Dilma não mudou! Ou: A ilusão dos otimistas

Publicado em 04/12/2014 16:10 e atualizado em 08/12/2014 10:46 592 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com

Dilma não mudou! Ou: A ilusão dos otimistas

Apenas três dias após a vitória na reeleição, o governo Dilma aumentou a taxa de juros. Nesta quarta, novo aumento, e a Selic, taxa básica, já chega a 11,75% ao ano. Além disso, o preço da gasolina subiu, a tarifa de energia elétrica aumentou, e um ortodoxo “fiscalista” foi escolhido para substituir Guido Mantega na Fazenda, após um convite feito (e recusado) a um banqueiro.

Estelionato eleitoral evidente, não há como negar. Dilma presidente faz o contrário daquilo que a Dilma candidata dizia, age como uma legítima tucana. O silêncio daqueles que votaram no PT porque os “neoliberais” tucanos iriam subir juros e beneficiar banqueiros é mais que constrangedor: é ensurdecedor!

Falo não daqueles militantes oficiais a soldo do partido, mas daquela elite que se sente moralmente superior só por digitar 13 nas urnas, acha que assim comprova que se preocupa mais com os pobres, pois monopoliza os fins nobres. A esquerda caviar, enfim, que acusa os demais de insensíveis por defenderem uma gestão mais ortodoxa.

O mínimo que se esperava dessa gente era um reconhecimento do erro e um pedido de desculpas. Mas se agissem assim não seriam eleitores do PT, não é mesmo? O silêncio que fazem agora é prova de que não querem saber dos fatos, não ligam para a “traição” da presidente, para as mentiras na campanha, pois buscam somente o regozijo da sensação de nobres e caridosas almas preocupadas com os pobres.

Mas há um debate em curso, principalmente dos investidores, se Dilma realmente mudou e traiu seus eleitores. Que o estelionato eleitoral está claro nesse momento é algo inegável. Mas até que ponto a mudança veio para ficar? Dilma realmente desistiu de ser… Dilma? Aquela heterodoxa desenvolvimentista foi mesmo enterrada após a campanha?

Cedo demais para cantar a vitória do bom senso. Todos nós, que não torcemos pelo “quanto pior, melhor” e que sabemos como o modelo vigente é terrível, como a “nova matriz macroeconômica” trouxe apenas estagflação, e como Mantega e a própria Dilma representam uma fracassada ideologia oriunda da Unicamp, todos nós sentimos alívio com as escolhas recentes, ainda que fiquemos irritados com as mentiras da campanha.

Mas será que podemos mesmo dormir mais tranquilos confiando que Dilma acordou, mudou e abandonou seu passado? Infelizmente, digo que não. Ouso afirmar que Dilma não mudou nada. E que mesmo a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda e a alta de juros recente não comprovam o contrário. Vejam o que aconteceu com a Selic no começo de seu primeiro mandato:

Taxa Selic. Fonte: Bloomberg

Taxa Selic. Fonte: Bloomberg

Ou seja, mesmo a “velha” Dilma permitiu o aumento na taxa de juros quando assumiu seu governo pela primeira vez. A sensação que temos, ao observar o gráfico, é a de déjà vu. Nós já vimos essa história antes. Até mesmo uma desenvolvimentista como Dilma entende que, às vezes, precisa recuar um passo para avançar dois depois, precisa ganhar tempo, fazer concessões ao “mercado”.

O Brasil corre o risco de ser rebaixado pelas agências de risco, a economia parou de crescer, a inflação está em patamar elevado e acima do topo da meta, e são coisas que até Dilma pode entender. A desculpa de que isso tudo é o resultado de uma crise internacional, usada durante a campanha, convence em parte sua equipe. No fundo, até os desenvolvimentistas compreendem que é preciso “pegar leve” agora, sob o risco de afugentar de vez os investidores e agravar o quadro de crise.

Daí a achar que houve realmente um despertar de Dilma e seus aliados, que os desenvolvimentistas abriram os olhos e resolveram trocar a Unicamp pela PUC-RJ, vai uma longa distância. É preciso bem mais do que a indicação de um Levy e algumas altas seguidas da Selic para isso. Sou da opinião de que certas pessoas não mudam sua essência da noite para o dia. Mas podem dissimular, podem fingir que mudaram para enrolar os inocentes úteis. Se até o comunista revolucionário Lenin fez concessões ao mercado…

Enfim, e lamento muito dizer isso, acho que todos aqueles que querem crer que Dilma mudou, que desejam acreditar na guinada racional da presidente, vão quebrar a cara depois. Teremos mais altas nos juros, algumas medidas austeras de Levy, umas e outras concessões aos investidores, sinalizações de recuo do desenvolvimentismo, mas nada além de decisões táticas de quem ainda pretende avançar com sua visão ideológica que desdenha do mercado e deposita no estado um papel quase onisciente de locomotiva do progresso.

Warren Buffett tem uma frase boa que vem ao caso aqui: “Quando uma gestão com uma reputação brilhante aborda um negócio com uma reputação de fundamentos econômicos ruins, é a reputação do negócio que permanece intacta”. O que o bilionário quer dizer é que mesmo um CEO espetacular não faz milagre quando assume um péssimo negócio.

Adaptando para nossa realidade, um ministro eficiente jogado em um governo incompetente e ideológico, com fundamentos frágeis, não fará milagres. A probabilidade maior é que os maus fundamentos falem mais alto e se sobressaiam. Quem aposta na mudança de Dilma e que Levy é a cara de seu novo governo vai se dar mal. Talvez, no fim, o silêncio dos eleitores petistas “traídos” hoje com esse estelionato eleitoral faça algum sentido. A “traidora” voltará a lhes sorrir, para o pranto de toda a nação.

Rodrigo Constantino

 

 

Dilma não mudou – parte 2. Ou: Contradição no BNDES mostra que o discurso é novo, mas a prática é velha

Levy e Barbosa: um está só fazendo o trabalho sujo para o outro

Acabo de escrever um longo textoargumentando que a presidente Dilma não mudou de verdade, que apenas adotou um novo discurso para ganhar tempo, para ludibriar o mercado e sobreviver, e leio logo depois a coluna de Demétrio Magnoli no GLOBO que vai exatamente na mesma linha. O sociólogo cita inclusive o caso de Lenin e sua Nova Política Econômica, ou seja, estamos alinhados na interpretação do que está em curso no Brasil.

Demétrio usa declarações dos próprios petistas do alto escalão para mostrar como a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda foi tática, com caráter “simbólico”, ou seja, pelo impacto que produziria no mercado, não por representar efetivamente uma mudança de curso. Uma “inflexão temporária”, enfim. Ou “um passo atrás para dar dois passos à frente”.

Levy é o “banqueiro” ortodoxo necessário no momento para limpar a sujeira deixada pelos desenvolvimentistas com sua “nova matriz macroeconômica”. Como já fiz alusão aqui, trata-se de uma espécie de “the cleaner” do filme “Pulp Fiction”, aquele sujeito que chega para limpar o rastro de sangue deixado pelas trapalhadas da máfia. Demétrio conclui:

O lulopetismo não é um movimento de ruptura, como o chavismo. Essencialmente conservador, sua película ideológica circunscreve-se, na esfera da política econômica, à expansão dos investimentos das estatais, do gasto público, do crédito ao consumo e dos subsídios para o alto empresariado. A receita populista, mal denominada “keynesiana” por seus arautos, não é sustentável ao longo da fase de baixa do ciclo econômico — e, por isso, precisa ser corrigida periodicamente por ajustes recessivos. É aí que entra o “banqueiro”, convocado para salvar os “companheiros” das consequências de seus alegres folguedos.

A equipe econômica anunciada pela presidente é uma síntese, produzida na hora da crise, da alma dúplice do lulopetismo. De certa forma, Gilberto Carvalho tem razão. Tanto Joaquim quanto Barbosa fazem parte “desse projeto” de reiteração pendular de nossa mediocridade. O “mercado” pode celebrar; o Brasil, não.

Não concordo com o uso do termo “conservador” para descrever o PT de forma alguma. Acho que é um partido de ruptura sim, disposto a caminhar na direção bolivariana, de levar o Brasil rumo ao modelo autoritário existente na Venezuela. Como já disse o próprio Lula, ele dirige na mesma direção que Chávez, mas usando um carro mais lento.

Mas concordo quando Demétrio diz que a síntese desse modelo, por enquanto, é o “capitalismo de estado”, ou seja, a expansão dos investimentos das estatais e do gasto público em uma simbiose com grandes empresas. E para perpetuar esse “projeto”, foi preciso engolir um “fiscalista” ortodoxo no “comando” da economia por algum tempo.

Uma evidência disso está disponível na reportagem de capa do caderno de Economia do GLOBO de hoje. O BNDES vai receber novo aporte de R$ 30 bilhões, contrariando o discurso novo e deixando claro que as “mudanças” são falsas. As práticas são as mesmas de antes, nada mudou de fato.

“É o tipo de coisa que a gente não esperava mais que fosse acontecer. É mais um repasse que vai aumentar a dívida bruta e que põe em dúvida aquilo que falou Levy sobre parar de fazer os aportes”, afirma a professora Margarida Gutierrez, do Coppead/UFRJ. “Muito estranho, porque não confere com o que vem sendo dito, e de forma correta, pela nova equipe econômica”, diz José Roberto Afonso, do Ibre. “É mais do mesmo. É exatamente o que o ministro Levy disse que não faria”, disse Alexandre Espírito Santo, professor do Ibmec.

Quem quiser acreditar que Dilma realmente mudou é livre para tanto. Mas recomendo cautela. A decepção será diretamente proporcional ao otimismo de agora. Escorpiões não mudam. Picam a rã, mesmo que isso os afunde junto na travessia…

Rodrigo Constantino

 

 

O copo meio cheio: a oposição efetivamente acordou!

Após quase um dia inteiro de sessão ininterrupta no Congresso, e por um único voto de Renan Calheiros, que presidia a sessão, para garantir o quorum mínimo necessário, a base aliada do governoconseguiu passar a lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e permite oficialmente o calote do governo Dilma.

O Brasil perde, claro, pois a Lei de Responsabilidade Fiscal é um dos pilares mais importantes de nossa gestão pública, sendo parte fundamental do tripé macroeconômico legado pela era Fernando Henrique. O que o Congresso fez foi mudar uma lei aos 45 minutos do segundo tempo, para isentar a presidente Dilma de culpa em um crime de responsabilidade já cometido.

Ou seja, os deputados e senadores agiram de forma a garantir um benefício ao governo federal ex-post facto, de maneira retroativa para que a presidente não precise enfrentar as dores de cabeça de um processo por descumprir o orçamento proposto pelo seu próprio governo e aprovado pelo Congresso. Na prática, é isso que significou essa vitória do governo: o direito de rasgar as leis anteriores e gastar aquilo que não havia sido autorizado.

Mas se essa é a ótica do copo meio vazio, há também a visão mais otimista do que vimos nesta madrugada: uma oposição revigorada, que despertou e está disposta a trabalhar duro para representar aqueles 51 milhões de eleitores que rejeitaram essa péssima gestão atual. Isso é uma novidade no cenário político nacional.

A presidente teve de apelar para uma chantagem explícita, condicionando a aprovação de emendas parlamentares à aprovação das mudanças na LDO, o que diminui ainda mais sua pequenez evidente. Cada parlamentar foi avaliado em pouco mais de R$ 700 mil por esta conta, ou seja, a presidente Dilma tentou comprar apoio de maneira vergonhosa.

E mesmo assim, mesmo com o abuso da máquina, com os cofres abertos sob a condição de votarem “sim” pela mudança, o governo quase perde. Foi por muito pouco. Foi por um voto do próprio presidente da casa para garantir o mínimo necessário de senadores votantes, algo que não é de praxe. E foi após 18 horas de resistência da oposição, com vários discursos firmes que ajudam a elucidar a questão para o eleitor.

Do lado de lá não havia substância alguma nos “argumentos”, apenas a clara intenção de conceder um privilégio indevido ao governo federal, que abre perigoso precedente e retira qualquer legitimidade sua de tentar impor os limites orçamentários aos estados e municípios. Abriram as comportas do inferno, liberando a gastança desmedida que sempre esteve no cerne de nossos problemas inflacionários.

O PSOL, “linha auxiliar” do PT, foi o único que tentou defender o absurdo do ponto de vista ideológico, e foi impossível não sentir vergonha alheia por discursos como o de Ivan Valente e Randolfe Rodrigues, alegando que o superávit fiscal é coisa do FMI e do interesse dos banqueiros. A esquerda radical subverteu até a aritmética, acha que 2 + 2 = 5, pensa que os pobres se beneficiam da irresponsabilidade fiscal que produz inflação, justamente o imposto mais nefasto para os mais pobres.

Ou seja, o resultado em si foi péssimo para o país, e o Congresso de forma geral nos envergonha uma vez mais. Muitos deputados ali presentes sequer foram reeleitos e estão de saída. Ainda assim, resolveram deixar como última marca, talvez, um voto infame de apoio a uma medida terrível para o Brasil. Mas se alguém quiser ser Poliana ou agir como Pangloss, há a possibilidade de enxergar nisso tudo nada menos do que o despertar de nossa oposição. E isso é alvissareiro.

Rodrigo Constantino

 

Saiba como votaram deputados e senadores na sessão que autorizou o governo a estuprar a Lei de Responsabilidade Fiscal

O site do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) informa como votaram deputados e senadores na sessão desta quarta-feira, que aprovou a emenda que libera o governo para torrar dinheiro sem limites. Confira.

Tiririca: ‘não’ à manobra fiscal de Dilma

tiririca

Tiririca: contra o governo

Tiririca pode até não saber direito o que um deputado faz e apresentar poucos projetos de lei (leia mais aqui), mas já aprendeu a votar contra a orientação de seu partido. Na madrugada de hoje, quando o Congresso aprovou a manobra fiscal de Dilma Rousseff, Tiririca foi o único entre os 22 deputados do PR a votar contra os interesses do governo.

Dividendos: Quem quer mexer no seu queijo?

Nas últimas 72 horas, grandes empresas listadas na Bovespa se movimentaram para saber, em Brasília, se era verdade que o Governo planeja acabar com a dedução da despesa com juros sobre o capital próprio (JCP) da base do Imposto de Renda e tributar dividendos — medidas que, se adotadas, colocariam a proverbial pá de cal sobre o moribundo mercado acionário brasileiro.

Nelson Barbosa

Consultando seus lobistas e membros do Governo, a resposta que as empresas obtiveram é de que não há, neste momento, um movimento político para transformar essa proposta em realidade. E mais: ouviram que é improvável que estas medidas sejam votadas ainda este ano, ainda mais dada a dificuldade do Governo em aprovar no Congresso o seu “perdão fiscal” — com lances tão dramáticos que fazem o roteirista de House of Cards parecer um amador.

Ou seja, as chances de que algo mude já em 2015 são remotas.

Desde que o rumor começou a circular na segunda-feira —quando derrubou algumas ações em até 7% — investidores internacionais têm ligado para os departamentos de relações com investidores para saber se o rumor é verdade.

A princípio, a proposta de taxar dividendos e acabar com o JCP parece coisa da cabeça de dois petistas. A proposta está num projeto de lei de autoria dos deputados Renato Simões e Ricardo Berzoini, ambos do PT de São Paulo. Berzoini é o atual ministro de Relações Institucionais.

Ontem à noite, Simões disse à Reuters que a MP “não é uma posição do governo (federal), mas de dois parlamentares. O projeto está em fase bem embrionária de discussão, e os próprios autores entendem que como medida pontual tem muito menos força do que em uma reforma tributária mais ampla”.

Nem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, quis se envolver nessa: disse a repórteres que não teve nada a ver com o projeto de lei.

A dúvida deve persistir até que, finalmente empossados, Joaquim Levy e Nelson Barbosa possam ser questionados diretamente.

Apesar das negativas, há motivos para crer que o arrocho aos dividendos — vamos chamar assim — seja uma ideia com apelo muito mais amplo em Brasilia do que apenas a cabeça de dois deputados.

No debate sobre dividendos, é importante diferenciar os dividendos pagos por empresas tributadas pelo lucro real (como as grandes empresas listadas na Bolsa) dos dividendos pagos por pessoas jurídicas constituídas por profissionais liberais que prestam serviços a terceiros (as PJs que sustentam boa parte da classe média).

Ao que tudo indica, os dividendos que o Governo gostaria de taxar são a distribuição de lucros feita por estas últimas, conhecidas como pessoas jurídicas “de caráter personalíssimo”. Pelo sistema atual, os sócios não têm que pagar imposto sobre os dividendos distribuídos porque as PJs já foram taxadas — seja pelo Simples ou pelo lucro presumido.

Historicamente, a Receita diz que os dividendos são taxados na maioria dos países, e sempre propôs um modelo em que parte do dividendo seja taxado na PJ (na alíquota de PJ) e parte ao ser recebido pela pessoa física (nas alíquotas de PF).

Por duas vezes nos últimos dez anos, o Governo tentou mexer na legislação para aumentar a taxação destas PJs. Se isto é algum consolo, em ambas as vezes saiu derrotado.Joaquim Levy

A primeira vez foi em 2004, quando Levy era secretário do Tesouro e Antonio Palocci estava na Fazenda. A grita contra a MP 232 de dezembro de 2004 foi tão grande que o Estadão a considerou “uma das maiores manifestações do setor privado contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”

Em 2007, o Governo tentou de novo. Mais uma vez, a sociedade pressionou e ganhou a parada. Nada menos que 61 dos 81 senadores assinaram uma emenda do Sen. Ney Suassuna que proibia fiscais do trabalho de classificar as PJs de caráter personalíssimo como uma “relação de CLT disfarçada”. Na época, o secretário-adjunto da Receita era Carlos Alberto Barreto, hoje o secretário da Receita.

Como é difícil distinguir as PJs que foram constituídas apenas para reduzir a carga fiscal do contribuinte das outras, outros países adotaram uma regra de bolso: 30% do resultado é taxado na alíquota de PJ, e 70% na alíquota de PF.

Quanto ao JCP, muitos formuladores de políticas públicas o consideram uma “jaboticaba” — algo que só existe no Brasil — e defendem sua extinção.

A conversa sobre dividendos e JCP já é parte de debates na Receita há anos, mas entrou na agenda mais recentemente graças a um estudo feito pelo economista Fábio Avila de Castro, funcionário da Receita e aluno de mestrado da Universidade de Brasília. Castro escreveu sua tese sobre a progressividade do Imposto de Renda da Pessoa Física e o seu efeito na redistribuição de renda. A tese ganhou notoriedade ao ser discutida na coluna de Ribamar Oliveira, no Valor do dia 13/11.

“Castro observa que o Brasil é um dos poucos países que isenta totalmente a distribuição de lucros e dividendos, com o argumento de que é preciso evitar a bitributação. A renda isenta com lucros e dividendos passou de R$ 83,8 bilhões em 2006 para R$ 207,6 bilhões em 2012, um aumento nominal de 148%,” escreveu Oliveira. “Entre as sugestões apresentadas por ele para tornar a tributação brasileira mais progressiva está a taxação em 15% dos lucros e dividendos. Isso daria receita adicional de R$ 31 bilhões.”

Assim como o caminho do Inferno está cheio de boas intenções, o caminho da ortodoxia Levy-Barbosa parece estar pavimentado pelo aumento de impostos.

Caça aos dividendos: quem sofre mais

Se o Governo for adiante com a ideia de acabar com os juros sobre capital próprio (JCP) como forma de aumentar a arrecadação e gerar o superávit primário, o sucesso empresarial será punido.

As empresas que mais lucram são aquelas que mais retornam dinheiro a seus acionistas, frequentemente sob a forma de JCP.

O BTG Pactual analisou 42 companhias e fez as contas. Para este universo, a redução média nos lucros de 2015 seria de 7% se acabar a dedução da despesa com JCP da base do Imposto de Renda.

O banco fez a seguinte lista das empresas que mais seriam afetadas pelo fim do JCP (em parênteses, a redução estimada pelo BTG no lucro da empresa para 2015):

Porto Seguro (16%)
Telefonica Brasil (15%)
Ambev (14%)
Vale (14%)
Linx (12%)
Multiplan (12%)
Petrobras (10%)
Bancos (8%)

Empresas que só pagaram JCP em 2013 — e não dividendos — incluem:  Marcopolo, M Dias Branco, Locamerica, Raia Drogasil, Mills, Copasa, Duratex, Gafisa e Sabesp.

Tags:
Fonte:
Blogs de veja.com.br

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

3 comentários

  • cllaudio heleno cassol Santa Maria - RS

    CLLAUDIO HELENO CASSOL Santa Maria - RS 08/12/2014 14:38

    - CUIDADOS SÃO POUCOS, QUANTO A PESSOAS, QUE DÃO AMPARO, PARA OS DITADORES e os que ACREDITAM EM IDEOLOGIAS: Estas são FALSOS PARÂMETROS, para qualquer SOCIEDADE ou NAÇÃO OU PAÍS que QUEIRA SER LIVRE, DEMOCRÁTICO, e, RESPEITAR-SE CONDIGNAMENTE, OS ATOS de CADA UM EMPREENDEDOR, com suas LIVRE INICIATIVAS de Empreender e Contratar. Texto para livre para contestação ou contra ponto.

    Santa Maria rgs. Quanto aos Emplacamentos é uma usurpação ou extorsão legalizada, pela Atual Ditadura Civil Pública, a qual devemos Todos Nós Democratas, lutarmos diariamente, pois a Um Regime Democrático, precisa que lutemos, todos os Momentos para Dissiparmos, os DITADORES DE PLANTÃO. A Democracia que é a Única Via Pública que Podemos Interagir e PARTICIPARMOS ATIVAMENTE, é certo, que Nela precisamos manter, a ETERNA VIGILÂNCIA, e, RESPEITO as LEIS. Sem assaltarmos, aos Contribuintes e quanto, instituirmos mais taxas, impostos ou contribuições, que, sejam módicos e apenas necessários, a manutenção da Nossa Administração, Civil Públicas. E, com Mandatos Aprazados e Finitos. No caso das MÁQUINAS AGRÍCOLAS, se o Objetivo é Cadastrá-las, não para isto, necessário, Instituir-se taxa, impostos ou Outra valia, de Valoração que, assim fosse. Vamos sermos corretos e Honestos, nas nossas Ações e Atos, praticados, dentro e fora, dos Executivos e Legislativos. Inclusive, dentro, dos Poderes judiciários. Na manutenção e vigilâncias, contra os ATOS ARBITRÁRIOS. Texto de adv. claudio heleno cassol. para contra ponto.

    0
  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Muito me intriga essa busca incessante dos políticos ao poder e, estando lá – no Planalto, locupletam-se – muitas são as razões, mas acredito que são tomados pela “Síndrome de Pavlov”. Não! Não é erro de grafia, não é “Síndrome do Planalto”.

    No inicio do século passado o fisiólogo russo, Ivan Petrovich Pavlov, fez uma experiência revolucionária, que mudou a forma como o ser humano enxerga a si mesmo. O experimento consistia em alimentar vários cachorros e, toda vez que se colocava a ração para os bichos, tocava-se uma sineta. Após um tempo, os cães começaram a associar as badaladas da sineta à comida e, chegavam a babar famintos só de ouvir a sineta, mesmo que o prato deles estivesse vazio. A ideia de Pavlov era propor uma novidade cientifica: os reflexos condicionados.

    Os seres vivos já nascem com certos reflexos, são programados para terem determinadas reações diante de situações especificas.

    Fazendo uma analogia, acredito que as edificações exuberantes – Palácio do Planalto, da Alvorada, Itamaraty, da Justiça e, o aparato para atender os governantes no Planalto do Poder, deve ser a causa principal dos chamados “malfeitos” que dominou a classe política.

    Está aí um tema para ser debatido pelos cientistas políticos:

    A SÍNDROME PAVLOVIANA !!! ... Que assola a classe política brasileira.

    0
  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Reproduzo pedaço do texto que expressa bem meu sentimento! O silêncio daqueles que votaram no PT porque os “neoliberais” tucanos iriam subir juros e beneficiar banqueiros é mais que constrangedor: é ensurdecedor diz Rodrigo Constantino!

    Ele nem eu falamos daqueles militantes oficiais a soldo do partido porque são tal qual uma torcida organizada, mas sim daquela elite que se sente moralmente superior só por digitar 13 nas urnas, acha que assim comprova que se preocupa mais com os pobres, pois monopoliza os fins nobres. A esquerda caviar, enfim, que acusa os demais de insensíveis por defenderem uma gestão mais ortodoxa.

    O mínimo que se esperava dessa gente era um reconhecimento do erro e um pedido de desculpas. Mas se agissem assim não seriam eleitores do PT, não é mesmo? O silêncio que fazem agora é prova de que não querem saber dos fatos, não ligam para a “traição” da presidente, para as mentiras na campanha, pois buscam somente o regozijo da sensação de nobres e caridosas almas preocupadas com os pobres.

    0