O debate: Dilma escolheu o confronto no ringue, não na arena de debates, e mais apanhou do que bateu. Perdeu por pontos

Publicado em 16/10/2014 22:54 e atualizado em 18/10/2014 08:24 3678 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com

Dilma escolheu o confronto no ringue, não na arena de debates, e mais apanhou do que bateu. Perdeu por pontos

Se o debate da Band foi equilibrado — achei que o tucano Aécio Neves se saiu melhor porque, ao menos, tentou apresentar propostas —, o embate travado nesta quinta, promovido pela Jovem Pan, pelo UOL e pelo SBT, foi bem desequilibrado: o domínio esteve com Aécio durante quase todo o tempo. É a velha história: o ouvinte/telespectador decide quem ganhou e quem perdeu. Eu me limito a falar do desempenho de cada um.

As táticas de Dilma para desestabilizar o adversário não funcionaram e, convenham, ele acabou vencendo no contra-ataque. Se será essa a avaliação majoritária do eleitorado, não sei. Dilma voltou a criticar a gestão de Aécio em Minas e a desfilar números supostamente ruins das gestões tucanas. Ele contestou, claro!, e seria infindável entrar aqui nas minudências, mas encontrou duas armas que me pareceram muito eficazes: lembrou que já está à frente dela em Minas — e as pesquisas vão demonstrá-lo — e sugeriu que a petista deixe o povo mineiro em paz, que pare de tentar degradar o Estado. A petista sentiu o golpe e tentou se explicar: estava criticando o candidato, não os mineiros. Acabou fincando na defensiva.

O debate serviu para deixar claro que o PT não terá nenhum receio em avançar para o campo pessoal. Dilma tentou ser sutil e perguntou o que o tucano pensava sobre a Lei Seca. Ele acertou ao se antecipar, desafiando Dilma a ter “coragem para a fazer pergunta direta”. E emendou: “Eu tive um episódio, sim, e reconheci. Eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. Eu tive um episódio que parei numa [blitz da] Lei Seca porque minha carteira estava vencida e, ali naquele momento, inadvertidamente, não fiz o exame e me desculpei disso.” E afirmou que era diferente de sua oponente, que nunca reconhece os próprios erros. E concluiu: “A senhora caminha para perder essas eleições pela incapacidade que demonstrou inclusive de respeitar os seus adversários”.

No queixo
Fosse uma luta de boxe, Dilma teria levado um direto no queixo ao acusar o Aécio de empregar Andrea Neves, sua irmã, no governo — ela atuou no Fundo de Solidariedade de Minas, uma atividade não-remunerada. O tucano esperou que a adversária fizesse um belo salseiro a respeito e disparou:
“Candidata, a senhora conhece o senhor Igor Rousseff? Seu irmão, candidata! Não queria chegar a esse ponto. O seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel no dia 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar. Essa é a grande verdade. Lamento ter que trazer esse tema aqui. A diferença entre nós é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. Seu irmão recebe e não trabalha nada. Infelizmente, agora, nós sabemos por que a senhora diz que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que seus aliados o fizessem.”

Sem resposta, Dilma tartamudeou: “A sua irmã e meu irmão, eles têm que ser regidos pela mesma lei. Eles não podem estar no governo que nós estamos. O nepotismo, eu não criei”. Acho que ela quis dizer que não é nepotismo quando um aliado contrata o parente de um político. É, sim: chama-se “nepotismo cruzado”. E, claro, entre trabalhar e não receber e receber e não trabalhar, só uma das duas práticas lesa os cofres públicos.

De resto, encerro relembrando aquela que foi a barbaridade da noite: para Dilma, uma inflação de 3% no Brasil só é possível com uma taxa de desemprego de 15%. É uma das maiorias abobrinhas ditas sobre economia nos últimos tempos. Só que é uma abobrinha brava, do tipo perigosa. Segundo a sua lógica perturbada, a inflação deve continuar alta para que não haja desemprego.

Eis aí uma derrota, antes de mais nada, intelectual. Dilma escolheu um confronto no ringue, não numa arena de debates. E perdeu. Até petistas ficaram desanimados. Se será essa a impressão do eleitor, não sei. Quem tem bola de cristal são os institutos de pesquisa. Falo do que vi e ouvi.

Por Reinaldo Azevedo

O marqueteiro, não a médica, amparou Dilma quando ela alertou que estava passando mal

Pois é… Espero, sinceramente, que nada de mal tenha acontecido com a presidente Dilma Rousseff e que o mal-estar que ela sentiu tenha sido mesmo em decorrência de uma queda de pressão, que pode acontecer. Já falo a respeito — até porque sou especialista em pressão baixa; meu médico sempre diz que o contrário é que seria ruim —, mas, antes, quero aqui tratar de uma questão de estado.

Dilma é candidata do PT à Presidência, à reeleição, mas já é presidente. Sempre tem à sua disposição médico — no caso, a presidenta tem uma médica —, equipe de paramédicos, tudo conforme manda, e deve mandar, o figurino. A doutora, no entanto, não estava por ali, e a presidente, ora vejam, foi socorrida por João Santana. Não sabia que ele também é especialista nessa área.

O vídeo segue no pé deste post. A gente vê que Dilma se embanana duas vezes enquanto responde a pergunta da repórter Simone Queiroz, que é quem acaba lhe dando a deixa: “A senhora está passando mal?.” E Dilma diz, então, que sua pressão deve ter caído. Restabelecida, ela tenta falar de novo, mas já tinha usado seu tempo numa resposta um tanto confusa.

Ao ser socorrida por doutor Santana, a presidente afirma: “Meu filho, eu devia ter comido antes de sair de casa. Caiu um pouquinho a minha pressão. Eu senti que ia cair, mas aí, imediatamente, eu dei uma esfregadinha nos meus pulsos. A minha sorte foi que não aconteceu nada disso [durante o debate]. Foi na hora que eu levantei, porque eu levantei subitamente”.

Então vamos lá. Eu não sei quem disse à presidente que esfregar os pulsos faz subir a pressão. Se a senhora puser um galho de arruda atrás da orelha, o resultado é o mesmo, candidata: nenhum! Dar três pulinhos, nem que seja de ódio, por ser mais eficaz. Esse negócio de a pessoa estar sentada, levantar, e a pressão sanguínea cair caracteriza a “hipotensão postural”. Mas não foi o que aconteceu porque, nesse caso, o mal-estar é imediato, se dá quando a pessoa se põe de pé, não minutos depois, como foi o caso. Se o indivíduo ficar muito tempo em pé — e isso também não aconteceu —, pode ser vítima de hipotensão. Uma situação de estresse intenso também pode levar ao mal-estar. Dilma perdeu claramente o confronto com Aécio, mas não a ponto, acho eu, de sofrer uma queda de pressão.

De todo modo, reitero: quando uma presidente da República passa mal, quem tem de socorrê-la é o medico, não o marqueteiro.

Vejam o vídeo. EM TEMPO: NESTE BLOG, NINGUÉM TORCE PARA A MÁ SAÚDE DE NINGUÉM. 

Por Reinaldo Azevedo

Cadê a médica?

O momento em que Dilma passou mal

O momento em que Dilma passou mal

Quando Dilma Rousseff passou mal, logo após o fim do debate do SBT, foi um corre-corre  absolutamente natural entre os seu assessores: era o momento de a médica da Presidência da República entrar em cena.

Dilma ali, no estúdio, com queda de pressão e…nada da médica. Onde ela estava?  Dentro do helicóptero da Presidência da República, no heliponto do SBT. Teve que ser chamada às pressas.

Por Lauro Jardim

SBT tira os vídeos do Youtube do ar

O SBT tirou do ar os vídeos do Youtube que mostram o momento em que Dilma disse que estava passando mal. Se você não viu, o link está aqui.

Por Reinaldo Azevedo

Lula, o Babalorixá de Banânia, agora espalha que Aécio foi agressivo. Claro… Suave foi Dilma, né?

Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, já começou a entrar na fase do desespero eleitoral e decidiu aderir ao “coitadismo”. Acusa por aí, para gáudio dos blogs sujos, que o tucano Aécio Neves foi agressivo com a petista Dilma Rousseff, como se, nesta eleição, os adversários é que estivessem recorrendo ao jogo sujo.

Fiquemos, por enquanto, nas práticas rasteiras contra Aécio. Quem partiu para a desconstrução do governo de Minas? Não que isso seja em si um pecado, desde que os números empregados sejam verdadeiros. E não são. Quem, no debate do SBT, apelou a questões familiares e, na noite desta quinta, avançou para o campo pessoal? Que partido, nos bastidores e até abertamente, na imprensa, faz ameaças, como se tivesse um grande trunfo na manga? Ontem, o deputado Vicentinho (PT-SP), sem nenhum pudor, sugeriu a jornalistas que a pancadaria que está aí é só o começo.

Na quarta, alertei aqui, os petistas plantavam em todo canto, para qualquer jornalista que quisesse ouvir, que uma grande bomba está para estourar nesta sexta. Anteciparam? Já teria sido a de ontem, com a acusação feita por Paulo Roberto Costa de que Sérgio Guerra, já morto e ex-presidente do PSDB, recebeu propina da quadrilha que atuava na Petrobras? A delação premiada, que corre em sigilo de Justiça, estaria sendo instrumentalizada “pelos companheiros”, que, não obstante, reclamam da divulgação de um depoimento do ex-diretor da Petrobras que nem sob sigilo está?

Mas voltemos um pouco e pensemos em Marina. Lembrem-se do que o PT fez com ela. Reitero: não tenho a menor simpatia pela líder da Rede e discordo de uma penca de coisas que ela diz. Mas pergunto: independência do BC tira a comida do prato dos brasileiros? Marina pretendia mesmo paralisar o pré-sal e provocar rombo de R$ 1,3 trilhão na educação? Chega a ser revoltante. Pior de tudo: o partido, que é aliado de Paulo Maluf e de Fernando Collor, chegou a acusar Marina de se alinhar com representantes do regime militar.

É certamente o que Lula chama de “campanha honesta”. 

Por Reinaldo Azevedo

Eleições 2014

Dilma, a vítima

Dilma no debate

Dilma no debate, pouco antes de passar mal

O PSDB está certo de que o PT, ou melhor João Santana, irá usar a queda de pressão de ontem de Dilma Rousseff para vitimizá-la.

Aliás, ontem, num comício em Manaus, Lula iniciou o processo. Disse Lula:

- Quando eu vejo um homem na televisão ser ignorante com uma mulher, como ele tem sido nos debates, eu fico pensando: se esse cidadão é capaz de gritar com a presidenta, fico imaginando o dia que ele encontrar um pobre na frente: é capaz dele pisar ou não enxergar.

Por Lauro Jardim

 

O bafo(metro) de Lula. Ou: Há sete anos…

No debate desta quinta, Dilma tentou ligar Aécio Neves à bebida. E se deu mal. Era decisão partidária. Lula fizera o mesmo num comício, há três dias. Quem diria, né? O poeta da cachacinha virou um moralista! E que se note: Lula gosta mesmo é de uísque, que ele bebia à farta na Fiesp, quando negociava uma coisa com os empresários e falava outra em assembleia para a “peãozada”. Um verdadeiro artista na arte da dissimulação. Sempre foi.

Em 2004, Larry Rohter, correspondente, então, no New York Times no Brasil, escreveu que o homem gostava de uma cachacinha. O chefão petista deu ordens para expulsá-lo do Brasil. A esquerda herbívora e carnívora babou de patriotismo.

Para muita gente, segue inesquecível a solenidade de posse de Nelson Jobim no Ministério da Defesa, em 25 de julho de 2007. O chefão petista estava num daqueles dias, digamos, cheios de alegria. Ao se despedir de Waldir Pires, o ministro que saía, disse com voz bem característica que o homem, coitado!, estava cansado… Ao saudar o titular que chegava, afirmou que resolveu nomeá-lo porque este estaria em casa, sem fazer nada, enchendo o saco da mulher. Era mesmo um gigante da institucionalidade!

Mas a gente sabe como são os moralistas, não é? Um repórter estrangeiro afirmar, em tom cordial, sem viés de denúncia, que Lula toma uma cachacinha é um crime contra a pátria. Lula sacar a acusação contra um adversário é coisa de poeta. Nojo!

Por Reinaldo Azevedo

 

O debate: Dilma quer pancadaria, não debate. E disse uma enormidade perigosa

Acabamos de ouvir, pela rádio Jovem Pan, ou de assistir pelo SBT, mais um debate entre os presidenciáveis Aécio Neves, do PSDB, e Dilma Rousseff, do PT. Mais uma vez, Dilma se negou a falar sobre o futuro do Brasil. O seu marqueteiro a preparou para duas coisas: para tentar desconstruir o governo FHC e para tentar desconstruir a gestão de Aécio Neves em Minas. Foi um festival de acusações. O tucano, justiça se faça, tentou falar sobre saídas para o Brasil. Mas ficou difícil.

Quero fugir um pouco da pancadaria para ficar na grande enormidade do dia. Ao ser indagada sobre a inflação alta no país, Dilma falou uma barbaridade que, é claro!, terá um preço alto caso ela vença a disputa. Em tom de acusação, a petista afirmou que seu adversário queria levar a inflação para 3% e que isso só seria possível se o desemprego fosse levado a 15%. É uma estupidez.

Se os mercados levarem a sério o que diz Dilma, segundo quem só é possível ter inflação baixa com desemprego alto, todos entenderão o óbvio: que ela vai manter baixo o desemprego e alta a inflação.

Ao acusar Aécio Neves de ter construído um aeroporto em terras de sua família — é falso porque a área era desapropriada —, Dilma afirmou que o dinheiro público não pode ser usado em benefício de alguns. Chega a ser engraçado que isso seja dito no momento em que a Petrobras, resta evidente, foi vítima de uma quadrilha. E um dos principais nomes envolvidos nas acusações é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT e conselheiro de uma estatal, nomeado por Dilma.

Não conseguimos saber quase nada do que pretendem os candidatos para o futuro do Brasil. Sobraram acusações e não ouvimos propostas. Dilma não quis.

Ainda voltarei ao tema.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ao lado de Marina, Aécio diz: ‘Disputa política não é guerra’

O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (Rede), concedem entrevista em São Paulo (Joel Silva/Folhapress)

O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (Rede), concedem entrevista em São Paulo (Joel Silva/Folhapress)

Por Bruna Fasano e Talita Fernandes, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, e a candidata derrotada do PSB, Marina Silva, realizaram nesta sexta-feira seu primeiro encontro oficial depois da ex-senadora declarar apoio ao tucano no segundo turno. E o clima não poderia ser melhor: a união foi selada com direito a troca de abraços e elogios. Membros do PSDB e PSB faziam fila para cumprimentar a dupla – uma cena que emprestou ao evento político ares de casamento. Ao lado da nova aliada, Aécio afirmou que a aliança é exemplo de uma “nova prática política”. “O que nós assistimos na política é o oposto disso. São entendimentos em torno de cargos, entendimentos em torno de vantagens, conveniências”, afirmou o tucano. Criticou ainda os ataques pessoais proferidos pela presidente Dilma Rousseff (PT) no debate de quinta-feira e prometeu reagir a “todas as calúnias”. “Faço convocação a Dilma para um debate programático. Disputa política não é guerra, não pode ser um vale-tudo. Ninguém destrói alguém e vence”.

Já Marina, que abandonou o tradicional coque para o evento, classificou o compromisso que Aécio formou com os brasileiros como “corajoso”, dizendo que ele soube interpretar “o que está acontecendo neste país nos últimos vinte anos”. “Aécio teve coragem de apresentar, doze anos depois, uma carta-compromisso aos brasileiros, indicando que vai resgatar os compromissos com política macroeconômica, que estão sendo terrivelmente prejudicados com juros altos, inflação alta e baixíssimo crescimento e pouco investimento no nosso país. O compromisso de que vai manter as políticas sociais e aperfeiçoá-las”, disse Marina. Ela afirmou ainda que Aécio deve vencer as eleições “ganhando”, já que não fez alianças sem compromissos.

Aécio evitou abordar o papel que caberia a Marina em um eventual governo tucano, dizendo que tratar do assunto “seria uma forma de desrespeito” à ex-senadora. “A Marina traz um simbolismo muito grande. Eu vejo através do abraço e do beijo carinhoso que recebi da Marina, o abraço e o beijo carinhoso de milhões de brasileiros que querem mudar esse país. São esses brasileiros que eu defendo a partir de agora”, disse, acrescentando que Marina não faz qualquer tipo de exigência para apoiá-lo.

Por Reinaldo Azevedo

Minha coluna na Folha: “Declaração de voto”

Leiam trechos.

Você não sabe em quem votar? Eu sei. Mas reconheço o seu direito a uma escolha, e, caso o seu voto não coincida com o meu, não vou pedir demissão da Folha (ahhh!!!!) nem sair por aí voando na vassoura da impostura, como Marilena Chaui, chamando-o, por isso, de ignorante. A democracia existe também para os ignorantes, e ela sabe disso. Os que tentaram civilizar a humanidade segundo suas luzes produziram tiranias e cadáveres.

Vote, por exemplo, na pessoa disposta a não flertar com a inflação. Você é uma pessoa que se preocupa com os pobres. Não é uma escolha ideológica, embora não houvesse mal nenhum em fazê-la. É matemática. Se você achar que é Dilma, então é Dilma; se achar que é Aécio, então é Aécio. Os dois já se disseram contra a inflação. Você tem ainda o direito de votar contra a matemática e os pobres. A democracia é generosa.

Inflação não é tudo, eu sei. Então faça o seguinte: vote em quem não alimenta projetos delirantes de controle da imprensa, com mecanismos paralelos ou oficiais de patrulha e censura. Não é ideologia, mas respeito aos Artigos 5º e 220 da Constituição, que resultou de um processo constituinte democrático. Se é Aécio, então é Aécio; se é Dilma, então é Dilma. Os dois prometem respeitar a liberdade de imprensa.
(…)
Você, como eu, pode estar com o saco cheio da roubalheira organizada e transformada em categoria política (“Rouba, mas produz justiça social”), que é “rouba, mas faz” que deixou a era do produtivismo e aderiu à onda do distributivismo. Se é Dilma que tem menos compromissos com a máquina institucionalizada do assalto aos cofres, seu nome é Dilma. Se é Aécio, então é Aécio. Ambos prometem ser duros com a corrupção.
(…)
Você ainda não escolheu? Seja livre e feliz e mande à merda os que se pretendem donos do seu voto. A democracia permite.
*
Para ler a íntegra, clique aqui

Por Reinaldo Azevedo

A quadrilha atuou também no fundo de pensão da Petrobras, diz PF

A Polícia Federal chegou à conclusão de que dois diretores do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, a Petros, receberam uma propina de R$ 500 mil para levar a instituição a fazer negócios com empresas do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), que já morreu, e do doleiro Alberto Yousseff. O dano à Petros, segundo a PF, é de R$ 13 milhões. Sabem quem a PF diz ter intermediado a falcatrua? O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Alguém está surpreso?

Os fundos de pensão de estatais têm forte influência do partido. Só para lembrar: os três principais do país — além da Petros, a Funcef, da Caixa, e a Previ, do Banco do Brasil — somam um patrimônio de R$ 280 bilhões, que corresponde a quase a metade dos R$ 624 bilhões dos 250 fundos em operação no país. Em 2013, essas instituições tiveram um prejuízo de R$ 22 bilhões. Quando o rombo aparece em fundos de estatais, geralmente é o povo que paga o pato porque o Tesouro acaba entrando na brincadeira. Desses R$ 22 bilhões de buraco, R$ 5 bilhões são da Previ, R$ 4 bilhões, da Funcef, e R$ 3 bilhões, da Petros.

No computador de Youssef, há o registro de 12 transações com a Petros. Segundo a PF, a coisa toda foi negociada diretamente com o ex-presidente do fundo Luiz Carlos Fernandes Afonso, que ficou no cargo entre 2011 e 2014. Ele é filiado ao PT e foi posto lá pelo partido.

O partido perdeu, em eleições recentes, o comando dos três fundos, mas isso não quer dizer que tenha deixado de ter ingerência por lá. “Nos últimos anos, ficou patente o interesse do governo em viabilizar seus projetos em detrimento da rentabilidade da previdência”, afirmou em entrevista recente o novo diretor de administração da Funcef, Antônio Augusto de Miranda.

Os fundos de pensão foram largamente empregados no processo de privatização — assim, meus caros, a desestatização à brasileira foi feita, em larga medida, em benefício de servidores de estatais, que são os sócios dos fundos, certo? Como os petistas têm forte influência nesses entes, note-se: as privatizações, de que tanto reclamaram, eram de seu interesse. Mas sigamos. Uma coisa é mobilizar os fundos para atuar na compra de estatais; outra, diversa, é empregá-los para fazer falcatruas.

A ação da quadrilha na Petros, que está sendo investigada pela PF, não difere do que se fez no resto da administração pública. Volto aqui a um ponto de ontem: se e quando tivermos financiamento público de campanha, isso vai acabar? Não me parece. Canalhices como a apontada pela PF só nada têm a ver com campanhas eleitorais. São apenas obras de ladrões.

Por Reinaldo Azevedo

Costa diz que Sérgio Guerra, que está morto, pediu propina. Que se vá até o fim, sem piscar!

A presidente Dilma Rousseff e o comando do PT criticaram a decisão do juiz Sérgio Moro, que tornou disponível um áudio com um dos depoimentos de Paulo Roberto Costa — sobre uma investigação que não estava sob sigilo de Justiça. Vale dizer: a divulgação é absolutamente regular. Mas certamente não reclamarão de um vazamento que veio a público — pinçado com lupa — de parte da delação premiada, esta, sim, protegida por sigilo de Justiça: Paulo Roberto Costa afirmou que, em 2009, o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, exigiu propina de R$ 10 milhões para pôr um ponto final da CPI da Petrobras, que foi encerrada, sem nenhuma conclusão, no dia 18 de dezembro de 2009. O dinheiro seria para campanhas eleitorais do partido. Guerra morreu no dia 6 de março de 2014. Pode ser? Que se investigue até o fim. Os petistas estão ouriçados. Tudo o que excita a sua imaginação e a sua fúria é a máxima de que “somos todos iguais e corruptos”.

Alguém poderia indagar: “Ah, mas agora vão acusar um morto?” Não interessa. A acusação diz respeito a quando ele estava vivo. Em nota oficial, a legenda escreveu: “O PSDB defende e quer rigor na apuração de qualquer denúncia que envolva filiados que ocupam ou ocuparam qualquer cargo do partido”. Ponto. É assim que se faz.

De todo modo, cumpre fazer algumas considerações. A CPI da Petrobras instalada em 2009 no Senado para apurar irregularidades na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tinha 11 membros. Sabem quantos eram da oposição? Apenas três: além de Guerra, estavam lá Álvaro Dias (PSDB-PR) e ACM Jr (DEM-BA). O governo tinha uma maioria esmagadora para fazer o que bem quisesse, inclusive enterrar a investigação, como se fez. Por que o esquema pagaria R$ 10 milhões para um Sérgio Guerra que não tinha poder nenhum? Paulo Roberto teria dito que a Queiroz Galvão pagou o valor pedido. A empreiteira nega.

Mais: quando os governistas decidiram enterrar a comissão, o PSDB expressou o seu repúdio e fez um relatório paralelo com 18 representações ao procurador-geral da República. Isso não é desculpa de última hora. O partido criou, à época, o “Blog da CPI da Petrobras” para acompanhar o dia a dia da comissão — já digo em que circunstâncias. Lá está o post, com data de 24 de novembro de 2009, sobre as representações (imagem abaixo)

blog da CPI da Petrobras

Arrogância
Em 2009, a empresa, presidida pelo petista-mor José Sérgio Gabrielli, criou o chamado “Blog da Petrobras”, sob o pretexto supostamente meritório da transparência. Conversa! O blog virou o canal de contado da empresa com os jornalistas. Se um repórter estivesse apurando um furo qualquer e enviasse perguntas à empresa, suas questões eram tornadas públicas, o que, obviamente, dificultava a apuração. Era parte do esforço para que não se investigasse nada. A página do PSDB foi criada como resposta a esse desvio autoritário. Era a época em que Gabrielli tinha mais poder na Petrobras do que os Irmãos Castro em Cuba. O presidente da empresa, então, costumava ser extremamente malcriado com jornalistas, certo de que não tinha contas a prestar a ninguém.

Atenção agora a estas relações intrincadas. Na suposta conversa com Paulo Roberto — que era, à época, diretor de Abastecimento da Petrobras e presidente do Conselho de Administração da refinaria Abreu e Lima —, Guerra estaria acompanhado do deputado federal Eduardo da Fonte, do PP de Pernambuco. O contato do então senador na empresa seria Armando Ramos Tripodi, que era chefe de gabinete de… Gabrielli. Nesse caso, então, uma operação suja supostamente proposta pelo presidente do PSDB passaria por um homem de confiança de Gabrielli, o petista. Não é muito verossímil. Se é ou não verdade, que se investigue. Ah, sim: Tripodi é hoje gerente-executivo de Responsabilidade Social da estatal.

Que o PSDB não pisque um só segundo e defenda uma profunda investigação. Reitero que pagar propina a membros da oposição na CPI em 2009 seria o mesmo que fazê-lo a oposicionistas da CPMI de hoje. Pergunto: pra quê? Mas não importa. Que se vá até o fim. Que não se use essa questão para igualar todo mundo e provar que, no fundo, todo mundo é ladrão. Uma ova!

Por Reinaldo Azevedo

The Economist: Brasil precisa se livrar de Dilma e eleger Aécio

The economist mudança

Na VEJA.com:
Uma figura que faz lembrar Carmen Miranda, mas com ar enfadonho e que carrega sobre a cabeça frutas apodrecidas. É com essa imagem que a conceituada revista britânica The Economist acompanha a seguinte frase: por que o Brasil precisa de mudança. A edição distribuída na América Latina traz nesta sexta-feira capa que trata das eleições no Brasil. E sentencia: os eleitores brasileiros devem se livrar de Dilma Rousseff e eleger Aécio Neves.

O texto lembra que em 2010, quando Dilma foi eleita, o Brasil parecia finalmente fazer jus a seu imenso potencial. A economia crescia a 7,5% ao ano. Quatro anos depois, a economia patina e os avanços sociais andam em marcha lenta. E lembra que em junho do ano passado milhões de brasileiros saíram às ruas para protestar por melhores serviços públicos e contra a corrupção.

Depois de fazer um panorama das viradas que marcaram a corrida eleitoral no Brasil, o texto trata da atual situação econômica do país. Ao citar a crise econômica mundial – apontada por Dilma como a culpada pelo atual quadro brasileiro –, a revista salienta que o país tem se saído pior do que os vizinhos latino-americanos no enfrentamento da questão. Cita ainda a intromissão constante do governo federal nas políticas macroeconômicas e as tentativas de interferir no setor privado como responsáveis pela queda nos investimentos.

Ao tratar dos problemas de infraestrutura e da burocracia que atravanca o país, a revista afirma que Dilma reforçou a mão do Estado na economia, servindo-se favores para iniciados, como incentivos fiscais e empréstimos subsidiados de bancos estatais inchados. A Economist diz ainda que Dilma prejudicou a Petrobras e a indústria de etanol, mantendo o preço da gasolina contido à força “para mitigar o impacto de sua política fiscal frouxa”. Cita ainda os sucessivos escândalos que envolvem a estatal.

A Economist trata, por fim, dos ataques perpetrados pela campanha petista contra Aécio. Classifica como infundadas as alegações de que o tucano colocaria fim ao Bolsa Família – e lembra que ao longo dos anos o PT caricaturou o PSDB como um partido “de gatos gordos sem coração”. O texto explica que as políticas propostas por Aécio, ao contrário do que quer fazer crer o PT, beneficiariam os brasileiros mais pobres. Diz que ele promete fazer o país voltar a crescer. E que sua história e a de seu partido tornam a promessa crível. Afirma que Aécio tem uma equipe impressionante de conselheiros liderados por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, que é respeitado por investidores. Cita as promessas de retorno a políticas macroeconômicas sólidas, de redução no número de ministérios, de simplificar o sistema fiscal e aumentar o investimento privado em infraestrutura. E sentencia: Aécio merece ganhar.

“Aécio lutou de forma tenaz na campanha e já deu provas de que pode fazer funcionar suas políticas econômicas. A maior ameaça aos programas sociais no país é a forma como o PT hoje conduz a economia. Com sorte, o apoio de Marina Silva, que já foi do PT e nasceu na pobreza, deve ajudá-lo. O Brasil precisa de crescimento e de um governo melhor. Aécio é quem tem mais condições de fazê-lo”, encerra o texto.

Por Reinaldo Azevedo

Televisão

O ibope do debate do SBT

dilma

O segundo debate do segundo turno

O primeiro bloco do debate no SBT entre Aécio Neves e Dilma Rousseff rendeu oito pontos de audiência para a emissora, segundo a prévia do Ibope para São Paulo. No primeiro turno, o debate do SBT rendeu apenas 5,4 pontos de audiência no mesmo horário.

A emissora de Silvio Santos, assim, alcançou a vice-liderança. Está atrás da Globo, que marcou quatorze pontos entre 18h06 e 18h33. A Record ficou em terceiro com sete pontos.

Durante o debate e ao seu final o Radar atualizará a audiência do confronto entre Aécio e Dilma.

(Atualização às 19h37: o ibope do debate inteiro no SBT foi de nove pontos. A Globo marcou quinze pontos no horário e a Record, sete)  

Por Lauro Jardim

Brasil

Reservatórios esvaziando

Reservatório: falta de chuva

Reservatório: falta de chuva

O Planalto torce para a água de São Paulo acabar antes do dia 26 (leia mais aqui). Mas, na outra ponta, torce para que a chuva caia – e muito – para encher os reservatórios que abastecem as hidrelétricas.

De acordo com dados oficiais, ontem os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste estavam com apenas 22,4% de suas capacidades (São estes os responsáveis por abastecer 70% do sistema elétrico). Isso significa magros 1,1% acima do verificado em 2001, quando deu-se o racionamento.

Observe-se, contudo, que hoje as termelétricas suprem quase 30% das necessidades de abastecimento. Ainda assim, a continuar essa tendência, até o dia 31, os reservatórios da região estarão 1,63% abaixo dos níveis de outubro de 2001.

Por Lauro Jardim

Ainda há juízes em Berlim e… no Brasil! Desembargador Prieto cassa liminar absurda que levaria abastecimento de água de SP ao colapso. E decisão é, antes de mais nada, técnica!

despacho água 1

 

despacho água 2

despacho água 3

“Ainda existem juízes em Berlim!” Essa frase é famosa no mundo do direito. E já volto a ela. Primeiro ao fato. O desembargador Fábio Prieto, presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), cassou nesta quinta-feira a liminar que determinava a revisão da quantidade de água retirada do Sistema Cantareira e proibia que a Sabesp fizesse a captação do segundo volume estratégico — cretinamente chamado de “volume morto”. Haviam recorrido contra a limitar a Sabesp, o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), órgão regulador do sistema, e o governo de São Paulo. Se a Sabesp puder usar essa segunda reserva estratégica, estimada em 106 bilhões de litros, o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo estará garantido até março, ainda que não chova — o que parece improvável.

Mas que história é essa de “juízes de Berlim”? Já http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/minha-etica-moleiro-bobo-corte-frederico-2o/ tratei do assunto aqui, mas o faço novamente. Em 1745, na Prússia, um moleiro tinha o seu moinho nas cercanias do palácio do rei Frederico 2º, déspota esclarecido, amigo dos intelectuais. Um dos puxa-sacos do soberano tentou removê-lo de lá porque julgava que aquilo maculava a paisagem. Ele se negava a sair. Frederico o chamou para saber a que se devia a sua resistência. E ele, então, teria dito a célebre frase: “Ainda há juízes em Berlim”. Para o moleiro, a Justiça, aquela com a qual contava, não haveria de distingui-lo do rei. Mais: a Justiça de Berlim, longe de interesses locais, seria mais isenta. É isso aí. A história parece verdadeira. A frase é coisa de escritor. É de autoria de François Andrieux, que escreveu, em versos, o conto O Moleiro de Sans-Souci.

Vamos ver. A liminar que impunha restrições à retirada de água do primeiro volume estratégico e que impedia que se apelasse ao segundo foi concedida, absurdamente, no dia 9 de outubro pelo juiz Miguel Florestano Neto, da 3ª Vara Federal em Piracicaba a pedido dos Ministérios Públicos Federal e Estadual. O magistrado havia determinado que a primeira cota do volume estratégico do Cantareira deveria durar até o dia 30 de novembro. A Sabesp, porém, prevê que essa reserva, hoje de 40 bilhões de litros, se esgote no início do próximo mês. E então será preciso apelar ao segundo.

Prieto justificou a cassação imediata da liminar com base no Artigo 4º da Lei Federal nº 8.437/92, segundo a qual cabe ao presidente do tribunal suspender liminar “em caso de manifesto interesse público, flagrante ilegitimidade ou para evitar lesão à ordem, à segurança e à economia públicas”.

Bem, a liminar concedida pelo juiz de Piracicaba, como resta demonstrado, incorria nestes três vícios: feria o interesse público, era ilegítima e causava grave lesão à ordem.

A ação ajuizada pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, com cuja argumentação concordou o juiz de Piracicaba, cita apenas supostos danos a um determinado local do interior de São Paulo. Como destaca Prieto, a ação inicialmente ajuizada cita apenas o caráter regional do suposto dano. Ocorre que o Sistema Cantareira não diz respeito apenas àquela região. Ele lembra, então, a jurisprudência, com base no Artigo 93 do Código de Defesa do Consumidor, que estabelece que, quando o dano possível tem âmbito apenas local, então a decisão cabe à Justiça local. Se no entanto, ele for de âmbito nacional ou regional, aí o foro é a capital do Estado ou o Distrito Federal.

Assim, o juiz de Piracicaba não tinha competência para tomar a decisão que tomou. Em seu despacho, Prieto lembra que, no dia 28 de agosto, “pelo mesmo fundamento, a pedido da União, determinei a suspensão de liminar que paralisava as atividades da Usina de Ilha Solteira.”

Prieto evita o proselitismo. A sua decisão é técnica. Um juiz de Piracicaba não pode, por razões óbvias, conceder uma liminar que levaria o abastecimento de água da maior cidade do país ao colapso, como graves danos a milhões.

Ainda voltarei a esse assunto da água. É vergonhosa a forma como se tenta fazer terrorismo com essa história. Até a candidata Dilma Rousseff resolveu entrar ontem na lambança, no debate promovido pela Jovem Pan, UOL e SBT. Mas fica para depois. O fundamental, agora, é que ainda há juízes em Berlim — isto é, no Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

A crise hídrica e a questão eleitoral. Ou: Manchete só errada ou também irresponsável? Ou ainda: “Acabar” é verbo que não se conjuga pela metade

A VEJA.com informa que a petista Dilma Rousseff pode usar a crise hídrica em São Paulo contra o tucano Aécio Neves. Nem vai precisar de argumentos. A manchete do Estadão desta quinta já lhe fornece: “Água em SP pode acabar em novembro, admite Sabesp”. É um dos maiores absurdos da historia do jornal. O título foi feito a partir de uma informação de Dilma Pena, presidente da empresa. Na Câmara dos Vereadores, ela afirmou que, se não chover até novembro, pode acabar a água do primeiro volume estratégico — chamado imbecilmente de “volume morto”. Então, é evidente que ela não disse que “pode acabar a água em São Paulo”. Ainda que secasse toda a reserva estratégica do Cantareira, haveria racionamento é claro, mas não “acabaria a água em São Paulo” porque há outras áreas que não dependem daquele manancial. Por que se faz isso?

Eu respondo: porque há a convicção, contra os fatos, de que a Sabesp omitiu a gravidade da crise. Porque há uma espécie de conspiração, digamos, “intelectual”, que envolve até os Ministérios Públicos Estadual e Federal para impedir o uso do segundo volume estratégico da Cantareira e, assim, impor o racionamento. Porque há o esforço para demonstrar que a culpa pela falta de água é do governador Geraldo Alckmin, como se a questão hídrica — que é também energética — dependesse da vontade do poderoso de turno. Alckmin não faz chover — nem em São Paulo nem na cabeceira do São Francisco. A primeira fonte do rio secou. Porque se criou o mito de que São Paulo deveria ter duas Cantareiras, não uma. Ninguém teve essa ideia antes. Ela só apareceu quando parou de chover.

Assim, Dilma vai tentar arrancar uns votinhos em São Paulo tentando promover um terceiro turno. Se culpar o Alckmin não deu certo, quem sabe o Aécio…. E, assim, vai se tentando transformar uma contingência da natureza numa questão política. Deu errado da primeira vez. Quem sabe agora…

Se faltava um emblema para demonstrar a disposição de criar um caso político, já temos a manchete do Estadão. Saibam todos: se não chover até novembro, teremos de ferver o xixi, usar o processo de condensação e beber a água que resultar da operação. Ou, então, sairemos por aí vagando, cavando o solo em busca de água, num cenário de terra devastada — sem água. Afinal, “acabar” quer dizer “acabar”. “Acabar” é verbo que não se conjuga pela metade.

Por Reinaldo Azevedo

 

IM-PER-DÍ-VEL: A mesma Dilma que hoje, no debate do SBT, “bateu” em Aécio e em seu governo em Minas, derramou-se em elogios a ele, na campanha de 2010, como “governador exemplar” — de olho numa dobradinha dela com o sucessor de Aécio, o tucano Antonio Anastasia

(Foto: Reprodução/Folha de S. Paulo)

(Foto: Reprodução/Folha de S. Paulo)

Nada como um dia depois do outro — e nada como a imprensa livre para registrar o andamento da história.

O mesmo Aécio Neves cuja ação como governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010 a presidente-candidata do PT tanto procurou “desconstruir” no debate de agora há pouco no SBT foi alvo de calorosos elogios — COMO GOVERNADOR — da presidente, quando ela buscava os votos dos mineiros nas eleições de 2010.

A reportagem abaixo, da Folha de S. Paulo, que transcrevo na íntegra, fala por si só.

Confiram:

Dilma elogia Aécio e prega “dobradinha” PT-PSDB em MG

Petista admite voto “Anastadilma”, com tucano Anastasia para o Estado e ela para o Planalto. Pré-candidato de Lula em Minas, Hélio Costa (PMDB) reage e afirma que seria “tão estranho como “Serrélio”, em referência a ele e Serra

Reportagem de Paulo Peixoto e Ana Flor publicada no jornal Folha de S. Paulo no dia 8 de abril de 2010

No segundo dia de sua viagem a Minas Gerais, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, abandonou o tom beligerante que vinha dirigindo ao PSDB, elogiou o ex-governador Aécio Neves e defendeu que o eleitor mineiro vote nela e no tucano Antonio Anastasia para o governo -compondo a chapa “Dilmasia”, ou “Anastadilma”, que ela disse preferir.

O elogio a Aécio, que deixou o governo para concorrer ao Senado, foi feito em entrevista à rádio Itatiaia: “Respeito muito o governador Aécio Neves”.

Ela o chamou de “governador exemplar”, disse esperar que em Minas o PT e Aécio tenham “a melhor relação possível” e admitiu a possibilidade de o eleitor mineiro votar em uma dobradinha PT-PSDB para presidente e para governador.

Dilma falava sobre a eventualidade de ocorrer algo semelhante a 2002 e 2006, quando Aécio foi eleito governador, mas Lula foi o mais votado para presidente em Minas -o voto “Lulécio”. Agora, a dobradinha seria entre ela para o Planalto e Anastasia para o governo, o que vem sendo chamado pela mídia mineira de “Dilmasia”.

“A gente não escolhe a forma pela qual o povo monta as alianças. É possível que ocorra: como houve o “Lulécio”, [é possível] a “Dilmasia”. Eu acho até melhor a inversão, né? “Dilmasia” é meio esquisito. “Anastadilma”, qualquer coisa assim”, afirmou Dilma.

Ao defender a chapa híbrida, Dilma aposta no desgaste da relação entre Aécio e José Serra, seu adversário na disputa pela Presidência. O ex-governador de São Paulo ainda sonha atrair o mineiro para sua chapa.

O flerte com os tucanos, por outro lado, cria um embaraço para a própria Dilma, uma vez que o PT tem dois pré-candidatos em Minas: o ex-ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. Além disso, o partido discute a possibilidade de apoiar o peemedebista Hélio Costa para o governo.

A declaração da petista repercutiu mal. Hélio Costa afirmou que uma eventual chapa “Anastadilma” faria tanto sentido quanto uma hipotética parceria entre ele e Serra. “Isso [o "Anastadilma'] é tão estranho como um “Serrélio’”,disse.

Ontem, Dilma voltou a atacar Serra, afirmando que não há como ele ficar desvinculado do governo FHC, pois foi ministro do Planejamento e da Saúde na era tucana: “Acho que o ex-ministro José Serra vai ter que ser analisado no quadro do governo FHC. Eu não escondo o Lula. Espero que ele não esconda o governo do qual participou”.

Dilma tem procurado reforçar a sua origem mineira -nasceu em Belo Horizonte e depois foi para o Rio Grande do Sul- e diz que agora costuma usar interjeições gaúchas e mineiras, como “barbaridade, uai”.

Após 42 anos, ela voltou ontem à escola onde cursou em BH o atual ensino médio. Ouviu apelos de professores -que reivindicaram aumento- e de alunos -que querem a sua ajuda para evitar uma greve.

Depois, numa livraria na zona sul, onde foi rever três amigos, ganhou um livro e uma foto de quando tinha 12 anos.

Na rádio, ela foi questionada sobre sua participação no combate ao regime militar e, ao falar do assunto, citou uma ficha apócrifa que circulou na internet com acusações a ela.

Essa ficha foi motivo de uma reportagem da Folha, a qual Dilma citou, acrescentando que o jornal “retificou o que tinha escrito” e que ela agradecia isso ao ex-ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva.

Também foi questionada se estava namorando: “Infelizmente, não. As pessoas devem se apaixonar. É muito bom”.

(Ricardo Setti)

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

1 comentário

  • wilfredo belmonte fialho porto alegre - RS

    Seja ser criminoso a tendência de botar as culpas em um governo pela falta de água. Se tem alguém culpada é a própria população que usa com desleixo a água potável. Tanto no lavar calçadas, veículos, irrigação de gramados a água a ser usada de

    veria ser as águas residuais.Nos dias de hoje ninguém pode alegar ignorância sobre os problemas de água potável que atemorizam muitos países ao redor do mundo pois, principalmente nas regiões metropolitanas é assunto corriqueiro, diário e que por muitos e muitos anos já tem sido comentado. Portanto a culpa é de todos, governo federal,estadual e municipal e, principalmente da população que sabe o que tem que fazer mas dá as costas para o problema.

    Portanto, quem viver verá e pagará o preço pela irresponsabilidade do uso das águas.

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