Café despenca no exterior e trava negócios no Brasil: produtor segura vendas em meio à pressão da safra
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O mercado de café inicia esta quinta-feira (9), com comportamento misto nas bolsas internacionais, após um movimento recente de forte desvalorização que travou a comercialização no Brasil. Na Bolsa de Nova York, o café arábica opera com leve recuperação nos principais vencimentos, enquanto o robusta em Londres segue pressionado.
Para o café arábica, o contrato maio/26 é cotado a 293,85 cents por libra-peso, com alta de 20 pontos. O julho/26 avança 10 pontos, a 289,40 cents/lb. Já o setembro/26 recua 25 pontos, negociado a 275,70 cents/lb, indicando ainda fragilidade nos contratos mais longos.
No robusta, o cenário é de continuidade da pressão. O contrato maio/26 é negociado a US$ 3.325 por tonelada, com queda de 3 pontos. O julho/26 recua 4 pontos, a US$ 3.252 por tonelada, enquanto o setembro/26 permanece estável, cotado a US$ 3.188 por tonelada.
O movimento ocorre após uma sessão anterior de fortes perdas nas duas bolsas, que impactaram diretamente o mercado físico brasileiro. Segundo relatório da Safras & Mercado, os preços “derreteram”, reduzindo a liquidez e deixando produtores mais defensivos, com negociações praticamente travadas.
A pressão sobre as cotações tem fundamentos claros. Do lado da oferta, o avanço da colheita no Brasil, especialmente do conilon, começa a aumentar a disponibilidade do grão no mercado. Além disso, há expectativa de uma safra robusta de arábica no país, o que reforça o viés baixista. No cenário global, a entrada da safra de robusta da Indonésia também contribui para ampliar a oferta.
Outro fator relevante é o ambiente macroeconômico. A recente aversão ao risco nos mercados internacionais, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, levou investidores a reduzirem posições em commodities, pressionando os preços do café. O movimento também influenciou o câmbio, com o dólar encerrando em leve alta, o que tende a dar suporte às exportações, mas não foi suficiente para sustentar as cotações.
No mercado físico brasileiro, o reflexo foi imediato. As quedas externas reduziram os preços internos em até R$ 90 por saca no arábica e intensificaram a retração dos produtores, que passaram a segurar ofertas à espera de melhores condições. No caso do conilon, apesar da pressão, a colheita em andamento tem levado à venda de volumes pontuais, especialmente diante do receio de novas perdas.
A combinação entre aumento da oferta, entrada da safra e ambiente externo mais avesso ao risco mantém o mercado sob pressão neste início de dia. Ainda assim, as leves altas no arábica indicam tentativa de ajuste técnico após as quedas recentes, enquanto o robusta segue mais vulnerável diante da maior disponibilidade global.
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