O festival de besteiras de novos ministros, com destaque para Mercadante

Publicado em 04/01/2011 13:34 e atualizado em 04/01/2011 19:42 938 exibições

Atrasado na ciência ao menos uns 200 anos, o valente disparou que o Brasil “será o primeiro país tropical desenvolvido”. A Austrália sofre com uma enchente dos diabos agora, mas não se ouve falar de grandes catástrofes humanas justamente porque se trata de um país… desenvolvido!!! E, saiba o ministro Mercadante, também “tropical”, com um dos maiores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo.

A bobagem revela uma cabeça atrasada, sem o devido preparo intelectual para o cargo. E pensar que esse portento obteve há três semanas o título de “doutor em economia” pela Unicamp - com uma “tese” cantando as glórias do governo Lula! A suposição de que o clima determina o grau de desenvolvimento (e o Brasil seria o primeiro a superar o entrave) está lá com as teorias deterministas do fim do século 18 e do século 19, que associavam o calor ao atraso e à indolência. Montesquieu, que prestou serviços relevantes ao pensamento, estava certo de que muito calor conduzia à tirania…

Se é para exaltar o pioneirismo do PT, Mercadante não se importa em extinguir a Austrália ou em aderir às teses as mais esdrúxulas. O homem é um empirista. Se as nações mais ricas estão nas áreas mais frias da Terra, e as mais pobres, nas mais quentes, isso deve querer dizer alguma coisa… Mas o quê???

Há pouco, ouvi cantar alguns galos ao longe. Não demora, vai amanhecer. Sempre amanhece depois que eles cantam. Mercadante é do tipo que acredita que, caso matemos todos os galos, o mundo cai numa noite eterna…

Ele vai cuidar da ciência e da tecnologia! Protejam os seus galos!

PS - E os petralhas ainda perguntavam: “Sem Lula, vai escrever sobre o quê?” Pois é…

Por Reinaldo Azevedo
UMA CENA ESCANDALOSA LOGO NO PRIMEIRO DIA

Eita que ando ativo pra chuchu nestas minhas férias, não!? E só não posto nada durante o dia porque a conexão 3G não deixa (ver post a respeito). O que posso fazer? Eu sou aquele que estranha jabutis em cima de árvores e, de vez em quando, na estante de Chico Buarque de Holanda. Convido-os a apreciar uma dessas estranhezas. Vejam o filme abaixo, em que o dono da TV Record, o autoproclamado “bispo” Edir Macedo, cumprimenta a presidente Dilma Rousseff na solenidade de posse. Estão com ele o presidente da emissora, Alexandre Raposo; o presidente corporativo, Marcos Pereira, e Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo, chamado de “vice-presidente” pela entusiasmadíssima apresentadora, Adriana Araújo.

Dono de emissora de televisão na fila de cumprimentos da presidente da República, no dia da posse, é fato normal, corriqueiro? Não é, não! E um diretor de jornalismo, como é o caso de Douglas Tavolaro, no beija-mão? É coisa da qual a imprensa deva se orgulhar? Bem, é coisa da qual a Record certamente se orgulha, como se nota pelo tom quase apoteótico da narrativa. E convém, então, não confundir a imprensa com a emissora.

O conjunto da obra já seria heterodoxo o bastante não estivesse a cúpula da Record na, atenção!, fila dos dignitários estrangeiros. Não havendo onde enfiar Edir Macedo e seus homens de preto, houveram por bem considerá-lo chefe de estado - além de ser uma autoridade, muito à sua maneira, “eclesiástica”… Essa fila é organizada pelo Itamaraty, que nunca se engana nessas coisas. Macedo cochicha alguma coisa ao ouvido da presidente, que sorri. Um momento realmente lindo e doce da política, do jornalismo e até da diplomacia, que não mereceu o estranhamento dos meus colegas da imprensa. Parece que a missão de perguntar por que os jabutis estão em cima das árvores continua QUASE monopólio deste escriba.

A fila de cumprimentos das autoridades e convidados brasileiros se deu depois da posse dos ministros. Ali estavam os governadores de Estado e outras autoridades. Macedo teve, pois, lugar de honra. Está acima dessa gentalha toda. Isso mostra bem a gratidão de Dilma - e de Lula - à Record e ao teor de chapa-branquismo do jornalismo praticado pela emissora. Em qualquer outro país democrático, algo assim seria inconcebível; se ocorresse, seria um escândalo. Por aqui, parece tão normal quanto declarar que hoje é terça-feira.

Fatores antecedentes e o futuro
Macedo,vocês se lembram, divulgou uma carta em apoio a Dilma durante a campanha eleitoral, quando a opinião da então candidata, favorável à descriminação do aborto, começou a lhe causar problemas. Um apoio certamente de peso. O dito religioso faz em vídeo uma das defesas mais asquerosas do aborto de que tive notícia (
aqui). Ali, em meio a apelos de suposta cientificidade, ouvem-se coisas como: “O que é melhor? Um aborto ou uma criança vivendo num lixão?”. Ou ainda: “É preferível abortar do que ter a criança saudável, mas criando problemas para si, mendigando, comendo o pão que o diabo amassou e sendo nociva à sociedade”. São flagrantes da moral e da ética de um homem que, na posse, recebeu distinção que não foi reservada a nenhum outro brasileiro, o que obrigou ao cerimonial a lhe arrumar uma vaga entre as autoridades estrangeiras. Nunca antes na história destepaiz

Tanto a cúpula da Record como o governo sabem por que estavam lá os “homens de Deus”. Esse “espírito crítico” do beija-mão foi empregado pela Record na, por assim dizer, “cobertura jornalística” da campanha eleitoral. No ramo a que se dedicam todas as personagens envolvidas na história, é dando que se recebe. E é claro que não estou me referindo a São Francisco de Assis - não seria eu a misturar um santo com Edir Macedo.

Controle da mídia
Dilma não parece muito entusiasmada com o projeto de Franklin Martins de “controlar a mídia”. Há na proposta do ex-ministro da Supressão da Verdade muito de rancor pessoal, contra a Globo, e a presidente considera que não é o caso de comprar uma briga que não é sua. Há no governo - sim, no novo governo - quem ache que cooptar os cooptáveis é muito mais fácil do que censurar os independentes. Muitos petistas - a começar de José Dirceu! - estão empenhados em criar uma espécie de “imprensa-espelho”, que concorra com a imprensa séria, aquela ainda comprometida com os fatos e com a verdade,  que tem a independência como sua característica principal.

Intramuros, o Palácio considera que já tem no papo, hoje, ao menos três redes de televisão, além da simpatia explícita de uma quarta, uma revista semanal de alguma relevância, vários jornais e um sem-número de emissoras de rádio, cujo apoio foi conquistado com a chamada “pulverização” da verba publicitária oficial. Os comandantes dessas empresas, no entanto, não ousaram comparecer ao beija-mão. Macedo não precisa disfarçar. Ele é aquilo que é.

Aquela súcia que vive cobrando “controle social da mídia” em nome da “independência e da pluralidade” não vai protestar. Afinal, o bando considera que só se é verdadeiramente independente quando se está alinhado com o PT. Quem precisa de Franklin Martins? Há métodos mais eficientes do que o seu leninismo caipira.

Por Reinaldo Azevedo

Tenho a conexão 3G da Vivo e da Claro e estou numa região do país em que as duas operadoras asseguram que o serviço funciona. Falso! São empresas ruins para cumprir o compromisso com o usuário, mas boas para contratar advogados. O usuário assina um contrato que informa que ele pode navegar até um determinado limite - altíssimo, que lhe permitiria baixar “Guerra e Paz” em segundos.

Esta palavrinha de três letras - ATÉ - vira uma armadilha.  Caso a gente não consiga fazer o download de um haicai, não pode reclamar. Não só isso: o contrato também informa que, embora a cobertura seja nacional, o serviço pode estar indisponível. Em suma: você compra o serviço e leva uma banana.

Nessas horas, a petralhada não inova na falta de imaginação: “Ué, você não defendia a privatização?” DEFENDIA, NÃO! DEFENDO AINDA! Até de escolinha de jardim da infância. O setor teve um avanço formidável depois que deixou de ser controlado pelo estado, como todo mundo sabe. Por que era um horror antes? Porque o estado ESTAVA FAZENDO O QUE NÃO LHE CABIA: operar o sistema. No governo petista, o ESTADO NÃO ESTÁ FAZENDO O QUE LHE CABE: regular o sistema.

Toda a cascata antiprivatista do PT esconde a sua escandalosa irresponsabilidade na regulação. Quem se importa se as empresas estão vendendo serviços que não podem oferecer? Deveria ser a agência reguladora da área, a Anatel. Ocorre que ela se transformou em mais um aparelho cobiçado pela companheirada. E os usuários que se danem.

“Já abriu um procedimento na Anatel?” Não, eu não abri! Queria ser apenas um usuário do serviço 3G, não um profissional da reclamação. Por que a Anatel não pede que um de seus burocratas, pagos com o nosso dinheiro, leia o tal contrato? Preciso fazer uma denúncia para isso? O que aquela gente faz quando não está descansando?

O serviço existe. Tanto é que funciona de madrugada, quando não há tráfego, suponho. Quem manda essa brasileirada querer usar Internet tudo ao mesmo tempo, né?

Por Reinaldo Azevedo

Tensão no Planalto

Houve um momento pesado na primeira reunião de coordenação do governo Dilma ontem o Palácio do Planalto – que a foto oficial acima evidentemente não mostra. Foi quando Gilberto Carvalho defendeu a permanência na Conab de Silvio Porto, um diretor indicado pelo PT.

Carvalho alegou que Porto seria a pessoa que zelaria pela boa conduta moral na Conab. Temer, que no passado já indicou um presidente da Conab, o atual ministro da Agricultura, Wagner Rossi, imediatamente protestou. Disse que não podia aceitar afirmações como aquela. A turma do deixa-disso entrou em campo. Mas o mal-estar foi real.

Por Lauro Jardim

A insatisfação cresce

A propósito, em clima de cobranças e de tensão a cúpula do PMDB está reunida neste momento no apartamento de Michel Temer (o Palácio Jaburu, residência do vice, está em obras).

Por Lauro Jardim

Planalto digital

Após ter sido suspenso em outubro, foi reaberto ontem pela manhã um pregão eletrônico para comprar 30 televisores de LCD com conversor digital integrado para a Presidência da República. Serão dezessete aparelhos de 42 polegadas e outros treze, de 32 polegadas.

Responsável pela licitação, a Casa Civil estima gastar cerca de 82 000 reais com a compra dos aparelhos, que substituirão os antigos, obsoletos.

Por Lauro Jardim

Câmara acessível

A Câmara, enfim, dará um fim à polêmica sobre o acesso de deputados cadeirantes ao plenário. A Casa iniciou a licitação para a compra de uma plataforma elevatória a ser instalada no ano que vem. Espera gastar, no máximo, 50 025 reais.

Por Lauro Jardim

Câmara: eventos e viagens

A propósito, a Câmara também está comprando 10 000 sacolas e 5 000 canetas para a promoção de eventos. Lançou também um edital para a contratação de uma agência de viagens para atender às demandas dos parlamentares. Espera que o serviço não demande mais do que 2 100 340 reais por ano.

Por Lauro Jardim

Só dá Marcela

A presidente é mulher, o ministério tem oito mulheres, mas no twitter só dá a mulher de Michel Temer. Marcela Temer lidera neste momento o Trending Topics Brasil do Twitter.

Por Lauro Jardim

Xadrez petista no Senado 1

A bancada do PT no Senado se reunirá no dia 11 para discutir a eleição do próximo líder. Os cotados: Humberto Costa e Marta Suplicy. Na avaliação de senadores petistas, entretanto, a petista não é considerada favorita, pois também trabalha para ocupar a primeira vice-presidência da Casa ou a presidência da CAE.

Por Lauro Jardim

Xadrez petista no Senado 2

A propósito, os senadores eleitos pelo PT em outubro pretendem realizar um encontro com os demais partidos aliados no dia 26 a fim de debater a divisão dos cargos na Mesa Diretora e nas comissões temáticas do Senado.

Por Lauro Jardim
(do Radar político, do Estadão):

A nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda, disse nesta segunda-feira que sua gestão será de “continuidade e avanços” e se comprometeu a manter programas criados nos últimos anos, como os Pontos de Cultura e os projetos do Mais Cultura. “A minha gestão jamais será sinônimo de abandono do que foi ou do que está sendo feito. Não quero a casa arrumada pela metade, as coisas se desfazendo pelo caminho, a pintura deixada no cavalete por falta de tinta”.

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Suplicy samba com passistas durante cerimônia. Foto: André Dusek/AE

Dentro do auditório, com quase mil pessoas, mais música, tocada por uma bateria de escola de samba, que levou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) a cair no samba com um grupo de passistas.

A nova ministra disse que a ascensão social conquistada durante o governo do ex-presidente Lula tem que ser complementada pelo acesso à cultura e informação, na gestão da presidenta Dilma Rousseff. “É preciso ampliar a capacidade de consumo cultural dessa multidão de brasileiros que está ascendendo. Até aqui, essas pessoas têm consumido mais eletrodomésticos que cultura”, avaliou.

Com informações da Agência Brasil

 

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), mostrou na segunda-feira, 3, que além de cantar, também tem samba no pé. A cena ocorreu durante a cerimônia de transmissão de cargo de Juca Ferrira a Ana de Holanda no Ministério da Cultura, que teve como atração uma escola de samba. O senador começa a sambar a partir de 1’10″ de vídeo.

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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