CNC: Efeitos do clima adverso fizeram com que os pés de café tivessem menos frutos, má formação das rosetas e desuniformidade

Publicado em 06/02/2015 14:10

BALANÇO SEMANAL — 02 a 06/02/2015

 

REFLEXO DO CLIMA — Nas últimas semanas, mantivemos contatos com nossas cooperativas, visitamos lavouras e notamos problemas que as adversidades climáticas de 2014, acrescidas do veranico de janeiro deste ano, ocasionaram nos cafezais brasileiros. É nítida, até o momento, a menor quantidade de frutos nos pés, com a má formação das rosetas, bem como a desuniformidade dos grãos, o que, inegavelmente, já impactará de forma negativa no volume a ser colhido em 2015. Teremos uma ideia real do tamanho que essa quebra poderá ter somente no final deste mês, quando a Fundação Procafé finalizará as pesquisas de campo que está realizando a pedido do CNC.

Observou-se, neste começo de fevereiro, o retorno das precipitações em algumas regiões do cinturão produtor, mas as chuvas vieram em volumes aquém da média para o período e de forma intercalada, não sendo suficientes para a recuperação do armazenamento de água no solo. Por outro lado, devemos monitorar a questão climática e aguardar que as precipitações voltem em sua escala normal, de maneira que os frutos do café possam completar seu ciclo de granação e não registrarmos uma quebra ainda maior na colheita deste ano.

DESENVOLVIMENTO DE INTERNÓDIOS — Outro reflexo que observamos nas lavouras devido ao clima irregular é o menor desenvolvimento dos internódios do cafeeiro, que, em média, encontram-se com um atraso de dois a quatro nós em seu crescimento, totalizando cerca de seis nós, quando, para esta época do ano, normalmente deveriam somar de oito a 10. Esse cenário se justifica pelo estresse hídrico de 2014 e pelo atraso das chuvas neste ano, os quais não permitirão que seja observado o crescimento padrão de aproximadamente 15 nós ao ano e, consequentemente, comprometerá a produção 2016, haja vista que são nesses nós que nascem os frutos das safras futuras.

MERCADO – As cotações futuras do café apresentaram discreta recuperação nesta semana, com os investidores voltando a se preocupar com os impactos das perdas da safra 2015 do Brasil no equilíbrio entre oferta e demanda mundial e, também, com a perspectiva de uma baixa produção em 2016. Embora tenha chovido em parte das regiões produtoras nacionais, especialistas consideram que os danos derivados do clima quente e seco dos últimos meses já são irreversíveis.

Segundo a Climatempo, a intensificação de um sistema de baixa pressão atmosférica no litoral paulista traz perspectivas de chuvas, até 9 de fevereiro, para o leste de São Paulo, Zona da Mata, Leste e Oeste de Minas Gerais, Rio de Janeiro e também para o Espírito Santo. No entanto, a empresa alerta que os volumes previstos não são suficientes para cobrir o grave déficit de precipitações, especialmente sobre o estado capixaba.

Já a Somar Meteorologia prevê, para a próxima semana, redução das chuvas nas áreas produtoras, devendo ocorrer apenas pancadas irregulares, principalmente na parte sul do cinturão produtor de café.

Reforçando o cenário de aperto de oferta, as exportações brasileiras de café continuaram elevadas em janeiro, pressionando ainda mais os estoques. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o País embarcou 2,725 milhões de sacas de 60 kg de café verde no mês passado, volume 7% superior ao de janeiro de 2014. A receita cambial apresentou elevação de 61% no período, para US$ 546 milhões ante os US$ 339 milhões registrados no mesmo mês do ano passado.

Na Bolsa de Nova York, o vencimento março do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 1,6475 por libra-peso, acumulando valorização de 285 pontos em relação ao final da semana passada. Com a proximidade do período de notificação de entrega do vencimento março (a partir de 19 de fevereiro), as atenções estão voltadas para as negociações de spreads das rolagens de posição, principalmente para maio. Na ICE Futures Europe, as cotações do robusta não apresentaram variação significativa, com o vencimento março/2015 encerrando a sessão de ontem a US$ 1.922 por tonelada, com perdas de US$ 3 desde a última sexta-feira.

O mercado físico brasileiro registrou volume um pouco maior de negócios com a relativa melhora dos preços. No entanto, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que os produtores ainda seguem retraídos, aguardando novas valorizações. Na quinta-feira, os indicadores calculados pela instituição para as variedades arábica e conilon foram cotados a R$ 475,12/saca e a R$ 296,68/saca, respectivamente, com variação de 6,7% e 2,7% no acumulado semanal.

Em relação ao câmbio, o dólar comercial acumulou alta de 1,9% nesta semana, encerrando a sessão de ontem a R$ 2,7415. Essa tendência foi estimulada pela crise na Grécia, pela troca de comando da Petrobrás e também pelas especulações quanto ao futuro das intervenções do Banco Central do Brasil no mercado cambial.

Por fim, ressaltamos que 2015 se inicia com maiores custos para a cafeicultura, mesmo sem considerar a redução de produtividade derivada da estiagem prolongada. O Centro de Inteligência e Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), analisou o impacto do reajuste do salário mínimo para R$ 788,00 nas despesas dos cafeicultores. Os resultados indicam aumento de até 5,35% nos gastos operacionais dos sistemas produtivos exclusivamente manuais. Considerando, ainda, o aumento dos custos com insumos, esse fato reforça a importância da revisão do preço mínimo do café, de forma que os instrumentos de política agrícola, quando forem utilizados, reflitam a realidade do produtor.

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CNC

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