Abdelmassih saiu da lista da Interpol. Ainda procurado, Maluf luta por mais um mandato e pela reeleição de Dilma

Publicado em 20/08/2014 19:17 e atualizado em 21/08/2014 15:02 805 exibições
no blog de Augusto Nunes, de veja.com

Seis notas de Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

CARLOS BRICKMANN

Um olhar à frente

O fenômeno Marina era esperado: primeiro, por sempre ter estado nas pesquisas acima de seu companheiro de chapa; segundo, pela comoção provocada pela morte trágica de Eduardo Campos. O que não se esperava é que seus dois principais adversários continuassem nos mesmos patamares. Se não foi deles que Marina tirou suas novas intenções de voto, foi buscá-las em setores que pretendiam votar em branco ou anular o voto. É difícil que este eleitorado, que não aceitava os demais candidatos, aceite trocar Marina por eles. Marina pode perder votos entre os antigos eleitores de Eduardo Campos ou entre os novos participantes da cena política, que voltariam ao voto branco ou nulo.

E é aí que as principais campanhas concorrentes vão trabalhar: provar que Marina, ao contrário do que parece, não é o novo, é contra o progresso, não representa o povo que foi às ruas.

Democracia na prática

A entrevista da presidente Dilma Rousseff a William Bonner e Patrícia Poeta, no Jornal Nacional, foi um retrato em alta definição de nossa democracia como ela é. Os repórteres perguntaram o que deveriam perguntar e a presidente respondeu o que achou conveniente responder. Os repórteres insistiram, ela também.

E, com todos os esforços dos dois bons entrevistadores, o público continuou sabendo exatamente o que sabia antes da entrevista.

Briga boa

É briga boa: Carlinhos Cachoeira, condenado a 39 anos de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha (aguarda o julgamento do recurso em liberdade), não gostou de ser citado pelo candidato do PMDB ao Governo goiano, Íris Rezende, como personagem central “do maior escândalo de que se tem notícia na administração deste país”. Reagiu duro, com artigo publicado no Diário da Manhã, de Goiânia: “Os canalhas também envelhecem”.

Fala de doações de campanha, “de assuntos não tão republicanos”, e diz que está tudo documentado. O governador tucano Marconi Perillo, candidato à reeleição com ampla vantagem sobre Íris, não se envolveu na briga, mas sua equipe divulgou fartamente a carta de Cachoeira. Íris reagiu acusando Cachoeira de ser “preposto do governador”.

Continua nos próximos dias.

É vendaval

E uma injustiça dizer que o Legislativo não trabalha, ainda mais nesses dias de início de campanha. É injusto também acusar o Legislativo de decidir com lerdeza. A Assembleia do Ceará acabou de aprovar projeto do governador Ciro Gomes, do PROS, criando novos cargos, sem concurso, na diretoria da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados, com o salário-teto do Estado: R$ 16.147,69 mensais. O projeto tramitou na Assembleia por uma semana, passou por todas as comissões técnicas de praxe e foi rapidamente aprovado. Os dois diretores serão nomeados imediatamente e terão mandato de quatro anos; o novo governador, que toma posse em 1º de janeiro, será obrigado a engoli-los.

Os recursos

De onde vem o dinheiro? Simples: a verba necessária para as duas novas diretorias foi retirada do Fundo Estadual de Combate à Pobreza. Nada mais justo: embora viva a maior seca dos últimos 50 anos, o Ceará tem dois pobres a menos.

Os milagres da tecnologia

A ONG Contas Abertas, fiscal dos gastos públicos informa que a Presidência da República determinou a compra de uma câmera fotográfica digital Canon EOS SD, de última geração, por R$ 9.400,00.

Para melhorar a imagem de nossos governantes, só se vier com turbo Photoshop UltraMaxLier acoplado.

(por Carlos Brickmann)

 

Voto útil, por Merval Pereira (O Globo)

A pesquisa eleitoral com a presença de Marina Silva suscita discussão interessante sobre o voto útil. A perspectiva de que a presidente Dilma seja derrotada no segundo turno, possibilidade que já se observava em várias pesquisas anteriores, que chegaram a dar a Aécio Neves, do PSDB, um empate técnico com ela e registravam um crescimento potencializado de Eduardo Campos, abre caminho não apenas para o movimento “volta Lula”, que parece inócuo a essa altura da campanha, como mesmo para um realinhamento de apoios na base aliada.

A decisão do senador Romero Jucá, o líder de todos os governos, de anunciar seu apoio a Aécio Neves, abre mais uma brecha no PMDB e prenuncia alguma mudança de ventos. O receio de que Marina possa chegar ao 2º turno derrotando Aécio, com chances de vencer Dilma, pode desencadear uma espécie de “voto útil” daqueles que não estariam confortáveis com sua vitória.

O vídeo de campanha de Eduardo Campos que vazou na internet é de uma rispidez verbal contra líderes do PMDB raramente vista em programas políticos nos últimos tempos. Agora, com a assunção de Marina à posição de candidata, ganha mais eficácia e produzirá um movimento de defesa desse grupo político.

Com a perspectiva de derrota de Dilma por Marina, alguns poderão permanecer no barco governista tentando uma reação, mas muitos começarão a procurar pontos de apoio na candidatura do PSDB. O mesmo pode acontecer com candidatos ligados ao agronegócio que ainda estão coligados com o PSB graças aos esforços que Campos fez para montar acordos regionais que viabilizassem a candidatura.

 

Leia a integra em Voto útil

 

Opinião

‘O califado petista’, de Arnaldo Jabor

Publicado no site do Globo

As eleições para presidente não serão “normais” — apenas uma disputa entre dois partidos para ver quem fica com o poder. Não. Trata-se de uma batalha entre democratas e não democratas. Está na hora de abrirmos os olhos, porque está em curso o desejo de Dilma e seu partido de tomar o governo para mudar o Estado. Não tenho mais saco para tentar análises políticas sobre a “não política”. Não aguento mais tentar ser “sensato” sobre a insensatez. Por isso, só me resta fazer a lista do que considero as doenças infantis do petismo, cuja permanência no poder pode arrasar a sociedade brasileira de forma irreversível.

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Preso no Paraguai, Abdelmassih saiu da lista da Interpol. Ainda procurado, Maluf luta por mais um mandato e pela reeleição de Dilma

malufvaiProcurado pela Interpol, o médico Roger Abdelmassih foi preso no Paraguai ao fim de uma operação conjunta da Polícia Federal e da Secretaria Nacional Antidrogas do país vizinho.

Primeiro colocado na lista da Interpol, o deputado federal Paulo Maluf segue em liberdade. No momento, usa o direito de ir e vir para conseguir mais um mandato (e mais quatro anos de imunidades parlamentares). Amigo dos amigos, jamais esquece de pedir a seus eleitores que também votem em Dilma Rousseff.

(por Augusto Nunes)

 

VÍDEO: O primeiro programa de Dilma no horário eleitoral. Programa bem feito, a presidente conseguiu até ser simpática etc… Só faltou dizer verdades

Muitos dos amigos do blog podem não ter visto o horário eleitoral obrigatório de ontem à noite, em que se apresentaram os candidatos a presidente. Então, confiram o programa de Dilma.

Graças ao fato de estar bem ensaiada e bem dirigida e às habilidades do marqueteiro João Santana, ela conseguiu parecer algo que nunca é, como presidente — uma pessoa à vontade, simpática, risonha e relaxada.

Como sabemos, a imagem, em TV, é mais importante do que o que a pessoa diz, a menos nos casos em que o discurso consegue atingir o grau de impacto da linguagem corporal, o que é raro.

Mesmo assim, gostaria de comentar dois pontos da fala da candidata.

PONTO UM:

Dilma, lá pelas tantas, em meio a vanglórias sobre o próprio governo, afirma que o crescimento econômico, em seu período, esteve “um pouco baixo” por culpa, claro, da situação internacional (não comparou o Brasil com Peru, Panamá, Colômbia e outros países latino-americanos que bombaram nos ultimos quatro anos…).

Faltou dizer, como já descobriram especialistas e vem comentando, entre outros, o economista Eduardo Gianetti da Fonseca, que o crescimento econômico do país sob o dilmato foi pífio, ínfimo, ridículo, minúsculo — só inferior a DOIS GOVERNOS na história da República: o do marechal Floriano Peixoto (1891-1894) e a desastrada e desgraçada gestão do presidente Fernando Collor (1990-1992).

Dizer a verdade é difícil, não?

PONTO DOIS:

Uma voz em off a chama de presidente “de mãos limpas”. Não tenho porque duvidar de que, pessoalmente, a presidente tenha mãos limpas, embora a suposta “faxina étnica” que realizou em seu governo, com demissões de ministros e outros figurões, não tivesse resultado em um só dia de cadeia.

Mas pergunto: como é que uma presidente “de mãos limpas” remancha tanto, tanto, tanto em condenar a corrupção praticada por seus companheiros de partido ora na cadeia, condenados que foram no processo do mensalão — entre eles dois ex-presidentes do PT (José Dirceu e José Genoino) e um ex-tesoureiro?

Dilma teve quatro ou cinco oportunidades de fazer uma crítica miserável que fosse aos corruptos de seu partido na famosa entrevista que concedeu a William Bonner e Patrícia Poeta, da TV Globo — mas sistematicamente fugiu das perguntas, refugiando-se no fato de que presidente da República não critica decisões do Supremo.

“Esqueceu-se”, em alguns momentos do programa, de que estava ali na condição de CANDIDATA.

E assim segue o filme da campanha. Até onde?

 

A presidente no sufoco editorial de O ESTADO DE S.PAULO

Nunca antes nos 3 anos, 7 meses e 18 dias de Dilma Rousseff no Planalto o público tinha tido a oportunidade de ver o que subordinados da "gerentona" conhecem por humilhante experiência própria: a chefe à beira de um ataque de nervos. Com a diferença de que, no seu gabinete, ela se sente literalmente em casa para descarregar a ira com as presumíveis dificuldades da equipe em captar o seu pensamento - o que, tendo em vista as peculiares circunvoluções de sua forma de expressão, se explica plenamente.

"Não há no inferno", escreveu Shakespeare, "fúria comparável à de uma mulher rejeitada." Ou de uma Dilma Rousseff contrariada - e sem poder pôr no devido lugar o responsável real ou imaginário pela afronta. Foi o que a audiência do Jornal Nacional (JN) da segunda-feira descobriu ao acompanhar a entrevista dos apresentadores William Bonner e Patrícia Poeta com a candidata à reeleição. Ela foi a terceira a ser arguida na série de sabatinas de 15 minutos com os principais aspirantes à Presidência, iniciada com o tucano Aécio Neves, a quem se seguiu o ex-governador Eduardo Campos, na véspera de sua trágica morte. (Quando a sua candidatura tiver sido formalizada, também Marina Silva será convidada.)

Por ser presidente, Dilma teve o privilégio de receber os jornalistas na residência oficial do Alvorada, à frente de estantes de livros encadernados e cuidadosamente dispostos, sem sinal de manuseio, um cenário escolhido para denotar solenidade, elevação e a nobreza da função presidencial. Nada que ver com o ambiente do JN, nos estúdios da Rede Globo, no Rio de Janeiro, em que os donos da situação, como Aécio e Campos sentiram na pele, são os âncoras do principal noticioso da TV brasileira, infundindo, nas suas perguntas, contundência e conhecimento de causa à altura dos seus implacáveis colegas britânicos - a referência mundial no gênero.

Mas logo na resposta ao primeiro disparo de Bonner sobre uma das duvidosas distinções do governo - as denúncias de casos de corrupção em sete ministérios - ficou claro o desamparo da presidente. Faltava-lhe o ponto no ouvido pelo qual o seu marqueteiro João Santana poderia conduzi-la, se não a terra firme, ao menos para longe do vórtice. Pior ainda, faltava-lhe o conforto das gravações irrepreensivelmente produzidas que confeccionam uma imaginária Dilma estadista. Com o misto de irritação e impaciência que denotaria durante toda a entrevista, ela desandou a juntar frases e mais frases que tinham em comum a extensão, a desconexão e a pretensão.

Para mostrar superioridade ética, por exemplo, disse que os governos petistas não têm um "engavetador-geral da República", como, segundo a oposição, teria sido o titular do Ministério Público Federal nos anos Fernando Henrique. E reivindicou, para "nós", a criação da Controladoria-Geral da União. Na realidade, Lula pouco mais fez do que mudar o nome do órgão fiscalizador do Executivo (Corregedoria-Geral da União) instituído pelo tucano em 2001 e fortalecido no ano seguinte com a absorção da Secretaria Federal de Controle, antes vinculada ao Ministério da Fazenda. Em dado momento, tentando cortar o interminável palavrório da candidata, o entrevistador recebeu uma dose de Dilma em estado puro: "Então, continuando o que eu estava dizendo…".

Fez-se de desentendida quando Bonner lhe perguntou o que achava de o PT tratar como vítimas os companheiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. Pelo menos três vezes ela repetiu que, como presidente, "não julgo ações do Supremo", por mais que o jornalista reiterasse que o objeto da pergunta era a conduta de seu partido, não o veredicto do Tribunal. A esta altura, Dilma parecia prestes a explodir. Quando o assunto passou a ser a economia, diante dos números amargos, de conhecimento público, sobre a inflação e o PIB, saiu-se com um "não sei da onde que estão (sic) seus dados". O tempo do programa estourou depois de quatro perguntas apenas e Dilma precisou ser interrompida quando pedia "o voto dos telespectadores".

Terminado o sufoco, a presidente tomou uma decisão prudente, embora apequenadora: cancelou a entrevista que daria em seguida à Globo News.

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blog Augusto Nunes (veja.com)

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