Agrimoney: Investidores de olho na oferta de curto prazo e potencial de safra 'gigantesca' de café no Brasil no próximo ano

Publicado em 11/04/2017 11:25 281 exibições

O clima deve ocupar lugar central no mercado do café, que "provavelmente" será marcado por uma crescente volatilidade, já que os investidores balizarão a oferta de curto prazo e o potencial de uma "gigantesca" safra brasileira no próximo ano, disse o Rabobank.

O banco revisou de 2,8 milhões de sacas para 2,5 milhões de sacas sua previsão de déficit na produção mundial de café na temporada 2017/18, citando uma estimativa de aumento no consumo global e estimativas reduzidas de colheita no Brasil neste ano, após recentes visitas ao país, e na Indonésia, por conta das fortes chuvas.

"Há alguns relatórios que confirmam que a Indonésia terá pouca recuperação este ano em [na produção] devido às chuvas fortes," que podem "frequentemente serem excessivas" no país, disse o analista de Rabobank, Carlos Mera.

Embora o banco tenha elevado suas estimativas de oferta em 2017/18, reconheceu que a relação estoque-uso – uma métrica de preços muito observada – para o café global estará "indo para um nível muito baixo" em meados de 2018.

"Colheita potencialmente gigantesca"

No entanto, o mercado também vê uma "situação incomum" de uma colheita "potencialmente gigantesca do arábica brasileiro" a partir de julho de 2018.

A colheita de 2018 deve ser relativamente grande – sendo um ano de bienalidade positiva no ciclo produtivo do país, que costuma ter anos alternados de produção.

Mas o balanço positivo em 2018 pode se destacar, particularmente, devido ao número de lavouras que estão "descansadas", após uma forte safra em 2016.

"Impacto exacerbado de preço"

A dinâmica significa que "qualquer efeito climático" que possa alterar as expectativas para a produção brasileira de 2018 "terá um impacto exacerbado de preço".

"Os futuros virão sob crescente pressão se não houver geada durante o inverno brasileiro e vemos uma boa floração em setembro/início de outubro".

Ainda assim, Mera prevê que a volatilidade nos mercados do café "provavelmente aumentará", uma vez que os estoques dos países compradores estão atualmente em "níveis muito altos".

Pessimismo nos preços

A avaliação se dá em meio a um período nitidamente fraco para os mercados do café, com volatilidade implícita, numa base contratual mais próxima, com volatilidade situando-se em 27% para os futuros do arábica em Nova York e 23% para os futuros do robusta, negociados em Londres – níveis "relativamente baixos", disse o Rabobank.

Os comentários negativos seguiram na sexta-feira sobre as perspectivas de preços do café da OIC (Organização Internacional do Café), que disse que "o mercado atualmente não tem sinais fortes para reverter o atual declínio gradual".

"Os estoques certificados nos mercados futuros de Nova York e Londres aumentaram 2,4% [mês a mês em março] e 1,9%, respectivamente".

"Ao mesmo tempo, os estoques nos países consumidores continuaram a crescer", disse a OIC, destacando que os estoques norte-americanos em fevereiro atingiram 6,45 milhões de sacas, o maior desde maio de 2003.

O Rabobank, na sua última perspectiva de preços, no final do mês passado, previu futuros arábica com uma média de 147 centavos de dólar por libra-peso no período de outubro a dezembro, um preço em linha com o fechamento de futuros de dezembro na segunda-feira.

O banco estima os futuros do robusta em Londres com uma média de US$ 2100,00 por tonelada durante o trimestre, abaixo dos US$ 2191,00 por tonelada a que os futuros de novembro estavam sendo negociados.

Tradução: Jhonatas Simião

Fonte:
Agrimoney

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