Mapa refuta informação de que importação de café robusta traria pragas com potencial capacidade para destruir cafezais capixabas

Publicado em 10/02/2017 12:39
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A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/Mapa) refuta informações de suposto estudo que relacionaria pragas com potencial capacidade para destruir cafezais capixabas e brasileiros, caso a importação dos grãos de café seja liberada pelo governo federal.

Atualmente, estão aptos a exportar para o país, grãos crus de café, diferentes países, mediante o cumprimento de requisitos para a mitigação de riscos fitossanitários inerentes a essas importações pelo país exportador, pelos produtores internacionais, pela vigilância agropecuária brasileira e pelos importadores nacionais. Tais requisitos são resultantes de estudos minuciosos de análise de risco de pragas (ARP) conduzidos de acordo com as normas internacionais, aprovadas e estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias do tratado da Organização Mundial do Comércio (SPS/OMC) e pela Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (CIPV/FAO/ONU) dos quais o Brasil é signatário.

No Brasil, as ARP são conduzidas por Auditores Fiscais Federais Agropecuários do MAPA capacitados especificamente para essa atividade. Nos estudos de ARP, são avaliadas as probabilidades de entrada, estabelecimento e disseminação de quaisquer pragas que estejam presentes nos países de origem dos produtos vegetais, cujo risco fitossanitário na importação para o Brasil esteja sendo analisado, e que possam vir associadas a esses envios de produtos vegetais. Essas probabilidades são combinadas com o potencial de consequências econômicas indesejáveis que tais pragas poderiam representar para a agricultura brasileira. A partir dessa combinação, determina-se o risco da praga.

Todas as importações de grãos crus de café autorizadas pelo MAPA ou em vias de autorização passam previamente pelo estudo de ARP descrito anteriormente. Os produtos só são internalizados no Brasil mediante a comprovação do atendimento dos requisitos fitossanitários estabelecidos pelas ARP. Caso haja a constatação de descumprimento de tais requisitos ou a interceptação de praga quarentenária, o carregamento é destruído ou rechaçado, podendo a importação daquela origem ser suspensa e os requisitos fitossanitários revistos. Portanto, toda importação de grãos crus de café (e de outros produtos vegetais) autorizada no Brasil a partir de estudos de ARP, os quais adotam parâmetros recomendados pelo acordo SPS/OMC e pelo tratado da CIPV/FAO/ONU, é segura para a sanidade vegetal da produção agrícola do país.

Diante do exposto, podemos afirmar que o café importado não representa, absolutamente, ameaça fitossanitária aos estados produtores de café no Brasil. Finalmente, a Secretaria de Defesa Agropecuária alerta que a apresentação de alegações de ameaça fitossanitária sem o devido respaldo técnico, sem a observação dos métodos oficiais de análise de risco de pragas e, consequentemente, sem a credibilidade ou possibilidade de comprovação pelos órgãos oficiais, é atitude considerada irresponsável e altamente prejudicial ao sistema de sanidade vegetal do Brasil, pois, inadvertidamente coloca em questionamento um processo reconhecido e respeitado internacionalmente pelo alto nível técnico-científico e transparência.

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Fonte: Mapa

2 comentários

  • Carlos Júnio Cesconetti São Mateus - ES

    Nós, cafeicultores (robusta) do Espírito Santo, há três anos estamos enfrentado uma estiagem jamais vista nas últimas décadas, talvez século. Perdemos muitas lavouras de café com a falta d'água, mesmo usando sistemas eficientes de irrigação, e fazendo o seu uso de forma racional. Viemos consumindo o nosso estoque de café gradativamente para honrarmos compromissos e fazermos os investimos necessários e, agora, sofremos esta apunhalada com esta decisão de importação, uma vez que os preços despencarão ainda mais... Produzir neste país é muito caro, pagamos altas taxas e impostos, temos uma legislação trabalhista extremamente exigente, e não temos o retorno em serviços e infraestrutura! A vida do cafeicultor capixaba que já estava abalada, agora, sinceramente, não sei como será... Isso inviabilizará muitos produtores seguirem na atividade. Estamos lutando, com as ferramentas que possuímos, para evitar essa importação, mas, como todos sabem, como podemos lutar contra o interesse de grandes empresas, apoiadas por um governo que não está nem aí para o produtor rural?

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  • Hiroyoshi Ida Apucarana - PR

    A fiscalização (nas importações) é ineficiente, basta olhar para o passado, para comprovar que muitas doenças adentraram ao Brasil através de importações de outros países. O Brasil não possui capacidade técnica e econômica para tal fiscalização.

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    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      Antigamente a ação era mais violenta...Para justificar importação de suinos da França na década de 60, justificaram que existia uma peste suína no Brasil e que até o exército se incumbiria de liquidar os porcos nacionais, como de fato foi feito...De um começo de importação, tornamo nos dependentes dos reprodutores que fecham o ciclo reprodutivo com os netos, não deixando animais reprodutores, quer dizer , uma importação para consumo, caindo no item proibido, pelo menos para antiga CACEX, Carteira de Comercio Exterior do Banco do Brasil...Mas os analisadores de guias de importação não estão se importando com as normas...

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    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      Depois, se constatar novas pragas de difícil combate, os responsáveis garanto que sumirão no mapa literalmente...

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    • EDMILSON JOSE ZABOTTPALOTINA - PR

      Até acho que capacidade técnica dos profissionais de fiscalização são eficientes , o Problema das importações são os acertos políticos , onde em troca de acordos comerciais regras são deixados de lado . Outro exemplo de safadeza dos ministérios envolvidos é o caso dá Liberação dá importação do "Peixe Panga " um peixe transformado em Filé que compete com o nosso Filé de Tilápia , que extremamente qualificado com manejo correto , alimentado com ração a base de soja e milho e com técnicas de cultivo extremamente profissional . Contrário ao Panga que não temos as mínimas condições sanitárias de cultivo , mas que é liberado p comercialização no Brasil com preços muito abaixo do Filé de Tilápia. Para entender melhor este esquema o Brasil não proibiu ainda a importação do mesmo , mas uma Grande Rede Mundial de alimentos Acaba de Proibir a venda do Filé de Panga em todas as suas lojas de Alimentos no Mundo . Por conhecer a forma de produção do peixe no país de origem .No Brasil nós Produtores a muito tempo informamos as autoridades sobre isso e até agora nada foi feito . Uma das alegações foi que acordos comerciais estariam impedindo a Proibição. Enquanto isso os desinformados continuam comprando pois ele é bem mais barato.

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    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      Não é atoa que invejo os argentinos e a maneira da Argentina de governar...

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    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      Abram os olhos, porque ficar dependente de peixe também já é demais...Será qual a nova desculpa, porque importação para consumo é proibida, pelo menos era...

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    • EUCLIDES DE OLIVEIRA PINTO NETODUQUE DE CAXIAS - RJ

      As grandes redes de supermercados pertencem a empresas ou grupos financeiros internacionais, que compram produtos de todo o mundo (principalmente de baixo custo) e empurram nas lojas... qualquer porcaria serve... eles estão preocupados é com a maximização dos lucros... que se dane a saúde.... peixe congelado há mais de 1 ano e sem nenhuma qualidade... e força um preço muito baixo para os nossos produtos.... efeitos da "globalização"...

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