Lula, eu e a política como negociação de competências (por REINALDO AZEVEDO)

Publicado em 22/12/2017 16:30 e atualizado em 24/12/2017 08:17
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Inexiste entre santos, mas existe entre impuros (na Folha de S. Paulo) + O Antagonista

Leiam trecho de minha coluna na Folha de hoje, a último de 2017. Volto a escrever no jornal no dia 12 de janeiro.
*
Lula nunca diria a jornalistas: “Façam como Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e os blogs sujos; leiam o processo”.

Porque Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e os blogs sujos nunca precisaram ler processos para que a Secom de então patrocinasse sua luta contra, como é mesmo?, a “mídia tradicional”. Nota: tal discurso foi sequestrado pela extrema direita. E segue asqueroso.

Mas Lula disse na quarta (20) a jornalistas: “Façam como Reinaldo Azevedo. Leiam o processo”. Sim. Eu leio. Os que dizem respeito a Lula e a alguns outros.

Abaixo, leitor, vai uma digressão, quase um apólogo –uma pequena narrativa que encerra uma sabedoria de sentido moral.

“Façam como Reinaldo Azevedo” é um conselho em favor da prudência. Sou disciplinado e cumpridor de regras. Sempre fiz a lição de casa. Até a terceira série, este então gordinho de óculos levantava a mão e dizia:

“Professora, a senhora esqueceu de ‘dar vista’ à lição.” Um dia, o aluno mais vagabundo da sala, mas bom de bola –ele decidia quem vivia e quem morria no futebol–, me deu um esporro. A linguagem presente, teria dito: “Pare de ferrar seus colegas. Você é um cara legal!”

Houve uma negociação sem palavras. Parei de ser tarefeiro meio alcagueta –afinal, aquela era uma função da professora, não minha. E nunca mais passei pela humilhação de ser o último escolhido na hora de formar os times.

Li Maquiavel, acho, uns seis ou sete anos depois. Com um marginal da sala, a primeira lição de “O Príncipe”. Depois tivemos uma atividade clandestina comum. Ele sempre tinha cigarros. Eu também. Não sei como conseguia os dele. Sei como conseguia os meus. No tempo de eu ser criança, eram comuns festas as mais variadas em que se jogavam argolas para ganhar maços de cigarro. Por alguma disfunção cerebral qualquer, descobri que era bom nisso. Sou até hoje. A gente não vendia nada. Só granjeava simpatias.

Os marginais até se irritavam com o fato de eu não passar cola, mas tinham orgulho de eu ser um deles e ganhar medalhas. Davam-se medalhas por desempenho, naquele tempo, em escolas públicas, para os primeiros colocados. Eu era o medalhado da escória. Eles me protegiam da solidão, e eu os livrava, na medida do possível, dos castigos. Volto a Lula.

Política é uma negociação de competências entre humanos precários. Inexiste entre santos, que nada têm a explicitar a não ser essencialidades vocacionadas para o bem, o belo, o justo, o verdadeiro, o supra-humano. Mas existe entre os impuros.
(…)
Íntegra  aqui

Lula diz a jornalistas: “Façam como Reinaldo Azevedo; leiam processos”. Só os bobos riram!

Luiz Inácio Lula da Silva convidou jornalistas para um café da manhã nesta quarta. Falou sobre muita coisa. A peça de resistência, obviamente, foi insistir na sua inocência. E, ora vejam, este humilde jornalista foi objeto de algumas considerações do ex-presidente. Observo — assistam ao vídeo que parte da audiência não entendeu que o líder petista estava falando a sério ao aconselhar os jornalistas a fazer “como o Reinaldo Azevedo está fazendo”.

Uma bobalhona, não sei quem é, pagou o mico de rir bem alto, como a evidenciar que havia captado a suposta ironia mais do que os outros. Isso é muito comum no cinema, em comédias leves. Sempre há um riso frouxo, saliente, impróprio. A pessoa se esforça para demonstrar que se diverte mais do que as outras porque mais apta a entender o subtexto — em suma: gente aborrecida e, quase sempre, burra. Outros bocós a acompanharam, mas com menos saliência. Ocorre, e o vídeo o demonstra, que Lula não estava brincando. Já volto ao ponto. Antes, outras considerações.

Mônica Bergamo foi quem publicou o relato mais detalhado. Está aquiLula se esforça para superar o abatimento e, no estilo conhecido, jacta-se de sua energia, com laivos, ainda que contidos, de apelo à piedade. A mistura sempre funciona:
Como eu acho que eu vou ser cada vez mais inocentado, eu acho que, no final, vai prevalecer o bom senso nesse país. Como eles podem tentar evitar que um velhinho [como eu] de 72 anos de vida, energia de 30 anos e tesão de 20 seja candidato? Não é possível! É tanta coisa boa junta que eles têm que deixar, porra! Ainda mais um cara que tem um otimismo, sozinho, que todos não têm juntos.

O apedeuta
Como sabem, cravei em Lula o apelido de “Apedeuta”. E já expliquei centenas de vezes as razões. Nada têm a ver com a sua formação escolar ou com sua inteligência política — esta sem competidores no país —, mas com a apologia que chegou a fazer, mais de uma vez, da ignorância. Parece ter parado com isso. Vamos ver o que nos reserva a campanha eleitoral.

Lula dava a entender, especialmente quando se comparava com FHC, que as virtudes que via em seu próprio governo decorriam de sua baixa escolaridade e que os defeitos que apontava na gestão do outro estavam relacionados à formação do adversário. O discurso era tanto mais detestável porque falso. Independentemente de acertos e erros, e não entrarei agora nesse mérito, o petista sempre se cercou de doutores — alguns deles, é fato, do miolo mole. Quem tem Marcos Lisboa como secretário de política econômica, como ele teve, sabe que o aparato intelectual e a expertise fazem a diferença.

O especialista
Faço essas observações para destacar que Lula leu o jogo com mais rapidez do que qualquer outro líder político. Não tem rivais, nessa agilidade, dentro ou fora do PT. No fim do ano passado, antevi a sua ressurreição, quando o davam como morto — e, com efeito, ele chegou a agonizar. Mas percebeu que a Lava Jato — para usar a marca-fantasia genérica — se embrenhava por caminhos de tal sorte escuros que a única postura possível era mesmo a resistência.

Lula contou com a colaboração involuntária, e ele sabe que estou certo, da direita xucra, que se ofereceu como o exército de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Carlos Fernando e Rodrigo Janot. Uma língua negra escorreu para o Supremo, e lá estão Edson Fachin, Luiz Fux. Roberto Barroso e Rosa Weber a fazer tabula rasa de garantias constitucionais com uma desfaçatez inédita. Justiça se faça: nenhum deles teria passado por seu crivo. Note-se: quando presidente, já havia se recusado a indicar Fachin e Fux. No caso deste último, a justificativa chegou a ser engraçada: o doutor havia feito lobby junto a Antonio Palocci, José Dirceu, Delfim Netto e João Pedro Stedile, entre outros. Lula considerou que não havia moralidade capaz de acolher padrinhos tão díspares. Volto ao ponto.

Sim, Lula acusa, como se hábito, um “eles” genérico, que estaria interessado em impedir a volta do partido ao poder, com especial empenho em tirá-lo do jogo, mas nunca deixou de estar atento ao fato de que a Lava Jato não tinha como inimigo o PT, mas a própria política. Conseguiu juntar os escombros da legenda, unificou o discurso, mirou as camadas mais pobres que ignoram se Dallagnol e Moro pertencem ao reino animal, mineral ou vegetal e deu início à sua escalada. Enquanto isso, o PSDB, o principal adversário, ajoelhava-se no altar da Lava Jato enquanto era esmagado por ela.

Foi tamanha a estupidez dos adversários do PT, em especial da direita e da extrema direita, que a formulação “Lula vai ser preso amanhã” teve de ser substituída por “prendam Lula, pelo amor de Deus!, antes que ele se eleja”.

Quem falava?
O Lula que falou a jornalistas nesta quarta sabe que está em ascensão. Pesquisa Ipsos aponta que a rejeição a seu nome é de 54% — a menor entre os presidenciáveis que devem ser levados a sério —, mas em empate, ora vejam!, com ninguém menos do que Sérgio Moro, rejeitado por 53%. Então chegou a horta de falar, afirmar uma vez mais sua inocência, cobrar as provas e, por que não?, fazer acenos ao mundo político. Alianças com partidos que apoiaram o dito “golpe”? O ex-presidente responde com pragmatismo: como recusar a união com o MDB de Minas, que está junto com Fernando Pimentel e o defende? Com efeito, Lula não é Guilherme Boulos, não é mesmo?

A dita “jararaca” já ensaia o figurino paz e amor:
O ódio que foi disseminado nesse país… Eu vou pacificar esse país. Pode estar certa de que eu vou pacificar. As pessoas vão voltar a viver em harmonia. Da mesma forma que um corintiano e um palmeirense podem subir no mesmo elevador, um petista e um tucano podem subir, sem um morder o outro.

Como esquecer que a luta sem classe “Nós X Eles” é uma das mais genuínas criações de Lula, de modo que o PT passou a provar, por um bom tempo, do próprio veneno? E, de fato, a legenda estaria em maus lençóis não fosse a fúria “politicida” da Lava Jato, que, ao pregar o extermínio da política e dos políticos, a todos igualou. Já foi longe aquele 17 de fevereiro, quando escrevi na Folha“Se todos são iguais, Lula é melhor”. Sabem o título aquele texto, escrito há 10 meses? Este: A degeneração da Lava Jato, com apoio da direita, ressuscita Lula”. E lá se leem palavras premonitórias:
“Alguém pode dizer que, ruim como é, o governo Temer é que deve ser responsabilizado pela eventual ascensão da esquerda. Discordo. Dado o que herdou e o que conseguiu realizar até agora, o governo é bom. De resto, Lula não está forte porque esquerdista, mas porque populista. Em certa medida, poderia ser Bolsonaro –que disputa o segundo lugar com Marina.
O populismo de direita, associado ao lava-jatismo, é que está minando a credibilidade da atual gestão e ressuscitando a esquerda. Afinal, conservadores que não buscam preservar nem as instituições hão de conservar o quê?
Não sobra nem o juízo.”

Volto ao começo: “Façam como Reinaldo Azevedo”
No café da manhã, Lula se referiu a mim nestes termos:
“Eu aconselho vocês a lerem as peças [do processo] para me defenderem, como o Reinaldo Azevedo está fazendo. Ele todo dia fala ‘Eu li. Eu li o processo’. Eu não peço para dizerem que eu sou inocente, não. Peço que vocês leiam. E, se acharem uma vírgula de culpa, por favor, me telefonem. É só isso.”

Vejam o filme. Como se poderá notar, alguns tontos — uma tonta em particular — dão risada, como se o ex-presidente estivesse fazendo uma ironia. Ele não sorri. Ele está falando a sério.

É verdade! Leio as peças pertinentes antes de escrever. Li, por exemplo, as respectivas denúncias oferecidas pelo MPF contra Lula no caso dos apartamentos de Guarujá e de São Bernardo — são processos distintos. No primeiro caso, li também a sentença condenatória de Sérgio Moro. Tem tudo para entrar para a história como uma das peças mais exóticas da história dos tribunais. O petista é condenado por razões distintas da denúncia. Nos embargos de declaração, o juiz deixa claro que a dita-cuja não está na raiz da condenação. Ele trabalha com o conjunto do que considera evidências de que Lula concentrava poder e mando para ter conhecimento de ações criminosas — mas esse é outro inquérito!!! — e ancora a condenação num único elemento objetivo, que não é prova: a acusação de Leo Pinheiro. Todo o resto é feito de circunstâncias para evidenciar os vínculos entre a família Lula da Silva e o tal tríplex. Ainda que verdadeiros, eles provam que o imóvel é fruto dos contratos entre o consórcio integrado pela OAS e a Petrobras? Resposta: não!

Na democracia de direito, que é a minha praia, meras convicções e conjecturas, ainda que fundadas, não servem para condenar ninguém. Sempre irei indagar o que está nos autos. Eu, com efeito, não entro na porfia se Lula é culpado ou inocente. Quero saber se, dispondo de todos os meios lícitos — e nem sempre apenas estes — de que dispõem para investigar, a PF e o MPF conseguiram apresentar as provas. Isso vale para Lula, Aécio Neves e o Zé da Esquina.

Recomendação
Àquelas pessoas que riram da própria ignorância também recomendo que façam o mesmo. Mas não se contentem só com as peças que dizem respeito a Lula. Procurem achar, por exemplo, na denúncia contra Aécio (no caso JBS) a contrapartida que o senador teria oferecido a Joesley Batista em troca daqueles R$ 2 milhões. Não está lá. E assim tem disso nesses e em outros casos.

Não é para dar risada, seus Manés! O chefão petista, com efeito, está recomendando que vocês façam como eu: ler as peças dos processos.

A situação, e não Lula, é irônica, sim. Afinal, o ex-presidente está a recomendar que se tome como padrão a prática profissional daquele que criou as palavras “petralha” e “esquerdopata” e que lhe pespegou os apelidos “apedeuta” e “Babalorixá de Banânia”. Ele está a sugerir que se tenha como referência o hoje ex-diretor de redação da revista “Primeira Leitura”, que, na prática, foi fechada, em 2006, pela truculência do PT. É evidente que, ao fazê-lo, não tem em mente os dados elencados neste parágrafo.

Lula está a pedir aos jornalistas que façam o que fiz: que leiam as peças do processo e identifiquem a denúncia, as provas apresentadas e as eventuais sentenças, analisando se estas guardam ou não relação com o conjunto probatório. Dá trabalho. Leva mais tempo do que bater um papinho com aquele procurador amigo…

Direito Penal de Curitiba é filho dileto do petismo. Mas na sua variante teratológica: virou “TFPT”

O “direito penal de Curitiba” é um filho dileto da esquerdização das faculdades de direito empreendida pelo petismo desde o começo dos anos 80 — de direito e do resto; ocorre que, nessa área, os efeitos são dramáticos. O “direito criativo” dos companheiros, com suas heterodoxias e seu desrespeito às leis, foi abrindo as janelas para a intervenção destrambelhada de procuradores e juízes. Aderiu-se à “dura lex sed lex” do alarido, do vulgo, da militância.

Lula e os petistas só não contavam que pudessem se tornar alvos dessa fúria, que juntou àquelas práticas exóticas o moralismo rancoroso, que é o túmulo da moral. Não por acaso, dado o figurino, chamo os procuradores mais exaltados de “TFPT”: há lá uma mistura de fanatismo quase religioso com aquele espírito policialesco que tão bem caracterizava o tal partido da “ética na política”, não é mesmo?

O companheiro Lula tem de considerar que, no seu caso, há ao menos um processo. O partido que ele construiu moeu reputações ao longo da história mesmo sem processo nenhum. Já que ele me usa como referência, vai uma dica: tente saber, ex-presidente, o que o PT fez com a biografia de Eduardo Jorge Caldas Pereira. Mais ainda: foram os procuradores petistas, os “tuiuiús” — grupo a que pertencia Rodrigo Janot quando jovem —, que criaram a pecha de “engavetador-geral da República” para Geraldo Brindeiro, por exemplo, aquele procurador-geral que tinha o mau hábito, para padrões petistas, de só oferecer uma denúncia se o inquérito conseguisse apresentar ao menos alguma coisa que pudesse um dia, quem sabe, ser uma prova.

Essa prática de a denúncia não trazer nada além das acusações ou indícios que motivaram o inquérito e de um juiz ou ministro do STF aceitá-la só para que se dê continuidade à investigação, pouco importando que a pessoa, no caso, passe à condição de ré… Bem, essa é a mais pura expressão do “direito achado na rua”, do “direito achado no petismo”, do “direito achado no alarido”.

Não por acaso, a banda realmente à esquerda do Supremo, nomeada por Dilma, adere com fúria à sanha punitiva: Edson Fachin, Roberto Barroso e Rosa Weber. A eles se junta Luiz Fux. Não que este seja esquerdista. Ele só quer dividir os aplausos.

Encerro
Os tontos e as tontas que riram não perceberam que Lula, com efeito, estava pedindo que estudassem. Eu estudo. Inclusive a história do PT.

Ah, claro! Esta poderia ser a chance de ouro de algo parecido com vingança, né? Pois é. Eu combato os petistas porque acredito nas coisas que acredito, ainda que eles próprios possam se beneficiar dos valores que fundamentam essa crença.

Lula, no fim das contas, está recomendando que os outros jornalistas sigam os meus passos porque, ao analisar o seu caso, estou sendo, como sempre… antipetista! É meu antipetismo que lhe dá o benefício da dúvida e que não aceita a condenação sem provas.

Maioria dos brasileiros acha que Lula será condenado pelo TRF4

O Instituto Paraná acaba de divulgar uma pesquisa nacional sobre a possível condenação de Lula.

Para 50,8% dos brasileiros, o TRF4 vai condenar Lula no caso do triplex.

Para 39,8%, o tribunal vai absolver o petista.

Maioria dos brasileiros acha que Lula não será preso

De acordo com a pesquisa do Instituto Paraná, caso Lula venha a ser condenado pelo TRF4 no caso do triplex, 56,6% dos brasileiros acham que ele não será preso e 35,8% acreditam que será.

PF NAS RUAS. É A OPERAÇÃO CAIXA 3

A PF deflagrou agora há pouco a Operação Caixa 3, que investiga “indícios de gestão fraudulenta em operações de crédito firmadas entre o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Grupo Petrópolis”.

O Grupo Petrópolis era usado pela Odebrecht para repassar propina a políticos.

Mais de setenta policiais federais e dez auditores da Controladoria-Geral da União cumprem mandados de busca e apreensão no Ceará, Rio, Bahia, Pernambuco e São Paulo.

A Operação Caixa 3 baseia-se na delação da Odebrecht.

Em março deste ano, publicamos uma notícia que elencava algumas pontas do esquema da propina que a empreiteira repassava por intermédio do Grupo Petrópolis.

Releia:

Operação Caixa 3: o esquemão entre banco, empreiteira, cervejaria e partido

A Controladoria-Geral da União informou que ainda não é possível estimar o prejuízo aos cofres públicos provocado pela gestão fraudulenta em operações de crédito firmadas entre o Banco do Nordeste do Brasil e o Grupo Petrópolis.

A Operação Caixa 3, deflagrada hoje, certamente contribuirá para “a obtenção de provas sobre a ocorrência de má-fé e dolo, por parte de empregados do BNB, na concessão e acompanhamento dos financiamentos investigados”, destacou a CGU.

Também em nota, a Controladoria deixou claro que a investigação apura “a ocorrência de desvio dos recursos obtidos pelo grupo empresarial para pagamento de despesas de campanhas eleitorais”.

Os leitores de O Antagonista conhecem essa história.

A suspeita da PF é de que o BNB tenha sido usado para fazer uma triangulação no esquema de repasse de propinas da Odebrecht e do Grupo Petrópolis para campanhas eleitorais.

O total desviado nas operações de crédito supostamente fictícias seria de 600 milhões de reais.

Em nota, a Polícia Federal do Ceará detalhou o esquema de gestão fraudulenta que resultou hoje na Operação Caixa 3:

“A apuração constatou que o Conselho de Administração do BNB [Banco do Nordeste] aprovou, em 17/09/2014, a troca da fiança bancária (ótima garantia com nota de rating AA) pela hipoteca da planta industrial de uma fábrica de bebidas construída no Estado da Bahia (rating B), o que se deu após parecer técnico favorável.

Foram elaborados relatórios pela CGU que apontaram: descumprimento de normas do banco quanto à avaliação de risco da operação; descumprimento de norma do banco em relação à substituição da garantia; não estabilização do empreendimento da Bahia; fragilidade no acompanhamento do BNB na comprovação financeira na construção da fábrica na Bahia.

Relatórios do Tribunal de Contas da União apontam ainda que: o pedido de troca da garantia era tecnicamente inepto; a participação da administração central do BNB de Fortaleza/CE ao invés da administração da Bahia na elaboração do relatório técnico que permitiu a troca. Segundo o TCU o procedimento é considerado atípico; e não foram adotadas ações compensatórias à troca da garantia;

Houve burla aos normativos de compliance internos do banco, uma vez que as máquinas que compunham o Parque Industrial da Bahia estavam alienadas fiduciariamente a um banco alemão, o que era expressamente de conhecimento do banco quando da instrução da proposta de financiamento. Essa grave circunstância gerava uma situação de insuficiência de garantia (nota de rating D).

As investigações apontaram ainda que houve apresentação de uma certidão inidônea do Cartório de Registro de Notas e Documentos de Alagoinhas afirmando falsamente que tais bens estavam livres e desembaraçados de ônus.

Segundo depoimento de Diretor da Construtora Odebrecht, em acordo de colaboração premiada no âmbito de Inquérito da Operação Lava Jato, parte dos recursos utilizados para as construções das fábricas da cervejaria no Nordeste foi utilizado para alimentar o esquema montado pela Construtora e pela cervejaria, batizado de “CAIXA 3”, que consistia em doações oficiais para campanhas políticas pela Odebrecht por meio da mesma.”

LAVA JATO RECUPERA MAIS 700 MILHÕES DE REAIS

A Lava Jato recuperou hoje mais 700 milhões de reais.

O MPF no Paraná anunciou nesta sexta-feira que fechou um acordo com a Keppel Fels Brasil.

A empresa terá que pagar 1,4 bilhão de reais, divididos entre Brasil, Estados Unidos e Cingapura.

A parte brasileira corresponde a exatos 692.435.847,20 reais.

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (RedeTV)

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