Minas 'falhou' com Aécio, avaliam tucanos mineiros

Publicado em 27/10/2014 18:48 e atualizado em 29/10/2014 10:19 1526 exibições

O PSDB mineiro credita a derrota de Aécio Neves na eleição presidencial ao desempenho ruim no próprio quintal, Minas Gerais.O sentimento entre tucanos no Estado é de decepção e incompreensão. Minas "falhou" com Aécio, avalia o PSDB local.

A incompreensão do PSDB se dá pelo fato de o partido ter governado Minas por 12 anos, sempre bem avaliado, e também porque Aécio, além de líder do partido no Estado que governou de 2003 a março de 2010, personifica esse processo.

Para o presidente estadual do partido, Marcus Pestana, Minas foi o "calcanhar de Aquiles" da votação de Aécio e é preciso buscar entender o que ocorreu.ZanonNa pré-campanha, o PSDB estimava uma "votação histórica" de Aécio em Minas —uma vantagem acima de 3 milhões de votos.

No primeiro turno, contudo, Dilma venceu com 400 mil votos de frente. Já no segundo turno a diferença a favor da petista foi de 550 mil votos (52,4% a 47,5%).

Danilo de Castro, secretário de Governo de Aécio por 11 anos e responsável pela articulação política do Executivo, disse que os eleitores "falharam" com Aécio. "Minas realmente falhou com um grande estadista, com uma pessoa que fez um governo maravilhoso. Foi uma surpresa para ele e para todos nós", afirmou.

Pestana, presidente do PSDB-MG, disse que o partido não contava com o resultado "nem no pior cenário" —Minas é o segundo colégio eleitoral do país (10,7% dos eleitores). "Eu estou muito triste. Nem na nossa pior projeção a gente pensaria em um resultado desse, depois de o Aécio sair [do governo] com 92% de aprovação e fazer o que fez em Minas."

"Obviamente nós erramos, temos que descobrir esse erro, mas não é o momento", completou.

QUESTÃO MINEIRA

A derrota do PSDB foi amplificada pela perda do poder no Estado para o PT, após três mandatos consecutivos. Fernando Pimentel (PT), ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro de Dilma, venceu Pimenta da Veiga (PSDB), candidato escolhido por Aécio, já no primeiro turno.

Para o cientista político Malcon Camargos, da PUC-MG, a questão mineira "fugiu às estratégias elaboradas" pelo PSDB e isso tem relação com o discurso de mudança "bem aproveitado" pelo PT estadual.

Para ele, o governo Dilma, também bem avaliado em Minas, enfrentou o "mesmo desejo de mudança". "Mas se saiu melhor diante dessa dificuldade", disse.

Camargos disse ainda acreditar que o simbolismo da vitória de Dilma em Minas no primeiro turno a tenha fortalecido para a segunda etapa no Estado —algo que também foi reforçado pelo marketing petista e o slogan anti-Aécio de "quem conhece não vota".

VITORIOSO

Governador eleito, Pimentel (PT) afirmou ainda no domingo (26), em nota, que a eleição em Minas Gerais "foi decisiva" para a vitória de Dilma.

Ao longo da campanha, o petista já havia classificado como "arrogância" o fato de o PSDB projetar a "votação histórica" para Aécio no Estado.

Para o presidente do PT-MG, Odair Cunha, as vitórias mineiras do PT no Estado, para Dilma e Pimentel, se devem ao fato de a campanha do governador eleito ter abordado bem o legado dos 12 anos do PSDB em Minas.

"Os resultados que entregaram após 12 anos é acanhado para o que sempre propagandearam. A campanha do Pimentel soube mostrar isso, e a Dilma também se beneficiou", disse ele, para quem o PSDB continua sendo uma força política importante no Estado.

A análise regional da votação de Dilma e Aécio neste segundo turno seguiu a mesma lógica do primeiro turno. Dilma venceu nas regiões mais pobres, mas venceu também no rico Triângulo Mineiro.

Aécio venceu em apenas 4 das 12 mesorregiões: o sul/sudoeste de Minas, que recebe grande influência de São Paulo, oeste, centro e região metropolitana de Belo Horizonte. 

Surpreso e inconformado

aécio

Aécio: derrota surpreendente em casa

Aos mais próximos, Aécio Neves não conseguia disfarçar ontem à noite que a derrota em Minas Gerais o baqueou.

Não esperava por isso. Não se conformava.

Por Lauro Jardim

Apesar da vitória, Dilma perde para Aécio em 15 capitais

A presidente reeleitaDilma Rousseff (PT) perdeu a disputa com o tucano Aécio Neves no número de vitórias em capitais de Estados. A petista perdeu para o tucano em 15 capitais e venceu em 12 -exceto o Rio, todas em cidades do Norte e Nordeste.

Curitiba (PR) impôs à presidente a derrota com maior margem: 72,12% dos votos válidos para Aécio e 27,88% para ela. Enquanto isso, em Teresina (PI), a petista ficou com 71,75%.

  Editoria de Arte/Folhapress  

Nas capitais, as disputas mais acirradas foram em Palmas (TO), com 50,60% dos votos válidos a favor do tucano, e no Rio, com 50,79% para Dilma.

Na cidade, a zona eleitoral que deu a vitória mais larga para Aécio foi a de Ipanema, onde ele teve 78,45% dos votos válidos. Na Gávea e no Leblon, o índice foi de 75,99% e em Copacabana, 72,16%. A presidente, em contrapartida, venceu na região de Benfica, Mangueira e Triagem com 71,63% dos votos válidos.

Em São Paulo, o tucano obteve 64,31% dos votos válidos, com destaque para a vitória dele na região do Jardim Paulista (zona oeste), com 86,68%, e na de Indianópolis (86,53%).

Em Belo Horizonte, onde Aécio venceu com 64,27% dos votos válidos, ele saiu vitorioso em todas as zonas eleitorais.

Democracia

Carta aberta a Aécio Neves

Caro senador,

Antes de mais nada, gostaria de parabenizá-lo pelos mais de 51 milhões de votos, uma marca expressiva que automaticamente lhe confere o status inegável de líder da oposição. Foram milhões de pessoas que votaram por mudança, e sem golpe baixo, sem interesses mesquinhos ou de curto prazo, sem terrorismo eleitoral, sem chantagem. Somados aos outros tantos milhões de indiferentes (abstenções, brancos e nulos), temos uma quantidade bem maior do que os menos de 40% que efetivamente votaram em Dilma, satisfeitos com a situação medíocre de nosso país.

Você lutou a boa luta, como disse. Soube agir com dignidade mesmo debaixo da mais sórdida chuva de ataques pessoais já vistos na história de nossa democracia. Manteve a calma, o otimismo e o foco nas propostas, apostando sempre na onda da razão. Infelizmente, as forças obscuras do atraso se mostraram mais fortes. As táticas pérfidas do outro lado surtiram efeito. O medo venceu a esperança.

Agora é hora de organizar a oposição e manter a chama da esperança acesa, em todos aqueles que ainda sonham com mudança. Eis o papel que milhões de brasileiros esperam de você: assumir essa liderança efetiva, firme, em defesa de nossas instituições, de nossa própria democracia, de nosso futuro.

Não será nada fácil, pois sabemos como o outro lado joga sujo. Mas o PSDB sai fortalecido no Senado, com um time de peso, que conta com Tasso Jereissati, Alvaro Dias, Antonio Anastasia, Jose Serra, além de Ronaldo Caiado, do DEM. O que esperamos de vocês é vigilância constante, dia e noite, pela preservação de nossos pilares republicanos. Não é hora de falar em união com o PT no governo, e sim em oposição. Ela acordou. Ela vive. Ela está mais organizada. E ela tem um líder.

Espero que saiba manter essa gente toda motivada, pois não podemos achar que essa mobilização deva ocorrer somente de quatro em quatro anos. Não! O PT, no passado, conseguia mobilizar uma massa de simpatizantes, e isso foi crucial para sua atuação na oposição ao governo FHC. Infelizmente, era uma oposição destrutiva, com uma ideologia completamente equivocada.

Hoje, eles estão no poder, já há 12 anos, e agora ganharam mais quatro, se o lamaçal da Petrobras não chegar com provas até o Planalto e levar a um impeachment. E continuam com o pano de fundo totalmente equivocado, mais autoritários do que nunca, dispostos a “fazer o diabo” para se perpetuar no poder. A atuação resoluta da oposição é o obstáculo principal que pode impedir de virarmos uma Argentina ou Venezuela.

Contamos com vocês, especialmente com você, caro Aécio, que pagou um elevado preço pessoal ao combater com coragem figuras que não encontram limite na ética para sua ambição desmedida. Estamos juntos. E estamos todos vigilantes, de olho nos próximos passos do PT no governo.

Cordialmente,

Rodrigo Constantino

Os derrotados na vitória

O Brasil acorda de luto. Ao menos o Brasil decente, do povo trabalhador e honesto, que rejeita a roubalheira e a corrupção do atual governo. Já na Papuda é dia de festa. Na ilha-presídio caribenha também. Na Venezuela, Maduro é só alegria. Os tiranos e bandidos estão comemorando a apertada vitória após a mais sórdida campanha eleitoral já vista neste país.

Mas mesmo assim, mesmo com mais quatro anos – se o escândalo na Petrobras não levar a um impeachment – para pilhar os cofres públicos, para preservar as mamatas estatais, os blogs financiados com dinheiro do governo, as boquinhas no setor público, um petista típico não consegue deixar de ser… petista! Quanto rancor, meu Deus…

Minha página pessoal do Facebook e este blog foram invadidos por gente que deveria estar comemorando com os amigos (se petista tivesse amigo de verdade, e não cúmplice), mas preferiu destilar seu ódio contra os “coxinhas” e “reacionários”.

Gente que provavelmente foi vítima de bullying na escola, e por isso odeia tanto o mundo e quer impor uma cartilha politicamente correta, repetia ad nauseam feito um criança birrenta coisas como “chupa” ou “chora”.

Acham que estão numa partida de futebol, coitados. E detestam mais o “time” adversário (ou inimigo) do que gostam do próprio. É muita infelicidade acumulada em vidas medíocres. É de dar dó. Mas ela logo passa quando lembramos que essa turma está no poder e venceu mais uma, ainda que de forma suspeita e imoral.

O mais engraçado é me mandarem ir para Miami, como se isso fosse alguma ofensa, uma coisa ruim! Ruim, na verdade péssimo, terrível, seria ir para Cuba, onde nem mesmo eles querem ir. Pois se tem algo comum entre nós liberais e a esquerda caviar é o apreço pelo capitalismo, na prática ao menos. O discurso deles é socialista, claro, mas nas férias vão para os Estados Unidos ou Europa, e alguns até compram apartamentos nesses lugares.

Talvez seja um desejo muito grande de verem as cabeças pensantes e independentes deste país bem longe, para que assim não sejam forçados a conviver com esse espelho que apontamos em suas direções, e que deixa transparecer o que realmente são. A imagem refletida é muito feia.

Será que acham que a desgraça econômica que vem por aí irá nos afetar mais do que a eles próprios? Será que realmente não entendem que são os mais pobres que vão pagar a conta alta por esse enorme equívoco de ontem? Ou será que não ligam?

Enfim, não dá para negar a tristeza com essa “escolha” péssima do povo brasileiro, ou de pouco mais da metade dos eleitores brasileiros. Mas confesso que tristeza maior sinto ao ver como o ser humano pode ser um bicho mesquinho, odiento, indecente e estúpido. E desse tipo de ser humano o Brasil está cheio, infelizmente…

Rodrigo Constantino

 

Como quase todas as outras, a torcida do PT não sabe perder. Mas é a única do mundo que também não sabe ganhar

O texto reproduzido na seção Vale Reprise foi publicado em novembro de 2010. Se a data fosse omitida, pareceria um post recém-nascido. Como ocorreu há quatro anos, a seita lulopetista prefere berrar insultos aos eleitores de Aécio Neves em vez de festejar a vitória de Dilma Rousseff. Os torcedores do PT nunca souberam perder. Mas são os únicos do mundo que também não sabem ganhar. Eles não conseguem ser felizes.

Gente assim é incapaz de entender a linguagem da ironia, confirmam os recados remetidos à coluna em que milicianos coléricos uivam, urram ou rosnam a mesma cobrança: o que o DataNunes tem a dizer sobre a previsão errada? Uma sindicância interna acaba de encontrar a explicação: os encarregados de avaliar o quadro eleitoral em Minas Gerais e no Rio de Janeiro almoçaram com Lula no sábado. Embora tenham sido bem mais comedidos que o campeão, beberam o suficiente para inverter os índices dos candidatos.

Os culpados pelo erro que deturpou as conclusões do último boletim foram demitidos por justa causa. Nesta segunda-feira, receberam da direção do PT a boa notícia: os dois já estão inscritos no programa Desemprego Zero para a Companheirada.

NOVO GOVERNO DILMA: Petrorroubalheira devolve PT ao pesadelo do mensalão

(Foto: EFE)

Com a reeleição de Dilma, o PT vai tornar-se o primeiro partido a se manter no poder por 16 anos consecutivos, mas para Dilma será difícil, e sobretudo arriscado, jogar o que vem por aí para debaixo do tapete (Foto: EFE)

UM MANDATO INÉDITO

Artigo de Elio Gaspari publicado no jornal O Globo

elio gaspariOs eleitores deram ao PT um mandato inédito na história nacional. Um mesmo partido ficará no poder nacional por 16 anos sucessivos.

A doutora Dilma reelegeu-se num cenário de dificuldades econômicas e políticas igualmente inéditas. Lula recebeu de Fernando Henrique Cardoso um país onde se restabelecera o valor da moeda. Ela recebe dela mesma uma economia travada. Tendo percebido o tamanho da encrenca, em setembro anunciou a substituição do ministro Guido Mantega. Por quem, não disse. Para quê, muito menos.

A dificuldade política será maior. As petrorroubalheiras devolveram o PT ao pesadelo do mensalão. Em 2005, o comissariado se blindou e, desde então, fabrica teorias mistificadoras, como a do caixa dois, ou propostas diversionistas como a da necessidade de uma reforma política. Pode-se precisar de todas as reformas do mundo, mas o que resolve mesmo é a remessa dos ladrões para a cadeia.

O Supremo Tribunal Federal deu esse passo, formando a bancada da Papuda. Foi a presença de Marcos Valério na prisão que levou o ‘‘amigo Paulinho’’ a preferir a colaboração à omertà mafiosa.

Dilma teve uma atitude dissonante em relação às condenações do mensalão. Protegeu-se sob o manto do respeito constitucional às decisões do Judiciário. No debate da TV Globo, quando Aécio Neves perguntou-lhe se achou ‘‘adequada’’ a pena imposta ao comissário José Dirceu, tergiversou. Poderia ter seguido na mesma linha: decisão da Justiça não deve ser discutida. Emitiu um péssimo sinal para quem sabe que as petrorroubalheiras tomarão conta da agenda política por muito tempo.

Será muito difícil, e sobretudo arriscado, tentar jogar o que vem por aí para baixo do tapete. Ou a doutora parte para a faxina, cortando na carne, ou seu governo vai se transformar num amestrador de pulgas, de crise em crise, de vazamento em vazamento, até desembocar nas inevitáveis condenações.

O comissariado acreditou na mágica e tolerou o contubérnio do PT com o PP paranaense do deputado José Janene. A proteção dada aos mensaleiros amparou o doutor e ele patrocinou a indicação do ‘‘amigo Paulinho’’ para uma diretoria da Petrobras. Ligando-se ao operador Alberto Youssef, herdeiro dos contatos de Janene depois que ele morreu, juntaram-se aos petropetistas e a grandes empresas. O resultado está aí.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

(por Ricardo Setti)

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Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

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