O NAVIO APEDEUTA DO APEDEUTA,... CHEGA!!! ATÉ QUANDO CERTA IMPRENSA VAI INSISTIR EM DIZER A VERDADE???

Publicado em 29/08/2011 17:17 e atualizado em 29/08/2011 23:37 764 exibições
informaçõe dos blogs de Reinaldo Azevedo, Lauro Jardim e Augusto Nunes, em veja.com.br

CHEGA!!! ATÉ QUANDO CERTA IMPRENSA VAI INSISTIR EM DIZER A VERDADE??? OU: O NAVIO APEDEUTA DO APEDEUTA

Assim não é possível! Até quando certa imprensa vai insistir em dizer a verdade? A VEJA desta semana volta a exibir isso que já parece uma tara: o amor pelos fatos. Que coisa! Vejam que história edificante esta que segue, relatada por Malu Gaspar: o primeiro petroleiro nacional encalhou. É no que dá trocar as leis do mercado pela ideologia. Leiam trecho da reportagem.

Lula e o navio João Cândido, de casco apedeuta (hehe), em foto de Ricardo Stuckert

Lula e o navio João Cândido, de casco apedeuta (hehe), em foto de Ricardo Stuckert

A foto acima, de 7 de maio de 2010, retrata uma cena explorada à exaustão na campanha de Dilma Rousseff. Com pompa e circunstância, o então presidente Lula, com Dilma no palanque, exibia no Porto de Suape, em Pernambuco, o primeiro navio petroleiro construído no Brasil em catorze anos. Tudo teatro eleitoral. Tão logo a platéia se foi, a embarcação voltou ao estaleiro e de lá nunca mais saiu. O que poucos sabiam até agora é que o vistoso casco do João Cândido - um portento planejado para transportar 1 milhão de barris de petróleo através dos continentes e que custou à Petrobras 336 milhões de reais (o dobro do valor de mercado) - escondia soldas defeituosas e tubulações que mal se encaixavam. Corria o risco de desfazer-se em alto-mar. Concebido para ser o primeiro de uma série de 41 navios, símbolo do renascimento da indústria naval, o petroleiro precisou ser parcialmente refeito. O término da reforma está prometido para as próximas semanas, mas técnicos ouvidos por VEJA afirmam que, dado o histórico de trapalhadas, o calendário pode atrasar.

O João Cândido é o epítome da estratégia petista de privilegiar a todo custo mão-de-obra e fornecedores brasileiros como forma de fomentar os setores petrolífero e naval - a tal política do conteúdo nacional. De acordo com ela, no caso da construção de um navio, pelo menos 65% do valor final deve ser gasto no país. Trata-se de uma regra que despreza a inteligência e o bom uso do dinheiro público, como bem ilustra o episódio do João Cândido.

Leia a íntegra na revista.

Por Reinaldo Azevedo

JOSÉ DIRCEU PROVA PARA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL QUE CONTINUA A SER AQUELE MESMO DO MENSALÃO, DISPOSTO A FRAUDAR A DEMOCRACIA E A VONTADE DO POVO

Alguns leitores desavisados podem considerar que José Dirceu foi bem-sucedido na “Operação Despiste”, ao tentar jogar uma cortina de fumaça no governo clandestino que montou em Brasília, acusando a VEJA, ridiculamente, de ter tentado cometer um crime para obter as informações que agora são de domínio público. Mas ele não foi bem-sucedido coisa nenhuma! Muito pelo contrário! O “Zé” quebrou a cara mais uma vez, embora, claro!, o status político de que ele goze no Brasil dê conta do que eu chamaria “mal-estar da moralidade pública”. É evidente que uma figura com o seu perfil e com a sua trajetória já deveria ter sido banida da política há muito tempo. Mas está por aí, e não é o único.

De todo modo, a sua casa caiu! Como os petistas têm uma rede de “profissionais” para atuar na Internet e contam com uma rede de blogueiros a soldo, pagos indiretamente com dinheiro público — anúncios de estatais e emprego na LulaNews, por exemplo —, as redes sociais foram invadidas pela canalha para tentar transformar o vilão em vítima, e o mocinho, em bandido. VEJA cometeu, sim, uma invasão: invadiu uma toca de conspiradores. Por que o “Zé” está tão furioso?

Porque ele está empenhado, enquanto aguarda o julgamento do processo do mensalão, em lavar a sua biografia. Montou um site — uma equipe se encarrega de assinar textos em seu nome — em que posa de grande pensador da política. Nos bastidores do PT, dos demais partidos e do governo, faz-se de grande articulador e estrategista — e, com efeito, tem bastante influência naqueles setores da política que não costumam conviver com a luz e com o oxigênio.

Ele e Lula estão por trás, por exemplo, do estúpido projeto de reforma política do petista Henrique Fontana — parte dos malefícios do texto já foi exposta aqui. Mas ainda falta apontar algumas indignidades. De todo modo, o “Zé” quer ser um homem sério. Recentemente, em São Paulo, ele apareceu até como amante das artes. Vai ver pretende ocupar o lugar que já foi do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira…

O que a reportagem de VEJA, com informações colhidas no mais estrito respeito às leis, evidencia? Que o mesmo José Dirceu do mensalão continua em operação; que ele não aprendeu nada com a experiência — ao contrário, parece que resolveu aprimorar seus “métodos”; que mantém a disposição, revelada no caso do mensalão, de montar uma República clandestina, fora do aparelho e das balizas institucionais, para governar o país; que não renunciou ao propósito de jogar na obsolescência os instrumentos de que dispõe o estado de direito para gerir a República, substituindo-o pelo grupo “dos homens de preto”; que entende que um país deva ser governado por elementos sem cara, que se esgueiram em corredores de hotéis, na clandestinidade, na surdina, onde se fazem negócios milionários ao arrepio da lei; que pretende um país que seja governado distante de qualquer ritual da representação, definindo vitoriosos e derrotados fora do alcance da lei.

José Dirceu, em suma, continua o mesmo! Não percamos de vista o essencial: todas as pessoas que foram até o “chefe de quadrilha”, como o caracteriza a Procuradoria-Geral da República, têm mais autoridade do que ele próprio, uma autoridade que lhes foi conferida pelo povo: ou são parlamentares eleitos ou são pessoas nomeadas pela presidente, também eleita. Ocorre que a autoridade formal conferida pelo povo não vale nada diante de uma outra que tem Dirceu — a de “poderoso chefão”.

ATENÇÃO PARA ISTO: ELE NÃO TEM CARGO DE MANDO NEM NO PT!!! Então de onde emana a sua autoridade, que faz com que um ministro de estado (Fernando Pimentel), um presidente de estatal (José Sérgio Gabrielli) e uma penca de políticos se disponham ao ritual de submissão, indo até o quarto de hotel que ele ocupa na clandestinidade?

É impossível que os atuais 10 ministros do Supremo — logo mais saberemos quem ocupará a 11ª vaga — não enxerguem nesse episódio a similaridade com o imbróglio do mensalão. Dirceu continua a se comportar como aquele “chefe de quadrilha” de que fala a Procuradoria Geral da República. Se está fazendo articulação política em nome do PT, por que não usa, então, a sede do partido? Se está atuando como consultor de empresa privada, por que não pediu ele a audiência?

O mensalão era, antes de mais nada, uma tentativa de fraudar a democracia, tornando irrelevante o voto do eleitor. Ele escolhia os seus representantes, e o esquema, comandado por Dirceu, segundo a Procuradoria, comprava o eleito. O governo clandestino montado pelo mesmo Dirceu quer a mesma coisa. Aquela gente que foi visitá-lo foi jogar aos seus pés os votos que recebeu — ou o do povo ou o voto de confiança da presidente — e declarar sua fidelidade ao “Esquema”. Qual esquema? Isso é o que tem de ser agora investigado. E será!

Uma coisa é certa: aquilo tudo deveria ficar nas sombras, e VEJA trouxe à luz. Os ministos do Supremo certamente gostaram de saber que o Zé não mudou! Que o Zé continua a ser aquele caracterizado pela Procuradoria Geral da República. É a sua natureza. É a sua escolha. É a sua profissão!

Por Reinaldo Azevedo

Vejam estas duas fotos:

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lindbergh-cara-de-pau

Aquela pergunta de Juan Arias, correspondente do El País no Brasil, ainda está muito viva na memória de muitos: “Por que os brasileiros não se indignam” com a sujeirada? Como sabem, articulei uma resposta num longo post, que recebeu, em dois dias, quase 1.100 comentários. Entre as muitas razões que explicam, segundo entendo, o comportamento cordato, passivo, até mesmo caroável, do brasileiro com a corrupção está o fato de que o PT e seus aliados de esquerda privatizaram a sociedade civil: são donos dos sindicatos, das centrais sindicais, dos movimentos sociais, das entidades da sociedade civil, de tudo. Ao contrário: hoje, o que se vê no Brasil são os “protestos a favor”, o que é coisa típica de governos totalitários de esquerda, sejam fascistas ou socialistas.

Muito bem! No alto, vocês vêem o jovem Lindbergh Faria, então aos 23 anos, presidente da UNE, com a cara pintada, pedindo o impeachment de Collor. Era, então, militante do PC do B. Causava furor nas jovens militantes com o seu stalinismo babyface… Eu queria a queda de Collor e, à época, escrevi um artigo pedindo eleições diretas também na UNE. Fui malvisto, claro! Havia algo de “pseudo” naquele rapazinho. Mas poucos resistem a um rostinho bonito, bem-falante e “progressista”. Tornou-se o “enfant gâté” do impeachment e, dali, saltou para a política. Quem o viu operando como prefeito em Nova Iguaçu, já no PT, garante que ele não tem do que se envergonhar em ter hoje Fernando Collor como companheiro na base de apoio ao governo. Nunca Nova Iguaçu se pareceu tanto com as Alagoas do outro…

Pois bem. O mocinho da cara pintada virou aquela triste figura que se vê na segunda foto — no canto inferior, à direita. Em companhia de Walter Pinheiro (PT-BA) e Delcídio Amaral (PT-MS), Lindbergh foi fazer a sua genuflexão a José Dirceu, em seu cafofo secreto. De volta ao Senado, cumpriu a pauta lá combinada. É claro que, aos 42 anos, ele não tinha de continuar necessariamente fiel às idéias que tinha aos 23. O normal é que se aprenda muita coisa nesse tempo. Não sei se Lindbergh não só deixou de aprender como esqueceu outras tantas ou se, como direi?, lembrou-se de ser fiel às suas origens comunistas e, por isso mesmo, fez-se conviva do gabinete clandestino de um conspirador.

De todo modo, as duas imagens funcionam como um emblema da rendição dos chamados movimentos sociais a um partido político. A UNE, que ressurgiu com a redemocratização, morreu em 2003. O Lindbergh flagrado no corredor do cafofo de Dirceu é uma evidência do renascimento da entidade e de sua morte.

Por Reinaldo Azevedo

Vejam uma história que ilustra bem certa moralidade política…

Já deveria ter comentado uma reportagem de Adriana Caitano, publicada na VEJA Online na sexta-feira. Faço-o agora, ainda que com certo atraso. É uma daquelas histórias que só acontecem em Brasília. Vocês se lembram que um funcionário da área de licitações do Ministério da Agricultura — Israel Leonardo Batista — havia acusado o então ministro, Wagner Rossi, de interferir diretamente na área para conceder benefícios irregulares. Rossi ficou bravo, desqualificou o acusador, disse que suspeito, sim, era Batista… Muito bem. Reproduzo um trecho da reportagem de Adriana (íntegra aqui).  Volto em seguida:
*
Após ter seu nome envolvido em uma seqüência de casos de corrupção relatados por VEJA, o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi não agüentou muito tempo no cargo e pediu as contas. Antes, porém, tentou agir para que novos casos contra ele não viessem à tona. Documento a que o site de VEJA teve acesso demonstra o esforço rápido de Rossi para trazer para perto de si um empregado que o denunciara: Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitação do Ministério da Agricultura.

Foi ele quem denunciou uma semana antes que Júlio Fróes, lobista, atuava clandestinamente no ministério. Na semana seguinte, Israel também apontou problemas nas licitações da pasta. Na ocasião, o ministro desmereceu a fala do ex-funcionário. Dois dias depois, fez de tudo para tê-lo de volta.

Israel Batista é funcionário de carreira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura. Em abril, após deixar o cargo de presidente da comissão de Licitação do ministério, onde presenciou os malfeitos que levaram à queda de Rossi, ele foi cedido à Telebrás, subordinada ao Ministério das Comunicações.

No dia 13 de agosto, um sábado, a edição de VEJA com o então ministro Wagner Rossi na capa já circulava. Na reportagem, Israel Batista relatava que, durante uma reunião da Comissão de Licitação do Ministério, o representante de uma empresa denunciou que a concorrência em questão era um jogo de cartas marcadas, sob a condição de pagamento de 2 milhões de reais ao gabinete do ministro.

No mesmo dia, Wagner Rossi divulgou uma nota no site do Ministério negando todas as acusações e destacando que Israel Leonardo Batista respondia a processo administrativo disciplinar por sua conduta na pasta. “A licitação foi anulada por erro de quem estaria fazendo as denúncias agora. Os repórteres baseiam-se na declaração de um funcionário que perdeu a função pública por uma ilegalidade cometida e admitida por ele mesmo”, criticava o então ministro.

Com o texto, Rossi deixava claro que Israel havia sido afastado e que, portanto, não era mais bem-vindo na pasta. Curiosamente, porém, o ministro voltou atrás dois dias depois. Na segunda-feira, dia 15 de agosto, assinou pessoalmente um documento enviado ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, solicitando a devolução de seu funcionário Israel Leonardo Batista, que estava emprestado para a Telebrás.
(…)
Voltei
Alguns dirão: “Pô, Wagner Rossi já era! Por que exibir isso agora?” Porque o fato — abaixo, o requerimento que pede o funcionário de volta — revela o modo como se operam as coisas em determinados ministérios. Toda aquela indignação cívica de Rossi — que se fez ouvir, inclusive, no Congresso — tinha, assim, um lado bastante “pragmático”: era melhor o acusador perto do que longe. Vai saber por que Rossi, um dos homens de Michel Temer, queria tanto um “mentiroso” de volta, né? Foi demitido antes que seu pleito fosse atendido.

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Por Reinaldo Azevedo

Por agenda positiva, Dilma privilegia rádios regionais

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
Em meio à sucessão de escândalos em Brasília, a presidente Dilma Rousseff mudou sua política de comunicação para tentar impor uma agenda positiva ao governo. Desde o início de julho, ela reservou duas horas e 52 minutos a entrevistas para rádios regionais, nas quais driblou a crise para fazer propaganda e prometer obras e benefícios sociais aos ouvintes. Isso equivale a dez vezes o tempo que dedicou no mesmo período para atender à imprensa diante de gravadores: apenas 17 minutos, fatiados em cinco ocasiões.

O tom chapa-branca das falas no rádio segue orientação do Planalto, que escolhe as emissoras, empresta equipamentos e pede aos entrevistadores que só perguntem sobre temas da região.  “Passaram para nós que seria melhor usar as questões positivas. Dizer o que pode ser feito, e não o que nunca foi feito no Estado”, contou o radialista Sérgio Gomes, que entrevistou Dilma pela Caiari AM de Porto Velho (RO). Ele passou 21 minutos com a presidente na véspera da queda do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), mas disse não ter tratado das suspeitas de corrupção na pasta por “falta de tempo”. Naquele dia, Dilma participou de dois atos públicos e não quis falar com os jornalistas de veículos nacionais.

Para Gomes, a Caiari foi premiada por transmitir programas oficiais como o “Café com a Presidenta”, às segundas-feiras. “A gente se aproximou do governo na época do Lula. Eles sabiam que podiam confiar na gente.” A experiência agradou e já foi repetida cinco vezes, em Alagoas, Ceará, Pernambuco, Paraná e no interior paulista. As rádios pequenas haviam sido ignoradas nos primeiros seis meses do governo Dilma.

ESTRATÉGIA
Quando a crise nos Transportes estourou, o ex-presidente Lula e outros aliados orientaram Dilma a mudar a política de comunicação e a lançar uma agenda positiva, com mais viagens pelo país.
No entanto, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) nega que a estratégia vise driblar as denúncias e poupar a presidente de perguntas incômodas. A transcrição das entrevistas evidencia o conforto da presidente nas rádios. “É um prazer estar aqui com a senhora, e é bom a gente deixar claro que não é uma entrevista aqui. É uma conversa, é um bate-papo, não é? Tanto é que tem água aqui, tem café à vontade”, disse Luiz Carlos Martins, da Banda B AM de Curitiba (PR).

“É muito bom que seja uma conversa entre nós porque a gente esclarece melhor, né?”, respondeu Dilma. Pouco depois, o radialista anunciou uma pergunta “que muita gente gostaria de fazer”: “A sra. está feliz?” “Quando eu lancei, por exemplo, o programa Brasil Sem Miséria, eu fiquei muito feliz”, respondeu ela. O “bate-papo” ocorreu em 12 de julho, seis dias depois da demissão de Nascimento, cuja pasta foi alvo de acusações de corrupção. Dilma não havia falado sobre o caso e assim permaneceu.

Martins disse à Folha não ter recebido ordem da Presidência para evitar a crise. “Meu jornalismo é popular. Não estou preocupado com esse tipo de assunto.” Duas semanas depois, em Maceió, um radialista da Gazeta -que pertence ao senador aliado Fernando Collor (PTB-AL)- pediu uma mensagem à “mulher alagoana”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

A propaganda fascistóide do governo Dilma – Ou: a mão do Estado-Deus!

Em comunicação, pouco importa a intenção; interessa aquilo que efetivamente se realizou, o conteúdo que foi transmitido. A propaganda do governo Dilma que está no ar, aquela da mão grande, é uma das coisas mais estúpidas e deseducativas jamais produzidas no Brasil. É também essencialmente mentirosa. Envergonha qualquer um que tenha um pouquinho de bom senso.

Vejam um dos filmes.

As imagens têm história. A mão que vem do alto, em socorro ao ser humano, é, originalmente, a mão de Deus. A matriz dessa iconografia é a “A Criação de Adão”, de Michelangelo, afresco que está no teto da Capela Sistina. Abaixo, reproduzo a imagem e o detalhe. Sigo depois.

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Essa matriz gerou, como disse, ao longo da história — procurem no “Google Imagem” todas as variantes de “A Mão de Deus” — uma tradição iconográfica, a que pertence também a propaganda oficial do governo Dilma.

Como petralhas são uma bestas ao quadrado, logo um deles tirará as patas dianteiras do chão para tentar argumentar, fingindo ter a coluna ereta: “Então Michelangelo era fascistóide?” Ai, ai… A propaganda do governo Dilma inventou um estado generoso, que concede benefícios àqueles cá da terra, como se chovessem casas, estradas, escolas, benefícios sociais vários, sem qualquer custo; como se um ente realmente superior derramasse maná sobre a Terra, numa lógica da pura doação.

E quem doa os benefícios ao povaréu passivo e sorridente? O estado! E esse estado é encarnado pelo governo Dilma, mais especificamente pela própria Dilma. E aí vem a mensagem malandra: “O Brasil está em boas mãos”. Sei… Poderia soar personalismo. Então vem a emenda do soneto: “Nas mãos do povo brasileiro”.

Desde a democratização plena, o país está nas mãos do povo brasileiro. Esteve também quando os adversários do PT foram eleitos. Assim como o Estado, a Dilma e o PT não nos dão nada, também não foi este governo (ou o de Lula) que nos deu a democracia. Ela foi uma construção coletiva.

A mão que concede benefícios não é a mão de Deus, não é a mão do Estado, não é a mão de Dilma. A mão que concede benefícios é a dos trabalhadores que pagam impostos, que arcam com a carga tributária mais alta do mundo, que beira a extorsão. Não existe essa doação, não existe esse presente, não existe essa chuva de maná.

Digo que a propaganda é fascistóide porque ela supõe a existência de um povo, como direi?, passivamente mobilizado, que é uma característica dos regimes fascistas, organizado à espera do provimento, como se as ações sociais nunca tivessem custo e decorressem da generosidade do estado e dos governantes.

Trata-se de uma campanha feita para idiotas, que infantiliza o telespectador, que trata a população como bichos à espera da ração. Tio Rei é rapaz caipira. No fim da tarde, uma das tarefas da molecada na Fazenda Santa Cândida era alimentar as galinhas. A gente abria o paiol e debulhava o milho numa geringonça com manivela. Era virar a taramela do depósito, a galinhada começava a se reunir. Quando saíamos com a bacia de milho, havia aquele mar de penas, uma cena de Hitchcock… E começava a chuva de grãos… Alimentávamos, generosos, aquelas que nos davam os ovos e que acabariam, fatalmente, na panela.

Também nós, os generosos, fingíamos doar aquilo que tirávamos das galinhas.

Por Reinaldo Azevedo

A tal propaganda vende, afinal de contas, o quê?

Há um outro aspecto a ser comentado na propaganda do governo Dilma Rousseff (ler post a respeito), aquela da mão grande, para o qual a minha filha mais velha — diz o pai orgulhoso, hehe! — chamou a atenção: “Mas isso é propaganda do quê? O que eles estão anunciando? É propaganda só pra dizer que o governo é bom?”

É isso mesmo!

Reprovo esse aspecto da publicidade oficial há alguns anos. Essa bagunça tem de ser regulamentada. Vai haver vacinação? Que se faça, vá lá, a propaganda. É preciso informar dados técnicos sobre o programa de construção de casas, ok…

O que não é possível é investir uma soma fabulosa de dinheiro público naquilo que é, no fundo, criação de uma marca, como se o governo fosse um produto que devesse ser consumido pelos brasileiros. Ora, com os diabos!, qual é a nossa alternativa?

Alguém dirá: “A oposição!” Ora, mas se é assim, também considerou a minha filhota no desenvolvimento da nossa conversa, então a oposição também deveria ter o direito de fazer propaganda de sua marca, certo?”

Certo!

A propaganda oficial, na forma como é feita no Brasil — e somos dos poucos países do mundo com tamanha “liberalidade” na área —, é uma indecência.

Se vocês notarem, a publicidade das estatais faz a mesma coisa. Bancos oficiais não estão vendendo produto nenhum; tampouco a refinaria, a distribuidora de combustíveis ou a geradora de energia. Todos eles estão torrando alguns milhões para, supostamente, exaltar a grandeza do povo brasileiro — que, tudo bem pensado, deriva da grandeza do governo, aquele da mão grande… Não há democracia no mundo que exiba esse padrão. Até porque não há democracia no mundo em que o estado, direta ou indiretamente, anuncie tanto.

Por Reinaldo Azevedo
Alinhamento de setores da imprensa com Haddad beira a sem-vergonhice

Fernando Haddad, ministro da Educação e pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo — Lula já submeteu Marta Suplicy a uma humilhação que eu, se fosse petista, consideraria injusta, dados os serviços prestados por ela à “causa” — gasta R$ 100 mil por dia na, como posso chamar?, divulgação dos eventos de sua pasta.

O esquema é profissional. O homem é capaz de operar os milagres mais exóticos, diante dos olhos da imprensa, sem que ninguém estranhe. Ele anunciou, por exemplo, pouco mais de R$ 600 milhões para criar quatro universidades federais. Mas, só com o Enem deste ano, pretende gastar mais de R$ 300 milhões. Como pode a realização de uma simples prova custar a metade do que custa a implementação de quatro universidades federais, eis um dos arcanos que envolvem o nosso leninista que não suja o shortinho. Ou o custo de criação das tais universidades está subestimado (e, pois, a coisa não é pra valer; e não é), ou o custo do Enem está superestimado. Dado o padrão petista de gestão, eu aposto na alternativa C: a A e B estão corretas.

Tenho cuidado amiúde da obra deste gigante. Ainda hoje lembrarei de um outro feito seu, a que se costuma dar pouca atenção. Mas sigamos. Olhem, tem sido quase impossível ler jornal, site, portal ou ouvir rádio sem que sejamos informados da agenda de Haddad, dos seus feitos, do que ele anda pensando etc. Há ilhas de isenção, como sempre. Mas, em regra, tá tudo dominado. Ah, sim: se, eventualmente, não é ele a pauta, então entra Gabriel Chalita.

A assessoria de Haddad está, com efeito, fazendo um bom trabalho. Tem a seus pés os pauteiros da grande imprensa e os responsáveis por colunas de notas. Os que conseguem fazer “jornalismo crítico” dão algumas pancadas em Marta Suplicy, tratando-a como o PT velho, já superado — em suma, reproduzem a avaliação de Lula. Fica-se com a impressão de que a disputa eleitoral se esgotará na pré-confronto entre Marta e Haddad, em que ela  está em clara desvantagem. Decidido esse embate, bastará a ele correr para o abraço.

A campanha em favor do escolhido por Lula na base do dedaço já beira a falta de vergonha na cara. Eu estou entre aqueles que acham legítimo que jornalistas e veículos digam qual é seu candidato ou pré-candidato preferido. Eu digo. O meu, por exemplo, é Andrea Mattarazzo. MAS ATENÇÃO! EU DIGO. Ninguém tem o direito de duvidar disso.

O que é detestável é essa mania de afetar isenção e independência, mas engajando-se, de modo oblíquo, numa candidatura. “Ah, mas se há notícia sobre Haddad, fazer o quê?” Entre outras coisas, há que se denunciar o uso de dinheiro público, não é mesmo?, numa campanha eleitoral que nem começou.

Por Reinaldo Azevedo

O Cafofo do Dirceu

Mantenho, abrindo a edição deste domingo, aquele post de ontem em que desmonto a farsa preventiva que José Dirceu criou para mobilizar a Al Qaeda Eletrônica, a rede petralha na Internet, que tenta esconder o óbvio: o deputado cassado, acusado de ser chefe de quadrilha, montou um governo clandestino num hotel em Brasília — onde ele nem mesmo aparece como hóspede. É uma empresa que paga a conta. Sem função no governo, com conhecida atividade de lobby em vários setores, o homem recebe ministro de estado, dirigente de estatal, senadores, deputados… Em meio à crise que acabou resultando na queda de Palocci, o lobista se movimentava freneticamente para apressar a demissão de seu adversário interno e para fazer o seu substituto. Seu candidato era Cândido Vaccarezza. Não deu certo.

Como o próprio Dirceu dá a entender em seu site, num post ridículo em que tenta posar de vítima, as reuniões flagradas por VEJA não são exceção, mas regra. Segundo ele mesmo confessa, os dois quartos, pagos por um escritório de advocacia, são a sua casa em Brasília.  Dirceu não é um lobista qualquer. Seus pares menos famosos e menos poderosos são obrigados a ir até os políticos, a tentar marcar audiência com ministros, a arranjar prepostos que lhes abram os caminhos até os gabinetes. Com o cassado e “chefe de quadrilha” (segundo a Procuradoria), a coisa é diferente.

É o ministro de Estado que vai ao seu encontro. É Fernando Pimentel (Indústria e Comércio) quem se desloca até o aparelho clandestino para encontrar o “chefe”. Qualquer um que tente marcar uma audiência com José Sérgio Gabrielli, o presidente da Petrobras, vai penar. Ele é muito poderoso e muito ocupado. Menos em matéria de Dirceu: nesse caso, se ele fosse um pet, correria animado como um maltês felpudo ao encontro do chefe da matilha. Até um ex-senador e um deputado da oposição freqüentam o “Cafofo do Dirceu”. E Dirceu, vejam vocês, trabalha para empresas da área de petróleo e gás…

É importante deixar claro que nunca antes na história destepaiz houve alguém como ele. Lula, hoje, na prática, faz o mesmo que Dirceu: vocaliza interesses privados, tem grande influência no PT, ganha uma grana preta com suas “palestras”, busca mecanismos oblíquos para ferrar a democracia… Mas, vá lá, o Apedeuta goza, ao menos, de um outro status jurídico e político. Não que não  merecesse e ainda mereça as mesmas penas de Dirceu — afinal, era seu chefe —, mas conseguiu se safar. Essa romaria do alto escalão da República a alguém acusado de ser “chefe de quadrilha”? Não, meus caros, isso é inédito!

A canalha petralha pergunta na rede: “Mas o que tem de errado nos encontros? Dirceu é um petista se reunindo com petistas. Não pode?” Não! Homens de estado, alguns deles exercendo cargo de confiança, não podem manter convescotes secretos com um lobista — ainda mais quando se constata que o objetivo é interferir em decisões do governo.

Até alguns setores da imprensa digna desse nome hesitam um tantinho e se perguntam se há algo de incomum na esbórnia. Isso dá conta de um momento de rebaixamento ético da política, a que os petistas nos conduziram — é claro que não inventaram a corrupção; eles apenas a conduziram ao estado de arte.  Os petistas têm essa particular capacidade de levar as pessoas a duvidar de seus próprios critérios morais.

Então eu lhes proponho um exercício. Imaginem uma empresa privada qualquer. Pensem agora num indivíduo, lobista, dedicado a seu próprio enriquecimento, que recebesse clandestinamente dirigentes dessa empresa para cuidar de seu futuro. Seria aceitável? Os acionistas da dita-cuja permitiriam? Os partícipes da reunião continuariam empregados? Se a prática é impensável na iniciativa privada, por que deveria ser aceita no serviço público?

VEJA ESTOUROU O APARELHO DE JOSÉ DIRCEU! O APARELHO QUE ELE MONTOU EM PLENO REGIME DEMOCRÁTICO PARA CONSPIRAR CONTRA DEMOCRACIA. É uma evidência de que o lobo troca o pêlo, mas não muda o vício.

Por Reinaldo Azevedo

Requião e o hotel de Dirceu

No plenário do Senado nesta tarde, Roberto Requião chamou Humberto Costa e fez uma rápida avaliação dos despachos de José Dirceu em um hotel de Brasília. Para Requião, encontro em quarto de hotel alimenta a imaginação pública.

- O problema não é aparecer no hotel. O problema é: por que conversar lá no hotel? Por que não conversar aqui [no Senado]? Quem quer falar comigo vai na minha casa.

Costa apenas ouviu e pouco depois defendeu Dirceu na tribuna.

Por Lauro Jardim

Sala VIP petista

A sede nacional do PT em Brasília tem uma sala VIP destinada exclusivamente para despachos de lideranças do partido. Assim, se fosse o caso, José Dirceu poderia deixar de receber integrantes do governo em um quarto de hotel.

Por Lauro Jardim

Dirceu e o revólver

Aliás, desde que VEJA revelou o movimento no quarto de hotel, uma romaria de petistas tem telefonado para Dirceu. Diz um senador petista:

- O Dirceu não vai deixar nunca de fazer política. Se tirar isso do Dirceu, é melhor dar um revólver para ele se matar. Dirceu é um guerrilheiro.

Por Lauro Jardim
Na coluna Direto ao Ponto

O tiro no pé do guerrilheiro de araque

Transformar um quarto de hotel em aparelho clandestino é sinal de pouca inteligência. Transformar um endereço no centro de Brasília em esconderijo para tramoias políticas e/ou comerciais envolvendo figurões do governo e do Congresso é prova de indigência mental. Fazer essas coisas simultaneamente só pode ser coisa do companheiro José Dirceu. Como comprova a reportagem de capa da edição de VEJA, ele nunca perde a chance de engrossar a colossal coleção de ideias de jerico inaugurada já nos tempos de líder estudantil.

Em 1968, Dirceu conseguiu namorar a única espiã da ditadura militar. Se quisesse prendê-lo, a polícia poderia dispensar-se arrombar a porta: Heloísa Helena, a “Maçã Dourada”, faria a gentileza de abri-la. Ainda convalescia do fiasco amoroso quando resolveu que o congresso clandestino da UNE, com mais de mil participantes, seria realizado em Ibiúna, com menos de 10.000 moradores. Até os cegos do lugarejo enxergaram a procissão de forasteiros.

No primeiro dia, mandou encomendar 1.200 pães por manhã ao padeiro que nunca passara dos 300 por dia. O comerciante procurou o delegado, o doutor ligou para a Polícia Militar e a turma toda acabou na cadeia. Ninguém reclamou: enquanto o congresso durou, todos haviam tentado dormir sob a chuva por falta de tetos suficientes. Incluído no grupo dos resgatados pelos sequestradores do embaixador americano, Dirceu avisou que lutaria de armas na mão contra a ditadura e foi descansar na França.

O lutador exilado empunhou taças de vinho num bistrô em Paris até trocar a Rive Gauche pelo cursinho de guerrilheiro em Cuba. Com o codinome Daniel, aprendeu a fazer barulho com fuzis de segunda mão e balas de festim, submeteu-se a uma cirurgia para deixar o nariz adunco, declarou-se pronto para derrubar a bala o regime militar e, na primeira metade dos anos 70, voltou ao Brasil. Percebeu que a coisa andava feia assim que cruzou a fronteira e, em vez de trocar chumbo no campo, foi trocar alianças na cidade.

Fantasiado de Carlos Henrique Gouveia de Mello, negociante de gato, baixou em Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná, casou-se com a dona da melhor butique do lugar e entrincheirou-se balcão do Magazine do Homem, de onde só saía para dar pancadas em bolas de sinuca no bar da esquina. Em 1979, quando a anistia foi decretada, Carlos Henrique, apelidado de “Pedro Caroço” pelos parceiros de botequim, abandonou a frente de combate municipal, o filho de cinco anos e a mulher, que só então descobriu que vivera ao lado do revolucionário comunista menos belicoso de todos os tempos.

Livre de perigos, afilou o nariz com outra cirurgia plástica, ajudou a fundar o PT e não demorou a virar dirigente. Ao tornar-se presidente, escolheu Delúbio Soares para cuidar da tesouraria. Depois da campanha vitoriosa de Lula, não se contentou com a chefia da Casa Civil: promoveu-se a superministro e monitorou o preenchimento dos milhares de cargos de confiança.

Nomeado capitão do time do Planalto, mandou e desmandou até a explosão do escândalo protagonizado por Valdomiro Diniz, o amigo vigarista com quem dividira um apartamento em Brasília. E então o país descobriu que o herói de Passa Quatro transformara um extorsionário trapalhão em Assessor para Assuntos Parlamentares. Atirado à planície pelo escândalo do mensalão, conseguiu ser cassado por uma Câmara dos Deputados que não pune sequer os integrantes da bancada do  PCC.

Sem mandato, com os direitos políticos suspensos e desempregado, descobriu que estava pronto para prosperar com o tráfico de influência. Desde 2005 junta dinheiro como facilitador de negócios feitos por capitalistas selvagens. E hoje é chamado de Jay Dee por patrões que, na hora de tratar os detalhes do acerto, mandam a criançada sair da sala e vão à janela para saber se algum camburão estacionou por perto.

Quem se dedica a tal ofício tem de ser discreto. Dirceu acha possível seguir embolsando boladas de bom tamanho como “consultor” sem abandonar a discurseira contra a elite golpista e a mídia reacionária, sem renunciar à luta pelo controle do PT, sem arquivar a saudade dos tempos de primeiro-ministro, sem despir o uniforme de guerrilheiro de araque. A reportagem de VEJA contou a última dessa flor de esquizofrenia. Logo será a penúltima.

No momento, Dirceu jura que houve uma tentativa de invasão do aparelho clandestino montado em Brasília. Ele também vive jurando que o mensalão não existiu. “Tenho uma biografia a preservar”, recitou mais uma vez o chefe do que o procurador-geral da República qualificou de “organização criminosa sofisticada”. Aos 65 anos, enquanto o Brasil decente espera que o Supremo Tribunal Federal cumpra o seu dever, o que tem José Dirceu é um prontuário a esconder.

(por Augusto Nunes)

Memória: De caso com os sanguessugas

O senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, não entende nada de democracia ou de imunidade parlamentar. Então vamos lembrar a sua obra na Saúde, em reportagem da VEJA de 26 de julho de 2006.
*
O caso da máfia dos sanguessugas já era, na semana passada, um dos maiores escândalos de corrupção descobertos no país. Nada menos do que 57 parlamentares estavam sob suspeita de ter recebido suborno de uma empresa de ambulâncias, a Planam, para destinar recursos do Orçamento federal a prefeituras compradoras dos veículos. Na quinta-feira passada, porém, descobriu-se que tanto o número de envolvidos no esquema quanto o seu alcance haviam sido subestimados. Os parlamentares acusados de participar da máfia dos sanguessugas ultrapassam uma centena - o número exato é 112 -, e o Legislativo não é o único poder atingido por ela. O rastro do suborno e do tráfico de influência alcança também o Executivo federal - mais precisamente a porta do gabinete do ex-ministro da Saúde Humberto Costa, hoje candidato ao governo de Pernambuco pelo PT. As revelações foram feitas pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, um dos sócios da Planam, ao longo de uma série de depoimentos sigilosos prestados à Justiça Federal nas duas últimas semanas.

VEJA apurou que, nessa série de depoimentos, Vedoin contou que, no início de 2003, quando o presidente Lula baixou um decreto restringindo o pagamento de débitos contraídos na gestão anterior, a Planam ficou sem ter como receber uma dívida de 8 milhões de reais da qual era credora no Ministério da Saúde. Assim, Vedoin e seu pai, Darci Vedoin, também sócio da Planam, procuraram o então ministro da Saúde Humberto Costa para tentar uma solução para o problema. Por meio de um amigo comum, que fez a aproximação, os Vedoin encontraram-se com Costa, em seu gabinete, em fevereiro daquele ano. O ministro, segundo Vedoin, disse que não poderia liberar a verba, mas, no fim da reunião, apresentou aos empresários seu chefe-de-gabinete, Antônio Alves de Souza, hoje secretário de Gestão Estratégica do Ministério da Saúde. Segundo contou Vedoin, Costa disse que Souza poderia estudar a possibilidade de conseguir a liberação do pagamento.

No mês seguinte, o dono da Planam foi procurado por um certo José Caubi Diniz. Na conversa, que aconteceu durante uma feira de negócios em Brasília, Diniz disse ter sido informado por Souza, o chefe-de-gabinete de Costa, de que a Planam estava tentando obter seu pagamento do governo federal. Afirmou que poderia conseguir a liberação do dinheiro. Para isso, contaria com a ajuda do petista José Airton Cirilo, que, segundo ele, teria grande influência junto ao ministro Humberto Costa. Cirilo, integrante do Diretório Nacional do PT, foi presidente do partido no Ceará, duas vezes prefeito da cidade de Icapuí e candidato a governador do Ceará em 2002. Por indicação do presidente Lula, também participou do governo federal: ocupou um dos postos de direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Dias depois do encontro na feira de negócios, Vedoin e o pai - acompanhados de Diniz e Cirilo - desembarcaram na ante-sala do gabinete de Humberto Costa, no Ministério da Saúde. Lá, Cirilo despachou sozinho com o ministro por cerca de duas horas. Ao fim da audiência, o petista disse aos presentes que havia conseguido a liberação do dinheiro da Planam, em quatro parcelas. No dia 1º de abril, assim que os Vedoin receberam o primeiro pagamento, repassaram a Cirilo, conforme havia sido combinado, 35.000 reais - a primeira parte de uma “comissão” que totalizou 400.000 reais. O dinheiro, afirmou Vedoin, foi depositado na conta de um sobrinho de Cirilo, chamado Raimundo Lacerda. Os comprovantes dos depósitos foram entregues à Justiça. O esquema montado pela quadrilha deu tão certo que Cirilo e Vedoin decidiram ampliá-lo. Segundo o empresário, o dirigente petista disse que havia combinado com o próprio ministro Humberto Costa a liberação de 30 milhões de reais de recursos extra-orçamentários que seriam destinados à aquisição de equipamentos hospitalares para municípios do interior. Para que a Planam lucrasse com o negócio, bastaria ganhar fraudulentamente as licitações, com a ajuda dos prefeitos, e, ao fim do processo, pagar 15% de propina a Cirilo. A empresa de Vedoin chegou a efetuar algumas vendas, mas o processo foi interrompido assim que começaram a ser presos os primeiros envolvidos no esquema dos sanguessugas.

De acordo com os depoimentos de Vedoin, o número de parlamentares suspeitos de participar dos negócios escusos - que, segundo a Polícia Federal, teriam movimentado pelo menos 110 milhões de reais desde 2001 - chega a quase 20% do Congresso. VEJA reproduz nesta edição a lista completa dos deputados e senadores apontados pelo empresário como participantes daquele que é, provavelmente, o mais bem documentado escândalo de corrupção da história do Brasil. Vedoin, em seus depoimentos, não se limitou a indicar, um a um, os deputados e senadores que recebiam propina de sua empresa - em geral, 10% do valor de cada emenda ao Orçamento aprovada e liberada pelo governo federal. O empresário forneceu à Justiça mais de uma centena de cópias de transferências bancárias e depósitos - feitos ora em conta corrente de “laranjas”, ora diretamente na conta de parlamentares e prefeitos. Sessenta prefeitos foram acusados por Vedoin (veja lista) de participação no esquema dos sanguessugas.

Entre os 112 parlamentares acusados de integrar a máfia, há deputados que ganharam sua propina em dinheiro vivo, outros que usaram parentes e funcionários para ocultar o suborno e até os que receberam carros a título de “comissão”. Um dos nomes que mais chamam atenção na relação apresentada à Justiça por Vedoin é o do ex-deputado paulista pelo PPS Emerson Kapaz - tanto pela robustez das provas apresentadas contra ele quanto pelo espanto que causa a presença, numa lista como essa, de alguém que sempre foi um defensor da ética na política e no mundo empresarial. Hoje presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), Kapaz, empresário do ramo de plásticos, elegeu-se em 1998. O dono da Planam contou que o então deputado apresentou emendas ao Orçamento destinando 1,6 milhão de reais para compra de ambulâncias em dez municípios. Desse montante, o governo liberou cerca de 1 milhão. Segundo Vedoin, Kapaz tratou diretamente com os prefeitos beneficiados para que as licitações para compra de ambulâncias tivessem como vencedora a Planam. Vedoin apresentou à Justiça os números de dois cheques que teriam sido usados para pagar a propina ao então deputado, totalizando 52.000 reais. Segundo Vedoin, Kapaz pediu a ele que o dinheiro fosse repassado por meio de uma operação triangular: num primeiro momento, o dinheiro circulou em contas de empresas do próprio Vedoin, por meio de cheques. Em seguida, foi transferido, segundo Vedoin, a pedido de Kapaz, para cinco outras contas, em nome de firmas e pessoas indicadas pelo ex-deputado, entre elas Laura Mosiasson, na ocasião mulher de Kapaz. “Não tenho idéia de como meu nome possa estar envolvido nessa história”, disse o ex-deputado. “Pelo que me lembro, minhas emendas nem chegaram a ser liberadas”, afirmou a VEJA. Outro nome que causa surpresa é o de Érico Ribeiro (PP-RS). Maior produtor de arroz do Brasil, Ribeiro também foi acusado por Vedoin de cobrar propina em troca de emendas. É curioso que um multimilionário possa ter arriscado sua reputação em troca de alguns milhares de reais.

O esquema dos sanguessugas só pôde alcançar essa dimensão depois de se infiltrar no Ministério da Saúde. Para isso, contou com uma peça-chave: a ex-funcionária da Planam Maria da Penha Lino, que, em agosto de 2005, conseguiu ser nomeada assessora do ex-ministro Saraiva Felipe, então titular da Saúde. Uma vez dentro do gabinete, Maria da Penha tratou de agilizar a aprovação dos projetos da Planam e a execução de emendas que interessavam à empresa. Como uma lobista foi nomeada tão facilmente para assessora do ministro da Saúde? Em seu depoimento, o empresário Luiz Antônio Vedoin explicou. De acordo com ele, o deputado José Divino e o senador Ney Suassuna - citados na primeira lista de suspeitos de envolvimento com a máfia das ambulâncias - chegaram a fazer ofícios ao ministério recomendando a nomeação de Maria da Penha para o cargo. Ainda segundo Vedoin, Saraiva Felipe foi receptivo à idéia. A nomeação de Maria da Penha foi feita dentro da “cota” do ministro.

Vedoin relatou todo o esquema à Justiça, com nomes, quantias e provas materiais, em troca do benefício da delação premiada - que prevê redução de pena para criminosos que colaborarem com as investigações. Ele foi solto há duas semanas, depois de abrir o bico. Seus depoimentos causam assombro ao revelar o grau de capilaridade que a máfia dos sanguessugas alcançou, assim como a extensão do assalto que ela perpetrou contra o Estado e o número de parlamentares acusados de envolvimento nela. As revelações levam à triste constatação de que a corrupção parece ter se instalado no Congresso como um cupinzal subterrâneo. Ele se dissemina em velocidade atordoante, contaminando e corroendo cada centímetro sadio que encontra pela frente. Em vez de extingui-lo, cada nova eleição parece fortalecê-lo. Os cupins apenas se revezam - e surgem com fôlego renovado. Pobre Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

 às 23:21

Vocês se lembram da voz de Humberto Costa? Continua a mesma. Os cabelos mudaram um pouco. As idéias continuam péssimas! Ou: Ele quer um regime que fale grosso!

Os que têm a minha idade, e até um pouco menos, se lembram de uma propaganda na TV que virou um clássico. Reproduzo-a abaixo. Volto em seguida.

Então…

A voz do senador Humberto Costa (PT-PE) continua a mesma. O seu cabelo está um pouco diferente da época do escândalo dos sanguessugas, por exemplo. Mas as idéias que vão abaixo deles continuam detestáveis, como sempre.

Humberto Costa não pode ser contrariado. É só ele se chatear com alguém e logo pede uma regime que fale grosso. Parece que está com saudade da dita dura. Na quinta-feira, ele ficou bravo com o senador Mário Couto (PSDB-PA) e pediu abertamente uma punição a seu colega. O crime do tucano? Falou mal do PT. Costa acredita que um “crime” dessa natureza não está coberto pela liberdade de expressão nem pela imunidade parlamentar. Este gigante do pensamento político acha que as pessoas são livres pra dizer o que bem entendem desde que elas concordem com ele. Alguém está surpreso?

O homem é psiquiatra. Mandando a ética médica para o escambau, chamou seu adversário de “débil mental”, na forma de um xingamento mesmo. Nota: no dia 11 de agosto, Costa comandou uma sessão no Senado para comemorar o fim dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Segundo ele, “a lei trouxe avanços significativos; trouxe um atendimento mais humanizado, não mais voltado para aquele modelo centrado em hospitais (…)”. Nós sabemos como é fácil obter  atendimento nessa área no Brasil… Santo Deus! Adiante.

Nesta segunda, Costa foi à tribuna defender alguma punição para a revista VEJA porque  — ohhh!!! — a revista evidenciou que José Dirceu mantém um governo clandestino em Brasília. Costa não teve dúvida. Segundo texto da Agência Senado,  o senador, que é líder do PT, acredita que a reportagem de VEJA “evidenciou a necessidade de se discutir os limites de iniciativas de órgãos de imprensa danosas à imagem de pessoas públicas”. Está entre aspas. Não sei se o erro de concordância é de Costa ou da Agência. Tanto faz. Mais agrave aí é o erro moral.

Entendi. Depois de pedir o fim da imunidade parlamentar para quem fala mal do PT, Costa que debater o fim da liberdade de imprensa para quem provar que petista anda fazendo coisa errada. Rafael Correa conseguiu aprovar uma lei no Equador que pune quem fala mal do governo. Chávez e Evo Morales já fizeram a mesma coisa. Aqui, como sabem, os petistas já tentaram. Ainda não deu certo.

Costa, como se vê, não se contenta com a sua comprovada incompetência ao tempo em que era ministro da Saúde. Ele também tem uma alma, assim, autoritária mesmo! E porque jornalismo também é memória, relembro no próximo post uma reportagem de VEJA de 26 de julho de 2006, que fala um tanto de sua biografia. Costa, o sanguessuga da democracia.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

 às 22:26

Um texto realmente surpreendente na Folha…

Por falar em segurança pública e afins (post abaixo), Vinicius Mota escreveu um texto inteligente na Folha desta segunda, intitulado “A miséria da sociologia”. Não! A gente não é da mesma igreja nem da mesma enfermaria (metáfora, petralhas! Metáforas…). Acho até que já o critiquei aqui. Não estou certo, mas é possível. Já critiquei tanta gente e me criticam tanto que não faço a contabilidade. A vida fica melhor assim, não é? Chato é o silêncio dos cemitérios ou o coro dos que concordam sempre e patrulham a divergência,  como se dissentir fosse um crime. A patrulha esquerdopata é tal que Mota certamente preferiria que eu não elogiasse o seu texto. Mas ele é grandinho. Sabe se defender, hehe. Vamos a seu artigo. Volto em seguida.

*
Foi majoritária, como apontou a ombudsman Suzana Singer, a manifestação de leitores da Folha no papel e na internet de apoio à polícia, por conta de reportagens que traziam indícios de abuso de violência de PMs paulistas.

O teor de muitas mensagens tocava no lugar-comum de que bandidos não merecem salvaguardas legais. Estariam justificadas ações como a emboscada e a morte de assaltantes de caixas eletrônicos.

Ondas de manifestações de leitores, sobretudo na internet, podem induzir ao engano. O meio facilita a mobilização de pequenas correntes de opinião, que acabam ganhando visibilidade desproporcional.

Mas há reiteradas provas de que a opinião pública, mesmo em fatia mais instruída representada pelo leitorado deste jornal, não mais engole acriticamente a cantilena dos direitos humanos. Talvez porque defensores dos direitos humanos se mantenham atados a preconceitos teóricos descolados da realidade.

O primeiro deles encara o crime como um fenômeno preponderantemente social, e não individual. Se alguém delinquiu, em especial se for pobre, é porque um feixe de determinações sociais, econômicas e culturais o levou a esse ato. Antes de tornar-se algoz, foi vítima.

A responsabilidade individual deve ser relativizada, de acordo com esse esquema ideológico. Já se o autor do crime pertence à chamada “elite branca”, como no caso de atropelamentos recentes, perdeu o direito ao atenuante “social”. Responsabilização nele.

O segundo preconceito estabelece que cadeia, polícia e Justiça criminal compõem a trinca do demônio da opressão estatal. São os operadores de um dispositivo perverso cujo objetivo é padronizar o comportamento da sociedade e reprimir revoltas latentes. Evitar a revolução social, enfim.

Se o pensamento acadêmico-ongueiro dos direitos humanos não revir seus pressupostos, vai pregar, cada vez mais, para o deserto.

Voltei
Nem Mota nem eu — ou qualquer pessoa sã — defendemos violência policial. E seu texto passa muito longe disso. Ao contrário até: tanto ele quando eu entendemos, estou certo, que todos os indivíduos têm o direito à proteção legal. Mais: acreditamos, estou convicto, que as pessoas devam ser punidas segundo as suas culpas, com base nas balizas e nos limites legais.

O que o autor aponta, e está certo, é o discurso contraproducente de certa sociologia do pé quebrado, segundo a qual as condições sociais dos indivíduos sempre explicam o ato delinqüente, a violência, a barbárie. As coisas não são assim não é porque este e aquele não queriam. Não são porque não são. A esmagadora maioria dos brasileiros é pobre; no entanto, só uma extrema minoria opta pela delinqüência. No mais das vezes, faz-se uma grande confusão entre correlação e relação de causa e efeito. Atribuir a violência à pobreza é, obviamente, desrespeitoso com os pobres. As almas caridosoas que assim procedem odeiam os pobres traduzidos em volumes nas suas estates, mas costumam tratar os que realmente existem com solene desprezo. Esquerdistas acham que pobres estão predispostos à violência porque os consideram seres de outra natureza, com uma humanidade diferente da nossa.

Curiosamente, ou nem tanto, numa manifestação primitiva da luta de classes — do arranca-rabo de classes, isto sim! —, os “culpados” de classe média, eventualmente ricos, nunca merecem perdão. Não é raro que não se lhe dê na imprensa nem mesmo direito à defesa. Aplica-se simplesmente o manual: as ocorrências, em si, perdem importância. Os eventos são sempre narrados segundo a lógica de um fábula, em que bichos bons  são sempre perseguidos por bichos maus. Ou é cordeiro ou se é lobo. O esquerdista de plantão é sempre Esopo…

Mota termina seu texto com uma advertência: “Se o pensamento acadêmico-ongueiro dos direitos humanos não revir seus pressupostos, vai pregar, cada vez mais, para o deserto.” E vai mesmo! E quem sai perdendo com isso? A ponderação, a verdade possível. Ricos e pobres têm de ter o direito à vontade individual; têm de ser responsabilizados por suas escolhas.

Mota escreveu um texto ousado para a Folha de S. Paulo, corajoso mesmo. Pelo menos não fez como Louis, o policial de Casablanca, que manda prender “os suspeitos de sempre”, como amiúde se faz por lá, uns com mais bibliografia, outros com menos, mas sempre com a mesma moral da historia. Mota mudou um pouco os livros de referência. Lembrou que a vida não se divide entre lobos e cordeiros.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

 às 21:50

Ministra dos Direitos Humanos, que deveria receber aula do governo de SP, vem ao Estado para fazer proselitismo barato e se comportar como a professora que não é

Qual é o papel de um ministro (no caso, ministra) de estado? Atuar em favor do Brasil — na verdade, dos brasileiros —, independentemente das questões partidárias. Quando exerce uma função de estado, o partido deve ficar de lado.

Leiam o que informa Jair Stangler, no Estadão Online. Na madrugada, dedicarei um texto a esta senhora, com todo o rigor que ela merece. Fiquem agora com o que informa o site do Estadão. Depois eu vou chamar a ministra na chincha para fazer umas continhas. Vamos ver quem cuida melhor dos direitos humanos: São Paulo ou o governo que ela representa.
*
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, criticou o governo de São Paulo por permitir site da Rota que elogia o golpe militar de 1964 e fez várias cobranças com relação ao governo do Estado com relação à sua área de atuação. A ministra participou nesta segunda-feira, 29, de audiência publica na Assemléia Legislativa de São Paulo. A audiência contou ainda com a presença da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), do padre Julio Lanceloti e a secretária de Justiça do governo de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda.

“Eu considero que todos os Estados da Federação devem fazer também o seu esforço pelo direito à verdade e à memória e pela democracia. Uma página oficial do governo estadual, em um período democrático, que presta homenagem à deposição de um presidente, legitimamente eleito, do presidente João Goulart… Eu me senti aviltada de fato por isso e eu tenho certeza que o governador Geraldo Alckmin tomará providências diante disso porque é uma estrutura do Estado de São Paulo”, disse. “Não se pode comemorar golpe, não se pode comemorar a violação do Estado democrático de Direito, sob pena de plantar-se novas violações.”

Maria do Rosário fez outras cobranças ao governo do Estado, como quando criticou que São Paulo ainda não tenha uma  Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) e também ao encampar algumas das reivindicações dos presentes - afirmou, por exemplo, que irá discutir com o governador Geraldo Alckmin decreto que tira autonomia do  Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe/SP).

Após a realização da audiência, no entanto, a ministra disse que seu objetivo não é criticar a atuação do governo do Estado na área. “Não foi meu objetivo produzir críticas pontuais ao Estado de São Paulo ou a prefeituras municipais. O meu objetivo é um trabalho em parceria, é trabalharmos juntos. E a presença da secretária de Justiça daqui de São Paulo na abertura do evento e sua equipe na reunião, é um passo muito importante para que os trabalhos nos direitos humanos não estejam pautados na oposição ao governo. Lá no Congresso Nacional ou aqui em São Paulo. Direitos humanos são direitos humanos, tem caráter universal, é um princípio ético. O governo federal, o governo da presidenta Dilma estende a mão, estamos juntos e vamos estar juntos com o governo do Estado de São Paulo, superando as dificuldades.”

Maria do Rosário comentou ainda a Comissão da Verdade, cujo projeto tramita no Congresso Nacional. Ela disse não ter previsão de prazo para sua votação, mas disse que no que depender de sua vontade, será votado ainda este ano.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

 às 21:14

A picaretagem da volta da CPMF. O que eles já disseram

Abaixo, há um vídeo, do jornal da Jovem Pan, em que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, diz com todas as letras que o governo não vai reeditar a CPMF. Vejam — ou ouçam. Volto em seguida (não adianta tentarem tirar do ar porque já fiz cópia).


Agora leiam o que vai na Folha Online. Comento depois:
Por Maria Clara Cabral:
A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou nesta segunda-feira (29) que a discussão de criação de uma nova fonte para financiar a saúde é algo “inevitável”, que tem que ser feito com os governadores e com o Congresso. Para a ministra, a pressão pela aprovação da emenda 29, que regulamenta o dinheiro a ser investido na saúde, sem dizer de onde viriam os recursos, seria apenas “para sair na foto e não resolver o problema”. Ideli falou também sobre a PEC 300, que cria um piso salarial para os policiais. Disse que, nesse caso, criar-se-ia uma situação de gastos praticamente “insustentável” para todos os governadores.

A ministra fez um apelo para que o Legislativo trabalhe em sintonia com o Executivo. “Seria algo controverso. Se a presidente faz um esforço para ampliar a economia do país e, na contramão, o Congresso aumenta gastos. Por isso temos que ter uma sintonia muito próxima”, afirmou. A possibilidade de votar a regulamentação dos jogos de azar para direcionar seus impostos para a saúde não agrada a ministra. A proposta foi levantada pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Ideli falou sobre a reunião de mais cedo entre a presidente Dilma Rousseff e a coordenação política, quando foi anunciada a elevação da meta do superávit primário (resultado antes do pagamento dos juros) do governo central em R$ 10 bilhões. “Já estamos vendo uma repercussão muito boa das medidas anunciadas hoje. É tudo que o brasileiro sempre sonhou, gerando emprego, distribuição de renda e ainda mais com o jurinho pequeno”, afirmou.

Comento
Viram? Não só pretendem reeditar a CPMF, contrariando promessa de campanha e a fala expressa do ministro da Saúde, como querem fazê-lo de modo covarde: dividindo a responsabilidade com os governadores. Para todos os efeitos, eles é que querem…

Que governo bacaninha! É de deixar qualquer ortodoxo sem imaginação babando na gravata. No dia em que anuncia a elevação do superávit primário em R$ 10 bilhões (APLAUSOS, APLAUSOS!!!) — e, portanto, nada de mais gastos com a Saúde —, dá a entender que pretende enfiar a mão no bolso da sociedade para financiar o setor. Quando se bate a carteira da população, os mercados não reagem mal. Já o anúncio do superávit maior causou uma verdadeira excitação no mercado…

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

 às 19:07

Lula ajuda Dilma de um jeito que nem ele imagina…

Luiz Inácio Apedeuta da Silva, o nome do mal da política brasiliera, colabora com o governo Dilma de um modo que ele mesmo não supõe e que muitos analistas não suspeitam, alguns deles não se dando conta do que eles próprios escrevem.

Como há um certo temor de que o Babalorixá de Banânia decida voltar — e conhecemos a sua herança maldita: infraestrutura em petição de miséria, gastança desordenada, instituições aviltadas — e num contexto internacional, desta feita, adverso, então há uma espécie de “fuga coletiva para Dilma”, por mais, para ser generoso, anódino que seja o seu governo.

Dá-se de barato algo mais ou menos assim: “Antes Dilma do que Lula; ela, ao menos,  não passa a mão na cabeça de corruptos” —  consolidou essa fama com algumas demissões havidas no governo.

Assim, mesmo o estelionato eleitoral explícito, como a mobilização para derrubar a Emenda 29, passa por um lance de grande prudência na administração pública. À medida que Lula é visto, e por bons motivos, como líder de tudo o que pode haver de mais nefasto na política brasileira — ele é a síntese dos piores defeitos do PT e do PMDB —, a sua criatura é vista como a garantia possível contra o criador.

É claro que esse é o momento para que surjam as vozes da oposição. Até que elas estão cumprindo o seu papel no Congresso. Mas quem lidera? Alguns maquiáveis de quarteirão estão dedicados a fraturar o PMDB para, quem sabe, se unir à turma no futuro… Vale dizer: há quem ache que o melhor caminho para a oposição é se juntar à banda mais podre da situação.

Deus nos acuda!

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

 às 18:25

O lobista Lula mostra como seduziu Dona Zelite

Do Valor Online. O título é meu. Ainda voltarei ao Babalorixá, estejam certos.

Fora da Presidência há quase oito meses, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua com uma intensa agenda de viagens ao exterior, atuando na intermediação de interesses de empresários e governos. Nesta segunda-feira, Lula se encontrará com o presidente da Bolívia, Evo Morales, na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra, para tentar resolver um impasse em torno da construção de uma rodovia pela brasileira OAS. Na terça-feira, o ex-presidente viajará para a Costa Rica e na quarta-feira irá a El Salvador.

Na Bolívia, Lula participará de um seminário patrocinado pela OAS com entidades empresariais bolivianas, ao lado de Evo Morales. O ex-presidente fará uma palestra sobre integração regional e o desenvolvimento social e econômico dos países latino-americanos para a Confederação de Empresários Privados Bolivianos, a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Santa Cruz, a Câmara Agropecuária do Oriente e a Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos.

Lula deverá conversar com Morales sobre a construção da rodovia naquele país pela OAS, com 80% dos recursos financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Indígenas recusam a obra e têm protestado contra a estrada. O ex-presidente deverá falar também com os indígenas e terá um encontro com os movimentos sociais no estádio Real Santa Cruz.

Da Bolívia, Lula seguirá para a Costa Rica, para um encontro com a presidente Laura Chinchilla. No dia seguinte, na quarta-feira, irá para El Salvador e terá uma agenda semelhante a de um presidente no exercício do cargo, com um encontro com o presidente Maurício Funes e a visita a projetos desenvolvidos pelo governo daquele país.

Entre as atividades de Lula estão a inauguração do projeto Territórios da Ciudadania, inspirado no brasileiro Territórios da Cidadania, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. No primeiro semestre fora da Presidência, Lula já visitou 18 países e a previsão do petista, até o fim do ano, é de fazer mais 23 viagens internacionais.

Depois da rodada de eventos no exterior, Lula participará, na sexta-feira, do 4º Congresso do PT, ao lado da presidente Dilma Rousseff. No Congresso, Lula deve falar da política de alianças do partido, os rumos do PT para as eleições de 2012 e a conjuntura nacional.

O ex-presidente tem participado ativamente do processo pré-eleitoral, com a definição dos candidatos do partido para as eleições municipais e as alianças partidárias para 2012. São Paulo é o exemplo mais claro da influência de Lula no processo eleitoral, com a unção do ministro da Educação, Fernando Haddad, para a disputa pela capital paulista, em detrimento da candidatura da senadora e ex-prefeita Marta Suplicy. Na cidade há ainda outros três pré-candidatos petistas.

Mesmo fora da Presidência, Lula visitará obras na capital paulista e fará uma espécie de vistoria nas obras do Itaquerão, o estádio do Corinthians, em São Paulo, para a Copa de 2014.

Por Reinaldo Azevedo

29/08/2011

 às 17:46

Oposição chama de “factoide” aumento da meta do superavit

Por Márcio Falcão, na Folha Online:

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), classificou nesta segunda-feira de “factoide” a elevação da meta do superavit primário (resultado antes do pagamento dos juros) do governo central em R$ 10 bilhões. O governo central é composto pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Segundo Dias, a elevação do superavit foi provocada pelo aumento da arrecadação e não por cortes.

“Não há nada de novo no que foi apresentado. Em julho, já alcançamos quase 80% do superávit previsto. Isso não contribui para a redução dos juros. Isso é reflexo da arrecadação e não de cortes”, disse. Para o líder tucano, ao anunciar as medidas, o governo quis “cooptar” a base aliada para evitar a votação de matérias que tenham impacto nos cofres públicos.

“Esse encontro de hoje só tinha o objetivo de cooptar a base aliada para evitar a aprovação de medidas que onerem os cofres públicos. É um factoide. O governo precisa fazer uma reforma administrativa, enxugar gastos.”

Em reunião com o Conselho Político, a presidente Dilma Rousseff e o ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciaram que será enviado ao Congresso Nacional um projeto prevendo o aumento da meta nominal para a economia que o governo faz antes do pagamento dos juros da dívida, que passará a ser de R$ 91 bilhões, o que significa uma elevação de 0,25% a 0,30% do PIB (Produto Interno Bruto). Mantega disse ainda que a medida procura evitar um desaquecimento da economia brasileira, como aconteceu durante a crise de 2008.

Na conversa, a presidente pediu aos partidos aliados que só votem a Emenda 29, que regulamenta os gastos com saúde nos três níveis de governo, com a criação de uma nova fonte de recursos. A presidente não fez referência de como seria essa nova fonte.

A proposta conta com aval dos aliados do Planalto e pode ser analisada na Câmara dos Deputados em setembro. Segundo relato de parlamentares que participaram da reunião, a presidente ainda reconheceu que é preciso melhorar a gestão na saúde. Dilma também pediu que os parlamentares não coloquem em votação a PEC 300, que cria um piso salarial aos agentes de segurança em todo país.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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