CNC: Tamanho da safra de café em 2015 dependerá do retorno das chuvas

Publicado em 10/10/2014 11:47 e atualizado em 10/10/2014 12:46 558 exibições

SAFRA 2015 — Nesta semana, a Fundação Procafé divulgou nota técnica a respeito dos efeitos da estiagem sobre o florescimento dos cafeeiros para a próxima safra. A entidade pontuou que, entre setembro e outubro, foram registradas algumas floradas nos cafezais brasileiros onde ocorreu chuva, mas ainda existem dúvidas sobre o volume, a abertura e o pegamento. Em relação a esse ponto, o CNC expõe o posicionamento do pesquisador da Procafé, José Braz Matiello, para os possíveis cenários futuros nas lavouras do Brasil.

Como as precipitações ainda foram em pequeno volume e mal distribuídas na maioria das regiões, há variações no comportamento da florada. Em muitas áreas houve um pequeno florescimento, de ponteiro e nas lavouras mais novas. Em outras, com um pouco mais de chuvas, a florada foi maior, com cerca da metade dos botões abrindo, mas necessitando de mais água para a abertura total. Esse é exatamente o ponto que, segundo o pesquisador, gera dúvidas para saber se essas flores, por terem ocorrido em período de pouca chuva e pela persistência da seca, vão vingar frutos.

Um dos cenários apontados por ele diz respeito às lavouras situadas em áreas mais quentes e secas, nas quais ramos chegaram a secar e foi observada muita desfolha. Nesses cafezais, a floração será prejudicada pela morte das gemas e pelo menor pegamento da florada, haja vista que as reservas que se acumulam nas folhas ficaram prejudicadas.

Matiello também menciona uma situação na qual a florada ocorreu com pouca chuva, entre 5 e 20 milímetros apenas. Nesse cenário, já são observados alguns problemas com a floração. Onde houve pouca água, surgiram os botões chamados de “grãos de arroz”, que foram estimulados a crescer pelo diferencial hídrico ocorrido, mas, com a falta de água, não tiveram condições para o desenvolvimento completo, ficaram amarelecidos e caíram, sem que se abrissem em flores.

Por fim, o pesquisador cita as condições com um pouco mais de água, na qual as pétalas ficaram menores e abriram parcialmente, algumas normalmente, mas com flores de pequeno tamanho. Nesta última condição, não se espera perdas caso as chuvas retornem normalmente.

Com base na análise supracitada, o CNC concorda com a conclusão de Matiello que aponta — apesar de não conhecermos perfeitamente o processo de florescimento e o que está acontecendo na fisiologia interna dos cafeeiros — que, se as precipitações ocorrerem dentro da normalidade nos próximos dias, as lavouras que produziram pouco em 2014 poderão ter uma safra normal em 2015. Por outro lado, as que produziram bem neste ano se encontram desfolhadas e têm poucas condições de florescimento e, consequentemente, do virtual pegamento. Dessa maneira, entendemos que a estiagem deve prejudicar a próxima colheita de café, mas ainda é cedo para se definir o tamanho da quebra, porque isso dependerá da retomada das chuvas.

CENÁRIO CLIMÁTICO — A Somar Meteorologia informou que deve predominar tempo aberto nas áreas produtoras de café, já que uma massa de ar seco e um padrão de bloqueio reduzem a probabilidade de chuvas significativas. O quadro abaixo resume a previsão de precipitações da empresa para os próximos 30 dias, por região produtora de Minas Gerais e São Paulo. Nota-se que o cenário ainda não é favorável à recuperação dos cafezais, debilitados pelo prolongado déficit hídrico.

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MERCADO — Sem previsão de chuvas significativas sobre as regiões produtoras brasileiras no curto prazo, os preços futuros do café arábica voltaram a disparar nesta semana. Na quinta-feira, o vencimento dezembro do Contrato C, negociado na Bolsa de Nova York, valorizou-se em 3,36%, encerrando a sessão a US$ 2,2165 por libra-peso, o maior valor de fechamento observado desde 20 de janeiro de 2012. Assim, a posição acumulou ganhos de 1.515 pontos na semana.

O contrato futuro do café robusta negociado na ICE Futures Europe também registrou valorização semanal. O vencimento novembro foi cotado, na quinta-feira, a US$ 2.181 por tonelada, apresentando ganhos de US$ 101 em relação ao fechamento da última sexta.

Previsões divergentes quanto ao volume a ser produzido pelo Vietnã na temporada 2014/15 marcam o início da colheita daquele país. A Associação de Café e Cacau Vietnamita (Vicofa) prevê que a produção cairá 10% em relação à última safra, de 25 milhões de sacas de 60 kg, devido ao excesso de chuvas na província de Lam Dong, ao envelhecimento dos cafezais e à substituição do café por culturas mais rentáveis pelos produtores. Por outro lado, pesquisa realizada pela Agência Bloomberg junto a dez traders indica que a colheita desta safra tende a equiparar-se ao volume recorde produzido no ciclo 2013/14.

No Brasil, o dólar desvalorizou-se nesta semana, voltando a operar abaixo do patamar de R$ 2,40. O câmbio foi influenciado pelas especulações típicas do período eleitoral e pelo cenário macroeconômico internacional, que indica baixa probabilidade da taxa de juros norte-americana subir no curto prazo. Ontem, o dólar comercial foi cotado a R$ 2,3979, acumulando queda de 2,6% frente à sexta-feira passada.

Os preços do café no mercado físico brasileiro seguiram valorizados, acompanhando a tendência internacional. Na quinta-feira, o indicador do Cepea para a variedade arábica atingiu o maior patamar desde setembro de 2011 e foi cotado a R$ 511,05/saca. A alta acumulada na semana foi de 2%. Já o indicador para o café conilon encerrou a quinta-feira a R$ 263,82/saca, com variação de 1,3 % em relação à última sexta-feira.

Com a alta dos preços internacionais, os embarques brasileiros seguem apresentando expressivo crescimento. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as remessas nacionais de café verde e industrializado totalizaram 2.940.465 sacas em setembro, gerando receita de US$ 582.288. Na comparação com o mesmo período do ano passado, foram registrados aumentos de 42,9% em valor e de 7,8% em volume. De janeiro a setembro deste ano, houve aumento de quase quatro milhões de sacas no volume exportado, ante o mesmo período de 2013.

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CNC

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