Café: Preço real do arábica registra menor patamar em 11 anos

Publicado em 06/11/2013 10:41 889 exibições

Os preços internos do café, sobretudo os do arábica, atravessaram mais um mês em quedas sucessivas e o mercado, em baixa liquidez, segundo informações do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Em outubro, a média do Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto em São Paulo, foi de R$ 253,94/saca de 60 kg, 7,3% inferior à de setembro/13 e a menor desde julho/09, quando a média nominal foi de R$ 247,50/sc. Já em termos reais, ou seja, considerando-se a inflação do período (valores corrigidos pelo IPCA de setembro/13), a média de outubro é a menor desde agosto/02, quando foi de R$ 215,06/sc. 

Segundo pesquisadores do Cepea, a desvalorização no Brasil tem sido resultado dos consecutivos recuos nos valores do arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures). Ao longo de outubro, as cotações chegaram a acumular 13 pregões de seguidas baixas. No dia 31 de outubro, o contrato com vencimento em dezembro fechou a 105,40 centavos de dólar por libra-peso, o menor patamar desde dezembro de 2008. Alguns agentes chegam a comentar que, no curto prazo, o contrato pode ser negociado abaixo dos 100 centavos de dólar por libra-peso. 

A produção volumosa no Brasil, apesar da bienalidade negativa, e o avanço na colheita em importantes produtores, como a Colômbia e alguns países da América Central, têm sido os principais fatores baixistas na Bolsa, visto que elevam a oferta no cenário mundial. De acordo com dados da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (Fedecafe), em menos de 10 meses, aquele país conseguiu alcançar o recorde de exportação de um milhão de sacas de cafés especiais.

Neste cenário de baixos preços, a maior parte dos vendedores no Brasil ainda está retraída. Colaboradores do Cepea relatam também que não está havendo uma grande pressão por parte dos compradores, já que estes têm consumido seus estoques, apostando em novas quedas. Assim, os poucos negócios ocorrem apenas quando há necessidade de venda ou de compra por parte de agentes, o que dificulta uma reação no curto prazo. 

A queda nos preços do arábica, por sua vez, tem sido um dos principais fatores que pressionam os valores do robusta. Em outubro, a média do Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima – a retirar no Espírito Santo – foi de R$ 205,23/sc de 60 kg, 13,1% inferior à de setembro e o menor patamar desde dezembro/10 (R$ 192,83/saca), em termos nominais. Em termos reais, a média de outubro é a menor desde setembro/10, quando foi de R$ 204,44/sc.

As cotações externas do robusta também têm recuado, influenciadas principalmente pela colheita volumosa no Vietnã. No dia 31 de outubro, o contrato da variedade com vencimento em dezembro fechou a US$ 1.482,00/tonelada, 10,2% inferior ao fechamento do dia 30 de setembro.

Segundo pesquisadores do Cepea, as sucessivas quedas nos preços dos cafés arábica e robusta no físico brasileiro ao longo deste ano, inclusive, podem já estar limitando investimentos de produtores em tratos culturais, especialmente em lavouras de arábica. Em outubro, a abertura de floradas já foi observada em praticamente todos os cafezais da variedade nas principais regiões do País e, neste momento, seria necessária a intensificação dos cuidados no campo para um bom desenvolvimento das flores e do “pegamento”.

Gráfico 1. Evolução do Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto em São Paulo, R$/saca de 60 kg, de janeiro/02 a outubro/13, em termos reais

Tags:
Fonte:
Cepea

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário