Vejam que momento lindo: Dilma, os “estrangeiros” e a imprensa unidos contra o Brasil que produz

Publicado em 07/06/2011 19:05 e atualizado em 08/06/2011 12:22 1050 exibições
do blog de Reinaldo Azevedo (veja.com.br)

Vejam que momento lindo: Dilma, os “estrangeiros” e a imprensa unidos contra o Brasil que produz

Há um texto na Folha Online que é retrato destes dias. Ele segue em vermelho. Comento em azul.

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que não pretende dar permissão para ações de desmatamentos no Código Florestal que tramita no Senado. Em evento no Palácio do Planalto, Dilma disse que não permitirá “uma volta atrás”.

“Nós não negociamos nem tergiversamos sobre a questão do desmatamento [...]. Nós não permitiremos que haja uma volta atrás na roda da história”, disse durante o lançamento da Comissão e do Comitê Nacional de Organização da conferência Rio+20.
Já está negociando. O Caso Palocci corrói a reputação do governo. Quanto mais ele se mexe para salvá-lo, pior; quanto mais se evidencia o desespero de causa, sem um bom argumento para não demiti-lo, mais as coisas se enrolam. A acusação de “desmatamento” virou uma tábua de salvação. Com ele, Dilma pretende reconquistar o apoio dos “progressistas”. Mais um pouco, e Palocci vem a público defender a natureza!

A platéia, composta em sua maioria por estrangeiros, aplaudiu Dilma de pé após o seu recado aos ruralistas.
Certo! Lá estava aquele monte de estrangeiros da platéia interessados no desenvolvimento do Brasil! É surrealista! Entre os que aplaudiam, não havia um só que pudesse se orgulhar de algo como “Área de Preservação Permanente” em seu próprio país; não havia um só que pudesse dizer: “Ah, nós, a exemplo do Brasil, preservamos quase 70% da cobertura vegetal nativa…” Notem que a reportagem da Folha chama a fala de Dilma de “recado aos ruralistas”, que são as pessoas más da fábula. A repórter que redigiu o texto também entende que os ruralistas querem desmatar, e o governo e aqueles estrangeiros, preservar!

Em almoço com senadores do PMDB, na semana passada, ela já havia sinalizado que poderá vetar o artigo que concede anistia a desmatadores, aprovado pela Câmara. No encontro, ela pediu o apoio dos senadores para a discussão de um texto que una ambientalistas e ruralistas.
Inexiste artigo que concede “anistia a desmatadores”. Isso é uma invenção de Marina Silva, repetida bovinamente pelos jornalistas.

O governo quer alterar no Senado 11 pontos da reforma do Código Florestal, aprovada no mês passado pela Câmara. Fazem parte da lista a anistia irrestrita aos desmatadores, o ressarcimento dos serviços agrícolas, a participação dos Estados na regularização ambiental. O Palácio do Planalto também quer ampliar os benefícios para a agricultura familiar.
A “anistia aos desmatadores” do outro parágrafo se transformou em “anistia irrestrita”aos desmatadores”. Tentam ganhar a disputa no berro e na mentira.

Por Reinaldo Azevedo

Morre outra vez o ministro que não deveria ter renascido

Não deu para Antonio Palocci. A sua situação era indefensável. Ele começou a cair de verdade quando o PT lhe negou apoio. Sem violar o Regimento da Câmara, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), não conseguiria cancelar a convocação aprovada pela Comissão de Agricultura. Agora ex-ministro, as coisas mudam de figura. Este bloguinho afirmou na manhã de hoje que a decisão do Procurador-Geral da República, que arquivou os pedidos de investigação contra o ministro, tenderia a piorar a sua situação; seria contraproducente, ainda que tenha sido uma operação casada (falarei mais a respeito depois). Criava-se uma espécie de monstro inimputável na República. A oposição estava prestes a conseguir as 27 assinaturas para aprovar o requerimento de uma CPI. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) vai substituí-lo. Falo a respeito no próximo post.

O poderosíssimo chefe da Casa Civil cai por seus próprios méritos. Não foi a oposição que jogou uma casca de banana no seu caminho. O mais provável é que tenha sido alvejado por descontentes do próprio PT. Mas que se note: não foi por um boato, por algo que lhe é apenas atribuído. Ele pode ser hoje o homem mais fiscalmente correto da República, como quer o procurador-geral. Mas como explicar o seu patrimônio? Não tem explicação.

A queda demonstra que uma reserva de escrúpulo ainda há no país. Os petistas podem muito, sim, mas não podem tudo. Nem a aura de Grande Reserva da Racionalidade que protegia Palocci e que o fez renascer nas cinzas (da política; financeiramente, ele preparava a sua independência e a dos descendentes…) foi suficiente para segurá-lo desta vez. Luiz Inácio Apedeuta da Silva ainda ensaiou comandar a resistência, tentando impor a Dilma o que nem ele próprio conseguiu. Foi inútil.

O PT, como deixou claro a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que vai substituí-lo, sabe até justificar o mensalão, mas não tem como explicar o enriquecimento pessoal na proporção em que Palocci enriqueceu. O país não sabia de sua consultoria — e, como se nota, os petistas também não! Fazer lambança para construir o partido, tudo bem! Para o benefício puramente privado? Ah, isso ofende a honra dos patriotas.

Morre uma segunda vez o político que não deveria ter renascido. Já escrevi aqui tantas vezes e repeti ontem no programa Roda Viva: de todos os crimes cometidos pelo petismo, aquele em que se meteu Palocci no passado — a quebra do sigilo do caseiro Francenildo — foi o mais grave. Tratou-se de uma agressão à Constituição. Mesmo assim, o processo político brasileiro, bastante doente, soube “perdoá-lo”. Ele continuou a ser o queridinho do empresariado, do mercado financeiro, de Lula e até das oposições…

É claro que se trata de um desgaste para o governo Dilma, mas muito pior seria, no médio prazo, a permanência de Palocci. Ela minava a autoridade da presidente. A esperança, agora, é que esse caso morra e que o governo passe a tratar de outros assuntos. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

O Brasil não pode perder a segunda chance de punir um reincidente irrecuperável

Cumpriu-se o rito inaugurado por  José Dirceu e reprisado por Erenice Guerra: em menos de seis anos, Antonio Palocci tornou-se o  terceiro chefe da Casa Civil que, transformado em caso de polícia, não foi demitido: pediu para sair, como se pudesse ficar. Assim tem sido desde o começo da Era Lula, quando deixaram de existir pecados do lado de baixo do equador. Oficialmente, todos se vão do Planalto porque querem. Na cerimônia do adeus, todos os culpados se declaram vítimas de tramas políticas forjadas pela oposição e, enquanto espreitam a próxima oportunidade de desfrutar do poder, seguem jurando que são inocentes.

Despejado do Planalto em 2006 por ter estuprado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci voltou há cinco meses sobraçando a sentença do Supremo Tribunal Federal que o absolveu, em agosto de 2009, “por falta de provas”. Hoje, na carta em que “solicitou seu afastamento do governo” à presidente Dilma Rousseff, lembrou que a sentença absolutória já foi expedida na véspera da queda pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Segundo a nota divulgada pela Casa Civil, “o ministro considera que a robusta manifestação do Procurador Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta”.

Se é assim, saiu por quê? Porque “considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento”. Mas não recusará outro convite para prestar serviços à pátria, poderia ter acrescentado o texto. Enquanto aguarda o chamado do próximo governo do PT, prestará serviços aos clientes que sabe proteger com a evocação da “cláusula de confidencialidade”. No paraíso dos criminosos impunes, a morte política só ocorre com a morte física.

Palocci foi uma escolha de Lula e Dilma. Ambos conheciam o prontuário do companheiro. Sabiam que o novo chefe da Casa Civil mentiu ao garantir que nunca frequentou o escritório-bordel em Brasília e mentiu ao jurar que não estuprou a conta bancária do caseiro. Desde a descoberta do milagre da multiplicação do patrimônio, o padrinho e a afilhada sabem que Palocci mente. Avalizaram por 20 dias a farsa que paralisou a administração federal. Quem endossa mentiras é mentiroso também.

Para impedir que a dupla logo se atreva a lamentar a perda do Pelé da Economia, Lula e Dilma precisam aprender que afrontaram o país ao contemplarem um meliante com a segunda chance. Palocci perdeu o emprego de novo porque milhões de brasileiros que pensam não engolem bandalheiras escancaradas. Uma terceira chance seria um insulto intolerável até para os padrões da Era da Mediocridade. A crise provocada por Palocci será abrandada pela remoção do tumor instalado no coração do poder. O caso Palocci ainda está em seu começo.

O país  faz questão de saber a verdade. Exige que sejam conhecidos os clientes aos quais o consultor de araque serviu, as tarefas que executou e os preços que cobrou. Pouco importa o parecer esperto do procurador-geral. A oposição deve insistir na convocação do agora ex-ministro.  A polícia e a Justiça devem cumprir seu dever. Em 2009, o STF livrou do castigo o estuprador de sigilo bancário que já enriquecia como traficante de influência. O Brasil não pode perder a segunda chance de punir um reincidente irrecuperável.

(por Augusto Nunes)

Palocci já era! Sabem o que vai acontecer agora com o governo? Nada! Eis o problema

Antonio Palocci, o todo-poderoso — o preferido do empresariado, dos mercados, de amplos setores da imprensa e, como todos sabemos, da oposição —, caiu! E sabem o que vai acontecer hoje? Nada! Palocci já era um mito velho, que estava vivendo a fase da engorda, pessoal e de patrimônio. Não encarnava mais a garantia de coisa nenhuma — de competência muito menos, é bom que se destaque. Consta que pretende viajar com a família e fazer dieta. Não lhe faltam recursos para a primeira decisão, e a segunda, nota-se, é uma escolha sábia. Daqui a pouquinho, as mesas começam a operar. Um e outro, para usar a imagem de um amigo do mercado financeiro, vão chacoalhar a macieira com especulação para pegar alguns frutos. Mas vai voltar tudo ao normal.

Se, no primeiro governo Lula, Palocci era a garantia de que o PT não viraria a mesa — muita gente levava o “PT socialista a sério” (eu nunca; acho o partido autoritário; “socialista”, no sentido que nos ensina a história, não) —, no governo Dilma, era a encarnação da racionalidade e da experiência — já que ninguém apostava muito no traquejo político dela. E  com razão. Mas não mais do que isso.

“Virar a mesa” hoje ninguém vai. Até porque os petistas têm sólidos interesses enraizados também no mercado financeiro, por intermédio dos bilionários fundos de pensão das estatais. Ninguém precisa de um “garantidor”. E que se note: o “Palocci amigo da economia de mercado” derivou para um ser teratológico esquisito, de sorte que ele havia se tornado um “ministro de mercado”, o que é coisa bem distinta e, obviamente, condenável. Um chefe da Casa Civil que não pode divulgar sua “lista de clientes” em razão da “cláusula de confidencialidade” está no lugar errado, certo? Não por acaso, com malícia, o vice-presidente da República, o peemedebista Michel Temer, destacou a  fidelidade do petista… aos clientes! No primeiro mandato de Lula, os que temiam o PT radical apreciavam muito no ministro o que era tido, de fato, como convicção — era mesmo alguém convertido às virtudes da economia de mercado. Com o tempo, o ministro passou a ser visto como um facilitador de negócios.

A economia não precisa mais daquela garantia que ele representava no passado. Na Casa Civil, além da coordenação política, exercia o tal papel do “gerenciamento” dos programas do governo — este que Gleisi Hoffmann diz que fará de modo exclusivo. Eis, então, o problema: o governo não parou por causa do escândalo que atropelou Palocci; já estava parado. Até março, a imprensa, com editorais e tudo, não se cansava de elogiar os silêncios de Dilma, coisa que ironizo aqui desde janeiro. Tinha-se a impressão de que ela se sagraria a primeira governante notável por tudo o que não dizia. Seu mutismo era eloqüente. Parecia música aos ouvidos. É que ninguém agüentava mais o ogro buliçoso, o Shrek animadão, a falar sempre pelos cotovelos, cantando as próprias glórias, violando a lógica, o bom senso, o decoro e o bom gosto.

Ali por abril a ficha começou a cair. Não existia ainda um governo Dilma, e não havia indícios de que pudesse haver. A crise que envolve Palocci tem três semanas, mas o não-governo Dilma já conta com quase seis meses. É claro que não dá para fazer um balanço das obras realizadas, mas já dá para saber se as coisas vão andar. E começa a se formar um consenso de que viveremos numa mediocridade pastosa. A marquetagem continua a todo vapor, mas falta a figura do animador das massas. Dilma não tem esse perfil.

Palocci passou a significar um peso imenso depois que se descobriu a sua incrível desenvoltura no mundo da consultoria. Era mais fama do que proveito no Planalto. Querem um exemplo? Perguntem a empresários ligados à área de infra-estrutura o que pensam da decisão de privatizar aeroportos. Fez-se um anúncio no joelho, sem planejamento, sem estratégia, sem nada. A sensação, que corresponde à realidade, desses seis primeiros meses e que o governo não sabe o que quer e para onde vai. O que se teve de mais vistoso — e, ainda assim, mitigado pela crise — foi o tal programa “Brasil Sem Miséria”, nada além de uma vitaminada no Bolsa Família velho de guerra… eleitoral.

Não se viu nem sombra daquele Brasil eficiente e organizado, de que Palocci, o garantidor, tomaria conta, enquanto a Soberana continuaria encastelada, pensando no bem-estar de seus súditos. O Código Florestal, lembre-se, foi exemplo notável de um Palocci incompetente: permitiu que um deputado da base, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que tem o apreço de seus pares — já foi presidente da Câmara —, que é reconhecido como um homem honrado, acabasse hostilizado pelo governo e pelo próprio PT porque fez um relatório que concilia a preservação do meio ambiente com a produção. O então ministro quedou-se refém dos delírios de Marina Silva e das ONGs. O que se viu na Câmara foi um exemplo etupendo de desarticulação.

Assim, nesta quarta-feira, não vai acontecer absolutamente nada de novo. E isso está longe de ser uma solução. É um problema.

Agora Gleisi
Chamei Gleisi de a figura mais bonita do plantel de João Santana. É claro que se trata de uma ironia para destacar o fato de que Dilma investiu mais no marketing do que na experiência da escolhida. Sua biografia não a autoriza, do ponto de vista técnico, a ser aquela que vai cobrar dos demais ministros a execução dos projetos. Foi secretária de gestão do Mato Grosso do Sul, no governo de Zeca do PT, e depois da Prefeitura de Londrina. Não há um só tuiuiú que tenha saudade do tal Zeca. Não parece que Londrina tenha sido um caso particularmente virtuoso, segundo andei lendo.

Então Gleisi por quê? Para surpreender o mundo político — e foram os petistas a ficar mais evidentemente com o queixo caído — com um nome fora do mainstreampetista. Nestes meses de Senado, Gleisi tem sido “fiel” a Dilma no limite da incompetência. Por falta de tato e de experiência, ela e Marta Suplicy, numa espécie de “conspiração da louras”, conseguiram de tal sorte tumultuar uma sessão do Senado, presidida por Marta, que a base governista, mesmo com maioria esmagadora, viu cair duas Medidas Provisórias. Seu estilo, em tão curto período, rendeu-lhe o apelido de “pit bull”, que não é exatamente uma metáfora para elogiar a sua habilidade. No dia 20 de abril, demonstrei aqui que ela não sabia exatamente quais eram as funções de um Parlamento.

Mas Gleisi já deixou claro que seu negócio vai ser gestão! A coordenação política ficará, supõe-se, com o ministro das Relações Institucionais, pasta atualmente desocupada por Luiz Sérgio, com quem ninguém quer falar: políticos, imprensa e, consta, a presidente da República. Luiz Sérgio, aliás, é uma evidência e tanto de que a inexperiência produz frutos…

Gleisi, no entanto, está sendo saudada aqui e ai mais ou menos assim:
“Agora vai!”
“Agora começa o governo Dilma!”
“Finalmente, Dilma se livra de Lula!”
“Demorou, mas presidente demonstrou independência!”

Entendo! Seis meses depois, há uma certa ânsia para inaugurar o governo Dilma! Será Gleisi  realizar esse prodígio?

Por Reinaldo Azevedo

No Globo:
A decisão da presidente Dilma Rousseff de nomear a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e não seu marido, o ministro Paulo Bernardo (Comunicação), para a Casa Civil surpreendeu a base governista. Apesar dos elogios públicos, representantes de partidos aliados criticaram a escolha, afirmando que ela não tem experiência política e que essa decisão não acaba com os problemas na articulação política do governo. Para tentar resolver o problema, Dilma deve substituir o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o petista fluminense Luiz Sérgio , alvo das maiores críticas e reclamações sobre a falta de coordenação política do governo. Atualmente nas mãos do PT, a vaga pode acabar sendo transferida para o PMDB.

Gleisi e Paulo Bernardo formam o primeiro casal de ministros na História da República. Embora esteja em seu primeiro mandato eletivo, Gleisi, de 45 anos, foi escolhida também por ser mulher, o que tem um simbolismo para a presidente Dilma. Ela vinha se mostrando uma parlamentar aplicada no Senado. Ganhou destaque com sua atuação em defesa do governo, angariando antipatias na oposição e provocando ciúmes entre governistas. Casada há 15 anos com o ministro das Comunicações, ela começou sua militância política na adolescência e trabalhou na assessoria econômica da liderança do PT na Câmara, quando conheceu o marido, na época deputado federal.

Formada em Direito e com especialização em Administração Financeira, Gleisi foi secretária estadual e diretora financeira de Itaipu. No Senado, atuava nas comissões de Assuntos Econômicos, Agricultura e Relações Exteriores. Foi designada relatora do PPA, o plano de ação de quatro anos do governo. Surpreendeu a base ao propor emendas na Comissão Mista de Orçamento para reduzir o valor e o número das emendas parlamentares.

Semana passada, Gleisi havia sido criticada pela bancada petista e por peemedebistas, que a acusaram de querer derrubar o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-PR), em sessão tumultuada na qual a oposição impediu a aprovação de duas medidas provisórias. Mas a informação de que Gleisi recebeu como incumbência principal na Casa Civil cuidar da gestão dos programas de governo, e não da articulação política, aliviou petistas e peemedebistas. “Para quem passou momentos de grande tensão como passamos, a escolha não poderia ter sido melhor. A senadora Gleisi é a cara certa para esse novo momento. É competente, tem capacidade de gestão e saberá impor uma pauta positiva para o governo”, comemorou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

O presidente em exercício do PMDB, senador Valdir Raupp (RR), minimizou o confronto entre Gleisi e Jucá. Na ocasião, ela reclamou de forma ríspida por discordar de uma norma de procedimento adotada por Jucá. “Isso foi uma coisa de momento. De maneira nenhuma o PMDB vetaria seu nome (para a Casa Civil)”, disse Raupp. O líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), ironizou a escolha:”Se ela for utilizar o estilo esquentadinha que mantinha aqui no Senado, a articulação do governo pode piorar, porque no Congresso tudo se faz no diálogo, não adianta querer enfiar as coisas goela abaixo”. Apesar das restrições que muitos faziam nos bastidores, publicamente a bancada petista elogiou a escolha.

Gleisi nega haver “maldição” na Casa Civil
Em rápida entrevista, Gleisi anunciou nesta terça-feira que assume a Casa Civil para gerenciar os “programas e projetos de governo”, devendo ficar distante da fragilizada articulação política no Congresso. Ao negar que exista uma “maldição” na Casa Civil - no governo anterior, José Dirceu e Erenice Guerra também caíram alvejados por denúncias -, Gleisi afirmou que tem pela frente um grande responsabilidade:”Não é maldição. Temos um projeto extraordinário de transformação deste país. O desafio é muito grande. Vou trabalhar muito para que possa entregar a ela (Dilma) o produto que ela quer do meu trabalho. Aceitei o convite sabendo do tamanho da minha responsabilidade”.

Primeira petista da bancada do partido no Senado a cobrar com vigor explicações convincentes de Antônio Palocci, Gleisi elogiou o seu antecessor e lamentou sua saída:”Quero aqui fazer uma deferência, uma menção especial ao ministro Palocci. Para nós, é um momento triste. Sabemos do relatório da procuradoria, que colocou de forma muito clara a situação do ministro, falando que não há nenhum problema. É uma pena perder o ministro Palocci nesse governo, pela qualidade que ele tem”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

Reação do líder do PT à queda de Palocci: “Em time que está ganhando, não se mexe” Eu juro!

Paulo Teixeira, vocês sabem, é aquele líder do PT na Câmara. É o deputado que quer legalizar a maconha, defendendo, inclusive, a formação de cooperativa de plantadores-consumidores, uma coisa, assim, bem natural… Também concede entrevista a site de maconheiros sem qualquer problema. Um homem sem preconceito. Como ele não vê nada de errado na erva, acha tudo muito natural, não vai se zangar (abaixo o preconceito!) se eu perguntar se ele tinha dado um “peguinha” (e assim que se fala?) antes de conceder uma entrevista há pouco à GloboNews.

Comentando a saída de Palocci e dizendo que tudo vai bem com o governo, que é preciso tocar normalmente a vida, Teixeira disse uma frase realmente fabulosa:
“Em time que está ganhando, não se mexe”

Disse uma outra coisa engraçada:
“O ministro Luiz Sérgio [Relações Institucionais] está indo muito bem!”

Luiz Sérgio? Quem é esse?

Paulo Teixeira deveria deixar a política de lado e se dedicar a outros assuntos.

Por Reinaldo Azevedo

E Marta, hein?

E Marta Suplicy (SP), hein? Tentou arrancar hoje uma nota de apoio a Palocci da bancada do Senado. Eles disseram “não”! Isso é que estar por dentro…

Por Reinaldo Azevedo

Entre os petistas todos, a Casa Civil vai para a mais… bonita! Estaria Dilma lendo Thomas Mann?

Sai Palocci, entra Gleisi: é pura intriga da oposição dizer que ela é feia!

Sai Palocci, entra Gleisi: é pura intriga da oposição dizer que ela é feia!

Se a senadora Gelise Hoffmann (PT-PR) é o melhor quadro de que dispõe o PT para a Casa Civil, então as coisas vão muito mal lá pelas bandas do partido. Atenção! Nem eu considero isso! O PT é bem mais profissional e dispõe de mais quadros do que sugere essa indicação. Trata-se de uma decisão pautada principalmente pelo marketing político. Sai a fera, e entra a bela, para sugerir um governo conduzido por mulheres. A mensagem subliminar é que corrupção, ilegalidade, lambança e coisas inexplicáveis estão relacionadas ao mundo dos homens.

Nada contra a moça em particular, a não ser a sua espetacular inexperiência para cargo tão importante. Parece brincadeira! O maior trunfo político de Gleisi é seu marido, o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, que já foi muito próximo de Antonio Palocci. Ainda é, mas acabou ganhando autonomia. Ele, diga-se, era um dos cotados para o cargo, não ela.

Qual é? Viverá o PT uma crise tal de quadros que é preciso ter marido e mulher no primeiro escalão de governo? Na prática, o ministro será Bernardo — não porque ele é homem e feio, mas porque é aquele que realmente tem trânsito político.

Poderíamos ter uma coisa a favor de Gleisi: foi a primeira petista de alguma importância a apontar o óbvio: Palocci estava nu; não havia como defendê-lo. Mas ela o fez da pior maneira possível. Aludindo ao mensalão, observou que aqueles crimes, ao menos, diziam respeito ao partido. As eventuais lambanças de Palocci seriam apenas privadas. Ou por outra: malfeito para o bem do partido, tudo bem! Não dá!

Há pouco, Candido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, explicava por que a Casa Civil é tão importante: coordena a ação de todos os ministérios e faz o contato do Executivo com o Congresso. E com um desconsolo que quase chegava a comover, disse: “A senadora Gleisi está muito preparada para o cargo”.

Em suma, entre todos os petistas disponíveis para o cargo, João Santana indicou a mais bonita. Nada contra! Em certa medida, como sugere Thomas Mann na novela Tonio Kröger, a beleza pode até ser vista como uma forma de pensamento. Havendo algum pensamento, emendaria eu… É isto: Dilma está lendo Thomas Mann…

Por Reinaldo Azevedo

“Não podemos deixar que haja espaço reservado às pessoas brancas”. Quem fala? Ora, a ministra da Igualdade Racial!

O governador Sérgio Cabral, como a gente sabe, é o preferido das chamadas minorias que querem se comportar como maioria. Já defendeu a descriminação da maconha, acha o aborto como uma forma de diminuir a violência e a miséria, freqüenta as paradas gays e, na segunda-feira, assinou um decreto que reserva 20% das vagas em concursos públicos estaduais a candidatos que se autodeclarem negros ou indígenas.

Cabral não gosta muito da minoria dos bombeiros. Aí, se preciso, como diria o presidente João Figueiredo, ele prende e arrebenta. Para atacar Anthony Garotinho, também andou reclamando do “fundamentalismo” evangélico. Mas voltemos.

O governador decidiu instituir a cota sem dar pelota para a Assembléia Legislativa, por exemplo. Pra quê? Se os “movimentos sociais” querem… Cabral não teve o cuidado nem mesmo de mesclar o critério chamado “racial” com qualquer outro — o social, por exemplo. Eu me oponho a qualquer cota, deixo claro.

É evidente que se trata de um agressão à Constituição Federal. Mas quem há de recorrer? Não será o Ministério Público, certo? Qualquer outra entidade que o fizesse correria o risco de ser tachada de “racista”. Como o critério é autodeclaratório, não cabe a uma comissão do governo decidir: “Não! Você não é negro”. Aliás, se o fizesse, lembraria um comitê nazista…

A ministra da Igualdade Racial, Luíza Helena de Bairros, achou a decisão de Cabral o “ó” do borogodó e deu a seguinte declaração, cujo alcance estou tentando entender até agora:
“Na medida em que o senso demográfico mostra que existe uma maioria negra na sociedade, não podemos deixar que haja espaços reservados às pessoas brancas. A composição racial do País deve estar representada em todas as esferas.”

É mentira! O censo demográfico de 2010 aponta que são negros 6,3% dos brasileiros; autodeclaram-se “pardos” 43,2%; dizem-se brancos 49,9%; os índios são 0,4%, e os amarelos, 0,5%. Uma ministra da “Integração Racial” que decide seqüestrar os “negros” para a “categoria” dos “pardos” se autodeclara intelectualmente.

Trata-se de uma afirmação boçal, à altura da medida de Sérgio Cabral. Se uma gota de sangue negro torna negro o brasileiro, há de se supor que uma gota de sangue indígena o faz indígena, o mesmo ocorrendo com os amarelos, certo? Por alguma razão que só o racismo explicaria, a gota de sangue branco não torna ninguém… branco! Sigamos.

Se tudo for conforme quer a ministra, será preciso demitir os descendentes de orientais do serviço público e caçar suas vagas nas universidades. Com certeza absoluta, eles são mais do que 0,5%. E também estou certo de que os descendentes de índios são mais do que 0,4%. A propósito: se uma gota de sangue faz a raça, eu posso ser cacique ou pajé. Feitas todas as contas, com um bisavô índio, legítimo mesmo!, acho que posso me orgulhar, sei lá, de uns 25% de sangue aborígene, como diria Ayres Britto… Pode não parecer, eu sei, mas sinto em mim o espírito da floresta… Marina se diz “negra”. Eu sou “índio”. Vou lá reivindicar as minhas terras no Mato Grosso…

E fico aqui aguardando que a excelentíssima ministra me prove que existem “espaços reservados” para os brancos. Onde? Essa gente continua empenhada em fazer guerra racial no Brasil. Aliás, é assim que prosperam: dividindo os brasileiros, radicalizando o discurso em nome de uma suposta maioria inexistente, intimidando a maioria de fato. Porque a maioria de fato, convenham, continua a ser branca. Felizmente, não há lideranças empenhadas em transformá-la num privilégio.

Eu não tenho  esperança de que a ministra saiba matemática, mas posso socorrê-la ainda assim. Ainda que todos os pardos que ela seqüestrou para a categoria dos negros aceitassem a sua categorização racialista, poder-se-ia dizer que os não-negros do Brasil são a maioria. Brancos mais amarelos foram 50,4%; com os índios, 50,8%. O chato pra ela é que os pardos são tão negros quanto… brancos!

Querem saber? Antonio Palocci e sua riqueza fazem parte de nossa miséria moral, política e intelectual episódica. Há uma outra, de fundo, sendo construída. Palocci é fruto do passado, expressão de um atraso pregresso. Já estamos marcando um compromisso com o atraso futuro. Em vez de mobilizar esforços para dar uma educação de qualidade a todos os brasileiros, de modo a capacitá-los para a competição, selecionando os melhores, estamos dando um jeitinho de dividir o país em raças, em classes, em gênero etc para não discriminar ninguém, especialmente os piores de qualquer cor. Negros, pardos, brancos, amarelos — e também os índios (com a licença do ministro Ayres Britto! )— precisam é de escola decente para aprender português, matemática, geografia, história, essas coisas que fazem a riqueza das nações…

Por Reinaldo Azevedo

O PT quer financiamento público de campanha para manter o financiamento privado de petista. Ou: Da burguesia do capital alheio à burguesia da miséria alheia

Imagine aí, leitor, um estrangeiro que ignore como funciona o hospício pátrio. Tente agora explicar a ele que o PT, partido do ministro Antônio Palocci, quer instituir o financiamento público de campanha no Brasil porque considera que isso é mais legítimo e protege da ação dos lobbies a República.

Agora explique a esse mesmo estrangeiro que o atual chefe da Casa Civil, ex-ministro da Fazenda, manteve, quando deputado, uma firma de consultoria. Em quatro anos, tornou-se um milionário robusto, a ponto de ter de contratar uma empresa de gestão de patrimônio só para cuidar dos seus bens e da sua dinheirama. Conte mais a este estrangeiro: boa parte da fortuna foi amealhada justamente no ano eleitoral, quando ele era coordenador de campanha da candidata governista, que era considerada favorita. R$ 10 milhões (quase US$ 6 milhões; dolarize para ele entender melhor) caíram no caixa depois que a futura governante já tinha sido eleita e enquanto ele próprio montava o governo.

Diga ainda a este indivíduo que desconhece a realidade brasileira que os partidos políticos são obrigados a divulgar a lista de doadores de campanha e que o braço eleitoral do Ministério Público busca ser rigoroso para coibir doações ocultas. Em seguida, informe que Palocci, o ministro, não divulga a lista de seus clientes, aqueles que o fizeram milionário.

E arremate com a informação que a cabeça deste Ministério Público que pretende ser rigoroso com doações irregulares para campanhas eleitorais passou um atestado de “nada consta” para o ministro em questão.

Esse estrangeiro acabará concluindo que aí estão alguns fenômenos que explicam por que o Brasil é um país miseravelmente rico, onde a indústria da miséria, convertida em máquina eleitoral, vira esteio da indústria da riqueza — aquela riqueza obtida sem que se tenha produzido um botão, um parafuso, um pé de feijão.

Chamei certa feita essa gente de “burguesia do capital alheio”. Também pode ser a “burguesia da miséria alheia”. Dá na mesma.

Por Reinaldo Azevedo


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Blog Reinaldo Azevedo

2 comentários

  • Giovanni Rezende Colinas do Tocantins - TO

    O PT é a coisa mais imprópria, nojenta e asquerosa que já houve em nosso país. Isso reflete a falta de instrução e senso crítico de mais de 80% da população. É falta de investimento em EDUCAÇÃO de QUALIDADE. O povo brasileiro ainda se distrai com novelas: da Globo, ambientalismo, inflação, futebol, direito dos homossexuais, modismos em geral... Quem nos vê, lá de fora deve pensar: que povinho...

    0
  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, aquele ditado :

    Água mole em pedra dura

    Tanto bate até que fura

    A mandatária mor , em momentos de fúria, externou que: Vai vetar o NOVO CÓDIGO FLORESTAL ! , como um bom matuto, alertei sobre a PEC 50/2006, que está para ser votada em plenário na Câmara dos Deputados , que exclui o VOTO SECRETO . A história recente nos mostra que nos últimos 4 anos , houve 2.000 vetos pelo EXECUTIVO e quando esses vetos foram para o LEGISLATIVO , “ TODOS “ foram referendados pelos NOBRES Deputados, alega-se que a impessoalidade do voto tenha contribuído para tal resultado. Vamos exigir a votação da PEC 50/2006 antes que o NOVO CÓDIGO retorne com algum veto ao LEGISLATIVO ! .... “ E VAMOS EM FRENTE ! ! ! “....

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