próximo governo é simplificar os processos de realização de obra. Não para não fiscalizar, não para não respeitar o meio ambiente, mas para poder realizar as obras que o Brasil precisa com a rapidez que o Brasil precisa. Todo santo dia. Como governante, nós ficamos inconformados. A gente corre atrás, a gente vai atrás.” Ao se referir à demora para a concessão das licenças ambientais, afirmou: “Ninguém dentro da esfera federal pode não ter prazo. Todos nós temos que ter prazo”.

Vamos lá. Ainda que os atrasos se devessem mesmo à demora nas concessões das licenças, como esquecer que o PT está no poder há 12 anos? Dilma chegou a ter uma maioria no Parlamento de padrão quase chinês ou cubano. O partido que viu, de fato, crescer a dificuldade na concessão de licenças só descobriu agora o problema? Não é crível. De todo modo, sabemos que as dificuldades com as licenças foi apenas um dos entraves. Infelizmente, a incompetência é que falou mais alto.

Ouvindo a fala de Dilma, a gente fica com a impressão de que ela reclamar a qualquer momento: “E o governo não toma nenhuma providência!” Mas o governo, afinal, é… Dilma!

Alheia à realidade, como já apontei aqui, a presidente assegurou que Graça Foster vai continuar à frente da Petrobras, embora a Polícia Federal já tenha aberto um inquérito para apurar se ela omitiu do Senado informações relacionadas à compra da refinaria de Pasadena (EUA) e sobre a existência de contratos celebrados pela empresa de seu marido, Colin Foster, com a estatal. Um segundo deve ser aberto nesta semana para investigar a denúncia de que ela teria combinado com senadores da base aliada na CPI da Petrobrás as perguntas que lhe seriam feitas na comissão. Mais: Graça pode ser incluída no relatório do TCU como corresponsável pelos prejuízos com a compra da refinaria e ter seus bens tornados indisponíveis.

Ao defender a presidente da Petrobras, Dilma chegou a lastimar a suposta exploração política do caso, lembrando que a Petrobras “é a maior empresa do país…” É? Por isso mesmo, cabe a pergunta: a estatal pode ter uma presidente nessa situação? A petista acha que sim. Então tá.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma dá sinais crescentes de alheamento da realidade e volta àquela cascata de que apurar lambanças na Petrobras corresponde a atuar contra a empresa

A presidente Dilma Rousseff dá sinais crescentes de alheamento da realidade. E as coisas sempre pioram depois que ela se encontra com Lula, como aconteceu no fim da semana que passou. A revista VEJA traz uma bomba: Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, que está preso, concede uma entrevista em que conta parte do que viu. Ela é hoje uma das principais testemunhas da chamada Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo Meire, a estatal era usada para abastecer um sistema criminoso de lavagem de dinheiro que envolvia políticos, empreiteiros e funcionários da empresa.

Muito bem! Dilma concedeu uma entrevista coletiva neste domingo no Palácio da Alvorada. Era a candidata falando, não a presidente. Segundo informa VEJA.com, afirmou: “Se tem uma coisa que a gente tem de preservar, porque tem que ter sentido de Estado, de nação e de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país. Isso não é correto, não mostra nenhuma maturidade. Eu acho fundamental que, na eleição e nesse processo que nós estamos, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso”.

Factoide político? Qual factoide? Meire Poza é uma das principais testemunhas — e ela confessa ter também praticado ilegalidades para o grupo — de uma operação deflagrada pela Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça. Dilma repete, agora em linguagem infelizmente um pouco mais compreensível — sempre é pior quando a gente entende o que ela fala —, as bobagens que disse a respeito da Petrobras na sabatina de que participou na CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil). Para ela, investigar as lambanças na estatal corresponde a prejudicá-la.

Errado! É justamente o contrário. Prejudicaram a empresa, senhora candidata, aqueles que a levaram a um prejuízo bilionário com um negócio desastroso: os seus aliados. Prejudicaram a empresa aqueles que usaram a tarifa de gasolina para conter a inflação em razão de uma política econômica desastrosa — nesse caso, o seu governo e a senhora, pessoalmente. Prejudicaram a empresa aqueles que a usaram e a usam para distribuir prebendas políticas, com o objetivo de manter unida a chamada “base aliada”.

A candidata Dilma decidiu ainda ser pauteira da imprensa. Referindo-se à proposta do tucano Aécio Neves e do peessebista Eduardo Campos de reduzir ministérios — há, no Brasil, 39 pastas; deve ser recorde no mundo —, ela afirmou: “Eu posso pedir uma coisa a vocês? Perguntem qual ministério eles vão reduzir”. Avançou: “Esse formato [39 ministérios] responde a um momento histórico do Brasil. O momento histórico mudando, eu mudo (…)”. Ah, bom… Num ato falho, disse: “Alguns deles vão evoluir e poder até não ser ministério”. Vale dizer: Dilma reconhece que evoluir, nesse caso, significa cortar ministérios. Mas ela promete deixar tudo como está. Ou seja: é a não evolução.

Por Reinaldo Azevedo

 

EconomiaIntervencionismoInvestimentosPrivatização

A destruição das nossas estatais: Dilma acha que é apenas “factoide” eleitoral

Presidente Dilma, não satisfeita em quebrar sua lojinha, agora quer quebrar o Brasil todo?

O PT está conseguindo destruir as principais estatais brasileiras, além de ter criado novas empresas que custarão caro aos pagadores de impostos. Os casos mais evidentes de destruição são Petrobras e Eletrobras, mas o Banco do Brasil e a Caixa guardam um potencial rombo que poderá emergir em forma de inadimplência maior à frente, principalmente se o taxa de desemprego aumentar – o que é provável com essa estagnação econômica.

Além de ambas as maiores estatais serem usadas como política eleitoreira e instrumentos da “contabilidade criativa” do governo, uma acaba acumulando dívidas enormes com a outra. A Petrobras Distribuidora (BR) jápossui mais de R$ 7 bilhões em créditos diretos com a Eletrobras, segundo o diretor financeiro Almir Barbassa.

Essas dívidas se devem ao fornecimento de combustível pela BR para a geração de energia na Região Norte por usinas térmicas operadas por distribuidoras da Eletrobras. Barbassa explicou que os R$ 7 bilhões são a dívida neste momento. A BR chegou a suspender o fornecimento por alguns dias, demandando pagamento à vista, mas voltou atrás e passou a acumular saldo a receber em sua conta corrente.

As negociações entre a Petrobras e a Eletrobras continuam em andamento. A Eletrobras está esperando receber um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para pagar R$ 850 milhões do total da dívida. Ou seja, o governo quer usar outras duas estatais importantes para fechar o rombo da Eletrobras que, por sua vez, serviria para reduzir o rombo da Petrobras. Entendeu?

É um efeito dominó, um verdadeiro stike, como no boliche. O governo usa os recursos da Caixa, empresa bastante alavancada e com uma carteira de empréstimos que se expandiu em velocidade incrível por critérios políticos, para pagar o rombo do setor elétrico, causado pelo intervencionismo estatal. Com isso, pretende tapar parte do buraco da Petrobras, credora da Eletrobras. O mutuário da casa própria está pagando a fatura, enquanto estiver empregado…

Já mostrei aqui que a própria Petrobras é, hoje, uma das empresas mais endividadas do mundo, e os credores já são “donos” da empresa em proporção maior do que os próprios acionistas. Toda a estrutura de empresas estatais sob o governo Dilma corre o risco de ruir, vir abaixo. Mas a presidente Dilma acusou a oposição de criar “factoides políticos”, de explorar a reputação da maior empresa do país para fins eleitorais. É justamente o contrário!

Os fins eleitorais do PT, somado à incompetência e ao autoritarismo arrogante da presidente, é que colocaram as estatais nessa situação calamitosa. A oposição tem a obrigação de trazer isso à tona, pois o debate sobre o futuro dessas estatais é essencial nas eleições. O eleitor precisa entender melhor o que está em jogo aqui, precisa saber que essas estatais enfrentam grandes desafios criados pelo próprio governo petista. Mas a cara de pau de Dilma chega ao extremo quando ela diz:

Se tem uma coisa que tem que se preservar, porque tem que ter sentido de Estado, sentido de nação e sentido de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país. Não é correto, não mostra qualquer maturidade. Acho fundamental que na eleição, nesse processo que estamos, haja a maior discussão. Agora, utilizar qualquer factoide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso.

Imaturidade é transformar a maior empresa do Brasil, patrimônio de todos, em um braço partidário para fim eleitoral, sem falar de fonte inesgotável de escândalos de desvios e corrupção. Sentido de nação tem quem não brinca de deus com um setor tão fundamental como o elétrico, desorganizando todo o seu funcionamento e gerando um rombo de dezenas de bilhões. O que não é correto é o que Dilma vem fazendo com a nossa economia.

Em sua coluna de hoje na Folha, Elena Landau tentou afastar de si o pessimismo com toda essa situação, mas confessou não ser capaz disso. Ela, que entende bem do setor elétrico, faz um resumo só com aquilo que é público e notório: reservatórios em nível extremamente perigoso, “tarifaço” que já é realidade, contratos de comercialização de eletricidade suspensos por conta do grau de judicialização atual, e um desequilíbrio financeiro jamais visto, que pode chegar na casa dos R$ 100 bilhões.

Como ser otimista assim? Vou além: como ser otimista quando lembramos que Dilma quebrou, em sua única experiência como gestora, uma lojinha de produtos baratos? Como alguém em sã consciência achou que ela seria capaz de administrar a economia do Brasil, as estatais, tudo de cima para baixo, com uma arrogância típica de quem acha que entende do assunto e pode dar conta do recado sozinha?

Nossas estatais correm sério perigo, assim como a economia toda. E Dilma ainda vem falar de “factoide político”? Não, presidente. Não são “factoides”, mas fatos da dura realidade, que insistem em esfregar na cara de todos o enorme estrago de sua assustadora incompetência como gestora. Salvem as estatais! Salvem o Brasil!

Rodrigo Constantino

 

Petrobras treina jurídico para enfrentar a CPI

Por Cecília Ritto, na VEJA.com:
A mobilização na Petrobras para minimizar os impactos da CPI criada com o objetivo de investigar os contratos da estatal incluiu um treinamento específico e detalhado para a área jurídica da empresa. Foram cinco aulas, cada uma de duas horas, de 26 de junho a 11 de julho, no quinto andar da empresa, no Rio de Janeiro. Todas ministradas pelo advogado Manoel Messias Peixinho, professor da PUC-Rio e autor do livro Comissões Parlamentares de Inquérito: princípios, poderes e limites. Os advogados estavam preocupados com as pressões feitas pela diretoria da Petrobras para ocultar, com uma tarja preta, informações consideradas sigilosas de documentos relativos à venda da refinaria de Pasadena, no Texas.

Muitos desconheciam o que poderia ser omitido e o que teria de ser mostrado. O grupo também não sabia como proceder diante das orientações para atrasar a entrega de alguns papéis e responder parcialmente às demandas da CPI, uma das questões centrais do curso. Segundo fontes da empresa, alguns advogados se mostraram totalmente despreparados – conceito como sigilo de justiça foi explicado à turma. Também foram exibidos e comentados vídeos dos depoimentos de Graça Foster e de Nestor Cerveró à CPI, para ajudar os “alunos” a melhor orientar seus chefes.

O treinamento é parte de uma ofensiva da Petrobras para evitar maiores desgastes à imagem da empresa. Mostra a extensão, também no Rio de Janeiro, da preocupação da estatal com a CPI, que, em Brasília, chegou ao cúmulo da montagem de um esquema de recebimentos antecipados das perguntas que seriam feitas pelos parlamentares, como revelado por VEJA.

A ação implicava em uma grande encenação na inquirição feita pelo congresso. As respostas dadas pela diretoria estavam na ponta da língua. Um vídeo divulgado na íntegra por VEJA nesta semana, com vinte minutos de duração, mostrou uma reunião na Petrobras, no escritório de Brasília, para organizar a armação. No Rio, a tentativa da empresa de travar documentos ao Congresso sobre os prejuízos da compra de Pasadena, nos Estados Unidos, é mais uma página dessa história de faz de conta.

Por Reinaldo Azevedo

 

Petrobras tem o direito de organizar a sua defesa; o que não pode é fraudar o Legislativo

A Petrobras pôs o seu departamento jurídico para fazer uma espécie de treinamento intensivo para enfrentar as vicissitudes das CPIs — especialmente da Mista, que é a que tem alguma chance de seriedade. Aquela feita no Senado, só pela bancada governista, não passa de uma piada grotesca.

Não há nada de errado nesse procedimento. Treinar, estudar, preparar-se etc. é até uma obrigação. Nunca ninguém reclamou disso. E não foi isso o que a reportagem da VEJA denunciou na semana passada e esmiuçou nesta. O que se fez foi coisa bem distinta: armou-se um esquema verdadeiramente criminoso para fraudar qualquer eventual chance de se fazer uma apuração a sério no Senado.

Perguntas foram previamente passadas aos depoentes. Mais do que isso: as questões que seriam feitas a José Sérgio Gabrielli e à própria Graça Foster, por exemplo, foram enviadas ao comando da estatal para que se fizesse um gabarito. Trata-se de uma grave afronta ao Poder Legislativo. Pior: constatou-se em tudo isso a mão grande do governo federal.

Não se pode censurar uma empresa sob investigação por organizar a sua defesa. Isso é coisa muito diferente da pistolagem política a que se assistiu.

Por Reinaldo Azevedo

 

Decisão do Supremo pode jogar a política nas mãos de outros Albertos Youssefs…

Este post é especialmente dirigido aos ministros do Supremo Tribunal Federal.

A VEJA desta semana traz uma entrevista com Meire Poza, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef. Ela é uma das principais testemunhas do inquérito que resulta da operação Lava Jato, da Polícia Federal, que trouxe à luz um esquema de lavagem de dinheiro gerenciado pelo doleiro que pode ter lavado nada menos de R$ 10 bilhões.

Muito bem, leitores. Note-se que o esquema gigantesco funcionava com desassombro enquanto se desenrolava, por exemplo, o processo do mensalão no Supremo. Algumas das figuras coroadas da política estavam indo para a cadeia, mas outros bandidos ousavam ainda mais, num esquema que envolvia políticos, funcionários da Petrobras, partidos e empreiteiras.

Então quero agora chamar a atenção de vocês para uma estupidez em curso. Está para ser concluída no Supremo — aguardando apenas um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes — a votação de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que tornará ilegal a doação de empresas privadas a partidos e candidatos. Já há uma maioria para isso. É uma insanidade!

Se e quando acontecer, é claro que vão crescer exponencialmente as doações ilegais. Ora, será que o mensalão não ensinou nada aos ministros do Supremo que querem proibir as doações legais? Aquele escândalo não nasceu do caixa dois. É uma mentira! Tratava-se de um esquema de formação de um Congresso paralelo e da roubalheira de sempre.

O mesmo se diga agora do escândalo apurado na operação Lava Jato. O que ele tem com doação de campanha? Nada! São apenas larápios se aproveitando de posições privilegiadas em partidos políticos e numa estatal para obter vantagens. Ora, o que nós percebemos? As empreiteiras queriam fazer um negócio com a Petrobras? Tinham de pagar um pedágio para Youssef, que depois distribuía parte do dinheiro para políticos. Prefeitos queriam grana? Pois não! Era só investir recursos da Prefeitura num fundo criado pelo doleiro e recebiam 10% de propina.

Digamos que as doações privadas de campanha passem a ser proibidas. Cabe, então, a pergunta óbvia: esquemas como esse deixarão de existir? A resposta é escandalosamente óbvia: é claro que não! Ao contrário! Se e quando isso acontecer, eles vão é se multiplicar. Não deixa de ser emblemático que seja justamente o PT — um dos partidos que mais apelaram aos serviços de Youssef — a legenda especialmente empenhada em proibir as doações privadas e instituir o financiamento público de campanha.

Alguém dirá: “Ah, mas nós queremos moralizar as doações; justamente impedir a interferência do poder econômico nas eleições…”. Ocorre, ministros, que os senhores estarão fazendo justamente o contrário! Quando proibirem as doações legais — aquelas registradas —, estarão deixando o sistema político brasileiro ainda mais à mercê de figuras sinistras como esse Alberto Youssef. Quando, então, a totalidade das doações privadas for para a clandestinidade, é gente como ele que passará a ditar as regras nos bastidores da política.

O julgamento ainda não acabou, e ministros podem mudar seu voto enquanto não se conclui a votação. Espero que homens e mulheres tão responsáveis ponham a mão na consciência e olhem direito para o que está em curso. Uma decisão desastrada pode unir, definitivamente, a política e o crime organizado. Será o pior dos mundos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Eleições: PT larga em desvantagem na corrida ao Senado

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Nas eleições de 2010, além de eleger sua candidata, a então ministra Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ditou outra prioridade ao PT: ampliar sua bancada no Senado, a Casa Legislativa que lhe impôs derrotas cruciais ao longo do mandato – a maior delas, o fim da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, o extinto imposto do cheque). Na época, Lula tinha como obsessão derrotar desafetos como Arthur Virgílio (PSDB-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Heráclito Fortes (ex-DEM-PI). O esforço deu certo: há quatro anos, o PT elegeu 8 senadores, formando uma bancada de 14 cadeiras – naquela eleição, duas cadeiras por Estado estavam em disputa. Quatro anos depois, pelo menos na largada da corrida eleitoral, a situação é diferente. Vinte e sete das 81 cadeiras do Senado Federal estão em jogo nessas eleições. Dezesseis delas pertencem a partidos aliados à presidente Dilma Rousseff; nove, a oposicionistas. De acordo com as pesquisas de intenção de voto, a situação pode se inverter: se o cenário atual se mantiver até outubro, pelo menos dezesseis adversários do PT serão eleitos.

Nessa conta estão integrantes do bloco PSDB-DEM, aliados do presidenciável Eduardo Campos e peemedebistas considerados rebeldes. Em apenas seis Estados há uma vantagem clara para o candidato dilmista. O PT está à frente em somente um deles: Pernambuco, onde João Paulo Lima, ex-prefeito do Recife, é o mais cotado. A potencial conquista não compensaria as três cadeiras que o partido perderá com o fim da atual legislatura. Hoje, o PT possui treze senadores. O PMDB, a maior bancada, tem dezenove.

O panorama não é definitivo e, como apenas um terço das cadeiras do Senado serão renovadas, o impacto dessas eleições é relativo. Os parlamentares aliados do PT continuam sendo ampla maioria dentre os 54 senadores que têm mais quatro anos de mandato a cumprir. E pode haver outras mudanças na composição do Senado porque seis senadores com mandato estão disputando outros cargos. Se forem bem sucedidos, deixarão seus postos nas mãos dos suplentes, que frequentemente são filiados a outras legendas. Além disso, ainda faltam quase dois meses para as eleições, e o panorama pode mudar. Feitas todas as ressalvas, a verdade é que o cenário atual é ruim para o PT. A situação em alguns estados importantes dá uma amostra das perspectivas dessa eleição.

Em São Paulo, por exemplo, o problema é a falta de nomes: o senador Eduardo Suplicy (PT) ocupa o cargo há 23 anos e quer mais oito anos de mandato. As pesquisas até aqui mostram que o eleitorado paulista prefere José Serra (PSDB).

Antônio Anastasia (PSDB), ex-governador de Minas Gerais, tem o caminho livre para chegar ao Senado. Em Santa Catarina, Paulo Bornhausen (PSB) é o primeiro colocado nas pesquisas. No Rio Grande do Sul, o estreante Lasier Martins (PDT) tem uma pequena vantagem diante de Olívio Dutra (PT). Lasier pertence a um partido aliado de Dilma, mas integra uma coligação com o DEM no Estado. Na Bahia, quem lidera as pesquisas é o peemedebista rebelde Geddel Vieira Lima, aliado do DEM no plano estadual. O Ibope divulgou na última semana um levantamento apontando Ronaldo Caiado (DEM) como favorito à conquista de uma cadeira em Goiás.

A articulação petista parece ter deixado de lado o Senado para priorizar as candidaturas aos governos estaduais em meio a turbulências, como a queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff, os desentendimentos entre PT e PMDB, a consolidação da candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência e o surgimento de uma terceira via capitaneada por Eduardo Campos (PSB). ”Em vários estados PT e PMDB não conseguiram articular uma coligação. Isso foi um problema em 2010, mas em 2014 virou um algo muito maior” diz o professor David Fleischer, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília.

Ainda há tempo para muitas reviravoltas, mas o começo da corrida eleitoral ao Senado deve colocar os petistas em alerta: os planos de obter a maior bancada da Casa agora parecem distantes da realidade. O exemplo do Ceará é simbólico: o mesmo Tasso Jereissati derrotado em 2010 agora tem uma larga vantagem sobre os outros candidatos, segundo pesquisas. É cedo, mas pode ser o primeiro sinal de que alguns rumos mudaram.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Cristão não vota em petista”

Já escrevi aqui a respeito da procura desenfreada pelos votos dos evangélicos nos anos pares, que são os eleitorais. Os candidatos costumam se mostrar crentes a mais não poder: combatem as drogas, dizem-se contra o aborto, falam nos valores da família, mostram-se verdadeiros… cordeiros de Deus. Desligadas as urnas, ninguém mais dá pelota.

Abaixo, o pastor Silas Malafaia trata do assunto. Segundo a sua opinião, não há como um cristão autêntico votar no PT. Ele explica os motivos. Atenção! Os candidatos têm o direito — e até o dever! — de dizer o que pensam. Reitero: se são favoráveis, por exemplo, à descriminação das drogas e do aborto, que o digam com clareza, ora! Se acham que o tal PLC 122 é bacana, que exponham o seu ponto de vista. O que não é tolerável é a mentira. O que não é aceitável é a hipocrisia. O que não é decente é o fingimento. O que não é digno é comparecer a cultos cristãos, de quaisquer denominações, declarar a sua fé e depois fazer uma política contrária àqueles valores, como tem sido rotina.

Malafaia diz estar sofrendo perseguição por causa de suas opiniões. É bem possível. Afinal, sob este governo, computadores da Presidência fraudam perfis de jornalistas no Wikipédia; funcionários de bancos privados são demitidos por fazer avaliações que irritam os poderosos, e jornalistas incômodos vão parar em listas negras.

A democracia supõe, entre outras coisas, a clareza. Malafaia, segundo sei, deve apoiar a candidatura à Presidência de Pastor Everaldo, do PSC. Segue o vídeo em que ele expõe o seu ponto de vista. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Um vídeo que expõe o horror promovido pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Ou: Quem financia os psicopatas homicidas?

O vídeo abaixo traz imagens fortes. Infelizmente, no entanto, creio que ele tem de se espalhar. É preciso que fique claro, com todo o sangue e com todas as mortes, o que é e como age o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) — ou ISIS, na sigla em inglês, liderado por um psicopata que se identifica como Abu Bakr Al-Baghdadi, cujo verdadeiro nome é Ibrahim ibn Awad, ou “Califa Ibrahim”. Antes de fundar o EIIL, ele foi o braço da Al Qaeda no Iraque, e o próprio Bin Laden repudiava os seus métodos. Por incrível que pareça, chegou a ser preso pelas tropas americanas em 2005. Ficou quatro anos numa base no Iraque, mas foi solto em 2009.

Al-Baghdadi quer criar um califado em parte do território da Síria e do Iraque, hoje sob o domínio do grupo. No vídeo, vocês veem parte de 1.500 adolescentes que foram executados a sangue-frio, com tiros na cabeça, depois de implorarem por suas vidas. Os corpos ou foram enterrados, enfileirados, em cova rasa, ou foram jogados no rio. Há muito tempo o mundo não assistia a coisa parecida. Volto em seguida.

Retomo
A gente até pode não ter estômago para ver o horror até o fim, mas um vídeo como esse tem de circular. É preciso que a natureza dessa gente seja exposta. Os EUA já executaram quatro ataques aéreos às bases terroristas, o último, enquanto escrevo aqui, tinha acontecido no sábado. A ação, felizmente, facilitou o avanço das tropas curdas, que retomaram as cidades de Gwer e Makhumur. Depois de Barack Obama ter feito a espantosa besteira de ter deixado o Iraque entregue ao terror, toma agora uma providência — ainda modesta, diga-se.

Mohammed Shia al-Sudani, ministro dos Direitos Humanos do Iraque, afirmou neste domingo que pelo menos 500 pessoas da minoria yazidi, que professa uma religião pré-muçulmana e é considerada pelos jihadistas cultora do diabo, foram assassinadas desde que os terroristas chegaram à região da montanha do Sinjar. Mulheres e crianças teriam sido enterradas vivas. Assistindo ao vídeo, não há por que duvidar da informação. Dezenas de milhares de yazidis se embrenharam na montanha e estão encurralados.

Atenção: o vídeo tétrico foi feito pelo próprio grupo, e o narrador está exaltando as mortes como um trabalho de purificação. O que impressiona é que os terroristas estão armados até os dentes, com fuzis, tanques e bateria antiaérea. Quem financia essa gente? Essa, sim, é a investigação que os Estados Unidos e as potências europeias têm de fazer. Os financiadores do horror devem ser considerados o que são: terroristas também.

Aqui e ali, vejo que o nome do grupo não é bem compreendido. A palavra “levante” da sigla nada tem a ver com a sua revolta em si. O “Levante” — “Oriente ou Leste”, na origem Latina — compreende uma região. O “Levante Mediterrâneo” vai da Faixa de Gaza até parte da Turquia, passando por Israel, Jordânia e Síria. Assim, o celerado Baghdadi quer construir o seu califado em toda essa área, além, claro!, do Iraque, onde nasceu. São as suas modestas pretensões. É claro que ele não vai conseguir. Mas quantos mais pretende matar em sua sanha homicida?

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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