Café: Após muitas oscilações, Bolsa de Nova York fecha semana com alta acumulada de mais de 2%

Publicado em 16/12/2016 16:57
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A semana foi marcada por variações dos dois lados da tabela nas cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) acompanhando o otimismo dos operadores em relação à próxima da safra do Brasil, o câmbio e a movimentação dos fundos no mercado. Apesar das cotações oscilarem bastante, os preços acabaram fechando a semana com alta acumulada de 2,22%. O vencimento março/17, referência de mercado, saiu de 139,35 cents/lb na semana passada e fechou a 142,45 cents/lb esta sexta-feira (16).

"Os futuros subiram recentemente com compras sendo realizadas devido as oscilações do câmbio. No entanto, as ideias são de que a produção de arábica na América Latina será forte", explicou em relatório ontem (15) o analista e vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville. Antes da queda registrada na véspera, as cotações do arábica vinham de três altas consecutivas motivadas por ajustes técnicos, o que garantiu com que os preços registrassem valorização na semana.

As cotações do arábica fecharam a sessão desta sexta-feira (16) praticamente estáveis, mas também oscilaram entre altas e baixas durante quase todo o dia. O contrato março/17 registrou 142,45 cents/lb com 25 pontos de avanço, o maio/17 anotou 144,60 cents/lb com 185 pontos de valorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 146,70 cents/lb – estável e o setembro/17, mais distante, teve 10 pontos de queda, a 148,50 cents/lb.

A alta acabou prevalecendo no acumulado da semana devido aos ajustes técnicos que o mercado presenciou depois de quase cair abaixo de US$ 1,40 por libra-peso. No entanto, os fatores fundamentais seguem presentes no mercado. Segundo informam agências internacionais, os agentes externos estão otimistas com a melhora climática no cinturão produtivo do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo, com isso os temores de desabastecimento estão cada vez menores.

Institutos meteorológicos, no entanto, apontam que a partir deste fim de semana, o clima deve ficar mais quente e menos chuvoso nas principais áreas produtoras do grão. Nos últimos dias, algumas regiões receberam acumulados de até 70 milímetros.

Para se ter ideia do otimismo dos operadores com a próxima safra do Brasil, a corretora Marex Spectron divulgou recentemente em relatório que prevê superávit global de 300 mil sacas de 60 kg na temporada 2016/17. "Nós incluímos a liberação de estoques pelo governo brasileiro no balanço, o que deixa um superávit mínimo", disse a Marex à agência de notícias Reuters.

A agência de notícias Reuters informou, com base em informações de analistas e comerciantes participantes, "apesar de chuvas favoráveis no período de floração, que teve início em setembro, a safra de 2017 deve cair entre 5 e 20% ante a safra deste ano, devido ao ciclo bienal natural das árvores, que alternam entre grandes e pequenas safras".

Para o analista de mercado da Origem Corretora, Anilton Machado, os números divulgados são salutares e dentro do pensamento de mercado. "Se pegarmos uma média, teremos, segundo a pesquisa, uma safra de 47 milhões a 48 milhões de sacas, esse é um número muito apertado para atender a nossa demanda", explica.

Do lado altista, deu suporte às cotações nos últimos dias a movimentação dos fundos de investimento e especuladores no mercado. Segundo Machado, essa condição pode continuar gerando instabilidade nos preços externos do café, pois "fica muito na mão de especuladores e fundos", disse. Dessa forma, não sabe se continuarão liquidando suas posições ou se irão retomar às suas carteiras.

O câmbio também contribui para a queda nas cotações futuras do café arábica. No entanto, no dia, o dólar comercial subiu 0,47% no dia, cotado a R$ 3,387 na venda, ainda repercutindo o anúncio do Fed (Federal Reserve) sobre a taxa de juros nos Estados Unidos. Na semana, a alta foi de 0,52%. No ano, há queda de 14,12%. As oscilações no câmbio impactam diretamente as exportações da commodity. Em novembro, as exportações de café do Brasil somaram 3,07 milhões de sacas de 60 kg, segundo reportou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Em comparação com o mesmo período de 2015, houve uma queda de 12,2%.

Em todo o mês de novembro, as exportações de café do Brasil somaram 3,07 milhões de sacas de 60 kg, segundo reportou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) na semana passada. Em comparação com o mesmo período de 2015, houve uma queda de 12,2%, devido à redução dos embarques de café conilon e a impactos sentidos com a greve alfandegária no Porto de Santos, que comprometeu o processamento de certificados de exportação. A receita cambial foi de US$ 547,3 milhões no período.

Importação de café

A queda de braço entre a indústria e o setor produtivo de café ganhou mais um capítulo na noite desta quarta-feira (14) depois de um encontro de representantes dos cafeicultores com o ministro da agricultura Blairo Maggi. Agora a questão só deve ser decidida pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) na segunda quinzena de janeiro do ano que vem. Até lá, ficou decidido que as autoridades competentes do país devem fazer uma avaliação minuciosa dos estoques.

» Importação de café: Decisão sobre o assunto deve sair só no início de 2017 após avaliação dos estoques

Comercialização

Segundo informação reportada pela consultoria Safras & Mercado, a comercialização da safra de café do Brasil 2016/17 (julho/junho) chegou a 74% até o dia 12 de dezembro. As vendas estão adiantadas em relação ao ano passado, quando 68% da safra 2015/16 estava comercializada no período.

» Café: Safras & Mercado estima comercialização 2016/17 do Brasil em 74%

Mercado interno

Os negócios com café nas praças de comercialização do Brasil seguiram limitados durante toda a semana. Segundo analistas, o produtor dá cada vez mais sinais que deve voltar às praças de comercialização apenas em 2017. Colaboradores do Cepea ( Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP) também informaram que as negociações da variedade arábica continuam limitadas, com produtores aguardando maiores valorizações e uma definição mais clara do mercado.

O tipo cereja descascado anotou queda na semana de 8,06% em Espírito Santo do Pinhal (SP), encerrando a R$ 570,00 a saca. Foi o maior valor de negociação dentre as praças na semana.

No tipo 4/5, foi registrado queda de 3,64% em Franca (SP), com saca finalizando a semana a R$ 530,00. Em Guaxupé (MG), foi registrado valorização de 2,50%, ainda assim a cidade segue com maior valor de negociação com R$ 573,00.

Para o tipo 6 duro, o maior recuo registrado na semana ocorreu em Araguari (MG) e a saca passou a ser cotada a R$ 500,00 com baixa de 3,85%. Em Patrocínio (MG), a saca do tipo teve queda de 1,82%, fechando a R$ 540,00.

Na quinta-feira (15), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 497,37 com queda de 0,91%.

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Por:
Jhonatas Simião
Fonte:
Notícias Agrícolas

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