O nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva, por Reinaldo Azevedo

Publicado em 17/08/2011 21:34 e atualizado em 18/08/2011 10:52 1043 exibições
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O nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva

Quatro ministros caíram em menos de oito meses de governo Dilma. Se considerarmos que Luiz Sérgio deixou a coordenação política para não fazerborra nenhuma na pesca, são cinco, três deles porque não conseguiram explicar o inexplicável no terreno ético: Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura). Nelson Jobim (Defesa) foi demitido porque falou demais. As demissões se deram de junho pra cá, à média, portanto, de mais de uma por mês. São os sintomas. Afinal, qual é a doença que acomete a política brasileira? Chama-se Luiz Inácio Lula da Silva, o homem que hoje atua de modo claro, desabrido e insofismável para desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, sua criatura eleitoral.

Esse modelo de governo necrosado, que recende a carniça, não chega a ser uma criação genuína de Lula. Ele não cria nada. Mas é o sistema por ele reciclado, submetido ao aggiornamento petista. Este senhor é hoje o maior reacionário da política brasileira. De fato, é o maior de todos os tempos: nunca antes na históriadestepaiz um líder do seu porte — e os eleitores quiseram assim; não há muito o que fazer a respeito — atuou de forma tão determinada, tão clara, tão explícita para que o Brasil andasse para trás, desse marcha a ré nas conquistas do republicanismo, voltasse ao tempo da aristocracia dos inimputáveis. Enquanto Lula for uma figura relevante da política brasileira, estaremos condenados ao atraso.

O governo herdado por Dilma é aquele que seu antecessor construiu. Aqui, é preciso fazer um pouco de história.

No modelo saído da Constituição de 1988, o presidente precisa do Congresso para governar. Se o tem nas mãos, consegue transformar banditismo em virtude, como prova o mensalão. É impressionante que Lula tenha saído incólume daquela bandalheira — e reeleito! Há diversas razões que explicam o fenômeno, muitas delas já conhecidas. O apoio do Congresso foi vital — além da sem-vergonhice docemente compartilhada por quem votou nele. Não dá para livrar os eleitores de suas responsabilidades.

Fernando Henrique Cardoso governou com boa parte das forças que acabaram migrando para o lulo-petismo — o PMDB inclusive. Surgiram, sim, denúncias de corrupção. Não foi certamente um governo só com vestais. Mas era uma gestão com alguns propósitos, boa parte deles cumprida. Era preciso consolidar as conquistas do Plano Real, promover privatizações essenciais à modernização do país, tirar o bolor da legislação que impedia investimentos, criar bases efetivas para a rede de proteção social. FHC percebeu desde logo que essa agenda não se cumpriria com um alinhamento do PSDB à esquerda. E foi buscar, então, o PFL, o que foi considerado pelos “progressistas” do Complexo Pucusp um crime de lesa moralidade. Em boa parte da imprensa, a reação não foi diferente. Falava-se da “rendição” do intelectual marxixta — o que FHC nunca foi, diga-se — ao patrimonialismo. Um “patrimonialismo” que privatizava estatais… Tenha paciência!

FHC venceu eleição e reeleição no primeiro turno e implementou a sua agenda, debaixo do porrete petista. Teve, sim, de fazer, muitas vezes, o jogo disso que se chama “fisiologia”. O modelo saído da Constituição de 1988, reitero, induz esse sistema de loteamento de cargos. O estado brasileiro, infelizmente, é gigantesco. Quanto mais cargos há a ocupar, pior para a ética, a moral e os bons costumes. Mas, repito, o governo tinha um centro e uma agenda das mais complexas.

Lula surfou no bom momento da economia mundial, manteve os fundamentos herdados do seu antecessor — é faroleiro e assumidamente bravateiro, mas não é burro  e foi muito saudado por jogar no lixo o programa econômico do PT (até eu o saúdo por isso; sempre que algo do petismo vai para o lixo, é um dever moral aplaudir). Procedam a uma pesquisa: tentem encontrar um só avanço estrutural que tenha saído de sua mente divinal; tentem apontar uma só conquista de fundo, que tenha contribuído para modernizar as relações políticas no país; tentem divisar um só elemento que caracterize uma modernização institucional.

Nada!

Ao contrário. Lula fez o Brasil marchar para trás algumas décadas nos usos e costumes da política e atuou de maneira pertinaz para engordar ainda mais o balofo estado brasileiro, o que lhe facultou as condições para elevar a altitudes jamais atingidas o clientelismo, o fisiologismo, a estado-dependência. E aqui é preciso temperar a história com características da personagem,

Déficit de credibilidade
Lula e seu partido chegaram ao poder em 2002 com um déficit imenso de credibilidade. Muita gente pensava que eles próprios acreditavam nas besteiras que diziam sobre economia. Daí a especulação enlouquecida na reta final da eleição e no começo de 2003. O modelo, insisto, requer uma base grande no Congresso. E Lula, por intermédio de José Dirceu, foi às compras. A relação do PT com os outros partidos passou a sere mais ou menos aquela que existe no mercado de juros: se o risco oferecido pelo tomador do empréstimo é alto, a taxa sobe; se é baixo, desce. Os petistas eram considerados elementos um tanto tóxicos. Eles haviam se esforçado durante anos para convencer disso seus adversários. Logo, os candidatos à adesão levaram o preço às alturas.

Lula aceitou lotear o governo como nenhum outro havia feito antes dele. Os ministérios eram oferecidos de porteira fechada — prática que continuou e se exacerbou no segundo mandato; nesse caso, já não era déficit de credibilidade, não. Lula, o sindicalista, que fazia discurso radical para as massas e enchia a cara de uísque com a turma da Fiesp, viu-se feliz como pinto no lixo quando passou a ser o doador das benesses oficiais. Ele se encontrou. Descobriu seu elemento. Gostava mesmo era daquilo. E não foi só com os políticos, não!

Parte importante do empresariado e do mercado financeiro viu nele o lampejo do gênio. Com ele, sim, era fácil negociar, dizia-se a pregas largas, não com aquele sociólogo metido… Com Lula, tudo podia, tudo era permitido, tudo era precificável. Políticos e empresários se surpreenderam coma a facilidade com que ele fazia concessões. Não! Nada de tentar baixar carga tributária, por exemplo. O modelo consolidado pelo PT é outro: é o dos incentivos a setores escolhidos, o dos empréstimos subsidiados a rodo, o da escolha de “vencedores”. Lula não formava a sua clientela apenas com os miseráveis do Bolsa Família (que ele não criou;  só lhe seu viés politiqueiro). Os tubarões também passaram a ser clientes do lulo-petismo. Tinha bolsa pra todo mundo.

O grande gênio
Surfando num momento formidável da economia mundial, Lula pôde, então, se dedicar à sua obra: revitalizar o clientelismo; profissionalizar o aparelhamento do estado; comprar apoios loteando ministérios, estatais e autarquias. Mas para fazer qual governo mesmo? Para deixar qual herança de fundo, destinada às gerações futuras? O homem transformou-se num quase mito agredindo alguns dos fundamentos do republicanismo, que foram duramente construídos ao longo dos oito anos de seu antecessor. Lula avançou contra a herança bendita de FHC para deixar uma herança maldita a seus sucessores e a várias gerações de brasileiros. Nessas horas, os petralhas sempre entram para provocar: “Ah, mas só uma minoria acha isso; o povão apóia”. E daí? “Povões” já endossaram gente até mais nefasta do que Lula história afora.

Essa gente asquerosa que se demite ou é demitida e faz esses discursos patéticos, em que sugerem que só estão deixando seus cargos porque pautados pela mais estrita decência e por uma competência inquestionável, é expressão do modo lulista de governar. Eu, pessoalmente, ainda não estou convencido de que estamos diante da evidência da incompatibilidade de Dilma com esse padrão moral. Afinal, ela era a “gerente” do governo anterior, certo? Mas estou plenamente convencido de que ela não tem a devida destreza par comandar isso que se transformou NUMA VERDADEIRA MÁQUINA CRIMINOSA de gestão do estado.

A rataiada com a qual Lula governou o país durante oito anos tinha certo receio dele, de sua popularidade — até as oposições evidenciaram esse temor mais de uma vez —, mas não reverencia Dilma. Para se associar, mais uma vez, ao PT, o PMDB, por exemplo, exigiu participar efetivamente do governo, e isso quer dizer liberdade para executar a “sua” política nos ministérios. O mesmo se diga dos demais partidos. A infraestrutura já foi à breca há muito tempo, mas o país que se dane. Os “aliados” têm de cuidar dos seus interesses porque assim combinaram com Lula.

Em 2010, o prêmio exigido para a  adesão foi alto não porque o PT padecesse daquele déficit de credibilidade de 2002. A candidata é que se mostrava difícil. A costura da aliança, por isso, elevou o preço de novo. A tal “base” está revoltada porque o modelo de Lula não comporta a ingerência do poder central nos feudos dominados por partidos. Afinal, quem Dilma pensa que é? O acordo não foi feito com ela. Os patriotas se dizem, sem qualquer constrangimento, traídos. “Lula pediu para a gente apoiar essa mulher, e agora ela acha que pode se meter no nosso quintal?” Eles se consideram credores da presidente e acham que o governo os trata como devedores.

Nostalgia
Eles todos estão com saudade de Lula. Querem retomar a tradição. Consideram que roubar dinheiro público é uma paga natural pelo apoio, é parte das regras do jogo. Não deploram em Dilma a sua falta de projeto, de norte, de rumo. Estão inconformados é com o que a “falta de apoio” do governo contra esta maldita imprensa, que insiste em apontar irregularidades. Cadê o Apedeuta para pedir o controle dos meios de comunicação? Cadê o Franklin Martins para articular a “resistência”? Até o secretário de Imprensa do Planalto parece cobrar um “confronto” com a “mídia”. Eles querem Lula. E Lula quer de volta o lugar que acha que lhe pertence.

Encerro voltando aos tais intelectuais e àquela parte do jornalismo que ajudou a fundar o quase-mito Lula. Quando FHC fez a coligação com o PFL, falaram em crime de lesa democracia. Quando Lula se juntou à escória mais asquerosa da política, saudaram o seu pragmatismo. O pragmatismo que transformou a cleptocracia numa categoria progressista de pensamento.

Lula é o nome da doença. É para ela que precisamos de remédio.

Por Reinaldo Azevedo
Lula se comporta como pré-candidato com oito meses de mandato de Dilma e diz que é um desserviço discutir sucessão agora

Luiz Inácio Apedeuta da Silva não se emenda. Parte da suposição de que os outros são idiotas — e, em muitos casos, é bem-sucedido. Aliás, ponham “bem-sucedido” nisso! Dilma não completou oito meses de governo, já demitiu quatro ministros e vive numa crise permanente com a base aliada. O PT discute abertamente a sua sucessão.

O Babalorixá fez chegar à imprensa que ele desaprova essa conversa — a exemplo do que fez Paulo Bernardo em entrevista ao UOL. Quanta generosidade! Quem é o primeiro a se apresentar na área, sempre sugerindo que ele, sim, sabe como conduzir uma coalizão política?

Parte importante da crise que vive a sua sucessora tem nome: Luiz Inácio Lula da Silva. Ele está cumprindo o que prometeu: é um ex-presidente como nunca antes na história destepaiz. Tenta tutelar a sua sucessora como se fosse seu dono.

Por Reinaldo Azevedo
“Corrupção atinge níveis inimagináveis”, dizem delegados

Por Fausto Macedo, no Estadão:
Delegados da Polícia Federal, inconformados com ataques que a corporação recebe a cada operação, lançaram manifesto por meio do qual lamentam que “no Brasil a corrupção tenha atingido níveis inimagináveis”. Destacam que “milhões de reais, dinheiro do povo, são desviados diariamente por aproveitadores travestidos de autoridades”.

“Quando esses indivíduos são presos, por ordem judicial, os padrinhos vêm a público e se dizem “estarrecidos com a violência da operação da Polícia Federal”", afirma o documento, subscrito pela Associação Nacional dos Delegados da PF, uma das principais entidades da classe que detém atribuição constitucional para presidir inquéritos sobre desvios de recursos do Tesouro.

“No Ministério dos Transportes, toda a cúpula foi afastada”, assinala o protesto. “Estourou o escândalo na Conab e no próprio Ministério da Agricultura. Em decorrência das investigações no Ministério do Turismo a Justiça Federal determinou a prisão de 38 pessoas de uma só tacada. Mas a preocupação oficial é com o uso de algemas.”

Eles ponderam que “em todos os países a doutrina policial ensina que o preso deve ser conduzido algemado, porque a algema é instrumento de proteção ao preso e ao policial que o prende”.

Os delegados recorrem ao criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça no governo Lula, que um dia declarou: “A Polícia Federal é republicana e não pertence ao governo nem a partidos políticos”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
É uma piada sinistra! Empresa de segurança que tem imagens que poderiam evidenciar se Rossi conhecia lobista espancador é de um… senador do PMDB!

Por Felipe Recondo e Leandro Colon, no Estadão:
Apontada como principal prova material que poderia ligar o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB) ao lobista Júlio Fróes, as imagens do sistema de segurança do ministério estão sob a guarda de uma empresa ligada ao PMDB.

A Juiz de Fora Vigilância Ltda. pertence a Nelson Ribeiro Neves, que é sócio do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) na Manchester Serviços Ltda., empresa que também tem contrato com o Ministério da Agricultura. Eunício é o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e tesoureiro do PMDB, que indicou o ministro da Agricultura.

Segundo o ministério, foram apagadas as imagens mais antigas do circuito interno da sede da pasta em Brasília, que poderiam confirmar as denúncias feitas pelo ex-presidente da Comissão de Licitação Israel Batista sobre a ação do lobista. Fróes é apontado como influente dentro do ministério, distribuidor de propina e organizador clandestino de licitações na pasta.

As imagens mais recentes das dependências da sede da Agricultura, e que ainda não foram apagadas, serão encaminhadas à Polícia Federal. Uma delas, conforme diz o próprio ministério, mostra Fróes chegando ao prédio pela entrada privativa, cumprimentando o segurança e logo depois saindo.

Não há informações se nas imagens haveria um possível encontro de Fróes com o ex-ministro. Pelo relato de Batista à Polícia Federal, Fróes entrava no prédio pela portaria privativa do ministro e seguia para os andares onde ficavam os gabinetes de Wagner Rossi e do ex-secretário-executivo Milton Ortolan, que pediu demissão após a revista Veja vinculá-lo ao lobista.

Batista disse desconfiar que as imagens do sistema de segurança podem ser editadas ou apagadas na tentativa de livrar o ex-ministro das denúncias de envolvimento com o lobista. “As imagens são subordinadas ao ministro. Meu medo é que sejam cortadas. O problema é esse”, afirmou ao Estado antes do anúncio da demissão de Rossi.

De acordo com Batista, Ortolan e a coordenadora-geral de Logística do Ministério, Karla Renata França, teriam determinado, em agosto do ano passado, que uma sala com computador e telefone fosse reservada para o lobista “fazer um trabalho na comissão de licitação”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Ex-servidor deu à PF nomes de testemunhas de atuação de lobista

Por Felipe Recondo, no Estadão:
A Polícia Federal já tem os nomes de servidores que poderão confirmar a relação do lobista Júlio Fróes com o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi e o ex-secretário da pasta Milton Ortolan. Em depoimento na segunda-feira, o ex-presidente da comissão de licitação do ministério Israel Leonardo Batista citou sete servidores que poderão confirmar se Fróes frequentava o prédio, inclusive os gabinetes do ministro e do ex-secretário.

Batista foi ouvido durante seis horas pelo delegado Leo Garrido de Salles Meira na superintendência da PF em Brasília. Ele cita as pessoas que poderiam ser ouvidas como testemunhas da presença frequente e da relação de Fróes com a cúpula do Ministério da Agricultura. Seria uma alternativa à comprovação de suas denúncias, já que o próprio Israel dizia desconfiar que as imagens do sistema de segurança do ministério seriam apagadas.

Nas oito páginas do depoimento, a que o Estado teve acesso, foram colocadas tarjas nos nomes das possíveis testemunhas, uma forma de preservá-las e evitar que sofram ameaças ou possíveis retaliações. À Polícia Federal, Batista afirmou que Fróes lhe ofereceu R$ 5 mil de propina, dinheiro que ele disse ter recusado. O valor foi oferecido, conforme Batista, depois de fechado um contrato entre o Ministério da Agricultura e a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC.

“Júlio disse que era uma ajudinha referente ao auxílio prestado durante a execução do termo de referência relativo à contratação da Fundasp-PUC”, afirmou Batista em seu depoimento.

Esse contrato, no valor aproximado de R$ 10 milhões, previa a capacitação de servidores federais. E nesse processo, Fróes teria dito estar seguindo “ordens do chefão” para fechar o contrato sem necessidade de licitação.

No depoimento, Batista não soube dizer se o chefão seria Milton Ortolan ou Wagner Rossi. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Mendes Ribeiro vai assumir Agricultura

Por Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado:

O líder do governo no Congresso, deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), será o novo ministro da Agricultura. Uma fonte próxima ao vice-presidente Michel Temer afirmou à Agência Estado que a presidente Dilma Rousseff acolheu a indicação do PMDB e formalizou o convite ao peemedebista, que foi aceito.
(…)
O nome de Mendes Ribeiro foi definido pela cúpula do PMDB, que se reuniu ontem à noite no gabinete da vice-presidência. Em seguida, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), levou a indicação ao conhecimento dos deputados no gabinete da liderança na Câmara. Parte da bancada irritou-se por não ter sido consultada previamente. Alguns deputados, como Danilo Forte (PMDB-CE) e Darcísio Perondi (PMDB-RS), chegaram a defender que o PMDB deixasse a base governista, como fez o PR. “Ficam nos humilhando por causa desses ministérios medíocres”, criticou Danilo Forte.

Por Reinaldo Azevedo
Em SP, PT e PMDB unidos nas nomeações

Por Julia Duailibi, no Estadão:
O PT e o PMDB, do vice-presidente Michel Temer, criaram um consórcio nas estruturas do Ministério da Agricultura e do Porto de Santos em São Paulo e implementaram um revezamento, em postos estratégicos, entre indicados das duas siglas.

Cargos de diretoria da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) foram divididos pelas legendas.

Aliados do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB), que pediu demissão ontem, ocuparam cargos estratégicos na Codesp, Conab e na Ceagesp. E com o aval do PMDB petistas também foram indicados para postos-chave nesses órgãos.

Ex-secretário executivo da Agricultura, Milton Ortolan já tinha no currículo passagens pela Conab e pela Codesp quando assumiu o posto este ano - ele pediu demissão há dez dias, depois de a revista Veja apontar ligação sua com o lobista Júlio Fróes.

Antes de migrar para o Ministério da Agricultura, Ortolan havia sido superintendente de Administração e Serviços da Codesp, por indicação de Rossi. O ex-ministro fora presidente da companhia entre 1999 e 2000, no governo FHC, mas manteve influência no porto até 2007, quando o PSB assumiu a Secretaria dos Portos. Ortolan também o acompanhou na Conab, onde foi chefe de gabinete quando Rossi a presidiu, em 2007.

Outro com passagens pela Codesp e pela Ceagesp é Jamil Yatim, ligado ao PT de Jundiaí. Assim como Ortolan, ele foi superintendente de Administração e Serviços da Codesp. Em 2007, foi demitido do cargo. Com o aval de Ortolan, migrou para a Ceagesp. Ocupa atualmente o cargo de diretor administrativo financeiro da companhia.

Também próximo a Rossi, Amaury Pio Cunha é outro que acumula passagem pela Ceagesp, pela Conab e pela Codesp.

Atual integrante do Conselho Fiscal da Ceagesp, ele foi indicado por Rossi diretor de Gestão Administrativa e Financeira da Conab em 2009. Também ocupou a Diretoria de Administração e Finanças da Codesp em 1999, na gestão de Rossi. Em 2003, foi indicado para o cargo Mauro Marques, ligado ao PT. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Demissão do Ministro da Agricultura: A família Rossi e as nuvens negras

Wagner Rossi teve a prerrogativa de pedir demissão, num processo muito parecido com o de Alfredo Nascimento. Ele sai no momento em que a presidente, para todos os efeitos, o apoiava integralmente. O que já havia contra ele era grave o bastante. Mas o Planalto foi informado de que, como na Ilíada, nuvens negras se formavam no horizonte.

O próprio Rossi deu a pista. Disse que estão mexendo com a sua família. Pois é. Um de seus filhos é deputado federal, o Baleia, e também andou no jatinho da empresa que tem negócios com o ministério. Outros são donos de produtora de vídeo que, de modo indireto, prestam serviços a órgãos púbicos, o que é proibido. Se a família de Rossi não estivesse metida no ramo do patriarca, é quase certo que fosse preservada de qualquer contratempo.

Rossi me lembra uma passagem narrada por Paulo Francis na primeira edição deO Homem e Sua Hora,  livro do genial Mário Faustino (1930-1962). O poeta assinava uma coluna de crítica literária no então poderoso Jornal do Brasil. Um desses poetastros foi reclamar com a condessa Pereira Carneiro, pedindo que ela impedisse Faustino de criticar um livro seu. Indagou, então, a elegante mulher (cito de cabeça porque estou escrevendo na lanchonete no Einstein, aguardando o meu horário): “Mas, se ele ainda não leu o seu livro, como o senhor sabe que ele não vai gostar?”

Rossi já sabe que as eventuais reportagens futuras sobre seus filhos deixarão a família em apuros, é isso?  Já sei. Jornalitas são pessoas muito malvadas.

Por Reinaldo Azevedo
Trocando as bolas

Por Adriana Caitano, em Veja.com:

Em clima de festa - que até lembrava o de campanha eleitoral -, a presidente Dilma Rousseff discursou na tarde desta quarta-feira para uma plateia de 70.000 trabalhadoras rurais, exaltando o papel da mulher brasileira. Durante o ato de encerramento da Marcha das Margaridas, no Pavilhão do Parque da Cidade, na região central de Brasília, Dilma tentou mostrar gentileza: sorriu e fez o formato de um coração com as mãos, mas deixou antever que sua verdadeira preocupação no momento é a crise política que assola o governo.
No início do discurso, Dilma cometeu dois atos falhos. Na hora de cumprimentar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), chamou-o de Agnelo Rossi - sobrenome do ministro que tem dado mais dor de cabeça à presidente nas últimas semanas, Wagner Rossi, da Agricultura. Ao se referir a Alberto Broch, presidente da Contag, chamou-o de Alfredo, nome do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que, após deixar o governo em meio a revelações de corrupção na pasta, anunciou na terça-feira o desembarque do partido que preside, o PR, do governo Dilma.
Vestindo um blazer violeta - mesma cor do material de divulgação da marcha -, Dilma chegou ao local do evento às 17h, com uma hora de atraso. Ao seu lado, estavam os senadores Marta Suplicy (PT-SP) e José Pimentel (PT-CE) e parte de seus ministros, como o da Saúde, Alexandre Padilha, da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, Cultura, Ana de Hollanda, e Meio Ambiente, Isabela Teixeira. “Ser mulher brasileira, moradora do campo e militante popular exige coragem e coração generoso, exige grandeza de alma para buscar aqui e agora as transformações e o mundo rural que o Brasil tanto necessita”, poetizou a presidente diante da claque.
A cerimônia estava marcada para 16h, mas as trabalhadoras rurais já a aguardavam desde 14h30. Durante a espera, as mulheres entoaram gritos de guerra a favor de Dilma, alguns da campanha eleitoral de 2010, sob a batuta de uma animadora de palco. Com a demora, perderam a paciência e passaram a gritar “respeito”. O atraso da presidente fez com que parte da plateia se dispersasse durante o discurso de Dilma.
A Marcha das Margaridas começou oficialmente nesta terça-feira, mas parte dos 1.600 ônibus que trouxeram as manifestantes começou a chegar já no fim de semana. Na manhã desta quarta, elas fizeram uma passeata pelas principais ruas da capital federal e um ato político em frente ao Congresso.
Pedidos - No dia 13 de julho, organizadores da marcha apresentaram ao governo um documento com 158 itens de reivindicação. Entre os principais pontos estão reforma agrária, agroecologia, autonomia da mulher, enfrentamento à violência e acompanhamento social de grandes obras. Mas o grupo reunido em Brasília estava longe de ser de manifestantes. No lugar de protestos, aplausos a cada frase da presidente ou a cada citação do nome de Dilma.  No lugar de cobranças, palavras de incentivo à presidente.
Dilma respondeu à carta com reivindicações. Prometeu ampliar as unidades básicas de saúde nas áreas rurais, aumentar o limite de venda da produção de alimentos utilizados na merenda escolar, instalar unidades móveis para atendimento a mulheres vítimas de violência e criar um programa de educação no campo. Os grupos e associações de mulheres também terão direito a uma cota de 5% do total de produtos vendidos ao governo diretamente, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Dilma anunciou que as medidas serão acompanhadas em reuniões semestrais - o próximo encontro com ministros e representanets do moviemnto para tratar doa ssunto será no final de outubro.

Por Reinaldo Azevedo
Demissão é confissão de culpa, dizem oposicionistas

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:

Senadores da oposição afirmaram nesta quarta-feira (17) que o pedido de demissão do ministro Wagner Rossi (Agricultura) representa a “confissão de culpa” do peemedebista –acusado de patrocinar um esquema de corrupção na pasta.

DEM e PSDB acreditam que a demissão vai “azedar” a relação do PMDB com o governo federal, já que Rossi era um nome de confiança do vice-presidente Michel Temer –presidente licenciado do PMDB.

“Quem pede demissão acata as denúncias como verdadeiras. As respostas do ministro não convenceram. Teremos mais um foco de insatisfeitos no governo, o que pode permitir que a CPI da Corrupção se torne realidade no Congresso”, disse o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR).

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), afirmou que “ninguém pede demissão sem ter culpa”, o que demonstra que Rossi não tinha argumentos para se defender das acusações.

“O que a Dilma disse, que confiava em todos os ministros, não tem procedência. Isso vai azedar ainda mais as relações entre os partidos da base e o Palácio do Planalto.”

Disposta a instalar a CPI da Corrupção para investigar denúncias no governo, a oposição quer aproveitar a queda de mais um ministro para buscar apoio na base governista. DEM e PSDB vão procurar insatisfeitos do PMDB para que assinem o pedido de instalação da CPI.

“A relação do Planalto com o PMDB já era ruim, e agora fica ainda pior”, afirmou Agripino.

SUMIÇO
Parlamentares do PMDB sumiram do Senado depois do anúncio da queda de Rossi. A Casa, que tradicionalmente encerra suas atividades mais tarde, terminou as votações no plenário pouco antes das 19h –num cenário pouco comum para o Legislativo.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), assim como os líderes Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), não estavam em seus gabinetes depois do anúncio da demissão de Rossi.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos poucos governistas presentes no Senado, disse que cabe ao próprio ministro explicar os motivos que o levaram a deixar o cargo. “A gente tem que dar força à presidente Dilma. Quem tiver problemas, vai ter que se explicar. No caso do ministro Rossi, a presidente tomou posição, registrou apoio na hora certa. Foram os fatos que levaram à sua demissão”, disse o petista.

Por Reinaldo Azevedo
Nenhuma carta de demissão deveria ser maior do que a do suicídio de Getúlio; é uma questão de senso de ridículo! Rossi acha que foi demitido por VEJA…

Wagner Rossi, já ex-ministro da Agricultura, escreveu uma carta de demissão de tirar o fôlego do leitor. Getúlio Vargas se matou com muito menos palavras,  num dos eventos mais dramáticos da história brasileira. Qualquer político, pois, que se demite apenas de um cargo, não da vida, deveria escrever menos do que ele. Mas, para tanto, é preciso ter senso de ridículo. E Rossi, como se nota, não tem. Evidenciou isso quando confessou ter andado pra lá e pra cá no jatinho de uma empresa com negócios com o governo, mas “poucas vezes”. Ele acha que pouca ilegalidade é bobagem.

Segue o seu texto. Há trechos verdadeiramente incompreensíveis, ou que soam como confissão, sei lá eu. Quem lê a sua carta conclui que ele caiu por excesso de competência e moralidade.

Rossi está se cercando do pior tipo de gente, que o estimula a ter ódio da imprensa. A canalha do subjornalismo da sujeira perdeu um pouco de espaço no governo Dilma e está migrando para a periferia, como o peemedebismo. Rossi não diz o nome, mas todos sabem. Sugere que um homem está por trás das denúncias publicadas pela VEJA e pela Folha. Não diz o nome na carta, mas espalha por aí: seria José Serra!!! É o que dá tanta intimidade com Chalita, o Gabriel despensador!

Esses caras são engraçados! Ora tratam Serra como alguém liquidado no próprio PSDB, ora lhe atribuem tal poder que influiria, olhem que espetáculo!, nas decisões de Dilma Rousseff, de modo que ela ganhou a eleição, mas quem demite ministros é ele. É… Já imaginaram se fosse verdade? Vejam, então, quantos serviços o tucano teria prestado ao Brasil, não é mesmo?

Inocente como diz ser, Rossi não teria nada a temer a não ser a glória. Mas me parece que ele pede demissão é para ver se o ignoram. Quem tem a sua biografia passa a torcer, a partir de um determinado momento, para não entrar na história… 

Por Reinaldo Azevedo
Wagner Rossi foi demitido; qual era mesmo a ironia do secretário de Imprensa do Palácio?

Ihhh… O que o tal José não sei das couves, o tal assessor de Imprensa do Planalto, vai dizer agora para o Dandan? Wagner Rossi, ministro da Agricultura, já era. E não porque a VEJA seja Diário Oficial e demita ministros. Nem demite nem contrata.VEJA narra fatos. Se os fatos narrados evidenciam a incompatibilidade de um político com a dignidade que o cargo exige, paciência, né? Cabe à presidente fazer a coisa certa ou se tornar cúmplice do malfeito. Ela escolheu fazer a coisa certa. O tal deve estar arrasado.

A ironia é sempre um recurso complicado. O tal assessor do Palácio, de quem sou “ídolo”, segundo ele próprio, afirmou que eu, sem conseguir demitir ministro, tinha “abaixado” a minha garrucha para a sua careca. Pois é… Eu bem que falei, Zé… Era fuzil, rapaz! Atenção ao referente, ao referencial, essas coisas.

Rossi saiu com aquela grandiloqüência típica dos demitidos, enxergando conspirações por todos os lados. Até inventou uma personagem secreta, com poderes, imaginem vocês, para fazer Dilma demitir ministro.

Não, senhor Rossi! O senhor foi demitido por seus próprios méritos. O mérito da revista VEJA é contar o que sabe. Ao fazê-lo, evidenciou que o senhor e a função pública são incompatíveis.

A propósito: Rossi é o principal aliado em escala nacional de Gabriel Chalita, o pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. Sem o Ministério da Agricultura, agora a turma vai tentar um novo roçado na principal capital do país.

Por Reinaldo Azevedo
Continuo em campanha em favor do voto distrital; é preciso ir à raiz do problema. Agora é uma questão de decência!

Caros, não há modelo que seja imune à ação dos corruptos. Mas há, sim, os sistemas que são tolerantes com a lambança e aqueles que são hostis a ela. Estou a cada dia mais convencido de que uma das raízes do mal da política brasileira é o voto proporcional, a forma como elegemos os nossos representantes na Câmara.  Parlamentares hoje não são mais representantes da população, mas de corporações de ofício, sindicatos, lobbies disfarçados de correntes de opinião etc. O voto distrital melhoraria brutalmente a qualidade da democracia. Quando menos, confere ao eleitor o poder de vigiar a ação do parlamentar que representa a sua região.  Este é um primeiro passo em favor da moralidade. Também será preciso discutir a descentralização do poder. O Brasil está longe de ser uma “república federativa”, como consta de seu nome oficial. Mas isso fica para mais tarde.

Avaliem. É preciso transformar o voto distrital na causa das pessoas de bem. O ideal seria aprová-lo já em 2012. Será muito difícil. Que se tente em 2014, em 2016, não importa. Quanto mais tarde, pior para o Brasil, mas que venha mesmo tarde. Não dá é para desistir. O voto distrital também baratearia brutalmente as campanhas. Candidatos teriam de concentrar seus esforços numa região bem menor do que hoje; ficariam menos dependentes de “financiadores” de campanha, que depois cobram a “devolução” do investimento…

Existe um movimento no Brasil em favor do voto distrital. É suprapartidário. Por isso sinto-me engajado nele e os convido a considerar a hipótese de assinar uma petição em favor da mudança. Caso concordem com a tese, multipliquem os esforços para que cheguemos logo a 100 mil assinaturas. O site está aquiNeste post, digo por que a mudança é necessária. É preciso, sim, banir os bandidos mesmo do sistema em vigência. Mais importante, no entanto, é criar mecanismos que dificultem a vida dos larápios. Entendo que o voto distrital passou a ser uma questão de decência.

Por Reinaldo Azevedo
Site traz a lista dos que apóiam a CPI da Corrupção

As oposições criaram um site que traz a lista atualizada dos parlamentares que apóiam a CPI da Corrupção.

Por Reinaldo Azevedo
Parlamentares de oposição fazem ato por CPI da Corrupção
Parlamentares de oposição fazem ato em defesa da CPI da Corrupção (Foto: G1)

Parlamentares de oposição fazem ato em defesa da CPI da Corrupção (Foto: G1)

Do Portal G1:
Parlamentares de oposição promoveram um ato público na tarde desta quarta (17) no Salão Verde da Câmara com a finalidade de buscar apoio para a instalação no Congresso de uma CPI mista da Corrupção.

O deputado ACM Neto (BA), líder do DEM na Câmara, afirmou que a CPI já conta com as assinatura de 92 deputados e 19 senadores. Para ser instalada, a comissão mista necessita do apoio de 171 deputados e 27 senadores.

“Queremos superar a maioria governista pela mobilização da sociedade”, afirmou ACM Neto. Os oposicionistas lançaram um site que relaciona os deputados que assinaram o requerimento de criação da CPI.

Por Reinaldo Azevedo
Afinal de contas, onde estava o atual ministro dos Transportes no auge da sem-vergonhice?

Muitos apontarão exagero e exacerbação, mas entendo que o procedimento segue a lógica mais estrita. Leiam o que informa a Agência Brasil. Volto em seguida.

DEM entrará com notícia-crime contra ministro dos Transportes

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), informou nesta quarta-feira, 17, que seu partido apresentará notícia-crime no Ministério Público Federal contra o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. De acordo com o deputado, o objetivo da medida é fazer com que Passos preste esclarecimentos sobre sua conduta em relação às denúncias de corrupção que culminaram com a saída do ex-ministro Alfredo Nascimento.

Durante audiência pública da qual participou o ministro dos Transportes, ACM Neto disse que é “impossível” dissociar a participação de Passos das irregularidades levantadas nas denúncias. “Estamos dando entrada com essa notícia-crime, pedindo que seja examinada a atuação de Vossa Excelência à luz dos crimes da administração pública.”

Passos respondeu que sua atuação como secretário executivo do Ministério dos Transportes ocorreu “da melhor forma e com a maior integridade” e pediu que o deputado ouça representantes de vários partidos, tanto da atual legislatura quanto de legislaturas anteriores, para averiguar que sua conduta ética nunca foi questionada.

“Servi a vários governos, a vários partidos, e pergunte qual o reparo que há em minha conduta e em minha trajetória. Quero que o senhor [ACM Neto] traga aqui, se ela houver”, rebateu o ministro. O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), saiu em defesa do ministro dos Transportes, afirmando que a notícia-crime é baseada em “ilações” e que não há provas contra Passos.

Comento
Notem que ser “segundo” em ministério não tem sido exatamente um bom negócio, menos nos Transportes. A consideração do deputado ACM Neto faz todo sentido. Então aquilo era uma verdadeira casa dos horrores — passado??? —, o homem era o número dois da pasta, e tudo fica por isso mesmo? Não dá para fazer de conta que Alfredo Nascimento, o defenestrado, não disse o que disse em seu discurso de posse no Senado: a grande elevação de gastos da Pasta se deu no ano eleitoral de 2010…

Muitos especulam se o próprio Passos não está na origem das denúncias, razão por que foi confirmado. Não vou especular a respeito das fontes dos jornalistas. Isso é coisa para desocupados. O fato é que, na condição de secretário-executivo, ele tinha mais condições de saber das miudezas do ministério do que tem hoje. E nunca viu nada de errado? Quando menos, sobra a suspeita de incompetência ou de passiva conivência.

Por Reinaldo Azevedo
Momento Psicanalítico do Blog - Secretário de Imprensa de Dilma diz que sou seu ídolo e fala sobre a minha garrucha

Escrevi ontem três posts (aqui , aqui e  aqui) sobre um tal, como é mesmo?, ah, José Ramos Filho, secretário de Imprensa do Palácio do Planalto, que resolveu fazer chicana no Twitter. Vejam lá. O homem é um espanto. Na crise do Ministério da Agricultura, o secretário de Imprensa decidiu atacar a… imprensa! Também fez pouco do esforço moralizador de sua chefe. Em junho, ligou para a Polícia Federal para saber — cheio da autoridade que não tem — quem havia passado informações sobre corrupção no serviço público a um repórter da VEJA.

Em busca de fama (fortuna não posso garantir; em Brasília, Ramos é cercado de especialistas nessa área), ele resolveu fazer mais alguns gracejos no Twitter, agora endereçados a mim. Ah, a desocupação é a morada do capeta! Escreveu o que segue. Volto depois:

1 - Frustrado por não demitir ministro, abaixa a garrucha pra minha careca. Valha-me Deus, como vou pagar o leite do dandan?
2 - O Reinaldo Azevedo não entendeu meu post sobre a Abril pleitear ser Diário Oficial. Deixa eu traduzir: quer nomear e demitir ministros.
3 - Estou de luto. Meu ídolo Reinaldo Azevedo falou mal de mim. Sniiffff

Voltei
Nossa! Mas que texto mais cheio de veneno, charme, humor e picardia! Sou “ídolo” dele, é? Posso entender as duas coisas: por que ele me cultua e por que eu nunca tinha ouvido falar dele.

Ramos não está tentando traduzir o que seja para mim, não! Traduz é para Dilma, sua chefe, de quem fez pouco em um de seus tuítes. A Abril, que edita dezenas de revistas, não quer demitir ninguém — boa parte das publicações passa longe da política. Quem fez as demissões até agora, segundo entendi, foi a presidente Dilma Rousseff. A revista VEJA só ofereceu os elementos necessários, segundo os critérios estritos da moralidade pública, para que ela tomasse a decisão.

Quanto ao primeiro tuíte, ai, ai… O sujeito se define. Na hipótese de minha “garrucha” ser uma metáfora, impossível “abaixá-la”. Meu lema é este: com a espinha e a garrucha sempre eretas, contra os pistoleiros do dinheiro público.

Ah, sim, Zé Ramos: como jornalismo é precisão e como se sabe que a boa metáfora, ainda que feita de uma associação subjetiva, deve buscar uma semelhança entre os referentes associados de modo arbitrário pelo autor, refira-se, doravante, ao meu fuzil, de firmada reputação no mercado das armas metafóricas.

Agora estranho mesmo é este negócio, que parece uma autodefinição: “Reinaldoabaixa a garrucha para a minha careca”. Sei… Só posso acertá-lo descendo o nível da mira… Isso é o “Secretário de Imprensa da Presidência da República”??? Quanto ao “leite do Dandan” — seja lá quem for —, uma boa maneira de garanti-lo é com trabalho, a exemplo do que faz a esmagadora maioria do povo brasileiro, que garante a boa vida dos desocupados de Brasília. Os que trabalham não devem ficar ofendidos, é claro.

Por Reinaldo Azevedo
Dilma e a recandidatura: base aliada sente falta da amoralidade e da imoralidade do governo Lula

Leitores me perguntam se considero sincera a disposição da presidente Dilma Rousseff, anunciada a Lula na Semana passada, de não disputar a reeleição. O que é “sinceridade” num discurso político? Dilma percebeu que, no modelo herdado de Lula, o poder é mesmo descentralizado: cada partido cuida do seu feudo, desde que dê o necessário apoio político ao governo, e deve preservar, tanto quanto possível, a aparência de moralidade. Mas também não é uma exigência sine qua non...

A crítica de patriotas do PR e do PMDB a Dilma é compartilhada pelo núcleo duro do PT, Lula inclusive: para eles, um presidente da República não governa a nação, mas a federação de partidos que chegou ao poder; seu papel é administrar as ambições e, vamos dizer, a distribuição de benefícios aos aliados. Qual era, para essa gente, o traço mais encantador do Apedeuta? Não dar bola para as evidências de corrupção, o que lhe era facultado por sua popularidade e pela inimputabilidade que lhe foi conferida pela maioria da população. Em muitos aspectos, o eleitorado foi conivente com a sem-vergonhice, sim, não adianta negar.

A tal base aliada, em suma, se ressente é daquela amoralidade propositiva, boquirrota e, às vezes, agressiva de Lula. Os exemplos de Renan Calheiros e José Sarney são evocados aqui e ali. Lula nunca lhes tirou a escada. Ao contrário até: submeteu, em 2009, o então líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (agora ministro e membro do Instituto Lula…), ao ridículo, levando-o a provocar uma pequena revolução semântica. Mercadante defendeu que se investigassem os tais atos secretos e pôs o cargo à disposição: ou bem o Planalto concordava, ou ele entregaria a liderança. Lula lhe disse um sonoro “não”, ele renunciou ao posto “em caráter irrevogável” e… continuou líder. A voz petista mais estridente em defesa de Renan (aquele que chamava a mulher grávida de um filho seu de “a gestante”…) e de Sarney era Ideli Salvatti, agora ministra das Relações Institucionais.

E cadê Ideli? É uma boa pergunta. A realidade é um pouquinho mais complicada do que parece. Dilma não tem a mesma destreza para articular o discurso amoralista — e imoralista — de Lula. Dado que o Babalorixá o fazia contra a decência, admitamos que esse é um traço positivo da presidente na comparação com seu antecessor. Mas Dilma é também incompetente na gestão da crise política. A escolha de Ideli para a função, por exemplo, é de uma infelicidade óbvia. À época da nomeação, houve unanimidade a respeito: nem os petistas entenderam. Ela funcionava bem como membro de tropa de choque. Argumentar é diferente de ofender… a inteligência, no que ela é perita! Gleisi continua ser a face mais bonitinha da irrelevância política.

Dilma estava sendo sincera ao dizer que não quer se candidatar em 2014? A questão é outra. Com oito meses de governo, há um quase consenso entre os seus aliados de que só Lula pode lhes satisfazer os apetites. Precisam de sua imunidade à moral e aos bons costumes para que possam ser o que são. A presidente se sente vigiada por esse gigante do amoralismo e do imoralismo. A saída seria ter um norte, um objetivo, um alvo a perseguir. Ocorre que nem Dilma sabe por que é presidente da República.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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