Cenário favorável: relação de troca para o café segue em tendência de queda e muito mais acessível
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Apesar do aumento nos custos de fertilizantes, a valorização dos preços do café neste início de 2025 vem favorecendo a relação de troca e proporcionando uma grande oportunidade aos cafeicultores para anteciparem suas compras.
De acordo com o CEO da AMR Business Intelligence, Alessandro Rabello, as baixas relações de troca por fertilizantes podem influenciar diretamente nos custos de produção e, consequentemente, na rentabilidade dos produtores. "O atual cenário de relação de troca para o café é confortável diante dos preços atuais. Todas as matérias-primas estão com tendência de alta, mas o café é a única commodity que consegue, no momento, garantir uma boa janela de preço. Para se ter uma idéia, o MAP está atualmente com novas máximas, porém, para a cultura do café a troca está com novas minímas nunca registradas em anos anteriores. O momento agora é do produtor antecipar suas compras, travar o que sobrar, e assim trabalhar com folga, já garantindo rentabilidade para próxima safra", explica o especialista.
Informações da Agrinvest Commodities apontam que, mesmo com todo o cenário conturbado em relação ao MAP para várias culturas agrícolas, a troca entre o café e o fertilizante está atualmente em 1.7 saca por tonelada. No mesmo período do ano passado, esse valor operava em 2.7 sc/t, e a média dos últimos cinco anos foi de 4 sc/t.
O poder de compra do cafeicultor se encontra entre os melhores patamares das últimas temporadas. O analista de café da StoneX, Fernando Maximiliano, reforça que essa relação mais acessível se deu pelo fato dos preços do grão terem avançado demais nos últimos meses. "A gente está aí em um momento bem interessante, onde os fertizantes estão com preço mais acessível para o produtor de café. Um exemplo é o cloreto de potássio, a relação de troca dele é um número na casa de 0.6 a 0.7 sc/ton. Um número bastante interessante, inclusive, abaixo do ano passado que estava um pouco mais de 1 saca para uma tonelada de KCl, e Da média histórica de mais de duas. Já para a ureia, a gente está próximo de 0.8 sc/t, ou seja, o produtor gasta apenas 0.8 sacas para comprar uma tonelada de ureia. Esse número é abaixo do que vimos no ano passado e está muito abaixo da média histórica dos últimos cinco anos para o período”, ressalta o analista.
Para 2025, o Rabobank projeta um aumento de 2% nas entregas de fertilizantes no mercado brasileiro, atingindo um recorde histórico de 46,6 milhões de toneladas. Muito deste aumento no consumo de fertilizantes está voltado para o cultivo de café. Ainda de acordo com dados divulgados pelo banco holandês, em abril, foi necessária apenas uma saca de café verde para comprar uma tonelada de fertilizante (mistura 20-05-20). Isso representa uma melhora de 39% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando eram necessárias 1,7 sacas de café. "Nas últimas semanas, os preços dos fertilizantes têm passado por momentos de volatilidade, impactando um cenário que poderia ser ainda mais favorável ao produtor. Mesmo em um cenário de incertezas, tensões geopolíticas e recente valorização dos preços dos fertilizantes, os atuais patamares dos preços do café têm colaborado significativamente com o produtor. Observando a relação de troca em 2025, podemos ver que estamos passando pelo melhor momento dos últimos 13 anos, desde que iniciamos essa análise. É crucial para o produtor analisar esse cenário e aproveitar esses momentos favoráveis, com o objetivo de fixar, pelo menos parcialmente, seus custos, uma vez que claramente estamos passando por um ótimo momento. Essa melhora na relação de troca aumenta a competitividade do produtor", destaca o analista de mercado do Rabobank, Guilherme Morya.
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