Mesmo perdendo força, mercado não acredita que boi rompa abaixo dos R$ 150 em SP

Publicado em 29/05/2019 17:09
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Demanda externa estaria a manter a queda da @ em patamares mais moderados

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Os consultores financeiros do mercado pecuário Caio Junqueira e Flávio Abdo veem chance zero do boi em São Paulo descer abaixo dos R$ 150 na atual safra. Gustavo Figueiredo (AgroAgility) é menos enfático e fala de baixa probabilidade, apesar de não enxergar refresco daqui até meio de julho, e Douglas Coelho (Radar) também não crava, embora já note negócios na casa dos R$ 151/152 e com a desova ganhando força só agora.

A verdade é que para um ou dois dias de relativa estabilidade, voltam os recuos, mesmos moderados, e assim vai se desidratando as cotações. Firmeza zero.

Do pico do início de abril a @ recuou de R$ 6 a R$ 8, tem frigoríficos montados até perto do pagamento de junho (não esquecendo que todos inícios de meses têm sido um fiasco), as vacas estão entrando em maior número e, de acordo com o sócio da Radar, o spread das indústrias caiu de mais de R$ 0,60, para em torno de R$ 9,55.

Mesmo com boi perdendo força, as vendas no atacado seguem mais travadas ainda. E dificilmente se espera que os frigoríficos deixem de defender essas margens.

Referências

Com a perda de até R$ 2 nos bois China e Europa, embora a demanda externa segure tombos maiores dos preços em geral - o que, na opinião dos consultores, sustentarão a @ acima dos R$ 150 -, as referências foram caindo para o boi comum com o clima de ameno para mais frio originando as vendas. Na terça, o Notícias Agrícolas registrou negócios a R$ 153 em Araçatuba e Bauru.

Negócios acima disso, em torno dos R$ 155/156, mas não na classificação ideal para a Europa e China, somente para animais com melhor acabamento como observou a Agrifatto em Adamantina e Jales nesta quarta (29). A média balcão de 1ª oferta, também segundo a consultoria, passa dos R$ 154.

A Scot viu sustentação entre R$ 153,50 e R$ 155,50, respectivamente à vista e para 30 dias.

Estados

Depois de semanas em estabilidade, andando de lado enquanto São Paulo ia perdendo ritmo, os estados mais importantes desse negócio saíram para a zona de baixa.

Goiânia havia perdido 1,40% na terça, pelos dados da Scot, e hoje recuou mais um pouco, ficando em R$ 136, se constituindo na maior esfriada regional. O Sul do estado, em R$ 137/vista, baixou também.

No Mato Grosso do Sul Dourados e Três Lagoas seguram os R$ 142, mas em Campo Grande a originação mais cheia deixou a @ próxima de chegar aos R$ 140.

No Mato Grosso, a pressão é maior na região de Colider e Alta Floresta, onde a falta de concorrência dos frigoríficos é maior. Carlos Eduardo Dias, da Marca 40, conseguiu R$ 132 na vaca "por uma questão de relacionamento", mas no balcão é R$ 128 (cash) e R$ 130 (30 dias).

Mercado futuro

A novidade foi o recuo perto de R$ 4, de sexta para hoje, da tela de outubro na B3. Fechou em R$ 159,20, menos 1,36% sobre a véspera.

Douglas Coelho, sócio da Radar Investimentos, apesar de achar que a volatilidade está dentro do normal, vê sinais de alerta dos investidores a respeito se a China vai liberar mesmo as 20 plantas prometidas.

Sem essa liberação, muito difícil o Brasil aumentar as exportações em número mais elevado, mesmo porque as indústrias habilitadas estão chegando perto do topo da produção.

No entanto, o mercado futuro conta com 14,3 mil contratos em aberto entre o maio e dezembro, sendo que só o outubro tem mais de 9 mil do total.

Há espaço para aumento no mercado de opção, com a compra de uma put, tentando travar um preço lá na frente.

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Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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