Um mundo de pernas pro ar, por Reinaldo Azevedo

Publicado em 23/03/2011 10:04 466 exibições
no Blog Reinaldo Azevedo (Veja.com.br)


Não é difícil entender — de fato, torna-se mais fácil a cada dia — por que o Babalorixá de Banânia se tornou um líder muito apreciado mundo afora. Se a gente pudesse falar de uma safra de governantes, seria lícito afirmar que nunca antes na história deste mundo houve uma tão ruim como essa. A Europa é um deserto intelectual e, no caso da Itália e da França, também moral. A figura que se sobressai, para que se tenha uma idéia da miséria a que se chegou, é a insossa Angela Merkel, chanceler da Alemanha. Os Estados Unidos elegeram uma espécie de ensaio de marketing como presidente, e ele segue adiante, pisando nos astros distraído. Fez desmoronar a arquitetura americana para o Oriente Médio e nada tinha para pôr no lugar. Sejamos gratos a Ronald Reagan e a Mikhail Gorbatchev por terem ferido de morte o império soviético. Tivesse sobrevivido, com os adversários que aí estão, a burocracia comunista estaria pensando já em como cruzar o Atlântico a partir de… Lisboa! Santo Deus!

Obama, jamais se esqueçam disto, é aquele que se elegeu para emprestar um novo sentido moral ao Império Americano, e a plataforma dessa nova moralidade era justamente o Oriente Médio. A caca que ele anda fazendo por lá sobreviverá a muitas gerações. É esperar para ver. Ontem, deu-se o impensável. Hillary Clinton, como se fosse a Dona Maricota dos mísseis, anunciou o boato de que um dos filhos de Muamar Kadafi teria morrido. Mas alertou os jornalistas: não era uma notícia confirmada. Centenas de anônimos já morreram no país, vítimas da guerra civil. Não há um motivo particular para que o filho do tirano parta o nosso coração, certo?

Mas há uma medida nas coisas. Hillary é secretária de Estado do país que detém a maior máquina de guerra — e, se quiser, de paz — do planeta. Esse país está hoje no comando da operação. Isso supõe certo decoro. Kadafi ainda é o governante legal da Líbia para a esmagadora maioria dos países. No mínimo, deve-se exigir de alguém na sua posição que não propague o que não está confirmado. Ademais, se o coronel nunca foi um alvo, a área residencial foi bombardeada com que fim? O rapaz teria morrido nesse episódio? Em 1986, uma filha adotiva de ditador, então com 16 anos, morreu num ataque cirúrgico ao complexo residencial do governante em Trípoli. Hillary anunciou ainda outro boato: Kadafi já estaria em busca de um país que aceitasse recebê-lo.

Estão tentando fazer de um assassino um mártir??? Só pode ser!  A pressão contra a guerra já começa a ser ouvida aqui e ali. George W. Bush suportava que o odiassem. E Obama? Ele anuncia que o comando da operação passará, em breve, para a Otan. Vai adiantar pouco. Já é mais uma guerra dos EUA. A opinião pública tinha mesmo caído na conversa de que o objetivo era proteger civis e impor a zona de exclusão aérea. As imagens começam a se chocar com a justificativa oficial, ainda que a imprensa mundial seja esmagadoramente anti-Kadafi, muito especialmente a Al Jazeera. Os motivos alegados para o ataque das potências ocidentais começam a se transformar nas “armas de destruição em massa” da vez, agora sob a batuta de Obama.

Passado o controle para a Otan, como será? Um assessor do presidente americano já afirmou que “os rebeldes são civis” — logo, têm de ser protegidos. Qual é a tese? As forças de Kadafi não podem reagir a seu avanço, é isso? E avançam como? Rezando? Não! Atirando! O que isso quer dizer? “Que Kadafi tem de sair”, como diz Obama. Mas esse não é objetivo da intervenção, segundo a resolução. Tampouco é dar suporte a um movimento armado. E a razão é muito simples: a ONU, por meio da Otan, não pode ser uma força auxiliar de “civis” que lutam com fuzis, tanques e aviões… À margem, a tensão cresce no Iêmen, onde um “governo amigo dos EUA” se mostra disposto a passar fogo nos opositores — por enquanto desarmados — e  na Síria, onde um “governo inimigo” faz o mesmo. E aí? Se os EUA podem meter bala num governo que enfrenta um levante armado, o que têm de fazer com os que atiram contra pessoas indefesas?

Obama se meteu num atoleiro. E uma de suas auxiliares é Hillary Clinton, com a habilidade e a pertinência que se vêem acima. É pena o presidente americano não entender português. Teria como consolo ao menos as metáforas de Arnaldo Jabor, que descobriu as virtudes poéticas das bombas. Parece que Obama comanda o bombardeio agora só para que ele faça uma metáfora nova…

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:47

A CONSPIRAÇÃO DOS SÁBIOS

Abaixo, o leitor entra em contato com que a América Latina tem produzido de melhor em matéria de pensamento. Dois líderes exercitam a sua vocação visionária, demonstrando que têm preocupações que vão muito além do nosso pobre planetinha.

Ontem, como já comentamos aqui, Hugo Chávez especulou que o capitalismo andou devastando Marte. Vejam:.

Antes dele, Lula, o nosso Apedeuta, havia exercitado a sua vocação reformista em escala literalmente global.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:45

Levantamento constata desaceleração do PAC

Por Marta Salomon, no Estadão:
Nos 80 primeiros dias de governo Dilma Rousseff, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só se comprometeu a gastar 2,1% das despesas autorizadas por lei para 2011. Dono do maior orçamento do PAC, o Ministério das Cidades foi um dos que menos avançaram: 0,9% dos gastos autorizados foram objeto dos chamados empenhos, que correspondem ao primeiro passo no processo de gastos.

Parte da lentidão no ritmo dos investimentos se explica pelo volume de contas pendentes deixadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando Dilma Rousseff coordenava o PAC. Até segunda-feira, 99,8% dos pagamentos feitos do PAC eram contas deixadas por Lula. E ainda há por pagar uma conta quase seis vezes maior: R$ 28,2 bilhões, só do Programa de Aceleração do Crescimento. Os dados foram consultados no Siafi, sistema que registra os gastos da União, pela ONG Contas Abertas.

Até o dia 21, o governo havia se comprometido a gastar R$ 863 milhões dos R$ 40,1 bilhões de gastos autorizados no PAC em 2011. Os investimentos em geral foram o principal alvo do aperto nas contas públicas deste início de governo. Os gastos de custeio e com juros tiveram um ritmo mais acelerado do que no mesmo período do último ano de mandato de Lula.

Do volume total de investimentos autorizados no Orçamento - R$ 63,7 bilhões -, o governo se comprometeu a gastar R$ 1,3 bilhão. Até 21 de março, o Tesouro Nacional havia desembolsado R$ 6,6 bilhões para pagar investimentos feitos por Lula, e ainda restava uma conta de R$ 49,6 bilhões por pagar.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:43

Ex-aliado do petista Agnelo Queiroz, governador do DF, o acusa de caixa dois

Na FoLha:
Um ex-aliado do petista Agnelo Queiroz acusa o atual governador do Distrito Federal de fazer caixa 2 na campanha eleitoral de 2010. O jornalista José Seabra publicou em seu blog (noti bras.com.br) um texto afirmando que o “expediente espúrio” foi usado para o petista chegar ao cargo. Durante a campanha, Seabra editava um jornal pró-Agnelo, que atacava seu adversário Joaquim Roriz (PSC). O jornalista foi condenado pelo TRE-DF em ação que questionava abuso do poder econômico e uso indevido de veículos de comunicação.

Agora, Seabra afirma que Agnelo usou dinheiro de caixa 2 e distribuía pacotes de até R$ 50 mil para “negociar a participação de grupos de empresários na campanha”. “Também era dali que saia parte do dinheiro para pagar apoios.” Procurada às 19h53 de ontem, a assessoria de Agnelo negou as acusações. O advogado da campanha, Luis Alcoforado, rebateu a afirmação e disse que as contas “foram aprovadas sem ressalvas”.

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:41

Mais estado, menos sociedade - Planalto quer limitar poder das agências reguladoras

Por Andreza Matais e Ana Flor, na Folha:
O Planalto quer limitar a atuação das agências reguladoras por considerar que elas têm extrapolado seu poder de atuação ao formular políticas públicas, criando problemas para o Executivo. O governo decidiu que irá controlar esses cargos, nomeando diretores afinados com seu projeto, em vez de aceitar indicações políticas que o deixe nas mãos dos partidos. A avaliação feita pelo Palácio do Planalto é que as agências devem se limitar a fiscalizar e a regular seus setores de atuação, tarefa que, para o governo, elas não cumprem como deveriam. “Muitas vezes as agências confundem seu papel de órgão fiscalizador com o de formulador de política pública. A função de planejamento é do Executivo”, afirma o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais).

Nesse sentido, o governo vai apoiar a discussão de um projeto que cria uma lei geral das agências, encaminhado na gestão Lula ao Congresso, e que limita o poder dos órgãos a regular e fiscalizar. O projeto, que já foi discutido nas comissões da Câmara, está pronto para ser votado no plenário. Um exemplo ocorre na Anatel. As empresas de telefonia se queixam que a agência quer definir metas de universalização do serviço, medida que, avaliam, deveria caber ao Ministério das Comunicações. O governo avalia que, ao perder o foco da fiscalização, as agências não conseguem evitar problemas como apagões de energia ou serviços ruins prestados por aeroportos, empresas de telefonia e de transporte público, entre outros. Relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) que analisou as  contas do governo no ano passado revelou que algumas agências arrecadaram menos  de 2% das multas aplicadas entre 2005 a 2009.Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:39

BC prepara medidas para restringir crédito

Por Eduardo Cucolo, na Folha:
O Banco Central sinalizou que o governo deve adotar novas medidas para obrigar os bancos a reduzirem o ritmo de expansão do crédito, um dos principais combustíveis do crescimento da economia e da inflação. A expansão atual de 20% dos empréstimos está acima do que o BC “gostaria de ver”, algo entre 10% e 15% ao ano, segundo o presidente do BC, Alexandre Tombini. A forte entrada de dólares no país, que preocupa o setor exportador, é vista pelo BC como um dos fatores que alimentam essa “expansão preocupante” do crédito, já que significa injeção de recursos na economia. Durante audiência no Senado, Tombini afirmou que já entraram no país quase US$ 34 bilhões, 40% além do verificado em todo o ano de 2010, valor que não foi integralmente retirado do mercado pelas intervenções do BC.

É para conter esses “excessos e distorções”, segundo o BC, que o governo vem adotando desde dezembro medidas como restrições ao crédito, além de dois aumentos na taxa básica de juros. Tombini disse que essas medidas, e outras que virão, ainda não foram totalmente sentidas, mas serão suficientes para reduzir a inflação nos próximos meses. O presidente do BC foi questionado sobre a pesquisa Datafolha publicada ontem. O levantamento revela que 41% da população acha que a inflação vai aumentar, e 42% acham que ela continuará alta como está.

“Tem de ter tranquilidade. Há defasagem no que se faz aqui. É sangue frio, é fazer mais para chegar com a inflação na meta em um futuro próximo”, disse Tombini. Ele afirmou que a inflação não subiu só por conta do preço dos alimentos. Há um “descompasso” entre oferta e demanda no país, que gera pressões inflacionárias. Tombini deu como exemplo o uso da capacidade produtiva, que se encontra estável, porém em patamar elevado. Há também falta de mão de obra em vários setores e reajustes salariais acima da inflação e dos ganhos de produtividade, o que “adiciona pressão sobre preços”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:37

Analistas reduzem confiança em ajuste fiscal do governo

Por Gustavo Patu, na Folha:
Ao invés de aumentar, a confiança de analistas e investidores no cumprimento das metas do ajuste fiscal prometido pelo governo Dilma Rousseff caiu após o anúncio do bloqueio de R$ 50 bilhões em despesas programadas para este ano. O dado consta da pesquisa permanente feita pelo Banco Central a respeito das expectativas de bancos, empresas de consultoria e outros setores para os resultados da economia. As projeções para as contas públicas, porém, não fazem parte dos resultados apresentados semanalmente ao público. Pressionada pelas perspectivas de alta da inflação, a equipe econômica divulgou na segunda semana de fevereiro a dimensão do corte a ser promovido no Orçamento. No entanto, só no final do mês passado o governo conseguiu detalhar a medida.

Entre um ato e outro, a tentativa de impressionar o mercado teve efeito inverso: esperava-se, desde o final da campanha eleitoral de 2010, que os governos federal, estaduais e municipais conseguissem poupar o equivalente a 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB, ou a soma de bens e serviços da economia); agora, a previsão é de 2,7%. Trata-se de uma diferença de R$ 4 bilhões, o suficiente para manter a Câmara dos Deputados por um ano. Mais relevante que o valor, no entanto, é a dificuldade da administração petista em recuperar a credibilidade da política fiscal.

As projeções dos especialistas já estavam abaixo da meta fixada para 2011, um superavit primário -diferença entre a arrecadação e as despesas com pessoal, custeio administrativo, programas sociais e investimentos- de 2,9% do PIB. Expectativas para os gastos públicos influenciam as projeções sobre a inflação, que por sua vez influenciam as decisões imediatas dos empresários sobre os preços cobrados pelas mercadorias e serviços. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:35

Marina cria grupo para “democratizar” PV, mas não descarta fundar nova sigla

Por Roldão Arruda, no Estadão:
Dois dias após o prefeito Gilberto Kassab ter anunciado a criação de seu PSD, um expressivo grupo de parlamentares e líderes do PV, entre eles a ex-senadora Marina Silva, decidiu pôr na rua um movimento destinado a mobilizar as bases verdes para cobrar a democratização do partido. Eles querem a realização de uma convenção nacional, no prazo de seis meses, e a convocação de eleições diretas para a escolha de novos dirigentes. A médio prazo, se a ação não funcionar, não se descarta a hipótese de o movimento, denominado Transição Democrática, desaguar no surgimento de um novo partido.

O primeiro ato político do grupo está programado para amanhã. Líderes de diferentes regiões do País devem se reunir em São Paulo para o lançamento de um manifesto com as teses do movimento. Segundo um dos organizadores, o presidente do diretório paulista, Maurício Brusadin, ontem já estava confirmada a presença de sete deputados federais - o equivalente a metade da bancada verde.

Marina Silva, terceira colocada na eleição presidencial do ano passado com 19,6 milhões de votos, é aguardada na reunião, mas até ontem seus assessores diziam que ainda tinha com problemas de agenda. A ex-senadora terá um papel importante na segunda missão da Transição Democrática, que é a organização de debates políticos com militantes verdes e simpatizantes por todo o País. Os primeiros devem acontecer no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul.

Reviravolta. A meta do grupo é a renovação do partido. Quando Marina Silva desembarcou no PV, em 2010, ficou combinado que seriam realizadas no primeiro semestre deste ano a convenção nacional e a eleição do diretório nacional. Isso valeu até quinta-feira, quando a direção do partido se reuniu em sua sede, no Lago Sul, em Brasília.

Acatando proposição do deputado Zequinha Sarney (MA), a maioria dos participantes daquele encontro votou pelo adiamento da convenção até 2012. Graças a isso, o atual presidente, o também deputado José Luiz Penna (SP), ganhou mais um ano de mandato - o 13.º. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:33

STF deve adiar lei da Ficha Limpa para 2012

Por Felipe Recondo e Mariângela Gallucci, no Estadão:
O Supremo Tribunal Federal volta a julgar hoje a Lei da Ficha Limpa sob a expectativa de que derrube seus efeitos nas eleições de 2010. Por ter sido aprovada em ano eleitoral, a tendência, na Corte, é de que a maioria dos ministros, incluindo o novo integrante do tribunal, Luiz Fux, conclua que a lei só pode vigorar a partir das eleições de 2012. Se confirmada a decisão, candidatos eleitos barrados pela lei poderão tomar posse.

Dentre esses beneficiados estão Jader Barbalho (PMDB-PA), barrado por ter renunciado ao mandato em 2001 para fugir do processo de cassação, mais o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), cassado por abuso do poder econômico, e João Capiberibe (PSB-AP), senador cassado em 2004 por compra de votos. Todos tiveram votos suficientes para se elegerem para o Senado, mas foram impedidos de tomar posse pela Justiça Eleitoral.

Os candidatos que assumiram essas vagas, no caso, perdem os mandatos. Na Câmara, com a alteração do coeficiente eleitoral, deputados que hoje estão exercendo mandato deverão também perder suas vagas. Todo esse processo, adiantam os ministros, deverá gerar confusão.

O “caminho mais fácil”, como definiu um ministro, será apenas dizer que a legislação não poderia ser aplicada no ano passado. Assim, os diversos pontos polêmicos da lei ficarão à espera de um futuro e incerto julgamento do Supremo. Isso deverá acontecer apenas no ano que vem, quando candidatos a vereador e prefeito forem barrados com base na lei e recorrerem novamente ao STF. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/03/2011

 às 6:31

Livro de Sarney ”maquia” escândalos

Por Leandro Colon, no Estadão:
A biografia autorizada do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), lançada ontem em Brasília, contém erros de informação e omite dados sobre a crise que atingiu a Casa e o próprio senador em 2009. Escrito pela jornalista Regina Echeverria, Sarney, a Biografia aborda o escândalo sob a ótica do parlamentar, que na obra se diz vítima de perseguição política.

O livro exalta a contratação da Fundação Getúlio Vargas, a pedido de Sarney, para fazer uma reforma administrativa no Senado. Mas deixa de informar o valor pago - R$ 500 mil em dois anos - e o fato de que a reforma não saiu do papel. Em outro trecho, a autora escreve que Sarney “determinou” a demissão de todos os 136 diretores da Casa, sem citar que elas não se efetivaram.

A biografia também menciona uma decisão do senador de anular todos os atos secretos, revelados pelo Estado em 10 de junho de 2009, sem citar que, logo depois, a diretoria-geral revalidou esses boletins, inclusive os que tratavam de apadrinhados de Sarney. Ainda sobre esse episódio, ao elencar os pedidos de processo contra o senador, a obra afirma que “o Conselho de Ética estava politizado e não era isento”. Quando comenta a censura imposta pela Justiça ao Estado, há 600 dias proibido de noticiar investigação da Polícia Federal sobre o empresário Fernando Sarney, a biografia diz que o senador nunca defendeu esse tipo de iniciativa. “José Sarney, que é contra a censura e nunca a exerceu em sua vida pública, credita a ação contra o jornal aos advogados do filho Fernando.”

No livro, Sarney acusa o ex-senador e hoje governador Tião Viana (PT-AC) de entregar ao Estado um dossiê com informações contra ele. Esse dossiê nunca foi entregue ao jornal. Nas reportagens sobre o período, o Estado também revelou, como desdobramento das investigações, que Viana usou dinheiro público para quitar uma conta de R$ 14 mil de telefone celular da Casa em poder de sua filha. As reportagens sobre Sarney e outros senadores foram feitas com base em documentos sigilosos e públicos obtidos por meio de investigações próprias dos repórteres.

O livro atribui à FGV a descoberta dos atos secretos e diz que a entidade fez um “levantamento preliminar” desses boletins. A fundação nunca teve acesso a esses documentos: a FGV soube que algumas medidas não eram divulgadas pela Casa, mas não a quantidade de atos nem do que eles tratavam. Na época, o Estado descobriu que os atos começaram a ser inseridos no sistema de publicação interna para que fossem legalizados secretamente. A reportagem soube da manobra, identificou mais de 300 atos no sistema e revelou, com exclusividade, o conteúdo deles.

Em 2010, a Justiça transformou servidores em réus num processo sobre os atos secretos - incluindo o ex-diretor Agaciel Maia, que foi ao lançamento da biografia. O livro não menciona esse fato e diz que o senador prometeu “punição severa” aos funcionários. Sarney aplicou uma suspensão a Agaciel, contrariando parecer da sindicância que recomendava demissão.

Fundação. Ao falar sobre a Fundação José Sarney, a obra não menciona auditoria da Controladoria-Geral da União que confirmou fraudes no patrocínio de R$ 1,3 milhão da Petrobrás. A auditoria foi feita após o Estado revelar desvio de R$ 500 mil. A reportagem não é citada no livro, nem o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU) ter aberto processo para investigar a fundação. Na biografia, a autora escreve que “Sarney enumerou e justificou cada uma das acusações de nepotismo”. O senador, no entanto, nunca explicou a exoneração de um neto via ato secreto para que não fosse descoberto seu emprego no gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 21:31

Está nas mãos do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, permitir ou não a consolidação de um crime contra a ciência

Atenção!

Um crime contra a ciência, contra a pesquisa, contra a eficiência, contra a inteligência - escolham aí palavras desse paradigma - está prestes a ser consolidado; cometido já foi. A reportagem do Estadão que segue abaixo, publicada no jornal de hoje, dá conta do absurdo e, quem sabe?, da solução. Mas isso vai depender da coragem e da autonomia do ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:

Por José Maria Tomazela, no Estadão:
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, adiou para amanhã a decisão sobre a crise causada pela extinção do núcleo de Gestão Territorial Estratégica (GTE) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Campinas. Como havia prometido, o ministro reuniu-se ontem durante uma hora e meia, com o presidente da Embrapa, Pedro Antonio Arraes Pereira, mas não anunciou nenhuma decisão tomada no encontro. Através da assessoria de imprensa, informou que ainda vai se pronunciar sobre a questão.

O desmanche do núcleo de gestão territorial estratégica foi decidido pelo atual diretor do Centro de Monitoramento por Satélite (CMS), Mateus Batistella. A unidade prestava serviços diferenciados para os Ministérios da Agricultura, do Planejamento, órgãos da Presidência da República e organizações da sociedade. O desmonte foi denunciado em artigo do jornalista Rodrigo Lara Mesquita, publicado no Estado na edição do dia 15. Apesar de ter destituído sem aviso prévio, o supervisor do GTE, Cláudio Spadotto, e sua equipe de pesquisadores, Batistella garantiu que os serviços continuarão sendo prestados. O novo regimento interno do CMS, no entanto, divulgado na última sexta-feira, não faz qualquer menção ao GTE.

Usuários
As notícias sobre o fim do núcleo de gestão territorial estratégica deixaram apreensivos os usuários e tomadores dos serviços. As reações de órgãos do próprio governo e da comunidade de pesquisa levaram o ministro a avocar o caso, prometendo uma solução. O ex-governador de Santa Catarina, senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), levou o caso ao Senado. Em pronunciamento, ele defendeu a equipe da Embrapa dispensada por Batistella e cobrou providências do ministro.

Voltei
O que está em curso é um escândalo. Não conheço ninguém — NINGUÉM QUER DIZER “NINGUÉM” — que ponha em dúvida a excelência técnica do GTE. O órgão tem sido essencial tanto aos órgãos públicos quanto à iniciativa privada, que trabalham com seus dados. Por que a extinção pura e simples do serviço, ainda que se tente dizer o contrário?

Há caroço nesse angu, e nós vamos chegar ao fundo dessa história. Ô se vamos!!!

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 21:07

Chávez quer dar aula de geografia no Brasil!

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deve estar se candidatando a professor de geografia de uma de nossas escolas. Em tempo: os bons geógrafos não protestem, sim? Eu os estou defendendo de alguns colegas que, em vez de ministrar a disciplina, entregam-se ao proselitismo mais rombudo e a escatologias vagabundas.

Num discurso em homenagem do Dia Mundial da Água, que se comemora hoje, o Beiçola de Caracas afirmou:
“Eu sempre digo, e ouço, que não seria estranho se tivesse existido uma civilização em Marte, mas talvez o capitalismo tenha chegado lá, o imperialismo chegou e acabou com o planeta”.
E avançou:
“Cuidado! Aqui no planeta Terra, onde centenas de anos atrás, ou menos, havia grandes florestas, agora há desertos. Onde havia rios, há desertos”.

O fim de boa parte dos tiranos é a loucura!

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 20:39

Uma boa notícia para a oposição: Kátia Abreu é a nova líder da minoria no Congresso

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) é a nova líder da minoria no Congresso — as sessões em que as duas Casas, Câmara e Senado, deliberam conjuntamente. Kátia falará em nome do PSDB, do DEM e do PPS. “Quero ser a representante de quem produz, de quem trabalha, de quem paga impostos; são essas pessoas que fazem o país avançar”. Por que digo que é uma “boa notícia” para a oposição?

Tenho, é evidente, afinidades ideológicas com algumas das causas que ela representa. Mas não é só por isso, não! Até seus adversários admitem uma coisa óbvia: Kátia é trabalhadora. Costumo dizer que a oposição estaria muito mais presente no dia a dia da política e dos brasileiros se todos os parlamentares da minoria tivessem a metade da sua disposição para o trabalho.

Além de presidir a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Kátia é titular da Comissão de Educação e Meio Ambiente e da de Constituição e Justiça. Vai integrar ainda a de Mudanças Climáticas.

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 20:12

Vocês e o bom senso ganharam! Prêmio Jabuti mudou! Agora, livro do ano tem de ser o vencedor na sua categoria, como sempre se defendeu aqui!

Bem, chega ao fim uma patacoada; acaba o elogio da irracionalidade. O Prêmio Jabuti mudou. Além de laurear algumas novas categorias, decidiu-se que os livros do ano de Ficção e de Não-Ficção só poderão ser escolhidos entre os vencedores de cada categoria! Não parece razoável? Não parece óbvio? Todos sabemos, no entanto, quanta desqualificação e xingamento isso custou, não é? Ainda ontem escrevi a respeito. Faltou pouco para que os puxa-sacos de Chico Buarque evocassem a cólera dos deuses olímpicos em defesa de sua musa!

Se vocês entrarem no site da Câmara Brasileira do Livro, que promove a premiação, verão que se tenta dar um jeito de esconder a mudança, mas está lá: a partir de agora, haverá apenas UM vencedor em cada categoria e pronto! Entre esses vencedores, escolhem-se os respectivos livros do ano (ficção e não-ficção),CONFORME ESTE BLOG SEMPRE DEFENDEU, CERTO? E olhem que não há nada de tão exótico nisso, não é? Como é mesmo? A principal função de Tio Rei na imprensa brasileira é revelar o óbvio!

E agora? O que os espadachins da reputação alheia vão dizer?

Fui bonzinho com Chico Buarque. Não serei mais! Se esse critério, que é tão elementar, vigorasse nas outras jornadas, ele não teria recebido três Jabutis, mas apenas um. Em 2004, “Budapeste” ficou em 3º lugar na categoria “Romance”; em 2010, “Leite Derramado” ficou em 2º.

É o caso de dizer: “CHICO, DEVOLVA DOIS JABUTIS!

Quem fica mesmo com o “Mico do Ano”?
Em sua retrospectiva de fim de ano, o caderno “Prosa e Verso”, de O Globo, conferiu o “Mico do Ano” a Sérgio Machado, o presidente do grupo Record, que se retirou do Prêmio Jabuti justamente porque defendia essa mudança. Acho que é o caso de o “Prosa e Verso” cassar a concessão e outorgar o prêmio a si mesmo, dividindo a láurea com Luiz Schwarcz, o dono da Companhia das Letras, que ficou a um passo de chamar  até o João Pedro Stedile para defender o indefensável.

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 19:45

A volta de Tarso Genro, o poeta de mão cheia!

Dois posts abaixo, o agora governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça, o petista Tarso Genro, aparece atacando o STF, acusando o tribunal de manter no país um “preso político”. Trata-se de uma fala absurda, irresponsável mesmo, vinda de quem vem: o chefe do Executivo de um estado. Pior: assacou contra a dignidade de nossa corte suprema em palestra no Ministério Público do Rio Grande do Sul. Também está insatisfeito com a imprensa — só a do “centro”, ele deixa claro. Pergunta: no Rio Grande do Sul, o jornalismo sempre aplaude Tarso Genro ou ele só aceita críticas dos nativos de seu “país”???

Quem está falando? O ex-ministro que decidiu se comportar, descaradamente, como corte revisora da Justiça italiana, num caso que deve ser inédito na história da relação entre países. Atacou a democracia italiana duas vezes: a) quando afirmou que Battisti foi condenado num período em que o país vivia uma espécie de regime de exceção, o que é mentira; b) quando afirmou que a Itália de hoje não poderia oferecer segurança ao criminoso.

Numa decisão estupidamente histórica, Tarso decidiu demonstrar supostas falhas no processo que acabou resultando na condenação do terrorista à prisão perpétua. Cumpre lembrar que o chororô de Battisti, que comoveu Tarso, não fez o menor sucesso da Corte Européia de Direitos Humanos — que não é exatamente formada por falcões da direita…

Tarso diz que instruiu o representante do Ministério da Justiça a votar contra Battisti no Conare só para que ele pudesse rever a decisão. É mesmo? Diz ter feito isso para preservar o Conare. Se é verdade, pode tê-lo feito também apenas pelo gosto de afrontá-lo, certo?

Esse é Tarso Genros! Não se pode esperar nada muito melhor de quem escreve um livro chamado “Lênin - Coração e Mente”. Conheci muitos leninistas vida afora. Há alguns por aí até hoje. Mesmo os admiradores mais contumazes do líder soviético jamais se atreveram a dizer que ele tinha um coração! Tarso se confundiu. Era o intestino.

Quanto à imprensa do “centro”, que ele repudia, com seus “especialistas”, que ele ironiza, dizer o quê? Huuummm… Tarso também gostava de dar uma ciscadinhas fora de sua área. Já enveredou pela poesia, por exemplo. Mostrando-se um poeta de mão cheia,,mandou ver:

“Quanto te esperei e quanto sêmen
inútil derramei até o momento”

Num momento, assim, Gabriel Chalita, evocou memórias menos pegajosas:

“A vovó Cacilda parecia uma patinha
e a vovó Julica elétrica e risonha
conversava com lagartos”

Que coisa! O netinho da Julica conversa com dinossauros!

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 19:17

Cuidado, imprensa gaúcha! Tarso agora só lê a prata da casa! Não faça por merecer essa exclusividade!

No seu ataque boçal contra a imprensa “do centro” (ver abaixo), o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), dá a entender que só lê a imprensa gaúcha. Espero que os coleguinhas do estado NÃO FAÇAM POR MERECERessa deferência. Não sei se fui claro. E tenho mais a dizer sobre as considerações deste senhor.

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 19:10

Acabou o remédio de Tarso Genro, governador do RS? Mandem comprar com urgência!

Não sei o que Tarso Genro andava tomando, que o deixava mais mansinho. Seja lá o que for, acabou, e esqueceram de comprar. E aí ele desandou a falar uma língua estranha. Leiam o que vai abaixo, especialmente  que está em negrito. Volto no próximo post.

Tarso Genro chama Battisti de ‘prisioneiro político do STF’

Por Graciliano Ramos, na Folha Online:
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) por manter preso italiano Cesare Battisti, apesar da decisão do ex-presidente Lula de rejeitar o pedido de extradição do terrorista feito pela Itália. Ex-ministro da Justiça de Lula, Tarso concedeu a Battisti a condição de refugiado político, contrariando decisão, por 3 votos a 2, do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), em 2009.

“O Brasil tem um prisioneiro político, e esse prisioneiro é do Supremo Tribunal Federal, que mantém preso um cidadão que recebeu refúgio do governo brasileiro”, criticou o governador, ao proferir palestra em evento do Ministério Público do Rio Grande do Sul. No último dia de seu mandato, Lula rejeitou o pedido de extradição feito pela Itália - onde Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos nos anos 70, quando atuava na organização terrorista Proletários Armados pelo Comunismo. Battisti nega os crimes e se diz vítima de perseguição política do Estado italiano.

Ainda na palestra, o governador afirmou que o tribunal ignorou a lei no caso Battisti ao não interromper o processo de extradição após a concessão do refúgio em 2009 e, mais tarde, ao não libertá-lo após a decisão presidencial de rejeitar o pedido italiano. Na sua versão sobre os bastidores do caso, Tarso conta que estimulou seu então auxiliar, Luiz Paulo Barreto, a votar contra Battisti, para que depois ele, Tarso, concedesse o refúgio negado. O petista diz que fez isso como forma de preservar o comitê.

“O Conare seria severamente massacrado pela mídia se concedesse o refúgio. Então quis avocar para mim esse desgaste, enfrentei de maneira bem fundamentada e não me arrependo”, disse. No final do discurso, Tarso atacou a mídia. Segundo ele. a imprensa trata de maneira “irresponsável” e “semeia infâmias” sobre o caso Battisti, sem dar espaço à contestação.

“Os colunistas entendem de tudo, de direito, de economia, de política, de Constituição, mas não podem ser contestados no mesmo espaço. Estou me referindo particularmente à imprensa do centro do país, que eu, felizmente, neste momento, não estou obrigado a ler todos os dias”, ironizou.

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2011

 às 18:43

No estúdio de TV, de rifle na mão, em defesa de Kadafi

Um apresentador de TV estatal da Líbia apareceu no ar portando um rifle, dizendo-se pronto para, a qualquer momento, defender o país. E pergunta: “Quem no mundo distribuiria armas a seu povo se não confiasse nele?”, sugerindo que rifles como aquele estão sendo entregues à população. Muamar Kadafi prometeu armar um milhão de pessoas. “Digam-me um homem ou um presidente em todo o mundo que armaria a população civil se ela não fosse leal a seu líder”. Em nome de Deus, promete sacrificar em defesa do coronel a “última gota de sangue, o último bebê, a última criança” . Diz que ninguém pode tocar no líder e que ele é superior a seus adversários.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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