As falas corretas de Genoino e Dilma sobre a Comissão da Verdade. Vamos ver se serão postas em prática

Publicado em 18/11/2011 19:03 558 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

As falas corretas de Genoino e Dilma sobre a Comissão da Verdade. Vamos ver se serão postas em prática

Não tenho preconceitos. Quando ouço ou leio coisas sensatas proferidas por pessoas de quem costumo discordar, não tenho receio de declarar: “concordo” — e a inversa também é verdadeira. José Genoino, ex-presidente do PT, um dos processados no escândalo do mensalão, é quem é, e o arquivo está aí para demonstrar o que penso de algumas de suas ações. Mas disse algo sensato hoje, segundo informa o Portal G1. Leiam. Volto em seguida.

Ex-preso político na Comissão da Verdade “não dá certo”, diz Genoino

Por Nathalia Passarinho:
O assessor especial do Ministério da Defesa, José Genoino, afirmou nesta sexta-feira (18) que ex-presos políticos não devem integrar a Comissão da Verdade, que será criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988 - período que inclui a ditadura militar. Segundo ele, escolher alguém que foi torturado durante o regime militar poderá dar margem a questionamentos sobre a imparcialidade da comissão. “Colocar ex-preso político não dá certo. Você não pode dar pretexto, porque se coloca alguém de um lado, o outro vai pedir. Se coloca um preso político, vão pedir para colocar quem prendeu”, afirmou após cerimônia de sanção do projeto que cria a comissão.

Genoino, que foi preso e torturado durante da ditadura, defendeu ainda que a presidente Dilma Rousseff não escolha representantes de entidade nem acolha indicações de ministros. “Não pode ter representante de indicação de ministério, senão vira uma colcha de retalhos. Você também não pode colocar representante de entidade, porque ele vai acabar representando a entidade”, disse.

Para o assessor especial do Ministério da Defesa, o grupo que será responsável por investigar crimes políticos não pode ser um “mero ajuntamento de pessoas”. “A comissão não é um ajuste de contas, é um ajuste de contas com o futuro. Se você ideologizar e dividir, você sacrifica o objetivo principal, que o direito à memória e não julgar A, B ou C”, disse. Segundo Genoino, a Comissão da Verdade deve iniciar a atuação já no início de 2012. “A presidente tem que escolher os nomes com calma. Deve terminar este ano [sem ser instalada] e começar a funcionar a no início do ano que vem”, disse.

A Comissão da Verdade será composta por sete membros indicados por Dilma Rousseff. Segundo o texto da lei, eles deverão ser “de nacionalidade brasileira, designados pelo Presidente da República, com base em critérios como o da pluralidade, reconhecimento de idoneidade e de conduta ética e por defesa da democracia, da institucionalidade constitucional e dos direitos humanos”.

Voltei
É o mais sensato, já que se fez a tal “comissão”, com esse nome absurdamente pretensioso. “Comissão da Verdade” regulada pelo estado e por governo é sempre algo suspeito, mas vá lá. Lembro, sendo absolutamente rigoroso com a fala de Genoino, que não se deve mesmo colocar ex-preso político na comissão, ele está certo, mas não apenas porque isso daria “pretexto ao outro lado”. É porque ficaria caracterizada mais uma revanche do que uma conciliação. Todo mundo sabe que a nossa comissão, à diferença daquela liderada por Desmond Tutu, na África do Sul, vai apontar os crimes cometidos apenas por um dos lados, certo? Os esquerdistas eram só vítimas, e o Regime Militar, só algoz. Falta agora preencher essa narrativa fantasiosa com alguns personagens. A Comissão da Verdade é isto: um grupo em busca de personagens para dar curso a um roteiro que já está escrito.

Na Bahia, onde participou de cerimônia para o lançamento (Atenção! Era só a inauguração de uma intenção) de obras de mobilidade urbana previstas no PAC, Dilma também falou sobre a Comissão da Verdade:
“Eu acredito que, na questão da verdade, chegamos ao momento em que o Brasil encontra consigo mesmo. A gente encontra consigo mesmo porque a gente encontra sem revanchismos. Porque o revanchismo não é uma forma de encontro. Então, encontramos sem revanchismo, mas também sem o silêncio comprometedor da cumplicidade, sem as duas coisas”.

Tá… O texto é mais confuso do que o de Chico de Oliveira, do PSOL, mas deu pra entender. E o sentido geral é correto. O que não vai bem aí é esse “consigo”. Mas fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

“Me, mim, comigo”; “te, ti, contigo”; “se, si, consigo”… Ou: Gramática no Planalto!

Disse a Soberana Dilma Rousseff na Bahia sobre a Comissão da Verdade:
“Eu acredito que, na questão da verdade, chegamos ao momento em que o Brasil encontra consigo mesmo. A gente encontra consigo mesmo porque a gente encontra sem revanchismos. Porque o revanchismo não é uma forma de encontro. Então, encontramos sem revanchismo, mas também sem o silêncio comprometedor da cumplicidade, sem as duas coisas”.

Alguém aí no Palácio dê umas dicas pra Soberana sobre o uso deste maltratado pronome pessoal do caso oblíquo “consigo”. Na norma culta, o “consigo” sempre se refere às pessoas, ou coisas, de quem ou de que estamos falando:
- “Lupi carrega consigo o ridículo”;
- “Os golpistas da USP levam consigo uma alma ditatorial”;
- “O Brasil se encontra consigo mesmo”.

Em Portugal, admite-se uma variante no uso do “consigo”, que pode se referir também à pessoa com quem falamos:
-”Soberana, o Lupi está aí fora e quer falar consigo para declarar que a ama” — jamais “lhe ama”, pelo amor de Deus! O “ama” e o “lhe” até podem aparecer juntos, mas em outra situação.

Notem: não é norma culta, não! É coisa da fala e está na categoria de variante regional.

Mas não dá, definitivamente, para empregar “consigo” quando o emissor se inclui entre as pessoas de quem se fala, daí ser inaceitável “A gente se encontra consigo…” Ora, a locução “a gente”, como se sabe, conjuga o verbo como terceira pessoa do singular, mas substitui os pronomes do caso reto “Nós” (eu + outro-s) e, em alguns casos, “Eu”. Na fala, é muito comum. No texto, costuma ser um desastre porque implica a repetição de palavras. Para ficar na fala de Dilma, o aceitável seria que dissesse: “A gente se encontra com a gente mesmo(a)…”, numa repetição desagradável.

Ao recorrer ao “consigo”, tentou fundir o emprego popular da língua com uma suposta norma culta e errou. E se tivesse empregado o “nós”? Poderia ter dito “A gente se encontra conosco mesmos?” Pois é… Não poderia! O certo é: “Nós nos encontramos com nós mesmos”. Melhorando muito a expressão, para evitar a repetição: “Encontramo-nos com nós mesmos”. O “conosco” só pode ser empregado se não houver a indicação gramatical de quem fala (pronome, sujeito desinencial ou reflexivo): “Presidente, Lupi quer se encontrar conosco“.

Como Dilma empregou a palavra “mesmo”, proponho mais um diálogo.

Gilberto Carvalho - Presidente, Lupi está aí fora e quer falar conosco.
Dilma - #@&+§!!!
Gilberto Carvalho - Nossa, Soberana de Todos os Planaltos! Hoje a senhora está uma vara!
Dilma - O que ele quer conosco?
Gilberto Carvalho - Pedir que a Soberana não acredite no que vê, mas no que ele diz.
Dilma - Santinho, prefiro ficar aqui, falando com nós mesmos…

Eu sei que fica estranho, mas é o certo. Esse “mesmos” é um adjetivo, de caráter reflexivo, significando “próprios”.

Não confundir com o “mesmo” em função adverbial, significando “de fato”, “realmente”:
“Santinho, você tem a certeza de que ele quer falar conosco mesmo?”

Notem que esse “mesmo” pode passear na oração: “Santinho, você tem mesmo a certeza de que ele quer falar conosco?”

“Por que isso, Reinaldo?” Porque eu quis. Porque o errado dá o mesmo trabalho que dá o certo. Então por que não escolher o certo?

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 18:38

Esta é do balacobaco!

Não resisto a fazer mais uma notinha a respeito. No artigo encabeçado pelo psolista Chico de Oliveira, publicado na Folha (ver abaixo), há uma frase estupenda:

“Sua solução [dos problemas da USP] passa, como a do país, pelo sufrágio universal”.

É a defesa da eleição direta para reitor. Não é do balacobaco? O PSOL suspende eleição no DCE e quer eleição direta para reitor!!!

A propósito: segundo o texto, a solução dos problemas do Brasil também está no “sufrágio universal”. Que bom! Então está tudo resolvido. Já existe sufrágio universal no Brasil, certo?, ou perdi alguma coisa?

Todos votam no Brasil. Vai ver o PSOL reivindica que o direito se estenda também a quadrúpedes, que já podem ser votados, como sabemos…

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 17:59

Na USP, PSOL dá golpe; na Folha, representante do PSOL cobra… democracia!!!

Eis que encontro hoje na Folha um artigo-manifesto assinado por seis professores, cinco deles ainda na ativa e um emérito, todos da FFLCH. Seguindo as pegadas de Eugênio Bucci, mas muitos decibéis acima, eles querem transformar a confusão criada por meia-dúzia de aloprados numa crise da universidade. O texto chega a ser compreensível às vezes, desde que você perdoe algumas barbaridades de estilo e outras de língua. Foi produzido a 12 mãos, mas a gente seria capaz de jurar que o escreveram com todas as 24…

Não vou responder porque está abaixo do respondível. Bucci rende ao menos debate. Tem certa graça desmontar suas artimanhas retóricas. Nesse caso… Afirmar que, na USP, “rasantes de helicópteros rasgam o pensamento” é só coisa de subpoeta condoreiro. Não dá para levar a sério. O texto é, antes de qualquer outra coisa, cafona, o que antigamente se dizia “bokomoko”. O que me interessa apontar é outra coisa.

O PSOL liderou um golpe no DCE da USP, como todos sabem. O partido e outras seitas de esquerda, com o apoio do PT, suspenderam as eleições. Serão realizadas em 2012, sem data. Vão avaliar a situação. Se acharem que, em dado momento, podem ganhar, quando a maioria silenciosa estiver distraída, então realizarão o pleito.

Agora vejam que graça: enquanto o PSOL dá golpe no DCE, o mesmo PSOL está na Folha, atacando as supostas “militarização e a privatização” da USP e cobrando… democracia. É muita cara-de-pau!!! A grande estrela do tal artigo é o professor aposentado, que se diz “emérito” na linguagem da academia, Francisco de Oliveira. E quem é o “Chico” de Oliveira? FUNDADOR DO PSOL, o partido golpista, e sua maior estrela intelectual. A legenda acabou ficando tão bacana e democrática que nem Heloísa Helena (lembram-se dela?) agüentou: pediu pra sair. Preferiu a ditadura verde de Marina à ditadura dos vermelhos.

Outro signatário, Jorge Grespan, que pertence ao grupo que edita a revista “Crítica Marxista”, também é “próximo do PSOL”, como admite gente do próprio partido. Luiz Renato Martins, o terceiro, costuma ser uma referência dos psolistas. Se tem vínculos com a legenda, não sei, mas está em todas: se há invasão, ele é a favor. Lincoln Secco, quarto signatário, pertence à Fundação Perseu Abramo, do PT. São ainda autores do texto Francisco Alambert e Marcos Soares, que não sei que pito tocam. Mas é provável que sejam todos admiradores do aiatolá “Chico” de Oliveira.

Toda essa gente já estava reunida num “manifesto” — como eles adoram isso! — do dia 1º de dezembro de 2010. Mostrei aqui que espancavam a língua e a lógica. Protestavam contra o que chamavam “criminalização da política na USP”. Entendem por “criminalização da política” a punição de pessoas que depredam prédios públicos. Vale dizer: faz tempo que os extremistas estavam em busca de um pretexto.

O que acho verdadeiramente fascinante, destaco, é precisamente isto: na USP, o PSOL, o PT e outros lideram um golpe; na Folha, representantes do PSOL, do PT e outros cobram “democracia na USP”.

Eis a esquerda! As virtudes alheias são crimes; seus próprios crimes são virtudes.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 16:41

USP – Espalhem: extrema esquerda golpista cria a “farsa da arma” para incriminar adversários

A minoria de extremistas que deu um golpe no DCE da USP — que, a partir do dia 22, passa a ser ocupado por pessoas que não foram eleitas por ninguém — me sataniza à vontade nas redes sociais. As ameaças continuam. Age como aqueles bravos rapazes alemães dos anos 1920-1930. São iguais. São todos, afinal, “nacional-socialistas”, não é mesmo? Qualquer ser de miolos sabe que os vários fascismos sempre foram, na verdade, de esquerda. Basta estudar um pouco, o que aquela gente não faz — tampouco os professores que lhes são apoio. São também militantes.

Essa gente deveria ter vergonha na cara e ter a coragem de enfrentar as urnas na USP. Se ganharem, mesmo aquelas eleições com baixíssimo quórum, muito bem! Se perderem, deixam o aparelho e tentam voltar no ano que vem. É assim que funciona um regime democrático.

Mas é democracia o que querem? Também estão exaltados porque demonstrei aqui a tentativa de criminalizar inocentes, naquela inversão de lógica muito típica da esquerda. Chegaram a acionar a polícia, acusando Rodrigo Souza Neves, da chapa “Reação”, de estar armado. Não estava. O rapaz foi revistado, assim como seus pertences e seu carro. REVISTADO PELA POLÍCIA, POLÍCIA QUE ELES QUEREM FORA DO CAMPUS, mas que é bem-vinda quando atua contra seus adversários.

Rodrigo afirmou que estava armado — e ninguém viu a arma, já que não existia arma nenhuma — porque ia apanhar. Os nossos democratas da extrema esquerda acham que as pessoas devem tomar porrada sem nem tentar se defender, sem reagir, nem com palavras.

A minoria de extremistas se passa por maioria nas redes sociais. Como está a serviço de partidos, cumpre, na verdade, uma tarefa. É assim com um jovem militante ou com um velho, como vocês verão.

Essa história da arma é uma farsa. UMA FARSA COMPROVADA POR UMA OCORRÊNCIA POLICIAL. De resto, apelando a um pouco de humor, lembro que os partidários da luta armada são eles, não? Quem promete “quebrar a cara” de quem diverge são eles, não? Quem ameaçou espancar um adversário foram eles, não?

Rodrigo Souza Neves foi revistado pela polícia. Quantos de seus adversários se deixam revistar?

Esse negócio é asqueroso:
- tentam espancar um adversário e agora gritam: “Ele falou que estava armado!”
- dão golpe nas eleições e agora gritam: “Nossos adversários são fascistas!”
- prorrogam o próprio mandato e gritam: “Eleição direta para reitor!”
- contam com a simpatia ou a covardia de boa parte da imprensa e gritam: “Até quando esse Reinaldo vai falar mal de nós? Quebrem a cara dele!”

Não tentem! Não é uma boa idéia.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 16:00

Sul-africana quer rever Lei da Anistia no Brasil. Por que não propõe o mesmo na África do Sul?

Há coisas que são realmente do balacobaco. Dona Navi Pillay, “alta comissária dos Direitos Humanos da ONU”, acha que pode revogar o sistema jurídico no Brasil. Leiam o que segue. Volto depois.

Da France Presse:
A alta comissária dos Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira (18) “medidas adicionais para facilitar o julgamento dos supostos responsáveis por violações dos direitos humanos” durante a ditadura militar que assolou o Brasil entre 1964 e 1985.

Pillay saudou a sanção pela presidente Dilma Rousseff nesta sexta-feira de uma comissão para investigar os crimes cometidos durante os governos militares, mas afirmou que essa medida “deveria incluir a promulgação de uma nova legislação para revogar a Lei de Anistia de 1979 ou para declará-la inaplicável por impedir a investigação e levar à impunidade (…) em desrespeito à legislação internacional de direitos humanos”.

Comissão
A Comissão da Verdade irá apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988 - período que inclui a ditadura militar - e terá dois anos para produzir um relatório com conclusões e recomendações sobre os crimes cometidos.

A Lei de Acesso à Informação acaba com o sigilo eterno de documentos públicos e estabelece prazo máximo de 50 anos para que as informações classificadas pelo governo como ultrassecretas sejam mantidas em segredo.

Voltei
Nem vou discutir se cabe rever a Lei da Anistia porque o Supremo Tribunal Federal já se posicionou a respeito. Ponto, parágrafo.

Navanethem Pillay, a “Navi”, como é conhecida, é sul-africana, da minoria tâmil. A África do Sul é sempre um país interessante quando se trata de debater paz e guerra. O país pôs fim ao odioso regime de apartheid, sob a batuta de Nelson Mandela, que fez uma escolha: ou se punha termo àquele modelo mandando para a cadeia os líderes do antigo regime, dando início a uma nova guerra, esta de outra natureza, ou se lidava com o conceito de “anistia política”, e a anistia política significa “perdão político”, sem significar inocência. São escolhas que as sociedades, por intermédio de seus líderes, fazem. E a África do Sul escolheu olhar para a frente em vez de olhar para trás.

Eu fico cá me perguntando: por que Dona Navi, em seu próprio país, não pede a punição de todos aqueles que colaboraram, direta ou indiretamente, com o apartheid? E olhem que o fim do regime é bem mais recente do que o da ditadura brasileira; esta terminou em 1985 (embora, na prática, a liberdade tivesse chegado bem antes), e o regime oficial de discriminação racial na África do Sul só acabou em 1994.

Desmont Tutu
Como? E a Comissão da Verdade, presidida por Desmond Tutu? Pois é…Pesquisem. Ela realmente apontou criminosos dos dois lados: tanto Piether Botha, ex-presidente, quanto Winnie Mandela, ex-mulher do líder, foram acusados. ATENÇÃO! A comissão, no entanto, poderia perdoar quem assumisse seus crimes.

Cada país, assim, opta por fazer a reconciliação à sua maneira. A África do Sul, reitero,  apontou os crimes cometidos também pelos grupos de resistência ao apartheid — e olhem que seria uma estupidez comparar aquele regime à ditadura brasileira, infinitamente mais branda. Todos sabemos que a Comissão da Verdade, no Brasil, não vai nem sequer olhar para as violações aos direitos humanos cometidos pela esquerda. A simples sugestão de que isso aconteça é um escândalo. Dizer: “Não são comparáveis os crimes cometidos pelo Estado com aqueles cometidos por quem lutava contra a ditadura”. É a amoralidade essencial dos nossos “moralistas”. A comissão na África do Sul considerou que crime é crime, e ponto final. De todo modo, ela própria tinha o poder de conceder a anistia. Aqui, votou-se uma lei no Congresso, COM O APOIO DE TODOS.

É a velha história: não adianta me xingar; é preciso combater o argumento. “Ah, mas o fim do apartheid foi negociado com os dois lados..” E quem disse que a Lei de Anistia não foi? Dona Navi que vá pedir a revisão das conclusões da Comissão de Anistia na África do Sul! Ou ela acha que seu país tem o direito de escolher a paz, cabendo ao Brasil escolher o confronto?

Por Reinaldo Azevedo

A CARRASPANA HISTÓRICA DA SENADORA KÁTIA ABREU EM CARLOS LUPI

Abaixo, há um vídeo um tanto longo, mas que vale a pena ser visto. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) dá uma das maiores carraspanas que já vi um senador — ou senadora — dar em um ministro de estado. É desmoralizante! Assistam ao filme.

Por Reinaldo Azevedo

As lendas pessoais de Lula tiranizam a política e os analistas. Ou: Doença, espetáculo e poder

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É lamentável a espetacularização do câncer, vazada como cenas da vida doméstica, protagonizada por Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado Ricardo Berzoini (SP), ex-presidente do PT, como demonstrei aqui, não esperou muito tempo e acabou revelando certamente mais do que pretendia o partido. Segundo escreveu no Twitter, Lula fez barba e cabelo e deixou o bigode para as eleições de 2012. É indecente.

Quem é da área sabe que Ricardo Stuckert é profissional dos bons. Era o fotógrafo oficial de Lula quando este era presidente e migrou com ele para o instituto. Já apontei aqui a influência da estética “Benetton”, by Oliviero Toscani, em algumas de suas fotos. Não foi diferente desta vez. O resultado, como peça de propaganda, é competente. Mas é disto que estamos falando: de propaganda. Assim como Toscani expunha um doente de Aids com a família chorando à sua volta para vender camiseta e moletom (ver o post que escrevi ontem sobre a Benetton), Lula usa a sua doença para, como comprova Berzoini, conquistar votos para o seu partido.

Profissionais da fotografia teriam muito a falar a respeito — necessitando de um tantinho de coragem, claro, para enfrentar a patrulha. Um resultado como o divulgado requer ajuste de luz, muitas dezenas de fotografia, até que se escolham “aquelas”. Há tudo nas imagens divulgadas, menos aquilo que se tentou vender ao público: o flagrante e a espontaneidade. Aqueles olhares para o nada — para o futuro da humanidade? — resultam de muitos cliques.

E agora falarei com a “autoridade” de que tem barba, muuuita barba, mais do que eu gostaria. Aquilo é uma cena preparada. O casal atua como modelo — ele, no seu papel predileto: Lula; ela, no dela: mulher de Lula. Por que afirmo isso? A parte mais chata da barba (além do pescoço; por que barba no pescoço, meu Deus?) fica ali na fronteira do lábio inferior, área já raspada e escanhoada, como se nota. O mesmo se pode dizer da papada. Tudo lisinho. E há a questão óbvia: a assessoria de Lula deslocou Stuckert até a casa do ex-presidente, mas não teve o bom senso de chamar uma profissional para lhe raspar cabeça e barba, operação que sempre comporta algum risco? Tenham paciência.

Fico cá pensando nos muitos candidatos a hagiógrafos de Lula, que exaltaram, nos primeiros dias da doença, como é mesmo?, a sua “transparência”, como se esta já não tivesse sido turvada quando gravou um vídeo, tendo o mesmo Stuckert por trás da câmera, marcando um encontro com os “eleitores” em algum palanque. Não sou assim tão inocente, não é? Lula é o homem público mais em evidência do país. É admirado por milhões de pessoas. É natural que haja curiosidade sobre a sua saúde e que muitos torçam para que seja bem-sucedido em seu tratamento. Assim, é aceitável que se divulguem imagens suas e que estas sejam selecionadas e tal.

Mas vamos devagar! É preciso haver algum decoro nisso! Lembrei aqui outro dia que Lula chorou copiosamente diante da Câmera de Duda Mendonça na campanha eleitoral de 2002 ao falar da primeira mulher, morta no parto, e do filho natimorto. Elaborava uma narrativa muito distinta de entrevista que havia concedido anos antes à revista Playboy sobre o mesmo assunto. Diante daquele espetáculo patético em 2002, lembro-me de ter escrito um texto no extinto sitePrimeira Leitura cujo título era: “Ele não tem limites”. Tudo bem pensado, espetacularizar a própria doença para obter benefícios políticos para o seu partido não é, assim, o seu auge. Chegou mais longe com a mulher e o filho mortos.

Não, senhores hagiógrafos! Isso não é transparência, mas obscurantismo. E explico por quê. Lula torna o processo político refém de sua biografia — ou melhor: o processo político se deixa capturar por suas lendas pessoais. Na Presidência, suas batatadas não podiam ser criticadas sem que pesasse a sombra do preconceito. Agora, quando ele faz óbvia exploração política de sua doença, considera-se de mau gosto apontá-lo. É preciso que Ricardo Berzoini o faça. Até a recomendação,  em tom de ironia, para que vá se tratar no SUS, ainda que a tanto ele não esteja obrigado, é tomada como grave ofensa, “baixaria”, um verdadeiro vilipêndio!

O processo político trata Lula como expressão do sagrado. Já ele próprio nunca se importou em ser bastante profano, como se vê mais uma vez.

PS - A orientação deste blog segue sendo rigorosamente a mesma. Serão vetados os comentários que tratem de forma desrespeitosa o doente Lula. Serão aceitos os comentários que tratem Lula, doente ou saudável, como aquilo que ele é: um político, razão por que suas fotos foram divulgadas por um instituto…  político.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma só não demite Lupi porque teme um dano maior do que o causado por sua permanência. Que trunfo terá o falastrão, que intimida a Soberana?

Há algo mais no ar além do King Air em que voou Carlos Lupi. Todos os outros ministros caíram por menos. Ele vai amontoando uma quantidade impressionante de mentiras. E vai ficando. Se o depoimento de hoje no Senado era “importante” para decidir a sua permanência até a reforma ministerial, Dilma está esperando o quê? Foi patético! Além de tudo o que já se sabia, veio à tona a história das diárias. Nós pagamos para que o ministro fosse fazer política partidária no Maranhão.

Depois de seu depoimento no Senado, em que ficou evidente não ter nem mesmo o apoio do PDT — o PC do B, por exemplo, ficou com Orlando Silva até o fim —, Lupi declarou:
“Eu tenho todas as condições políticas [de manter o cargo]. Tranqüilidade, serenidade e, repito, não há nenhuma acusação contra a minha pessoa [...] Agora, meu cargo é de confiança da presidente da República. Depende dela. Eu já tive a conversa [com Dilma]. Já conversamos, e eu vou continuar trabalhando normalmente”.

Sobre todas as evidências de que mentiu, com uma cara-de-pau estupefaciente, afirmou:
“Eu não voltei atrás em história nenhuma. Primeiro que, na quinta-feira, quando eu fui na comissão do Trabalho, não tinha este fato. Foi me perguntado em tese. A população tem de entender que esta pergunta foi feita antes dos fatos denunciados, e a resposta foi a esta pergunta. Qual era a pergunta do deputado Fernando Franceschini: ‘Se o senhor tem algum tipo de relacionamento pessoal com o senhor Adair?’. Eu respondi ‘Nenhuma relação. Eu não tenho nenhuma relação pessoal’”.

Ele está dizendo, em suma, que mentiu porque, afinal, a verdade não tinha vindo à tona, entenderam? A mentira parece ser um vício. O deputado Fernando Franceschini foi explícito na sua pergunta: quis saber se Lupi conhecia Adair Meira e se já tinha voado com ele no mesmo avião. Ele negou as duas coisas. Quando VEJA provou o contrário, veio, então, a nova mentira: o avião teria sido pago pelo partido. Meira, o PDT, as fotos e um vídeo desmentiram o ministro.

E, no entanto, ele continua no cargo, atribuindo sua permanência à vontade da presidente Dilma Rousseff. Cabe uma única pergunta: QUE DANO DILMA ROUSSEFF TEME, PIOR DO QUE O CAUSADO PELA PERMANÊNCIA DE LUPI?Gente do Planalto está tentando convencer o ministro a cair fora, mas ele não aceita. Logo, teria de ser demitido. Ocorre que o bufão prometeu fazer estragos. Falastrão, todos sabemos, ele é. Nesse caso, porém, a hesitação da Soberana dá o que pensar. A sugestão de que a presidente está sendo chantageada é bastante forte.

Por Reinaldo Azevedo

EXTREMISTAS DE ESQUERDA DA USP E FORA DELA AMEAÇAM: “VOU TE QUEBRAR NA RUA”. BEM, CHEGOU A HORA DE TOMAR PROVIDÊNCIAS. E EU AS TOMEI

Desde que o blog foi criado, em 24 de junho de 2006, não passa dia sem que receba uma penca de ameaças. O anonimato na Internet permite os maiores absurdos. Mas nunca, como nestes dias, em que resolvi denunciar a truculência dos trogloditas da USP, elas foram tão intensas e, à sua maneira, presentes. Bem, tomei as providências necessárias — e isso significa apelar às instâncias do estado democrático e de direito, que protege as pessoas honestas e coíbe a ação de bandidos.

Não aceitam a defesa que faço aqui da Constituição. Não aceitam a defesa que faço aqui do Regimento Interno da USP. Não aceitam a defesa que faço aqui do Regimento do DCE. Não aceitam que eu discorde deles. Não aceitam que colegas de universidade divirjam. Por isso deram um golpe nas eleições (falo mais a respeito no post abaixo) e ameaçam, então, quebrar a minha cara. Cadeia para quem precisa de cadeia. Asseguro que é o que vai acontecer se tentarem.

Fascismo é isso!

Milícias intimidam alunos.
Milícias intimidam professores.
Milícias intimidam jornalistas.

E, como sabem, para eles, “fascistas” são os outros. Eu os desafio não a me xingar — que isso eles fazem permanentemente. Eu os desafio a demonstrar em suas páginas que defendo uma só idéia, uma miserável que seja, que esteja em desacordo com o estado democrático e de direito, com a Constituição e com as leis do país.

Não lutei contra a ditadura desde os 15 anos para ser silenciado por meia-dúzia de truculentos. Não me arrisquei — no tempo em que isso era realmente um risco — defendendo a democratização do país para ser impedido de proclamar o direito de ir e vir numa universidade.

À caça de encrenca
Sim, eles estão à caça de encrenca. Anteontem, no campus da USP Leste, tentaram agredir Rodrigo Souza Neves, membro da chapa “Reação”, que iria vencer a disputa pelo DCE. Articulavam justamente o adiamento da eleição. Percebendo que Rodrigo gravava a conversa, tentaram tomar do rapaz o seu celular, com ameaça de agressão física. Exigiam a entrega do chip. Partiram pra cima. Para se defender, para não apanhar, Rodrigo disse que estava armado. Mas não estava. Um dos adversários do ameaçado, César Buono, que não participou da ameaça de agressão, que fique claro, resolveu chamar a… POLÍCIA. Sim, a demonizada polícia. E ela apareceu: viatura MO2401, com os soldados Massal e Corridoni. Rodrigo, seus pertences e seu carro foram revistados. Ele não tinha arma nenhuma!

Agora, representantes da extrema esquerda usam o episódio para acusar o estudante de andar armado e, assim, caracterizar a “Reação” como uma chapa de truculentos. Essa inversão é muito própria dessa gente. Recorrem à violência, mas acusam os adversários de violentos. Tentam silenciar aqueles de quem discordam, acusando-os de fascistas. Pedem democracia na USP, mas prorrogam os próprios mandatos e suspendem eleições. Dizem defender a liberdade de expressão, mas ameaçam “quebrar a cara” de quem diverge. Não aceitam a polícia na USP, a menos que ela reviste seus adversários.

Eles podem me atacar? Ora, dado esse histórico, podem. Se o fizerem, os responsáveis morais serão os líderes dessas correntes de extrema esquerda que hoje infelicitam a USP. Mas tomei, sim, as devidas providências para que não logrem o seu intento.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 6:45

GOLPISTAS DE ESQUERDA DA USP DESCOBREM SEUS INIMIGOS: A MAIORIA DOS ALUNOS E AS ELEIÇÕES LIVRES

As esquerdas da USP descobriram que têm um inimigo: a maioria silenciosa e as eleições livres. Por isso, deram ontem à noite um golpe, em mais uma de suas reuniões manipuladas. Militantes de todos os lugares acorreram para USP, disfarçados de estudantes da universidade, e decidiram, ao arrepio do Estatuto do DCE, suspender a eleição, que estava prevista para os dias 22, 23 e 24. Os alunos da manhã já não estavam ali. Os da noite estavam em sala. Os do interior não votaram. Motivo: a chapa “Reação”, que eles chamam de “direita”, venceria o pleito com folga.

Gabriel Landi Fazzio, ligado à UNE e membro da “Fórum de Esquerda”, que perdeu a eleição no XI de Agosto, da Faculdade de Direito, já havia anunciado o golpe num e-mail a seus amigos, afirmando que “a esquerda não perde essas eleições nem a pau”. E ele explicou o que quis dizer com “nem a pau”: prorrogar mandato.

Pela primeira vez desde 1934, a entidade máxima de representação discente da USP terá uma diretoria que não foi eleita pelos estudantes. Isso não ocorreu nem nas duas ditaduras. O PSOL, com o apoio das demais correntes de esquerda - INCLUSIVE DO PT — decidiu dar uma de Fujimori e Manuel Zelaya: um autogolpe! As eleições serão realizadas em algum momento no ano que vem. Isso não foi definido. Apostam em duas coisas:
1) o tempo levará, como era hábito, a maioria silenciosa à indiferença. Ela não comparecerá para votar, como se hábito, e os militantes de partidos e seitas de esquerda dividem entre si o butim;
2) essa greve, mesmo esvaziada, arrasta-se até o fim do ano, e 2012 já começa com uma causa. Com ao apoio dos petistas, articula-se, então aquela que se pretendem seja a mãe de todas as paralisações.

A USP assiste à primeira quartelada de sua história — e não foi protagonizada por militares, mas por militantes. Que respeito merece quem adia eleições só porque sabe que vai perder? Eis por que essa gente não quer polícia na USP e pretende organizar seus próprios sistemas de segurança, o que deixa Eugenio Bucci, o petista light, encantado: é para que o estado de direito fique do lado de fora da universidade, e eles possam exercer livremente a sua tirania.

Houve um tempo, na USP, em que não era certo que se pudesse ir e vir livremente. Hoje também.
Houve um tempo, na USP, em que estudantes e professores podiam ser punidos por suas opiniões. Hoje também.
Houve um tempo, na USP, em que os que discordavam corriam o risco de apanhar. Hoje também.

A diferença é que, naquele tempo, o país viva uma ditadura, e hoje vive uma democracia.
A diferença é que, naquele tempo, a esquerda contestava o poder, e hoje ela é o poder.
A diferença é que, naquele tempo, sabia-se que direitos fundamentais estavam sendo pisoteados por um regime discricionário; hoje, vigaristas disfarçados de amigos do povo rasgam a Constituição democrática.

Os que suspendem eleições para o DCE querem eleições diretas para reitor.
Os que suspendem eleições para o DCE pedem mais democracia no campus.
Os que suspendem eleições para o DCE reivindicam mais mecanismos de participação.

Ministério Público
Agora cabe, então, a pergunta: o Ministério Público vai ou não entrar em ação? A USP é autônoma, mas não é soberana. A representação estudantil tem um regimento, que foi violado.

A truculência do medo
Pessoas medrosas são truculentas, especialmente quando agem em bando. Eles perceberam que as coisas caminhavam de mal a pior para eles. Perderam o centro acadêmico da Faculdade de Direito; foram humilhados na disputa pelo Grêmio da Poli; viram os corajosos alunos de Letras votar o fim da “greve” (que nunca houve) por ampla maioria e enfrentar os brucutus para entrar no prédio; sabiam que seriam derrotados na disputa pelo DCE. Então se juntaram pra decretar: “A esquerda não perde a eleição nem a pau”. E deram um pau na eleição. Como perder uma eleição que não haverá?

O futuro
Mais do que nunca eles se revelaram. Contam com a desmobilização dos que lhe fazem oposição. Os que tiveram seus direitos agravados têm de recorrer à Justiça. Ainda que a eleição fique para o ano que vem — a menos que eles a extingam de vez…—, que a resposta lhes seja dada nas urnas no que vem.

A partir de hoje, o USP passa a ter um DCE ocupado por interventores do PSOL, do PCO, do PT, do PSTU, da LER-QI, de todos aqueles, enfim, que se juntaram contra seus reais inimigos: a maioria da USP e as eleições livres.

E a maioria vai apeá-los de lá, agora ou depois. Podem escrever.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 6:43

Coragem será sempre a coragem de nadar contra a corrente

Depois que o PT decidiu contratar gente para monitorar a Internet, coincidência ou não (acho que não!), avolumaram-se os comentários que começam mais ou menos assim: “Não sou de esquerda nem do PT, mas acho que a crise na USP é culpa do PSDB”… Ou: “”Não sou de esquerda nem do PT, mas acho que Lula foi o nosso melhor presidente…” “Não sou de esquerda nem do PT, mas acho que você é muito antipetista e não reconhece…” “Não sou de esquerda nem do PT, mas acho que você é feio, bobo, corintiano…”

Ora, com quem pensam que estão lidando? Acham que caio nesse truque? Eu não sou cartório eleitoral. Pouco me importa a filiação partidária de quem me escreve. Não tenho como saber.

Uma coisa é certa: não vão usar meu blog para fazer proselitismo esquerdopata. Não vão porque eu não deixo. Se querem dizer sandices, vão buscar os blogueiros que lhes dão trela, ora essa! Ah, sim: também é inútil me elogiar para tentar emplacar, em seguida, teses do “partido”. Não tenho carência afetiva.

Vocês não vivem berrando por aí que são a maioria? Então não dêem bola pra mim, ora essa! Pergunto de novo: por que é tão importante publicar comentários aqui? É tarefa partidária? Também parem com essa tonteira de escrever: “Vamos ver se você tem a coragem de publicar tal coisa…” Por que eu precisaria ter coragem para publicar tolices alinhadas com os poderosos de turno?

Coragem, seus bobocas, será sempre a coragem de nadar contra a corrente.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 6:41

Os socialistas da GAP, da Diesel, do iPhone, do BlackBerry

Recebo do uspiano Cristiano o seguinte comentário:

Já escrevi aqui e repito: desafio os diretores do DCE que estão no poder a demonstrar que ao menos 10% vieram de escola pública. Ontem, na aula de Sociologia II, ministrada pelo professor e militante do PSTU Ruy Braga (especialista em Marx), um grupo de alunos invadiu a sala e quis acabar com a mesma na marra. Um dos alunos exaltados, com o cabelo louro estilo rastafári e olhos azuis, uma aparência germânica, estava, eu diria, uns poucos decibéis acima do permitido. Quase saiu na porrada. Como a greve é liderada pelo PSOL e pelo PCO e como o professor Ruy é notório militante do PSTU (…), colocou em votação se acabaria a aula ou não. Apenas dois votaram pela greve. Até que ele teve uma atitude correta. Em outras salas, os professores “alinhados” [com os grevistas] liberaram os alunos. O que me espantou foi a análise que fiz dos meninos. Fiquei reparando a vestimenta dos mesmos. Todos com estilo bicho-grilo fashion: sapatinho da moda, calças da Diesel, moletom GAP e iPhones e BlackBerrys. Na sala, era nítido que quem queria aula eram os que trabalhavam e dão duro pra estudar. Muitos de terno chinfrim, pago com esforço e suor para poder subir na vida e ter uma oportunidade no mercado. O que se vê na universidade pública é uma deterioração. Até os símbolos da esquerda como Florestan Fernandes e Gildo Marçal Brandão dariam um puxão de orelha nesses filhinhos de papai.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2011

 às 6:39

Oposição diz que governo de Agnelo forjou defesa

Por Felipe Coutinho, na Folha:
A deputada distrital Celina Leão (PSD) acusou ontem um integrante do primeiro escalão do governo do Distrito Federal de participação na divulgação de um vídeo para livrar o governador Agnelo Queiroz (PT) da suspeita de recebimento de propina. Celina, presidente da Comissão de Ética, apresentou imagens do circuito interno da Câmara que mostram o chefe da Casa Militar do governo, coronel Rogério Leão, entrando no gabinete do líder do PT, Chico Vigilante, com uma sacola, minutos antes de o deputado distribuir o vídeo favorável a Agnelo. Tratava-se do segundo vídeo protagonizado pelo lobista Daniel Tavares e divulgado na semana passada. No primeiro, em depoimento à deputada Celina Leão, ele acusou o governador de receber propina para ajudar um laboratório e, como prova, apresentou um comprovante de depósito de R$ 5.000 na conta de Agnelo. No segundo, distribuído por Vigilante, o lobista disse que o dinheiro era devolução de um empréstimo feito por Agnelo, a mesma explicação dada pelo governador.

As imagens apresentadas ontem mostram que Leão chega à Câmara às 14h53, Chico Vigilante sai do gabinete às 15h02, e o coronel, às 15h09. O vídeo foi distribuído por volta das 16h. “Está claro que houve a compra de uma testemunha e o uso da máquina pública”, afirmou Celina. “Se fosse uma reunião de trabalho, ele (Leão) não iria de sacola, sem assessores, e o deputado não teria deixado o coronel sozinho no gabinete.” A deputada, contudo, diz que apenas uma investigação da Polícia Federal pode comprovar se houve a participação de pessoas do governo. As imagens já foram entregues à PF e ao Ministério Público Federal.

Por Reinaldo Azevedo
na Coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes (em veja.com.br):

A imagem do mês


(Alpino/Yahoo)

18/11/2011

 às 16:25 \ Direto ao Ponto

Leitura obrigatória: as conversas entre o escritor Vargas Llosa e Ricardo Setti

Um grande livro está na praça, amigos: Conversas com Vargas Llosa, do meu irmão Ricardo Setti. Acompanhar os diálogos entre o magnífico romancista e o jornalista cinco estrelas é um raro prazer. Confira na seção Feira Livre a resenha publicada por VEJA.

17/11/2011

 às 17:48 \ Direto ao Ponto

Lupi culpa Dilma: ‘Ela quer que eu fique’

O regresso ao picadeiro foi ainda mais bisonho e bizarro que o numerito de estreia. Parlamentares oposicionistas escancararam a fábrica de mentiras e ampliaram o acervo de bandalheiras. Fora o inevitável Eduardo Suplicy, os companheiros do PT nem deram as caras. Os parceiros da base alugada resolveram antecipar o fim de semana. Dos três senadores do PDT, um desejou boa sorte ao presidente licenciado e dois recomendaram que caia fora do primeiro escalão federal. Durante o depoimento no Senado, Carlos Lupi só foi consolado pela solidariedade silenciosa do ex-suplente Wellington Salgado, o Rapunzel de Bordel, e pela estridência velhaca do representante do PCdoB, Inácio Arruda. O Clube dos Cafajestes e a Irmandade dos Órfãos da Albânia. Tudo a ver.

Morto insepulto em adiantado estado de decomposição, o que anima o ainda ministro do Trabalho a apodrecer em público, cuspindo cataratas de mentiras e perseguindo pateticamente a ressurreição impossível? “Ela quer que eu fique”, disse no meio da discurseira. Ela. Dilma Rousseff. O que ouviu exatamente?, quis saber um senador. “Só posso me limitar a dizer que ela pediu que eu continuasse”, fez mistério o depoente, caprichando na pose de quem parou de tratar de assuntos íntimos na frente dos outros. Há uma semana, na Câmara, o galã de bolerão acusou-se de amar a presidente da República. Nesta quinta-feira, na Casa do Espanto, o rufião de botequim acusou-a de querer que fique onde está.

A segunda revelação é mais constrangedora que a primeira. Até agora, imaginava-se que a vassoura da faxineira de araque só saía do armário na hora de varrer sujeiras para baixo do tapete. Graças a Lupi, descobriu-se uma segunda serventia: em situações de alto risco, é transformada na muleta que mantém de pé um entulho apaixonado.

17/11/2011

 às 0:14 \ Direto ao Ponto

O vídeo mostra como é tratada a oposição na democracia recriada por Chávez: a tiros

Lula acha que na Venezuela de Hugo Chávez “existe democracia até demais”. O vídeo discorda: com a campanha presidencial ainda em seu começo, candidatos oposicionistas já são recebidos à bala pelas milícias a serviço do bolívar-de-hospício.

Sempre que visita o vizinho predileto, Marco Aurélio Garcia reitera que nunca viu  “tanta liberdade de imprensa”. Os créditos inseridos no vídeo discordam: o show de intolerância política só foi exibido pela Univisión, emissora que transmite dos Estados Unidos programas de TV em idioma espanhol.

Os sacerdotes da seita que crê no Brasil Maravilha dormem pensando no poder sem limites e acordam sonhando com a ladroagem sem freios nem castigos. Isso só será possível com o sumiço da oposição e da imprensa independente, meta perseguida desde sempre pelo tiranete cucaracha. Para qualquer democrata, o vídeo é um documento perturbador. Para o rebanho companheiro, é a visão do paraíso.

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Blog Reinaldo Azevedo

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