Lula manda recado ao PCdoB: “Vocês e o ministro têm de resistir”...

Publicado em 23/10/2011 17:46 728 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

Lula manda recado ao PCdoB: “Vocês e o ministro têm de resistir”

Por Marcelo Remígio, no Globo (Aqui):
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta sexta-feira a Orlando Silva e ao PCdoB para que resistissem às pressões e não entregassem o Ministério do Esporte. No fim do dia, Lula, que trabalhou ativamente nos bastidores pela permanência de Orlando no governo , ligou para o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e reafirmou que o momento era de resistência. Após a conversa por telefone com Lula no início da noite, Rabelo abriu a 17ª Conferência Estadual do partido no Rio e destacou que o crescimento da pasta comandada por seu partido despertou a cobiça de vários setores. O evento se transformou em um ato de desagravo a Orlando Silva e reuniu parlamentares do PCdoB, inclusive de outros estados, e lideranças fluminenses de outros partidos da base de apoio do governo da presidente Dilma Rousseff, entre eles o PT, o PMDB e o PSB. Nas faixas espalhadas pelo auditório onde ocorreu a reunião, em um hotel no Centro do Rio, foram escritas frases de apoio ao ministro e ao partido e ataques à mídia.

“Acabei de receber uma ligação telefônica do nosso ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se solidarizando com nosso partido e com o nosso ministro Orlando Silva. Ele disse: ‘Vocês têm que resistir, o ministro tem que resistir’. E devemos. A história de nosso partido é a resistência. Nós temos que ter confiança na presidente Dilma Rousseff. Hoje nós temos uma relação de respeito mútuo com ela - afirmou Rabelo para uma plateia de cerca de 500 pessoas, entre filiados, militantes e representantes de 76 diretórios do PCdoB no estado do Rio. 

Por Reinaldo Azevedo
Motorista reafirma reunião entre Agnelo e ONGs


Por Felipe Recondo, no Estadão (Aqui):
A iminente descoberta do esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo motivou uma reunião de emergência entre o então ministro do Esporte e atual governador do DF, Agnelo Queiroz, e dirigentes de ONGs beneficiadas. Juntos, traçariam uma estratégia para evitar a publicação de irregularidades pela Veja e discutiriam o que fazer com o delator do esquema, Michael Alexandre Vieira da Silva, ex-funcionário do Instituto Novo Horizonte, uma das ONGs que recebeu recursos do programa.

É o que afirmou em depoimento prestado no ano passado, obtido pelo Estado, Geraldo Nascimento de Andrade, que agora acusa Orlando Silva de participação no esquema. Segundo ele, Agnelo se reuniu com o PM João Dias Ferreira, dono da Febrak, Miguel Santos Souza, contador que fornecia notas fiscais falsas para acobertar os desvios, e dirigentes de outras duas ONGs que se beneficiavam do esquema. De acordo com o depoimento, a reunião ocorreu em abril de 2008 no endereço que servia de fachada para três empresas que forneciam notas fiscais frias usadas para comprovar o suposto cumprimento dos convênios firmados com o Ministério do Esporte.

Geraldo Nascimento contou à Polícia Civil que na reunião foi debatida uma forma de arrecadar R$ 150 mil para tentar evitar a publicação da matéria pela revista Veja, baseadas nas acusações feitas por Michael. A matéria foi publicada em abril de 2008. Discutiriam também o que fazer com o delator.

Algum tempo depois da reunião, João Dias encontrou-se com Michael. “João Dias lesionou a mão de Michael com o objetivo de forçar o mesmo a esclarecer com mais detalhes o que Michael teria dito à imprensa”, contou Geraldo Nascimento. Ele disse ao delegado responsável pelas investigações, Giancarlos Zuliani Júnior, que decidiu delatar o esquema porque soube, na semana anterior, da existência de um plano para matá-lo.

Laranja. Geraldo Nascimento foi contratado em 2005 por Miguel Souza para ser seu motorista. Meses depois, Miguel criou uma das empresas de fachada e queria colocá-lo como laranja. Inicialmente, o motorista se recusou, mas, sob a ameaça de demissão, acabou assinando os documentos e se tornando sócio da JG Comércio de Alimentos e Serviços Gerais, uma das empresas que fornecia notas falsas para o esquema. O depoimento de Nascimento e os indícios levantados contra Agnelo levaram o Ministério Público a encaminhar as investigações para o Superior Tribunal de Justiça.

Por Reinaldo Azevedo
Pastor afirma que Esporte cobrou 10% para PC do B


Por Andreza Matais e Felipe Coutinho, na Folha ( Aqui):
O fundador de uma igreja que recebeu R$ 1,2 milhão do Ministério do Esporte diz que foi pressionado a repassar 10% do dinheiro para os cofres do PC do B, o partido que controla o ministério. “Veio um monte de urubu comer o filezinho do projeto”, disse à Folha o pastor evangélico David Castro, 56, que dirige a Igreja Batista Gera Vida, de Brasília. Ele diz que se recusou a pagar a propina. É a segunda pessoa que vem a público nesta semana acusar o Ministério do Esporte de desviar para o PC do B dinheiro destinado a convênios com organizações não governamentais. O policial João Dias Ferreira, dono de duas ONGs que tiveram convênios com o ministério, disse à revista “Veja” que o próprio ministro Orlando Silva recebeu propina na garagem do ministério. Orlando nega a acusação.

O ministério fechou convênio com a Igreja Batista Gera Vida no fim de 2006 para desenvolver atividades esportivas para 5.000 crianças carentes, dentro do programa Segundo Tempo. O projeto foi apresentado ao ministério pelo pastor Castro no início de 2006, quando o ministro era o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, hoje no PT. Quando o convênio com a instituição foi assinado, em 14 de novembro de 2006, Orlando Silva já era o ministro. O dinheiro foi liberado em duas parcelas: a primeira seis dias depois da assinatura do convênio e a segunda em 2 de abril de 2007.

Por Reinaldo Azevedo
“Orlando Silva era o operador do esquema”


Por Vannildo Mendes, no Estadão:
Em depoimento dado à Polícia Federal na última quarta-feira, o policial militar João Dias, delator do suposto esquema de corrupção no Ministério do Esporte, disse que foi informado por terceiros que aproximadamente metade do dinheiro desviado de convênios com ONGs ligadas ao PC do B era destinada ao ministro Orlando Silva.

“Parte dos valores recebidos pelo ministro era para proveito pessoal e parte para beneficiar o PC do B”, afirmou. O depoimento, ao qual o Estado teve acesso, durou mais de sete horas.

Dias não apresentou vídeos, áudios e outras provas prometidas, alegando que o fará na próxima segunda-feira. Mas ele detalhou o que seria um esquema de aparelhamento e arrecadação de propina que o PC do B teria montado na pasta. Segundo o delator, pelo menos quatro remessas de dinheiro foram entregues na garagem do ministério e numa delas Orlando Silva estaria presente e teria baixado o vidro do carro para falar com o entregador. “É muito pouco provável que o ministro não tenha visto a entrega dos malotes”, ironizou.

Questionado pelos delegados, o delator ressalvou que “nunca viu o ministro recebendo qualquer malote de dinheiro”. Ele disse que “todas as informações prestadas sobre coleta e distribuição dos recursos arrecadados foram prestadas por Célio (Soares), Toni Matos (ex-jogador de futebol) e Michael (Vieira), em conversas informais”. Os três seriam operadores do esquema.

O início. Dias relatou que, em 2004, foi procurado por uma comissão de cúpula do ministério, comandada pela coordenadora-geral da Secretaria de Esporte, Ralcilene Santiago, que lhe propôs parceria com o programa Segundo Tempo.

Em contrapartida, o policial teria de comprar materiais esportivos de fornecedores indicados pelo esquema e pagar uma fatia de 10% a 20% do valor do convênio a um escritório de advocacia designado pelo grupo. Metade do dinheiro arrecadado com o pedágio cobrado de Dias e de outras ONGs, segundo o delator, seria destinada à estruturação do PC do B no Distrito Federal.

Na hipótese mais branda, Dias deveria desembolsar R$ 340 mil, 10% dos convênios assinados. O maior deles foi firmado em 2005 com a Federação Brasiliense de Kung Fu, no montante de R$ 2 milhões, mais R$ 400 mil de contrapartida da ONG de Dias. Mas o policial se rebelou contra o alto valor do pedágio e aí começaram seus problemas.

Os recursos dos convênios, cerca de R$ 3 milhões, foram embolsados entre 2006 e 2008, inicialmente na gestão do ministro Agnelo Queiroz, hoje governador do DF pelo PT. Mas os serviços não foram prestados e Dias acabou preso em 2010 durante a Operação Shaolin, da Polícia Civil do DF. Na ocasião, Orlando Silva era secretário executivo da pasta. A partir de 2008, quando ele já era ministro, o policial alega que começou a ser alvo de auditorias e inspeções, que culminaram com a exigência para que devolvesse os R$ 3 milhões.

O policial militar disse que teve vários encontros com Orlando Silva durante a vigência dos convênios. O mais marcante deles teria ocorrido em 2008. Na presença de testemunhas, o ministro teria orientado Dias a comprar quimonos do fornecedor Miguel Santos Souza, espécie de chefe de operação do esquema de captação de dinheiro desviado por meio de uma rede de laranjas. Dias afirmou ainda ter ouvido diversas vezes de Ralcilene e de outros interlocutores que parte do dinheiro arrecadado ia parar no bolso do ministro. “Tenho certeza que Orlando Silva era o operador (maior) desse esquema”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

O QUE QUEREM OS PETRALHAS, OS VERMELHOS E OS IDIOTAS? CORRUPTOS QUE ASSINAM RECIBO? OU: PROVAS NÃO FALTAM; FALTA É VERGONHA NA CARA!

Os patrocinadores e operadores do mensalão tentaram tornar influente uma tese — à qual aderiram correntes do subjornalismo que ou vivem da grana oficial ou foram contratadas para trabalhar para o petismo e aliados —, segundo a qual só se prova a corrupção do servidor ou agente públicos se houver um ato de ofício que a demonstre. E, nesse caso, se teria, então, “a prova”. Uma outra possibilidade é a Polícia Federal plantar um Durval Barbosa no caminho do investigado, a exemplo do que fez com o ex-governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal.

Nota à margem: não por acaso, a PF SÓ recorreu àquele método para pegar um governador que era de um partido de oposição, justamente o que mais incomodava o governo. Há evidências de que Arruda comandava uma cleptoadmistração, sim, e é bom que esteja fora da vida pública. Por mim, estaria morando na Papuda. Isso NÃO QUER DIZER ALGUMAS COISAS, A SABER:
a) ISSO NÃO QUER DIZER que a PF não tenha sido seletiva, já que notórios larápios do governismo estão por aí, livres, leves e soltos, a merecer que se recorra ao mesmo método. Uma polícia especialmente severa com inimigos do governo vira polícia política;
b) ISSO NÃO QUER DIZER que os sucessores de Arruda sejam necessariamente melhores do que ele próprio.
Vale dizer: Arruda ficaria muito bem na Papuda, na companhia de muitos de seus adversários históricos no Distrito Federal!

Mas volto ao ponto. Os petralhas, os vermelhos e os idiotas insistem: “Cadê a prova de que Orlando Silva recebeu dinheiro na garagem?” O que se tem é o depoimento de um rapaz — Célio Soares — que trabalhava para a turma (e que diz lhe ter entregado o dinheiro) e de João Dias Ferreira, o policial que atuava no grupo de Agnelo Queiroz (antecessor de Orlando Silva) e que tem trânsito na cúpula do Ministério do Esporte.

ATENÇÃO! Essas são apenas duas cerejas num bolo formidável de roubalheira de dinheiro público. O próprio governo federal cobra das ONGs nada menos de R$ 40 milhões de grana desviada. Boa parte das irregularidades detectadas envolve militantes do PCdoB, o partido do ministro Orlando Silva. A imprensa noticia outros óbvios escândalos ainda nem oficialmente investigados. Em quase tudo está a marca do partido. ESSA HISTÓRIA DE QUE FALTAM PROVAS CONTRA ORLANDO SILVA É UMA PIADA QUE ELE TENTA CONTAR EM SEU PRÓPRIO BENEFÍCIO. Dá-se justamente o contrário: raramente houve tantas provas de ilegalidades num só ministério e numa só gestão. Insisto: outros ministros caíram por menos do que isso!

A Justiça que diga se Orlando Silva é corrupto ou não; se desviou dinheiro público para enriquecimento pessoal ou para fazer a “revolução socialista”. Essa não é tarefa do jornalismo e, se querem saber, é UM ASSUNTO DE POLÍCIA, NÃO DE POLÍTICA. O que interessa à política, que não é um tribunal, é saber se o homem público age ou não de acordo as leis, sim, mas também de acordo com o decoro e com a ética. Quando afirmo isso, alguns imbecis tentam sugerir que estou defendendo a condenação sem provas. Corrijo-me: não é coisa de “imbecis”, mas de canalhas. A Justiça criminal brasileira vai exigir a prova provada, a evidência de que o sujeito realmente pôs as suas digitais numa determinada operação. Para a questão política, isso não é necessário, não! Alguém tem alguma dúvida de que o Ministério do Esporte é um templo da malversação do dinheiro público?

Ora, lembro dois casos emblemáticos. Fernando Collor, meus senhores, FOI INOCENTADO NO STF. Sim, inocentado! Não se conseguiu encontrar nenhuma “prova” — ESTA QUE ORLANDO SILVA VIVE PEDINDO — de que ele era o chefe de PC Farias! Nada! Não há um só documento que o evidencie. PC era seu caixa de campanha — como Delúbio era de Lula. A turma ligada ao Palácio pintou e bordou, e sempre se supôs que o chefe soubesse de tudo. O mesmo vale, ora vejam!, para os homens de… Lula! Aliás, José Dirceu estava muito mais enfronhado no poder do que PC Farias. E, no entanto, Collor caiu — na verdade, renunciou ao mandato, mas seria cassado de qualquer modo pelo Congresso —, e Lula se reelegeu. O agora senador por Alagoas tornou-se aliado do petismo, que liderou o esforço para derrubá-lo. O que é que Collor não tinha? Amplos setores dóceis da imprensa; o apoio dos sindicatos e dos movimentos sociais aparelhados por seu partido; uma oposição molenga; Márcio Thomaz Bastos e uma economia jogando a favor. Aquilo a que se chamou Collorgate era coisa de amadores perto do petismo.

Falei que lembraria dois casos. Há um outro: Antonio Palocci foi absolvido no STF no episódio do caseiro Francenildo, que teve seu sigilo bancário quebrado ilegalmente. Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, foi condenado, mas Palocci, seu chefe — a quem interessava a violação — saiu livre porque não se encontrou a “prova” material de que mandara Mattoso cometer o crime.

SE O DECORO POLÍTICO FOR PENSADO SEGUNDO OS CRITÉRIOS DA JUSTIÇA CRIMINAL, haverá muito mais bandidos no serviço público do que há hoje. Corrupto não costuma deixar ato de ofício. Ao contrário: no geral, é hábil o bastante para obter o que quer sem deixar rastros. Quanto mais profissional na arte do ludíbrio, menos pistas se encontram pelo caminho.

Voltemos a Orlando Silva
João Dias diz ter novas provas além daquela que está VEJA desta semana. Vamos ver. Mas será pouco o que está escancarado na revista? O policial afirmara que o Ministério do Esporte havia enviado um primeiro relatório ao comando da Polícia Militar do Distrito Federal acusando-o de irregularidades da ordem R$ 3 milhões. Segundo disse, ele se reuniu com a cúpula do ministério, protestou, ameaçou arrastar o nome do ministro, e se fez, então, um segundo relatório, corrigindo o primeiro. Acusação grave!

Muito bem! A gravação a que VEJA teve acesso traz tudo: a reunião, a ameaça feita ao ministro e a confirmação de que o ministério iria rever tudo. Só isso? Não! Dois assessores do ministro Orlando Silva, Fábio Hansen e Charles Rocha, homens de sua inteira confiança, dão dicas de como fraudar os mecanismos de vigilância da pasta. Não só isso! Todos conversam alegremente sobre desvio de dinheiro para o PCdoB, afirmando que um dirigente do partido pegara para si nada menos de R$ 800 mil, e o fazem às gargalhadas. Aparece ainda o nome de Agnelo Queiroz, o governador do Distrito Federal, como o chefão que distribui pitos porque um homem de sua confiança, o pr[oprio João Dias, fora molestado pela turma de Orlando.

Isso tudo num ministério que tem um buraco na prestação de contas — o conhecido — de R$ 40 milhões; isso tudo num ministério em que as evidências de roubalheira saem pelo ladrão (ooops!). E aí aparecem os petralhas, os vermelho e os idiotas: “Mas cadê a prova?”  Se Orlando recebeu aquele dinheiro na garagem, certamente não assinou recibo. Nem naquela hora nem em hora nenhuma! Em sólidas democracias do mundo, mesmo na Justiça criminal, não só no ambiente político, Orlando Silva estaria liquidado. No Brasil, ele usa o horário político do seu partido — outra excrescência bananeira — para se defender, bater no peito e declarar inocência!

Contribuição da esquerda
No terreno moral, está é a grande contribuição da esquerda para a cultura política: A IMPUNIDADE! Em passado nem tão recente, certos escândalos e certos procedimentos podiam não mandar vagabundos para a cadeia, o que é lastimável, mas, ao menos, os afastavam da vida pública. Do mensalão para cá, tudo mudou: a canalha que enfia a mão no nosso bolso sai acusando uma grande conspiração e ganha o apoio do sujornalismo a soldo. À velha impunidade — aquela do país dos Sarneys, Jáderes, Renans etc —, juntou-se a nova. A antiga justificava suas lambanças evocando o interesse nacional; esta outra pretende falar em nome dos pequeninos e dos que sofrem. Daí que tenha tanto comunista envolvido com ONGs para criancinhas pobres. São comunistas que comem o seu futuro!

Sei lá se João Dias tem mais coisa. O que sei é que o Ministério do Esporte é campeão NAS PROVAS DE DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS mesmo dispensando a sua colaboração. Dilma quer ficar com o ministro? Qual é a tese? “Chegamos à conclusão de que o ministério é corrupto, mas o ministro é honesto”…

Encerro
O PCdoB mandou recados ao governo. Ameaçou o PT! Afirmou que a demissão de Orlando soaria como uma agressão à legenda. Lembrou que apenas deu continuidade a práticas já instaladas no ministério, inauguradas pelo agora petista Agnelo Queiroz. E perguntou se pastas sob o comando do PT não se relacionam com ONGs. Em suma: o PCdoB ameaçou Dilma, e Orlando, por enquanto, permanece no cargo por “falta de provas”.

Errado! Prova é o que não falta. Falta mesmo é vergonha na cara!

Por Reinaldo Azevedo
Orlando mais piscou para a Fifa do que resistiu a ela. Como prova Dilma! Ou: Mate a cobra e mostre a cobra!


Uma das teses vigaristas que andam por aí, à qual se apegam sofregamente alguns militantes (ou sei lá como chamá-los) do PCdoB, os petralhas e meia-dúzia de idiotas (inclusive na imprensa) é a de que há uma grande conspiração contra Orlando Silva orquestrada pela Fifa e pela CBF. As duas entidades estão empenhadas, como é sabido, em suspender leis brasileiras em vigor que ou afetam seus patrocinadores — proibição da venda de bebidas alcoólicas em estádios — ou contrariam diretamente o seu caixa: a meia-entrada para estudantes e idosos, por exemplo.

É… Vai ver Orlando é um homem de tal sorte competente e duro na negociação que a Fifa preferiu derrubá-lo… Santo Deus! A lei da meia-estrada, já escrevi aqui, é uma sandice. No caso dos estudantes, é mais uma fonte de recursos para a UNE, um aparelho do PCdoB, que emite carteirinhas. Mas é evidente que não se podem mudar ou suspender leis ao sabor dos interesses de uma entidade privada e seus negócios. NÃO É QUE O PT JÁ NÃO O TENHA FEITO, HEIN? JÁ FEZ! O Apedeuta mudou a Lei das Teles para permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom. E ainda financiou a operação com grana do BNDES.

Calma lá!
A Fifa parece que já vinha cansada de Orlando Silva, mas da sua incompetência, na da sua intransigência. No dia 14 deste mês, antes de estourar o escândalo, escrevi um texto ironizando as exigências da Fifa. O título é este: “Quero ver a Fifa impor o álcool em estádios na terra de Alá! Na terra do Orlando Silva, o comunista sem multidão, é fácil!” Eu tirava o sarro do ministro justamente porque, ao se reunir com a cúpula da federação e ouvir a exigência de mudança de leis, ele não conseguiu dizer um “não” peremptório. Enrolou. Precisou que Dilma viesse a público para dizer: “Não se muda lei por causa de Copa”. Aos menos essas leis “populares”, né? A gente sabe que a soberana defense que se jogue no lixo a de Licitações, por exemplo.

Se vai manter a posição, não sei. Mas disse a coisa certa. Eu, que peço, sim, a cabeça de Orlando, escrevi naquele artigo com todas as letras: “Ou o Brasil abriga o torneio com as leis que tem, ou, por outra, a Fifa passa a ser uma entidade supranacional e… neocolonial, que sai por aí impondo a sua vontade.” E ainda alertei para o risco que correm os cofres públicos: há quem defenda que o país mantenha, obviamente, as leis, mas compense a Fifa pelas meias-entradas.

É evidente que o imbróglio revela incompetência do Planalto — da própria Dilma, sim, senhores! —, de Orlando Silva e da turma toda. A Lei Geral da Copa deveria ter sido uma das primeiras coisas  enviadas ao Congresso tão logo se acertou que o Brasil sediaria o evento. E isso aconteceu no fim de outubro de 2007!!! Há quatro anos! Até agora, não se tem o marco definitivo. De súbito, descobriu-se que algumas das “bondades” — ou burrices — vigentes no Brasil são incompatíveis com regras da Fifa. Não interessa! Nós temos de dar conta dos nossos cretinismos, não aquela “reunião de éticos” da federação ou da CBF!

À diferença do que sustenta o PCdoB, Orlando mais flertou com a prepotência da Fifa do que resistiu a ela. Na cabeça desses cretinos delirantes, uma revista como a VEJA, que publicou reportagens que deixam, obviamente, Orlando Silva em situação difícil, estaria cantando em prosa e verso a ética da CBF e da Fifa. Pois é…A mesma edição que traz o conteúdo da conversa dos homens fortes do ministro com o policial João Dias publica o texto que segue. Leiam. Volto em seguida.

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Voltei
Essa gente precisa parar de medir os outros pela régua com que se mede. Nessas coisas, como costumo dizer, é preciso matar a cobra e mostrar a cobra. E isso eles não podem fazer.

Por Reinaldo Azevedo
Eles também eram “inocentes” perguntavam: “Cadê a prova?”


Leiam trecho de uma reportagem na VEJA desta semana:

O peemedebista Wagner Rossi se disse vítima de uma campanha infame, construída por falsas acusações. Numa estratégia idêntica à usada pelo seu colega Orlando Silva, que também foi confrontado com acusações de corrupção, ele sustentou que as denúncias de desvio de recursos públicos em sua gestão não haviam sido comprovadas e partiam de pessoas desclassificadas. A Polícia Federal, entretanto, provou o contrário. Uma investigação, motivada por reportagem de VEJA sobre a atuação de um lobista que intermediava os negócios do ministério, concluiu que a pasta da Agricultura abrigava uma “organização criminosa” que tinha o claro objetivo de surrupiar dinheiro do contribuinte. O trabalho da PF resultou no indiciamento de nove pessoas, entre elas o ex-ministro Wagner Rossi, seu chefe de gabinete, Milton Ortolan, e o lobista Júlio Fróes, que operava livremente no órgão cobrando de empresários altíssimas comissões para viabilizar negócios com o governo e pagando propina a servidores públicos que o ajudavam na tarefa. A eles foram atribuídos os crimes de peculato, formação de quadrilha e fraude em licitação.
(…)
Os integrantes da organização podem pegar até quinze anos de cadeia. A situação de Júlio Fróes é ligeiramente mais grave. Ele ainda responde à acusação por  tráfico  de  influência,  falsidade ideológica e corrupção ativa, além de agressão a um jornalista de VEJA. Sua pena pode chegar a quarenta anos.

Por Reinaldo Azevedo
Sem essa de misturar as coisas! O assassinato de Bin Laden nada tem a ver com a execução extrajudicial de Kadafi e seu filho, sob o patrocínio da ONU


Já escrevi aqui algumas vezes que defendo a eliminação de comprovados líderes terroristas, como Osama Bin Laden e outros de sua laia. É triste? É, sim! Mas não há alternativa. Essas pessoas se organizam para, de modo deliberado, tirar a vida de inocentes. Não declaram uma guerra ao establishment, à ordem ou sei lá a quê. Buscam fragilidades no sistema de segurança para fazer o maior número possível de vítimas. Não há como combatê-los por métodos convencionais.

Alguns leitores tentaram ver contradição entre essa opinião e tudo o que tenho escrito sobre a morte de Muamar Kadafi e Mutassin, um de seus filhos. Presos com vida, foram executados pelos ditos rebeldes sem julgamento. Kadafi pai foi humilhado em vida e teve o corpo vilipendiado depois. Num dos vídeos que estão no Youtube, não vou publicá-lo aqui porque há limites para expor mesmo a abjeção alheia, uma daquelas flores da “Primavera Líbia” que enchem de alegria a vida de Arnaldo Abaixo-Bush Jabor, aparece introduzindo um instrumento qualquer no traseiro do ex-ditador, provavelmente uma arma. Vocês sabem como são os “oprimidos” quando se libertam, não é mesmo? E a democracia sodomizando a ditadura… Tenham paciência!

Qual a diferença? O comboio em que viajavam Kadafi e seu filho foi alvejado por forças da Otan — no caso, soldados franceses. Eles estão lá com um mandado e um mandato da ONU e deveriam obedecer ao texto da Resolução 1973 do Conselho de Segurança, que já é ambíguo o bastante para permitir abusos. Mas algumas coisas são claras: não podiam atacar a não ser para defender civis — descumpriram esse requisito desde o primeiro dia — e não tinham autorização para matar Kadafi. A ação final da organização cumpriu o rito das outras: seus aviões fizeram o estrago inicial para que os rebeldes avançassem. Um correspondente da Globo nos EUA chamou isso de “não-guerra”…

Ora, na prática, quem executou extrajudicialmente Muamar e Mutassin Kadafi foi a Otan — e, dada a cadeia de responsabilidades, foi, pois, a ONU. Os terroristas eliminados costumam ser colhidos de surpresa, e o objetivo é evitar que reajam. O ex-ditador e seu filho já tinham sido feito prisioneiros, estavam desarmados, não tinham como reagir. Qual é? Não havia mais informação a colher da dupla, estavam derrotados, acabados, vencidos. Que sentido faz a tortura e o contínuo vilipêndio do cadáver?

O mundo faz seus votos em favor da democracia líbia, e os dois cadáveres continuam expostos na câmara fria de um açougue, tornados atração turística. A Otan, reitero, ainda está lá. E isso significa que a Líbia continua sob os auspícios da Resolução 1973 da ONU, que segue, então, patrocinando aquele espetáculo tétrico. Não há paralelo possível com o assassinato de Bin Laden ou de líderes de outros grupos terroristas. EUA, França, Reino Unido e ONU escolheram um dos lados de uma guerra civil. Tornam-se, assim, responsáveis por seus métodos. Dona Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, já havia sido inconveniente o bastante ao ter feito votos, dois dias antes, pela morte de Kadafi, o que não estava na resolução.

A eliminação de terroristas ajuda a pôr ordem no mundo; o que se fez na Líbia concorre para a desordem. Doravante, nas intervenções autorizadas pela ONU, já se sabe que o limite é não haver limites. Digam-me cá: o que se praticou com os Kadafis é diferente dos horrores da prisão de Abu Ghraib, que, com razão, chocaram o mundo? Os responsáveis por aquela cenas bárbaras forma punidos. Mundo afora, o que vi, li e ouvi, depois que já estava claro que pai e filho haviam sido executados, foram palavras de regozijo, de felicidade, de louvor. Barack Obama até chegou a advertir os demais ditadores do mundo que aquele pode ser o seu destino.

Não, eu não estou entre aqueles que têm grandes esperanças na dita “Primavera Árabe”. Acho que se trata de um sonho que se sonha nas democracias ocidentais. Mas essa minha descrença não interfere no meu juízo objetivo: três das potências ocidentais, usando a ONU como escudo e a Otan como braço armado, patrocinaram a selvageria. Isso não melhora em nada a biografia de Kadafi: era um facínora, um asqueroso, um homicida compulsivo, um ladrão. Mas eu não tenho, por enquanto, um só motivo para apostar que seus algozes sejam melhores do que ele.

Eu não reconheço o estatuto do algoz do bem. Uma das coisas que me afastaram da esquerda ainda na primeira juventude (estou na segunda, hehe…) foi o relativismo moral. Todos nós sabemos o que as tropas morais do politicamente correto estariam dizendo se tal espetáculo tivesse se dado sob os auspícios de George W. Bush. Como o arquiteto da ação foi Barack Obama, então se trata, naturalmente, de algo benigno. Não! Obama levou o baguncismo para ONU.

“Ah, o Chávez e o PCdoB também criticaram a ação”. E daí? Eles não são meus interlocutores. Se eu me obrigasse a criticar tudo o que eles elogiam, e também o contrário, seria refém deles. Mas não sou refém de ninguém. O Beiçola de Caracas e os nossos comunistas certamente acreditam que se tratou de mais uma ação do perverso imperialismo para impor a sua vontade ou qualquer besteira assim. Eu considero que o dito “imperialismo”, INFELIZMENTE, anda mal das pernas e da cabeça e está emprestando aviões para o radicalismo islâmico que se faz de moderado para… ter o auxílio dos aviões daqueles que um dia tem o sonho de destruir!

O tempo dirá. Na verdade, acho que já está dizendo…

Por Reinaldo Azevedo
As eleições na Tunísia e uma condenação na “primavera” egípcia


A Tunísia realiza eleições hoje. O Nahda (Partido do Renascimento Islâmico) deve ser o mais votado, mas não deve obter a maioria. Disputam as 218 cadeiras do Congresso Constituinte nada menos de 110 partidos. O Nahda aprendeu a falar a linguagem da moderação. O modelo assumido pela turma agora é a Turquia do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. A imprensa ocidental costuma exaltar a “democracia turca”. Então tá. Voltarei ao tema nos próximos dias. Não sei por quais caminhos o “renascimento islâmico” pode se encontrar com a democracia. Na Turquia, dou uma palhinha de por onde vou quando voltar ao tema, mais a democracia se islamizou do que o islamismo se democratizou, entendem? Claro, claro, tudo é uma questão do ponto de vista do qual se fala: eu falo do ponto de vista de quem vibra com a expansão da democracia, mas sei que há quem vibre com a expansão do Islã…

A Tunísia era o mais ocidentalizado dos países árabes mesmo durante a ditadura. A lei garante, por exemplo, a igualdade entre homens e mulheres, o que não é exatamente do agrado dos religiosos. O Nahda diz que pretende deixar tudo como está. Vamos ver por onde se dará a islamização pretendida. Há de ser por algum lugar, ou eles formariam um partido laico, certo? Por ter sido o país que iniciou isso que chamam “Primavera”, os desdobramentos políticos da Tunísia tem uma importância simbólica.

Eu tendo a desconfiar da “Primavera”, como sabem. Uma notícia de ontem no El País sobre o Egito dava o que pensar. Reproduzo:
Um tribunal egípcio condenou hoje [ontem] um homem, Ayman Yousef Mansur, a três anos de prisão por insultar o Islã e promover o sectarismo religioso através de postagens em sua conta no Facebook. O juiz do Tribunal Penal do bairro cairota de Al Azbekiya, Sharif Kamel, emitiu a sentença por considerá-lo culpado de “prejudicar deliberadamente a dignidade do Islã ao zombar dele e desprezá-lo em sua conta pessoal no Facebook”, conforme noticiou a agência estatal de notícias Mena.

O condenado “se aproveitou da religião para propagar idéias extremistas com a intenção de criar sectarismo religioso e prejudicar a unidade nacional”, empregando “expressões vergonhosas contra o Corão, contra o profeta Maomé e contra os muçulmanos”, enfatizou o juiz na leitura do parecer.

Em 2007, ainda sob a ditadura do ex-presidente Hosni Mubarak, outro homem, o famoso blogueiro Karim Amer, foi condenado a quatro anos de prisão por criticar o Islã e o próprio presidente. Abdel Karim Suleiman, que escrevia sob o pseudônimo de “Kareem Amer”, tornou-se, em fevereiro de 2007, quando tinha 22 anos, o primeiro blogueiro egípcio condenado à prisão. Ele foi libertado em novembro de 2010.

Encerro
O Egito é aquele país onde a “Primavera” convive com o incêndio de casas e templos dos cristãos.

Eu até posso crer que haja um jeito democrático de viver a fé islâmica, mas, sinceramente, não acredito que haja um jeito islâmico de viver a democracia.

Por Reinaldo Azevedo
Ele matou 16 israelenses jogando um ônibus no desfiladeiro, sobreviveu graças à medicina israelense e não se arrepende. Muito pelo contrário!


Vale a pena ler este texto de Roberto Simon no Estadão de hoje. Explica muita coisa.
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A tenda erguida na Cidade de Gaza em homenagem a Abdel Hadi Ghnim - considerado o primeiro terrorista suicida da causa palestina - estava em festa na quinta-feira. Um dos 477 presos trocados pelo sargento Gilad Shalit, Ghnim, de 46 anos, visitava o local.

Em 1989, ele abordou um ônibus lotado que ia de Tel-Aviv a Jerusalém. Após alguns minutos, arrancou o motorista do banco, assumiu a direção e jogou o veículo num desfiladeiro. O ônibus capotou várias vezes e explodiu.

Ao todo, 16 pessoas - todas civis - morreram no “atentado da linha 405″, como o episódio é conhecido em Israel. Outros 27 passageiros ficaram feridos.

Ghnim sobreviveu, ironicamente, graças ao atendimento médico que recebeu em Israel. Na semana passada, visivelmente entusiasmado com a liberdade, recepcionava convidados que vinham homenageá-lo.

Na época do atentado, ele não tinha vínculo com grupos políticos. Ghnim diz ter decidido atacar civis israelenses depois que seu melhor amigo, Radwan Abu Shmis, tomou um tiro nas costas de um soldado de Israel, que o deixou paralítico.

Na quinta-feira, depois de 22 anos, Shmis foi até Ghnim agradecer o “ato de coragem” do amigo. Os dois permaneciam lado a lado, agitados. Em sua cadeira de rodas, Shmis organizava a fila dos visitantes que desejavam dar as boas-vindas ao recém-chegado. Quando o Estado aproximou-se de Ghnim, foi instruído a esperar sentado, tomando o refresco que Shmis mandou trazer para os convidados da festa.

“Nunca tive arrependimento do que fiz. Contra a ocupação (israelense), só a resistência é a resposta”, disse Ghnim, que foi condenado pela Justiça de Israel a 16 prisões perpétuas - uma para cada civil que ele matou. Na prisão, Ghnim já havia escutado, semanas atrás, rumores de que seu nome constava da lista de prisioneiros que seriam trocados por Shalit. A confirmação veio pela TV, três dias antes de a troca ser feita.

Ao cruzar a fronteira do Egito na direção de Gaza, os oito ônibus que levavam os presos foram cercados por uma multidão descontrolada, em festa. “É difícil explicar o que senti. Um choque de liberdade tão maravilhoso”, contou Ghnim.

Ele lembra que, quando saiu da Faixa de Gaza, o território ainda era ocupado por colonos israelenses.

Os assentamentos que lá existiam foram retirados em 2005, sob ordens do então primeiro-ministro, Ariel Sharon. “Você está vendo? Já liberamos Gaza. Falta o restante da Palestina. Acho que dei minha contribuição para a causa.”

Por Reinaldo Azevedo
Estatuto do PCdoB diz que ocupação de cargo público deve servir para projeto partidário


Por João Domingos, no Estadão (Aqui):
A entrada do Partido Comunista do Brasil (PC do B) no século 21 foi marcada pela contradição, a palavra preferida de seus dirigentes quando se referem ao capitalismo, segundo eles “agonizante”, ao jogo de poder e aos parceiros das alianças que o levaram para o governo e até lhe reservaram um ministério, o do Esporte. Ministério que na última semana foi alvo de denúncias de irregularidades na distribuição de verbas, aparelhamento por parte de entidades de seu círculo íntimo e supostas cobranças de propinas.

Nesse processo de contradição política e ideológica, ao mesmo tempo em que o PC do B mantinha em seu estatuto a doutrina marxista-leninista (artigo 1.º) como princípio de tudo, adaptava-se rápida e facilmente aos tempos da social-democracia do PT. A mesma social-democracia que usa o “welfare state” (Estado do bem-estar social), sistema criado nos países escandinavos justamente para brecar o avanço das revoluções comunistas.

O estatuto do PC do B mostra que o partido dá importância vital à ocupação dos cargos públicos, o que pode servir de explicação para o aparelhamento dos órgãos que ocupa. Diz o artigo 59.º do documento que os cargos eletivos ou comissionados dos governos dos quais a legenda participe constituem “importante frente de trabalho e está a serviço do projeto político partidário, segundo norma própria do Comitê Central”. Os mandatos eletivos alcançados pela legenda do PC do B pertencem ao coletivo partidário soberanamente.

Dízimo. Entre os deveres dos militantes do PC do B, está a obrigatoriedade de destinar, pelo menos, 1% do salário mensal ao partido. Os que detêm cargos eletivos ou em comissão pagam contribuições especiais a serem especificadas pelos órgãos partidários. Embora o PC do B não revele o montante, há a informação de que, nesses casos, pode chegar a 40% do salário.

Ainda na clandestinidade, no fim dos anos 70 e início dos 80, o PC do B atuou dentro do MDB e PMDB, na ala denominada “Movimento Popular”.

Depois da redemocratização, tornou-se um parceiro avançado de Luiz Inácio Lula da Silva, tanto nas derrotas quanto nas vitórias do ex-presidente, sempre numa aliança de “apoio crítico”. Na base da coligação nas eleições proporcionais - ora com o PMDB, ora com o PT e outras legendas de centro-esquerda -, triplicou sua bancada de deputados desde 1985, ano do registro definitivo do partido.

Hoje o PC do B diz ter 14 deputados federais, 18 estaduais, 2 senadores, 42 prefeitos, 66 vice-prefeitos e 608 vereadores. Números modestos para a força que o partido adquiriu no governo de Lula e, depois, no de Dilma Rousseff, se comparados aos de outras legendas aliadas.

No governo Lula, o PC do B lutou pelo Ministério da Defesa, mas ganhou o do Esporte e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na gestão Dilma, obteve a Embratur, entregue ao ex-deputado Flávio Dino (MA).
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Por Reinaldo Azevedo
‘Esporteduto’ montado por PC do B controla postos e verbas do ministério


Por Daniel Bramatti e Julia Duailibi, no Estadão (Aqui):
O mapa de repasses do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, revela que o ministro Orlando Silva alimentou com verbas federais a rede de militantes que, nos últimos anos, o PC do B instalou em postos-chave do nicho esportivo no setor público. Nos últimos dois anos, prefeituras e secretarias municipais de Esporte controladas pelo partido estiveram entre as maiores beneficiadas por recursos do Segundo Tempo, criado para promover atividades físicas entre estudantes.

A presença de comunistas nas duas pontas do “esporteduto” não é casual: mesmo antes de fincar bandeira na Esplanada dos Ministérios, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o partido havia estabelecido como estratégia concentrar no setor esportivo praticamente todas as reivindicações de cargos nas esferas federal, estadual e municipal.

Entre as prefeituras, de janeiro a outubro de 2011, a que recebeu o maior repasse per capita do Segundo Tempo foi a de Sobral (CE), cidade em que o coordenador do programa é um ex-candidato a vereador e dirigente municipal do PC do B. Foi quase R$ 1,5 milhão para uma população de cerca de 188 mil moradores, segundo levantamento do Contas Abertas, entidade especializada na análise de contas públicas.

Militantes do PC do B também administram os recursos liberados pelo ministério em Goiânia (R$ 2,2 milhões) e Fortaleza (R$ 980 mil), duas capitais nas quais o partido conseguiu nomear os secretários de Esporte por causa de acordos com o PT, que governa as duas cidades. Na capital cearense, o secretário é suplente de vereador e professor de história; em Goiânia, advogado e dirigente partidário.

Em números absolutos, Belo Horizonte é a líder no ranking das verbas deste ano, com R$ 2,6 milhões. Lá, o PC do B só não ocupa ainda a Secretaria de Esportes porque sua criação está pendente de aprovação pela Câmara. O partido já acertou a adesão ao governo do prefeito Márcio Lacerda (PSB), além do apoio à sua reeleição.

No ano passado, Sobral também esteve na lista das maiores beneficiadas pelo Segundo Tempo - recebeu o terceiro maior repasse. Em sexto lugar apareceu o município goiano de Anápolis, administrado pelo PT, onde a diretora financeira da Secretaria de Esportes é a presidente municipal do PC do B. E, no décimo posto, estava a cidade de Juazeiro, na Bahia, cujo prefeito também é comunista.

O Estado apurou que lideranças de partidos da base governista chegaram a levar ao ministro reclamações de prefeitos paulistas que não conseguiam contratar o Segundo Tempo. Eles alegavam que, para fechar os contratos, teriam de contratar a ONG Bola Pra Frente, da ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues. O ministro teria relativizado as reclamações.

Em Manaus, que recebeu a maior liberação de verbas de 2009, o secretário de Esporte, Fabrício Silva Lima, disse que o primeiro convênio da cidade foi fechado ainda na época em que o PC do B chefiava a pasta, no governo de Serafim Correa (PSB). Os recursos, cerca de R$ 4 milhões, foram liberados na gestão seguinte, do prefeito Amazonino Mendes (PDT). “Fomos muito bem tratados pelo ministério”, disse o atual secretário. “Eles só sugeriram a contratação de ONG para ajudar. Mas foi uma sugestão, não imposição. Nem deram nomes.”

Por Reinaldo Azevedo
Rumo à reeleição, Cristina Kirchner deve ampliar poder em votação de hoje


Por Ariel Palacios, no Estadão (Aqui):
“Hegemonia kirchnerista” e “hiperpresidencialismo” são as expressões que integrantes da oposição argentina usam para definir o cenário político que surgiria hoje com a virtual reeleição da presidente Cristina Kirchner. Segundo as pesquisas, Cristina venceria com uma proporção que oscilaria entre 51% e 57% dos votos, embora alguns analistas afirmem que poderia chegar aos 60%.

Nenhum partido da oposição conseguiria, sozinho, na melhor das hipóteses, mais de 17% dos votos. A presidente, que nos últimos dois anos havia ficado em minoria no Parlamento, conseguiria uma confortável maioria em ambas câmaras na votação de hoje. Em um novo mandato, Cristina teria uma margem de manobra política que nenhum governo teve desde o presidente Juan Domingo Perón nos anos 50.

Dessa forma, a presidente conseguiria para o kirchnerismo outros quatro anos no poder. Somados ao período de governo de seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), e seu primeiro mandato, esta reeleição possibilitaria um total de 12 anos de kirchnerismo. Isso implicaria no período mais prolongado na história argentina de um mesmo grupo político no poder de forma ininterrupta nos últimos 150 anos.

A hegemonia que surgiria hoje nas urnas está criando um clima político favorável aos planos de setores do governo de tentar uma reforma constitucional que permita uma segunda reeleição de Cristina em 2015.

“Uma democracia real na Argentina tem base na reeleição indefinida”, afirmou Ernesto Laclau, filósofo preferido de Cristina. Ele disse que “quando se constrói a possibilidade de um processo de mudanças ao redor de um nome determinado, se esse nome desaparece, o sistema fica vulnerável”. Segundo o filósofo, se Cristina se “eternizar” no poder não será algo que vá contra o sistema democrático.

Parlamento. Na Câmara, Cristina, por intermédio de seu partido, o Justicialista (Peronista), em conjunto com seus aliados, passaria das atuais 116 cadeiras para um total de 132. Os partidos da oposição, em conjunto, cairiam das atuais 141 cadeiras para 125.

No Senado, o governo havia ficado em minoria após as eleições parlamentares de 2009. No entanto, ao longo do último ano, conseguiu atrair o voto de dois senadores, um deles o ex-arquiinimigo do casal Kirchner, o ex-presidente e senador Carlos Menem. Dessa forma, atualmente possui 37 cadeiras, contra as 35 da oposição. Após as eleições deste domingo, o governo Kirchner conseguiria aumentar seu peso para 38 cadeiras.

O professor de relações internacionais da Universidade Católica Argentina Jorge Liotti disse ao Estado que, além de “aprofundar o modelo econômico”, o governo tem a ambição de “aproveitar a ausência de contrapesos políticos da oposição para ocupar maiores espaços de poder”. Neste contexto, segundo ele, o governo considera que o diálogo com a oposição é desnecessário.

Os analistas não descartam que as proporções a favor de Cristina, especialmente na Câmara de Deputados, aumentem mais nos próximos meses, já que preveem um êxodo de membros da oposição para o governo. Nas últimas semanas, diversos peronistas dissidentes deixaram de lado suas antigas diferenças com Cristina e voltaram para o seio do governo, que - pragmaticamente, sem rancor político - os recebeu com os braços abertos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
Matéria de Capa - O custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano!!!


A VEJA desta semana traz uma reportagem de Otávio Cabral e Laura Diniz sobre o custo da corrupção no Brasil: R$ 82 bilhões por ano — ou 2,3% do PIB. É uma soma estratosférica, e isso nos coloca, certamente, entre os países mais corruptos do mundo. Ou melhor: isso coloca o poder público do Brasil entre os mais corruptos do mundo. Leiam um trecho:

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Nos últimos dez anos, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram desviados dos cofres brasileiros R$ 720 bilhões. No mesmo período, a Controladoria-Geral da União fez auditorias em 15.000 contratos da União com estados, municípios e ONGs, tendo encontrado irregularidades em 80% deles. Nesses contratos, a CGU flagrou desvios de R$ 7 bilhões - ou seja, a cada R$ 100 roubados, apenas R$ l é descoberto. Desses R$ 7 bilhões, o governo conseguiu recuperar pouco mais de R$ 500 milhões, o que equivale a 7 centavos revistos para cada R$ 100 reais roubados. Uma pedra de gelo na ponta de um iceberg. Com o dinheiro que escoa a cada ano para a corrupção, que corresponde a 2,3% de todas as riquezas produzidas no país, seria possível erradicar a miséria, elevar a renda per capita em R$ 443 reais e reduzir a taxa de juros.

(…)
As principais causas da corrupção são velhas conhecidas: instituições frágeis, hipertrofia do estado, burocracia e impunidade. O governo federal emprega 90.000 pessoas em cargos de confiança. Nos Estados Unidos, há 9.051. Na Grã-Bretanha, cerca de 300. “Isso faz com que os servidores trabalhem para partidos, e não para o povo, prejudicando severamente a eficiência do estado”, diz Cláudio Weber Abramo, diretor da Transparência Brasil.

Há no Brasil 120 milhões de pessoas vivendo exclusivamente de vencimentos recebidos da União, estados ou municípios. A legislação tributária mais injusta e confusa do mundo é o fertilizante que faz brotar uma rede de corruptos em órgãos como a Receita Federal e o INSS. A impunidade reina nos crimes contra a administração pública. Uma análise de processos por corrupção feita pela CGU mostrou que a probabilidade de um funcionário corrupto ser condenado é de menos de 5%. A possibilidade de cumprir pena de prisão é quase zero. A máquina burocrática cresce mais do que o PIB, asfixiando a livre-iniciativa. A corrupção se disfarça de desperdício e se reproduz nos labirintos da burocracia e nas insondáveis trilhas da selva tributária brasileira.

Leia a íntegra na edição impressa da revista.

Por Reinaldo Azevedo
A cara do petista, o e-mail do petista, o apartamento do petista. O dinheiro é seu!


No post abaixo, informa-se que a VEJA desta semana traz reportagem sobre o formidável enriquecimento do deputado João Bacelar, que fez fortuna apresentando emendas ao Orçamento para obras realizadas por uma empresa sua. Quem cuidava da liberação de verbas era o petista Marcos Lima, funcionário do Palácio do Planalto. Em troca, Bacelar lhe deu um apartamento. Agora vejam estas duas imagens.

O petista Marcos Lima repassa para o deputado João Bacelar e-mail em que o dono do apartamento cobra o pagamento da prestação; ao lado, a prova da quitação da parcela. A moeda da transação é uma só: dinheiro público

O petista Marcos Lima (acima) repassa para o deputado João Bacelar e-mail em que o dono do apartamento cobra o pagamento da prestação; ao lado, a prova da quitação da parcela. A moeda da transação é uma só: dinheiro público

Acima, o prédio onde está o apartamento do petista João Lima, um presente de João Bacelar

Acima, o prédio, num bairro nobre de Salvador, onde fica o apartamento do petista Marcos Lima, um presente de João Bacelar

Por Reinaldo Azevedo
NA VEJA DESTA SEMANA – Rei do cambalacho – O deputado do PR que enriqueceu fazendo emendas ao Orçamento. Com a ajuda de um petista, claro…
ESTA É A CARA DELE - O CARA - O deputado Bacelar em ação: emendas, fantasmas, parentes, empresas, amigos influentes e fortuna  (Foto:(Cristiano Mariz)

ESTA É A CARA DELE - O deputado Bacelar em ação: emendas, fantasmas, parentes, empresas, amigos influentes e fortuna (Foto: Cristiano Mariz)

Da VEJA Online:
A tarefa de emendar o Orçamento da União transformou-se, há tempos, num meio para os parlamentares corruptos embolsarem dinheiro público. A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado revela mais um desses casos - protagonizado pelo deputado federal João Bacelar, que cumpre o seu segundo mandato pelo PR baiano.

O esquema é de uma simplicidade assustadora. Entre 2007 e 2010, João Bacelar - filho de ex-deputado federal e típico representante do baixo clero da Câmara - teve direito a R$ 43,5 milhões em emendas. Quase metade disso foi destinado a prefeituras do semi-árido baiano, onde estão seus redutos eleitorais. As prefeituras contratavam a Empresa Brasileira de Terraplenagem e Construções Ltda. (Embratec), administrada por Bacelar desde 2006. E o dinheiro ia parar no bolso do deputado.

Até novembro de 2009, a tramóia foi facilitada pela amizade com o servidor petista Marcos de Castro Lima, que ocupava a Subchefia de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Era ele quem recebia os pedidos de deputados e senadores e estabelecia a ordem de liberação das emendas. No último empenho em favor de Bacelar, antes de deixar o cargo, Lima liberou R$ 2,2 milhões ao amigo.

Quarenta dias depois de liberar essa bolada, e vinte dias depois de deixar o governo, o “homem das emendas” - como Lima era conhecido - ganhou de Bacelar um apartamento de 143 metros quadrados, num bairro nobre de Salvador. O custo foi de R$ 680 mil. Documentos obtidos por VEJA mostram que os pagamentos ficaram a cargo da Embratec.

Além do ataque ao Orçamento, Bacelar lança mão de outros expedientes para lesar os cofres públicos, como o nepotismo cruzado - emprega em seu gabinete parentes de colegas que, por sua vez, contratam os parentes dele em agradecimento -, e a contratação de funcionárias pessoais, que sequer trabalham em Brasília, como se fossem assessoras de seu gabinete. Uma dessas funcionárias é laranja do deputado em uma emissora de rádio na Bahia, como demonstra gravação a que a revista teve acesso.

Bacelar declara ter um patrimônio de R$ 1,2 milhão de reais. É pouco para quem tem carros importados e barco e faz uso de avião particular. Nenhuma menção à Embratec foi feita em sua declaração de bens à Justiça eleitoral. Procurado por VEJA, João Bacelar negou tudo. Em 2012, poderá dispor de mais R$ 13 milhões em emendas ao Orçamento - se o Conselho de Ética da Câmara não se mover para impedir a sangria.

Conselho de Ética
A revelação sobre o deputado João Bacelar (PR-BA) é um fato grave na opinião do presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PDT-BA). “É um fato muito importante. Muito grave, não tenho dúvida disso”, disse ele neste sábado.
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Por Reinaldo Azevedo
Orlando Silva – A FITA NA VEJA DESTA SEMANA: “Nós vamos apurar que merda é essa; a coisa saiu do controle”


Faz tempo que o Ministério do Esporte é um caso de Polícia… Federal!! Os próprios órgãos de fiscalização e controle do governo mais ou menos infensos aos esquemas organizados para roubar dinheiro público cobram a devolução de mais de R$ 40 milhões repassados a ONGs que não fizeram o trabalho para a qual foram contratadas. Boa parte delas tem algo em comum: são tocadas por pessoas ligadas ao PCdoB, partido do ministro Orlando Silva, que lotou a pasta de militantes da legenda, muitos deles ex-diretores da UNE, como ele próprio. É o comunismo de resultado… para os comunistas.

Sucessivos escândalos deveriam bastar para que Silva ganhasse o olho da rua. Por muito menos, outros ministros, sem o pedigree esquerdista, foram demitidos. Na semana passada, VEJA trouxe o depoimento do PM João Dias Ferreira, dono de duas ONGs e íntimo da camarilha que comanda o Esporte desde os tempos de Agnelo Queiroz, antecessor de Silva e atual governador do Distrito Federal, um ex-comunista do Brasil que migrou para o PT. A denúncia caiu como uma bomba: segundo o policial, o chefe do esquema de desvios de recursos — cuja existência está mais do que provada — é o próprio ministro. Mais: ele teria recebido, pessoalmente, uma remessa de dinheiro na garagem do ministério.

Bem, vocês conhecem a história. Silva ficou indignado e passou a exigir “as provas” — UM COMPORTAMENTO INAUGURADO POR JOSÉ DIRCEU NA ÉPOCA DO MENSALÃO. Explico mais adiante o que quero dizer com isso. Bem, não será por falta de provas que o ministro manterá o seu emprego. Se ficar no cargo, será APESAR DELAS. VEJA, mais uma vez, cumpre o seu papel, Queriam provas? Vamos lá.

Na edição passada, a revista revelou que, no começo de 2008, o comando da PM do Distrito Federal abriu um processo por desvio de conduta contra conta João Dias. Em ofício ao Ministério do Esporte, quis saber o que havia contra um de seus homens. A resposta não foi boa: informou-se que ele devia, então, R$ 3 milhões para a pasta. O policial ficou furioso e foi tirar satisfações. Deu resultado. O ministério enviou novo informe à PM, retificando o anterior e limpando a sua barra. POIS BEM! VEJA TEVE ACESSO A GRAVAÇÕES FEITAS PELO PRÓPRIO POLICIAL. Uma reunião de abril de 2008 impressiona pela desfaçatez, pelo cinismo e pela sem-cerimônia com que essa gente trata o dinheiro púbico.

Dois assessores diretos do ministro — Fábio Hansen (então chefe de gabinete da Secretaria de esporte educacional, que cuida do programa Segundo tempo) e Charles Rocha, então chefe de gabinete da secretaria executiva do ministério —dão a João Dias dicas de como fraudar o próprio ministério. Não só isso: fala-se abertamente de desvio de recursos e de como um militante do PCdoB embolsou R$ 800 mil. Todos riem. Leiam um trecho da reportagem de Rodrigo Rangel:
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João Dias estava preocupado com um documento encaminhado à Polícia Militar pelo ministério que o responsabilizava por irregularidades na execução do programa.
 Aquilo poderia custar-lhe o emprego. Os diálogos deixam claro que havia consenso entre as partes e que eles estavam ali para arrumar um jeito de salvar a pele do policial. “Eu só posso dizer a você duas coisas: primeiro, nós vamos apurar que m… é essa. A coisa fugiu do controle, e, por isso, estamos abrindo uma outra frente. Isso é um absurdo, está errado. Antes de mais nada, tá errado (…) Como é que você tá sendo cobrado em 3 milhões?”, diz Fábio Hansen na gravação.

João dias reclama da suposta traição e ameaça: “Nego tá querendo colocar a mão no ministro…”. “Porque, se eu quisesse me livrar, pegar os caras certos, nós pegaríamos”, diz o policial. A reunião avançou noite adentro e teve momentos de tensão. “O que nós estamos tentando aqui é tentar remediar a m… que foi feita”, diz Fábio Hansen.

O “remédio” para o problema ele detalha em outro trecho da reunião. “A gente pode mandar lá um ofício desconsiderando o que a gente mandou”,sugere Charles Rocha. Hansen completa: “Você faz três linhas pedindo prorrogação de prazo”. Depois recomenda que se processe uma fraude, apresentando um pedido de prazo “com data anterior à notificação”. “Imediatamente a gente faz isso, passa por fax, para o mesmo que foi encaminhado o outro, e a gente manda um portador entregar (…) na mesma hora“, diz Hansen. O roteiro combinado foi seguido à risca. Dois dias depois, o ministério enviou à PM um documento pedindo que o anterior fosse desconsiderado. Detalhe: o convênio cujo prazo para prestação de contas estava sendo prorrogado nessa artimanha havia vencido dois anos antes.
(…)
Voltei
Vocês estão lúcidos; leram isto mesmo: os então homens fortes de Orlando Silva se organizavam para fraudar as regras do ministério e proteger o malfeito. Na conversa, surge o nome de outro figurão no imbróglio: AGNELO QUEIROZ.

Depois de comentarem às gargalhadas que Fredo Ebling, dirigente do PCdoB encarregado de arrecadar propinas entre as ONGs teria ficado com R$ 800 mil, Hansen comenta: “Nós conversamos com Agnelo hoje. O Agnelo estava indignado. O Agnelo nos chamou de moleques hoje. (…) O Agnelo ficou p., ficou indignado. Falou: ‘Vocês não sabem o estado em que está o João’”.

Leiam a reportagem na edição impressa da revista, que traz um alentado material sobre o custo da corrupção para o Brasil — ou, mais especificamente, para os brasileiros que trabalham honestamente.

Cultura José Dirceu
Isso que vemos é só parte da safadeza. Orlando Silva está jogando para enrolar a platéia. Quando fica, com o seu samba de uma nota só, indagando onde está a prova, pergunta, no fundo, se existe algum recibo assinado por ele. Suponho que não! As provas, senhor ministro, são o conjunto de evidências — INQUESTIONÁVEIS — de que o senhor comanda uma máquina corrupta, organizada para assaltar os cofres públicos. As provas, senhor ministro, são os seus homens fortes ensinando como fraudar os mecanismos de vigilância do próprio ministério. As provas, senhor ministro, estão no arranjo feito para beneficiar um dos operadores do esquema que é agora chamado de “bandido”, mas um bandido muito íntimo — inclusive do seu antecessor!

Ontem, a Secretaria de Comunicação da Presidência emitiu uma nota em que se atribui à presidente Dilma a seguinte fala: Não lutamos inutilmente para acabar com o arbítrio e não vamos aceitar que alguém seja condenado sumariamente”.

Todos têm direito à defesa, senhora presidente! A Constituição e os códigos pertinentes estão aí para cuidar desses assuntos. Aqui se cuida é de política. Uma das graves acusações feitas por João Dias Ferreira está devidamente comprovada. Ameaçada, a cúpula do Ministério do Esporte mudou um relatório para beneficiar alguém que estava sendo acusado de fraude.

O bordão “Cadê a prova?”, fazendo de conta que política é arena criminal, é uma prática introduzida na vida pública por José Dirceu. A tramóia com dinheiro ilegal existia; ele era o chefão das personagens diretamente envolvidas com o mensalão; era quem fazia a coordenação política do governo; o escândalo ficou mais do que evidenciado em centenas de saques em dinheiro vivo feitos na boca do caixa; há a impressionante confissão de Duda Mendonça… No entanto, Dirceu grita até hoje: “Cadê a prova?”, como se uma tramóia política costumasse deixar atos de ofício.

Na conversa do policial com os dois assessores diretos de Orlando Silva, fica claro que o ministro está na linha de tiro caso não façam aquilo que ele quer. E os dois fazem. Visivelmente, estão com medo do interlocutor. Silva faria um bem ao país, à Copa do Mundo e até a si mesmo se reconhecesse que não dá mais. É um pato manco.

E algo me diz que isso é só o começo. Há gente no entorno de Dilma que acredita que o Ministério do Esporte tem de sair do radar do noticiário porque a chance de engolfar Agnelo Queiroz, e o PT, é gigantesca. Já se usa até uma metáfora: “Ele pode ser o [José Roberto] Arruda do PT”. Está sentado, aliás, na mesma cadeira. E só está porque o outro quebrou a cara. Mas trato disso no próximo post. A situação está ruim para a turma. E pode piorar.

Por Reinaldo Azevedo
Ali pelas cercanias do Palácio do Planalto: “Se Agnelo não conseguir se defender, ele que renuncie!”


Orlando Silva teve uma conversa a portas fechadas com a presidente Dilma Rousseff. Não se conhece o teor. O encontro até gerou aquela nota sobre presunção da inocência. É a política vivendo em clima de polícia, já que aquele princípio cabe bem num tribunal que julga questão criminal. É… Faz sentido! Não se sabe o que conversaram. Vai ver Orlando Silva tentou provar que o fato de o próprio governo cobrar que entidades devolvam R$ 40 milhões em dinheiro desviado é uma medida de sua eficiência… A conversa pode ter passado por lugares estranhos.

Silva e o PCdoB estão furiosos com um ex-correligionário e hoje filiado ao PT: Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal. Há alguns testemunhos muito contundentes dando conta de que era ele o chefão do esquema no Esporte — Orlando Silva foi seu secretário executivo e teria herdado a máquina. O escândalo já bateu às portas do petista. Ele já é, hoje, um investigado. Os comunistas menos exaltados o acusam de falta de solidariedade; os mais inflamados chegam a ver um dedo seu nas denúncias. Certamente o atual ministro teve a chance de lembrar à presidente que o caminho que o leva à guilhotina poderá ser trilhado pelo próprio Agnelo. Ele deve ter argumentado com a presidente que, permanecendo no ministério, evitar-se o pior pra todo mundo. Não sei se fui muito sutil…

Há gente no entorno de Dilma que não está convencida disso. E é nesse grupo que se chegou a desenhar o pior cenário: Agnelo ser engolfado por sua própria biografia. E alguém falou, acreditem, a palavra “renúncia”. Sim, uma cabeça coroadíssima do poder sustentou com ênfase que o PT não poderá ter um governador acuado por denúncias. Se a situação apertar, haverá a pressão para que ele caia fora, especialmente porque 2012 é ano eleitoral. De resto, Agnelo nunca foi, assim, um petista muito considerado; é, quando muito, um agregado. E há no partido e no governo gente que tem horror do que considera sua falta de sofisticação em determinadas práticas.

Sim, a coisa foi mais ou menos nestes termos: “Se ele não tiver como se defender, que renuncie; contaminar o governo e o partido é que ele não vai”. Acham que a sua situação é especialmente grave por governar o Distrito Federal, que passou pelo trauma conhecido.

A propósito…
Não vi um só petista ou esquerdistas argumentando que Durval Barbosa, o acusador de José Roberto Arruda, era um “bandido”. Agnelo, diga-se, só é governador por causa das suas denúncias, já que, pré-escândalo, a reeleição de Arruda era dada como certa.

Essas coisas dão o que pensar, não é mesmo? A Polícia Federal conseguiu fisgar Barbosa e transformá-lo num municiador de provas contra Arruda. Pena não ter recorrido ao mesmo método com João Dias. Denúncias não faltavam. VEJA relatou as lambanças no Ministério do Esporte em alentada reportagem no dia 5 de março de 2008. Imaginem João Dias com uma câmera escondida… De todo modo, parece que ele tinha microfones escondidos…

Por Reinaldo Azevedo
 Riscos e Oportunidades
da coluna de Lauro Jardim:

Um morto-vivo no ministério



Orlando Silva: um problemaço

A decisão de Dilma Rousseff de manter no governo um ministro sangrando em praça pública é a opção pela agenda negativa. Desde maio, quando estourou o caso Palocci, Dilma convive com essa agenda – corrupção, malfeitos, escândalos.

A partir daí, com precisão de relógio suíço, caíram os ministros dos Transportes, Agricultura e Turismo (não convém lembrar dos seus nomes aqui, são figuras menores que ocupavam cargos relevantes). Nenhum dos programas de governo de Dilma parecem existir – alguém aí lembra-se que foi lançado o Brasil contra a Miséria?

Pode se argumentar que, apesar de tudo isso, sua popularidade está nos céus. Está, sim. E o motivo é o de sempre: a economia continua relativamente bem (mais ainda em comparação ao resto do mundo) e os níveis de emprego e renda – termômetros fundamentais – mantêm-se em alta. Mas neste primeiro ano de governo, a marca de um ministério fraco, tomado por gente encrencada, se solidificou. E essa fatura pode ser cobrada lá na frente.

Se nos casos anteriores, Dilma trocou Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais por ministros que até agora não lhe trouxeram problemas, com Orlando a aposta foi bancá-lo numa prorrogação imprevisível. Isso ocorreu em parte por que seus aliados (de Lula ao PMDB) a criticam por ceder com facilidade “às denúncias da mídia”.

A decisão de Dilma é, portanto, também uma estratégia – ainda que arrriscada – para baixar o fogo da chiadeira da base governista. É uma gente que reclama como se o problema estivesse na faxina e não na sujeira.

A opção de Dilma, portanto, foi a de continuar a ver o Ministério do Esporte nas manchetes e ter Orlando Silva como uma espécie de protagonista moral do governo.

Da cartola do ministério do Esporte já saiu de tudo: fraudes milionárias em convênios com ONGS ligadas ao PCdoB, mulher do ministro recebendo dinheiro público, o Procurador-Geral da República pedindo ao STF que investigue Orlando “por graves irregularidades”, fitas gravadas mostrando cumplicidade entre assessores do ministro e um ongueiro implicado em irregularidades. Já são dezenas de furos no casco. A tendência é sair muito mais coelho desta cartola. E Dilma age como se o número 1 do ministério não tivesse nada a ver com isso.

O que se verá a partir de amanhã, o primeiro dia útil depois que Dilma decidiu manter Orlando, é um ministro do Esporte de perna quebrada tentando exercer suas funções. E tendo que dar novas explicações para revelações de velhos malfeitos.

Por um lado, Orlando Silva estará sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República. Por outro, estará tomando decisões sobre a Copa 2014 e a Olimpíada 2016. A solução de tirar de Orlando a caneta para assuntos importantes do ministério só evidenciará sua condição de morto-vivo.

Por Lauro Jardim

O ministro descobriu que, para um farsante, sábado costuma ser o mais cruel dos dias

“Nunca houve, não há e nunca haverá provas”, repetiu Orlando Silva depois da conversa com Dilma Rousseff. Há, são contundentes e desmontam a discurseira do ministro e do PCdoB, sabem agora Orlando Silva, Dilma Rousseff e todos os leitores de VEJA. “A presidente disse para continuar trabalhando normalmente”, tentou aparentar confiança, para avisar em seguida que vai permanecer no cargo. Não vai, informam os trechos da conversa entre o PM  João Dias Ferreira e dois chefões do esquema bandido instalado no ministério sob controle de comunistas loucos por dinheiro.

Divulgados por VEJA, os diálogos escancaram um repulsivo acerto entre quadrilheiros. Orlando Silva atravessou a semana tentando apresentar-se ao país como um inocente massacrado pela imprensa golpista, pela elite preconceituosa e por inimigos do povo em geral. Talvez já tenha aprendido que sábado costuma ser o mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório ─ sobretudo para farsantes que acham possível enganar as vítimas da roubalheira. Muitos pagadores de impostos engolem desaforos sem engasgos. Nem todos são idiotas.

Às bandidagens divulgadas por VEJA, somaram-se neste sábado patifarias de bom tamanho descobertas pelo Estadão, pela Folha e peloGlobo. “Não quero ir a reboque da imprensa”, tropeçou de novo a presidente. A imprensa independente não reboca ninguém. Publica fatos. E é inútil brigar com fatos. Por ignorar essa antiga lei das redações, Dilma mantém os olhos fechados à verdade para atender aos interesses do delinquente de estimação e de um partido alugado. Vai descobrir tardiamente que optou pelo abraço do afogado.

Se soubesse agir com juízo e presteza, Dilma teria afastado Orlando Silva logo depois de confrontada com os fatos. Nessa hipótese, talvez conseguisse prorrogar sem barulhos o arrendamento do Ministério do Esporte ao Partido Comunista do Brasil. O adiamento do velório ampliou de tal forma o estrago que a renovação do contrato com o PCdoB se transformou num desafio afrontoso ao país que presta. Uma semana depois da explosão inaugural, está claro que os cofres do ministério são sangrados sistematicamente por um partido. Sabe-se que o prontuário do chefe não é menor que os que comprometem seus principais assessores. Todos estão afundados na areia movediça que também vai engolindo o companheiro Agnelo Queiroz, antecessor de Orlando Silva e governador do Distrito Federal. Todos devem ser despejados.

Em 1975, diante de teimosas cobranças do deputado Ulisses Guimarães, líder da oposição, o presidente Ernesto Geisel irritou-se: “Não ajo sob pressão”, avisou. “Eu só ajo sob pressão”, ensinou-lhe Ulisses no mesmo dia. Alguém precisa sugerir a Dilma que seja menos Geisel e mais Ulisses quando pressionada pelos fatos: deve agir sem demora ─ e agir acertadamente. Graças a Lula e à miopia de milhões de eleitores, o Brasil é presidido por alguém que não tem ideia do que é governar um país. É demais querer que se comporte como estadista. Mas não é muito exigir que enxergue a diferença entre a verdade e a mentira.

Durante oito anos, Lula dirigiu e protagonizou uma caricatura de faroeste em que o xerife debocha dos honestos e protege os bandidos. Com Dilma Rousseff nesse papel, o filme de segunda categoria virou chanchada de quinta. Chegou a hora do final infeliz para os fora-da-lei.

(por Augusto Nunes)

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Blog Reinaldo Azevedo

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