Café: Após oscilar dos dois lados da tabela, Bolsa de Nova York fecha sessão desta 3ª feira com leve queda

Publicado em 20/12/2016 16:42
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Os contratos futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) oscilaram dos dois lados da tabela nesta terça-feira (20), mas acabaram fechando com leve queda e perderam parte dos ganhos registrados nas últimas sessões, quando o mercado realizou ajustes técnicos e também teve suporte do câmbio. Os operadores externos voltaram a repercutir as chances cada vez menores de desabastecimento do grão em 2017.

Apesar da queda, as cotações externas do arábica continuam próximas do patamar de US$ 1,45 por libra-peso. O contrato março/17 fechou a sessão de hoje cotado a 143,85 cents/lb com 40 pontos de recuo, o maio/17 anotou 146,10 cents/lb com 45 pontos de desvalorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 148,35 cents/lb com 45 pontos de baixa e o setembro/17, mais distante, também teve 45 pontos de queda, cotado a 150,20 cents/lb.

Em relatório divulgado ontem (19), o analista e vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville, já havia informado que o mercado realizava ajustes, mas que os fundamentos ainda estavam presentes. "Os futuros subiram recentemente com compras sendo realizadas devido as oscilações do câmbio. No entanto, as ideias são de que a produção de arábica na América Latina será forte", explicou. Com as melhores condições climáticas no Brasil, as ideias de desabastecimento em 2016 diminuíram.

Mapas climáticos apontam que após bons volumes de chuvas nos últimos dias em áreas do cinturão produtivo de café do país, o clima deve ficar menos chuvoso e quente nos próximos dias. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), até quinta-feira, somente o centro e norte do Espírito Santo e o Paraná receberão chuvas mais volumosas.

Segundo o analista da Origem Corretora, Anilton Machado, o mercado do café também foi influenciado nesta terça-feira pelo baixo volume de negócios. "Foram negociados 18.927 lotes. A cotação para o vencimento março/17 fechou cotada a 143,85 cents/lb com baixa de 45 pontos, sendo que a oscilação entre máxima (145,25 cents/lb) e mínima (142,35 cents/lb) foi de 290 pontos", ponderou.

A OIC (Organização Internacional do Café) reportou em relatório mensal (novembro), divulgado na última sexta-feira (16), que após dois anos seguidos de déficit, a safra 2016/17 de café deve apresentar recuperação, principalmente por conta da variedade arábica. "As perspectivas para o arábica são mais positivas", disse. Já o robusta deve apresentar queda na maioria dos países produtores do grão.

"Atualmente a disponibilidade de café permanece suficiente, com as exportações totais de 112,4 milhões de sacas de 60 kg nos últimos 12 meses", informou a OIC em relatório. No entanto, essa oferta maior do grão no mercado contribuiu para uma pressão nos preços da commodity, tanto arábica como robusta.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), no entanto, informou que a exportação de café do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo, na safra 2016/17 deve cair, totalizando 34,23 milhões de sacas de 60 kg. Esse número é 3,7% menor que o volume registrado na temporada anterior, quando foram embarcadas 35,54 milhões de sacas pelo país. Segundo a entidade, o Brasil deve ter produção de café na safra 2016/17 mais alta que a anterior, totalizando 56,1 milhões de sacas na safra 2016/17.

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O câmbio, que contribuiu bastante para o avanço das cotações do café nos últimos dias teve hoje pouca influência sobre os preços externos do grão. O dólar comercial recuou 0,82%, cotado a R$ 3,3436 na venda, com fluxo de venda maior em um dia de baixo volume de negócios. As oscilações no câmbio impactam diretamente as exportações da commodity.

Mercado interno

Com a proximidade do fim do ano, os negócios com café nas praças de comercialização do Brasil são isolados. Segundo analistas, só aparece nas praças de comercialização o produtor que precisa mesmo fazer caixa.  Colaboradores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP) informaram que as negociações da variedade arábica já foram bastante limitadas na semana passada, com produtores aguardando maiores valorizações e uma definição mais clara do mercado.

"O mercado físico brasileiro permaneceu calmo, praticamente sem vendedores nas bases oferecidas pelos compradores", informou o Escritório Carvalhaes, com sede em Santos (SP), também em referência as negociações da última semana.

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação no dia em Espírito Santo do Pinhal (SP) com negócios em R$ 580,00 a saca e alta de 1,75%. A maior variação no dia dentre as praças.

O tipo 4/5 anotou maior valor em Guaxupé (MG) com 578,00 a saca e queda de 0,34%. A maior variação no dia aconteceu em Poços de Caldas (MG), que teve queda de 0,38% e fechou o dia com R$ 527,00 a saca.

O tipo 6 duro teve maior valor de negociação no dia nas cidades de Patrocínio (MG) (estável) e Média Rio Grande do Sul (estável), com R$ 535,00. A maior oscilação no dia para o tipo ocorreu em Vitória (ES) com avanço de 2,57% e saca a R$ 510,00.

Na segunda-feira (19), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 499,42 com alta de 1,31%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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