Café: Em ajustes e com operadores atentos ao Brasil, Bolsa de Nova York tem alta de 100 pts nesta 4ª feira

Publicado em 05/10/2016 17:54
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Os futuros do arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam a sessão desta quarta-feira (5) com alta de cerca de 100 pontos após fecharem praticamente estáveis na véspera. O mercado tem trabalhado nos últimos dias sem direcionamento definido, mas voltou na sessão de hoje a repercutir as incertezas em relação à safra 2017/18 de café do Brasil e o câmbio, que impacta diretamente nas exportações da commodity. Com essa alta, os preços externos da variedade já estão voltar ao patamar de US$ 1,55 por libra-peso.

O contrato dezembro/16 encerrou a sessão de hoje cotado a 148,45 cents/lb com 100 pontos de alta, o março/17 anotou 151,95 cents/lb com 115 pontos de avanço. O vencimento maio/17 fechou o dia com 153,90 cents/lb e 115 pontos de valorização e o julho/17, mais distante, registrou 155,65 cents/lb com ganhos de 115 pontos.

"Algumas previsões de chuva nas áreas de café do Brasil criaram nesta semana um interesse maior pelas vendas com ideias de que a floração pode começar agora com essas melhores condições climáticas. No entanto, as chuvas devem deixar áreas de cultivo do Brasil hoje e o tempo seco deve voltar", explicou o analista de mercado e vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville.

Nos últimos dias, áreas de café das principais origens produtoras do Brasil receberam bons volumes de chuva, o que fez com que os preços no terminal externo recuassem, pois havia a expectativa dentre os operadores de que a condição das lavouras para a próxima temporada seria melhor. No entanto, a preocupação com a próxima temporada voltou a tomar conta do mercado, segundo reportam agências internacionais.

Com as recentes chuvas, a Zona da Mata de Minas Gerais já recebeu a principal florada da safra 2017/18. Os produtores da localidade já estão animados e afirmam que a produção tem saúde e condições de dar um bom retorno no próximo ano. Ainda assim, a maior parte das regiões produtoras do país ainda não tiveram a principal florada. No Sul de Minas Gerais, por exemplo, apenas 20% das lavouras estão prontas para a próxima temporada.

Mapas climáticos apontam que as chuvas prosseguem nesta quarta, principalmente, sobre o Oeste de Minas Gerais, Sul da Bahia, Norte do Espírito Santo e parte da Zona da Mata de Minas Gerais. Amanhã, o tempo seco retorna ao Cerrado e as precipitações devem ocorrer em áreas do Sul da Bahia e Sul de Minas Gerais.

De acordo com o analista de mercado da Origem Corretora, Anilton Machado, movimentações técnicas nesta quarta-feira também garantiram o território positivo para as cotações. "As ações na casa de comercialização norte-americana foram técnicas e novamente a posição dezembro trabalho axima do patamar de 150,00 cents/lb. Entretanto, no final do dia, algumas vendas foram identificadas, o que permitiu uma desaceleração das cotações", afirma.

Além das apreensões com o clima no Brasil e as variáveis técnicas, o mercado do arábica também repercutiu nesta terça-feira o câmbio, que impacta diretamente nas exportações da commodity. O dólar mais baixo em relação ao real tende a desencorajar as exportações da commodity, em compensação, os preços externos avançam. A moeda norte-americana recuou na sessão 1,1%, cotada a R$ 3,2193, em processo de ajustes ante a véspera e o dado pior que o esperado sobre emprego no setor privado dos Estados Unidos.

Mercado interno

No Brasil as negociações com café seguem lentas nas praças de comercialização verificadas pelo Notícias Agrícolas. O produtor brasileiro segue reticente e prefere aguardar melhores patamares para voltar a ofertar mais ativamente sua produção. "Baixas nas bolsas e chuvas na zona produtora dão uma cara de ressaca ao mercado interno do café", explicou ontem (4) o analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães.

O tipo cereja descascado fechou o dia com maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP) com R$ 580,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Franca (SP) com alta de 1,94% e saca a R$ 525,00.

O tipo 4/5 teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 580,00 a saca e alta de 0,87%. Foi a maior oscilação dentre as praças de comercialização.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação na cidade de Guaxupé(MG) com R$ 513,00 a saca e alta de 0,98%. A maior oscilação no dia ocorreu em Patrocínio (MG) com avanço de 2,04% e saca a R$ 500,00.

Na terça-feira (4), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 497,11 e valorização de 0,95%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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