PROTESTO – O Brasil não aceita mais ser um país de pessoas honradas molestadas por ladrões.

Publicado em 16/11/2014 05:39 e atualizado em 17/11/2014 10:23 536 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com

PROTESTO – O Brasil não aceita mais ser um país de pessoas honradas molestadas por ladrões. Golpistas da Petrobras e de outras estatais na cadeia!!! Ou: “Fora, petralhas!”

A esmagadora maioria tomou a rua em nome de boas causas, como o repúdio ao controle da mídia (Arquivo Pessoal)

A esmagadora maioria tomou a rua em nome de boas causas, como o repúdio ao controle da mídia (Arquivo Pessoal)

Dez mil pessoas pelo menos — segundo estima a Polícia Militar — participaram de um ato de protesto contra os desmandos do governo Dilma, que teve como epicentro a Paulista, em frente ao Masp, e se espalhou depois pela avenida. Para quem viu a coisa a muitos andares do solo, o cálculo parece modesto. Os organizadores falam em 50 mil, e, nesse caso, certamente há exagero. Quem sabe a média… Mas isso, já escrevi aqui ontem, importa menos: o protesto seria legítimo ainda que houvesse 10 pessoas. Mas havia, no mínimo, 10 mil. Assim, prova-se que o senhor Guilherme Boulos, o chefão da esquerda barra-pesada, estava errado. Os que cobram um governo decente, o que parece ofender o rapaz, são bem mais do que meia dúzia. E também podem ocupar as ruas. E, como se sabe, ninguém estava na Paulista para responder a uma lista de chamada do MTST, sob o risco de punição.

A esmagadora maioria das palavras de ordem se inscreve absolutamente dentro do leque democrático. E nem poderia ser diferente. Quem está saindo às ruas para protestar é gente decente e ordeira, que respeita as regras do jogo democrático, que acata os fundamentos do Estado de direito, que se subordina aos primados de uma sociedade plural. Golpistas, como sabemos, são os ladrões que se apoderaram da Petrobras em nome de um projeto de poder. Uns bobalhões pediram intervenção militar (ler post anterior)? Pediram, sim! E foram repudiados pela maioria, tanto é que sua caravana de ideias mambembes teve de marchar sozinha.

A imprensa, como destacou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) — presente ao ato como cidadão, sem subir em carro de som —, dá a essas pessoas um peso que não têm. E o faz por viés ideológico. Parece ofender a sensibilidade de certo jornalismo que alguém possa ocupar as ruas portando a bandeira do Brasil e cartazes com as cores pátrias. Parece que protesto sem bandeiras vermelhas já nasce ilegítimo.

“Fora, Petralhas” já é um clássico nos protestos dos defensores da democracia. Sinto orgulho! (Arquivo Pessoal)

Petralhas
A palavra “petralhas” já é um clássico nos protestos contra o PT e contra as esquerdas. É claro que isso se explica, não é? Criei o vocábulo, que foi parar em dicionário, e a história me dá razão. Chamei “petralhas”, desde o primeiro momento, os petistas que justificavam o roubo de dinheiro público em nome de um projeto de poder, como se avançar contra o erário em nome de uma suposta causa fosse moralmente superior a roubar para enriquecer. Não é! Eu diria que é até pior porque mais cínico.

Desde o início, já lá se vão 12 anos (!!!), alertei que nem todo petista é petralha, mas só petistas são petralhas. Há pessoas que levam a sério a, digamos, metafísica partidária e não se contentam com o rumo que as coisas tomaram? Há, sim! Mas não têm nem voz nem vez no partido. E por que continuam? Não sou especialista em comportamento humano nem me aventuro a especular sobre motivações subjetivas.

Há gente que se torna dependente de uma causa e que não consegue pensar fora de um enquadramento coletivo. Lamento muito por elas porque acho isso triste. Vejo muitos jovens capazes — rapazes e moças — abduzidos por seitas. Estou certo de que isso atende a alguma causa que é de fundo psíquico. Quando tomo conhecimento de que até o Estado Islâmico abriga hoje mais de dois mil ocidentais, oriundos, na maioria das vezes, de países ricos da Europa, eu me dou conta do poder que têm os vigaristas de vampirizar os sonhos de justiça dos jovens. Mas não vou me perder nisso agora.

Justiça
Os que foram às ruas cobram justiça e punição para os ladrões que assaltam a República. Os desmandos e o cinismo tomaram tal proporção que é preciso dizer um “Basta!”. Nos dias que correm, um protesto que reúne 10 mil pessoas é, sim, muito bem-sucedido. E, reitero, à diferença da patuscada armada pelo MTST e pela CUT na quinta-feira, ali não havia relações de subordinação e de chefia. Eram pessoas que se juntavam espontaneamente, obedecendo apenas ao comando da própria vontade. Um dos cartazes me parece especialmente bom, exibido por um garoto. Este:

Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)

Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)

É isto: “Mais Brasil, menos PT”. A sociedade está começando a se cansar de ver um partido tomar o seu lugar. O que é a roubalheira na Petrobras senão a consequência de uma ação política que substituiu os interesses da empresa, do Brasil e de seus acionistas — a esmagadora maioria formada de trabalhadores — pelos interesses de uma legenda e de seus sócios no poder? É crescente o número de pessoas que não aceita mais trocar a eficiência e a dignidade pelas migalhas que o petismo se orgulha de distribuir para 50 milhões de miseráveis — sim, MISERÁVEIS — que dependem do Bolsa Família para, ao menos, comer. O país quer, sim, que o programa de assistência aos muito pobres se transforme numa política de Estado, não na suposta benesse de um partido.

Chega da mentira escandalosa de que, para distribuir alguma renda — bem pouca! —, é preciso conviver com os assaltantes do poder. Não é, não! Desde 2002, os petistas vinham com a ladainha falsa de que seus adversários queriam privatizar a Petrobras, o que sempre foi mentira. Eis aí: quem mesmo tratou a Petrobras como se fosse o quintal de um lupanar?

Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provas

Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provas

Impeachment de Dilma
Os falsos democratas fingem se assustar com a palavra de ordem “impeachment de Dilma”, como se fosse expressão de um golpismo. É mesmo? Então quero ver a tese desenvolvida. Golpismo por quê? Já escrevi aqui muitas vezes e reitero no ponto: IMPEACHMENT, SIM, SE FICAR PROVADO QUE ELA SABIA DA ROUBALHEIRA EM CURSO NA PETROBRAS. Mas, para que se chegue lá, é preciso que se investigue, que se colham as provas e que se proceda ao devido processo legal. É certamente esse o pressuposto dos que pedem a saída de Dilma.

Quando se fala e se escreve a palavra “impeachment”, está-se falando de um procedimento legal, previsto na ordem democrática brasileira e que integra o conjunto de possibilidades de um Estado de Direito. A lei que permite a deposição de um chefe de Estado por crime de responsabilidade, a 1.079, não é nova; é de 1950, a mesma que afastou Collor do poder quando a Câmara aceitou a denúncia.

Se ficar provado que a presidente Dilma Rousseff sabia de tudo — ou, ao menos, de parte da lambança —, ela terá de deixar o poder porque lhe faltará autoridade para governar o país. “E se isso acontecer?” O vice assume, ora! Não é inédito nem segredo para nós. E se a denúncia tragar também o vice? Aí o presidente da Câmara assume interinamente e se marcam novas eleições — se o duplo impedimento ocorrer nos dois primeiros anos —, ou o Congresso indica o novo chefe do Executivo na hipótese de ocorrer no biênio final. Em qualquer hipótese, esse mandato termina no dia 31 de dezembro de 2018; em outubro desse ano, haverá eleições presidenciais, com ou sem impeachment.

É isso mesmo: notem que dou tratamento meramente burocrático a essa possibilidade porque, afinal, o Estado de Direito prescreve as saídas para o impedimento presidencial. Impeachment sem provas? Aí, obviamente, não!

Na manifestação deste sábado na Paulista, em São Paulo, houve caravanas de pessoas de outras cidades e até de outros Estados. O Brasil não quer ser mais um país de pessoas honradas submetidas à vontade de ladrões.

Golpistas na cadeia!

Por Reinaldo Azevedo

 

Canalha minoritária e golpista macula protesto legítimo e democrático contra desmandos do governo petista. Mas ficou claro: trata-se de uma minoria repudiada por todos, inclusive pelas Forças Armadas

Pelo menos 10 mil pessoas pediram democracia; uns poucos idiotas é que pregaram golpe (Felipe Rau/Estadão)

Pelo menos 10 mil pessoas pediram democracia; uns poucos idiotas é que pregaram golpe (Felipe Rau/Estadão)

Os imbecis conseguiram.
Os idiotas chegaram lá.
Os zumbis se impuseram sobre os vivos.
Os estúpidos ganharam a ribalta.
A escória da democracia mostrou a fuça.

Pelo menos dez mil pessoas, segundo cálculos que me parecem modestos — e ainda farei outro post a respeito — participaram e participam ainda de um ato de protesto contra o governo Dilma. A esmagadora maioria pede a efetiva apuração dos casos de corrupção, cobra a punição aos larápios que assaltam o estado, repudia as ameaças de controle da mídia.

Leio, no entanto, o título da homepage da Folha Online:
“Pedido de ação militar racha protesto contra Dilma na Paulista”.

No Estadão Online:
“Pedido de intervenção militar racha protesto anti-Dilma na Paulista”.

No Globo Online:
“Defensores de intervenção militar dividem ato contra Dilma”

No UOL:
“Lobão abandona ato após pedido de ação militar”.

Retomo
Eis aí. Na manifestação anterior, um único cartaz de um único sujeito — coincidentemente entrevistado pelas respetivas reportagem de Folha e Estadão — bastou para que o protesto fosse tratado como manifestação golpista. Desta feita, havia um carro de som de um tal “Movimento Brasileiro de Resistência” — cuja existência desconheço, com muito gosto —, que pedia a intervenção militar no país.

As democracias não podem proibir a estupidez, ou democracias não seriam. As pessoas têm o direito de ser ignorantes. Mas eu também tenho o direito de repudiar a sua burrice. Se um único cartaz bastou para enviesar a cobertura jornalística do ato anterior, é evidente que um carro de som ganharia ainda maior saliência. Desta vez, ao menos, informa-se a coisa correta: o pedido de intervenção militar era coisa de uma minoria, que acabou marchando sozinha, por sua própria conta, até o Comando Militar do Sudeste.

Quem vai bater à porta de quartel é carpideira ou gente com vontade de lamber botas. Falaram para ninguém. Conheço generais da ativa que tratam essa gente por aquilo que é: um bando de trouxas, de oportunistas, que se aproveitam da justa indignação de pessoas decentes para lançar seu ridículo grito de guerra.

Por que esses celerados não dão ao menos um exemplo contemporâneo de governo militar que seja democrático e decente? Existem ditaduras militares no continente americano hoje? Sim. Qualquer pessoa informada sabe que a Venezuela, na prática, é uma. Cuba também. As fachadas socialista e comunista só escondem a real natureza do regime: são camarilhas militares que garantem a opressão.

Apanhei durante a ditadura. Fui perseguido com meros 16 anos. Repudio de modo absoluto esses asquerosos, que não sabem o que é democracia; que acabam, porque burros, legitimando o regime corrupto e de desmandos em curso. Se querem pedir ditadura, que marquem suas próprias manifestações.

Essa gente me dá nojo!

O ato da esquerda
Se o ato não é de esquerda, a imprensa tem especial predileção por dar destaque às bandeiras dos aloprados, em detrimento da expressão legítima e pacífica dos indignados? E claro que sim! E não há novidade nenhuma nisso. Todos conhecem os motivos. Jornalistas, na média, são preguiçosamente esquerdistas — no mais das vezes, por falta de informação, de leitura, de conhecimento da história e até por complexo de culpa mal resolvido. São muito poucos, se é que existem, os que deitaram os olhos em alguma teoria ou capazes de citar alguma obra de referência. Nada! Trata-se de um deserto de ideias, ornado por supostas boas intenções. Já tentei debater. É impossível. É de Wikipédia para baixo. Mas esse não e um dado novo na equação.

Querem ver? Este panfleto estava sendo distribuído na manifestação organizada na quinta por Guilherme Boulos. Leiam:

panfleto Grande Cuba

E aí? O que lhes parece? Como se sabe, isso aí não mereceu nem sequer menção na grande imprensa e jamais iria parar num título. Por que não se publicou algo assim: “Em ato em defesa do governo Dilma, manifestantes pedem que Brasil vire uma grande Cuba”. Seria uma manchete mentirosa? Tão mentirosa e tão verdadeira quanto a informação de que, na semana passada, os que marcharam contra Dilma pediam intervenção militar. Talvez ainda haja uma diferença: caso se pergunte aos reais orgnizadores dos atos de protesto se apoiam um golpe, a resposta será “não”. Mas pergunte a Boulos se ele realmente não gostaria que o Brasil virasse uma Cuba continental.

Como vai piorar…
A situação política no Brasil está se deteriorando. As consequências dramáticas da Operação Lava Jato estão apenas no começo. Deixo aqui uma recomendação aos que organizam protestos: que, doravante, defensores de intervenção militar sejam literalmente isolados em manifestações assim. Que se crie uma espécie de cordão sanitário em torno dessa escória política, que odeia a democracia.

O Artigo 5º garante que alguém expresse a opinião de que uma intervenção militar é a saída para o Brasil? Garante! Mas que seja longe das pessoas decentes.

O bolsonarismo só é bom para os Bolsonaros
Leio, finalmente, no Estadão isto aqui:
“Não é o momento de pedir intervenção militar”, disse ao Estado o deputado eleito por São Paulo Eduardo Bolsonaro, um dos líderes mais celebrados do ato. Em um evento similar há duas semanas, ele foi fotografado portando um revólver. Dessa vez ele garante que está desarmado. “Tem gente armada por mim por aí”, afirmou.

Não sei o que esse cara que dizer com “Tem gente armada por mim”, mas suponho. E não me parece coisa boa. Bolsonaro pai ou Bolsonaros flhos sabem que nunca mais haverá intervenção militar no Brasil. Esse discurso barulhento, ambíguo e tendente à truculência que alimentam só serve para lhes render votos — e, portanto, as benesses correspondentes aos cargos públicos que ocupam.

Para eles, esse tipo de discurso agressivo e bronco é uma maravilha. Terão cada vez mais votos de uma minoria de extremistas sem importância. Mas esses senhores acabam é conspurcando a causa da democracia. Quem gosta de bolsanarismo é Jean Wyllys (PSOL-RJ), que sai gritando “fogo na floresta!” e multiplica seus votos por dez. Uma coisa é o oposto simétrico da outra. Wyllys arruma voto para os Bolsonaros, e os Bolsonaros arrumam votos para Wyllys. Sem Bolsonaro para praguejar sandices contra os gays, aquele rapaz seria só um ex-BBB em busca de notoriedade. Com a colaboração do discurso homofóbico do outro, virou celebridade “progressista”. Não caiam em truques vulgares assim. Se existe “gente armada por Eduardo Bolsonaro”, espero que seja ao menos dentro das regras legais — ou é prática similar ao banditismo.

E deixo claro: não adianta enviar para cá um bando de cachorros loucos para encher o meu saco porque não tenho medo de patrulha. Tenho asco de petralhas que assaltam os cofres públicos disfarçados de amigos do povo — e sei como combatê-los — e asco idêntico de oportunistas que se aproveitam da boa vontade alheia para colher benefícios e votos.

Meu amigo Lobão fez muito bem ao soltar os cachorros contra a canalha minoritária e golpista. E ainda escreverei um post aplaudindo a esmagadora maioria que estava na rua, composta de pessoas lúcidas.

Por Reinaldo Azevedo

 

Pela primeira vez desde a redemocratização, jornalismo trata com desdém protestos de milhares de pessoas, que só cobram… decência! É que os brasileiros que trabalham não têm pedigree militante

Vivemos realmente dias interessantes. Desde a redemocratização do país, é a primeira vez que milhares de pessoas saem às ruas tendo de enfrentar a franca hostilidade da maioria da imprensa e até de humoristas chapas-brancas — como se fosse possível fazer humorismo a favor sem que o palhaço se comporte como mero áulico. Até o bobo da corte, como é sabido, tinha mais independência do que a pletora de engraçadinhos patrocinados. Afinal, o bobo era o único que podia fazer piada com o rei… Os de hoje em dia só sabem ironizar os… inimigos do rei.

Sim, uns poucos tolos pediram intervenção militar. Já disse o que penso a respeito em dois posts bastante longos. Mas a esmagadora maioria foi à rua cobrar a apuração de crimes contra o patrimônio público, exigir o impeachment de Dilma (se ficar provado que ela sabia das falcatruas) e, oram vejam, protestar contra o controle da mídia — que vem a ser justamente a pauta oposta à dos esquerdistas que marcharam na quinta-feira, sob a liderança da CUT e de Gilherme Boulos, chefão do MTST — a entidade e o movimento são vermelhos por fora, mas tem a chapa branca por dentro.

Os que defendem abertamente a censura à imprensa, no entanto, foram tratados com reverência e delicadeza pela… imprensa! Os que se opõem a controles, bem, estes estão sendo francamente hostilizados, com uma abordagem jocosa, com esgares óbvios de preconceito. Sugiro aos manifestantes, no entanto, que ignorem a patrulha e deixem os jornalistas em paz. Seus respectivos leitores saberão fazer a coisa certa. O único controle admissível para a imprensa é o público. A liberdade de imprensa não é um bem que se defenda em benefício de jornalistas. A gente defende a liberdade de imprensa é em benefício do país. Adiante.

Manifestações de defensores da ordem democrática também são meio chatas, não é?, para certo jornalismo. A turma não quebra nada, nem bem público nem bem privado; não busca o confronto físico coma a Polícia Militar — ao contrário: até a aplaude, o que deixa os esquerdistas da imprensa, digamos, “absurdados”. Também não se trata, assim, de um desfile de culturas alternativas, de tribos, de comportamentos de exceção, de minorais, de militantes profissionais.

Nada disso! Nas ruas, estavam aquelas pessoas que a Marilena Chaui e boa parte da imprensa odeiam: gente comum, que trabalha, que estuda, que é obrigada a ganhar o próprio sustento — e, por essa razão, tem especial predileção para protestar aos sábados. São pessoas que não têm as mesmas facilidades dos militantes da CUT ou do MTST. Estes podem armar o circo em plena quinta-feira porque o pão já está mesmo garantido pelas tetas públicas.

Onde já se viu gente comum; que não pertence a nenhum movimento social; que não se organiza em nome de nenhuma minoria influente; que, percebe-se, nem tem muito traquejo em manifestação porque costuma estar empenhada demais em prover o próprio sustento, sem tempo para se comportar como esbirro de grupelhos militantes; que recolhe seus impostos; que faz funcionar a máquina perdulária do estado… Onde já se viu gente assim ousar sair às ruas?

Cumpre ridicularizá-la; tratá-la como um bando de primitivos; tirar o sarro de sua agenda; evidenciar o seu reacionarismo; hostilizá-la como expressão do atraso. Não é porque essa gente é a parcela do Brasil que financia o circo do estatismo; não é porque essa gente é diariamente espoliada por marginais do poder; não é por isso tudo que essa gente, agora, vai achar que deve ter também o direito de voz. Como quer o ainda ministro Gilberto Carvalho, a obrigação do governo é conversar com os movimentos sociais de esquerda. Os indignados com a roubalheira que se danem.

Vem coisa por aí
Os histéricos — e vou escrever daqui a pouco sobre o ministro José Eduardo Cardozo — que se acalmem! A Operação Lava Jato, até agora, ainda não chegou aos políticos. Vai chegar. É possível que a penca de prisões acabe resultado em novos processos de delação premiada.

Ainda que amplos setores da imprensa só reconheçam a legitimidade de protestos que carregam a bandeira vermelha, terão de aceitar, cedo ou tarde (pior se for tarde), que os que pagam a conta têm o direito de reclamar da qualidade do serviço.

Para esclarecer
Há gente fazendo uma lambança dos diabos. Tenho escrito aqui que o eventual impeachment de Dilma precisa de provas. Aí alguns insistem: “Mas elas já existem…”. Ainda não são do nosso conhecimento. VEJA noticiou — assim como os demais veículos de comunicação — que Alberto Youssef afirmou que Lula e Dilma sabiam de tudo. É fato que ele tenha dito isso. Mas é preciso que venha à luz a materialidade dessa afirmação, entenderam? “Ah, Reinaldo, mas o que você acha?” Eu acho que não havia como eles não saberem. Mas um processo requer mais do que, digamos, essa obviedade lógica.

E, ficando provado que a presidente sabia, ela vai se aposentar mais cedo. Sem traumas institucionais. Não adianta Cardozo ter faniquito. Os cretinos que chamam de “golpista” a manifestação em favor do impeachment precisam saber que o impedimento tem prescrição legal. Logo, não pode ser golpe o que se ancora na legalidade democrática. Quando alguém fala em “impeachment” fala também em legalidade. É elementar!

A crise é de fôlego, estejam certos. Quanto à hostilidade de parte considerável da imprensa, dizer o quê? Jornalistas não podem ser molestados. Que façam o seu trabalho, bom ou mau. É o leitor, o telespectador, o ouvinte ou o internauta que escolhem este ou aquele veículos. A melhor forma de protestar contra áulicos ou maledicentes é mudando de jornal, de revista, de canal, de blog, de rádio…

Por Reinaldo Azevedo

 

Ainda a intervenção militar e os que tentam me dar algumas aulas… Ou: Eu não combato petralhas porque eu aceite ditaduras, eu os combato porque não as aceito!

Sou imensamente grato a alguns defensores da “intervenção militar” que resolveram me contar “como é de fato o Brasil”, me dar aulas (!?!?!) sobre o “Foro de São Paulo” (pra mim?) e me advertir sobre a minha “ingenuidade”… Um deles, fazendo piada involuntária, escreveu: “Você não sabe como são os petralhas, Reinaldo…” Ninguém deve ter lhe contado que eu sou o criador da palavra. Agradeço, mas dispenso as lições. Não! Gente defendendo o justificando intervenção militar não escreve no meu blog nem na área de comentários. Se alguma opinião assim escapou, vou cortar.

O blog é meu! É feito para defensores da democracia, das liberdades civis, dos direitos individuais — tudo aquilo que governos militares, em qualquer tempo e em qualquer lugar, jamais garantiram. É claro que um regime civil não significa a certeza desses fundamentos. Mas só regimes civis podem provê-los. E não porque militares sejam homens maus. É que eles são treinados para a guerra, não para a política. Há gente com vontade de defender “intervenção militar ou golpe?” À vontade!!! Há milhares de blogs desesperados para ter leitores. No meu, não! “Ah, mas as pessoas têm o direito de ter essa opinião…” E eu disse que não têm??? Só não quero na minha casa. É simples.

Ora, ora… Eu não combato os petralhas com tanta energia porque aceite ditaduras… Eu os combato justamente porque não as aceito. Mas notem: não é que eu rejeite só a ditadura dos petralhas e de outros esquerdistas. Eu rejeito todas as ditaduras, inclusive a dos petralhas e de outros esquerdistas.

Eu escrevi ontem dois textos sobre a manifestação. No primeiro, em que lastimo a estupidez dos que pedem intervenção militar, afirmei que ainda escreveria um outro, destacando os aspectos virtuosos do protesto. Alguns tontos me acusam de querer me comportar como dono da agenda. Uma ova!

Se eu me sentisse assim, iria atuar de modo político, fazendo vista grossa para aquele carro de som só para não criticar um “aliado”. Ocorre que um defensor de intervenção militar é tão meu adversário intelectual como um petralha. Não tenho apreço nem por um nem por outro. Gente que vai à rua pedir a ação dos quarteis é, lamento!, aliada objetiva do PT e das esquerdas. Estudem o conceito de “aliado objetivo”. Não quero ser dono de nada nem me sinto líder de coisa nenhuma. Eu sou apenas dono da minha opinião. E eu a expresso. E ponto.

Tolices
Há pessoas me recomendando obsessivamente que leia o Artigo 142 da Constituição, como se eu já não o tivesse citado dezenas de vezes no blog. Há um arquivo nesta página, santo Deus! Mas lhes faço a vontade e reproduzo o caput:

“Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

Sim, as Forças Armadas podem ser convocadas para a garantia da ordem interna, desde que sua presença seja solicitada por um dos Poderes da República. Aliás, aconteceu durante a Copa do Mundo, não é mesmo? Não cabe aos militares brasileiros cuidar da política.

Também deixem os bobalhões de conversa mole. Já fiz duas palestras no Comando Militar do Sudeste e duas no Clube Militar. Mantenho diálogo sereno e profissional com militares, mas não sou carpideira. Os generais que conheço estão empenhados em garantir que as Forças Armadas cumpram o seu papel constitucional e devem encarar com um profundo tédio essa bobajada.

Há ainda aqueles que juram que nunca mais voltarão a me ler porque critiquei esses delírios golpistas. A democracia existe para isso. Se eu não sirvo, certamente encontrarão uma página do seu agrado. As minhas opiniões sempre são claras, inequívocas e com zero de ambiguidade. O fato de eu criticar as tolices ilegais da Comissão da Verdade ou a conversão em heróis de facínoras como Carlos Lamarca ou Carlos Marighella, por exemplo, não autoriza ninguém a inferir que eu ache que a política e o poder devam ser exercidos por fardados. Acaba de ser lançado meu quinto livro. Há milhares — literalmente — de textos meus neste blog. Não há um só, um único que seja, que autorize essa leitura. ISSO É O QUE OS PETRALHAS GOSTARIAM QUE EU ESCREVESSE. Porque são golpistas, pretendem que seus adversários intelectuais ou morais também o sejam, mas do outro lado.

Comigo, não! Eu defendo uma democracia liberal-conservadora — avessa, portanto, tanto a petralhas e seus asseclas como a intervenções e golpes militares. Há quem nunca mais queira visitar meu blog por isso? Paciência!

Agora os Bolsonaros
Não ataquei a moralidade de ninguém. De novo: o arquivo do blog está aí, e qualquer um pode pesquisar o que escrevi, inclusive sobre aquela bobagem do kit gay. É bem provável que eu tenha cuidado do assunto antes do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Critiquei, sim, uma fala ambígua de outro Bolsonaro, Eduardo (deputado eleito), segundo quem “não é o momento de pedir intervenção militar”. De fato, não é. Nem agora nem depois!!! Não há esse momento a não ser segundo o que prescreve a Constituição, não é mesmo? E também lamentei que tenha se deixado fotografar com um revólver — e pouco me importa a sua profissão. Numa manifestação política, há coisas que são descabidas. E ponto!

Eu não sou político nem faço política. Quando gosto, digo “sim”; quando não gosto, digo “não”. E jamais pergunto se o meu “sim” ou o meu “não” atendem a esse ou àquele interesses, a essa ou àquela perspectivas.

Os dias vindouros serão densos. Já bastam as hostes da desqualificação petralha e esquerdopata, de que boa parte da imprensa se faz porta-voz, para tentar inibir os que defendem valores como decência e ética. Se os zumbis querem defender intervenção ou golpe militar, que marquem seus próprios atos e não conspurquem a marcha dos que estão nas ruas pedindo democracia, não golpe.

“Ah, os petralhas vão gostar de ler você criticando parte dos manifestantes…” Os petralhas que se danem! Não são meu juízes. Ainda que me aplaudissem, eu continuaria a ter por eles o mesmo desprezo que tenho quando me atacam.

Em matéria de princípios, não tergiverso nem negocio. Se alguém quer ditadura, é meu adversário, pouco me importa se é comuna ou anticomuna. Quem ainda não entendeu isso, deixo claro, ainda não me entendeu.

#prontofalei

Por Reinaldo Azevedo

 

LAVA-JATO – O “Dia do Juízo Final” e o Apocalipse do petismo

Diga-se pela enésima vez: o PT não inventou a corrupção. É claro que não! O que o partido fez foi transformá-la num sistema e alçá-la à categoria de uma ética de resistência. Nesse particular, sem dúvida, inovou. Se, antes, a roubalheira generalizada era atributo de larápios, de ladrões, de safados propriamente, ela se tornou, com a chegada dos companheiros ao poder, uma espécie de imperativo do “sistema”. Recorrer às práticas mais asquerosas, contra as quais o partido definiu o seu emblema na década de 80 — “Ética na política” —, passou a ser chamado de “pragmatismo”.

Observem que o partido não se tornou “pragmático” apenas nessas zonas em que a ação pública se transforma em questão de polícia. Também a sua política de alianças passou a ter um único critério de exclusão: “Está do nosso lado ou não?”. Se estiver, pouco importa a qualidade do aliado. Inimigos juramentados de antes passaram à condição de fiéis aliados. O símbolo dessa postura, por óbvio, é José Sarney. No ano 2000, Lula demonizava Roseana nos palanques; em 2003, os petistas celebraram com a família uma aliança de ferro.

Os demônios que vão saindo das profundezas da Petrobras são estarrecedores. Não se trata, como todos podemos perceber, de desvios aqui e ali, como se fossem exceções a regras ancoradas no rigor técnico. Não! A corrupção era, tudo indica, sistêmica; não se tratava de um corpo estranho; era ela o organismo. E, convenham, parece que não havia valhacouto mais acolhedor e seguro do que a estatal. A Petrobras, com a devida vênia, nunca foi exatamente um exemplo de transparência, já antes de Roberto Campos ter-lhe pespegado a pecha de “Petrossauro”.

Em nome do nacionalismo mais tosco — antes, meio direitoso, com cheiro de complexo burocrático-militar; depois, com o viés esquerdoso, tão bocó como o outro, só que ainda mais falsificado —, há muitos anos a empresa se impõe ao país, não o contrário. Não foram poucas as vezes em que mais a Petrobras governou o Brasil do que o Brasil, a Petrobras. Com a chegada do PT ao poder, o que já era nefasto ganhou ares de desastre.

A empresa passou a ser o “bode exultório” — que é o oposto do “bode expiatório” — da esquerdofrenia petista. E porque o partido é esquerdofrênico? Porque o estatismo advogado pelos “companheiros” só pode ser exercido, como é óbvio, com o concurso do capital privado, com o auxílio de alguns potentados da economia, com o amparo de quem reúne a expertise para tocar a infraestrutura. E o resultado é o que se tem aí.

Não vou livrar a cara das empreiteiras, não. Quem não quer não corrompe nem se corrompe. Mas não dá para esquecer o depoimento de Alberto Youssef ao juiz Sérgio Moro, em que sobressaem duas informações importantes:
1) o doleiro afirmou que era pegar ou largar; ou as empreiteiras aceitavam pagar o preço — ou melhor, incluir a propina no preço —, ou estavam fora do jogo; e boa parte preferiu jogar;
2) indagado por Moro se as empreiteiras costumavam cumprir a sua parte no acordo, Youssef disse que sim. E explicou os motivos: elas tinham muitos interesses em outras áreas do governo, não apenas na Petrobras. Afinal, também constroem hidrelétricas, estradas, infraestrutura de telecomunicações etc.

Assim, duas conclusões se fazem inevitáveis:
1) as empreiteiras, tudo indica, atuaram como corruptoras, sim, mas é razoável supor que falavam a linguagem que o outro lado queria ouvir;
2) não há por que o padrão de governança das demais estatais e órgãos públicos federais ser diferente. Como já afirmei neste blog muitas vezes, estamos diante de um método, não de um surto ou de um lapso da razão.

Governo em parafuso
Já está mais do que evidente, a esta altura, que Lula e Dilma foram suficientemente advertidos para parte ao menos dos descalabros. Os que se lançaram a tal empreitada, talvez ingenuamente, imaginavam que a dupla não sabia de nada. A questão, meus caros, desde  sempre, é outra: havia como não saber? Tendo a achar que não. O TCU alerta, por exemplo, para os desvios da refinaria Abreu e Lima desde 2008.

Recorram aos arquivos. A partir de 2010, o então presidente Lula começou a atacar os órgãos de fiscalização e controle, muito especialmente o TCU. No dia 12 de março daquele ano, foi ao Paraná inaugurar a primeira etapa das obras de modernização e ampliação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. O Tribunal de Contas havia recomendado a suspensão de verbas para a Repar justamente por suspeita de fraude e superfaturamento. Lula não deu pelota e ainda atacou o TCU. Leiam:
“Sou favorável a toda e qualquer fiscalização que façam, até 24 horas, via satélite. Acontece que as coisas são complicadas. Muitas vezes, as pessoas levantam suspeitas de uma obra, paralisam a obra e, só depois da obra paralisada, chegam à conclusão de que está correta. Quem paga o prejuízo da obra paralisada? Não aparece. O povo brasileiro paga porque não tem obra”.

Pois é… Vejam quanto “o povo brasileiro” está pagando pelo método Lula de fazer política.

O terremoto que está em curso abalou as empreiteiras, aquelas que ou pagavam a propina ou ficavam fora do negócio. Pesos pesados do setor estão na cadeia, alguns em prisão preventiva, e outros em prisão provisória. Mas estamos bem longe do topo na escala. Estima-se que o esquema possa enredar nada menos de 70 políticos, muitos deles com mandato. A delação premiada pode devastar parte considerável da classe política brasileira. E, aí sim, talvez saibamos o que é a terra a tremer.

E a gente se espanta ao constatar que o segundo mandato de Dilma ainda não começou. Talvez só em janeiro muita gente se dê conta de que pode haver mais quatro anos de mais do mesmo, só que num cenário à beira do abismo.

Policiais federais chamaram esta sexta de “Dia do Juízo Final”, que é apenas uma passagem do Apocalipse!

Por Reinaldo Azevedo

 

Empreiteiras movimentaram R$ 90 milhões para empresas de Youssef

Na VEJA.com:
A Justiça Federal de Curitiba identificou pagamentos de 90 milhões de reais das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato às empresas controladas por Alberto Youssef. O doleiro é apontado como o responsável por repassar os recursos desviados da Petrobras a partidos políticos, empresários e outros beneficiados do esquema de corrupção. Os pagamentos às empresas do pivô da Lava Jato eram justificados como quitação de serviços terceirizados de consultoria financeira e técnica mas, de acordo com as investigações, as empresas controladas por Youssef não exerciam qualquer atividade econômica e funcionavam apenas como fachada para a lavagem do dinheiro.

Entre as movimentações suspeitas aparecem depósitos de 4,8 milhões de dólares feitos pela OAS African Investments Limited em três parcelas entre maio e agosto de 2013. Os recursos foram depositados em uma conta em agência do PBK Bank, na Suíça, em nome da empresa de serviços off-shore Santa Thereza Services, que também seria controlada pelo próprio Alberto Youssef. Além do depósito, foram localizadas transferências de 5,5 milhões de reais feitas por consórcios liderados pela Mendes Junior, que teve o vice-presidente preso durante as operações da PF desta sexta-feira. Também há depósitos da Investminas (4,3 milhões de reais), da construtora OAS (1,6 milhão de reais) e Engevix (3,2 milhões de reais), entre outros.

De acordo com o relatório, que embasou as prisões e investigações deflagradas pela Polícia Federal nesta sexta-feira, as investigações indicaram que “as maiores empreiteiras do país formariam uma espécie de cartel, definindo previamente as vencedoras das licitações da Petrobras, o que lhes permitia cobrar o preço máximo da empresa estatal, e que pagavam um porcentual, de 3% ou 2%, sobre o valor dos contratos a agentes públicos”.

O documento relata que os valores desviados da estatal eram repassados pelos consórcios de empreiteiras a empresas terceirizadas e fornecedoras de equipamentos. Estas, então, repassavam os valores a empresas controladas por Alberto Youssef, como a MO Consultoria e a GDF Investimentos, simulando a execução de serviços de consultoria.

Contas
Somente o Grupo Sanko teria movimentado mais de 33 milhões de reais para as contas do doleiro. O grupo possui contratos de mais de 3 bilhões de reais para fornecimento de tubulações para obras da estatal. Um dos executivos do grupo, Márcio Bonilho, em depoimento prestado na Justiça Federal, confirmou o relacionamento e os repasses ao doleiro. O relatório apresenta trechos do depoimento em que descreve Youssef como alguém de “credibilidade boa”, que “abria portas” e andava com pessoas “tomadoras de decisão” em relação aos contratos.

“Saímos tentando vender esse projeto, eu conheci o Alberto Youssef, se eu não me engano uns quatro ou cinco. (…) Ele era uma pessoa que gozava de uma credibilidade boa nesse setor e ele andava com pessoas tomadoras de decisão (…). Eu coloquei a possibilidade, ele falou de uma possibilidade de pagar comissões para ele, eu fechei o negócio e aconteceram as comissões”, diz o trecho. Em outra passagem, Bonilho afirmou que o doleiro tinha relações com diretores das empreiteiras e marcava reuniões com o executivo.

“Ele apresentava, marcava uma reunião, eu era recebido, fazia a apresentação técnica e nós tentávamos fazer a venda. Eu fechei negócios com o CNCC, fechei negócios com o Conest, fechei negócios com a UTC, fechei negócios com Engevix, com o Estaleiro, fechei… Não recordo todos, mas fechei meia dúzia de negócios, assim, com 10 empresas distintas”, completou o trecho.

Assinatura
O relatório é assinado pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, responsável pelo caso. O documento apresenta uma planilha resultado de perícia elaborada no decorrer das investigações a partir de informações obtidas com a quebra do sigilo fiscal e bancário das empresas. Também foram investigadas “planilhas de contabilidade informal” do doleiro citando “comissões e repasses”, mas sem identificar beneficiários. Os depósitos teriam ocorrido entre 2009 e 2013, período em que foram identificadas as irregularidades na Petrobrás.

Os depoimentos de funcionários das empresas do doleiro Alberto Youssef também indicaram que os contratos não eram efetivamente cumpridos e que as empresas apenas forneciam notas fiscais. “Não foi colhida qualquer prova de que as referidas empresas MO Consultoria, GDF Investimentos, Empreiteira Rigidez e RCI Software prestassem, de fato, alguma espécie de serviço de consultoria ou mesmo que tivessem quadro especializado de empregados ou terceirizados aptos a atender consultorias técnicas para as maiores empreiteiras de obras do Brasil”, completa o juiz Sérgio Moro.

Por Reinaldo Azevedo

 

Quando se tem um ministro da Justiça como José Eduardo Cardozo, a gente entende por que a Petrobras afunda num mar de lama. Este senhor perdeu o senso de ridículo!

Sou crítico de muitos ministros deste governo, mas há dois sobre os quais sinto certa vergonha de escrever: Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo. São duas figuras patéticas, bisonhas, ridículas. Carvalho é candidato a qualquer coisa no PT — restando algum juízo a Dilma, ela o chuta do Palácio. Já Cardozo tem a ambição de ocupar um lugar no Supremo, uma piada grotesca, eu sei, mas verdadeira. Muito bem! Nesta sexta, todos percebemos a terra tremer com a prisão de um monte de empreiteiros e assemelhados, num dia apelidado por policiais federais de “Juízo Final”. É claro que a temperatura da crise subiu muito. Cardozo resolveu, então, conceder neste sábado uma entrevista coletiva. E meteu, como sempre, os pés pelos pés.

A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça, mas tem autonomia garantida em lei para efetuar suas investigações. O ministro não pode e não deve ser previamente avisado. Segundo disse, ficou sabendo da operação no fim da madrugada, quando já tinha sido deflagrada. Aí, então, teria telefonado para a presidente Dilma, que está em viagem, e recebido instruções. Certo. Cabia a Cardozo dar uma entrevista? Acho que sim.

Mas para dizer o quê? O que seria óbvio numa democracia convencional: que a PF tem autonomia no seu ofício, que o governo espera que tudo tenha sido feito dentro das regras, que tem a esperança de que as acusações dos advogados de que seus clientes tiverem direitos agravados não precedam etc. Mas foi isso o que fez o ministro de Dilma que acha que se pode trocar facilmente a canga pela toga? Não!

Resolveu vociferar impropérios contra adversários políticos. E disparou: “A oposição não pode usar as prisões para criar um terceiro turno eleitoral”. Mas quem é que está agindo assim? Ele não disse. É impressionante que um ministro da Justiça faça uma acusação com esse peso sem citar nomes. O que Cardozo pretende?

Quer dizer que ou a oposição aplaude a ação do governo ou será tentativa de disputar o “terceiro turno”? Eu estou errado ou esse que se pretende futuro ministro do Supremo acha que, ao vencer uma eleição, um partido também retira dos derrotados o direito de se comportar como adversários? A afirmação é de uma irresponsabilidade impressionante, sobretudo porque um ministro da Justiça não acusa, mas age.

Cardozo — não posso ver a sua figura sem me lembrar da doce metáfora que Dilma lhe dispensou: um dos “Três Porquinhos… — está acostumado a não ter limites. Afirmou a jornalistas que Dilma deu sinal verde para levar adiante as investigações… Como, excelência? Quer dizer que, se ela tivesse dado sinal vermelho, aí tudo seria paralisado? Ela nem dá nem deixa de dar sinal verde. A PF não obedece a esse tipo de comando.

Cardozo deu outra resposta deliciosa quando indagado sobre a suposta participação de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, nos escândalos da Lava Jato: “Eu não faço isso com amigos, não faço com inimigos. Vamos olhar os fatos e investigá-los”. Bem… Inimigo do ministro Vaccari não é. Só restou o papel de “amigo”…

A entrevista de Cardozo foi um despropósito. Chega a ser estarrecedor que, um dia depois daquela penca de prisões — incluindo a de Renato Duque, ex-operador do PT —, este senhor venha a público para tentar passar um pito na… oposição!!! É espantoso a solenidade com que ignora a importância do cargo que ocupa.

Disputar terceiro turno, meu senhor? O que o Brasil se pergunta é quanto do dinheiro roubado da Petrobras foi parar no primeiro e no segundo turnos, não é mesmo?

Comporte-se de modo mais decoroso, meu senhor!

Por Reinaldo Azevedo

 

MPF rastreia dinheiro desviado da Petrobras no exterior

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Os executivos Júlio Camargo e Augusto Mendonça Neto, delatores do núcleo empresarial investigado na Operação Lava Jato, relataram em depoimentos que pagaram mais de 30 milhões de reais ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso nesta sexta-feira, e a um subordinado dele, Pedro Barusco, que era gerente de serviços. Os pagamentos de propina eram exigidos como condição para que a estatal assinasse contratos com empreiteiras do cartel investigado na operação, de acordo com os delatores. Foram denunciadas propinas em contratos da Refinaria de Paulínea (Replan), do Gasoduto Urucu-Manaus, do Terminal Cabiúnas 3, da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) no Paraná, no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e no Projeto Cabiúnas 2.

Camargo e Mendonça Neto chegaram a indicar os bancos no exterior em que os pagamentos eram feitos. De acordo com eles, havia pagamentos nos bancos Cramer e Credit Suisse, na Suíça, e no banco Winterbothan, no Uruguai. O Ministério Público Federal já requisitou em pedidos de cooperação internacional que os países confirmem a circulação de dinheiro de Duque e do subordinado no país. Em relatório, o Ministério Público Federal destaca ainda que Barusco teve recentemente 20 milhões de dólares apreendidos administrativamente na Suíça.

O caminho do pagamento de propinas, providenciado pelos delatores na maioria das vezes, foi descrito em diferentes projetos da Petrobras. Em contratos da Repar, por exemplo, o consórcio Interpar contratou a empresa Auguri Empreendimentos, uma das firmas mantidas por Camargo, e o dinheiro seguiu para contas do exterior de Duque e Barusco. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também utilizava contas na Suíça para receber propina no exterior. Mas, em função do acordo de delação premiada, pelo qual prestou depoimentos com o objetivo de elucidar crimes em troca de penas mais brandas, teve de abrir mão do dinheiro. Agora, uma série de políticos teme eventual delação premiada de Duque, indicado unicamente pelo PT – mais precisamente pelo ex-ministro José Dirceu.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ações da Petrobras voltam a despencar

Na VEJA.com:
Uma hora e meia depois da abertura do pregão da Bovespa, as ações da Petrobras abriram em queda de mais de 4% nesta sexta-feira. Por volta das 12h10, os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) recuavam 4,19%, e as ações ordinárias (ON, com direito a voto) cediam 4,27%. A queda as ações da estatal pressionam o Ibovespa, que também opera no vermelho, em queda de 1,37%, aos 51.133 pontos.

O call de abertura da Petrobras, que ocorre diariamente antes do início do pregão com o objetivo de fixar o preço de abertura, foi adiado para às 11h30. Segundo a Bolsa de Valores, o adiamento se deu para que os investidores pudessem digerir o fato relevante divulgado na quinta-feira, em que a Petrobras adiou a divulgação de seu balanço. A situação é tão incomum que fez com que os próprios diretores da bolsa faltassem à coletiva de divulgação de resultados da BM&FBovespa, no início da manhã desta sexta.

O adiamento da publicação do balanço referente ao terceiro trimestre de 2014 já fez com que o Bank Of America Merrill Lynch rebaixasse, nesta manhã, a recomendação para as ações da estatal de “compra” para “neutro”. Já o analista de investimentos da Spinelli Corretora, Elad Revi, comentou que o adiamento, para além do prazo legal, é bastante preocupante. Segundo ele, a postergação do balanço e os problemas com a auditoria independente geram insegurança e minimizam a confiança, aumentando o risco para a imagem da companhia. Nesse ambiente, a estatal deve buscar mínimas históricas, previu o analista da Spinelli.

Segundo fato relevante divulgado na quinta-feira, 13, pela Petrobras, “em observância ao princípio da transparência, a Petrobras estima divulgar, em 12 de dezembro, informações contábeis relativas ao terceiro trimestre de 2014 ainda não revisadas pelos auditores externos, refletindo a sua situação patrimonial à luz dos fatos conhecidos até essa data”. A auditora PricewaterhouseCoopers (PwC) decidiu não assinar as informações trimestrais da estatal por esperar a conclusão das investigações sobre as denúncias do ex-diretor da companhia Paulo Roberto Costa no âmbito da Operação Lava Jato.

A operação entrou nesta sexta-feira em sua sétima fase, com a prisão, em Brasília, do vice-presidente da construtora Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, além de fazer buscas na sede da empreiteira. Policiais também vasculharam endereços da Odebrecht e de três de seus executivos. Trata-se de Márcio Faria da Silva, Rogério Campos de Araújo e Saulo Vinicius Rocha Silveira. Executivos das duas empresas são suspeitos de pagar propina a dirigentes da Petrobras em troca de contratos superfaturados em obras da estatal. Parte dos recursos do esquema era direcionada a partidos da base aliada do governo, entre eles o PT e o PMDB, segundo o inquérito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Herança maldita – Pela 1ª vez em meses de outubro, Brasil fecha vagas de trabalho

Na VEJA.com:

O Brasil fechou 30.283 vagas formais de trabalho em outubro, primeiro resultado negativo nesse mês desde o início da série histórica, em 1999, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta sexta-feira. Em setembro, haviam sido criados 123.785 postos com carteira assinada, sem ajustes. Analistas consultados pela agência Reuters esperavam a abertura de 56 mil vagas. O saldo do mês passado é resultado de 1.718.373 admissões e de 1.748.656 demissões. No acumulado do ano até outubro houve criação líquida de empregos formais de 912.287 vagas. A geração de empregos no mês passado ficou bem abaixo do resultado de outubro de 2013, quando houve criação de 94.893 vagas pela série sem ajuste e em 130.865 pela série ajustada. A série sem ajuste considera apenas o envio de dados pelas empresas dentro do prazo determinado pelo MTE. Após esse período há um ajuste da série histórica, quando as empregadoras enviam as informações atualizadas para o governo.

Setores
Os setores de construção civil, agricultura e indústria de transformação foram os principais responsáveis pelas demissões verificadas no mês passado. A construção civil apresentou um saldo negativo de 33.556 vagas, a agricultura encerrou 19.624 vagas e a indústria de transformação, 11.849 postos de trabalho. A extrativa mineral fechou 557 vagas. Os serviços industriais de utilidade pública também encerraram vagas, num total de 85. Por outro lado, o comércio abriu 32.771 vagas e o setor de serviços abriu 2.433 postos de trabalho. A administração pública teve um saldo positivo de 184 vagas.

PIB
Os dados mostram o forte impacto da economia fraca na oferta de empregos em outubro, tradicionalmente um mês de oferta de emprego elevada. Pesquisa Focus do Banco Central com economistas de instituições financeiras mostra que, pela mediana, as expectativas são de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá apenas 0,2% este ano, bem abaixo dos 2,5% vistos em 2013.

Surpresa
O Ministro do Trabalho, Manoel Dias, se disse “surpreso” com o resultado negativo – o mercado financeiro previa crescimento de 56.250 vagas no indicador. De acordo com ele, o governo esperava que as reduções causadas pelos fatores citados fossem compensadas pelas contratações temporárias, comuns no fim de ano. “As demissões foram feitas, mas as contratações acabaram ficando para depois”, argumentou. “Esperamos que no mês que vem sejamos contemplados com os contratos de trabalho temporário.”

Dias admitiu que o governo pode não alcançar a meta de criação de postos de trabalho prevista para este ano, de 1 milhão de empregos, mas disse não estar preocupado com uma possível onda de demissões. “A economia mundial não se recuperou como se esperava, mas seguramente vamos nos recuperar, o governo não vai abrir mão de dar prioridade a ações e medidas que garantam a geração de empregos e a valorização dos salários”, disse.

O ministro ressaltou que, apesar do resultado de outubro, o saldo do mercado formal de trabalho em 2014 segue positivo, com 912.287 empregos gerados. “Seguimos em situação de pleno emprego no país, não podemos projetar a criação de 200 mil postos, porque não teríamos mão de obra para ocupá-los.”

Por Reinaldo Azevedo

 

O editorial do Estadão desta sexta: “Lula e Dilma sempre souberam”

Leiam o editorial do Estadão desta sexta. Dilma, Lula e o PT manifestaram a intenção de recorrer à Justiça contra aquela capa de VEJA. Vão processar também o Estadão? Chegarão à loucura de processar os fatos? Leiam o texto.
*
Em janeiro de 2010, quando ocupava a Presidência da República e Dilma Rousseff era ministra-chefe da Casa Civil, Lula vetou os dispositivos da lei orçamentária aprovada pelo Congresso que bloqueavam o pagamento de despesas de contratos da Petrobrás consideradas superfaturadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Lula sabia exatamente o que estava fazendo, tanto que se empenhou em justificar longamente sua decisão, na mensagem de veto encaminhada ao Congresso. E é impossível que Dilma Rousseff ignorasse o assunto, pois o veto foi encaminhado ao Congresso pela Mensagem n.º 41, de 26/1/2010, da Casa Civil.

Até um cego enxerga que os governos petistas permitiram, quando não estimularam, as irregularidades na Petrobrás. E agora está claro e confirmado que Lula e Dilma não desconheciam o assalto à maior empresa brasileira. Tudo está registrado no Diário Oficial da União.

As evidências são abundantes, resultado do trabalho do TCU, da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal (PF) e também do Congresso Nacional. E agora a empresa holandesa SBM Offshore, fornecedora da Petrobrás, faz um acordo com o Ministério Público de seu país pelo qual pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos para evitar processo judicial por corrupção por ter feito “pagamentos indevidos” para obter contratos no Brasil, na Guiné Equatorial e em Angola. Os pagamentos incluem US$ 139 milhões relativos a contratos com a estatal brasileira. No Brasil, o assunto já é objeto de investigação pela CGU.

Sempre que é questionada sobre os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobrás, Dilma alega que os “malfeitos” aparecem porque ela própria “manda investigar”, como se o TCU, a CGU e a PF dependessem de ordem direta da Presidência da República para cumprir suas obrigações constitucionais. Ao contrário de “mandar” investigar, o governo tem feito o contrário, tentando, por exemplo, esvaziar o trabalho das duas comissões de inquérito do Congresso ou vetando medidas profiláticas como as sugeridas pelo TCU.

O vínculo do PT com a corrupção na gestão da coisa pública não se explica apenas pela vocação de notórios larápios, mas principalmente pela marota convicção de que, num ambiente dominado pelos famosos “300 picaretas”, é indispensável dispor sempre de “algum” para ajeitar as coisas. Em outras palavras: a governabilidade exige engrenagens bem azeitadas.

Pois foi exatamente com esse espírito que Lula, com o óbvio conhecimento de Dilma, ignorou solenemente o acórdão do TCU que apontava graves irregularidades em obras da Petrobrás e vetou os dispositivos da lei orçamentária que, acatando a recomendação do Tribunal de Contas, impediam os repasses considerados superfaturados. Só com isso, Lula permitiu a liberação de R$ 13,1 bilhões para quatro obras da Petrobrás, dos quais R$ 6,1 bilhões eram destinados à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Ao vetar, “por contrariedade ao interesse público”, os dispositivos da lei de meios que coibiam a bandalheira, Lula argumentou que a aceitação das recomendações do TCU sobre as quatro obras implicaria “a paralisação delas, com prejuízo imediato de aproximadamente 25 mil empregos e custos mensais da ordem de R$ 268 milhões, além de outros decorrentes da desmobilização e da degradação de trabalhos já realizados”. Ou seja, a corrupção embutida nos contratos da Petrobrás, comprovada pelo TCU, seria um mal menor. Perfeitamente aceitável para quem acredita e apregoa que “excessos de moralismo” são coisas de “udenistas” e “burgueses reacionários”.

Mesmo se admitindo – só para argumentar e na mais indulgente das hipóteses – que o veto de Lula, afinal, tenha beneficiado o interesse público, é o caso de perguntar: o que foi feito, daí para a frente, para coibir os notórios “malfeitos” na Petrobrás? Os operadores da bandalheira permaneceram rigorosamente intocados, enriquecendo e distribuindo o dinheiro da Petrobrás para políticos amigos até o fim do mandato de Lula.

Depois de assumir o governo, Dilma jamais deu importância ao assunto publicamente, limitando-se a garantir que “mandou apurar” tudo.

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Por Reinaldo Azevedo

 

 

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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