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Café: Mercado apresenta recuperação após mínimas de quase três anos

Publicado em 19/04/2013 14:00 735 exibições
Pessimistas ainda especulam que safra mundial maior que o previsto poderá pressionar.
As cotações do café arábica tiveram um movimento de recuperação no acumulado desta semana até o fechamento de quinta-feira, na bolsa de Nova York, com o contrato julho/2013 voltando a romper a barreira de US$ 1,40 por libra-peso. Na segunda-feira, os futuros testaram a mínima em quase três anos, mas resistiram e fecharam acima desse patamar, o que fez com que os investidores reduzissem suas apostas na queda das cotações. Por outro lado, alguns traders mais baixistas creem que o movimento de ontem não implica mudança de tendência, mas sim uma recuperação momentânea. O embasamento dos pessimistas se mantém na especulação sobre uma safra mundial maior que o previsto, a qual supriria as perdas que ocorrerão em função do surto de ferrugem na América Central.
 
ROYA NA AMÉRICA CENTRAL — Em relação à quantificação da oferta na safra 2013/14, os agentes de mercado ainda contrabalanceiam as significativas colheitas do Brasil e Colômbia com as perdas resultantes da disseminação do roya – causador da ferrugem – na América Central. Os países afetados por esse problema fitossanitário poderão enfrentar dificuldades nas medidas de controle devido à previsão de incidência de fortes chuvas no segundo semestre deste ano. Segundo a Universidade Estadual do Colorado, a próxima temporada de furacões no Atlântico (junho a novembro) será 75% mais ativa do que o normal, com mais de três meses de tempestades tropicais.
 
Preocupadas com a questão do fungo roya, as maiores empresas de café estão reunidas desde ontem (18), na América Central, para debater medidas de combate ao surto de ferrugem que afetará a produção de café no continente este ano. “Nós obviamente temos interesse comercial significativo para garantir a cadeia de fornecimento do café”, disse, a agências internacionais, Lindsey Bolger, chefe de compras de café da Green Mountain Coffe Roasters, que participa da reunião. Starbucks e J.M. Smucker também participam do encontro, que se estende até amanhã (20) na cidade da Guatemala.
 
ROBUSTA — Já o mercado do robusta permanece firme em Londres, com preços variando ao redor do mesmo patamar dos últimos doze meses. No tocante à situação climática no Vietnã, o Departamento de Meteorologia e Hidrologia da província de Dak Lak (principal região cafeeira da nação) anunciou que a temporada de chuvas será iniciada com duas semanas de antecedência, no final de abril, trazendo alívio à condição de severa estiagem que ameaça a cafeicultura do principal produtor mundial de conilon.
 
A amenização dos problemas decorrentes da seca no país asiático deve pressionar o mercado futuro londrino, mas o crescimento do consumo em países em desenvolvimento, em especial Rússia e China, que demandam principalmente café instantâneo, tende a impedir quedas significativas dos preços do robusta. Mesmo com o maior volume exportado pelos países produtores nos últimos meses, os estoques certificados da Liffe seguem estabilizados em cerca de 2 milhões de sacas. A tendência é de continuidade da demanda aquecida pelo robusta e de menores volumes a serem exportados pelo Vietnã nos próximos meses, gerando expectativas de preços firmes no médio prazo.
 
MERCADO INTERNO — No Brasil, os baixos preços do arábica no ciclo de baixa da bienalidade levarão a uma perda de R$ 8,13 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP) da cafeicultura, de acordo com números apresentados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O VBP do café deverá atingir R$ 17,1 bilhões em 2013, contra R$ 25,2 bilhões no ano anterior. Esse índice reflete a renda da propriedade rural, pois considera os preços recebidos pelos produtores.
 
As estatísticas divulgadas pelo Mapa evidenciam a crise enfrentada pelo setor café, pois sua estimativa de VBP para 2013 é a que sofreu maior redução em relação ao ano passado (32%), considerando todos os produtos vegetais e pecuários analisados.  Caso a estimativa se concretize, o café será rebaixado da quarta para a quinta posição no ranking das culturas que geram mais renda no Brasil, sendo ultrapassado pela citricultura.
 
É válido salientar que o setor citrícola, recentemente, enfrentou severa crise de preços e ainda está em recuperação, após receber medidas de apoio do governo federal. É premente, portanto, que o mesmo governo estenda as medidas de socorro à cafeicultura, para que este importante setor empregador — o maior criador de postos de trabalho na zona rural brasileira — e gerador de divisas não perca ainda mais espaço na economia do País e, subsequentemente, suprima a competitividade do cafeicultor nacional.

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Fonte:
Conselho Nacional do Café

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