Serra acusa “Corpo Mole” do Governo Boliviano no combate à Cocaína. ou: Dois homens de um mesmo colar.

Publicado em 26/05/2010 19:27 e atualizado em 27/05/2010 14:30 428 exibições



Leiam o que vai na Folha Online. Volto depois:

Por Sérgio Torres:
O pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, disse hoje no Rio, em entrevista ao programa “Se liga Brasil”, da “Rádio Globo”, que o governo da Bolívia é “cúmplice” do tráfico de cocaína para o Brasil.
A declaração foi dada quando Serra dissertava novamente sobre a importância, no entender dele, da criação de um ministério da Segurança Pública que combatesse, dentre outros crimes, o tráfico de drogas.
O ex-governador de São Paulo afirmou também que de 80% a 90% da cocaína que entra no Brasil são provenientes da Bolívia.
Logo depois do programa, ao responder aos jornalistas sobre a declaração, Serra afirmou que o governo do país vizinho faz “corpo mole”.
“Vocês acham que poderia entrar toda essa cocaína [no Brasil] se o governo [boliviano] não fizesse corpo mole?”. O pré-candidato do PSDB afirmou que não está fazendo uma “acusação” e sim uma “constatação”.

Comento
Embora a palavra “cúmplice” esteja entre aspas no primeiro parágrafo, não está claro se o pré-candidato a pronunciou mesmo ou se apontou o “corpo mole” apenas, como se registra depois. De qualquer modo, é importante que o leitor e o eleitor saibam: trata-se de cumplicidade mesmo. A produção de pasta de cocaína cresceu 41% sob o governo Evo Morales. Reportagem da revista VEJA de novembro do ano passado informava:
Na nova Constituição escrita sob seu [de Evo] comando, a planta ganhou o status de “recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia e fator de coesão social”. Nenhum problema, exceto pelo fato de que as folhas destinadas ao uso proibido, como matéria-prima do crack e da cocaína, ultrapassam vastamente as do uso permitido e tradicional. Em quatro anos, a produção de pasta-base de coca e de cocaína na Bolívia aumentou 41%. A maior parte é traficada para o território brasileiro, onde abastece o vício, a criminalidade e a corrupção. Muita droga entra no Brasil, proveniente dos vizinhos produtores e destinada a outros consumidores, mas a que fica é, majoritariamente, a boliviana, de pior qualidade. Das 40 toneladas de cocaína consumidas anualmente no país, mais de 80% são da Bolívia.

A íntegra da reportagem está aqui. A coisa não pára por aí. Evo Morales estimulou a criação de novos campos de plantação da folha de coca, a matéria-prima da pasta e, pois, da cocaína NA FRONTEIRA COM O BRASIL. Atenção: estima-se que 70% da cocaína proveniente da Bolívia que entra em nosso país vá agora a para o produção do crack, a droga barata que infelicita e mata milhares de brasileiros.

E Lula nada cobra de Evo. Ao contrário: fez deole um de seus intocáveis, com empréstimo do BNDES e uma Petrobras de presente. E chegou ao ridículo de fazer o que se vê na foto abaixo, que publico de novo. Em viagem à Bolívia, no ano passado, pôs no pescoço um colar com as folhas malditas.

Não é só o governo Evo que faz corpo mole, não.

lula-com-o-color-de-folhas-de-coca2

fio_sep_horizontal_485.gif

fio_sep_horizontal_3px.gif

Dilma promete medidas adotadas por Serra na Saúde

Na Veja.com:


A saúde entrou de vez na campanha presidencial. A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, elogiou nesta quarta-feira e defendeu a implementação de programas para saúde que têm forte ligação com José Serra, pré-candidato do PSDB ao Planalto.

Dilma defendeu a desoneração de remédios e a criação de clínicas para atendimento por parte de médicos especialistas. A petista não citou programas de São Paulo, mas essas são duas bandeiras muito associadas ao nome de Serra. Na prefeitura e no estado, Serra criou os ambulatórios médicos de especialidade, chamados de AMA e AME. O governo paulista também tem o programa Dose Certa, de distribuição de remédios.

“Há uma grande reclamação que vejo: o atendimento especializado, o tempo de demora para consultar os especialistas. Vejo que deu certo nos estados, as policlínicas. Na hora da emergência vai para a UPA e, depois, se for necessário marcar uma consulta, vai para a policlínica. Montar essa cadeira é meu objetivo”, declarou Dilma.

Em janeiro deste ano, o governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um projeto de saúde a ser explorado na campanha de Dilma. O governo federal prometeu investir R$ 1 bilhão em 500 unidades da UPA (Unidades de Pronto Atendimento), contêineres equipados como postos de saúde que, após superexposição na TV, ajudaram a eleger Eduardo Paes (PMDB) prefeito do Rio em 2008. As UPAs, citadas por Dilma, seguiram modelo criado em São Paulo, nas gestões de Serra.Aqui

fio_sep_horizontal_3px.gif

A MENTIRA COMO MÉTODO

A petista Dilma Rousseff foi ao programa de rádio de Paulo Barboza. Como se jamais tivesse pertencido ao governo, mandou ver: “Nos remédios, é um absurdo a tributação. A próxima ação imediata é remédio, porque é uma questão de sobrevivência da população”. Sei. Até aí, vá lá.

O Estado Online informa:
Dilma deu como atingida a meta de construção de 1 milhão de casas estabelecida pelo governo federal ao lançar o Minha Casa, Minha Vida. “Fizemos só 1 milhão de casas nessa primeira fase. Entre 2011 e 2014 dá pra fazer, no mínimo, mais 2 milhões.

É mesmo? Dilma faltou com a verdade, e o site não pode correr o risco de multiplicar a mentira. Sabem quantas casas foram efetivamente entregues daquele 1 milhão prometido? 90 MIL! Os números são do mês passado. Foram contratadas 410 mil - que não estarão prontas e entregues até o fim de 2010. E há 800 mil pedidos. Pode até ser que se chegue a um milhão de PEDIDOS até o fim do ano.

Este é o governo Lula, trilha batida que Dilma está seguindo, com a ajuda da imprensa. A promessa era entregar um milhão de casas até o fim de 2010. A seis meses do fim do governo, não se chegou a 10% disso. No entanto, a candidata dá o trabalho como realizado e já promete mais dois milhões.

E fica tudo por isso mesmo.

fio_sep_horizontal_485.gif

fio_sep_horizontal_3px.gif

ELES E EU

Nelson de Sá, que tem uma coluna sobre mídia na Folha, publica hoje a nota que segue. Volto depois:
ABUSOS
O blog de Reinaldo Azevedo, da “Veja”, comentou a entrevista da procuradora eleitoral na Folha, sobre como os “abusos ameaçam eleição de Dilma”, afirmando que ela foi “corajosa, mas ninguém deve se fiar muito na dureza do TSE”. Em suma, “duvido!”.
Já o blog de Paulo Henrique Amorim, da Record, postou primeiro que “a tentativa de golpe já começa a rondar a oposição, o TSE e a mídia”. Depois, descreveu a procuradora como “colega de Nelson Jobim” e, por fim, como uma defensora da Globo e de Serra.

Voltei
A tentativa, nada sutil, é me transformar no Paulo Henrique Amorim “do lado de lá”. Vou explicar algumas diferenças ao De Sá:
1 - Eu era crítico do PT quando o partido estava na oposição (aliás, era de FHC quando ele estava no governo; dentro da Folha inclusive) e continuei crítico do PT quando ele virou poder. Tive até de fechar uma revista por isso. O outro blogueiro não gostava do Lula oposicionista. Apaixonou-se depois, pelo Lula governista. Em 1998, fez uma verdadeira cruzada contra o então candidato do PT à Presidência, acusando irregularidades na compra de seu apartamento de cobertura em São Bernardo. Lula o processou. Justiça se faça: pessoalmente, o presidente o detesta até hoje; não aprecia o modo como Paulo Henrique gosta dele. Mas a questão não é pessoal, é política.

2 - Tanto é política que Paulo Henrique, a exemplo de outros blogueiros governistas, tem patrocínio da Caixa Econômica Federal. Lula leva o rancor até certo ponto; até o ponto em que o dinheiro passa a ser público. A “CEF do FHC” não patrocinou Primeira Leitura, a minha revista. Tivemos, sim, por seis meses, anúncio da Nossa Caixa, a exemplo de praticamente toda a imprensa sediada em São Paulo, pouco importando a tendência  - os esquerdistas também tiveram. Mas o PT tentou fazer do anúncio em “Primeira Leitura” um “escândalo”. Não prosperou.

3 - Paulo Henrique, que, na cabeça oca de De Sá, é o “Reinaldo do lado de lá”, promove duas campanhas no momento, com patrocínio da Caixa Econômica Federal: uma é eleitoral —  basta ver aquilo (e não recomendo que vocês o façam); a outra é contra a Folha e seu diretor de Redação. Eu tenho lado nos embates — já deixei claros os princípios. E é sempre o mesmo, pouco importa quem esteja na Presidência!

4 - Paulo Henrique, aliás, já era jornalista nos tempos em que até os bichos falavam no pau de arara da ditadura. Seria interessante saber o que ele andava escrevendo naqueles dias. Qual é a aposta de vocês? Estava mais para um desses heróis destemidos ou para um subintelectual do regime? Hora dessas, um pesquisador dedicado ainda vai se lembrar de contar a história das idéias durante o regime militar e recuperar textos realmente memoráveis. Vocês vão ficar surpresos ao descobrir como certos “progressistas” de hoje reagiam diante de uma farda… E muitos faziam por gosto, não por necessidade.

5 - Eu era jovenzinho, moleque mesmo. E reagi: dizendo “Não”. Fui “fichado” por isso. A barba mal tinha acabado de me nascer.Vai ver sou meio abestalhado: fui de esquerda no tempo do risco e dei um pé no traseiro das esquerdas quando “ser esquerdista” passou a ser uma das mais lucrativas profissões no Brasil.

De Sá precisa estudar. E não é de hoje.

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (veja.com

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário