Café: Vencimentos próximos do arábica em NY perdem patamar de US$ 1,40/lb nesta 4ª com pressão do câmbio

Publicado em 17/08/2016 17:57 e atualizado em 18/08/2016 09:18
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Os contratos futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) recuaram pouco mais de 250 pontos na sessão desta quarta-feira (17) e fecharam abaixo do patamar de US$ 1,40 por libra-peso nos vencimentos mais próximos. O mercado realiza ajustes técnicos, mas também sentiu forte a pressão do câmbio durante a sessão, que impacta diretamente nas exportações da commodity.

O vencimento setembro/16 encerrou o pregão de hoje cotado a 135,05 cents/lb com queda de 235 pontos, o dezembro/16 anotou 138,10 cents/lb com 265 pontos de recuo. Já o março/17 registrou 141,30 cents/lb com 260 pontos de desvalorização, enquanto o maio/17 teve 143,20 cents/lb com 255 pontos negativos.

O dólar comercial foi o principal fator de pressão para as cotações do arábica na ICE nesta quarta-feira. A moeda estrangeira voltou a beliscar os R$ 3,20 repercutindo as incertezas sobre os juros nos Estados Unidos. Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 3,2355, mas reduziu os ganhos após divulgação do Fed (Federal Reserve), Banco Central dos Estados Unidos, indicar que não há indicadores suficientes para sustentar a alta nos juros do país. Com isso, o dólar encerrou a R$ 3,2115 na venda com alta de 0,54%.

O dólar mais valorizado em relação ao real tende a dar maior competitividade às exportações da commodity, em contrapartida, pressiona os preços externos. Em julho passado, os embarques do Brasil totalizaram 1,91 milhões de sacas. O volume representa uma queda de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 2,55 milhões de sacas. Os dados são do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Segundo analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães, além do câmbio, os operadores no terminal externo também estão atentos ao clima no Brasil, que pode impactar a colheita da safra 2016/17 que está próxima do fim, e o mercado também realiza ajustes técnicos ante a falta de volatilidade nos últimos dias.

"Acredito que os próximos dias deverão ser marcados por essas tendências já que inexistem no radar fatos novos de peso para impor um ritmo mais animado ao mercado", explica Magalhães. Na véspera, o arábica na Bolsa de Nova York fechou com alta próxima de 50 pontos nos principais vencimentos.

Com a melhora climática nos últimos meses, os trabalhos de colheita caminham no Brasil estão próximos do fim. Na Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé), 82,11% da área dos cooperados já havia sido colhida até o dia 12 de agosto. O número representa um avanço de quase 7% de uma semana para a outra. Nesse mesmo período do ano passado, 72,65% da área dos cooperados tinha os trabalhos concluídos.

No entanto, os principais institutos meteorológicos apontam que o cinturão produtivo do Brasil deve ter clima instável nos próximos dias e isso assusta os cafeicultores pois ainda há café para ser colhido ou que está no chão. Linhas de instabilidade provocaram chuvas em áreas produtoras de café na segunda-feira (15) e terça-feira (16) e a condição deve voltar no fim de semana.

Mercado interno

Os negócios com café no Brasil seguem limitados e os preços registraram curtas oscilações nos últimos dias. Com isso, o cafeicultor prefere aguardar melhores patamares para voltar às praças de comercialização com mais força. "Apesar de a liquidez estar fraca, os preços internos estão frágeis e sem grandes perspectivas para o curtíssimo prazo", pondera Marcus Magalhães.

O presidente da Cooxupé, Carlos Paulino, afirmou à Reuters na segunda-feira passada (8), durante evento em São Paulo, que os produtores da Cooperativa têm relutado em vender o produto abaixo do nível de R$ 500,00 a R$ 510,00 a saca, mas o ritmo de comercialização é "normal".

O tipo cereja descascado fechou o dia com maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP) com R$ 550,00 a saca e queda de 5,17%. Foi a maior oscilação no dia dentre as praças.

O tipo 4/5 teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 531,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Varginha (MG) com queda de 1,02% e saca a R$ 485,00.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação em Araguari (MG) com recuo de 0,97% e R$ 510,00 a saca. A maior oscilação no dia ocorreu em Patrocínio (MG) e em Varginha (MG), ambas com baixa de 1,03% e saca a R$ 480,00.

Na terça-feira (16), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 468,44 com queda de 0,15%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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