A pantomima do reajuste da gasolina e o colar de estelionatos eleitorais de Dilma, para combinar com seus casaquinhos vermelhos

Publicado em 05/11/2014 13:54 e atualizado em 06/11/2014 10:34 676 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com

A pantomima do reajuste da gasolina e o colar de estelionatos eleitorais de Dilma, para combinar com seus casaquinhos vermelhos

Vamos ver. Até ontem, estava na esfera da pantomima. E ainda com a arrogância costumeira. O Conselho da Petrobras deu autorização para a empresa aumentar os combustíveis. Graça Foster, presidente da estatal, chegou a falar em 8%, mas se comenta que a majoração, quando vier, deva ficar em 5%. Quando? Bem, já deveria ter ocorrido há muito tempo. A rigor, a correção deveria ter sido feita ao longo dos anos. Não foi.

O governo petista usou a Petrobras para fazer política econômica rasteira e evitar um aumento da inflação — que estava alta por outros fatores. Assim, vendeu combustível aqui dentro a um preço inferior ao custo de importação — sim, uma parte é importada; a autossuficiência brasileira foi mais uma das bravatas de Lula. A dívida da Petrobras, em cinco anos, saltou de R$ 71,5 bilhões (2009) para R$ 241,3 bilhões. Pelos menos R$ 60 bilhões desse valor se devem à defasagem do preço nos combustíveis.

Ocorre que, agora, o preço do barril do petróleo caiu, de US$ 100 para US$ 85, e as perdas deixaram de acontecer. Mas sobrou a dívida, que precisa de uma resposta. O que fazer?

Nesta terça, não se decidiu nada. Ouvida depois da reunião, Graça Foster, com a simpatia costumeira, sentenciou: “Aumento não se divulga, se pratica”. Ah, bom! É o velho ranço autoritário de achar que as pessoas que serão atingidas por decisões da burocracia não têm por que ser informadas. Então imaginem lá uma distribuidora indo encher seus caminhões e ouvir: “Olhe, está mais caro; sabem como é… Eles aumentam, não divulgam…”. Essa gente perdeu a noção e o eixo.

Mas qual é o busílis? Medo das ruas! É claro que não haverá comoção social nenhuma. É que tudo está muito perto das urnas, não é? Aqui e ali noto um sentimento de desalento até em eleitores de Dilma. Resta aquela sensação de que, com uma semana mais até o segundo turno, ela não teria conseguido o segundo mandato.

Os estelionatos vão se acumulando. Já houve o dos juros, o da energia elétrica, e está prestes a acontecer o dos combustíveis. Notem que nem entro no mérito se era ou não necessário elevar os juros; se era ou não necessário elevar a tarifa de energia; se é ou não necessário elevar o preço dos combustíveis.

O que sei, e todos sabem, é que Dilma atribuía todas essas intenções a seu adversário, Aécio Neves. No fundo, ela sabia que algumas medidas eram mesmo necessárias. Dizia que o tucano as tomaria porque as considerava inexoráveis. Em certo sentido, é até melhor que seja ela a arcar com a herança maldita de seu mandato.

Mas que será mais um estelionato, ah, isso será… E os apagões ainda nem estão na conta. Logo, ela fará um colar de estelionatos para combinar com seus casaquinhos vermelhos.

Por Reinaldo Azevedo

 

ONS adverte para risco de apagões já em janeiro e fevereiro… É o que falta para compor os estelionatos do governo Dilma

Em entrevista ao repórter Patrick Santos, de “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, afirmou nesta terça- feira Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE):
“O meu ‘Pingo no I’ na crise de energia elétrica é que nós estamos correndo o risco de ter muitos apagões no verão, isto é, a depender da temperatura: se a temperatura for elevada, haverá picos de demanda, e não haverá térmica para ligar porque as térmicas já estão todas ligadas. A partir de abril e maio, haverá o risco de um grande racionamento de energia elétrica no Brasil se não chover o suficiente. Além disso, em 2015, as tarifas de energia elétrica, na média, vão ter de aumentar 20% sem levar em consideração a inflação, ou seja, o governo em 2015 vai fazer um grande estelionato eleitoral sobre o consumidor: tudo o que a presidente Dilma prometeu durante a campanha não vai ser cumprido.”

Ele é autor de um estudo, em parceria com Mário Veiga, especialista da Consultoria PSR, que afirma que a Medida Provisória do setor elétrico baixada pela presidente Dilma em 2012 já custou R$ 105 bilhões ao país. Para comparar: o apagão de 2001 custou R$ 25 bilhões.

Pois bem. Agora não é apenas Pires quem adverte para o risco de apagão. Também não são as oposições. É o Operador Nacional do Sistema (ONS), um órgão federal. Informa a Folha nesta quarta:
“O Operador Nacional do Sistema (ONS) avisou na quinta-feira (30) a distribuidores e geradores que há risco de serem necessários cortes seletivos de energia para garantir o fornecimento durante os horários de pico, entre janeiro e fevereiro, quando há forte aumento no consumo de eletricidade. Para manter os reservatórios em nível seguro e evitar apagões nos horários de pico, as usinas deixariam de fornecer energia de madrugada. Os cortes afetariam grandes centros urbanos do Sudeste, como Rio, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Vitória. A medida pode ser necessária se as chuvas não forem suficientes para elevar os reservatórios ao nível de 30% em janeiro. Atualmente eles estão em 18,27%. No ano passado, neste período, estavam com 41,62% da capacidade.”

Pois é… A questão energética foi mais uma brandida com grande orgulho pela presidente-candidata Dilma Rousseff. Segundo ela, as medidas previdentes do PT e sua grande capacidade de planejamento haviam livrado o país do risco de apagão. Não! O país depende do regime de chuvas — não custa lembrar que, segundo o petismo, a seca de São Paulo seria culpa de… Alckmin. E a do resto do Sudeste? Seria culpa de Dilma?

Ao colar de estelionatos pós-eleitoral do governo Dilma, convenham, só está faltando mesmo um apagão...

Por Reinaldo Azevedo

 

Vence a voz dos decentes, e TSE autoriza auditoria, mas há quem prefira chamar o procedimento de “rosa”. Site do tribunal confirma: é “auditoria”. Ou: GOLPISTA UMA OVA!

Milhares pedem nas ruas decência, não golpe (Foto: Gabriela Biló/Etadão)

Milhares pedem nas ruas decência, não golpe (Foto: Gabriela Biló/Estadão)

É claro que o TSE cedeu à reivindicação do PSDB e autorizou uma auditoria nas eleições. A voz das pessoas decentes, que foram às ruas, venceu. Cheguei a pensar que o tribunal havia negado que se tratasse de uma auditoria, mas eram apenas os setores confusos da imprensa — isso na hipótese benigna. Ficam mal o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o corregedor do tribunal, João Otávio de Noronha, que haviam emitido opiniões absurdas a respeito. O segundo falou fora dos autos. O outro misturou alhos com bugalhos e especulou até sobre preconceito regional, num parecer meio aloprado. O site do TSE é explícito, num texto cujo título é este: “TSE aprova auditoria do PSDB sobre sistemas eleitorais de 2014”. Lá está escrito: “Por unanimidade de votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu, na sessão desta terça-feira (4), pedido do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para que a sigla tenha pleno acesso aos sistemas de votação, apuração e totalização dos votos das eleições de 2014 para que o partido possa, se desejar, realizar uma auditoria própria”. Alguma dúvida?

 Atenção! O TSE cedeu a rigorosamente todos os pedidos do PSDB, com exceção de um, e é isso que chegou a gerar certa confusão. O partido havia pedido que os dados da eleição fossem tornados disponíveis a uma comissão formada por partidos políticos. Não haverá essa comissão. Mas o PSDB indicará um grupo de peritos que terão acesso a todas as informações — até onde se sabe, rigorosamente todas. As dúvidas suscitadas e as múltiplas denúncias de irregularidades poderão ser confrontadas com o sistema para saber se ele é seguro. É o que as ruas estavam pedindo. Sabem o nome disso? Auditoria!

Mas há gente querendo chamar de outra coisa. Como já citei aqui, certa estava, neste particular ao menos, Julieta, a adolescente maluquete de Shakespeare: se a rosa tivesse outro nome, ainda assim, teria igual perfume. Se alguém quer chamar de outra coisa a auditoria, por que não chama de “rosa”?

Não se trata, é bom que fique claro, de uma recontagem de votos — até porque, no sistema eletrônico, o procedimento nem seria exatamente esse. Trata-se de averiguar se as muitas denúncias de irregularidades procedem ou não; se o sistema está ou não sujeito a intercorrências externas. Ninguém quer derrubar a presidente Dilma Rousseff por isso. Não é e nunca foi esse o intento. A menos, claro, que se chegue a uma fraude. O ponto é e sempre foi outro.

É mentira que as pessoas que estão protestando nas ruas, cobrando a auditoria, integrem, como chegou a afirmar, lamentavelmente, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), “grupos insatisfeitos com o resultado das eleições presidenciais”. De saída, lembro que, nas democracias, “grupos insatisfeitos com o resultado das eleições” podem, sim, se manifestar, desde que o façam dentro dos limites legais. Mas não! Não era e não é o caso! Os cidadãos querem saber mais sobre o sistema das urnas eletrônicas — um direito legítimo — e pedem o impeachment de Dilma na hipótese, e só nesta hipótese, de que ela soubesse dos desmandos na Petrobras. Ela não sabia? Então fica. Ela sabia? Então sai. Leis existem e têm de ser cumpridas. Não é uma operação tão complexa.

Também é mentira que os que pedem intervenção militar deem a direção do protesto. Essa é uma distorção lançada no mercado de ideias pelo jornalismo “parapetista”, cuja militância é mais pernóstica porque não é clara. Afirma-se como dado de realidade o que é só uma distorção ideológica deliberada.

João Otávio de Noronha, corregedor do TSE, estava errado. Rodrigo Janot, procurador-geral da República, estava errado. A auditoria não enfraquece a democracia nem põe sob suspeição o resultado das eleições. Na verdade, ela vai fortalecer a confiança das pessoas nas urnas eletrônicas caso não se encontrem falhas.

Os que tentaram colar no povo a pecha de golpista foram derrotados pelos fatos e pela mobilização nas ruas e nas redes sociais. É esse o caminho.

Por Reinaldo Azevedo

Texto no site do TSE confirma: É, SIM, AUDITORIA, COMO EU HAVIA INFORMADO

Ontem, fui o primeiro a publicar neste blog que o TSE tinha autorizado uma auditoria. Depois começou o show de desinformação em portais, sites, blogs etc. Reafirmei que se tratava de uma auditoria. Uns idiotas resolveram me acusar de querer negar os fatos. É mesmo? Então que se leia o texto publicado no próprio TSE, cujo título é este: “TSE aprova auditoria do PSDB sobre sistemas eleitorais de 2014”

Vale dizer. É uma auditoria. E fim de conversa. Só não se formou a “comissão de partidos” porque se considerou que não poderia ser o partido a pedi-la. Leiam trechos. Volto em seguida.
*
Por unanimidade de votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu, na sessão desta terça-feira (4), pedido do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para que a sigla tenha pleno acesso aos sistemas de votação, apuração e totalização dos votos das eleições de 2014 para que o partido possa, se desejar, realizar uma auditoria própria. Os ministros entenderam, no entanto, que a solicitação da sigla para que fosse formada uma comissão pluripartidária para a análise comum dos dados não pode ser atendida, pois o PSDB não tem legitimidade jurídica para atuar em nome de outros partidos.

Ao apresentar voto pela aprovação dos itens solicitados pelo partido no pedido, o presidente do Tribunal, ministro Dias Toffoli, salientou que a legislação eleitoral e as resoluções do TSE 23.397 e 23.399, ambas de 2013, que tratam, respectivamente, da cerimônia de assinatura digital e dos atos preparatórios das eleições, entre outras questões, já davam total acesso aos partidos políticos, coligações, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aos dados requisitados.
(…)

Votos dos ministros
Ao votar, a ministra Rosa Weber afirmou que a transparência deve nortear toda a atuação do Poder Judiciário, “o que está retratado na ampla normatividade deste TSE e nas cautelas adotadas no que diz respeito a sistemas informatizados de votação e apuração de votos”. A ministra Maria Thereza Assis Moura também acompanhou integralmente o voto do ministro Dias Toffoli, parabenizando-o.

Também o ministro Napoleão Nunes Maia Filho acentuou que “a transparência deve estar presente em todos os procedimentos do Judiciário e em particular da Justiça Eleitoral, especialmente em uma situação como esta, em que as coisas evoluem no rumo de gerar incertezas e dúvidas”.

Ao votar, o ministro Henrique Neves salientou que todo o processo de votação eletrônica foi editado, elaborado, preparado pelo TSE há mais de seis meses. Sustentou que “se o sistema eleitoral permite, de um lado, toda essa fiscalização, ele não é imune a boatos”. Disse que os votos são gravados na urna sem a identificação do eleitor nem do horário. “Todo esse cuidado é feito pela Secretaria de Tecnologia da Informação que desenvolve esses programas durante seis meses perante todos os fiscais dos partidos políticos”.

A ministra Luciana Lóssio afirmou que “um dos pilares da Justiça Eleitoral brasileira é a transparência. É importante que não só nós, da Justiça Eleitoral, mas também todos os cidadãos tenham a real dimensão da importância que isso é”.

O ministro Gilmar Mendes disse que a decisão tomada nesta noite “não trata de valorar o que está na internet, mas se levar em conta o que está na internet sobre a credibilidade do sistema. Lendas urbanas passam a prosperar como objeto de campanha. Não se trata de emprestar credibilidade a essas lendas urbanas, mas desmistificá-las”.

Em seu voto, o ministro Dias Toffoli fez um histórico da implantação da urna eletrônica no país, iniciada nas eleições municipais de 1996. Destacou ainda que, no período de 180 dias antes do primeiro turno das eleições, os partidos políticos, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público puderam acompanhar todas as fases de especificação e de desenvolvimento dos sistemas no TSE. Em caso de dúvidas e questionamentos técnicos durante o processo, tiveram inclusive a oportunidade de solicitar análises e respostas à Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do Tribunal.
(…)

Retomo
E por que se procurou negar o óbvio? Bem, isso tem de ser indagado àqueles que procuraram desinformar os leitores. Uma coisa é certa: a imprensa estava pautada contra a pretensão do PSDB. Até uma associação que se diz de jornalistas investigativos tratou com agressividade os que cobram nas ruas transparência do sistema, imputando-lhes a pecha de pessoas inconformadas com o resultado das urnas. Quando jornalistas investigativos preferem sentenciar em vez de investigar, há algo de errado, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

 

PT chama seus militantes “às armas”. Ou: Como funciona a correia de transmissão imprensa-petismo

Querem saber como funciona a correia de transmissão imprensa-petismo? É simples e fácil de entender. O PT postou em sua página no Facebook um chamamento intitulado “Militância, às Armas”. É um convite para que a turma recorra a todos os meios possíveis de comunicação para enfrentar os críticos do governo Dilma.

Em consonância com a aloprada resolução do PT, o texto chama os adversários do partido de “representantes do atraso” e “verdadeiros fantasmas do passado”. Lê-se mais: “Eles tentam criar um terceiro turno da disputa eleitoral ao suscitarem sandices como intervenção militar e até o impeachment da presidenta”. Nota irônica: segundo a hierarquia do PT, o impeachment da Dilma seria mais grave (“até”!!!) do que a intervenção militar. Que gente exótica! Mas sigamos adiante.

Vejam aí: um único manifestante, presente ao protesto de sábado, pedindo intervenção militar virou assunto na imprensa petistófila e, claro!, pautou o partido. O truque é velho e barato, mas funciona: as pessoas são obrigadas a se defender daquilo que não pensam ou daquilo que o PT diz que elas pensam. Reitero: havia tanta gente pedindo golpe lá que os repórteres da Folha e do Estado entrevistaram o mesmo sujeito.

Golpe, quem prega é o PT em sua resolução (leia post desta manhã).

Quanto ao impeachment de Dilma, dizer o quê? Se ficar comprovado que ela sabia da roubalheira na Petrobras, a presidente vai cair. E o vice vai assumir se não estiver comprometido com lambanças. Se estiver e se isso ocorrer nos dois primeiros anos, haverá novas eleições. Se for nos dois anos finais, o Congresso indica o presidente.

É simples e sem dor! Já impichamos um presidente antes e já empossamos um vice. O país melhorou em vez de piorar.

Isso é gritaria de quem tenta calar a voz da sociedade, que protesta contra o mar de lama. “Ai, que imagem lacerdista!” É mesmo? Quem vai dar um tiro no próprio coração desta vez? Ninguém? Então deixem Lacerda de lado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fala de Aécio é auspiciosa num momento em que eleitores de oposição são hostilizados por partidos, jornalistas, imprensa e até Procuradoria-Geral da República

Num momento em que manifestantes que se opõem ao governo Dilma estão sendo francamente hostilizados por partidos políticos, por jornalistas, pela imprensa como ente e até pela Procuradoria-Geral da República, soa auspiciosa a fala do senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e candidato derrotado à eleição presidencial neste 2014 por uma diferença de pouco mais de três pontos percentuais.

Afirmou o senador no seu retorno a Brasília nesta terça: “Eu chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o papel que me foi delegado por 51 milhões de brasileiros. Vou ser oposição sem adjetivos. Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros. No mais, nós vamos cobrar eficiência da gestão pública, transparência dos gastos públicos, vamos cobrar que as denúncias de corrupção sejam apuradas e investigadas em profundidade”.

É isto: oposição não tem adjetivo mesmo; é um primado da democracia. Não existe na China, na Coreia do Norte, no Irã ou em Cuba, mas é forte no Chile, na França, no Reino Unido, na Alemanha, no Japão ou nos EUA. Quando os eleitores vão às urnas, não elegem apenas o governo, mas também quem lhe fará oposição. Escolhe os oposicionistas aquele que vota em “A”, não em “B”; escolhe os oposicionistas aquele que, votando em “B” já na expectativa de que seja derrotado, insiste na sua opção para que este possa exercer a devida vigilância sobre “A”. Não compreender esse jogo é ignorar o básico da democracia.

Sim, o PT ignora; não é um partido que acate os valores da democracia. É por isso que, em sua resolução, a legenda associa o adversário ao racismo, ao machismo, à ditadura militar, a práticas, enfim, odiosas que, se fossem verdadeiras, fariam do PSDB um grupamento desprezível. Mas é claro que isso é falso. Trata-se apenas de um esforço para desqualificar o outro e tentar deslegitimá-lo como um ator político. Quem trata assim o adversário assaca contra este as piores baixarias, faz uma campanha no esgoto e ainda culpa a vítima.

Que o PSDB não se esqueça mesmo do papel que lhe atribuíram os eleitores. E que saiba ser politicamente implacável com um governo que, desligadas as urnas, eleva a taxa de juros, corrige a tarifa de energia e se prepara para aumentar o preço dos combustíveis — imputações que fazia aos adversários. Mas esses ainda são os estelionatos menores. O maior foi ter fraudado, uma vez mais, a história.

Nessa campanha eleitoral, a oposição voltou, em grande medida, a ter o domínio de sua própria narrativa, que havia sido sequestrada pelo PT. Que continue a ser a melhor porta-voz de si mesma, sempre atenta aos múltiplos tentáculos do petismo e à sua capacidade de tornar influentes mentiras grotescas, como a que tenta atribuir aos que protestam nas ruas um intento golpista. É uma falácia estúpida.

A tarefa de Aécio é árdua.

Por Reinaldo Azevedo

 

Doações gordas

dilma

Dilma: doações de Coca e Ambev

A Coca-Cola também colocou a mão no bolso para ajudar candidatos em busca de votos nas eleições. No total, a gigante dos refrigerantes gastou 13 898 000 reais em doações de campanha. Das 16 razões sociais registradas pelas fábricas da multinacional no Brasil, apenas cinco não colaboraram com alguma campanha.

A unidade mais generosa da Coca-Cola no Brasil é a Recofarma Indústria do Amazonas, que despejou 9 milhões de reais nas contas de partidos e candidatos. Entre os presidenciáveis, Dilma Rousseff foi a única a ver a cor do dinheiro da Coca: 290 000 reais.

Apesar da mão aberta, a Coca-Cola não chega nem perto dos 45 270 000 reais gastos pela Ambev. A gigante brasileira fez suas doações por meio de três razões sociais: CRBS, Arosuco Aromas e Sucos e Londrina Bebidas.

Dilma também foi a queridinha da Ambev. Até a segunda prestação de contas ao TSE, a presidente declarou ter recebido 6 milhões de reais da empresa de bebidas.

Por Lauro Jardim

 

 

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, a todo o momento novos fatos trazem preocupações aos operadores e usurpadores da Petrobrás.

    A Petrobrás tem suas ações negociadas na Bolsa de Nova York, ela está submetida às leis que regula o mercado de capitais dos EUA. A lei manda que os auditores incluam em seu trabalho “procedimentos concebidos para detectar, com razoável grau de confiança, atos ilegais que tenham tido efeitos materiais diretos na determinação dos montantes declarados”. Conforme a norma, o Conselho de Administração da Petrobrás, uma vez notificado pela empresa de auditoria de seu balanço, PriceWaterhouseCoopers (PwC), deve declarar-se ciente das demandas perante as autoridades americanas.

    No caso do “mensalão” os condenados estão cumprindo as penas em suas residências, pois não existe no sistema prisional brasileiro estrutura física que atendam as exigências do judiciário.

    No caso da Petrobrás há uma nova condição, os envolvidos podem ser julgados pela justiça dos EUA e, vão “puxar a cana nos EUA”, pois lá o “buraco é mais embaixo”!

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

    0