Café: Mercado segue com altas expressivas após USDA apontar diminuição na safra

Publicado em 21/11/2019 17:43
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O mercado futuro do café arábica encerrou mais uma sessão com as altas expressivas na Bolsa de Nova York (ICE Future US). As altas acontecem depois do USDA (Departamento de Agricultura do Estados Unidos) divulgar uma redução de 10,5% para a produção de café brasileiro na safra 2019/20. 

O contrato com vencimento em dezembro/19 registrou alta de 555 pontos, cotado a 115,25 cents/lbp. Março/20 subiu 530, valendo 116,25 cents/lbp, maio/20 teve elevação de 545 pontos, negociado a 118,60 cents/lbp e julho/20 teve aumento de 545, encerrando o dia por 120,65 cents/lbp. 

O USDA reduziu em 10,5% a produção de café brasileiro para a safra 2019/20. De acordo com o relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS na silga em inglês), a produção pode cair para 58 milhões de sacas de 60 kg. O FAS prevê ainda que a exportação do café arábica também reduza cerca de 14,7%, com 35,32 milhões de sacas. Segundo o USDA, a baixa acontece devido à menor oferta esperada de café para 2019/2020. 

Mesmo o mercado do café ser considerado um mercado muito volátil e mudar a todo instante, o analista de mercado Eduardo Carvalhaes, destaca que as informações do USDA podem sim ter interferido diretamente nas altas das duas últimas sessões de Nova York. Afirma ainda que já existe um consenso de que a safra brasileira será pequena, o que acaba indo de encontro com as informações do USDA. 

"Nós vamos fechar o ano de 2019 com embarque das exportações acima de 40 milhões de sacas, vai ser um novo recorde histórico. O último, de 2015, nós embarcamos 37 milhões. Então significa que nós estamos embarcando muito café e diminuindo nossos estoques da safra atual", afirma. Diante do novo cenário, para o especialista, com as novas informações a dúvida que fica para o setor, é se o Brasil vai conseguir manter o ritmo de embarque nos primeiros seis meses do ano calendário. 

Segundo o analista, ao mesmo tempo que as informações se encontram por aqui, nota-se que os próprios exportadores de fora têm pressionado para que os produtores façam embarques já nos próximos meses. "Primeiro isso mostra que o consumo vai muito bem no mundo, que a demanda pelo café brasileiro é cada vez maior e que na próxima safra brasileira, apesar de ser boa, já se fala que ela não vai ser recorde, vai ficar abaixo de 2018", diz o analisata. 

O mercado iniciou a semana com baixas na segunda e terça-feira, subindo expressivamente na quinta-feira (20), quando o contrato Dezembro/19 registrou alta de 700 pontos e de até 480 pontos nos demais contratos. "Não existe café sobrando e precisam de café brasileiro. E o Brasil, apesar de estar exportando muito bem, você não vê os estoques lá fora subirem de um modo consistente, mas nada que indique que nós estamos exportando e os estoques estão crescendo muito lá fora", comenta Eduardo. 

Aproveitando as altas de Nova York, o analista afirma que os produtores brasileiros têm aproveitado para fazer negócios, mas ainda trabalham com cautela nas vendas. "Os negócios saem e não sai mais porque quem tem café fino sabe que tem um produto raro", afirma. Ele ressalta ainda que diante dos juros baixos e retorno inexpressivos com investimentos, produtores brasileiros têm escolhido vender aos poucos, conforme precisar arcar com contas e dívidas. 

Em contrapartida, desta que mesmo em dias com os valores estão mais baixos, os negócios sempre são feitos no Brasil. "Quando a gente fala que o mercado está parado, é porque o volume é muito baixo. Mas a gente nota que mesmo com essa alta e tudo, o produtor continua vendendo com cautela", afirma. 

Alta esperada 

Direto da Semana Internacional do Café, Nelson Carvalhaes presidente da Cecafé, comentou que após um período de preços baixos, mas de muito investimentos e paciência do cafeicultor brasileiro, as altas eram esperadas pelo setor. "Todas as ações que vinham ocorrendo no mercado de lá para cá, indicavam que em um determinado momento teria uma melhora no preço", comenta. 

O Brasil, segundo Nelson, se preparou de todas as maneiras para que o mercado reagisse aos investimentos, além de também destacar que o consumo mundial de café tem aumentado consideravelmente. "O Brasil faz 38 a 40% deste mercado, portanto é uma responsabilidade muito grande. O Brasil fez a lição de casa, produtor investiu em pesquisas e manteve as lavouras com todas as dificuldades nos momentos com preços baixos. O exportador investiu em logística e a indústria é muito competente, aumentou e melhorou a qualidade", comenta. 

Nelson destou ainda que enquanto os preços estavam abaixo do ideal, ainda assim o setor cafeeiro continou investindo em melhorias, ações que não foram tomadas por outros exportadores. "Os concorrentes não fizeram isso, a maioria não tem estruturam, tem baixa produtividade. Tudo indica que em 2020 teremos uma boa safra e um bom preço", afirma. 

Confira a entrevista completa: 

Mercado Interno

No Brasil o mercado interno também registrou altas, acompanhando Nova York. Segundo Eduardo Carvalhaes, as altas não foram tão expressivas, mas os negócios também caminharam por aqui. 

O tipo 6 duro registrou altas nas principais praças produtoras do país. A maior elevação foi registrada em Espírito Santo do Pinhal/SP, com alta de 6,67%, negociado a R$ 480,00. Em Guaxupé/MG o aumento foi de 2,94%, cotado a R$ 490,00. Poços de Caldas/MG, registrou alta de 
2,06% encerrando as cotações por R$ 495,00. Varginha/MG teve elevação de 3,13%, por R$ 495,00. Em Franca/SP o aumento foi de 2,06%, encerrando as negociações por 495,00. 

O tipo 4/5 teve alta de 3,09% em Varginha/MG, cotado a R$ 500,00. Em Poços de Caldas/MG o aumento foi de 2,02%, por R$ 505,00. Em Franca/SP a alta foi de 2,02%, encerrando o dia por R$ 505,00. 

O tipo cereja descascado teve alta de 2,65%, com valor de R$ 580,00. Em Guxupé/MG o aumento foi de 1,54%, com preço estabelecido por R$ 528,00. Patrocínio/MG com elevação de 1,92%, por R$ 530,00. 

Confira mais cotações aqui

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Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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