Enquanto mídia se ocupa de intriga conjugal de Bolsonaro, pai morre na frente do filho de 10 anos em assalto

Publicado em 28/09/2018 13:32 e atualizado em 01/10/2018 11:19
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por RODRIGO CONSTANTINO, na GAZETA DO POVO

Não são coisas correlatas, naturalmente. Mas servem para ilustrar a tese da bolha “progressista”, que venho divulgando nesse espaço há bastante tempo. Enquanto as preocupações de certa elite “descolada” colocam Bolsonaro como o demônio na Terra, por ser “machista”, “racista”, “xenófobo” e “homofóbico”, o povo sofre com a completa anomia que tomou conta do país, sendo Bolsonaro visto como um símbolo de combate a esta desordem.

Nesta quinta tivemos um exemplo perfeito dessa dicotomia. Enquanto a VEJA divulgava uma reportagem de capa sobre o divórcio de Bolsonaro ocorrido anos atrás, “lacrando” perante a turma esquerdista (que até preferiu esquecer que sempre chamou a revista de “golpista”), um pai era morto na frente de seu filho de dez anos ao se colocar entre ele e a arma do bandido, num assalto no Rio. A viúva está grávida:

A força demonstrada pela dona de casa Conceição Vera dos Santos, viúva do chefe de cozinha Francisco Vilamar Peres, de 49 anos, baleado e morto após um assalto na noite desta quarta-feira, tem surpreendido a família e os amigos. Grávida de dois meses, ela ainda não contou sobre a morte de Francisco para o filho do casal, de 10 anos. O bebê seria o sexto filho da vítima – ele tem outros quatro filhos do primeiro casamento.

— A gente ainda não contou para o meu sobrinho. Minha irmã falou apenas que ele estava no hospital e mentiu, dizendo que ele passava pela sala de cirurgia. Não tivemos coragem de contar — explica a cunhada de Francisco, a merendeira Geisa Santos, de 36 anos, que soube do crime enquanto ia de ônibus para casa.

A mulher é pobre e negra, mas não desperta tanta simpatia assim nas hostes esquerdistas. Está enfrentando uma barra pesada, mas vira somente estatística: sua família foi mais uma destruída pela violência fora de controle no país.

Não quero dizer com isso que Bolsonaro seja de fato a solução para o problema. Basta pensar que ele é percebido dessa forma, por ser um dos poucos que insiste numa narrativa diferente daquela “progressista”, que alivia a responsabilidade do marginal, tratado como “vítima da sociedade”.

Hoje tivemos mais um caso de violência criminal no Rio:

Uma mulher foi baleada por criminosos durante uma tentativa de assalto em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, na noite desta quinta-feira. A ação aconteceu na Rua Comendador Siqueira. De acordo com a Polícia Militar, Dwuala Fontoura Costa, de 38 anos, foi atingida na altura de um dos ombros. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada para o Hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste. De acordo com testemunhas, Dwala foi atacada por dois bandidos em uma moto, que conseguiram fugir.

Diante desse quadro, pergunto: quem se importa com as pautas “lacradoras” da elite “progressista”? Quem acha mesmo que a ideologia de gênero, o aborto, a legalização das drogas e o casamento gay são as bandeiras mais relevantes nessa eleição? Quem endossa o discurso feminista radical além de uma minoria da elite?

Enquanto a jornalista do GLOBO Flávia Oliveira fala que “a mulher” quer a caneta, e Nelson Motta repete que essa será a eleição “das mulheres”, as mulheres de carne e osso, brancas ou negras, pobres ou de classe média, sofrem na pele o fardo de uma nação entregue aos bandidos. E é isso que mais importa nessa eleição.

A campanha #EleNão pode render “likes” nas redes sociais, ou então mais de um milhão de “deslikes” no caso do vídeo “lacrador” de Daniela Mercury, artista cuja última música de sucesso data do começo dos anos 1990. Mas não sensibiliza a dona Maria, a dona Conceição, a dona Regina, ou tantas outras mulheres reais desse país mergulhado no caos. Elas querem, assim como os homens, segurança e emprego. E isso a esquerda não tem como oferecer.

Rodrigo Constantino

JOSÉ DIRCEU AMEAÇA O BRASIL, por LUCAS BERLANZA (Instituto Liberal)

Principal cabeça do petismo durante o auge de Lula, acusado e condenado por diversos crimes, José Dirceu está perambulando, solto, desde junho, quando o STF, seguindo proposta do atual presidente Dias Toffoli, admitiu sua libertação de forma liminar. Ele está aproveitando a chance recebida para participar de videoconferências e divulgar um livro de memórias, sempre cercado de militantes.

Nesta quarta-feira (26), o El País publicou uma entrevista concedida pelo cérebro da estrela vermelha durante viagem de ônibus em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Alguns detalhes das respostas de Dirceu chamam a atenção.

Primeiro, Dirceu afirma que o apoio a Lula cresceu porque as pessoas conectam o legado do ex-presidente com “as consequências do golpe”, rejeitando partidos como PSDB e DEM por “não terem reconhecido o resultado da eleição” e “terem participado do Governo Temer”. Todos sabemos que não houve golpe algum, que Dilma Rousseff foi justamente expelida do Palácio do Planalto e que a recessão em que mergulhamos foi provocada pelo seu governo.

No entanto, é inegável que uma parcela significativa da população não apreende esse cenário e efetivamente considera que o governo Temer é o responsável por todo o mal sobre a Terra, o que a absoluta inaptidão da equipe do atual presidente para se comunicar e explicar reformas ainda impopulares, mas necessárias, apenas incrementa.

Em seguida, perguntaram a Dirceu se “existe a possibilidade de o PT ganhar essas eleições e não levar”. O petista respondeu que não acredita na possibilidade e que a comunidade internacional não aceitará. Complementou: “E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”.

Paira certa ambiguidade na resposta quanto a se Dirceu se referia tão-somente ao que o PT faria se houvesse algum impedimento contra a candidatura de Haddad ou se a meta é “tomar o poder” mais do que “ganhar uma eleição”, qualquer que seja a circunstância. De qualquer modo, se Haddad “não levar”, considerando que o próprio Dirceu nega mais adiante a possibilidade de uma intervenção militar, será por alguma condenação, cassação de chapa ou qualquer coisa do gênero. Isso seria, a seu ver, um “golpe”, da mesma forma que o “golpe” contra Dilma… Diga-se de passagem, “golpe” nunca é o que faz o PT, ao, por exemplo, burlar a lei eleitoral para insistir em estampar Lula nos materiais de campanha indevidamente. O que significaria, nesse caso, “tomar o poder”, a ponto de ser “mais do que ganhar uma eleição”?

O subtexto – ou nem tão “sub” assim – é evidente. O PT na verdade não enxerga qualquer valor intrínseco ao processo democrático, ao ritual eleitoral. Não é, como disse e volto a dizer, uma mera diferença de opiniões o que existe entre nós; é muito mais do que isso. É uma cisão de concepções de Estado, sociedade, de regras do jogo para mediar o enfrentamento entre as próprias diferenças. Eis porque também não me limito a falar em “governos do PT”, mas em “lulopetismo” e “regime lulopetista”. Eles não querem apenas colocar seu representante no Executivo, tal como desejam todos os partidos; eles querem que todo o sistema político e cultural seja reescrito à sua imagem e semelhança.

Mais adiante, fica pior. Diz Dirceu: “Lula tinha que tomar uma decisão: o que é prioritário? Fazer reforma política, resolver o problema das Forças Armadas, resolver o problema da riqueza e da renda ou atacar a pobreza e a miséria, fazer o Brasil crescer, ocupar um espaço na América Latina, ocupar o espaço que o Brasil tem no mundo? Ele fez a segunda opção”.

A que “problema das Forças Armadas” Dirceu se refere? Em resolução de 2016, o PT afirmou que seus próceres foram “descuidados” por não terem modificado os currículos das academias militares e por não terem promovido oficiais que tinham compromissos “democráticos e nacionalistas”. Será esse o problema que o PT quer resolver? A escassez de aparelhamento das Forças Armadas? Tentará Haddad, se eleito, dominar os militares? Em o fazendo, alavancará a tirania para outro nível.

Por fim, Dirceu disse que o PT não tem apoio da elite do país e nem deseja ter. Perguntado sobre a necessidade da elite para se eleger, ele respondeu: “Eles que rezem para que eu fique bem longe. Não vamos precisar dela não. Ela vai ter que entregar os anéis. Não dá para tirar o Brasil da crise sem afetar a renda, a propriedade e a riqueza da elite”.

Vejam só que coisa… Naturalmente, o conceito de “elite” do PT é bastante maleável. A “elite” constituída pelo próprio ex-presidente Lula e seus aliados, quer os que faziam ou fazem parte da cúpula do partido, quer os empresários que se beneficiaram do regime de “campeões nacionais” imposto pelo lulismo, atravessou com alguma tranquilidade os treze anos de ilusão e desgraça. “Elite”, para eles, eram as pessoas, de diferentes estratos sociais, que estiveram nas ruas clamando pelo impeachment. “Elite”, para eles, é todo aquele que não comunga de seus sórdidos valores. A “elite” que os petistas efetivamente alvejam não é necessariamente a faixa dos milionários, até porque os conceitos de “classe média” e “alta” sofreram alterações durante seus governos vermelhos, de acordo com as conveniências.

A “elite” pode ser você, leitor. Fossem mesmo apenas os realmente ricos, fato é que, para “resolver” os problemas do país, o PT sinaliza agredir alguns pilares fundamentais, em destaque a propriedade privada. Para bom entendedor, meia palavra basta – e o caso aqui é, na verdade, de palavras inteiras. Dirceu está ameaçando o povo brasileiro. O Brasil não pode cometer a irresponsabilidade de permitir que os petistas voltem a ter toda a máquina política em suas mãos. (por Lucas Berlanza, publicado pelo Instituto Liberal).

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Fonte: Blog Rodrigo Constantino

1 comentário

  • emir paulo schneider corbelia - PR

    ...eu nao entendo por que estes comunistas nao vao para Venezuela?? afinal, lá vigora o regime que eles propagam e querem implantarem nosso pais.... eu pago ate passagem de ida pra eles (e deve estar sobrando muita vaga lá), pois muita gente está largando tudo para fugir do comunismo.

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    • Samoil Ivanoff Querencia - MT

      Não entendo o que o Zé Dirceu tá fazendo nesse país de Bolsominions... Poderia estar lá na Venezuela, desfrutando a maravilha do socialismo que ele ajudou implantar lá ... e poderia levar todos seus comparsas também...

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