Te cuida, Dilma..., por Lauro Jardim

Publicado em 11/08/2011 06:30 482 exibições
por Lauro Jardim, blogueiro de veja.com.br (mais comentário de Augusto Nunes)

Te cuida, Dilma 1

Henrique Eduardo Alves disse ontem a vários líderes de partidos da base governista: não votará mais nada de interesse do governo enquanto o pagamento das emendas parlamentares não for liberado pelo governo.

Por Lauro Jardim
Te cuida, Dilma 2

É bom Dilma Rousseff ficar esperta. De acordo com um importante deputado da base governista, o clima no Congresso, “é de emboscada”. Ou seja, deputados e senadores se preparam para dar um susto em Dilma em alguma votação importante.

Por Lauro Jardim
Liberdade já

Dos dezenove envolvidos no esquema no Ministério do Turismo que tiveram decretadas contra si prisões preventivas, seis deles já entraram com pedidos de liberdade perante o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com sede em Brasília. Na lista, estão Frederico da Silva Costa, o número dois da pasta, Mário Moyses, o homem de Marta Suplicy, e o peemedebista Colbert Martins. O desembargador Carlos Olavo é quem decidirá se vai soltá-los.

Por Lauro Jardim
A estreia do blogueiro FHC

FHC estreia amanhã às 9h como blogueiro na rede do Observador Político ( www.observadorpolitico.org.br), uma plataforma onde interagem blogs e redes sociais. FHC aproveitará para falar de corrupção:

- A hora é boa para irmos além do denuncismo. O que se deve cobrar dos governos é a repulsa clara dessas práticas, sem qualquer leniência com os culpados, ainda que pertençam a sua base política.

Por Lauro Jardim
Ibope baixo

A derrota da seleção hoje para a Alemanha rendeu vinte pontos de audiência na Grande São Paulo, segundo números prévios do Ibope. É quase igual à marca alcançada na semana passada com a Sessão da Tarde (18 pontos). Ou seja, muito pouco.

Por Lauro Jardim
Sem força

A cúpula do PTB considera enfraquecida a indicação de Jovair Arantes para o TCU. Quem bancava a candidatura do deputado para a vaga era Antonio Palocci, muito grato à atuação de Jovair em Goiás durante a campanha presidencial. Sem Palocci, não há no governo quem defenda a nomeação.

Por Lauro Jardim
Concorrência desleal

Ao fundo do plenário da Câmara, em uma roda de deputados, o presidente do PSDB mineiro Marcus Pestana zombou das dificuldades que a base governista vem impondo a Dilma Rousseff.

- Vamos entrar na Justiça com processo por concorrência desleal. Isso que a base está fazendo com a Dilma é o nosso trabalho.

Por Lauro Jardim
TCU vê graves indícios de “direcionamento” e “montagem”…

Uma auditoria do TCU, citada no despacho do juiz Anselmo Gonçalves da Silva, responsável pelas prisões do esquema de desvios de recursos públicos no Ministério do Turismo (Leia mais em Formação de quadrilha e Pagamento irregular), levanta a suspeita de que o Ibrasi simulou a subcontratação de empresas para prestar os serviços do convênio: capacitação profissional para o turismo no Amapá.

Segundo a auditoria, “são graves os indícios de que houve direcionamento e montagem nas contratações realizadas pelo Ibrasi”. Isso ocorreu, segundo o TCU, porque a entidade não apresentou um plano de trabalho detalhado para as empresas que disputaram as subcontratações, o que invalidou a concorrência entre elas. Não é à toa que empresas vencedoras apresentaram idênticos valores para prestar os serviços.

Outro indício de montagem é que algumas empresas convidadas para a concorrência não eram sequer registradas na Receita Federal à época da disputa.

Por Lauro Jardim
… com uso de notas fraudadas, diz laudo da PF

Uma perícia da Polícia Federal no Amapá concluiu que algumas notas fiscais usadas pelas empresas contratadas pelo Ibrasi teriam sido fraudadas. Foram preenchidas pelas mesmas pessoas, embora as subcontratadas tenham sede em vários estados da federação.

O TCU, que também passou a lupa nos documentos, identificou outros indícios de fraudes: numeração sequencial de notas fiscais, notas emitidas por empresa suspensa, notas fiscais representativas de venda de bens, e não de prestação de serviços; erro no preenchimento; e numeração borrada.

Por Lauro Jardim
Lupi e a transparência do sistema S

Ministro se esquiva no Senado

Carlos Lupi foi ao Senado hoje participar de uma reunião da Comissão de Assuntos Sociais. Quando já estava se despedindo dos senadores, foi questionado por Ataídes Oliveira (PSDB-TO), notório crítico do sistema “S”, sobre a transparência do sistema.

– O que o senhor acha? É transparente?

E Lupi:

– Como já tenho inimigos muito poderosos, prefiro responder a essa pergunta em particular, senador.

Por Lauro Jardim
Autocrítica de Marta

Contrariada com a repercussão de sua fuga do plenário do Senado ontem (Leia mais em Saindo de fininho), Marta Suplicy deixou-se cercar por jornalistas no cafezinho do plenário há pouco para lamentar o episódio. Fala Marta:

- Não falei porque não tinha mais o que falar. Mas foi burrice não ter falado. Agora aprendi.

Marta correu da perguntas para não ter de falar do ex-assessor Mario Moysés, preso durante operação da PF no Ministério do Turismo.

Por Lauro Jardim
Pagamento irregular

O juiz Anselmo Gonçalves da Silva decretou a prisão preventiva de Colbert Martins porque ele, na condição de secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, atestou a liberação do último pagamento irregular para a Ibrasi (leia mais em Formação de quadrilha). Do convênio de 4,4 milhões de reais, o peemedebista Colbert deu o o.k. em abril deste ano para repassar à entidade 900 000 reais. Por isso, foi indiciado por formação de quadrilha e peculato, ou seja, desvio de dinheiro público.

Por Lauro Jardim
Formação de quadrilha

A Policia Federal indiciou Mario Moyses, homem de confiança de Marta Suplicy e preso na Operação Voucher, por formação de quadrilha e estelionato. O Radar teve acesso à decisão do juiz Anselmo Gonçalves da Silva, que deixou o caso (Leia mais em Fora do caso). No despacho, Anselmo afirma que Moyses agiu em “conluio” com Frederico Costa da Silva, número 2 do Ministério do Turismo, e Luiz Gustavo Machado, diretor-executivo do Ibrasi, a entidade envolvida no esquema.

A propósito, Frederico Costa da Silva, foi indiciado por formação de quadrilha e peculato, nome técnico para desvio de dinheiro público. Na decisão que prendeu Frederico preventivamente, o juiz disse que o número dois do ministério, na época que era secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, liberou os recursos em favor do Ibrasi baseado em documentos falsos. Um dos repasses irregulares foi de 1,3 milhão de reais.

Por Lauro Jardim
Fobia de caneta

De passagem pela Câmara hoje à tarde, o presidente da Embratur, Flávio Dino, deu de cara com o petista Nelson Pellegrino no corredor de acesso às comissões. Diante das prisões no Turismo, em voz para lá de alta, Pellegrino aconselhou.

– Meu presidente! Não assine nada, meu presidente. Por favor!

Dino apenas sorriu.

Por Lauro Jardim
Aldo, Ideli e o TCU

Deputado é nome forte para o TCU

Cotado para uma vaga no TCU, Aldo Rebelo vai conversar com Ideli Salvatti no final da tarde. O Planalto já trabalha com a informação de que o nome de Aldo não tem restrições entre os demais partidos.

Por Lauro Jardim
Oposição aguerrida
A oposição não deu as caras no depoimento de Mario Negromonte encerrado há pouco na Câmara dos Deputados. O Ministério das Cidades é mais um dos que estão no centro de denúncias de corrupção. O depoimento transformou-se numa sessão solene, com desagravos de lideres da base aliada.
Por Lauro Jardim

Fora do caso

O juiz federal do Amapá Anselmo Gonçalves da Silva, que concedeu os mandados para que a PF  prendesse os 35 do ministério do Turismo, renunciou ao caso. Não se sabem ainda os motivos da decisão. Oficialmente, o juiz alegou as tais “razões de foro íntimo”.  O diretor da 1ª Vara Federal de Macapá comunicou o fato agora há pouco aos advogados de defesa dos acusados.

Por Lauro Jardim
Seguro obrigatório

A Fifa está exigindo dois tipos de seguro das sedes da Copa 2014. O primeiro para cobrir riscos de catástrofes naturais ou ataques terroristas nos centros de treinamento das seleções. O segundo, chamado de Seguro Geral de Responsabilidade Civil, contra sinistros por danos físicos, morte ou dano à propriedade ocorridos no campo.

Por Lauro Jardim
A CPI da Corrupção

Está praticamente pronto o texto do requerimento da CPI mista da Corrupção. ACM Neto vai começar a coletar assinaturas ainda nesta tarde. Para abrir a investigação, a oposição precisa de 171 assinaturas na Câmara e de 27 no Senado.

Por Lauro Jardim
Como foi a reunião do Conselho Político

Na reunião do Conselho Político hoje no Planalto falou-se basicamente de economia. A agenda política ficou praticamente de fora, apesar de deputados e senadores imaginarem que o assunto seria debatido. Nas duas horas de reunião, Dilma Rousseff deu os seguintes recados:

*”A crise de 2008 foi grande, mas não era generalizada. Era nos EUA. A de hoje é mais intensa, espalhada por vários países.”

*”Não somos uma ilha nem estamos imunes. Mas temos condições melhores de reagir agora do que tínhamos em 2008.”

Neste momento, Guido Mantega, desfiou um exemplo: as reservas internacionais somavam 260 bilhões de dólares há três anos; hoje, são 348 bilhões de dólares.

Dilma enfatizou que não abrirá mão da busca do crescimento econômico, da geração de empregos e do controle da inflação. (Neste caso, não é uma questão de querer, mas de como conseguir alcançar esse cenário cor de rosa).

Foram duas horas de reunião. O líder do PR, Lincoln Portella, não foi. Blairo Maggi, sempre presente aos encontros do conselho político, também arranjou coisa melhor para fazer. Magno Malta foi o representante solitário do PR.

No final da reunião, Marcelo Crivella reclamou da demora na liberação do dinheiro das emendas parlamentares. É uma espécie de aviso de que a agenda política pode perturbar Dilma.

Por Lauro Jardim
Quem realmente mandava

Diário Oficial publicou hoje três aditivos contratuais em convênios firmados pelo Ministério do Turismo. Todos assinados por Frederico Silva da Costa, o número dois preso ontem pela Polícia Federal. Nenhum deles aumentava custos, sendo que o último dos quais foi chancelado pelo secretário-executivo na quinta-feira passada. Com a decisão de Pedro Novais de suspender a celebração de convênios pelos próximos 45 dias depois da operação que o balançou no cargo, e Frederico Costa no xilindró, quem será o ministro de fato do Turismo?

Por Lauro Jardim
Cardozo na berlinda

Cardozo foi cobrado por Dilma

Vai ficar na memória de muita gente no Planalto os trinta minutos passados entre 8h e 8h30 de ontem. Foi nesse intervalo que a notícia das prisões no Turismo chegou ao Palácio da Alvorada. A troca de telefonemas entre assessores e ministros foi intensa até que alguém pudesse dizer alguma coisa a Dilma.

Aliás, a primeira vez de Dilma em uma mega-operação da PF não foi nada tranquila. José Eduardo Cardozo que o diga. Dilma puxou suas orelhas por não ter sido avisada antes. O próprio Cardozo só o foi às 7h, pouco antes de começarem as prisões.

Por volta de 20h de ontem, Cardozo ainda estava no Planalto tentando convencer peemedebistas de que também havia sido surpreendido pelas prisões no Turismo. Passou o dia dando explicações.

Por Lauro Jardim
Governo pede investigação da investigação

Dilma Rousseff determinou que José Eduardo Cardozo faça uma investigação sobre o porquê a PF não os avisou com alguma antecedência do arrastão no Turismo. No Palácio suspeita-se que tenha sido uma espécie de recado da PF ao governo. A PF anda insatisfeita com os recursos que tem à disposição.

Por Lauro Jardim
Novais parou de balançar

Henrique Eduardo Alves, padrinho da nomeação de Pedro Novais, não admite sua saída. Já avisou aos seu colegas de PMDB. Exceto se…se encontrar um outro nome de sua confiança. Mas, em princípio, Novais fica.

Por Lauro Jardim
Barretto balança

Quem está balançando no cargo é Luiz Barretto, na gestão de quem aconteceram todas as lambanças que levaram à prisão dos 35 envolvidos nos contratos suspeitos do Turismo. Barretto hoje é presidente do Sebrae, onde, aliás, administra verbas bilionárias. Ontem, Barretto foi chamado para uma conversa com Gilberto Carvalho.

Por Lauro Jardim
A lenga-lenga dos caças

Certa de que a maior resistência aos Rafale está no Congresso, a francesa Dassault deflagrou um movimento destinado a provocar audiências públicas sobre a compra de caças pela FAB.

Serão três audiências onde os três concorrentes irão apresentar suas vantagens e ofertas. Em vez de fazer uma audiência conjunta, a Comissão de Relações Exteriores do Senado optou por fazer eventos separados e colocar a Dassault na última reunião.

Por Lauro Jardim
Sinal amarelo

O governo está especialmente preocupado com o andamento das obras de dois dos doze estádios da Copa – o Arena da Baixada, em Curitiba; e o Beira-Rio, em Porto Alegre. No primeiro, faltam as garantias financeiras para as obras. E no segundo ainda faltam contratos de financiamento para assinar.

O estado-mínimo petista

O peemedebista Valdir Raupp propôs ontem no Senado que o governo extingua todos os órgãos em que seja descobertos focos de corrupção, como a Conab. De bate-pronto, Aécio Neves mandou ver:

-Se prevalecer a tese do senador, em seis meses o governo do PT instaura o estado mínimo no Brasil.

Por Lauro Jardim
O que realmente preocupa Dilma?

O governo e os petistas se esforçam para dizer que o que preocupa Dilma Rousseff é a crise econômica global. As revelações de corrupções, brigas entre aliados etc. estariam num segundo plano. Beleza. Enquanto isso a base governista no Congresso é só ódio, uns contra os outros, num caldeirão perto de explodir.

Por Lauro Jardim
Na coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes

Com o loteamento dos ministérios, a aliança governista criou o mensalão que substitui doações em dinheiro pela entrega do cofre

Até os mendigos e os travestis que fazem ponto nas esquinas do Flamengo imaginaram que a pauta da reunião do diretório nacional do PT, realizada neste 5 de agosto no Hotel Novo Mundo, no Rio de Janeiro, seria quase inteiramente absorvida pelo tsunami de bandalheiras que varre a Esplanada dos Ministérios. O que acharam os Altos Companheiros, por exemplo, do despejo da quadrilha do PR em ação no mundo dos transportes? O que pensam das bandidagens no Ministério da Agricultura, arrendado ao PMDB? A faxina prometida pela presidente Dilma Rousseff deve ser ampla e irrestrita ou é melhor parar enquanto é tempo? Enfim, o que o partido tem a dizer sobre a corrupção endêmica que Lula plantou e Dilma adubou?

Nada, informam as 201 linhas do documento que relata o que foi tratado e decidido no conclave dos cardeais que caíram na vida. Sob o título geral “O Brasil frente à crise atual do capitalismo: novos desafios”, o papelório debita todos os pecados na conta do “ideário neoliberal”, cujos defensores são “setores da oposição, da mídia e do grande capital, especialmente o financeiro”. Num dos capítulos mais candentes, “o PT expressa sua solidariedade aos jovens, aos trabalhadores, aos migrantes e a todos os setores que combatem o neoliberalismo e repudia o nacionalismo de extrema direita, que mostrou sua verdadeira face no atentado ocorrido recentemente na Noruega”.

Resolvidos os problemas do planeta, a seita festeja a inauguração do Brasil Maravilha pelo chefe Lula e registra os retoques que faltam para torná-lo mais que perfeito. “Vem aí o debate sobre o novo marco regulatório dos meios de comunicação”, avisa o parágrafo que louva o “controle social da mídia”, como foi rebatizada a censura na novilíngua companheira. “Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação no país é tema relevante”. Num editorial publicado nesta quarta-feira, o Estadão foi à réplica: “O PT precisa é de um marco regulatório para a corrupção no partido”. No documento, a roubalheira colossal foi confinada em duas linhas: “O Diretório Nacional manifesta seu apoio às medidas que o governo Dilma ─ dando continuidade ao governo Lula ─ adota contra a corrupção”. Só.

LICENÇA PARA ROUBAR
Se cinismo desse cadeia, o Hotel Novo Mundo teria sido prontamente cercado por camburões e interditado pela polícia. Como a mentira foi transformada por Lula em virtude eleitoreira, o presidente do partido, Rui Falcão, prolongou o espetáculo do farisaísmo com uma apresentação individual. “O PT sempre foi muito cioso da defesa da aplicação correta dos recursos públicos e do combate à corrupção”, recitou o dirigente que promoveu a volta ao lar de Delúbio Soares. Falcão deu azar. No mesmo dia, VEJA divulgou os espantos mais recentes nas catacumbas do Ministério da Agricultura, entre os quais apareceu até mesmo um lobista que já foi preso por tráfico de drogas e agora se dedica a agredir fisicamente jornalistas independentes.

Nesta terça-feira, constatou-se que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esqueceu de comunicar a instituições subordinadas à pasta que faxina tem hora. Liberada para engaiolar delinquentes, a Polícia Federal prendeu 35 dos 38 gatunos em ação no Ministério do Turismo. A presença de petistas graúdos no bando que viajou na traseira do camburão ajuda a entender por que o documento do diretório nacional fugiu da ética como o diabo da cruz: é impossível ser, ao mesmo tempo, decente e desonesto. A “base aliada” não se ampara num programa político, mas num projeto financeiro: todos querem ficar mais ricos. É por isso que, como reafirmou a devassa no ministério controlado pelo PT e por José Sarney, o mensalão nunca deixou de existir.

O que mudou foi a metodologia. Até meados de 2005, o Planalto e o PT centralizavam a arrecadação e o repasse dos milhões de reais que garantiam o entusiasmo dos companheiros e a lealdade dos parceiros. Agora, já não é preciso forjar empréstimos bancários ou extorquir estatais, nem irrigar contas bancárias ou entregar malas de dólares. Em vez de doações em dinheiro, os partidos da aliança governista ganham ministérios ─ cofres e verbas incluídos ─, além da licença para roubar. O loteamento do primeiro escalão é o  mensalão sem intermediários. Em 2002, por exemplo, o PL de Valdemar Costa Neto embolsou R$ 10 milhões para descobrir que Lula era o cara. Em 2010, para enxergar em Dilma Rousseff a sucessora dos sonhos do PL com novo nome ,  o PR de Valdemar Costa Neto ganhou o Ministério dos Transportes.

Além de mais lucrativa, a fórmula modernizada aumenta exponencialmente o lucro, amplia a capilaridade das quadrilhas e democratiza a ladroagem. Antes, a repartição das boladas se limitava ao alto comando dos partidos. Agora, até prefeitos e vereadores entram na divisão do produto do roubo. A soma das evidências explica a tibieza exibida por Dilma desde que a vassoura tropeçou no lixo do PMDB. A presidente descobriu que herdou o um legado que ajudou a construir. Mas também descobriu que a opinião pública existe. É bem menor que o eleitorado, mas o poder de pressão é maior. Não se contenta com uma bolsa família, não acredita em fantasias e está cansada de sustentar larápios.

A imprensa livre seguirá noticiando fatos e enxergando as coisas como as coisas são. A Polícia Federal e o Ministério Público não podem recuar. Dilma terá de decidir se a faxina para ou continua. Na primeira hipótese, a presidente topará com o monstro que ajudou a parir. Na segunda, o governo, o PT e seus comparsas estarão proibidos para sempre de falar em combate à corrupção. Mesmo que em duas míseras linhas.

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veja.com.br

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