Abaixo, você lerá o testemunho de um assassino frio, convicto, metódico e apaixonado pela morte

Publicado em 20/05/2011 07:46 642 exibições

Cuidado, leitor! Abaixo, você lerá o testemunho de um assassino frio, convicto, metódico e apaixonado pela morte. Depois, você poderá até assistir a seu testemunho. E isso é só o começo

Queridos, um daqueles textos longos. Mas façam um esforço. Eles nos diz muito do passado. Mas também do presente. Leiam este relato de um assassino contando como se comportou a sua vítima.

“Eu, atrás [do banco do carro] com um fuzil Mauser 762, que é um fuzil muito bom para execução, de muita precisão. E quando ele [a vítima] chega na esquina da alameda Casa Branca, ele tinha de parar porque tinha uns dois carro (sic) na frente (…). Ele teve que parar. Quando ele parou, eu tava no banco de trás do carro e falei ‘Vou dar um tiro nele’. Peguei o fuzil, o companheiro que tava na frente, no Fusca, baixou a cabeça e já dei um primeiro tiro de fuzil. Não acertei de cheio porque eu sou destro; eu atiro nessa posição [ele mostra a maneira; notem o verbo no presente], como eu tava atrás, no Fusca, eu tive que inverter e atirei assim, então pegou aqui, de cabeça, no occipital dele, mas já começou a sangrar. Ele abre a porta do carro e sai do carro. Nós saímos. Só o motorista que não sai porque o motorista tem que ficar ali, assegurando a fuga. Saímos eu e outro companheiro. Ele sai com a metralhadora, eu saio com o fuzil. Ele [a vítima] saiu correndo em direção à feira, o companheiro metralhando ele, e eu acertando com dois, três, quatro [tiros], acertei três tiros nas costas dele, e o companheiro, com a metralhadora, acertou vários. Aí, de repente, ele caiu; quando ele caiu, eu me aproximei, e, com a última bala, a gente (sic) sempre dá o último tiro de misericórdia, que é para saber que a ação realmente foi cumprida até o fim.

O que é isso? Algumas considerações prévias. Depois volto ao testemunho do herói que fala acima.

Exibi ontem um vídeo em que o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a Natalie Lamour do Congresso — que salta de um reality show para subestrelado —, afirma que o povo é ignorante demais para opinar sobre certos temas, especialmente quando sua opinião não coincide com a de Wyllys. Não obstante, o ex-BBB, que chegou à Câmara com uma merreca de votos, tendo Chico Alencar (PSOL-RJ) como o seu Tiririca, está sendo saudado aqui e ali como um verdadeiro pensador progressista. A palavra “povão” num texto de FHC, retirada do contexto e distorcida pelo mau-caratismo, gerou uma onda de protestos. Já a afirmação do deputado faz dele um pensador de respeito. Afinal, ele abraça uma causa considerada “do bem”. Em nome do “bem”, no Brasil, podem-se cometer os piores crimes. Pode-se, inclusive, pregar o desrespeito à democracia, tese que já começa a ser influente em certas áreas da imprensa. Sigamos.

O SBT exibe um lixo chamado “Amor e Revolução”, uma novela feita pela emissora de Silvio Bolinha de Papel Santos, aquele que quebrou um banco e saiu incólume, sem dever um tostão. Está pagando sua dívida política com o governo dia após dia, contando a história da luta armada segundo a ótica da esquerda. Assisti a dois capítulos. O didatismo bucéfalo do texto e o desempenho melancólico dos atores, tudo amarrado numa direção primária, transformam o que pretende ser um drama com muito sangue — “revolucionário” — numa comédia involuntária. Silvio Santos trocou “A Semana do Presidente”, programa com que puxou o saco de sucessivos governos, por “O Passado da Presidenta”. O resultado não poderia ser pior.

Ao fim de cada capítulo, ex-revolucionários prestam um depoimento, contando a sua história. José Dirceu já esteve lá. Aguarda-se, um dia, o testemunho da própria Dilma. Com uns 20 no Ibope, talvez ela parecesse; como a novela se arrasta entre 4 e 6 pontos, não sei, não… O autor, Tiago Santiago, já apelou até a um beijo lésbico para ver se o ibope se mexia. Nada! Ele promete outro beijo lésbico. Ainda acaba exibindo cenas de sexo explícito dos bonobos… Ai só restará sortear cartelas da Tele-Sena…

Uma das pessoas que deram seu testemunho sobre o período é um homem chamado Carlos Eugênio da Paz. Ele foi chefão da ALN (Ação Libertadora Nacional), um dos grupos terroristas mais ativos e violentos do período, comandada por Carlos Marighella.

No vídeo abaixo, de onde extraí o depoimento que abre este texto, Carlos Eugênio conta, com riqueza de detalhes, como assassinou o empresário Henning Albert Boilesen (1916-1971), então presidente do grupo Ultra, que era acusado de organizar a arrecadação de dinheiro entre empresários para financiar a Operação Banderiantes (Oban), que combatia os terroristas de esquerda. Notem bem: não estou fazendo juízo de valor neste momento. Deixo qualquer questão ideológica de lado. Peço que vocês avaliem com que desenvoltura, precisão e até entusiasmo Carlos Eugênio fala da morte. Assistam ao vídeo. Volto em seguida.

Voltei
O que mais impressiona na fala deste senhor é que ele, com todas as letras, justifica a violência que era cometida, naquele período, pelo estado, que prendeu e matou pessoas ao arrepio das leis do próprio regime militar. Carlos Eugênio deixa claro que ele próprio fazia o mesmo. Leiam este outro trecho:
“Um Tribunal Revolucionário da Ação Libertadora Nacional do qual eu fiz parte, um grupo de dez ou 12 pessoas decidiu que, se a pessoa faz parte da guerra e está do outro lado, ele merece ser executado”.

E aí se segue aquela narrativa macabra. Não há a menor sombra de arrependimento, constrangimento, pudor. Boilesen, para Carlos Eugênio, era alguém que merecia morrer — e, como se nota, com requintes de crueldade. Os torturadores do período pensavam o mesmo sobre as esquerdas. A diferença é que eles foram parar na lata de lixo da história — o que é muito bom. Já o senhor que fala acima é tido, ainda hoje, como um homem muito corajoso e um gênio militar. Atenção: sem jamais ter sido preso ou torturado, assassino confesso, Carlos Eugênio é um dos anistiados da tal Comissão de Anistia. Isso quer dizer que ainda teve direito a uma indenização, reconhecida numa das caravanas lideradas por Tarso Genro, em 13 de agosto de 2009.

Observem que quando fala sobre o modo como atira, o homem põe o verbo no presente. Parece que ainda é um apaixonado pelo fuzil Mauser, que, segundo ele, é um “fuzil muito bom para execução”. Evidenciando que nada entende da ética da guerra, mas sabe tudo sobre a morte,  afirma:
Quando ele [Boilesen] caiu, eu me aproximei, e, com a última bala, a gente (sic) sempre dá o último tiro de misericórdia, que é para saber que a ação realmente foi cumprida até o fim.”
Percebam:
“A gente sempre dá [verbo no presente] o último tiro…” Atenção! Tiro de misericórdia, como o nome diz, é aquele disparado para encerrar o sofrimento da vítima, mesmo inimiga,  não para “saber se a missão foi realmente cumprida”. É asqueroso!

O “anistiado” e indenizado Carlos Eugênio deixa claro que ele era apenas a outra face perversa da tortura. Leiam:
Em tempo de exceção, você tem tribunal de exceção. Eles não tinham o deles lá, que condenava a gente à morte, informalmente? A gente nunca condenou ninguém à morte informalmente. Nós deixamos um panfleto no local dizendo por que ele tinha sido condenado à morte, o que é que ele fazia…”
Viram? Para ele, um tribunal da ALN nada tinha de “informal”! Reconhece, ao menos, que era de exceção. Aí está o retrato da democracia que teriam construído se tivessem vencido a guerra. Com esse humanismo, com essa coragem, com essa ética.

Mais um assassinato
Foi seu único crime? Não! Ele já confessou num texto que tem sangue pingando das mãos — sem arrependimento. Aquele era o seu trabalho. O “Tribuna Revolucionário” de  Carlos Eugênio também matava companheiros. No dia 19 de novembro de 2008. Augusto Nunes narrou, no Jornal do Brasil, um outro assassinato cometido pelo valentão. A vítima era Mário Leite de Toledo, membro da cúpula da ALN. Reproduzo um trecho:

“Márcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Aliança Libertadora Nacional para fazer um curso de guerrilha. Ao voltar em 1970, tornou-se um dos cinco integrantes da Coordenação Nacional da ALN. Com 19 anos, lá estava Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Em outubro, durante uma reunião clandestina, os generais garotões souberam da morte de Joaquim Câmara Ferreira, que em novembro do ano anterior substituíra o chefe supremo Carlos Marighela, assassinado numa rua de São Paulo. Márcio propôs uma pausa na guerra antes que fossem todos exterminados.
Já desconfiado de Márcio - não era a primeira vez que divergia dos companheiros - Carlos Eugênio convenceu o restante da cúpula de que o dissidente estava prestes a traí-los e entregar à polícia o muito que sabia. Montou o tribunal que aprovou a condenação à morte e ajudou a executar a sentença no fim da tarde de dia 23 de março de 1971, no centro de São Paulo. Antes de sair para o encontro com a morte, o jovem que iria morrer escreveu que “nada o impediria de continuar combatendo”. Não imaginava que seria impedido por oito tiros.
O assassino quase sessentão admite que o crime foi um erro, mas não se arrepende do que fez. Na guerra, essas coisas acontecem, explica o justiceiro impiedoso. Depois do crime, ele se tornou muito respeitado pelos companheiros, que o conheciam pelo codinome: Clemente.”

Carlos Eugênio, acreditem, responde a Augusto, nestes termos:
“A lembrança dessa época, para mim, é lembrança de uma luta que não me arrependo de ter travado. Era uma luta armada, era dura, precisamos todos, humanistas que éramos, aviltar nossas entranhas, nosso sentimentos, nossas convicções. (…)Tenho sangue em minhas mãos? É claro que tenho. Não era pra lutar? Não era pra fazer uma guerra de guerrilhas? Dá para medir quem estava mais certo? Todos estávamos errados, pois fomos todos derrotados. (…)Mas não se esqueçam também que o sangue que escorre de minhas mãos escorre das mãos de todos aqueles que um dia escolheram o caminho das armas para libertar um povo. E que defenderam a luta armada, mesmo sem ter dado nenhum tiro (…)

Numa coisa, ao menos, ele está certo, não é? Se a pessoa integrou um bando armado, que matava, traz sangue nas mãos, ainda que não tenha dado um tiro…

Retomo
Vocês conhecem alguém mais “clemente” do que Carlos Eugênio? Não é a primeira vez que a gente assiste a um vídeo em que os terroristas de esquerda justificam os métodos que eram empregados pelos torturadores e paramilitares, deixando claro que faziam e fariam o mesmo, evidenciando que compartilhavam a mesma lógica perversa. Já exibi aqui o filme em que Franklin Martins — aquele — e seus amigos deixam claro que teriam, sim, matado o embaixador americano Chales Elbrick se o governo  militar não tivesse cedido às exigências dos seqüestradores. E o fez dando gargalhadas e justificando a decisão.

Carlos Eugênio escreveu um livro chamado “Viagem á Luta Armada”, publicado em 1997. Sabem quem fez um prefácio elogioso e quase emocionado? Franklin Martins!

Marighella, o ídolo de Carlos Eugênio, escreveu até um Minimanual da Guerrilha Urbana. Lá está escrito:
“Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra a vergonhosa ditadura militar e suas atrocidades.”

E mais adiante:
“Esta é a razão pela qual o guerrilheiro urbano utiliza a luta e pela qual continua concentrando sua atividade no extermínio físico dos agentes da repressão, e a dedicar 24 horas do dia à expropriação dos exploradores da população.
(…)
A razão para a existência do guerrilheiro urbano, a condição básica para a qual atua e sobrevive é a de atirar. O guerrilheiro urbano tem que saber disparar bem porque é requerido por este tipo de combate.
Tiro e pontaria são água e ar de um guerrilheiro urbano. Sua perfeição na arte de atirar o fazem um tipo especial de guerrilheiro urbano - ou seja, um franco-atirador, uma categoria de combatente solitário indispensável em ações isoladas. O franco-atirador sabe como atirar, a pouca distância ou a longa distância e suas armas são apropriadas para qualquer tipo de disparo.

O sobrenome de Carlos Eugênio é “da Paz”. E seu codinome no terrorismo era “Clemente”.  Essa é a paz dos clementes. Nada mais a acrescentar neste post.

Por Reinaldo Azevedo

Escrevi ontem aqui, não foi? Quem torra quase R$ 7milhões num apartamentinho tem muito mais do que isso. Pois é… Catia Seabra, da Folha, descobriu que a empresa de Antônio Palocci faturou R$ 20 milhões só no último ano de governo Lula. Uau! Opa! Em parte desse último ano, ele já era um dos coordenadores de campanha da candidatura que era apontada como favorita. A empresa de Palocci administra agora dois imóveis seus. Deve ter criado uma outra para cuidar da fortuna que está em dinheiro… Ele é, afinal, um milionário.

Leiam trecho da reportagem:
A empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República. Segundo duas pessoas que examinaram números da empresa e foram ouvidas pela Folha, o desempenho do ano passado representou um salto significativo para a consultoria, que faturou pouco mais de R$ 160 mil no ano de sua fundação, 2006.

Batizada como Projeto, a empresa de consultoria de Palocci foi aberta em julho de 2006 e transformada numa administradora de imóveis no fim de 2010, dias antes da posse do novo governo. A Folha revelou no domingo que a Projeto comprou um apartamento de R$ 6,6 milhões no ano passado e um escritório de R$ 882 mil em 2009. Os dois imóveis ficam em São Paulo, perto da avenida Paulista, uma das áreas mais valorizadas da cidade.

As aquisições ajudaram Palocci a multiplicar por 20 seu patrimônio. Ao registrar sua candidatura a deputado em 2006, ele declarou à Justiça Eleitoral a propriedade de bens avaliados em R$ 356 mil, em valores corrigidos. Palocci afirmou nesta semana que adquiriu os dois imóveis com recursos que sua consultoria obteve nos anos em que ele exerceu o mandato de deputado federal. O faturamento de 2010 é suficiente para comprar três apartamentos iguais ao que ele adquiriu no fim do ano. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Rubens Valente, Andreza Matais e José Ernesto Credendio, na Folha:
O grupo WTorre, que fechou negócios com fundos de pensão de estatais e com a Petrobras, foi um dos clientes da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. A empreiteira também fez doações de campanha a Palocci (R$ 119 mil), em 2006, e a Dilma Rousseff (R$ 2 milhões), no ano passado. A WTorre fechou negócios com os fundos e com a Petrobras entre 2006 e 2010, quando o hoje ministro da Casa Civil era deputado federal pelo PT (2007-2010) e sua empresa, a Projeto, estava ativa como consultoria.

Esses negócios são avaliados em R$ 1,3 bilhão -com Petrobras e os fundos de pensão Funcef (Caixa) e Previ (Banco do Brasil). O grupo WTorre diz manter ativos de R$ 4 bilhões em 200 projetos. Em nota, a WTorre informou que “confirma ter contratado a Projeto para prestar consultoria num assunto corporativo, a respeito do qual a empresa se reserva o direito de não comentar”. A construtora, que pertencente a Walter Torre Júnior, não revela quanto pagou. Também em nota, a assessoria da Projeto disse que seus contratos têm “cláusula de confidencialidade que não lhe permitem revelar os nomes dos seus clientes”.

PETROBRAS 
Em fevereiro de 2010, a empresa vendeu o complexo WTorre Nações Unidas, numa das regiões mais caras de São Paulo, à Previ. Pouco antes, em 17 de dezembro de 2009, uma das controladas da WTorre celebrou acordo para alugar parte do Centro Empresarial Senado, no Rio, ainda em projeto, à Petrobras, um negócio de R$ 650 milhões. O complexo abrigará escritórios da petroleira.

A empresa também comunicou em seu balanço de 2009 que tentava renegociar uma dívida de curto prazo, de R$ 250 milhões, com o Banco do Nordeste. A empresa e o banco não dizem se a renegociação foi concluída. Em outro negócio, a companhia repassou ao Funcef e à Engevix Engenharia R$ 410 milhões em ações do estaleiro Rio Grande (RS). A WTorre também é responsável pela obra do estádio do Palmeiras e figura na composição da controladora da concessionária que administra o trecho paulista da rodovia BR-153. No segundo caso, ela pediu à Agência Nacional de Transportes Terrestres sua saída. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Vannildo Mendes e Tânia Monteiro, no Estadão:
Por meio de uma nota do Ministério da Fazenda e de declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governo da presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) não tem informações sobre operações financeiras do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

A nota, que contesta a reportagem publicada ontem pelo Estado, informa que não foi feita nenhuma notificação à Polícia Federal sobre negócios suspeitos da empresa de Palocci, a Projeto.

O Estado mantém e sustenta as informações publicadas. A reportagem investigou as operações financeiras e imobiliárias do ex-ministro e confirmou, em conversa gravada com uma fonte do primeiro escalão da equipe econômica, na quarta-feira, que o Conselho fez um comunicado à Policia Federal sobre uma movimentação financeira “atípica” envolvendo a Projeto do ministro Palocci e uma empresa do setor imobiliário - em 2009 e 2010, Palocci adquiriu dois imóveis em São Paulo, em transações que, somadas, chegam a quase R$ 7,5 milhões.

A fonte deixou claro, na conversa gravada com o Estado, que a empresa investigada pela PF não era a de Palocci. Mas também foi explícita ao dizer que a notificação do Coaf, feita há cerca de seis meses, envolvia movimentação financeira entre a Projeto e a empresa sob investigação. “Quando a gente encontra essa ligação, a gente fornece a informação que a gente tem para a polícia”, afirmou a fonte, no diálogo gravado pela reportagem. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Fausto Macedo e Leandro Colon, no Estadão:
No centro da primeira turbulência política do governo, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, decidiu enviar um esclarecimento espontâneo à Procuradoria-Geral da República (PGR) para justificar as atividades econômicas da sua empresa, a Projeto Consultoria Financeira e Econômica Ltda., e o alto volume de recursos que recebeu no fim de 2010, após a eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República. O ministro foi o principal coordenador da campanha da petista.

No documento, que deve ser enviado hoje à PGR, Palocci informa que trabalhou para pelo menos 20 empresas, incluindo bancos, montadoras e indústrias, e que boa parte dos pagamentos foi concentrada entre novembro e dezembro do ano passado quando anunciou aos clientes que não mais atuaria no ramo de consultoria. Na ocasião, segundo a justificativa do ministro, pelo menos 70% dos serviços de consultoria e análises de mercado já estavam concluídos, o que explicaria o pagamento nesse período.

O faturamento milionário no fim do ano serviu para ajudar a comprar o apartamento de R$ 6,6 milhões num bairro nobre de São Paulo, cuja aquisição foi concluída em novembro.

Somente uma dessas empresas que contratou a Projeto, segundo fonte próxima ao ministro, fatura cerca de R$ 350 milhões por mês. Palocci se nega a divulgar o nome de seus antigos clientes, sob a alegação de que respeita cláusulas de confidencialidade e também mantém sob sigilo o valor faturado.

Palocci alterou o objeto social da empresa do ramo de consultoria para o de administração imobiliária em 29 de dezembro de 2010, dias antes da posse de Dilma Rousseff.

A turbulência política vivida pelo ministro nos últimos dias se deve a questionamentos sobre o aumento significativo de seu patrimônio.

Investigação. A PGR é o único órgão com prerrogativa para investigar um ministro de Estado. Além de tentar explicar os recursos recebidos após a eleição, Palocci quis também se antecipar a um eventual pedido de informações do procurador-geral, Roberto Gurgel, que foi provocado pela oposição a investigar o enriquecimento do ministro em 20 vezes, num período de apenas quatro anos. Em declarações recentes à imprensa, o procurador-geral adotou um discurso cauteloso, mas afirmou que o caso merece um “olhar cuidadoso”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Vera Rosa e Tânia Monteiro, no Estadão:
O governo avalia que a crise envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, vai se prolongar e reforçará a estratégia de blindagem de seu mais importante articulador político. Em conversas ao longo do dia, no Palácio da Alvorada, a presidente Dilma Rousseff cobrou explicações sobre as denúncias contra Palocci e determinou o contra-ataque.

Pelo script traçado, nenhuma denúncia deve ficar sem resposta e tanto os ministros como a cúpula do PT precisam mostrar “assertividade” na defesa do chefe da Casa Civil. Ao receber para o almoço o presidente do PT, Rui Falcão, Palocci e o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, Dilma adotou a máxima do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Recomendou “sangue-frio e nervos de aço” para reagir às acusações, pois, no seu diagnóstico, há uma campanha de “difamação” contra Palocci.

Lula ligou para o ministro no domingo e ontem, manifestando apoio a ele. O ex-presidente também tem conversado com Dilma por telefone. Falcão negou que o caso Palocci tenha sido tratado no almoço, mas defendeu o chefe da Casa Civil. “Palocci é um ministro acima de qualquer suspeita. Não há fator de preocupação no governo”, disse ele. Deputado estadual, o presidente do PT fez coro com a linha geral adotada até aqui pelos aliados. “Ele já deu todas as explicações necessárias.”

Com Palocci alvejado, o descontentamento do PT com a composição do segundo escalão não foi o principal prato do almoço no Alvorada. “Não trato de varejo. Quero construir uma interlocução política com a presidente e estamos dando suporte ao governo”, afirmou Falcão.

Apesar da aparência de tranquilidade, o clima no governo é tenso. Dilma passou o dia reunida com auxiliares, no Alvorada, pedindo esclarecimentos sobre cada denúncia publicada contra Palocci. O chefe da Casa Civil acompanhou a maioria dos encontros, munido de vários documentos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Mariana Mandelli, no Estadão:

O senhor é a favor da intensificação do controle de pessoas e carros na universidade?
Sabemos que, mais especificamente durante o dia, não há controle da entrada de pessoas, de carros, de nada. Qualquer um entra e faz o que quiser - existe a mística de um território livre. Temos o lugar ideal para o cometimento de qualquer tipo de crime. O ideal seria, no entanto, que a atividade preventiva não ficasse restrita às portas. A fronteira não é cercada, é porosa. Policiar os portões 1, 2 e 3 quase de nada resolve.

Como o senhor encara a resistência à presença da polícia?
O lógico seria que a população em geral e a comunidade da USP imaginassem que lá dentro (do câmpus) se é suscetível a verificações policiais preventivas como fora. Ou até mais, tendo em vista o grande número de pessoas que temos ali - muitos menores de idade. Dos 11 mil que ingressam todo ano, é enorme a quantidade dos que têm 17 anos. Precisa haver um mínimo controle. Quanto à ojeriza de certos grupos - ojeriza esta de que sabemos a razão, embora não concorde porque os tempos são outros -, não se trata de dar aval para a polícia fazer o que quiser. Acredito que deve haver um chamado à Polícia Militar, com base na comunidade da USP, dizendo que o policiamento preventivo é bem-vindo e necessário. Isso junto de outras medidas que estão sendo tomadas, como a questão da iluminação - a licitação já está pronta. Também deve haver melhoria das comunidades do entorno. No momento em que elas melhorarem, melhoram também a universidade e a cidade de São Paulo. Há meses trabalhamos nesses projetos.

O senhor é a favor da presença da polícia mo câmpus?
Sim. Mas, como reitor, não tenho competência para fazer esse chamado sem que haja embasamento da comunidade e dos colegiados da USP. Não posso fazer simplesmente porque penso. Por isso, fiz um pedido para uma reunião amanhã (hoje) da comissão do câmpus, que fez solicitações - mas para médio prazo. Só que a questão é urgentíssima. Já morreu gente e outros morrerão. Nossa guarda não tem poder de polícia, não é armada, não amedronta. Pode ser aumentada o quanto for.

Por Reinaldo Azevedo

No Estadão:
O jornalista e ativista político venezuelano Wilfred Iván Ojeda Peralta, de 56 anos, foi morto com dois tiros na cabeça. Segundo autoridades, seu corpo foi encontrado na cidade de La Victoria, na terça-feira. Colunista de um diário local e militante do partido Ação Democrática, de oposição ao presidente Hugo Chávez, ele estava amarrado, amordaçado e encapuzado. A polícia trabalha com a hipótese de execução motivada por vingança.

De acordo com o delegado Alvis Pinto, “as investigações estão bem adiantadas e contam com elementos suficientes para descartar (um eventual) roubo”. Em declarações ao jornal El Aragueño, ele explicou que vários objetos de valor, “como um relógio caro e um anel de ouro” foram encontrados com Ojeda e retificou a informação de que o jornalista teria levado apenas um tiro na cabeça.

O El Universal informou que a investigação do caso tenta descobrir quem seriam os inimigos de Ojeda, que assinava uma coluna de opinião no jornal El Clarín, de La Victoria, e havia desaparecido na segunda-feira. Segundo o diário onde o colunista trabalhava, o corpo apresentava sinais de tortura.

A polícia acredita que ele foi executado próximo do terreno baldio onde o corpo foi encontrado. Sua caminhonete havia sido abandonada. Uma filha de Ojeda contou que ele não aparentava “estar preocupado ou sob pressão” antes de desaparecer, segundo o jornal El Periodiquito. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Palocci deve ter guardado um bom dinheiro do tempo em que era consultor. Com o salário de ministro, é certamente impossível pagar condomínio e IPTU de seu apartamentão. Juntos, no decorrer de um ano, devem comer bem uns cinco ou seis salários seus. E como pagar o leitinho das crianças?

Por Reinaldo Azevedo

Quem faz um eloqüente silêncio sobre o caso Palocci? José Dirceu! Em seu site, publicou um postezinho mixuruca, copiado do seu partido, em que alguns petistas atestam a excelência e honradez do ministro-chefe da Casa Civil. Dirceu, ele próprio, prefere não dizer nada! Vai ver não quer dar espaço para a concorrência, já que os dois atuavam no ramo da consultoria…

Por Reinaldo Azevedo

Perguntei ontem aqui se Antonio Palocci pagava ISS, já que sua “consultoria” é uma empresa de serviços. Em São Paulo, é de 5%. O valor recolhido num mês poderia indicar o faturamento — se é que houve recolhimento. Pois é… A minha pauta era tão boa que, segundo o Estadão, Palocci apelou a Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, para que nenhum dado sobre o ISS vaze dos “escalões inferiores”. Talvez não vaze… Isso é especialidade de petistas, como sabe… Palocci!

O ministro que teve acesso ao extrato de Francenildo, obtido ilegalmente, apelar a um prefeito para que tente impedir o vazamento do valor de um pagamento de imposto é mesmo uma ironia. Imaginem se fosse um ministro tucano…Leiam o que informa o Estadão:

Ministro pede a Kassab que preserve sigilo fiscal da Projeto

Por Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

Para evitar qualquer tipo de quebra ilegal do sigilo fiscal de sua empresa, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, acionou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O petista quer evitar que integrantes de escalões inferiores da administração municipal vazem informações sobre a Projeto Administração de Imóveis, que até o ano passado funcionou como empresa de consultoria.

Um interlocutor do ministro telefonou para Kassab na quarta-feira, 18, para alertar sobre rumores de que adversários do ministro estavam trabalhando para conseguir os valores de tributos municipais recolhidos por sua empresa entre 2006 e 2010, período em que Palocci disse ter prestado consultoria a clientes através da Projeto. A revelação, por exemplo, de quanto o ministro recolheu do Imposto Sobre Serviço (ISS), cuja alíquota é de 5% em São Paulo, poderia indicar o faturamento da Projeto, informação que Palocci tem guardado a sete chaves.

Ao recorrer a Kassab, o Palácio do Planalto mostra que conta com seu apoio na crise vivida pelo ministro da Casa Civil após a revelação de que aumentou seu patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos. Ao deixar o DEM para fundar o PSD, o prefeito de São Paulo tem sinalizado uma aproximação com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na conversa com os interlocutores de Palocci, Kassab mandou o recado de que, se depender dele, não haverá vazamento de dados sigilosos de sua empresa que estão ao alcance da Prefeitura. Kassab escalou assessores para acompanhar o caso.

A aliados, Palocci tem debitado a origem da crise a possíveis divergências políticas dentro do seu próprio partido, o PT. Teme que petistas usem a influência conquistada em escalões inferiores na gestão de Marta Suplicy para conseguir informações sigilosas de sua empresa. Palocci também avalia que políticos do PSDB, de olho em desgastá-lo, atuem para obter dados fiscais da Projeto.

Por Reinaldo Azevedo

No post anterior, vocês lêem trecho de reportagem da Veja Online em que o caseiro Francenildo faz uma pergunta sobre o caso Palocci: “Por que ele não explicou de onde veio o dinheiro? Eu tive de explicar”.

Com uma pergunta muito simples e uma constatação, esse rapaz desconstrói, mais uma vez, Antonio Palocci. É isto: por que o coitado teve de explicar tudinho, e o nababo não precisa explicar coisa nenhuma?

O fato é que o ressurgimento de Palocci no noticiário, não exatamente nas páginas do jornalismo de exaltação, lembra-nos a barbaridade que foi o caso Francenildo, não é mesmo? Um homem pobre, simples, que pertence àquele tal “povão” tão exaltado por Lula, quase foi esmagado pela soma das máquinas do estado e do partido oficial.  Teve seus direitos constitucinais violados. Pecado: ele tinha R$ 39 mil na conta e era alguém que testemunhara que o então poderosíssimo ministro da Fazenda freqüentava uma casa de pecados, também os políticos, em Brasília.

O caseiro, de fato, derrubou o ministro — que, como se vê, não ficou na chuva. Eleito logo depois, montou a sua “consultoria” e juntou a fortuna à fama. O que teve seus direitos constitucionais violados vai receber, não havendo protelação, R$ 500 mil de indenização. O então ministro que bisbilhotou a sua conta ganhou uma bolada como consultor, tanto que torrou R$ 7,5 milhões em dois imóveis.

Não é luta de classes no molde marxista exatamente. Estamos diante de um troço diferente. Os petistas formam a nova aristocracia brasileira. Como se sabe, por laços de parentesco e simpatias partidárias, ela tem direito até a passaportes diplomáticos.

Ah, sim: a jornalista que “bateu o fio” para o então ministro sobre a grana do caseiro, Helena Chagas, é a chefona da área de comunicação do governo. Exerceu o mesmo papel na campanha de Dilma. Por indicação de Palocci.

Desta feita, o algoz de Palocci, tudo indica, não é um caseiro, mas um “companheiro”. Quem? A esta altura, o ministro já conhece o preço do bom comportamento com quem o tem na mira. Francenildo se danou apenas porque contou o que viu. Não havia pedido nada em troca.

Por Reinaldo Azevedo

Há perguntas que já trazem em si a resposta, não é? Leiam o que informa Mirella D’Elia, na Veja Online. Volto em seguida:

Assim que pisou em casa, na quente manhã desta quinta-feira, Francenildo dos Santos Costa, de 28 anos, correu para pegar no colo a pequena Amanda, 3 meses. “Meu patrimônio são meus filhos, eles são a minha riqueza”, diz, semblante de felicidade, referindo-se, também ao mais velho, Thiago, de 11 anos. Fora a chegada da caçula, pouca coisa mudou desde que o então caseiro teve o sigilo bancário quebrado ilegalmente, em 2006. O episódio derrubou Antonio Palocci do Ministério da Fazenda, no governo Lula.

Enquanto Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio em quatro anos, o piauiense diz ter como único bem - além dos filhos - um lote na cidade de Nazário, a 25 quilômetros de Teresina, onde nasceu. O terreno, comprado por 2.500 reais, hoje vale cerca de 8.000. Cinco anos depois, Francenildo continua morando de aluguel em São Sebastião, a cerca de 30 quilômetros do Congresso Nacional. Caseiro não é há tempos. Vive de bicos como jardineiro e ganha pouco mais de 1.000 reais por mês. Diz que parou de pagar 60 reais por mês ao INSS para comprar fraldas.

“Por que ele não explicou de onde veio o dinheiro? Na minha época eu tive que explicar”, disse ao site de VEJA, indagado sobre o que achava do salto patrimonial do ministro da Casa Civil. Aqui

Voltei
Muitos tenderiam a responder a Francenildo: “É porque você é pobre, e ele é rico”. Trata-se de uma explicação velha e incompleta. Muitos ricos já se deram mal na política e quebraram a cara por, digamos, ações até mais modestas do que Palocci.

A resposta é esta, Francenildo: “É porque Palocci é petista, e você não é”.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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