Monopólio da JBS: Pecuarista não tem alternativa de venda e amarga prejuízos

Publicado em 19/05/2017 11:51 e atualizado em 19/05/2017 17:34
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Realizando somente compras no prazo com 30 dias e sendo a única unidade de abate em muitas regiões do país, pecuaristas estão sem alternativa de venda a JBS e amargam prejuízos.

"Em grande parte dos estados ainda há capacidade de suporte por mais 30 a 40 dias. O problema é que temos os custos fixos e precisamos vender", lamenta o pecuarista Marcos da Rosa, que possui propriedade na região do Alto Araguaia (MT).

Com o que se vende hoje não é possível, sequer fazer a reposição. O produtor usa parte do valor para saldar suas dívidas, e não repõe 100% do rebanho mesmo com a cotação do boi magro e bezerro caindo, acrescenta Rosa.

No início da semana, o Notícias Agrícolas já havia adiantado que os pecuaristas estavam pedindo antecipação dos pagamento a prazo, temerosos pela saúde financeira da JBS, envolvida em uma série de escândalos de corrupção. Já na quarta (17), a empresa informou a seus fornecedores a suspensão da compra de novos lotes à vista, obrigando os produtores solicitarem a antecipação do recebimento junto ao Banco Original (pertencente à Holding J&F, dona da JBS), mediante a cobrança da Nota Promissória Rural (NPR), no valor de 3,1% ao mês.

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Embora as pastagens ainda permitam a manutenção do gado na fazenda com custo menor, muitos produtores já operavam no vermelho desde a operação Carne Fraca, em abril. O preço do boi gordo chegou recuar mais de 10%, recuperando parte das perdas de lá para cá, mas ainda abaixo do praticado no início do ano.

O problema é que além dos preços defasados do boi gordo, a recente volta da cobrança do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), e o desconto do NPR [caso queiram evitar o risco de receber no prazo], o setor se depara com a falta de opção de venda. No Mato Grosso, estado com maior rebanho, ao menos quatro regiões são dependentes das operações da JBS.

"Temos duas realidades hoje: uma dos produtores com propriedades localizadas em região de atuação exclusiva da JBS", portanto, sem alternativa de abate além de receber a prazo, ou ter o desconto de 3,1%. E a outra, daqueles que "tem mais abatedouros nas mediações, porém que também não conseguem vender por falta de demanda", explica Rosa.

Os meses de maio e junho são tipicamente conhecidos como 'fundo de safra', onde a aproximação com o inverno danifica as pastagens e ocorre a desova de animais. Por esse fator de maior oferta, e também porque a demanda caminha a passos lentos, as indústrias frigoríficas não tem interesse de absorver a demanda excedente dos que não querem vender para a JBS. A ordem nesse momento é evitar a formação de estoques e o derretimento nos preços da carne.

O pecuarista, portanto, se vê no olho do furacão. Temendo que a detentora de 1/4 da demanda nacional de abates tenha sua funcionalidade afetada pelas investigações, ao passo que também precisam entregar seus animais em valores pouco remuneradores, pela necessidade de liquidar os custos fixos.

A empresa

Apesar de toda preocupação em torno da JBS e seus riscos para economia brasileira, sobretudo a pecuária, muitos analistas tem se mostrado otimista frente à sobrevivência da empresa. Na visão do pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), Sérgio De Zen, embora as essas notícias depreciem o valor da Companhia, é possível separar neste momento as ações enquanto empresa, das atitudes isoladas dos irmãos Batista.

Nesta sexta (19) um conteúdo divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, informou que analistas e executivos de bancos com conhecimento dos números da JBS vêem como baixo o risco de a companhia deixar de honrar pagamentos a seus credores no curto prazo. 

A JBS contaria com descolamento entre a imagem do conglomerado e de suas marcas no exterior, de onde vem sua maior fonte de renda, para blindar a operação e evitar queda nas receitas. Nos EUA é dona, por exemplo, da Pilgrim's Pride, da Swift e agora da Plumrose.

No Brasil, o analista da MBAgro, César de Castro Alves, diz acreditar ser improvável que o setor de proteína animal passe a operar sem a JBS.

Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • carlos alberto mastrascoso sertanopolis - PR

    Quem nao sabia que ia dar nisso esse monoplio, nao sou do ramo e enxergava isso tudo bem la tras, agora os pecuaristas que vivem disso vagloriavam dessa empresa jbs,( joga bosta suja),alguem tera de pagar a conta e serao os pecuaristas na cadeia da carne sao o primeiro elo da corrente, e nao tem nada que esteja ruim que nao possa piorar bastante.

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