Café: Abril termina com tendência de baixa em NY e sem novo preço mínimo no Brasil

Publicado em 02/05/2013 12:14 636 exibições
Boletim Conjuntural do Mercado de Café — Abril de 2013
Os preços internacionais do café arábica (Contrato C da ICE Futures US) encerraram abril com tendência de queda, após atingirem máximas de US$ 1,42 por libra-peso na primeira e na terceira semanas do mês. Os estoques certificados na bolsa de Nova York não apresentaram alteração significativa em relação ao mês anterior, oscilando em torno de 2,7 milhões de sacas durante abril. A volatilidade do mercado refletiu a alternância das especulações sobre os volumes de café disponíveis no Brasil e dos impactos das perdas causadas pelo fungo roya na América Central na safra 2013/14.
 
Frente à situação de emergência fitossanitária enfrentada pelos cafezais centro-americanos, o diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Robério Silva, iniciou, em abril, um ciclo de visitas oficiais aos países cuja produção está comprometida pela ferrugem. O Programa Cooperativo Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Modernização da Cafeicultura (Promecafé) estima que a doença já afeta 53% da área cafeeira do continente, resultando em perdas superiores a US$ 548 milhões e de mais de 441 mil postos de trabalho. Os países em que o fungo mais se alastrou são El Salvador, Guatemala, República Dominicana e Costa Rica.
 
Na tentativa de amenizar as consequências socioeconômicas, o governo da Guatemala, por exemplo, promove a ocupação da mão de obra em outras atividades, como manutenção de estradas e reflorestamento, porém a remuneração é inferior à propiciada pela cafeicultura. Há grande preocupação com o aumento do desemprego e da emigração de trabalhadores rurais para centros urbanos e em direção aos Estados Unidos, o que futuramente pode comprometer a recuperação da produção de café, por escassez de trabalhadores. Os baixos preços do arábica na bolsa de Nova York somente têm agravado a crise desses países, pois os produtores não conseguem remuneração adequada pelo produto anteriormente colhido.
 
Além das constantes especulações sobre o café estocado no Brasil e de uma safra considerável em um ano de bienalidade negativa, os dados divulgados sobre a economia mundial não ajudaram o desempenho da maioria das commodities. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu em 0,2 ponto percentual a previsão de crescimento mundial em 2013, para 3,3%. Os dados de crescimento das economias chinesa e norte-americana no primeiro trimestre também ficaram abaixo das previsões dos economistas, com impactos negativos no mercado financeiro.
 
Por fim, a indefinição sobre o preço mínimo do café no Brasil, que imperou durante o mês de abril, e as especulações de que não seria atingido o patamar de R$340/sc, a vigorar na safra 2013/14, também ajudaram a estimular as apostas na queda das cotações do Contrato C da ICE US, que se aproximaram das mínimas de mais de 30 meses nos últimos dias de abril. 

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As cotações do robusta também sofreram forte queda no terminal londrino, na última semana de abril, quando foi atingida a mínima de US$ 1.984/t para o contrato com vencimento em julho. O início antecipado da estação chuvosa no Vietnã e a realização de lucros podem ser apontados como fatores de pressão, que se sobrepuseram à redução dos volumes exportados pela Indonésia.
 
O Escritório Geral de Estatísticas do Vietnã divulgou sua previsão para as exportações de café em abril, que devem atingir 1,83 milhão de sacas, apresentando decréscimo de 30% em relação ao mês anterior, quando foram exportadas 2,63 milhões de sacas. Mesmo com a revisão para baixo do número de março e a queda de abril, a exportação acumulada na safra 2012/13 (outubro a abril) é 6% superior ao mesmo período da temporada 2011/12. Os preços remuneradores explicam o crescimento do volume exportado e têm estimulado a expansão da oferta de robusta em outros países.
 
Uganda, o maior produtor de conilon do continente africano, anunciou o plantio de 20 milhões de pés de café até o final de maio. O país está desenvolvendo um programa de renovação de seu parque cafeeiro, tendo como meta a substituição de 150 milhões de pés de café por variedades mais produtivas e resistentes a problemas fitossanitários. O objetivo é ampliar a produção das atuais 3 milhões para 4,5 milhões de sacas, em cinco anos.

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No mercado doméstico brasileiro, os preços do café arábica encerraram o mês com tendência de queda, ao redor de R$ 300 por saca. A colheita da variedade robusta está se intensificando e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) avalia que os preços dos grãos novos estão depreciados em até R$ 10 por saca frente ao produto da safra antecedente (2012/13). O diferencial de preços entre as variedades está em níveis próximos do mês anterior, aproximadamente R$ 50 por saca, equivalente a 38% do valor praticado no início da temporada 2012/13.
 
Em relação ao comércio exterior, estatísticas do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que o País deverá exportar, em abril, um volume de café superior ao de março. Até o dia 29, os pedidos de emissão de certificados de origem totalizavam 2,6 milhões de sacas, contra 2,2 milhões sacas no mesmo período do mês anterior. Os embarques até esta data somavam cerca de 2 milhões de sacas, quantidade 16% superior à de março.

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Fonte:
Conselho Nacional do Café

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