Café fecha sem direção única entre arábica e robusta, enquanto mercado monitora clima e estoques globais
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O mercado internacional do café encerrou a quarta-feira (17) com comportamento misto nas bolsas. Em Nova York, os contratos do café arábica fecharam em leve baixa, pressionados pela previsão de tempo mais seco nas principais regiões produtoras do Brasil. Já em Londres, o robusta avançou, sustentado pelas preocupações com a oferta global e pelos estoques reduzidos monitorados pela ICE.
Fechamento dos contratos
Café arábica (ICE Futures US)
Julho/26: 277,85 cents de dólar por libra-peso, com alta de 60 pontos.
Setembro/26: 271,90 cents de dólar por libra-peso, com baixa de 90 pontos.
Dezembro/26: 263,15 cents de dólar por libra-peso, com baixa de 45 pontos.
Café robusta (ICE Futures Europe)
Julho/26: US$ 3.680 por tonelada, com alta de 11 pontos.
Setembro/26: US$ 3.622 por tonelada, com alta de 24 pontos.
Novembro/26: US$ 3.574 por tonelada, com alta de 29 pontos.
O mercado chegou a registrar ganhos mais expressivos ao longo da semana, levando as cotações aos maiores níveis das últimas cinco semanas. O principal fator de sustentação continua sendo o clima nas regiões produtoras brasileiras.
As chuvas registradas em áreas cafeeiras do Brasil geraram preocupação quanto ao ritmo da colheita da safra 2026, especialmente nas regiões de arábica. A possibilidade de atrasos na retirada dos grãos do campo elevou o prêmio climático nas bolsas internacionais.
Entretanto, parte desse suporte perdeu força ao longo do dia após novas previsões da Climatempo indicarem retorno do tempo mais seco em importantes áreas produtoras, favorecendo o avanço dos trabalhos de colheita.
Outro fator de sustentação para os preços continua sendo a queda dos estoques certificados da ICE, que vêm registrando redução ao longo dos últimos três meses. Estoques menores indicam disponibilidade mais restrita de café para entrega imediata, cenário que costuma dar suporte às cotações internacionais.
El Niño volta ao centro das atenções
O mercado também acompanha com atenção o desenvolvimento do fenômeno El Niño. A preocupação não está apenas na safra atual, mas principalmente no potencial impacto sobre a produção brasileira de 2026/27.
Segundo análises de empresas do setor cafeeiro, um evento climático mais intenso pode atrasar o retorno das chuvas entre setembro e outubro, período decisivo para a florada das lavouras brasileiras. Caso isso ocorra, o potencial produtivo da próxima safra poderá ser comprometido.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima probabilidade de 67% para a ocorrência de um evento de forte intensidade. Já a Agência Meteorológica do Japão confirmou a presença das condições climáticas associadas ao El Niño no Oceano Pacífico Equatorial.
Além do Brasil, o mercado monitora possíveis impactos sobre países produtores da Ásia, especialmente Vietnã e Indonésia, importantes fornecedores de café robusta.
Mercado segue sensível ao clima
Com a colheita brasileira avançando e os estoques globais ainda relativamente apertados, o clima permanece como principal vetor de formação dos preços. A combinação entre andamento da colheita, evolução dos estoques certificados e perspectivas para a próxima florada deverá continuar ditando o comportamento das bolsas nas próximas semanas.
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