Semana de forte queda nas cotações no mercado do boi do Rio Grande do Sul

Publicado em 12/08/2016 11:53
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Nesta semana a pressão aumentou no mercado e o boi em queda é um cenário confirmado, tanto para animais terminados como na reposição.

Atualmente a cotação do boi gordo está entre R$9,60 e R$10,20/kg de carcaça, a prazo, sem bonificações. Há negócios em patamares maiores, mas não refletem o mercado geral.

A vaca gira entre R$9,30 e R$9,80, nas mesmas condições.

A variação média mostra uma queda de 11,2% para o preço do boi gordo nos últimos 30 dias, o que até pode ser considerado normal para a época no estado, porém, o que o boi em queda “diferente” é a variação mensal anual, pois a alta, ou melhor, o pico de preços que é típico de julho não ocorreu, inclusive, o preço de junho foi maior, e o de fevereiro maior que ambos. Figura 1.

Figura 1. Variação média mensal do preço do boi gordo no Rio Grande do Sul, de janeiro a agosto de 2016.

Lance Agronegócios - Variação média mensal do preço do boi gordo no Rio Grande do Sul, de janeiro a agosto de 2016.

Fonte: Lance Agronegócios

É o sinal mais forte que tivemos até da crise, no setor pecuário.

Considerando o preço dos animais gordos no período do ano passado, a retração nominal é de 3,2%, ou seja, onde tínhamos um cenário de vários anos de valorização no preço, agora o cenário é de boi em queda, e está cada vez mais concreto.

Geralmente as cotações do meio do ano são maiores em relação às do início do ano, tanto na variação de 5 anos (Figura 2) com no histórico mais longo.

Figura 2. Variação mensal média da cotação do boi gordo no Rio Grande do Sul, de 2011 a 2015.

Lance Agronegócios - Figura 2. Variação mensal média da cotação do boi gordo no Rio Grande do Sul, de 2011 a 2015.

Fonte: Lance Agronegócios / Scot Consultoria

Outro fator que pode agravar a situação é a oferta de animais de pastagens de inverno, que segundo os frigoríficos, ainda não deu as caras. A disponibilidade aumentou um pouco, mas a oferta ainda está aquém do normal para a época, principalmente pelos contratempos que prejudicaram as lavouras de pasto. Mas mesmo atrasada, a oferta ainda deve crescer nas próximas semanas, o que pode pressionar ainda mais os preços no mercado.

Na reposição também foram sentidas mais pressões nesta semana.

No caso dos novilhos as negociações variam entre R$4,80 a R$5,20/kg vivo, nos melhores e mais raros casos chegando à faixa mais alta de preços.

A vaca de invernar gira entre R$3,80 e R$4,00, também com queda nos últimos dias.

Terneiros são menos procurados, com valores pagos nos machos entre R$5,00 e R$5,50 e fêmeas entre R$4,70 e R$5,30.

A expectativa é que este cenário permaneça com este viés por mais algumas semanas, mas é complicado afirmar. A conjuntura atual de consumo fraco ainda é o principal fator de queda, mas oferta também pode colaborar na pressão nas próximas semanas.

Esta situação de retração nos preços, pelo menos no Rio Grande do Sul, que é ruim para o produtor, pode amenizar uma possível crise no setor industrial, pois alguns analistas de mercado já alertaram sobre isso, que é algo inédito no Brasil. Uma crise na indústria frigorífica pode ser muito pior que as quedas de preço do boi.

Por Renato Bittencourt

Fonte: Lance Agronegócios

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