Café: Bolsa de Nova York fecha semana com alta acumulada de cerca de 2% e testa máximas de 19 meses

Publicado em 23/09/2016 17:41
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Apesar das cotações do café arábica caírem mais de 300 pontos na sessão desta sexta-feira (23). No acumulado da semana, os preços externos do grão registraram valorização de cerca de 2% nos principais vencimentos. O avanço foi motivado pelo câmbio e as incertezas em relação à oferta global do grão diante de preocupações com a safra comercial 2017/18 do Brasil, o maior produtor e exportador da commodity no mundo. Nos últimos dias, inclusive, os futuros testaram o patamar de US$ 1,65 por libra-peso.

Nesta sexta-feira (23), os lotes de arábica na ICE com vencimento para setembro/16 registraram 155,50 cents/lb com 400 pontos de alta, o dezembro/16, referência atual de mercado, anotou 151,75 cents/lb com desvalorização de 350 pontos. Já o contrato março/17 teve 155,05 cents/lb com 345 pontos negativos, enquanto o maio/17 encerrou a sessão cotado a 156,90 cents/lb e 340 pontos de baixa.

O mercado recuou na sessão de hoje em ajustes técnicos ante os recentes avanços, mas também sentiu a pressão do câmbio. Na véspera, a moeda norte-americana teve alta de 0,45%, vendida a R$ 3,2258, mas operou na sessão desta sexta-feira com curtas oscilações ainda reagindo às decisões na política monetária norte-americana. O câmbio impacta diretamente nas exportações da commodity.

"Um sinal de venda técnica nos futuros do café arábica, após a sessão de quinta-feira, fez com que os preços do grão fechassem abaixo da mínima da sessão anterior", reportou o site internacional Agrimoney. A I&M Smith observou que as previsões de chuva para o fim de semana em áreas produtoras do Brasil serviu, de certa forma, como um amortecedor para os especuladores.

Essa reversão de tendência, vista desde ontem (22) no mercado quando os preços atingiram máximas de 19 meses, foi caracterizada pela agência internacional de notícias Reuters como uma perspectiva de baixa no curto prazo. "Essa reviravolta marca um padrão técnico potencialmente de baixa para o mercado após as cotações avançarem acima da alta da sessão anterior e, em seguida, fecharem mais baixas, uma vez que quebrou a sequência de três dias com preços mais elevados", informou a agência.

Apesar da queda nos preços externos do grão, agências internacionais de notícias reportam que os operadores na Bolsa de Nova York seguem atentos a oferta global do grão diante de problemas que já começam a aparecer na safra 2017/18, que deve ser bienalidade baixa para a maioria das regiões produtoras do Brasil. Essas informações deram suporte às cotações do arábica nos últimos dias.

"A falta de chuvas em Minas Gerais está começando a chamar a atenção do mercado", disse o analista de mercado e vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville em entrevista ao Agrimoney durante a semana.

De acordo com mapas climáticos, o clima quente e seco deve predominar nas áreas produtoras de café do Brasil entre hoje e amanhã. No sábado, chuvas isoladas podem ser registradas em áreas da Mogiana, Sul de Minas e Cerrado, além do Paraná. Segundo relatos de produtores, algumas lavouras de café já receberam floradas da próxima safra, mas elas não chegam a 20% de todo o cinturão. A principal florada deve ser registrada nos próximos dias.

A Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé) também demonstra preocupações com a safra 2017/18 do Brasil. "Em visitas pelas principais regiões produtoras já se percebe que a safra do próximo ano será entre 15% e 20% menor no arábica e no robusta por conta do clima. Isso se as condições se normalizarem. Do contrário, as perdas podem ser ainda maiores", o superintendente de comercialização da Cooxupé, Lúcio Dias.

Já a safra 2016/17 segue com colheita próxima do fim na maioria das regiões produtoras do Brasil. Segundo a terceira estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) a produção brasileira neste ano deve ser de 49,64 milhões de sacas de 60 kg. O resultado representa um acréscimo de 14,8%, se comparado à produção de 43,24 milhões de sacas obtidas em 2015. O café arábica representa 83,2% da produção total do país e estima-se que sejam colhidas 41,29 milhões de sacas nesta safra.

Levantamento divulgado pela Reuters na terça-feira com importantes fontes do mercado apontam que a colheita da safra 2016/17 de café do Brasil deve atingir 54,9 milhões de sacas. "Ainda é muito cedo para falar dos números da próxima safra. Se as chuvas favoráveis continuarem, nós podemos ver uma colheita sólida, com potencial de ser tão grande quanto a atual", disse o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach à agência internacional de notícias.

A INTL FCStone divulgou nesta sexta-feira atualização na sua estimativa para a safra 2016/17 de café do Brasil. A consultoria estima que sejam colhidas no país 43,2 milhões de sacas de arábica. Já de robusta serão 9,6 milhões de sacas. A FCStone considera preocupante a situação das lavouras de café robusta no Espírito Santo e também na Bahia devido a forte seca, o que fatalmente implicará em menor produção para o próximo ano.

» Colheita de robusta deve recuar ainda mais em 2017 no ES e na BA, diz FCStone

Mercado interno

Os negócios com café nas praças de comercialização do Brasil não esboçaram muitas mudanças. O produtor ciente da realidade mercadológica espera por melhores patamares para negociar mais ativamente suas produções. "Os operadores aproveitaram a sexta- feira para consolidar o atual intervalo mercadológico e com isso, nenhum grosseiro movimento acabou sendo notado", afirma o analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães.

O tipo cereja descascado fechou o dia com maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP) com R$ 590,00 a saca com queda de 1,67%. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com baixa de 1,67% e saca a R$ 548,00.

Da sexta-feira passada para hoje, a cidade que registrou maior variação para o tipo foi Varginha (MG) com queda de R$ 20,00 (-3,51%), saindo de R$ 570,00 para R$ 550,00 a saca.

O tipo 4/5 teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 585,00 a saca e queda de 1,68%. Foi a maior oscilação no dia dentre as praças.

Para o tipo, conforme o gráfico, a maior oscilação na semana foi registrada em Poços de Caldas (MG), que tinha saca cotada a R$ 504,00, mas subiu R$ 7,00 (1,39%) e agora vale R$ 511,00.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação na cidade de Araguari (MG) com R$ 530,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Patrocínio (MG) e Espírito Santo do Pinhal (SP), ambas com queda de 3,85% e saca a R$ 500,00.

A variação mais expressiva de preço na semana para o tipo 6 duro foi registrada em Vitória (ES). A saca estava cotada a R$ 470,00 na sexta-feira passada, mas teve valorização de R$ 15,00 (3,19%) e agora está em R$ 485,00.

Na quinta-feira (22), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 510,68 com alta de 0,20%.

Bolsa de Londres

A Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), antiga Liffe, para o café robusta fechou o pregão desta sexta-feira com queda expressiva. O contrato setembro/16 anotou US$ 1961,00 por tonelada com baixa de US$ 36, o novembro/16 teve US$ 1966,00 por tonelada com recuo de US$ 36 e o janeiro/17 anotou US$ 1988,00 por tonelada com US$ 35 negativos.

Na quinta-feira (22), o Indicador CEPEA/ESALQ do café conillon tipo 6, peneira 13 acima, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 443,14 com avanço de 0,61%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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