Dilma disse a Lula que não quer disputar a reeleição

Publicado em 16/08/2011 21:44 e atualizado em 17/08/2011 09:51 538 exibições
dos Blogs de Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, em veja.com.br

Dilma disse a Lula que não quer disputar a reeleição; era tudo o que ele queria ouvir, mas não já!

A presidente Dilma Rousseff teve uma conversa com seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira passada. E falou aquilo que o interlocutor estava doido para ouvir, mas não já: pensa seriamente em NÃO SE CANDIDATAR à reeleição em 2014. A Viscondessa está no governo há menos de oito meses, mas dá sinais de cansaço e de impaciência. Uma coisa era ser uma peça da maquinaria de propaganda do lulo-petismo — a “gerenta” durona —, outra é ser presidente da República e, dado o estado das artes, ter de fazer também a articulação política.

Dilma não concluiu seu primeiro ano de governo, e figurões do petismo já falam abertamente na sua sucessão. É um despropósito. Até outro dia, Lula dizia que tinha de “desencarnar”, para empregar o verbo a que ele mesmo recorreu, e sustentava que Dilma disputaria certamente a reeleição. Ocorre que a insatisfação com a “presidenta” toma conta da base aliada. Mais do que a oposição, muito mais!, são os aliados que não suportam a mandatária. E os petistas não são os que exibem menor desconforto.

Nem poderia ser diferente. Lula, para não variar, não cumpre a palavra empenhada e se comporta como uma sombra no governo e na República. Era ele o fiador do condomínio governista, com sua formidável capacidade de gerar factóides. Dilma era uma peça da engrenagem apenas; não tinha — e não tem — pleno domínio de todas as variáveis com a qual lidava o antecessor. O discurso de ontem do ex-ministro Alfredo Nascimento (Transportes), presidente do PR, em que anunciou a “independência” do partido, foi bastante claro. Com Lula, estavam todos no paraíso; com Dilma, o apoio automático ficou impossível. Ou por outra: com o Apedeuta, Nascimento, o próprio, e os outros 26 defenestrados continuariam a fazer o que vinham fazendo, sem perturbações.

Ontem, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, marido da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, concedeu uma entrevista ao UOL e à Folha e afirmou o que era dado como impensável há poucos dias: no tempo certo, Dilma e Lula se reunirão para definir quem será o candidato à Presidência em 2014. Tentando emprestar certa lógica comezinha à fala, tentou ser óbvio: se Dilma “estiver bem e se tiver desejo de concorrer, muito dificilmente ele [Lula] vai se colocar como postulante”.

Releiam de novo a frase. Se Dilma não “estiver bem”, nem mesmo terá a chance de se defender numa campanha e de tentar mudar a opinião do eleitorado. Ora, dados os menos de oito meses de governo, cumpriria a alguém na posição de Bernardo assegurar que a presidente será, sim, candidata porque fará uma grande gestão etc. e tal. Políticos não têm dificuldade nenhuma de lidar com fantasias. Poderia ter dito mais: já que a reeleição existe, é evidente que ela é a candidata natural. Mas quê!!!

Agora é oficial: a recandidatura de Dilma não está assegurada. A oração principal traz coordenadas entre si duas orações subordinadas condicionais: a primeira condição é “estar bem”, e a segunda e Dilma ter “o desejo de concorrer”. Logo, um ser lógico é obrigado a concluir que, não sendo certo que a presidente vá “estar bem”, também é incerto que ela queira. Notem que ambas atribuem à própria Dilma a perda de uma prerrogativa que o PT já está lhe cassando; afinal, se ela estiver mal, a culpa dela; se não quiser, também é. Mas ainda não era o máximo do requinte de Bernardo.

Observem que, mesmo Dilma reunindo as duas condições — estar bem e querer —, nem assim a sua recandidatura estaria assegurada. Nesse caso, Lula “muito dificilmente” se colocaria como postulante; nem assim a desistência do Apedeuta é dada como certa.

Estratégias
Lula jamais deixou de tratar Dilma como alguém que está lá para a cadeira não esfriar. Lembrem-se de sua emblemática fala na campanha: pela primeira vez desde a redemocratização, disse ele, seu nome não estaria na cédula; ou melhor, estaria: onde se lia “Dilma” se devia ler “Lula”. Ela era uma mera realidade derivada. O Apedeuta não conta, todos sabem, com uma nova candidatura de Dilma, mas não gostou de ouvir que ela pensa em jogar a toalha agora. Lula é de uma ignorância que aspira ao sublime, mas burro nunca foi.

Uma Dilma que tomasse já a decisão íntima e inamovível, ainda que não a anunciasse, de não se candidatar de novo em 2014 pode ser fonte de problemas para o PT e seus aliados. Sem apostar no próprio futuro político, haveria um certo risco de querer cuidar só da sua biografia. Já imaginaram se decidisse levar mesmo a sério esse negócio de faxina? Lula conta com a desistência de Dilma; atua para que isso aconteça; move as peças pensando no seu retorno, mas  quer, como informa Bernardo, discutir isso “no tempo certo”.

Sem bandeiras
Sem bandeira e sem projeto, a impressão de que Dilma é intolerante com a corrupção acaba sendo a marca reconhecível de seu governo. Ocorre que os aliados, muito especialmente o PT — e mais especificamente Lula —, querem lhe tirar esse ativo. Caso a presidente decida agasalhar Wagner Rossi e outros que virão atrás dele, é bem possível, para recorrer ao vocabulário do ministro Paulo Bernardo, que ela “não esteja bem” em 2014. Nesse caso, o partido lhe cassará a candidatura, ainda que ela mude de idéia e queira disputar.

Por Reinaldo Azevedo
Dilma fecha acordo com PMDB para manter Rossi e demitir “apadrinhados”

Por João Domingos, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff decidiu manter Wagner Rossi no Ministério da Agricultura para não brigar com o PMDB do vice-presidente Michel Temer, mesmo com todas as denúncias de suposto tráfico de influência envolvendo o ministro. Em contrapartida, Dilma vai impor uma faxina nos cargos ocupados por amigos de Rossi. Há 12 pessoas que hoje ocupam cargos na Agricultura, por indicação política e amizade com o ministro, que estão na mira da presidente e devem ser substituídos por nomes técnicos.

Essa é a base do acordo de convivência com a base aliada, que tem no vice-presidente da República - eleito com ela na mesma chapa - um dos seus principais líderes. Temer é o padrinho da nomeação de Rossi.

Segundo informações de auxiliares da presidente da República, Dilma fará o máximo de esforço para evitar repetir com o PMDB a experiência traumática que vive com o PR, alijado do Ministério dos Transportes. O PR ontem abriu mão dos cargos que ocupa no governo e disse que atuará com independência nas votações no Congresso.

Por causa da tensão na base, a presidente aceitou manter Rossi - pelo menos por enquanto, por não considerar graves as denúncias contra o ministro. Ela sabe que não pode perder o apoio do PMDB, além do agravante de o presidente do partido ser também o seu vice. Temer tem hoje o controle quase absoluto do partido, apesar dos peemedebistas dissidentes, como os senadores Jarbas Vasconcellos (PE) e Pedro Simon (RS).

Apesar das concessões ao PMDB, Dilma demonstra algum controle sobre a pasta da Agricultura. Um dos exemplos é a nomeação de José Gerardo Fontelles para a Secretaria Executiva do ministério, em substituição a Milton Ortolan, que pediu demissão no dia 6 após a revista Veja divulgar a ligação dele com o lobista Júlio Fróes. Fontelles havia sido secretário executivo do ministro anterior, o deputado Reinhold Stephanes. É um técnico com 40 anos de carreira. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
PF abre inquérito para investigar irregularidades na Agricultura e gabinete de Rossi vira alvo de denúncia

No Globo:
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar as denúncias de irregularidades no Ministério da Agricultura. Ao contrário do que fez quando as acusações atingiram o Ministério dos Transportes, a PF instaurou uma investigação formal de número 1526 e tomou na segunda-feira depoimento de Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitação da pasta comandada pelo ministro Wagner Rossi. No caso dos transportes, a PF sustentou que não havia necessidade de abrir uma nova investigação porque já havia muitos casos de fraudes em licitações de obras em rodovias em apuração pelo país. As novas denúncias em apuração atingem o gabinete do ministro Wagner Rossi.

No depoimento, Batista confirmou declarações que dera à revista “Veja”acusando o lobista Júlio Fróes de circular com desenvoltura no ministérioe ainda pagar propina a servidores por conta de licitações armadas pelo próprio lobista. O lobista tinha mesa junto aos servidores da comissão de licitação. O local privilegiado e o direito de circular pelo ministério foram assegurados pelo então secretário-executivo da Agricultura, Milton Ortolan, demitido depois que a denúncia veio a público.

No depoimento, Batista disse que ouviu o lobista conversar com Ortolan ao telefone e se referir ao “chefão 1″. À PF, o depoente não soube dizer se essa expressão era usada para identificar o ministro Rossi. Ele repetiu, no entanto, que foi chamado a uma sala da assessoria parlamentar no oitavo andar do ministério, onde recebeu uma pasta. Depois de sair da sala, viu que na pasta havia notas de R$ 50. Batista diz que não aceitou o dinheiro e devolveu sem contar.

Outros servidores também teriam recebido pasta semelhante, mas ele não soube precisar quem. A investigação da Polícia Federal vem sendo conduzida pelo delegado Leo Garrido de Sales Meira. Foi ele quem tomou o depoimento do ex-chefe da comissão de licitação. Batista atua hoje na mesma função só que na Telebrás. Ele sustenta que é vítima de perseguição porque não quis participar do esquema.

Por Reinaldo Azevedo
“Toda decisão da petrobrás é política”, afirma presidente da empresa

Por Irany Tereza, no estadão:
As principais definições da Petrobrás são políticas, admite o presidente da estatal José Sérgio Gabrielli. A definição de preços dos combustíveis, a decisão sobre a obrigação de conteúdo nacional nos equipamentos fornecidos à Petrobrás, investimentos em petroquímica, tudo depende de definição política. O executivo fala com naturalidade sobre o tema, afirmando que ingerências políticas ocorrem em todas as empresas do setor. Na sua palestra, no seminário Os Novos Desafios do Pré-Sal, ele citou empresas concorrentes, como Shell, Exxon e BP, para corroborar sua tese.

Em entrevista ao Estado logo após o debate, ratificou: “Toda decisão é política. Conteúdo nacional; aumentar ou não a exploração; vender para a China ou para os Estados Unidos; aumentar ou não o preço do combustível; entrar ou não na petroquímica”, disse, lembrando que o conselho de administração da empresa é integrado por ministros de Estado. A seguir, os principais trechos da entrevista.

A Petrobrás vai ajudar a calibrar as ofertas de áreas de pré-sal?
A Petrobrás não tem nada a dizer sobre a oferta (leilão de áreas). Mas a lei aprovada pelo Congresso diz o que fazer. As novas áreas serão ofertadas de forma a garantir que a indústria nacional possa atender à demanda por conteúdo nacional. A velocidade de entrada de novas áreas vai ser determinada não pela Petrobrás, mas pela capacidade dos estaleiros brasileiros, pela capacidade de produção de equipamentos no Brasil.

Podemos presumir que a Petrobrás não espera a licitação para a área do pré-sal a curto prazo? Só a partir de 2013?
Nosso plano é de longo prazo, até 2015. Quando houver a licitação, vamos nos posicionar. Vamos analisar as condições, saber se vamos disputar os 70% (a estatal obrigatoriamente já entra como detentora de 30% de todas as áreas) ou se vamos ficar nos 30%.

A Petrobrás espera mudar de patamar de investimentos?
No sentido de ser mais do que os US$ 224 bilhões? Pode ser. Ou não! Depende da oferta. Posso desinvestir, mudar o ritmo de outros projetos. Quando falo em 40% da produção vir do pré-sal em 2020, estou falando dos campos atuais, não dos novos. A concessão atual é 30% da área toda do pré-sal.

A Petrobrás já tem um plano para os desinvestimentos do planejamento estratégico?

Eu não tenho um plano, tenho uma lista de três tipos ativos que vamos incluir no programa. Serão blocos exploratórios e de produção; participação acionária em empresas e o terceiro ativo é o uso de nossos recebíveis e imobilização de caixa, que devemos liberar.

Sobre a venda de participações acionárias, já há nomes?
Fizemos uma lista que é maior do que US$ 13,6 bilhões. Muito maior.

Quanto maior?
Muito maior, ponto. Colocamos US$ 13,6 bilhões porque é o que precisamos para que o plano seja financiado no nível que queremos: entre 1,6 e 1,9 vezes o Ebitda de dívida líquida e com a taxa de alavancagem entre 26% e 29%. Daí porque vou ter US$ 13,6 bilhões de venda de ativos; US$ 26 bilhões de caixa hoje; de US$ 125 bilhões a US$ 149 bilhões de geração própria de caixa depois de dividendos, e captação entre US$ 67 bilhões e US$ 91 bilhões.

E os desinvestimentos ocorrerão ao longo de dois anos e meio, conforme forem necessitando desse capital?
Não precisamos desse capital agora, mas em cinco anos. São US$ 224,7 bilhões de investimentos mais US$ 31 bilhões de amortizações. Então, durante cinco anos vamos precisar desembolsar esses recursos.

A venda das ações será pulverizada ou vocês vão se desfazer de blocos de participações?
Ainda não está definido. É um processo que vamos definir quando for necessário.

O sr. disse que não existe empresa de petróleo sem ingerência política. Essa ingerência aumentou no governo Dilma?
Ficou na mesma. O Conselho de Administração da Petrobrás, que é onde entra a ingerência política, é o mesmo. Não houve nenhuma mudança. Ou melhor, Dilma Rousseff saiu da presidência do conselho para assumir a presidência da República e o (ministro da Fazenda) Guido (Mantega) assumiu a presidência do conselho.

Que tipo de decisão é política?
Toda a decisão é política. Conteúdo nacional é política; se vamos ou não aumentar a exploração é política; se vamos vender para a China ou para os Estados Unidos é política; se vamos ou não aumentar o preço do combustível; se vamos entrar ou não na petroquímica; se vamos comprar mais de fornecedor de tipo A, B ou C…

Refinaria…
Se vou construir refinaria aqui ou ali…

A parceria com a PDVSA é política?
Não. O nosso déficit (de fornecimento) está no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A PDVSA está a três dias de Belém, de navio. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Planalto promete R$ 1,7 bi em emendas para agradar à base

Por Maria Clara Cabral, na Folha:
Com o objetivo de evitar derrotas no Congresso, a presidente Dilma Rousseff prometeu a aliados acelerar a liberação de R$ 1,7 bi em emendas parlamentares. Em almoço ontem com líderes da base, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou que o governo vai liberar até setembro cerca de R$ 700 milhões dos chamados restos a pagar.
O valor se refere a emendas a orçamentos de anos anteriores que ainda não foram pagas pela União. A ministra prometeu ainda o empenho (promessa de gastar) de cerca de R$ 1 bilhão dos R$ 7 bilhões previstos em novas emendas. O afago também chegará aos novos deputados, que terão direito, cada um, a cerca de R$ 1 milhão em emendas.

Além de acelerar a liberação de recursos, Dilma avisou que adotará a estratégia de, junto com o vice-presidente Michel Temer, participar mais ativamente das conversas com os líderes dos principais partidos. A aproximação teve início na noite de anteontem, em um encontro com o PT e PMDB. Ontem à noite, foi a vez de PSB, PDT e PC do B “Dilma está gostando tanto da articulação política que agora faz reunião até as 23h com políticos”, disse Ideli ao sair do encontro. Amanhã será a vez do PSD, partido a ser criado pelo prefeito Gilberto Kassab. Para agradar a deputados, Ideli despachou ontem no gabinete do líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e não do PlanaltoAqui

Por Reinaldo Azevedo
Empresária é chamada para ser ministra

Por Toni Sciarretta e Natuza Nery, na Folha:
A empresária Luiza Helena Trajano, dona da rede de lojas Magazine Luiza, confirmou que foi convidada pela presidente Dilma Rousseff para assumir um posto no governo, mas negou que já tenha aceitado a missão. Trajano deve ocupar a futura Secretaria da Micro e Pequena Empresa. A criação da pasta, que terá status de ministério, tem de ser aprovada pelo Congresso. A Folha revelou em 19 de julho a intenção de Dilma de chamar a empresária. Diante da sondagem feita à época, Trajano pediu um tempo para se desvencilhar de suas funções na companhia, enquanto Dilma ficou de acelerar a tramitação do projeto que cria o 39º ministério de seu governo.

A proposta recebeu, recentemente, o carimbo de urgência na tramitação, trancando a pauta de votações se não for apreciada em 45 dias. Além de tocar as ações do setor de micro e pequena empresa, Trajano, se aceitar o convite, cuidará de políticas públicas na área da economia solidária. Esse desenho desagrada petistas. O partido alega conflito entre planejar ações para essas duas áreas. Para o PT, o primeiro visa ao lucro e o segundo atua de modo associativo, cujo princípio é a divisão dos ganhos entre todos. Identificada com o perfil gerencial de Dilma, a empresária avalia se este é o melhor momento para se afastar da rede varejista, que abriu o capital na Bolsa em maio. Fora do dia-a-dia das lojas, Trajano preside o conselho de administração e cuida de assuntos estratégicos da rede. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Secretário-executivo do Turismo pedirá demissão, diz ministério

Por Nádia Guerlenda, na Folha Online:
O Ministério do Turismo afirmou que o secretário-executivo da pasta, Frederico Costa, número dois na hierarquia do ministério, pedirá demissão do cargo. Costa foi um dos presos na semana passada pela Operação Voucher, da Polícia Federal –ele já foi solto.

A operação prendeu no total 36 suspeitos de desvios de recurso em um convênio do ministério com uma entidade privada sem fins lucrativos, o Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável)

De acordo com a pasta, o pedido de demissão ainda não foi encaminhado formalmente, mas o ministro Pedro Novais já foi informado da intenção de Costa. Até então, o secretário-executivo estava afastado do cargo sem remuneração, por força de decisão judicial. Os demais funcionários do Turismo que haviam sido presos — cinco no total, todos já liberados — permanecerão afastados do trabalho, recebendo salário, até o final das investigações.

As investigações da Operação Voucher começaram em abril e apontaram possíveis irregularidades em um convênio de R$ 4,45 milhões firmado entre o Ministério do Turismo e o Ibrasi. Na semana passada, o Ministério Público decidiu apresentar denúncia contra 18 pessoas, incluindo integrantes da cúpula do Ministério do Turismo.

Por Reinaldo Azevedo
Senado aprova em 1º turno proposta que muda tramitação de MPs

Por Fábio Amato, no Portal G1:
O Senado aprovou nesta terça-feira (16), em primeiro turno, a proposta de emenda constitucional (PEC) que altera o rito de tramitação das medidas provisórias no Congresso. O segundo turno de votação deve acontecer nesta quarta-feira. Em seguida, o texto será encaminhado à Câmara. O projeto foi aprovado por unanimidade- estavam presentes 60 senadores na sessão.

O principal ponto da PEC é o que altera a divisão do prazo de tramitação das medidas provisórias no Senado e na Câmara. Pela nova regra, dos 120 dias de tramitação previstos na Constituição, 80 serão na Câmara e 30 dias no Senado. Os dez dias restantes serão usados pela Câmara para a análise de emendas que vierem a ser apresentadas no Senado.

A  PEC veta, ainda, a inclusão durante a tramitação no Congresso de matérias sem relação com o objeto da medida provisória.” A proposta determina que é papel das comissões de Constituição e Justiça de cada Casa avaliar se uma determinada medida provisória é mesmo relevante e urgente para “furar” a fila de votações.

Hoje, as medidas provisórias são encaminhadas diretamente para votação no plenário.

Por Reinaldo Azevedo
Secretário de Imprensa da Presidência da República sabota esforço moralizador do governo. Demonstro por quê.

Governos no mundo inteiro têm uma estrutura de imprensa para se comunicar com a opinião pública. Poucos, no entanto, contam com um aparato semelhante ao brasileiro,  que soma a publicidade oficial à das estatais, conferindo um poder formidável aos mandatários de turno. Aí está uma das raízes dos desmandos no Brasil, não duvidem.

Pois bem. O lulo-petismo não se conforma só com o permanente assalto ao bolso dos cidadãos para espalhar as verdades oficiais e para fazer politicagem. Todos sabemos que há, por exemplo, uma rede de blogs sujos financiada direta ou indiretamente pelo oficialismo. E isso ainda é pouco. Profissionais incrustados na máquina de comunicação, que deveriam primar pelo rigor técnico, recorrem às redes sociais para praticar uma espécie de pistolagem intelectual e política.

Vou dar destaque aqui a um sujeito que tem modestíssimos 1.045 seguidores no Twitter. Certamente acabará ganhando alguns depois deste post. Não ligo. Às vezes, sou caridoso com os desprovidos de público. Dou relevo ao que ele escreveu porque, creio, três de seus tuítes servem de emblema do que está em curso.

Refiro-me a um sujeito chamado José Ramos Filho, que é secretário de Imprensa da Presidência da República. Trabalha diretamente com Dilma Rousseff. A VEJA desta semana, como sabem, traz uma reportagem narrando a magnífica trajetória do ministro da Agricultura Wagner Rossi, o professor universitário que entrou para a política e acabou morando numa casa avaliada em modestos R$ 9 milhões. Esse é o lado, digamos, “empreendedor” de sua biografia. Há outros. Leiam lá.

Pois bem, no próprio sábado, tão logo a revista começou a chegar às bancas, o tal José Ramos Filho mandou ver em três tuítes, que me foram enviados por um leitor. Eu os reproduzo abaixo, na forma como foram redigidos.

1 - “O que dita rumos é o grito dos fatos noticiados, não o berreiro do jornalista ou de seu veículo.”
2 - “Parece que a editora abril tá querendo entrar no ramo de Diarios Oficiais…”
3 - “Na ausencia de uma bala de prata contra wagner rossi, veja tenta um tiro de cartucheira, com pregos e Chumbinhos.”

Embora José Ramos Filho seja secretário de Imprensa da Presidência, ele certamente dirá que tuitava “enquanto pessoa física”. Para o valente, tudo o que se sabe até agora de Wagner Rossi é pouco, e as notícias podem ser resumidas a um “berreiro”. Vi a cara dele. Já é um senhor careca e barbudo. Como diria Antero de Quental, a tolice de um velho é tão desagradável quanto a gravidade numa criança. Se fosse cabeludo e sem barba, não seria menos tolo. Só descrevo um tipo, que costuma ser confundido com seriedade.

Entendo por que ele está infeliz. O “berreiro” da VEJA derrubou, deixem-me ver, o ministro Antonio Palocci, o ministro Alfredo Nascimento, 26 pessoas do Ministério dos Transportes e o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Milton Ortolan. Como diria o dito-cujo, nada como “o grito dos fatos”.

Passo para o tuíte 3. E encerrarei com o dois, em que, vocês verão, o secretário de Imprensa de Dilma faz pouco de sua chefe. Explicarei por quê. Ramos está anunciando um critério moral, que deve seguir, suponho, em sua vida privada, já que escreve “a nível de pessoa”, né? Ele acha que um ministro envolvido no desperdício de oito toneladas de comida por razões políticas não é “bala de prata”; ele acredita que um lobista com sala secreta no ministério — ex-traficante de drogas que redige pareceres e cobra propina em nome da pasta — não é bala de prata. Que homem tolerante! Se ele acha que o Brasil merece tais práticas, vai ver seleciona segundo esses critérios seus amigos na vida privada. Deus me livre!

Mas revelador mesmo é o tuíte 2. Parece enigmático? Eu explico. A mesma edição de VEJA que trouxe a reportagem que desconstrói Wagner Rossi publicou uma “Carta ao Leitor” em que afirma que os brasileiros decentes devem apoiar Dilma Rousseff QUANDO E SE ela demite larápios. O texto informa que a presidente está sendo alvo da chantagem de figurões da base aliada, que ameaçam com retaliações no Congresso.

Pois bem, o homem de Dilma na área de imprensa está afirmando que, ao redigir tal carta, VEJA se candidata a ser “Diário Oficial”. Como hostiliza a revista e como a revista apóia, sim, o esforço moralizador empreendido até agora, resta evidente que o tal José Ramos Filho está fazendo pouco do esforço de sua chefe para livrar os cofres públicos da bandidagem. Ou por outra: o secretário de Imprensa da Presidência está dizendo que esse apreço de VEJA pela moralização não é bem-vindo. Ele dispensa o apoio da revista a esse aspecto da atuação da presidente. Resta saber se o faz ou não em nome dela.

De novo: a tolice num velho é tão insuportável quanto a gravidade numa criança. VEJA atua “no ramo” do jornalismo — e é assim que colaborou para que muitos milhões de reais, bilhões talvez, que pertencem aos brasileiros fossem preservados da sanha da súcia. Este escriba já apontou aqui o arrefecimento do ânimo moralizador da presidente — para o mal do Brasil. Dá para entender por quê. Leio os três tuítes do secretário de Imprensa da Presidência como uma espécie de emblema da sabotagem do esforço moralizador empreendido até agora.

Sabotadores devem ser demitidos. Mas isso é com Dilma. Ao escolher seus assessores, escolhe também um destino. Se ele fica, então fala em nome dela.

Por Reinaldo Azevedo

Eles são obscenos até sobre 199 cadáveres.É da sua natureza! Por que não seriam sobre os cofres públicos arrombados?

No post anterior, escrevo sobre a delinqüência intelectual do secretário de Imprensa da Presidência, o senhor José Ramos Filho. Isso não é assim tão raro em Brasília, não é mesmo? Há uma clássico desse comportamento asqueroso.

No dia 17 de julho de 2007, um Airbus A320-233, da TAM, proveniente de Porto Alegre, atravessou a pista do aeroporto de Congonhas e explodiu do outro lado da avenida, ao se chocar com um prédio da própria empresa. Morreram os 187 ocupantes do avião e mais 12 que estavam em solo. O Brasil vivia o auge do caos aéreo, uma das conquistas originais do petismo. A única preocupação do governo era provar que não tinha nada com isso.

O Jornal Nacional noticiou, no dia seguinte, que o avião tinha um problema no reversor direito. O defeito não teve qualquer relação com o acidente, mas foi o bastante para o então assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e Bruno Gaspar, seu homem de imprensa, reagirem como se nota abaixo.

Comemoração? À época, os jornalistas procuraram Marco Aurélio para que ele explicasse seu gesto. Depois de pedir um tempinho para assistir à própria performance,  explicou:
“Não aceito dizer que a gente comemorou. Foi um momento de extravasamento com a conclusão de que o acidente pode ter sido mais complexo do que em princípio chegaram a levantar. Foi uma reação de ‘poxa, tá vendo?’… Porque houve precipitação. Alguns setores tentaram atingir o governo politicamente e nos culpar. Agora está visto que não é bem assim”.

Ah, bom! Assim fica tudo explicadinho. Eles estavam pouco se lixando para a tragédia. Só a questão política importava. Voltem ao noticiário de então. O Apedeuta, que discursava  até em solenidade de coroamento de cabeça de bacalhau, desapareceu. Era tal o receio de se comprometer com o assunto que não expressou nem mesmo a natural soildariedade aos famiiares das vítimas. A solenidade ficou por conta da charmosa dupla Garcia &  Gaspar. Não tem jeito! Eles são quem são e só por isso estão juntos. É uma escolha, mas também é uma natureza.

Por Reinaldo Azevedo

Assessor que faz chicana no Twitter se atreveu a pressionar a PF por causa de reportagem sobre corrupção. Demite o homem, Viscondessa!

Publico abaixo dois posts sobre um sujeito chamado José Ramos Filho, secretário de Imprensa da Presidência da República. Ele resolveu ignorar o peso do cargo que ocupa para fazer baixo proselitismo no Twitter contra a… imprensa. Leiam lá. Pois é… Na primeira semana de junho, na edição nº 2.220, VEJA publicou uma reportagem de Fernando Mello que fazia a anatomia da corrupção no Brasil — o assunto foi parar na capa. Um estudo da PF servia de orientação à reportagem (publico um trecho da reportagem ao pé da página).

Pois bem… Acabo de saber: o tal Ramos telefonou para a direção da Polícia Federal. Queria saber quem havia passado as informações para o repórter. E se mostrou especialmente incomodado com o fato de ter sido a VEJA a publicá-las. Parafraseando o Chico Jabuti, que eles apreciam tanto, Ramos não gosta de VEJA, mas os leitores gostam.  Parece que ele queria esconder isto dos leitores (em azul). Volto para encerrar.

O raio X da corrupção

Peritos da Polícia Federal descobriram como se assaltam os cofres públicos sem deixar rastros e ao abrigo da lei

Uma dúvida atormentou por muito tempo as melhores cabeças da Policia Federal. Ao investigarem quadrilhas envolvidas em obras públicas, policiais deparavam frequentemente com um quadro incompreensível. Tanto nas conversas telefônicas interceptadas quanto nos e-mails apreendidos, era comum flagrar empresários e executivos falando sobre desvio de dinheiro, pagamento de propina a funcionários públicos, remessas para o exterior por meio de caixa dois e demais assuntos que compõem o repertório clássico da corrupção que emerge sempre que entre o dinheiro público e um fornecedor privado de produtos ou serviços existe um intermediário desonesto. Mas, mesmo com a certeza de estarem diante de um crime, os investigadores muitas vezes não conseguiam responder a uma pergunta crucial: de onde vinha o ganho dos criminosos? Isso porque, apesar das evidências gritantes de falcatrua, quando os agentes da policia analisavam os contratos firmados entre as empresas e os órgãos públicos, chegavam à conclusão de que os preços que elas cobravam estavam dentro dos limites legais - ou seja, não havia superfaturamento. Ora, se não havia superfaturamento, não havia ganho ilegal e; se não havia ganho ilegal, todo o resto deixava de fazer sentido.

Em março, a dúvida dos investigadores deu lugar a uma explicação cristalina. Depois de dois anos de análise minuciosa de contratos públicos, levantamento de notas fiscais, checagem de custos de 554 compras empreendidas em obras do governo e visitas in loco de algumas dezenas de canteiros de obras, peritos da PF descobriram o “pulo do gato” - ou, mais apropriadamente neste caso, do rato. O truque pode ser chamado de “superfaturamento oculto”.

Para entender essa criação genuinamente brasileira, é preciso fazer um rápido mergulho no mundo das licitações. Há muito tempo, o governo federal é cobrado a estancar o desperdício que mina dos contratos de obras públicas e corrói seus cofres. Para dar uma resposta a isso, desde 2003 a Lei de Diretrizes Orçamentárias passou a exigir que os órgãos públicos, antes de fazer qualquer pagamento, observem as tabelas oficiais de referência de preços. Essas tabelas, formuladas em conjunto por diversos órgãos do governo, contêm os valores médios dos principais materiais de construção e insumos usados em obras de engenharia civil. A primeira delas chama-se Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi). A segunda, Sistema de Custos Rodoviários (Sicro). Há oito anos, seu uso é obrigatório. Muito bem. Para órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, um preço só é classificado como “superfaturado” se estiver acima dos valores constantes do Sinapi e do Sicro. Tudo o que estiver dentro do limite das tabelas é considerado legal.

O que a PF descobriu, e que causa espanto, é que as duas tabelas oficiais já trazem preços muito superiores aos praticados pelo mercado. Uma rápida pesquisa realizada pelos peritos policiais no comércio revelou que os preços dos produtos mais usados em obras de engenharia estão, em média, 20% mais altos do que deveriam.

Se o leitor, por exemplo, for a um depósito para comprar um tijolo cerâmico do tipo “oito furos”, pagará 44 centavos a unidade. O mesmo tijolo, adquirido pelo governo. sairá por 56 centavos. A diferença, de 27%, é carregada para o ninho dos ratos da corrupção. Em produtos como a tinta látex acrílica, ela chega a 128%. No forro para teto, do tipo bandeja, as tabelas trazem valores até 145% mais altos que o usual. Ou seja, basta as empresas seguirem a tabela ao pé da letra para obter uma espécie de “superfaturamento legal”.

Os peritos da PF que descobriram o golpe fizeram registrar em seus relatórios um outro alerta: dado que o governo nunca compra só um tijolo - suas encomendas começam invariavelmente na casa do milhar - e quem compra em grande quantidade sempre tem direito a desconto, seria de esperar que nas obras públicas de grande porte os valores unitários acabassem ainda mais em conta. Ocorre que os valores registrados no Sinapi e no Sicro não levam em consideração a escala. Com isso, o governo dá de bandeja mais um motivo para as empreiteiras deitarem e rolarem. Elas cobram preços muito acima dos de mercado, fazem isso à sombra de regras estipuladas pelo próprio governo e, assim, ficam inalcançáveis pela lei - e pelas auditorias do TCU.
(…)

Encerro
José Ramos fique tranqüilo. Como secretário de Imprensa da Presidência, pago com o nosso dinheiro, ele continue no seu esforço para esconder informações dos leitores. VEJA continuará a fazer o contrário.

Por Reinaldo Azevedo

Seria Dilma a viscondessa partida ao meio?

Se o leitor ainda não o fez, deve fazê-lo: ler “O Visconde Partido ao Meio”, do escritor italiano Italo Calvino. Não chegará a ser o seu livro de cabeceira, mas se ganha bastante em poucos mais de 100 páginas. Coisa para duas ou três horas de um daqueles domingos que, muitas vezes, se desenrolam sem motivo aparente… Vocês conhecerão o Visconde Medardo di Terralba, que foi combater os turcos. Um tiro de canhão o rachou ao meio, na vertical. Uma parte, a direita, volta para a casa. Era a metade perversa, má no limite do tédio… dos outros! Depois de algum tempo, suas vítimas já haviam se acostumado com suas perversidades. Até que chegou o lado esquerdo, que havia sido cuidado por monges. Era de uma bondade… insuportável!!! Chamavam-no “o vagabundo”. As duas partes acabarão duelando pelo amor de Pamela. O resto, vocês conferem no livro.

Muitos quiseram decifrar o sentido metafísico do Visconde de Calvino. Até se tentou uma leitura política, com a “direita má” e a “esquerda boazinha”,  ambas impróprias para o convívio humano. “Reunidas” as metades do marquês, nem por isso se formou uma inteireza. Somos, os homens, assim mesmo: não cindidos em duas partes, mas em muitas. “Nada do que é humano me é estranho”, escreveu Terêncio. Porque não é, somos levados a fazer escolhas, que acabam determinando com quais pessoas decidimos viver e que moralidade nos serve. Aos escolher os outros, escolhemos o nosso próprio caminho. Potencialmente, podemos ser o monstro moral da metade má ou o abestalhado da metade boa; podemos atormentar os outros tanto com o nosso egoísmo com nossa generosidade. Nada pode crescer à volta de um e de outro; um mata com o seu fel; o outro, com o seu mel. Mas que não se conclua apressadamente que a virtude está no meio, no doce-amaro, na indefinição. A “verdade”, qualquer que seja ela, está no conjunto. A razão tem de domesticar, a cada dia, a besta cínica e a besta crédula que há em nós.

Por que me lembrei de Calvino? Será Dilma Rousseff “a presidente partida ao meio”? O lado petista, o mau — que, na alegoria do escritor, é “o direito” — é o procurador dos interesses do partido: compõe com a bandalheira; mantém pessoas suspeitas no governo; faz acordos espúrios; descumpre a palavra empenhada em campanha com uma severidade de fazer inveja aos ascetas; rende-se ao toma-lá-dá-cá do “presidencialismo de coalizão” com o ar vetusto de quem desvenda os segredos das Santas Escrituras… A metade “não-petista” — na alegoria, é a esquerda… —, ao contrário, deplora as malfeitorias; está empenhada em fazer a faxina no governo; acha deplorável a bandalheira; não cede às imposições do pragmatismo de chiqueiro que tem recebido entre nós o pomposo nome de “governabilidade”.

Antes que eu responda, sigamos um pouco mais no trato alegórico. A chamada base aliada, incluindo os petistas, dá mostras de não suportar a “metade boa” de Dilma: ameaça; faz chantagem; anuncia dias difíceis; emite nota de desagravo a pessoas investigadas pela PF — como fizeram o PR e o próprio PT —; demonstra disposição de arrombar os cofres públicos, votando benefícios impagáveis… Avancemos: teóricos do petismo estão preocupados. Acham que é preciso “re-unir” as duas partes da viscondessa. Uma Dilma que cedesse a todos os desejos da tal base — a metade má — seria indesejável. Afinal, guardam ao menos a memória da moral; mas esta outra, que pretende ser implacável com a corrupção, ah, essa também não é viável! Ela correria o risco de terminar como Fernando Collor, sem um Congresso para chamar de seu… A virtude, nesse caso, estaria no meio: uma Dilma que condescendesse com a bandalheira, mas não muito; uma Dilma que punisse a sem-vergonhice, mas não muito; uma Dilma, assim, mais ou menos… Moralista, mas não muito…

Já escrevi ontem aqui — e a Carta ao Leitor da edição de VEJA desta semana (que revela a trajetória do ministro Wagner Rossi) o lembrou com propriedade: Dilma tem o apoio do povo brasileiro para fazer a tal “faxina”, “limpeza” ou seja lá como queiram chamar. Desconheço, a não ser os atingidos pelas demissões saneadoras e aqueles que parecem estar com medo, quem se oponha à iniciativa.

A presidente, no entanto, parece emitir sinais de recuo. O apoio da população ao saneamento do governo não parece bastante para que ela se anime a desmontar os esquemas incrustados nos ministérios, que remontam ao governo Lula, do qual, atenção!, ela era “gerente”. As metáforas eram fortes o bastante para que sejam relembradas: se Lula se apresentava como o “pai” do povo, o “produto eleitoral Dilma” foi vendido como “a mãe”. Talvez ela tenha chegado a se animar com a possibilidade de plasmar a imagem da moralizadora, o que conferiria ao menos uma identidade a seu governo, já que, até agora, convenham, não se sabe direito por que foi eleita. Ocorre que ela tem de cumprir acordos.

O visconde partido ao meio serve como metáfora dos dilemas morais com os quais, indivíduos,  nos defrontamos no cotidiano e vida afora; também podem ilustrar o maniqueísmo dos confrontos ideológicos, religiosos, culturais… A verdade transita ali,  em alguma zona cinzenta, que apela à nossa tolerância e à nossa compreensão.

Um governante, no entanto, não tem escolha. Ou põe os ladrões para fora do governo ou se torna cúmplice de seus crimes.

Por Reinaldo Azevedo

Conforme noticiou VEJA: Agricultura teve licitações “corrompidas”, diz servidor

Por José Ernento Credendio e Andreza Matais, na Folha:
O funcionário que denunciou a distribuição de propinas por um lobista numa sala que fica a 30 passos do gabinete do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que o ministério foi “corrompido” após a chegada de Rossi. Ex-chefe da comissão de licitação do ministério, Israel Leonardo Batista afirmou à Folha que o ministro “desarranjou” o setor nomeando pessoas que “vão assinar o que não devem”. Ele reafirmou que o lobista Júlio Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro dentro do ministério depois da assinatura de um contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava. Israel disse que as fitas do circuito interno da pasta podem comprovar se Rossi conhece ou não o lobista. Segundo ele, o ministro irá atrapalhar as investigações se permanecer no cargo.

 
Folha - Por que o sr. saiu do Ministério da Agricultura?
Israel Leonardo Batista -
 Foi questão de perseguição…

O sr. chegou a sofrer assédio para que assinasse documentos que julgava incorretos? 
Sempre trabalhei de acordo com o que a lei determina. Não aceito interferência. Me senti incomodado com certas coisas. Sofri retaliações por ser honesto.

O que mudou no setor de licitação sob Wagner Rossi? 
Foi todo desarranjado. O pessoal do quadro não permaneceu. Somente o pessoal terceirizado.

Qual é o problema de licitações serem conduzidas por pessoas alheias à pasta? 
Não têm conhecimento, vão assinar o que não devem.

Como está o setor hoje? 
Está corrompido, no sentido de que pessoas não têm preparo.

Como conheceu Júlio Fróes? 
Na frente de todos os servidores da comissão de licitação. Ele chegou com a Karla [Renata França Carvalho, chefe de gabinete da secretaria-executiva] e o Milton Ortolan [ex-secretário-executivo]. Ela [Karla] pediu para dar apoio para ele [lobista], pediu para arrumar um computador e uma mesa para ele fazer um trabalho. Logo, entendi que fosse um assessor.

Disseram que era assessor? 
Disseram dr. Fróes, entendi como assessor. Pedi para funcionária se retirar [de uma mesa] para ele fazer esse trabalho [texto de convênio].

Sem conhecimento de Rossi? 
Se o chefe de gabinete do ministro sabia, se o secretário-executivo sabia… As câmeras vão dizer.

O ministro conhecia Fróes? 
É só divulgar as imagens [do circuito interno da pasta].

É possível que o ministro desconhecesse Fróes? 
As câmeras vão dizer quem está mentindo e quem está dizendo a verdade.
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

O que a viscondessa está esperando para demitir Wagner Rossi, o irredimível? Ministro da Agricultura usou jato de empresa de agronegócio

Na Folha Online. Comento no post seguinte:

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), fez uso no cargo de um jatinho de uma empresa de agronegócios. Segundo reportagem publicada hoje pelo “Correio Braziliense”, Rossi e um de seus filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), viajaram várias vezes em uma aeronave avaliada em US$ 7 milhões pertencente à Ourofino Agronegócios. Em nota divulgada no início da tarde desta terça-feira, Rossi diz ter usado o jato “em raras ocasiões”, como “carona”, e nega ter beneficiado a empresa. A Ourofino é de Ribeirão Preto (SP), cidade onde moram o ministro e sua família. Ela obteve aprovação, liberação e licença para comercialização de vacina contra febre aftosa em 2010.

Segundo a reportagem do “Correio”, um dos sócios do Grupo Ourofino é Ricardo Saud, diretor da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura. A proximidade entre a família de Rossi e a empresa do agronegócio se repete em outros campos. Vídeos institucionais da Ourofino são realizados pela empresa A Ilha Produções, que atualmente está em nome de Paulo Luciano Tenuto Rossi, filho do ministro, e Vanessa da Cunha Rossi, mulher de Baleia. O deputado estadual, por sua vez, foi contemplado com doação de campanha no valor de R$ 100 mil, transferidos pela Ourofino.

“Ao longo de quatro anos, os procedimentos técnicos que culminaram na autorização para fabricação do produto veterinário foram cumpridos rigorosamente. (…) Empresas nacionais, como a Ourofino e a Inova, conseguiram status oficial para a produção do medicamenteo veterinário. A decisão, técnica, teve como objetivo, abrir o mercado”, diz Rossi na nota.

Em resposta ao “Correio Braziliense”, o deputado Baleia também “confirma que já viajou no avião da Ourofino” e que a empresa “fez doações à sua campanha, devidamente registradas no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo”. Já Ricardo Saud afirmou ao jornal que não é mais sócio da subsidiária do grupo, pois o negócio não se viabilizou. A Ourofino diz que o assessor especial do ministro não continuou na ficha societária da firma, pois sua participação “não foi finalizada por falta de recursos por parte do senhor Ricardo”.

Corrompido
A revelação da relação entre Rossi e a empresa de Ribeirão Preto se junta à série de denúncias que há três semanas alvejam o Ministério da Agricultura. Na edição desta terça-feira, a Folha publicou entrevista em que o ex-chefe de Licitações do ministério Israel Leonardo Batista diz que o ministério foi “corrompido” após a chegada de Rossi à pasta, no início de 2010. O servidor diz que o setor de licitações foi “desarranjado” e que vídeos do sistema interno de segurança da repartição revelariam a atuação de lobistas.

Leia nota do ministro sobre a reportagem
Sobre a reportagem “O ministro e o jatinho de US$ 7 milhões”, publicado nesta terça-feira, 16 de julho, pelo “Correio Braziliense”, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, esclarece:

O processo de autorização para a empresa Ourofino Agronegócios pudesse produzir o medicamento Ourovac Aftosa iniciou-se no Ministério da Agricultura em setembro de 2006.

Antes, portanto, da minha gestão à frente da pasta e de minha participação no governo.

Ao longo de quatro anos, os procedimentos técnicos que culminaram na autorização para fabricação do produto veterinário foram cumpridos rigorosamente.

A aprovação, liberação e licença para abertura da fábrica, por exemplo, ocorreram em março de 2009. Nessa ocasião, eu não era ministro da Agricultura.

E, diferentemente do que insinua a reportagem, a Ourofino não foi a única a receber tal autorização.

Também a Inova Biotecnologia (MG) recebeu licença do governo, em outubro de 2010, para fabricar a Aftomune, como é chamada a vacina contra a febre aftosa daquela empresa. No mesmo período em que a Ourofino foi licenciada.

Até 2009, apenas seis empresas, sendo cinco multinacionais, tinham autorização do governo para produzir e comercializar a vacina contra a febre aftosa no Brasil.

Empresas nacionais, como a Ourofino e a Inova, conseguiram o status oficial para a produção do medicamento veterinário. A decisão, técnica, teve como objetivo abrir o mercado.

Além dessas duas, também a empresa argentina Biogenesis obteve, em 2009, autorização para a produção da vacina.

As três empresas têm reputação no mercado e cumpriram todos os pré-requisitos, sem privilégios ou tratamento especial.

Por último, informo que, em raras ocasiões, utilizei como carona o avião citado na reportagem.

Brasília, 16 de abril de 2011

Wagner Rossi
Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Por Reinaldo Azevedo

Rossi e o choque anafilático

Wagner Rossi é mesmo uma figura espetacular. A sua nota apela ao risível, embora ele possa não ter se dado conta disso. Então ele usou o jato da empresa “em raras ocasiões”? Em “raras ocasiões” pode, é isso?

Tio Rei é alérgico a gergelim — a semente e o óleo. Daquelas alergias que provocam choque anafilático e matam por fechamento da glote. Os inimigos não se animem. Eu ando devidamente equipado. Sim, uma vez quase morri num resort. O meu quarto, onde estava o kit, ficava longe do restaurante. E havia comido apenas um espaguete alho e óleo. E entrei em choque. Como pode? Já estabilizado, fui à gerência do restaurante.

— Vocês colocaram óleo de gergelim no espaguete?”
 Não, senhor!
 Se colocaram, preciso saber, é questão de vida ou morte para mim.
 Não, senhor!
 Chame o cozinheiro.
 Tinha óleo de gergelim no macarrão?
 Óleo de quê?
 Deixe-me ver o que você usou.

Era óleo de gergelim. O gerente se indignou  e me parecia sincero  ao falar com o cozinheiro.
 Mas eu perguntei se você tinha usado, e você negou.
 Ah, mas é que eu usei só um pouquinho…

É o padrão Wagner Rossi de argumentação. “Um pouquinho” da coisa não é a coisa. É uma concepção, digamos, filosófica de mundo: uma coisa “só é” a partir de certa quantidade; antes disso, seria uma não-coisa. Andar muito no avião de uma empresa privada com negócios com o governo e que financia campanhas é coisa feia, não pode, é inaceitável. Andar um pouquinho, aí tudo bem…

As coisas vão se complicando. Como vocês verão no próximo post, a defesa da permanência de Rossi no governo avança para a delinqüência intelectual.

Por Reinaldo Azevedo

Serra cobra mais rigor no combate à corrupção

O ex-governador José Serra, presidente do Conselho Político do PSDB, cobrou nesta terça uma postura mais firme do governo no combate à corrupção. Leia trecho da reportagem de Gustavo Uribe, no Estadão Online.

(…)
“Tem que ampliar mais, tem que investigar todos os setores, tem que fazer uma investigação própria”, cobrou o ex-governador após ministrar palestra de encerramento do 12.º Encontro Internacional de Energia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Até agora, o grosso das coisas que apareceram veio da imprensa”, acrescentou.

O ex-governador disse que o motivo da atual crise no governo federal é o “loteamento exacerbado de cargos” um fenômeno que, segundo ele, tem origem no passado. “Esse é o esquema que prevaleceu no processo eleitoral brasileiro”, disse. “O que o Brasil inteiro quer é que essa situação mude, até porque o País precisa ser bem governado”, completou. Serra ressaltou que os desdobramentos da corrupção afetam investimentos do governo federal e o crescimento nacional. “Se a gente vê um governo envolvido em tantas práticas lesivas ao interesse público, há uma certa perda de credibilidade pelo poder central”, afirmou.

Na palestra, o ex-governador destacou que o desafio atual do Brasil é vencer a barreira do subdesenvolvimento e que, para isso, o governo federal deve repor a nação em sua trajetória histórica de crescimento. Acrescentou que o País tem o que chamou de “três bônus” para atingir um crescimento sustentado: a evolução demográfica, a liderança na produção de matérias primas e uma grande matriz energética.

Ponderou, porém, que o aproveitamento de tais bônus deve ser acompanhado de uma taxa maior de investimento do governo federal e de políticas públicas adequadas. Serra disse também que o País apresenta como empecilhos a alta taxa de juros, o câmbio sobrevalorizado e a alta carga tributária, para entrar em uma rota efetiva de desenvolvimento.

Por Reinaldo Azevedo

PSDB pede busca e apreensão de fitas na sede da Agricultura

Por Maria Clara Cabral, na Folha Online:

O PSDB apresenta nesta terça-feira (16) ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedido de busca e apreensão no Ministério da Agricultura. O partido quer a obtenção das fitas do circuito interno, depois que o ex-chefe da comissão de licitação do ministério, Israel Leonardo Batista, afirmou à Folha que o ministro Wagner Rossi “desarranjou” o setor nomeando pessoas que “vão assinar o que não devem”.

Na entrevista, Batista reafirmou que o lobista Júlio Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro dentro do ministério depois da assinatura de um contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava.

Ele disse também que as fitas do circuito interno podem comprovar se Rossi conhece ou não o lobista. Segundo ele, Rossi irá atrapalhar as investigações se permanecer no cargo.

“O fato é que o servidor desmente a versão oficial de Rossi e o inclui como partícipe de um grande esquema de corrupção e a prova dessa sua participação, consistente em imagens que comprovam seu envolvimento com o lobista Júlio Fróes, estão prestes a serem perdidas ante a manutenção do Sr. Wagner Rossi à frente da Agricultura, após inúmeras denúncias de corrupção nesta pasta”, diz representação do PSDB assinada pelos líderes da Câmara, Duarte Nogueira (SP), e do Senado, Alvaro Dias (PR).

SITE
Em outra frente, junto com o DEM, os tucanos lançam na quarta-feira (17) o movimento pela criação de uma CPI mista para investigar todas as suspeitas de irregularidades no governo.

A oposição criou um site para divulgar a lista dos nomes de deputados e senadores que assinaram o requerimento de criação da CPMI da Corrupção, bem como os parlamentares que ainda não assinaram.

“O site servirá principalmente para que a sociedade possa cobrar. Vamos revelar o nome de quem quer ver as irregularidades esclarecidas e quem foge do esclarecimento”, disse o líder do Democratas na Câmara, ACM Neto (BA).

Por Reinaldo Azevedo

PR abre mão de cargos no governo federal, diz Nascimento em discurso

Por Fábio Amato, no Portal G1. Mais tarde, conversaremos a respeito.
O ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (PR-AM) disse nesta terça-feira (16), durante discurso no Senado, que o partido abre mão de todos os cargos no governo federal ocupados por indicação de sua bancada. “Neste momento, abrimos mão de todos os cargos hoje ocupados por indicação de nossas bancadas. Tais espaços estão à disposição da administração federal”, afirmou Nascimento, que também é presidente nacional do PR.

Segundo Nascimento, o atual ministro dos Transportes, Paulo Passos, merece “reconhecimento” pelo seu trabalho, mas não é “o legítimo representante do nosso partido no governo federal”. Nascimento disse que a declaração de independência é resultado de sólido consenso” das bancadas do PR na Câmara e no Senado. De acordo com ele, o partido pretende agora participar de modo construtivo” do debate dos projetos no Congresso.

No início de julho, após uma série de denúncias sobre a existência de um suposto esquema de superfaturamento de obras envolvendo servidores da pasta, o então ministro Alfredo Nascimento  pediu demissão. Além de Nascimento, mais de 20 integrantes do ministério e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) foram demitidos ou pediram demissão, vários deles ligados ao PR.

Durante discurso, Nascimento afirmou que a falta de “confiança, respeito e lealdade” nas relações com o governo com o partido motivou a decisão de deixar a base. “No momento em que tais condições não mais se colocam como base do nosso relacionamento com o governo, entendemos ter chegado o momento de atuar com mais autonomia”, disse. Ele declarou, porém, que o PR não pretende fazer “jogo político rasteiro” contra o governo. E descartou “revanche, constrangimento ou chantagem” nas relações com o Planalto.

Apoio incondicional
O senador disse que o PR ofereceu “apoio incondicional e decisivo” ao governo nos últimos oito anos e meio, mas que  representantes do partido foram tratado por Dilma “como aliados de “pouca categoria, fisiológicos e “oportunistas” sem compromissos nem história em comum com o governo que aí está.” Nascimento disse que o partido apóia a apuração de denúncias de corrupção contra o ministério, mas criticou o que chamou de “Estado policial e intimidatório amparado por manchetes de jornal.”

Ele afirmou que a crise no Ministério dos Transportes, com denúncias de corrupção contra integrantes do PR, ajudou a “fortalecer ainda mais a coesão interna e os princípios éticos” do partido. Segundo o ex-ministro, a decisão de deixar a base de apoio ao governo “esvazia qualquer aposta na divisão” da bancada do PR.

Por Reinaldo Azevedo

Secretário-executivo do Turismo pedirá demissão, diz ministério

Por Nádia Guerlenda, na Folha Online:
O Ministério do Turismo afirmou que o secretário-executivo da pasta, Frederico Costa, número dois na hierarquia do ministério, pedirá demissão do cargo. Costa foi um dos presos na semana passada pela Operação Voucher, da Polícia Federal –ele já foi solto.

A operação prendeu no total 36 suspeitos de desvios de recurso em um convênio do ministério com uma entidade privada sem fins lucrativos, o Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável)

De acordo com a pasta, o pedido de demissão ainda não foi encaminhado formalmente, mas o ministro Pedro Novais já foi informado da intenção de Costa. Até então, o secretário-executivo estava afastado do cargo sem remuneração, por força de decisão judicial. Os demais funcionários do Turismo que haviam sido presos — cinco no total, todos já liberados — permanecerão afastados do trabalho, recebendo salário, até o final das investigações.

As investigações da Operação Voucher começaram em abril e apontaram possíveis irregularidades em um convênio de R$ 4,45 milhões firmado entre o Ministério do Turismo e o Ibrasi. Na semana passada, o Ministério Público decidiu apresentar denúncia contra 18 pessoas, incluindo integrantes da cúpula do Ministério do Turismo.

Por Reinaldo Azevedo

Quase metade dos brasileiros considera o governo Dilma pior do que o de Lula, aponta pesquisa. Ou: Pesquisas têm de ser livres, e a gente tem de ser livre para criticá-las

Ô preguicinha!

Agora saiu pesquisa CNT Sensus sobe o governo Dilma… Há dados para todos os gostos. A gente pode escolher a abordagem de alguns portais e anunciar: “70,2% aprovam o governo Dilma”. E o eleitorado, boquiaberto, exclama: “Ohhhh!!!” Mas também pode optar por outro caminho: “45.4% considera o governo Dilma pior do que o de Lula”. E muitos exclamariam: “Xiii…”

Aprovação ou reprovação de governo são conceitos, vamos dizer, arcanos… O que querem dizer exatamente essas palavras? A reprovação, parece-me, induz a idéia da troca, da substituição: “Dilma tem de sair”. Há outro conceito ainda mais misterioso: a aprovação da pessoa da presidente: nesse caso, de 67%. Esses dados, entendo, não querem dizer rigorosamente nada.

Há uma pergunta mais objetiva e mais reveladora: “O governo é ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo?” Aí os números do CNT/Census convergem com os do Datafolha e Ibope:
Ótimo - 10,1%
Bom - 39,1%
Regular - 37,1%
Ruim - 4,3%
Péssimo - 5%

Somados “ótimo e bom”, chega-se a 49,2%, empate técnico com o Datafolha (semana retrasada) e o Ibope (semana passada): ambos em 48%.

Em dezembro do ano passado, pesquisa CNT/Sensus apontou que Lula era aprovado por 87% dos brasileiros — assim, pode-se dizer que Dilma caiu 20 pontos em relação a seu antecessor… Ah, sim: essa turma do CNT/Sensus tem tal amor à objetividade que, no fim do ano passado, Clésio Andrade, presidente da CNT, anunciou que Lula havia batido o recorde mundial de popularidade. Isso só poderia ter sido afirmado se o Sensus tivesse feito pesquisa nos demais países. Não fez. Era só politicagem.

Pesquisismo
O pesquisismo virou categoria de pensamento no Brasil. Anula a análise, o pensamento, a política propriamente. Se o governante é “popular”, então ele passa a ser preservado da crítica dos opositores, o que, é evidente, colabora para… manter a  sua popularidade. Lembrei a comparação megalômana de Clésio Andrade, que agora é senador pelo PR de Minas, para evidenciar que dados colhidos em pesquisa podem ser politicamente manipulados.

Procurem no Google quantos são os títulos que sustentam: “Governo Dilma é aprovado por 70,2% dos brasileiros”. Essa foi, afinal, a leitura que os donos do levantamento fizeram. O Planalto tinha ficado insatisfeito com aquela história de que a popularidade da presidente sofrera uma queda no Ibope…

Para encerrar: se a oposição começar a dar corda a esses feiticeiros de opinião pública, repetirá os erros cometidos ao longo de oito anos do governo Lula e nas duas últimas campanhas eleitorais à Presidência. E ficará, de novo, refém de especialistas convertidos ao governismo: alguns por uma crença que não tem preço; outros por um preço que não tem crença.

Ah, sim: eu acho que pesquisa tem de ser livre, sem quaisquer restrições. E acho que a gente tem de ser livre para apontar picaretagens de pesquiseiros. Criou-se no país uma espécie de doxa: quem questiona esses valentes é obscurantista. Obscurantismo é querer criar uma categoria de profissionais que está acima da crítica.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma veta proposta de aumento real a aposentado

Na Folha:
A presidente Dilma Rousseff vetou regra que previa reajuste acima da inflação, em 2012, para aposentados e pensionistas da Previdência que ganham mais de um salário mínimo, incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada pelo Congresso. Dilma vetou outros 44 pontos da lei, entre eles o teto de 0,87% do PIB para o deficit nominal (resultado que considera o pagamento dos juros da dívida), a limitação dos gastos com custeio da máquina e a prioridade das emendas parlamentares. Aposentados e pensionistas que ganham o piso salarial terão o benefício reajustado de acordo com a variação do salário mínimo, que leva em conta a variação do PIB de dois anos antes mais a inflação do ano anterior.

Segundo o Ministério do Planejamento, o governo entende que não é adequado prever reajuste real na LDO e que o melhor dispositivo para isso é a proposta de lei orçamentária, que a presidente enviará ao Congresso até o fim do mês. Não há garantia que o aumento será incluído no projeto do Orçamento. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, disse que apresentará emendas para garantir o aumento real a todos os aposentados em 2012. Aqui

Por Reinaldo Azevedo.

Direto ao Ponto, por Augusto Nunes:

Se a Justiça fosse ágil e eficaz, Dilma já estaria visitando Erenice só aos domingos

Perdidos no meio dos incontáveis defeitos de fabricação e vícios adquiridos, é possível enxergar em  Valdemar Costa Neto, vulgo Boy, vestígios da prudência que falta a 999 entre 1.000 delinquentes da classe executiva: antes que a polícia apareça, o deputado que ficou multimilionário com a exploração de partidos de aluguel trata de afastar-se do local do crime, para gastar em segurança parte do que acumulou. Agora, foi a descoberta dos quadrilheiros do PR em ação no Ministério dos Transportes que o aconselhou a sair de cena e reprisar a tática do sumiço provisório, inaugurada com sucesso no escândalo do mensalão.

Enquanto o ex-ministro Alfredo Nascimento garantia que não é lixo, enquanto o senador Blairo Maggi tentava barganhar a mágoa provocada pela demissão do afilhado por alguns alqueires de soja na Amazônia (ou nos Andes), Boy já aproveitava a vida em praias estrangeiras.  Entre todos os figurões colhidos na formidável safra de bandalheiras que Dilma plantou em parceria com Lula, Boy é o único foragido do noticiário político-policial. Só depois que a poeira baixar o dono do PR voltará a rondar cofres desprotegidos ou usinas de licitações fraudadas.

Foi o que fez em meados de 2005, depois do depoimento da ex-mulher Maria Christina Mendes Caldeira no Conselho de Ética da Câmara. Desde junho, Valdemar Costa Neto respirava soterrado pela montanha de provas e evidências que identificavam um dos fundadores do esquema do mensalão (e um dos maiores beneficiários da roubalheira). E continuava negando que a organização criminosa começou a ser parida em 2002, na reunião em que vendeu ao PT, por R$ 10 milhões  o apoio do PL à candidatura de Lula e o passe do vice José Alencar.

Caprichou na pose de vítima dos ressentimentos do deputado Roberto Jefferson até que Maria Christina resolveu falar. Confiram os dois vídeos publicados na seção História em Imagens. A depoente revelou que a quantia combinada com José Dirceu foi apenas a primeira de muitas parcelas, que o deputado protagonizou falcatruas até em Taiwan, que o dinheiro viajava a bordo de malas ou descansava “num cofrão”, fora o resto. Boy achou melhor pedir para sair. Renunciou ao mandato antes que a cassação dos direitos políticos o impedisse de voltar ao Congresso na eleição seguinte. Em 2006, recuperou as imunidades parlamentares e o direito de tungar sem sobressaltos o Ministério dos Transportes.

O depoimento de Maria Christina desenhou o tipo de parceiro que Lula escolheu para “garantir a governabilidade” ─ expressão da novilíngua companheira que quer dizer “transformar a ladroagem generalizada em plataforma política”. Em pouco tempo, antigos companheiros ficaram muito parecidos com novos aliados. O PMDB é um PR com obesidade mórbida. O PT é um PMDB com menos tintura no cabelo.

Foi com essa gente que o padrinho simulou a construção do Brasil Maravilha. Foi com essa gente que a afilhada conviveu quando ministra e trocou beijos, abraços e elogios quando candidata. É com essa gente que divide o poder há mais de sete meses. E vai continuar dividindo, avisa a discurseira na solenidade que oficializou a permanência de Roberto Gurgel no cargo de procurador-geral da República.

“Tenho o dever de afirmar que farei tudo o que estiver ao meu alcance para coibir abusos, excessos e afrontas à dignidade de qualquer cidadão que venha a ser investigado”, recitou a presidente, ainda inconformada com as algemas e as fotos de topless que tanto constrangeram os Boys do Ministério do Turismo. “O meu governo quer uma Justiça eficaz, célere, mas sóbria e democrática, senhora da razão”, fantasiou.

Se a Justiça fosse célere e eficaz, Dilma já estaria visitando a melhor amiga Erenice Guerra só aos domingos. A conversa fiada sobre tais “excessos, abusos e afrontas” é uma tentativa de inibir o Ministério Público e a Polícia Federal. Zelar pela imagem da gatunagem vip num Brasil reduzido a paraíso dos impunes é outro tapa na cara do país que presta. A faxina acabou antes de começar.

Neste domingo, todos os quadrilheiros estavam livres. É provável que Valdemar Costa Neto tenha voltado da viagem para desfrutar em casa do Dia dos Pais. Acha que já está fora de perigo.

(por Augusto Nunes)

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Blog Reinaldo Azevedo

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