Impactos para pequenos negócios da cadeia do café já são expressivos: Setores buscam alternativas para sobreviver à pandemia

Publicado em 30/04/2020 17:35 e atualizado em 01/05/2020 16:40 88 exibições

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Quando comparado com as demais commodities agrícolas, o mercado do café ainda não sofreu grandes baixas nos preços na Bolsa de Nova York (ICE Future US), com exceção aos dias em que o setor financeiro a nível global teve dias de aversão ao risco. A preocupação, no entanto, é com os impactos financeiros que a pandemia pode trazer ao consumo da bebida, sobretudo com o fechamento dos estabelecimentos nos grandes centros. 

Entre os setores da cadeia produtiva do café que já sente os impactos do Covid-19 está os setor de torrefação. Felipe Croce é proprietário de uma empresa de torrefação e desde quando a quarentena começou no estado de São Paulo, está torrando apenas 20% do café do que era previsto para o momento. “O começo foi bem difícil e bem assustador, perdemos mais de 95% do negócio”, comenta. 

Segundo Croce, a alternativa encontrada para enfrentar o momento foi inovar nas formas de atender, tendo em vista que os principais clientes fecharam as portas, como restaurantes e cafeterias. “Estamos focados em melhorar as mídias sociais e o e-commerce, gerando campanhas com parceiros e vendendo cafés especiais por R$ 25,00”, comenta.

O estoque da empresa, de acordo com Croce, está cheio, com cerca de 150 sacas de café. “Eu tinha acabado de fazer uma compra para torrefação bem grande, dentro da normalidade, o estoque duraria até novembro”, afirma. Destaca ainda que se a incerteza continuar no mercado, a solução será tentar exportar a mercadoria. “Colocamos o café em câmara fria, com - 7ºC, o que segura a qualidade”, comenta. 

Visando encontrar soluções e minimizar os impactos do Covid-19 para o consumo do café, salvar as produções e evitar uma quebra de lucro mais intensa, Giuliana Bastos, especialista em café, lançou a campanha #BebaCafé nas mídias sociais que engloba a produção e divulgação de produtores, cafeterias, baristas, micro-torrefação e demais setores. “O Grão Coletivo é um grupo que se formou para ajudar neste momento de Covid e buscar algumas ações coletivamente”, afirma.  Os estabelecimentos entregam em casa os cafés torrados e moídos, personalizando o pedido do cliente. 

Ela destaca que apesar dos dados da Abics indicarem um aumento de 35% no consumo doméstico, o número não registrou alta nos cafés via delivery. “O delivery em média traz para as cafeterias cerca de 15% do faturamento de quando elas estavam abertas. Isso não cobre os custos fixos que elas têm”, destaca.  Ela explica ainda que é importante mostrar ao consumidor que os cafés comprados em cafeterias garantem que o produto seja de qualidade e há uma valorização maior da bebida. 

O produtor de café especiais Valmor Oliveira de Santos Filho, também está se adaptando à nova realidade para conseguir driblar os impactos do momento. “A gente tem uma produção em Minas Gerais e a torrefação em São Paulo, com esse problemas de 40 dias estamos ficando em Minas Gerais, mas vamos para São Paulo fazer as entregas. 

De acordo com Valmor as vendas estão sendo positivas e o consumidor tem aceitado os novos moldes de negócio “Nós estamos ficando em Minas Gerais e quando juntamos um pedido que compensa e com valores que compensa, vamos para São Paulo e fazemos a torrefação e as entregas”, afirma. 

Apesar da aceitação, o consumo ainda está abaixo entre 60 e 70% quando comparado com as demais fases. “A gente nunca trabalhou dessa maneira (delivery), nunca houve essa necessidade. Estamos aproveitando para melhorar nossa loja virtual e fazendo novas parcerias”, comenta. 

Valmor já havia programado o estoque para atender a demanda até o final de 2020, tendo em vista que a maioria dos clientes é composta por feiras e restaurantes. Além das mudanças na forma de chegar até o consumidor final, o produtor fez um reajustes de preços que até o momento garantem o custo de produção e uma pequena margem de lucro. 

Já do lado das cafeterias, Diego Gonzales sente os impactos de maneira muito agressiva e tem tentando mudar as formas de atender com sistema de delivery e com sistema de drive-thru. "O delivery, falando de modo geral, não dá para pagar as contas e é um modelo de negócio que as cafeterias não foram baseadas", comenta.

Já para o drive-thru,  Diego destaca que há uma certa resistência do consumidor em comprar desta maneira. "A gente tem modelo de negócios que são baseados em atendimento ao público e até 80% do nosso faturamento vem disso, quando a gente passa a viver de outra forma, não vai ser suficiente", afirma.

 

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Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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