CNC: Falta de chuvas deve trazer mais perdas no café para a safra 2015/2016

Publicado em 12/09/2014 13:33 e atualizado em 12/09/2014 15:03 1397 exibições
Relatório do Conselho Nacional do Café divulgado nesta manhã alerta para perdas de produtividade nos cafezais principalmente do Sul de Minas para a safra 15/16.

BALANÇO SEMANAL — de 08 a 12/09/2014

 

DÉFICIT HÍDRICO ELEVADO Na quarta-feira, 10 de agosto, a Fundação Procafé emitiu seus boletins mensais de avisos fitossanitários, nos quais apontou que as chuvas de agosto ficaram abaixo da média histórica no Sul de Minas Gerais, o que, aliado a temperaturas acima das médias, fez com que as regiões de Varginha, Carmo de Minas e Boa Esperança aumentassem o déficit hídrico em seus solos. A instituição de pesquisa alerta, para os produtores que possuem irrigação em suas lavouras de café, que, a partir de meados de setembro, se as chuvas não se regularizarem, eles devem retomar a irrigação.

No que tange a pragas e doenças, a Procafé comunica que os índices médios de infecção de ferrugem no Sul de Minas aumentaram, mas recorda que as variações de incidência neste final de ciclo são influenciadas pela desfolha das folhas infectadas. Além disso, a Fundação alerta que, durante setembro, deve-se estar atento à ocorrência de temperaturas baixas e umidade elevada nas áreas com histórico de phoma para a proteção da florada.

DANOS NA SAFRA 2015 Nesse contexto supracitado, a Procafé menciona que há possibilidade de, neste ano, ser registrado o maior déficit hídrico dos últimos anos, conforme gráfico abaixo. A linha verde mostra o balanço hídrico de 2007, o mais baixo até então. Analisando a situação de 2014 (linha azul), pode-se observar que o déficit atual é ainda mais acentuado. A simulação traçada (linha pontilhada roxa) alerta sobre os impactos na safra de 2015, pois apresenta um déficit hídrico maior em Varginha e no mesmo nível em Boa Esperança. Vale lembrar que, em 2007, foram observadas ocorrências de floradas anormais e abortamento superior a 80% do total de flores.

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Em condições gerais, as lavouras do Sul de Minas se encontram severamente estressadas, com ocorrência de desfolha acentuada e depauperamento de plantas. A ausência de precipitações significativas para o curto prazo projeta uma situação alarmante com perdas substanciais para a safra de 2015.

ALTO PARANÍBA E TRIÃNGULO MINEIRO A Fundação Procafé também comunica que não houve chuva nas regiões de Araxá, Patrocínio e Araguari em agosto, o que intensificou os déficits hídricos, que já atingem 60, 72 e 120 mm, respectivamente. Nesse cenário, a instituição recomenda, para os produtores que não adotam o déficit hídrico, mesmo no período de temperaturas mais baixas, que podem proceder à irrigação para supri-lo. Para os que utilizam, devem verificar o estado médio das gemas nos ramos produtivos e, se grande parte já estiver no estádio E4 (Figura), deve-se iniciar a irrigação. É importante salientar que o déficit já se encontra elevado, principalmente em Araguari, e um erro no retorno das irrigações pode comprometer muito a próxima safra.

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Sobre pragas e doenças na região, a Procafé informa que os índices médios de infecção de ferrugem estão em 53,9%. Em alguns talhões colhidos, a incidência aumentou muito devido a poucas folhas (infectadas) que restaram após intensa desfolha. A incidência de phoma se manteve neste mês nas regiões de Patrocínio e Araguari, o que recomenda que os produtores fiquem atentos e realizem o monitoramento, principalmente nas áreas com histórico de ocorrência. Por fim, o ataque de bicho mineiro continua alto em Patrocínio e Araguari e do ácaro vermelho apenas em Araguari, sendo recomendado o acompanhamento para essas pragas.

FLORADAS O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) foi outra instituição a informar que a escassez de chuvas no Brasil é preocupante e tem limitado as floradas do café arábica em algumas praças. O quadro abaixo resume as informações da entidade sobre o comportamento das floradas em cada origem brasileira.

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Embora haja previsão de chuvas sobre algumas origens brasileiras de café na segunda quinzena do mês, as informações meteorológicas indicam que setembro deverá registrar precipitações abaixo da média e elevadas temperaturas. Ou seja, o cenário no curto prazo não é promissor para os cafezais já castigados pelo veranico do início do ano.

FUNCAFÉ — Na quinta-feira, 11 de setembro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) assinou contrato com o Banco do Brasil para repasses de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) no valor de R$ 740 milhões, elevando o montante total contratado para R$ 3,776 bilhões.

Do volume integral autorizado, R$ 1,300 bilhão foram para a linha de Estocagem, R$ 844 milhões para Custeio, R$ 750 milhões para Aquisição de Café (FAC), R$ 400 milhões à linha de Capital de Giro para Cooperativas de Produção, R$ 292 milhões para Indústrias de Torrefação e R$ 190 milhões para as de Solúvel.

Desse total contratado, o Ministério da Agricultura informou que, até o momento, foi liberado aos agentes financeiros o valor de R$ 1,257 bilhão. Para a safra 2014, o Funcafé conta com um orçamento total de R$ 3,825 bilhões. Veja tabela detalhada abaixo.

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MERCADO — Acompanhando a tendência predominante no mercado das commodities, os preços futuros do café apresentaram forte declínio nesta semana. O dólar fortalecido, especulações sobre oferta mundial suficiente para diversas matérias-primas e o fraco desempenho econômico da Zona do Euro e do Japão são os principais fatores que motivaram a queda dos preços internacionais de grande parte dos produtos agrícolas, minérios e energia.  A Agência Bloomberg informou que a desvalorização levou o seu índice de commoditiesao menor valor dos últimos quatro anos.

O gráfico abaixo mostra que, no mercado de café, as perdas foram mais significativas, situação explicada pelo elevado saldo comprado carregado pelos fundos de investimentos. Os movimentos de realização de lucros levaram a uma queda superior a 1.000 pontos nos contratos futuros do arábica negociados na Bolsa de Nova York, apenas na quarta-feira. Além do enfraquecimento do real e do peso colombiano ante o dólar, a previsão de chuvas para a próxima semana nas regiões brasileiras produtoras de café estimularam essa tendência.

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As informações divulgadas pela Organização Internacional do Café (OIC) de que os estoques nos países consumidores são crescentes contribuíram para o cenário baixista. Segundo o informativo de mercado do mês de agosto da OIC, esses estoques aumentaram 18% entre março e o final de junho de 2014, passando de 18,5 milhões a 21,8 milhões de sacas. Os intensos fluxos de exportação têm sido responsáveis pela transferência de café dos países exportadores para os importadores, principalmente União Europeia e Estados Unidos.

Além do crescimento observado nas exportações do Brasil, as vendas externas vietnamitas também apresentaram elevação, com os produtores aproveitando a alta dos preços internacionais. Pesquisa realizada pela Agência Bloomberg corrobora essa informação, pois indica que o nível dos estoques mantidos pelos cafeicultores vietnamitas é o menor dos últimos três anos e equivale a apenas 5% do volume colhido na última temporada. No mesmo período do ano anterior, o percentual da safra mantido pelos produtores era de 10%.

Em função dessa conjuntura, o vencimento dezembro do contrato C, negociado na ICE Futures US, acumulou queda de 1.260 pontos até o fechamento da quinta-feira, que se deu a US$ 1,8545 por libra-peso.

Os futuros do café robusta seguiram o desempenho do mercado internacional do arábica. Na Bolsa de Londres, o vencimento novembro do Contrato 409 encerrou o pregão de ontem a US$ 1.988 por tonelada, com perdas acumuladas de US$ 91.

A tendência baixista também foi verificada no Brasil, onde os preços domésticos do café caíram bastante. Os indicadores do Cepea para as variedades arábica e conilon foram cotados, ontem, a R$ 421,98/saca e a R$ 244,80/saca, respectivamente, com perdas de 5,5% e 2,5% no acumulado da semana.

No mercado cambial, o dólar encerrou a quinta-feira a R$ 2,2972, com valorização de 2,6% em relação ao fechamento da semana anterior. O fortalecimento da moeda norte-americana foi influenciado internamente pelas especulações quanto ao cenário eleitoral brasileiro e, no âmbito externo, pelas expectativas em relação a uma possível elevação das taxas de juros dos Estados Unidos.

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CNC

1 comentário

  • Paulo São Sebastião do Paraíso - MG

    Interessante é que a CONAB não leva em consideração todos esses fatores na hora de divulgar seus relatórios mirabolantes. De certo eles cultivam pés de cafés dentro dos escritórios deles e tiram seus dados dali, sem precisar sair de baixo do ar condicionado!

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