“Dil-Má” enfrenta protestos em Pernambuco. Ou: “Povo da minha terra, gente de Curupira…”

Publicado em 30/08/2011 22:24 805 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

“Dil-Má” enfrenta protestos em Pernambuco. Ou: “Povo da minha terra, gente de Curupira…”

Protesto em Garanhuns contra "Dil-Má": instituições federais em greve

Protesto em Garanhuns contra "Dil-Má": instituições federais em greve (Foto Aline Moura/D.A.Press)

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Por enquanto, a informação está apenas da versão online do Diário de Pernambuco. Leiam. Volto ao tema no próximo post.

A presidente Dilma Rousseff (PT) e sua comitiva foram recebidos com um protesto e um apitaço promovidos por técnicos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A confusão aconteceu no Campus da Universidade de Pernambuco (UPE), em Garanhuns, onde a petista participa da aula inaugural do curso de medicina.

As universidades federais de todo o país estão em greve desde o dia seis de junho reivindicando melhoria salarial. O grupo, formado por cerca de 50 participantes, trouxe um boneco gigante fantasiado da presidente petista com a palavra Dilma-má impressa na roupa.

“Curupira”
Antes, na cidade Cupira, no agreste pernambucano, houve outro protesto, que tinha como alvo também o governador Eduardo Campos (PSB). Os manifestantes cobravam o pagamento do piso do magistério, abertura de um posto do INSS, de uma delegacia do da Polícia Federal, melhorias na saúde e construção de uma estação de tratamento de esgoto.

Dilma falou a uma platéia de 3 mil pessoas, reunida para aplaudir, como sabem. Ao se despedir de Cupira, informa o Blog de Magno Martins, chamou a cidade de “Curupira”, que,  informa o dicionário, é “ente fantástico das matas, descrito predominantemente como um anão de cabelos vermelhos e pés ao inverso”.

Então tá. Poderia ser pior, evocando Odorico Paraguaçu:  “Gente da minha terra, povo de Sucupira…”

Protesto em Cupira, que Dilma chamou "Curupira" (Foto: Rosália Rangel/DP)

Protesto em Cupira, que Dilma chamou "Curupira" (Foto: Rosália Rangel/DP)

Por Reinaldo Azevedo

Dilma: Depois de Cupira e Garanhuns, protesto também em Recife

Por Graciliano Rocha, na Folha:
Em seu último compromisso oficial na viagem a Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff participou nesta terça-feira (30) da inauguração de uma central de atendimento telefônico que deve gerar 14 mil empregos. Do lado de fora do prédio onde a presidente discursou, cerca de 200 operadores de telemarketing realizaram um protesto contra as condições de trabalho na empresa.

A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Operadores de Telemarketing e não foi vista pela presidente, que entrou e saiu do prédio da Contax, uma das líderes do segmento de telemarketing e relacionamento com o cliente. A petista evitou falar com jornalistas. Dilma chegou ao prédio, visitou a área de teleatendimento, descerrou uma placa comemorativa e depois proferiu um discurso de quatro minutos em que defendeu o fortalecimento das empresas de serviços no Brasil e exaltou o fato de mulheres representarem 70% da mão-de-obra do setor.

“Essa força de vencer está expressa nas oportunidades que as pessoas no Brasil agarram com duas mãos as oportunidades que têm”, declarou. A Contax investiu cerca de R$ 100 milhões para instalar na capital pernambucana a central de 42 mil metros quadrados –a maior unidade do gênero da América Latina. Metade do valor foi financiada pelos estatais BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Banco do Nordeste do Brasil.  Fundada em 2000, a empresa faturou no ano passado R$ 2,4 bilhões e atende a telefônica Oi e grupos bancários como Itaú e Bradesco.

MORTES E VAIAS
O protesto não se dirigiu diretamente a Dilma, mas sindicalistas cobraram dela que fiscalize o setor. O presidente do sindicato, Tiago Santos, responsabilizou a empresa por duas mortes de funcionárias.

Eduarda Camila da Silva morreu a caminho do hospital depois de passar mal durante o turno de trabalho, mas a causa da morte, no mês passado, ainda não foi determinada. Aline Silva morreu, em 2010, em um acidente com uma das vans que transportam os funcionários. O sindicalista, que é filiado ao PCR (Partido Comunista Revolucionário), também reclamou que funcionários recebem menos de um salário mínimo (R$ 545) após descontos.

OUTRO LADO
Por meio de assessoria, a Contax afirmou que as acusações do sindicato são descabidas. A empresa afirmou que não contrata transporte precário para levar os trabalhadores para casa. A empresa diz que deu assistência à família de Aline Silva. Sobre o caso de Eduarda Camila Silva, a Contax afirmou que socorreu a funcionária, que foi encontrada desmaiada no banheiro, e a levou ao hospital. Segundo a empresa, a família dela recusou assistência após a morte.A companhia disse que paga salário mínimo para o empregado que tem carga diária de seis horas de trabalho e não mantém funcionários sem carteira assinada.

Por Reinaldo Azevedo

PSDB entra com representação contra Gleisi e Lula

Por Mariângela Gallucci, no Estadão Online:
O senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) e o deputado federal Duarte Nogueira (SP), ambos do PSDB, pediram nesta terça-feira, 30, ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que investigue a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suspeitas de crime de peculato e improbidade administrativa.Os parlamentares da oposição querem que os dois e o diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Samek, sejam investigados por suspeitas de irregularidades no processo de demissão de Gleisi da estatal, ocorrido em 2006, na véspera do início da campanha eleitoral. A ministra saiu da Itaipu e lançou sua candidatura ao Senado. Mas recebeu indenização da estatal como se tivesse sido demitida, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

“Ao invés de solicitar seu afastamento, o que seria de se esperar, ou melhor, a ação que obrigatoriamente deveria ter sido tomada, a ministra Gleisi foi demitida pelos demais representados, demonstrando, assim, uma unidade de desígnios cujo resultado final foi a lesão aos cofres da União de valor superior a R$ 40.000,00 (quarenta mil reais)”, alegam os parlamentares na representação protocolada na Procuradoria.

Por Reinaldo Azevedo

Se Maria do Rosário está desocupada, eu lhe arranjo uma ocupação. Ou: Este homem está sendo torturado pelo governo do PT!

O que faz aquele homem algemado, ao fundo, em condição obviamente desumana, vigiado por outro, uniformizado, de cassetete na mão? Por que Maria do Rosário, a ministra dos Direitos Humanos, não se interessa pela vítima? Uma vítima do governo que ela representa
O que faz aquele homem algemado, ao fundo, em condição obviamente desumana, vigiado por outro, uniformizado, de cassetete na mão? Por que Maria do Rosário, a ministra dos Direitos Humanos, não se interessa pela vítima? Uma vítima do governo que ela representa

Não, queridos, não me cansarei de fazer esta pergunta: “Até quando VEJA vai insistir em tisnar com a verdade o discurso dos mistificadores?” Assim não é possível! Se certo tipo de governante e alguns cachorros loucos não puderem atuar livremente, sem uma imprensa que lhes lembre que o estado de direito existe, que graça tem ser um poderoso? É, trata-se der uma forma de ver o mundo.

Escrevi no começo da manhã de hoje um texto em que passo uma descompostura na ministra dos Direitos Humanos, dona Maria do Rosário. Representante de um governo que assiste, inerme, a mais de 50 mil homicídios por ano no país, ela foi à Assembléia Legislativa de São Paulo deitar proselitismo contra a polícia mais eficiente do Brasil. O que é isso? DESOCUPAÇÃO! E desocupação é a morada do capeta.

Não que falte trabalho à Dona Maria caso ela queira deixar a ideologia de lado e se dedicar com seriedade a seu cargo. A VEJA desta semana — eita revista encrenqueira esta, não é mesmo!? — traz uma reportagem de Fernando Mello que é um tapa na cara das instituições, evidenciando a brutal ineficiência dessa gente. Leiam um trecho.

Vieram com assinatura as balas que mataram a juíza Patrícia Acioli, 47 anos, no último dia 12, no Rio. Calibre 40. Elas pertenciam a um lote comprado pela Polícia Militar e distribuído entre vários batalhões, incluindo o de São Gonçalo, onde atuava a magistrada. Nessa região, viceja uma praga que Patrícia se dedicava a combater com especial empenho: as chamadas milícias, quadrilhas que, nascidas das fileiras da polícia com propósitos vagamente bem-intencionados, se convertem rapidamente em bandos de matadores a soldo dos próprios interesses ou de quem pagar melhor. Até há pouco tempo, esse cancro estava restrito ao Rio de Janeiro. Agora, alastra-se pelo território nacional.

Levantamento realizado por VEJA junto à Polícia Federal e polícias estaduais mostra que, com maior ou menor grau de organização, as milícias estão presentes em pelo menos nove estados brasileiros, além do Rio: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Há desde células pequenas, com não mais do que dez integrantes, até organizações que comporiam mais de uma centena de membros. A absoluta maioria desses grupos é formada por policiais e ex-policiais civis e militares, mas há os que incluem também egressos da Polícia Federal, do Exército e da Aeronáutica.”

Voltei
Um dos trabalhos a que se tem dedicado a cúpula da Segurança Pública em São Paulo é impedir que esse cancro se estabeleça também na maior corporação policial do país, que só perde para as Forças Armadas. Os desvios existem, sim. Só que são punidos — nas duas polícias, tanto a Civil como a Militar. Há dias, o PT se São Paulo se associou a outras forças obscurantistas para tentar tirar, por exemplo, a Corregedoria da Polícia Civil do âmbito da Secretaria de Segurança. Parece haver uma ação deliberada do partido para tentar instalar o baguncismo no estado.

Muito bem! Hoje, a tarefa número um de uma Secretaria de Direitos Humanos de âmbito federal é combater esse mal que se alastra, que ceifa vidas, que estabelece tribunais informais, que impõe a pena de morte ao arrepio da lei, para atender aos interesses de quem encomenda o serviço. Mas não! Dona Maria do Rosário quer tirar cadáveres do armário para contar a história segundo a mitologia de sua turma. A  sua “Comissão da verdade” tem tudo pra ser um tribunal da revanche. Em vez de atuar para evitar novos cadáveres, pretende mitificar os cadáveres de estimação.

Milícia indígena
A reportagem de Fernando Mello traz uma informação espantosa. As milícias chegaram às tribos indígenas, que vivem sob a guarda da Funai, um órgão do governo federal. Notável instituição esta! Alguns de seus antropólogos — em nome da diversidade, do multiculturalismo e da preservação das tradições indígenas — mobilizam-se até para defender o infanticídio, mas assistem, inermes, ao que Mello relata. Leiam:

“Pelo país, a praga das milícias dis­seminou-se de tal forma que nem os índios da Amazônia escaparam. O gru­po que se intitula Piasol - Polícia In­dígena do Alto Solimões - é formado por índios que serviram no Exército. Seu alvo, inicialmente, eram índios em­briagados. Quem fosse pego nessa con­dição apanhava e passava 24 horas pre­so em celas improvisadas, como chegou a registrar um fotógrafo do jornal A Crítica, de Manaus, em 2009 (como pode ser visto na foto acima). Não de­morou para que a milícia indígena ce­desse à mesma tentação que afeta os seus congêneres: hoje. a Piasol já cobra “taxas” sobre o comércio de produtos nas aldeias sob sua influência. No ano passado, um dos chefes do bando, Adir Ticuna, foi candidato a deputado esta­dual pelo PT.”

A foto que abre o post foi feita em 2009 pelo fotógrafo Bruno Kelly, do jornal “A Crítica”, de Manaus. Ela fala por si mesma.

Isso tudo acontece debaixo do nariz do Ministério da Justiça, pasta a que está subordinada a Funai, e da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Como os índios têm um status jurídico particular, que os torna especialmente protegidos, a responsabilidade do governo federal é óbvia. Ali está um homem sendo torturado pelo governo do PT!

Como se nota, não falta trabalho a Maria do Rosário. Falta é disposição para trabalhar.

Por Reinaldo Azevedo

Petista dos Direitos Humanos ofende a Polícia Militar de São Paulo, quando deveria, respeitosamente, aprender com ela e reverenciar quem salva vidas. Em nome dos Direitos Humanos! Fato: PT resolveu pôr o governo Alckmin na mira!

A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, esteve ontem em São Paulo para participar de uma audiência pública na Assembléia Legislativa. Era a chance que tinha de aprender um pouco. A polícia do Estado — por conta de suas virtudes, não de seus defeitos, que existem e têm de ser corrigidos — tem muitas lições a dar a essa valente sobre direitos humanos. Maria do Rosário poderia ter pisado no estado para aprender a salvar vidas, coisa em que o governo federal se mostra de uma estupenda ignorância. Mas preferiu descer de sua condição — o que não surpreende — para fazer baixo proselitismo partidário contra a polícia mais eficiente do Brasil. É… No cargo, ela não tem se mostrado exatamente uma pessoa prudente. Também não chega a ser, assim, um primor de coerência. Começo por aí.

O governo lançou em abril a sua ridícula campanha em favor do desarmamento. O desarmamento é aquela tese que costuma prosperar entre descolados do Leblon e da Vila Madalena e artistas que andam com segurança privada, segundo a qual o problema do Brasil são as armas LEGAIS e as garruchas enferrujadas, que devem ser entregues ao estado. A tese vigarista, mentirosa, safada — alinhem aí mais uns 200 adjetivos do mesmo paradigma — é que as mais de 50 mil mortes por ano no país são produzidas por elas, não pelas armas ILEGAIS que entram pelas desprotegidas fronteiras brasileiras, por onde também passam cocaína, maconha, muamba etc.

Muito bem! Maria do Rosário não teve dúvida! Aderiu então à campanha e afirmou que as armas legais acabavam caindo nas mãos dos bandidos etc. Vocês conhecem a cascata. Ela só se esqueceu de dizer que, na campanha à Prefeitura de Porto Alegre, em 2008, recebeu R$ 75 mil de doação eleitoral da Taurus, que fabrica… armas, conforme se vê na imagem abaixo, que traz a sua prestação de contas desse monumento à coerência.

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Recentemente, Maria do Rosário foi uma das pessoas que denunciaram, o que repercutiu na imprensa mundo afora, uma suposta onda de extermínio de lideranças sociais no Pará. Investigados os cinco casos, tratava-se de ajuste de contas pessoais — um dos mortos era um bandido foragido. Dois deles morreram em confronto com outro assentado, sendo que um já havia participado, indiretamente, de um homicídio. As mortes precisam ser investigadas, é claro! Mas não havia onda de extermínio coisa nenhuma! Tratava-se apenas de uma fala irresponsável.

Mais de 50 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil, o que é um escândalo. A guerra civil na Líbia está muito longe desse número. Até agora, não se conhece uma só ação — uma miserável que seja — do governo federal para conter esse descalabro. E assim fioi nos oito anos do governo do Babalorixá de Banânia. Nada! No período, o índice de homicídios no Nordeste explodiu. Na Bahia petista, em quatro anos, cresceu mais de 90%. Maria do Rosário, evidentemente, fica de boca fechada. Mas os cinco mortos do Pará viraram uma verdadeira comoção nacional. Este é o PT: cinco mortos levaram o governo federal a mobilizar cinco ministérios numa força-tarefa; 50 mil o deixam inerte porque considera que é assim mesmo, é parte do jogo. Parece que os pobres, quando não têm o que fazer, ficam se matando.

Eu identifiquei o mal moral dessa gente: para eles, existem os mortos com pedigree — aqueles que consideram ligados à sua causa — e os mortos sem pedigree. Diga-se o mesmo sobre a tortura. O Brasil já gastou mais de R$ 5 bilhões pagando o bolsa-ditadura para “perseguidos” e supostos perseguidos do Regime Militar. Os vigaristas deitaram e rolaram. Vai-se criar a Comissão da Verdade para cuidar das violações dos direitos humanos etc. e tal. Pois bem: o Brasil é um dos países onde existe tortura sistemática de presos comuns. E daí? Quem dá bola para torturados comuns?

Maria do Rosário em SP
A Polícia Militar de São Paulo tem um  site. Se o internauta acessá-lo e for quase um adivinho, depois de cinco cliques, chegará a uma página da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), que é o Batalhão de Choque. E ali consta a informação de que a PM apoiou o movimento militar de 1964 e atuou na repressão à guerrilha de Carlos Lamarca — era força auxiliar do Exército, como todas as Polícias Militares.

Enfatizo: não e uma página de destaque. Desafio o leitor, aliás, a encontrar a informação. Maria do Rosário, aquela que é contra armas e recebe doação de uma empresa que fabrica revólveres e munição, resolveu deitar falação contra a PM e fazer cobranças ao governador. Afirmou: “Eu considero que todos os Estados da Federação devem fazer também o seu esforço pelo direito à verdade e à memória e pela democracia. Uma página oficial do governo estadual, em um período democrático, que presta homenagem à deposição de um presidente, legitimamente eleito, do presidente João Goulart… Eu me senti aviltada de fato por isso e eu tenho certeza que o governador Geraldo Alckmin tomará providências diante disso porque é uma estrutura do Estado de São Paulo”.

Os mais de 50 mil cadáveres produzidos por ano no Brasil — e o vexame do país só não é maior porque a Polícia de São Paulo cumpre a sua parte — não aviltam essa mulher sensível. Ela quer a verdade? Pois não! EU DIREI A ELA A VERDADE! A mesma página que traz a informação — de resto, aconteceu mesmo, e cumpre não mentir, como fazem as esquerdas — sobre a participação da PM no movimento militar informa a morte do tenente Alberto Mendes Júnior.

A verdade: assassinato covarde
Poucas mortes no período tiveram tantos requintes de crueldade, torpeza e covardia como a de Mendes Júnior. Sua unidade foi emboscada pela turma do assassino Carlos Lamarca em 1970. O tenente se ofereceu para ficar como refém em lugar de seus homens. Apenas porque considerava que a presença do militar dificultava a andança na mata, Lamarca decretou a sua morte, esmagando seu crânio com coronhadas de fuzil. É a verdade que Maria do Rosário quer, não é? A Polícia Militar e a Rota não devem — e espero que não o façam — abrir mão de exaltar o seu herói. Não precisa mentir sobre si mesma.

Em São Paulo, Maria do Rosário não ensina nada em matéria de direitos humanos. Tem é de aprender. Caladinha — se conseguir… O número de assassinatos por 100 mil habitantes do Brasil é mais que o dobro do paulista. Já fiz essa conta aqui: se o país alcançasse os índices do estado, em vez de mais de 50 mil homicídios por ano, haveria menos de 19 mil. Mais de  31 mil vidas seriam poupadas todos os anos. Buscam-se explicações as mais estrambóticas para o fato — há até quem evoque o Estatuto do Desarmamento, como se ele não vigorasse no país inteiro! —, num esforço brutal de não reconhecer o óbvio: a Polícia de São Paulo — especialmente a militar, que atua no policiamento preventivo — é mais eficiente que a do resto do Brasil. Não por acaso, o estado tem 40% dos presos do país, embora só conte com 22% da população.

Política de Direitos Humanos, minha senhora, é salvar vidas, em vez de deitar falação irresponsável, movida por critérios puramente ideológicos. Depor um presidente eleito não é bonito, claro! Aliás, não é legal. Não acho que deva ser algo a ser exaltado. E praticar terrorismo contra inocentes? E esmagar crânios depois de um “julgamento”feito por um “tribunal revolucionário”? Por que alguns facínoras subiram ao panteão dos heróis e ainda nos custaram bilhões de reais?

O governo Alckmin pode botar as barbas de molho. Os petistas estão trabalhando. Já desfecharam a campanha de 2012. Na Assembléia Legislativa, o PT se mexeu há dias para tentar levar o baguncismo para a Polícia Civil. Agora vem esta senhora, com sua fala ligeira, tentar dar lições de “direitos humanos” a quem não nada tem a aprender com ela, sugerindo que o Estado os desrespeita.  Vergonhoso é contatar que este é um dos países onde mais se mata no mundo, sem que se tenha uma única política federal digna do nome de combate à violência.

Isso, sim,deveria aviltar dona Maria do Rosário!

Por Reinaldo Azevedo

Dois professores do Mackenzie, uma respeitável instituição, fazem tudo errado e acabam ensinando aos estudantes o que não fazer!

Não sei aonde vamos parar nesta toada, mas sei que não será um bom lugar. Cometeu-se uma barbaridade da Universidade Mackenzie, pela qual tenho especial carinho. E, mesmo sem ter acompanhado, por óbvio, a história de perto e sem ter conversado com os envolvidos, digo sem medo de errar: evidenciou-se o óbvio despreparo de dois professores.  Reproduzo a reportagem publicada no Estadão Online. Leiam com muita atenção. Volto em seguida.

Por Carlos Lordelo:
O professor da Faculdade de Direito do Mackenzie Paulo Marco Ferreira Lima, procurador de Justiça, ameaçou dar voz de prisão a uma aluna do 5.º semestre do curso na sexta-feira, 26. Depois da aula de Direito Penal III, a estudante abordou o professor para questionar sua metodologia de ensino. Segundo o docente, foi necessário chamar seguranças para conter a garota, que insistia em fazer reclamações em voz alta. Paulo Marco, então, disse que ou ela parava, ou ele lhe daria voz de prisão. Hoje, o irmão de Paulo Marco, o também procurador e professor do Mackenzie Marco Antônio Ferreira Lima, acusou a aluna de racismo no Facebook.

O caso ganhou proporção no Mackenzie após o Centro Acadêmico João Mendes Jr., que representa os alunos da Faculdade de Direito, ter divulgado nota de repúdio em que classifica de “inadmissível” a postura do professor Paulo Marco. “Em um país de ‘Doutores’, em que qualquer um se acha acima da lei, não podemos permitir que em nossa faculdade, um ambiente exclusivamente acadêmico, pessoas desse tipo continuem a desrespeitar nossa Constituição, em uma perfeita cena de abuso de autoridade”, diz o texto, assinado pelo diretor geral do C.A., Rodrigo Rangel.

Ao Estadão.edu, Paulo Marco disse, na tarde desta terça-feira, que a aluna quis “tirar satisfação” e criticar sua aula. “Entrei na sala para dar a última aula do dia, e ela continuava falando. Fechei a porta. Ela arrombou. Pedi aos seguranças para tirá-la da sala. Ela continuou gritando e me ofendendo. Foi aí que falei: ‘Ou a senhora pára ou eu vou te dar voz de prisão por desacato’. Ela parou de gritar depois da ameaça.”

O professor respondeu às críticas de que a situação configurou abuso de autoridade. “Ameaçar prender não é abuso de autoridade. Seria se eu tivesse prendido ela sem razão”, afirmou. “Achei que ela iria me agredir, porque estava totalmente transtornada. Tive de fazer alguma coisa para contê-la.”

“A aluna está fazendo um sensacionalismo que beira o lado criminoso”, finalizou Paulo Marco.

Racismo
O irmão do professor entrou na polêmica usando o Facebook. Marco Antônio postou, na tarde desta terça-feira, em letras maiúsculas, que a aluna identificada por Tatiana, do 5.º semestre noturno, teceu “considerações raciais” sobre Paulo Marco, “chamando-o na frente de sua filha de ‘negro sujo’ e afirmando que ‘preto não pode dar aula no Mackenzie’ e que ‘preto não pode ter poder’”. Amigos de Marco Antônio na rede social, entre eles alunos do Mackenzie, escreveram mensagens de apoio aos professores.

A reportagem do Estadão.edu ainda não conseguiu contato com Tatiana. Na entrevista concedida mais cedo, Paulo Marco não mencionou ter sido alvo de racismo. Por meio de nota, o Mackenzie disse que a estudante foi atendida pelo diretor da Faculdade de Direito e “não houve prisão”. “Os fatos ainda estão sendo apurados para que as providências cabíveis sejam tomadas”, afirmou a universidade.

Comento
Ai, ai… Vamos pela ordem:
1 - Na conversa com o Estadão, o professor teve a chance de deixar claro que tinha sido vítima de racismo. Por alguma razão, não o fez. A acusação — via Facebook!!! — foi feita depois por seu irmão, também professor da universidade.

2- De fato, qualquer um pode dar voz de prisão a alguém que esteja cometendo um crime, conforme prevê o Artigo 301 do Código Penal — seja a pessoa procuradora de Justiça ou não. Na conversa com o Estadão, entendi que o “crime” cometido pela estudante foi “tirar satisfação” e “criticar sua aula” em termos inadequados. É crime?

3 - A autoridade numa universidade deve ser, antes de mais nada, acadêmica. Isso não significa que as leis devam ser ignoradas. É evidente que Paulo Marco tem a seu dispor o Regimento Interno do Mackenzie para, sendo como ele diz, punir a aluna. Ameaça de prisão? Olhe, professor, parece-me, sim, um caso muito particular de “abuso de autoridade”, que soma duas condições que o colocariam na posição de quem não precisa necessariamente ter razão para se impor (e não estou dizendo que o senhor estivesse errado, claro!): a de procurador e a de professor.

4 - O mestre guarda muita semelhança com o sacerdote. A sua autoridade deve derivar menos de sua, como direi?, posição no mundo secular do que de sua sapiência. Se faltou temperança à aluna, não deveria ter faltado ao professor. E, como resta óbvio, faltou.

5 - Não tenho como estranhar o conceito de “abuso de autoridade” de um professor de Direito Penal: Afirmou ele: “Ameaçar prender não é abuso de autoridade. Seria se eu tivesse prendido ela sem razão”. Taí uma tese a ser demonstrada: ameaça não caracteriza abuso?

6 - Mas ninguém abusou tanto do bom senso quanto Marco Antonio Ferreira Lima, também professor do Mackenzie, que se esmerou, lamento dizer, no mau exemplo, como advogado que, suponho, ele é. Resolveu sair em defesa do irmão, como se este não fosse forte o bastante para se defender. Ora, não é uma briga de família ou de rua. O professor Paulo teve um conflito com uma aluna. Ali dentro, se eles são irmãos ou não, isso é irrelevante. Uma eventual solidariedade de parceiros de trabalho é uma coisa. Evocar a questão familiar, nos termos em que se fez, é inceitável.

7 - Marco recorreu ao Facebook para fazer o que irmão não fizera mesmo em conversa com um jornalista: acusar a aluna de racismo, forçando a mão num tom algo grandiloqüente, que apela mais à má literatura do que à ordem jurídica. Escreveu coisas como esta:

acusacao-de-racismo-um

acusacao-de-racismo-dois

8 - Marco Antonio fez o pior, especialmente porque professor de uma faculdade de direito. Ele sabe tão bem quanto eu que racismo é crime inafiançável e imprescritível, conforme estabelece a Constituição. E que há uma lei específica que trata do assunto. Se o irmão foi vítima de racismo — o que parece ter esquecido de dizer inicialmente ao repórter —, que recorresse às instâncias legais. Acredito que os dois professores, acidentalmente irmãos, estejam no Mackenzie para ensinar aos futuros advogados que a Justiça é o foro adequado para reparar um direito agravado. Ou os doutores têm algum outro entendimento? Espero que não estejam entre aqueles que acreditam no “direito achado na rua”, substituindo-o pelo “direito achado no Facebook”, transformado em tribunal de condenação.

9 - Acusações pelo Facebook ou por qualquer outra página da rede social buscam o clamor público, buscam dirimir uma questão no grito, buscam excitar a turba, buscam fazer vítimas e algozes ao arrepio da Justiça. Ora, professor: na Justiça, a aluna terá a chance de se defender ao menos; no Facebook, o senhores sabem muito bem que não. Aliás, na Justiça, se ela cometeu crime de racismo, será punida na forma da lei. A PUNIÇÃO PELO FACEBOOK SE DÁ AO ARREPIO DA LEI.

10 - Finalmente, é bom tomar cuidado com metáforas que buscam mais comover do que conduzir a um entendimento racional da questão. Os descendentes de “engraxados” não podem e não devem ofender os descendentes de “engraxates”, mas isso não significa que descendentes de engraxates gozem de direitos especiais diante dos descendentes de “engraxados”. A primeira função de um curso de direito é defender a existência de uma sociedade, como já disse um autor, sem “cavalgados” nem “cavalcantes”, sem privilégios para engraxados e engraxates.

Não! Professor não tem de dar voz de prisão a um aluno, mas recorrer ao Regimento Interno da instituição, excepcionalmente à Polícia. Não! Facebook não é lugar de professor bater boca com estudante ou de fazer uma acusação grave como crime de racismo. Se a aluna tem condições ou não de continuar no Mackenzie, não sei. Os professores, por força do que disseram e fizeram, podem até ser exemplares como procuradores da Justiça — para o nosso bem, espero que sejam! —, mas não são mestres. Estão lá para ensinar, mas têm muito o que aprender, lamento dizer, sobre estado de direito.

Por Reinaldo Azevedo

Boa parte das instituições federais de ensino está em greve há quase três meses. E ninguém dá a menor bola. Greve contra petistas é coisa de reacionários!

Querem enfiar Haddad goela abaixo do eleitor. O esquema é profissional!

Quem aí sabia que mais de 50% dos campi das universidades federais e das escolas técnicas federais estão em greve desde, atenção!!!, 6 de junho??? Quase ninguém.

É isto aí: quando se trata de uma greve contra os companheiros, os manifestantes estão condenados a uma espécie de solidão noticiosa. Enquanto a turma ficava lá reivindicando Deus sabe o quê, Fernando Haddad era lançado pela “imprensa progressista” e também pelos “progressistas” infiltrados no jornalismo sério, candidato à Prefeitura de São Paulo. Metade das federais paradas, e o Gugu-Dadá do leninismo estava recebendo Marilena Chauí em sua casa, com ampla cobertura. Marxilena, naturalmente, é favorável a greves na USP — vocês sabem, ela é contra tucanos perversos, mas deve achar que paralisação nas federais é coisa de sabotadores reacionários. É, Lênin, a grande inspiração moral de Haddad, passaria fogo nos contra-revolucionários, né?

Olhem, eu nem sei quais são as reivindicações de alunos e professores. Não costumo ser babá desses movimentos. Podem ser justas, podem ser injustas. Isso, para o meu post, é irrelevante. Este texto não trata de movimento sindical, mas de jornalismo. O que me pergunto é por que o assunto não é pauta de ninguém.

Todos têm as suas ninfas inspiradoras. Também tenho a minha. Noto que Laura Capriglione, a minha Tétis — e as outras Nereidas que povoam todos os veículos —, ainda não foi ver por que as instituições federais estão paradas. Folgaria em ler um daqueles textos em que a aparente objetividade é posta a serviço da opinião. Como eu tendo a ser barroco, aprecio aquele estilo folha seca. Mas nada!

O absurdo é tal que Dilma e Haddad anunciaram a criação de quatro novas universidades federais há duas semanas — que, segundo dados oficiais, custarão o equivalente a dois exames do Enem (!!!) —, e não se disse uma vírgula sobre as greves. Nada vezes nada! Imaginem se a USP estivesse parada há quase três meses!!! Haveria o risco de a ministra Maria do Rosário (voltarei a esta valente daqui a pouco), dos Direitos Humanos, ir ao campus para saber como estavam sendo tratadas as pobres vítimas do PSDB… Isso deveria envergonhar alguns pauteiros. Mas é provável que se orgulhem da tarefa cumprida.

Por Reinaldo Azevedo

Dirceu confessa que se encontrava com cúpula do governo na condição de consultor de empresa privada. Ainda vai acabar concorrendo com a “Bandjiiida” do Zorra Total

Valéria e Janete: cuidado com a concorrência!!!

Valéria e Janete: cuidado com a concorrência!!!

José Dirceu ainda acaba sendo convidado para trabalhar no Zorra Total, onde fará o papel de José Dirceu, embora a história indique que ele é mais eficiente fingindo ser quem não é. Só não deve fazer mais sucesso do que a “bandjiiiiida” porque o tipo de caricatura que ele encarna é mais perigosa do que engraçada.

Leio no site do Zero Hora, do Rio Grande do Sul, que ele concedeu uma entrevista ao “Gaúcha Atualidade”. Não entendi direito, mas parece ser um programa de rádio. Lê-se lá o seguinte:
“Segundo José Dirceu, a revista publicou ‘inverdades glamourosas’ e atribuiu a matéria a uma “perseguição política”.

HEEEINNN???

“Inverdades glamourosas”???

Teria o Zé querido dizer “clamorosas”? “Inverdades glamorosas” (e não “glamourosa”, que não é língua nenhuma…) são aquelas que cercavam as estrelas de Hollywood no passado. Mas como Dirceu é Dirceu, não importa com que cara se apresente, ele afirma ao “Gaúcha Atualidade”:
“Nada vai apagar minha história política. Nada foi provado contra mim. Não adianta escrever que a Procuradoria Geral da República me acusou e denunciou. A alegação final não prova nada. O STF vai julgar. É por isso que eu ainda voto e que eu sou filiado ao PT. Eu posso ocupar qualquer cargo público nesse pais”.

Epa! É o apreço de Dirceu pela verdade! Não pode, não! Se for cargo eleito pelo povo, não pode porque está com os direitos políticos cassados. É por isso que exerce cargos informais, em corredores de hotel. Mas o melhor vem agora:

“É engraçado, eu sou advogado e consultor. Faz seis anos que saí do governo. Como podem me cobrar por alguma atividade? Tem alguém cobrando dos ministros do Fernando Henrique por atividades de consultoria que eles prestam? Isso é perseguição política”.

É uma confissão!

Para tentar minimizar o caráter conspiratório daquelas reuniões em meio à crise que derrubou Palocci, ele confessa, então, que se encontrou com Fernando Pimentel, ministro de estado; José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras (e ele dá consultoria para empresas de petróleo e gás) e parlamentares na condição de “consultor privado”.

Vale dizer, a cúpula do governo vai até Dirceu, em encontros clandestinos, para cuidar dos interesses privados daquele que é também chefão no PT e, na prática, líder político de pessoas que exercem funções de estado. Pode-se dizer algo parecido de ex-ministros de FHC? Que eu saiba,  os que estão na iniciativa privada trabalham em empresas sólidas, respeitáveis, com endereço conhecido. Não se escondem em cafofos.

Escrevi aqui desde o primeiro dia que a gritaria feita por Dirceu tinha uma razão de ser: ela demonstra de maneira clara, inequívoca, que o mesmo esquema clandestino que resultou no escândalo do mensalão continua na ativa.

A defesa de Dirceu é uma confissão.

PS – Resta agora ao valente dizer que o Zero Hora errou e que não foi bem aquilo que ele disse.

Por Reinaldo Azevedo

Blogs e Colunistas
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

30/08/2011

 às 22:03

A vergonhosa absolvição de Jaqueline Roriz

O Brasil vive uma espécie de desordem intelectual, moral e ética. Não sei qual vem em primeiro lugar. Digamos que todas concorram em pé de igualdade e que cada uma delas estimule as outras duas. Leiam o que informa Maria Clara Cabral, na Folha Online. Volto em seguida:

Por 166 votos favoráveis a cassação, 265 contra e 20 abstenções, a deputada Jaqueline Roriz foi absolvida, na noite desta terça-feira, pela Câmara dos Deputados. Ela foi filmada recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM do Distrito Federal. Na época, a deputada admitiu que o dinheiro seria para caixa dois de campanha. A gravação, no entanto, é de 2006, antes de ela ser eleita deputada distrital. Sua defesa alegou que ela não poderia ser cassada por um fato cometido antes de seu mandato.

Em sua defesa no plenário, Jaqueline não mencionou, nenhuma vez, o vídeo. Também não negou ter recebido o dinheiro. Ela apenas culpou a mídia, “que destrói a honra de qualquer um”. Criticou ainda o procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que na semana passada apresentou um parecer pela abertura de uma ação penal contra a deputada. “Alguns paladinos da ética, alguns parlamentares e integrantes do Ministério Público, por interesses políticos, tentam influenciar os senhores. O procurador me denunciou sem nem ouvir o meu lado”, afirmou ele.

Carlos Sampaio (PSDB-SP), relator do Conselho de Ética, que defendia a perda de mandato da colega, alegou que o caso só foi conhecido após as eleições em que Jaqueline foi eleita. No plenário, outros cinco deputados fizeram discurso para a cassação e apenas um apoiou Jaqueline. A votação, no entanto, foi secreta, o que, avaliam deputados, contribuiu para a absolvição de Jaqueline. Pelo menos 257, dos 513 deputados precisariam votar contra Jaqueline para ela perder o mandato.

Conselho de Ética
O Conselho de Ética da Câmara havia recomendado a sua cassação, mas o pedido foi negado no plenário. Para cassar Jaqueline seriam necessários 257 votos entre os 513 deputados. A votação foi secreta. A deputada chegou a recorrer ao Conselho na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) alegando que o vídeo de 2006 é anterior ao mandato. Após polêmica, no entanto, ela desistiu do recurso, o que levou a votação ao plenário.

Campanha
Nos últimos dias, a deputada enviou a todos os gabinetes um “memorial de defesa” e fez corpo a corpo com os colegas, seguindo a mesma linha do seu discurso de defesa: de que o fato que resultou no processo é anterior ao mandato. Seu pai, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, também entrou em campo e conversou com deputados da base e da oposição. Em 2007, Roriz renunciou ao cargo de senador após suspeitas de irregularidades.

Voltei
Todos os leitores sabem — e muitos me criticam por isso, não ignoro — que considero a tal lei da Ficha Limpa (ou “do”, como dizem muitos) inconstitucional. É uma questão de presunção de inocência. Ou se mudam os fundamentos que temos — e, eventualmente, podem ser mudados — ou não se pode cassar o direito de alguém que pode vir a ser absolvido depois. É uma questão, para mim, óbvia. Não me parece sensato que se diga: “Ah, mas, para a questão eleitoral, a gente pode abrir uma exceção”. Entendo que não pode. E prevejo que a lei vá ser derrubada pelo Supremo, para frustração de muitos. Atenção: isso não quer dizer que sua intenção ou princípio sejam ruins.

“Mas, então, como você diz que a não-cassação de Jaqueline é uma vergonha? “É simples — e, assim, vamos desfazendo algumas confusões. O Câmara não estava julgando uma questão criminal. O que os pares de Jaqueline estavam decidindo ali é se ela tem, vamos dizer, uma ética compatível com a Casa.

E o que eles disseram? Que aquela senhora que recebeu dinheiro sabidamente público, de modo ilegal, tem, sim, ética compatível com a Casa. Notem bem: eu considero a sua absolvição absurda do ponto de vista da ética ela mesma. Quem sou eu para dizer que existe alguma contradição entre os 265 que absolveram e a própria? O que eles disseram, no conforto do voto secreto, é que poderiam fazer a mesma coisa. E é bem provável que muito tenham feito.

Reitero: no que concerne à questão ética, se ela recebeu a grana antes ou depois de eleita, é irrelevante. Ou alguém está sugerindo que ela aprendeu os bons costumes só depois de se tornar deputada federal?

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

 às 21:42

Dilma: Depois de Cupira e Garanhuns, protesto também em Recife

Por Graciliano Rocha, na Folha:
Em seu último compromisso oficial na viagem a Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff participou nesta terça-feira (30) da inauguração de uma central de atendimento telefônico que deve gerar 14 mil empregos. Do lado de fora do prédio onde a presidente discursou, cerca de 200 operadores de telemarketing realizaram um protesto contra as condições de trabalho na empresa.

A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Operadores de Telemarketing e não foi vista pela presidente, que entrou e saiu do prédio da Contax, uma das líderes do segmento de telemarketing e relacionamento com o cliente. A petista evitou falar com jornalistas. Dilma chegou ao prédio, visitou a área de teleatendimento, descerrou uma placa comemorativa e depois proferiu um discurso de quatro minutos em que defendeu o fortalecimento das empresas de serviços no Brasil e exaltou o fato de mulheres representarem 70% da mão-de-obra do setor.

“Essa força de vencer está expressa nas oportunidades que as pessoas no Brasil agarram com duas mãos as oportunidades que têm”, declarou. A Contax investiu cerca de R$ 100 milhões para instalar na capital pernambucana a central de 42 mil metros quadrados –a maior unidade do gênero da América Latina. Metade do valor foi financiada pelos estatais BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Banco do Nordeste do Brasil.  Fundada em 2000, a empresa faturou no ano passado R$ 2,4 bilhões e atende a telefônica Oi e grupos bancários como Itaú e Bradesco.

MORTES E VAIAS
O protesto não se dirigiu diretamente a Dilma, mas sindicalistas cobraram dela que fiscalize o setor. O presidente do sindicato, Tiago Santos, responsabilizou a empresa por duas mortes de funcionárias.

Eduarda Camila da Silva morreu a caminho do hospital depois de passar mal durante o turno de trabalho, mas a causa da morte, no mês passado, ainda não foi determinada. Aline Silva morreu, em 2010, em um acidente com uma das vans que transportam os funcionários. O sindicalista, que é filiado ao PCR (Partido Comunista Revolucionário), também reclamou que funcionários recebem menos de um salário mínimo (R$ 545) após descontos.

OUTRO LADO
Por meio de assessoria, a Contax afirmou que as acusações do sindicato são descabidas. A empresa afirmou que não contrata transporte precário para levar os trabalhadores para casa. A empresa diz que deu assistência à família de Aline Silva. Sobre o caso de Eduarda Camila Silva, a Contax afirmou que socorreu a funcionária, que foi encontrada desmaiada no banheiro, e a levou ao hospital. Segundo a empresa, a família dela recusou assistência após a morte.A companhia disse que paga salário mínimo para o empregado que tem carga diária de seis horas de trabalho e não mantém funcionários sem carteira assinada.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

 às 21:38

PSDB entra com representação contra Gleisi e Lula

Por Mariângela Gallucci, no Estadão Online:
O senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) e o deputado federal Duarte Nogueira (SP), ambos do PSDB, pediram nesta terça-feira, 30, ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que investigue a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suspeitas de crime de peculato e improbidade administrativa.Os parlamentares da oposição querem que os dois e o diretor-geral da Itaipu Binacional, Jorge Samek, sejam investigados por suspeitas de irregularidades no processo de demissão de Gleisi da estatal, ocorrido em 2006, na véspera do início da campanha eleitoral. A ministra saiu da Itaipu e lançou sua candidatura ao Senado. Mas recebeu indenização da estatal como se tivesse sido demitida, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

“Ao invés de solicitar seu afastamento, o que seria de se esperar, ou melhor, a ação que obrigatoriamente deveria ter sido tomada, a ministra Gleisi foi demitida pelos demais representados, demonstrando, assim, uma unidade de desígnios cujo resultado final foi a lesão aos cofres da União de valor superior a R$ 40.000,00 (quarenta mil reais)”, alegam os parlamentares na representação protocolada na Procuradoria.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

 às 21:27

Dois professores do Mackenzie, uma respeitável instituição, fazem tudo errado e acabam ensinando aos estudantes o que não fazer!

Não sei aonde vamos parar nesta toada, mas sei que não será um bom lugar. Cometeu-se uma barbaridade da Universidade Mackenzie, pela qual tenho especial carinho. E, mesmo sem ter acompanhado, por óbvio, a história de perto e sem ter conversado com os envolvidos, digo sem medo de errar: evidenciou-se o óbvio despreparo de dois professores.  Reproduzo a reportagem publicada no Estadão Online. Leiam com muita atenção. Volto em seguida.

Por Carlos Lordelo:
O professor da Faculdade de Direito do Mackenzie Paulo Marco Ferreira Lima, procurador de Justiça, ameaçou dar voz de prisão a uma aluna do 5.º semestre do curso na sexta-feira, 26. Depois da aula de Direito Penal III, a estudante abordou o professor para questionar sua metodologia de ensino. Segundo o docente, foi necessário chamar seguranças para conter a garota, que insistia em fazer reclamações em voz alta. Paulo Marco, então, disse que ou ela parava, ou ele lhe daria voz de prisão. Hoje, o irmão de Paulo Marco, o também procurador e professor do Mackenzie Marco Antônio Ferreira Lima, acusou a aluna de racismo no Facebook.

O caso ganhou proporção no Mackenzie após o Centro Acadêmico João Mendes Jr., que representa os alunos da Faculdade de Direito, ter divulgado nota de repúdio em que classifica de “inadmissível” a postura do professor Paulo Marco. “Em um país de ‘Doutores’, em que qualquer um se acha acima da lei, não podemos permitir que em nossa faculdade, um ambiente exclusivamente acadêmico, pessoas desse tipo continuem a desrespeitar nossa Constituição, em uma perfeita cena de abuso de autoridade”, diz o texto, assinado pelo diretor geral do C.A., Rodrigo Rangel.

Ao Estadão.edu, Paulo Marco disse, na tarde desta terça-feira, que a aluna quis “tirar satisfação” e criticar sua aula. “Entrei na sala para dar a última aula do dia, e ela continuava falando. Fechei a porta. Ela arrombou. Pedi aos seguranças para tirá-la da sala. Ela continuou gritando e me ofendendo. Foi aí que falei: ‘Ou a senhora pára ou eu vou te dar voz de prisão por desacato’. Ela parou de gritar depois da ameaça.”

O professor respondeu às críticas de que a situação configurou abuso de autoridade. “Ameaçar prender não é abuso de autoridade. Seria se eu tivesse prendido ela sem razão”, afirmou. “Achei que ela iria me agredir, porque estava totalmente transtornada. Tive de fazer alguma coisa para contê-la.”

“A aluna está fazendo um sensacionalismo que beira o lado criminoso”, finalizou Paulo Marco.

Racismo
O irmão do professor entrou na polêmica usando o Facebook. Marco Antônio postou, na tarde desta terça-feira, em letras maiúsculas, que a aluna identificada por Tatiana, do 5.º semestre noturno, teceu “considerações raciais” sobre Paulo Marco, “chamando-o na frente de sua filha de ‘negro sujo’ e afirmando que ‘preto não pode dar aula no Mackenzie’ e que ‘preto não pode ter poder’”. Amigos de Marco Antônio na rede social, entre eles alunos do Mackenzie, escreveram mensagens de apoio aos professores.

A reportagem do Estadão.edu ainda não conseguiu contato com Tatiana. Na entrevista concedida mais cedo, Paulo Marco não mencionou ter sido alvo de racismo. Por meio de nota, o Mackenzie disse que a estudante foi atendida pelo diretor da Faculdade de Direito e “não houve prisão”. “Os fatos ainda estão sendo apurados para que as providências cabíveis sejam tomadas”, afirmou a universidade.

Comento
Ai, ai… Vamos pela ordem:
1 - Na conversa com o Estadão, o professor teve a chance de deixar claro que tinha sido vítima de racismo. Por alguma razão, não o fez. A acusação — via Facebook!!! — foi feita depois por seu irmão, também professor da universidade.

2- De fato, qualquer um pode dar voz de prisão a alguém que esteja cometendo um crime, conforme prevê o Artigo 301 do Código Penal — seja a pessoa procuradora de Justiça ou não. Na conversa com o Estadão, entendi que o “crime” cometido pela estudante foi “tirar satisfação” e “criticar sua aula” em termos inadequados. É crime?

3 - A autoridade numa universidade deve ser, antes de mais nada, acadêmica. Isso não significa que as leis devam ser ignoradas. É evidente que Paulo Marco tem a seu dispor o Regimento Interno do Mackenzie para, sendo como ele diz, punir a aluna. Ameaça de prisão? Olhe, professor, parece-me, sim, um caso muito particular de “abuso de autoridade”, que soma duas condições que o colocariam na posição de quem não precisa necessariamente ter razão para se impor (e não estou dizendo que o senhor estivesse errado, claro!): a de procurador e a de professor.

4 - O mestre guarda muita semelhança com o sacerdote. A sua autoridade deve derivar menos de sua, como direi?, posição no mundo secular do que de sua sapiência. Se faltou temperança à aluna, não deveria ter faltado ao professor. E, como resta óbvio, faltou.

5 - Não tenho como estranhar o conceito de “abuso de autoridade” de um professor de Direito Penal: Afirmou ele: “Ameaçar prender não é abuso de autoridade. Seria se eu tivesse prendido ela sem razão”. Taí uma tese a ser demonstrada: ameaça não caracteriza abuso?

6 - Mas ninguém abusou tanto do bom senso quanto Marco Antonio Ferreira Lima, também professor do Mackenzie, que se esmerou, lamento dizer, no mau exemplo, como advogado que, suponho, ele é. Resolveu sair em defesa do irmão, como se este não fosse forte o bastante para se defender. Ora, não é uma briga de família ou de rua. O professor Paulo teve um conflito com uma aluna. Ali dentro, se eles são irmãos ou não, isso é irrelevante. Uma eventual solidariedade de parceiros de trabalho é uma coisa. Evocar a questão familiar, nos termos em que se fez, é inceitável.

7 - Marco recorreu ao Facebook para fazer o que irmão não fizera mesmo em conversa com um jornalista: acusar a aluna de racismo, forçando a mão num tom algo grandiloqüente, que apela mais à má literatura do que à ordem jurídica. Escreveu coisas como esta:

acusacao-de-racismo-um

acusacao-de-racismo-dois

8 - Marco Antonio fez o pior, especialmente porque professor de uma faculdade de direito. Ele sabe tão bem quanto eu que racismo é crime inafiançável e imprescritível, conforme estabelece a Constituição. E que há uma lei específica que trata do assunto. Se o irmão foi vítima de racismo — o que parece ter esquecido de dizer inicialmente ao repórter —, que recorresse às instâncias legais. Acredito que os dois professores, acidentalmente irmãos, estejam no Mackenzie para ensinar aos futuros advogados que a Justiça é o foro adequado para reparar um direito agravado. Ou os doutores têm algum outro entendimento? Espero que não estejam entre aqueles que acreditam no “direito achado na rua”, substituindo-o pelo “direito achado no Facebook”, transformado em tribunal de condenação.

9 - Acusações pelo Facebook ou por qualquer outra página da rede social buscam o clamor público, buscam dirimir uma questão no grito, buscam excitar a turba, buscam fazer vítimas e algozes ao arrepio da Justiça. Ora, professor: na Justiça, a aluna terá a chance de se defender ao menos; no Facebook, o senhores sabem muito bem que não. Aliás, na Justiça, se ela cometeu crime de racismo, será punida na forma da lei. A PUNIÇÃO PELO FACEBOOK SE DÁ AO ARREPIO DA LEI.

10 - Finalmente, é bom tomar cuidado com metáforas que buscam mais comover do que conduzir a um entendimento racional da questão. Os descendentes de “engraxados” não podem e não devem ofender os descendentes de “engraxates”, mas isso não significa que descendentes de engraxates gozem de direitos especiais diante dos descendentes de “engraxados”. A primeira função de um curso de direito é defender a existência de uma sociedade, como já disse um autor, sem “cavalgados” nem “cavalcantes”, sem privilégios para engraxados e engraxates.

Não! Professor não tem de dar voz de prisão a um aluno, mas recorrer ao Regimento Interno da instituição, excepcionalmente à Polícia. Não! Facebook não é lugar de professor bater boca com estudante ou de fazer uma acusação grave como crime de racismo. Se a aluna tem condições ou não de continuar no Mackenzie, não sei. Os professores, por força do que disseram e fizeram, podem até ser exemplares como procuradores da Justiça — para o nosso bem, espero que sejam! —, mas não são mestres. Estão lá para ensinar, mas têm muito o que aprender, lamento dizer, sobre estado de direito.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

 às 19:07

Se Maria do Rosário está desocupada, eu lhe arranjo uma ocupação. Ou: Este homem está sendo torturado pelo governo do PT!

O que faz aquele homem algemado, ao fundo, em condição obviamente desumana, vigiado por outro, uniformizado, de cassetete na mão? Por que Maria do Rosário, a ministra dos Direitos Humanos, não se interessa pela vítima? Uma vítima do governo que ela representa
O que faz aquele homem algemado, ao fundo, em condição obviamente desumana, vigiado por outro, uniformizado, de cassetete na mão? Por que Maria do Rosário, a ministra dos Direitos Humanos, não se interessa pela vítima? Uma vítima do governo que ela representa

Não, queridos, não me cansarei de fazer esta pergunta: “Até quando VEJA vai insistir em tisnar com a verdade o discurso dos mistificadores?” Assim não é possível! Se certo tipo de governante e alguns cachorros loucos não puderem atuar livremente, sem uma imprensa que lhes lembre que o estado de direito existe, que graça tem ser um poderoso? É, trata-se der uma forma de ver o mundo.

Escrevi no começo da manhã de hoje um texto em que passo uma descompostura na ministra dos Direitos Humanos, dona Maria do Rosário. Representante de um governo que assiste, inerme, a mais de 50 mil homicídios por ano no país, ela foi à Assembléia Legislativa de São Paulo deitar proselitismo contra a polícia mais eficiente do Brasil. O que é isso? DESOCUPAÇÃO! E desocupação é a morada do capeta.

Não que falte trabalho à Dona Maria caso ela queira deixar a ideologia de lado e se dedicar com seriedade a seu cargo. A VEJA desta semana — eita revista encrenqueira esta, não é mesmo!? — traz uma reportagem de Fernando Mello que é um tapa na cara das instituições, evidenciando a brutal ineficiência dessa gente. Leiam um trecho.

Vieram com assinatura as balas que mataram a juíza Patrícia Acioli, 47 anos, no último dia 12, no Rio. Calibre 40. Elas pertenciam a um lote comprado pela Polícia Militar e distribuído entre vários batalhões, incluindo o de São Gonçalo, onde atuava a magistrada. Nessa região, viceja uma praga que Patrícia se dedicava a combater com especial empenho: as chamadas milícias, quadrilhas que, nascidas das fileiras da polícia com propósitos vagamente bem-intencionados, se convertem rapidamente em bandos de matadores a soldo dos próprios interesses ou de quem pagar melhor. Até há pouco tempo, esse cancro estava restrito ao Rio de Janeiro. Agora, alastra-se pelo território nacional.

Levantamento realizado por VEJA junto à Polícia Federal e polícias estaduais mostra que, com maior ou menor grau de organização, as milícias estão presentes em pelo menos nove estados brasileiros, além do Rio: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Há desde células pequenas, com não mais do que dez integrantes, até organizações que comporiam mais de uma centena de membros. A absoluta maioria desses grupos é formada por policiais e ex-policiais civis e militares, mas há os que incluem também egressos da Polícia Federal, do Exército e da Aeronáutica.”

Voltei
Um dos trabalhos a que se tem dedicado a cúpula da Segurança Pública em São Paulo é impedir que esse cancro se estabeleça também na maior corporação policial do país, que só perde para as Forças Armadas. Os desvios existem, sim. Só que são punidos — nas duas polícias, tanto a Civil como a Militar. Há dias, o PT se São Paulo se associou a outras forças obscurantistas para tentar tirar, por exemplo, a Corregedoria da Polícia Civil do âmbito da Secretaria de Segurança. Parece haver uma ação deliberada do partido para tentar instalar o baguncismo no estado.

Muito bem! Hoje, a tarefa número um de uma Secretaria de Direitos Humanos de âmbito federal é combater esse mal que se alastra, que ceifa vidas, que estabelece tribunais informais, que impõe a pena de morte ao arrepio da lei, para atender aos interesses de quem encomenda o serviço. Mas não! Dona Maria do Rosário quer tirar cadáveres do armário para contar a história segundo a mitologia de sua turma. A  sua “Comissão da verdade” tem tudo pra ser um tribunal da revanche. Em vez de atuar para evitar novos cadáveres, pretende mitificar os cadáveres de estimação.

Milícia indígena
A reportagem de Fernando Mello traz uma informação espantosa. As milícias chegaram às tribos indígenas, que vivem sob a guarda da Funai, um órgão do governo federal. Notável instituição esta! Alguns de seus antropólogos — em nome da diversidade, do multiculturalismo e da preservação das tradições indígenas — mobilizam-se até para defender o infanticídio, mas assistem, inermes, ao que Mello relata. Leiam:

“Pelo país, a praga das milícias dis­seminou-se de tal forma que nem os índios da Amazônia escaparam. O gru­po que se intitula Piasol - Polícia In­dígena do Alto Solimões - é formado por índios que serviram no Exército. Seu alvo, inicialmente, eram índios em­briagados. Quem fosse pego nessa con­dição apanhava e passava 24 horas pre­so em celas improvisadas, como chegou a registrar um fotógrafo do jornal A Crítica, de Manaus, em 2009 (como pode ser visto na foto acima). Não de­morou para que a milícia indígena ce­desse à mesma tentação que afeta os seus congêneres: hoje. a Piasol já cobra “taxas” sobre o comércio de produtos nas aldeias sob sua influência. No ano passado, um dos chefes do bando, Adir Ticuna, foi candidato a deputado esta­dual pelo PT.”

A foto que abre o post foi feita em 2009 pelo fotógrafo Bruno Kelly, do jornal “A Crítica”, de Manaus. Ela fala por si mesma.

Isso tudo acontece debaixo do nariz do Ministério da Justiça, pasta a que está subordinada a Funai, e da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Como os índios têm um status jurídico particular, que os torna especialmente protegidos, a responsabilidade do governo federal é óbvia. Ali está um homem sendo torturado pelo governo do PT!

Como se nota, não falta trabalho a Maria do Rosário. Falta é disposição para trabalhar.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

 às 18:20

Boa parte das instituições federais de ensino está em greve há quase três meses. E ninguém dá a menor bola. Greve contra petistas é coisa de reacionários!

Querem enfiar Haddad goela abaixo do eleitor. O esquema é profissional!

Quem aí sabia que mais de 50% dos campi das universidades federais e das escolas técnicas federais estão em greve desde, atenção!!!, 6 de junho??? Quase ninguém.

É isto aí: quando se trata de uma greve contra os companheiros, os manifestantes estão condenados a uma espécie de solidão noticiosa. Enquanto a turma ficava lá reivindicando Deus sabe o quê, Fernando Haddad era lançado pela “imprensa progressista” e também pelos “progressistas” infiltrados no jornalismo sério, candidato à Prefeitura de São Paulo. Metade das federais paradas, e o Gugu-Dadá do leninismo estava recebendo Marilena Chauí em sua casa, com ampla cobertura. Marxilena, naturalmente, é favorável a greves na USP — vocês sabem, ela é contra tucanos perversos, mas deve achar que paralisação nas federais é coisa de sabotadores reacionários. É, Lênin, a grande inspiração moral de Haddad, passaria fogo nos contra-revolucionários, né?

Olhem, eu nem sei quais são as reivindicações de alunos e professores. Não costumo ser babá desses movimentos. Podem ser justas, podem ser injustas. Isso, para o meu post, é irrelevante. Este texto não trata de movimento sindical, mas de jornalismo. O que me pergunto é por que o assunto não é pauta de ninguém.

Todos têm as suas ninfas inspiradoras. Também tenho a minha. Noto que Laura Capriglione, a minha Tétis — e as outras Nereidas que povoam todos os veículos —, ainda não foi ver por que as instituições federais estão paradas. Folgaria em ler um daqueles textos em que a aparente objetividade é posta a serviço da opinião. Como eu tendo a ser barroco, aprecio aquele estilo folha seca. Mas nada!

O absurdo é tal que Dilma e Haddad anunciaram a criação de quatro novas universidades federais há duas semanas — que, segundo dados oficiais, custarão o equivalente a dois exames do Enem (!!!) —, e não se disse uma vírgula sobre as greves. Nada vezes nada! Imaginem se a USP estivesse parada há quase três meses!!! Haveria o risco de a ministra Maria do Rosário (voltarei a esta valente daqui a pouco), dos Direitos Humanos, ir ao campus para saber como estavam sendo tratadas as pobres vítimas do PSDB… Isso deveria envergonhar alguns pauteiros. Mas é provável que se orgulhem da tarefa cumprida.

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

 às 17:34

“Dil-Má” enfrenta protestos em Pernambuco. Ou: “Povo da minha terra, gente de Curupira…”

Protesto em Garanhuns contra "Dil-Má": instituições federais em greve

Protesto em Garanhuns contra "Dil-Má": instituições federais em greve (Foto Aline Moura/D.A.Press)

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Por enquanto, a informação está apenas da versão online do Diário de Pernambuco. Leiam. Volto ao tema no próximo post.

A presidente Dilma Rousseff (PT) e sua comitiva foram recebidos com um protesto e um apitaço promovidos por técnicos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A confusão aconteceu no Campus da Universidade de Pernambuco (UPE), em Garanhuns, onde a petista participa da aula inaugural do curso de medicina.

As universidades federais de todo o país estão em greve desde o dia seis de junho reivindicando melhoria salarial. O grupo, formado por cerca de 50 participantes, trouxe um boneco gigante fantasiado da presidente petista com a palavra Dilma-má impressa na roupa.

“Curupira”
Antes, na cidade Cupira, no agreste pernambucano, houve outro protesto, que tinha como alvo também o governador Eduardo Campos (PSB). Os manifestantes cobravam o pagamento do piso do magistério, abertura de um posto do INSS, de uma delegacia do da Polícia Federal, melhorias na saúde e construção de uma estação de tratamento de esgoto.

Dilma falou a uma platéia de 3 mil pessoas, reunida para aplaudir, como sabem. Ao se despedir de Cupira, informa o Blog de Magno Martins, chamou a cidade de “Curupira”, que,  informa o dicionário, é “ente fantástico das matas, descrito predominantemente como um anão de cabelos vermelhos e pés ao inverso”.

Então tá. Poderia ser pior, evocando Odorico Paraguaçu:  “Gente da minha terra, povo de Sucupira…”

Protesto em Cupira, que Dilma chamou "Curupira" (Foto: Rosália Rangel/DP)

Protesto em Cupira, que Dilma chamou "Curupira" (Foto: Rosália Rangel/DP)

Por Reinaldo Azevedo

30/08/2011

 às 16:49

A indignação como filha bastarda da versão insustentável

Dirceu deveria ser mais prudente ao fazer as suas acusações, não é? O que ele esperava? Que se achasse normal que um “consultor de empresas privadas” mantivesse uma intensa rotina de reuniões com a cúpula do governo e com o presidente da maior empresa estatal do país, tudo em seu “gabinete” clandestino em um hotel, com uma fartura de imagens? Corredores de hotel não caracterizam exatamente um lugar privado. Ninguém está impedido de sacar um celular por exemplo. E a reportagem de VEJA pode não ter sido a única a se interessar por aquela rotina buliçosa de cabeças estreladas. Sabem como é… Homens de preto sempre chamam a atenção… Às vezes, a indignação é só uma filha bastarda de uma versão insustentável.

Por Reinaldo Azevedo

Um bonde chamado homicídio doloso

O que se vê abaixo é um troço assustador. Dias antes do acidente com o bonde de Santa Tereza, ocorrido no sábado passado — cinco pessoas morreram e 57 ficaram feridas, 10 em estado grave —, aconteceu isto que se vê abaixo. Por causa de um defeito nos trilhos numa determinada passagem, o bonde passa a trafegar na contramão. Vejam a alegria que une os convivas.  Tudo parece uma grande galhofa, algo próprio daquele espírito que se atribui aos cariocas — sempre relax… O folclore sobre os paulistanos é outro, sempre tensos. São duas falsidades, claro, mas que podem custar caro às vezes… De todo modo, a gente ouve uma diversidade de sotaques  ali, todos irmanados pelo alegre risco de morrer.

O maquinista do bonde que tombou no sábado está sendo apontado por fontes do governo do estado como o responsável pelo acidente. Culpem os mortos! Culpem o povo!  Sempre é mais fácil. Não faz tempo, um helicóptero despencou sobre a cabeça de Sérgio Cabral, com sete vítimas fatais. Agora tombou o bonde. São emblemas de um modo de fazer política e de governar. Não obstante, há uma Copa do Mundo pela frente, e Cabral será um dos beneficiários da publicidade oficial.

Esse troço miserável que se vê abaixo deveria ser suficiente para se acusar o  governo do Estado de homicídio doloso. Quem oferece esse tipo de serviço público à população assume o risco de matar. E matou.

O verdadeiro governo Cabral começa a vir à luz. E a notícia triste é que se revela na forma de cadáveres.

Demora um pouco. Mas assistam ao vídeo até o fim. Prestem atenção aos detalhes sobre a segurança.


Por Reinaldo Azevedo

PRESTEM MUITA ATENÇÃO A ESTE FRAGMENTO DE DISCURSO. TRATA-SE DE MATAR A COBRA E MOSTRAR A… COBRA!

“Eu assumo o compromisso de lutar pela Emenda Constitucional 29. Sobretudo considerando os princípios de universalização, eqüidade e melhoria da qualidade da saúde (…) Quando eu assumi o compromisso com a regulamentação da Emenda 29, o que tem por trás do meu compromisso é a certeza que nós entramos numa nova era de prosperidade; que esse país vai crescer, sim; vai arrecadar mais, que nós podemos, priorizando a saúde, ter recursos suficientes pra assegurar que haja saúde de melhor qualidade. A participação da União é fundamental”.

De quem é a fala acima? Ora, da então candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. Ela discursava na XIII Marcha dos Prefeitos, no dia 18 de maio de 2010.

Pouco mais de um ano depois, alegando os riscos da crise internacional — que já existia no ano passado —, Dilma mobiliza a sua base CONTRA a Emenda 29, descumprindo de modo nada solene a sua promessa. E não parou por aí: acenou, por intermédio de prepostos, com a volta da CPMF, desrespeitando outra promessa de campanha.

Dilma será, é batata!, fortemente elogiada pela decisão de ter reforçado o superávit primário em R$ 10 bilhões. Há muito de truque aí — e pouco de corte de gastos — por causa do aumento da arrecadação. Mas vamos cantar junto com o coro dos contentes só pra pensar. No dia em que anuncia a elevação do superávit, acena com a elevação de impostos!!!

Não será a crise internacional que vai me levar a aplaudir um estelionato eleitoral consolidado — a sua mobilização para não votar a Emenda 29 — e outro anunciado: a tentativa de recriar a CPMF.

Por Reinaldo Azevedo

A vergonhosa absolvição de Jaqueline Roriz

O Brasil vive uma espécie de desordem intelectual, moral e ética. Não sei qual vem em primeiro lugar. Digamos que todas concorram em pé de igualdade e que cada uma delas estimule as outras duas. Leiam o que informa Maria Clara Cabral, na Folha Online. Volto em seguida:

Por 166 votos favoráveis a cassação, 265 contra e 20 abstenções, a deputada Jaqueline Roriz foi absolvida, na noite desta terça-feira, pela Câmara dos Deputados. Ela foi filmada recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM do Distrito Federal. Na época, a deputada admitiu que o dinheiro seria para caixa dois de campanha. A gravação, no entanto, é de 2006, antes de ela ser eleita deputada distrital. Sua defesa alegou que ela não poderia ser cassada por um fato cometido antes de seu mandato.

Em sua defesa no plenário, Jaqueline não mencionou, nenhuma vez, o vídeo. Também não negou ter recebido o dinheiro. Ela apenas culpou a mídia, “que destrói a honra de qualquer um”. Criticou ainda o procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que na semana passada apresentou um parecer pela abertura de uma ação penal contra a deputada. “Alguns paladinos da ética, alguns parlamentares e integrantes do Ministério Público, por interesses políticos, tentam influenciar os senhores. O procurador me denunciou sem nem ouvir o meu lado”, afirmou ele.

Carlos Sampaio (PSDB-SP), relator do Conselho de Ética, que defendia a perda de mandato da colega, alegou que o caso só foi conhecido após as eleições em que Jaqueline foi eleita. No plenário, outros cinco deputados fizeram discurso para a cassação e apenas um apoiou Jaqueline. A votação, no entanto, foi secreta, o que, avaliam deputados, contribuiu para a absolvição de Jaqueline. Pelo menos 257, dos 513 deputados precisariam votar contra Jaqueline para ela perder o mandato.

Conselho de Ética
O Conselho de Ética da Câmara havia recomendado a sua cassação, mas o pedido foi negado no plenário. Para cassar Jaqueline seriam necessários 257 votos entre os 513 deputados. A votação foi secreta. A deputada chegou a recorrer ao Conselho na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) alegando que o vídeo de 2006 é anterior ao mandato. Após polêmica, no entanto, ela desistiu do recurso, o que levou a votação ao plenário.

Campanha
Nos últimos dias, a deputada enviou a todos os gabinetes um “memorial de defesa” e fez corpo a corpo com os colegas, seguindo a mesma linha do seu discurso de defesa: de que o fato que resultou no processo é anterior ao mandato. Seu pai, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, também entrou em campo e conversou com deputados da base e da oposição. Em 2007, Roriz renunciou ao cargo de senador após suspeitas de irregularidades.

Voltei
Todos os leitores sabem — e muitos me criticam por isso, não ignoro — que considero a tal lei da Ficha Limpa (ou “do”, como dizem muitos) inconstitucional. É uma questão de presunção de inocência. Ou se mudam os fundamentos que temos — e, eventualmente, podem ser mudados — ou não se pode cassar o direito de alguém que pode vir a ser absolvido depois. É uma questão, para mim, óbvia. Não me parece sensato que se diga: “Ah, mas, para a questão eleitoral, a gente pode abrir uma exceção”. Entendo que não pode. E prevejo que a lei vá ser derrubada pelo Supremo, para frustração de muitos. Atenção: isso não quer dizer que sua intenção ou princípio sejam ruins.

“Mas, então, como você diz que a não-cassação de Jaqueline é uma vergonha? “É simples — e, assim, vamos desfazendo algumas confusões. O Câmara não estava julgando uma questão criminal. O que os pares de Jaqueline estavam decidindo ali é se ela tem, vamos dizer, uma ética compatível com a Casa.

E o que eles disseram? Que aquela senhora que recebeu dinheiro sabidamente público, de modo ilegal, tem, sim, ética compatível com a Casa. Notem bem: eu considero a sua absolvição absurda do ponto de vista da ética ela mesma. Quem sou eu para dizer que existe alguma contradição entre os 265 que absolveram e a própria? O que eles disseram, no conforto do voto secreto, é que poderiam fazer a mesma coisa. E é bem provável que muito tenham feito.

Reitero: no que concerne à questão ética, se ela recebeu a grana antes ou depois de eleita, é irrelevante. Ou alguém está sugerindo que ela aprendeu os bons costumes só depois de se tornar deputada federal?

Por Reinaldo Azevedo.


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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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